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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Manual do Aprendiz de Dai Maou Como se tornar o Programador Noturno Supremo (nível Enterprise z/OS)

 


🜂 El Jefe Midnight Lunch apresenta

Manual do Aprendiz de Dai Maou

Como se tornar o Programador Noturno Supremo (nível Enterprise z/OS)

A iniciação oficial dos escolhidos pelo batch, pela escuridão, e pelo café da madrugada

Por Bellacosa Mainframe


Existem trilhas de carreira.
Existem certificações.
Existem cursos no LinkedIn Learning.

E existe… A Senda do Dai Maou,
o caminho sagrado — e um pouco amaldiçoado —
dos programadores que resolvem tudo depois da meia-noite.

Este é o manual não-autorizado, não-certificado, porém 100% funcional para você, jovem padawan do mainframe, que deseja um dia atingir o título máximo:

Dai Maou do z/OS — O Grande Rei Demônio da Madrugada Corporativa.


🜁 1. Ritual de Iniciação: Abrace a Noite

Nenhum Dai Maou verdadeiro floresce ao meio-dia.

O poder desperta quando:

  • O prédio está vazio,

  • O WhatsApp da equipe silencia,

  • O ar-condicionado faz barulho de caverna,

  • E só o brilho verde-fosfo dos terminais 3270 ilumina o ambiente.

Treine seu espírito.

O Dai Maou não trabalha APÓS a meia-noite.
Ele começa depois da meia-noite.
Há diferença.


🜃 2. Conheça o Terreno: O Castelo ISPF

O Dai Maou domina seu castelo.
O programador domina o ISPF.

Seu mapa sagrado:

  • 3.4 — Biblioteca de grimórios ancestrais

  • 6 — O altar do comando

  • SDSF — A sala do trono onde vidas (de jobs) são decididas

  • Edit com HEX on — magia proibida

  • O cursor piscando — chama do poder interno

Você precisa aprender a navegar pelas sombras com naturalidade.

Se abrir o SDSF e ouvir um coral latino dentro da sua cabeça,
parabéns: você está no caminho.


🜄 3. Magias Proibidas do Dai Maou Corporativo

Domine estes feitiços:

🜂 1. Reprocessamento Arcano

O equivalente a ressuscitar mortos.

🜂 2. Override de DD

Mistura perigosa de alquimia com gambiarra refinada.

🜂 3. Ler Dump sem chorar

Habilidade rara.
Após três anos de treino, você passa a enxergar hieróglifos ocultos que fazem sentido.

🜂 4. Encontrar um loop infinito pelo cheiro

Geralmente cheira a CPU derretendo.

🜂 5. Dar start em CICS sem derrubar outra região

Feito apenas pelos mais iluminados.

🜂 6. Saber quem mexeu no PROCLIB sem usar logs

O Dai Maou sente quem foi.


🜁 4. Vestimenta do Mestre Noturno

Como todo ser supremo, o Dai Maou tem seu “uniforme”.
O programador também:

  • Camiseta velha com logo de evento que nem existe mais

  • Moleton com capuz (essencial para aura sombria)

  • Chinelos ou meias com furo estratégico

  • Caneca manchada de café com call-stack do COBOL

  • Olheiras que contam histórias

Se você entra no escritório parecendo um personagem do Bleach,
você está progredindo.


🜃 5. Animais de Estimação Espirituais

Todo Dai Maou tem um familiar: corvo, dragão ou lobo.

O programador noturno tem:

  • O gato que senta no teclado,

  • O cachorro que late no meio da call crítica,

  • Ou o papagaio que repete palavrão quando o job dá RC=12.

Se você tem um desses, considere-se alinhado ao destino.


🜂 6. Provas que o Aprendiz Deve Ultrapassar

🜄 1. A Compilação da Meia-Noite

Se compilar COBOL sem errar copybook no primeiro try,
você desbloqueia +5 magia negra.

🜄 2. O Abend Fantasma

Erro que some quando você tenta reproduzir.
Batalha obrigatória.

🜄 3. A Reunião das 8 da Manhã

Você dormiu 2h.
Eles querem explicações.
Ninguém merece.

🜄 4. O Ticket Maldito “URGENTE – MAS SEM PRESSA”

O universo corporativo gosta de testar a sanidade do Dai Maou.

🜄 5. A Fila de Impressão Sem Dono

Uma entidade cósmica.
Ninguém sabe quem enviou.
Ninguém assume.
Ela renasce toda semana.


🜁 7. A Filosofia do Dai Maou

O verdadeiro Dai Maou não grita.

Ele suspira, olha pro log, e diz:

“Isso aqui só pode ser obra de humano.”

O Dai Maou sabe que:

  • código não erra — quem erra é gente;

  • madrugada não perdoa — só ensina;

  • documentação mente — logs não;

  • mainframe é eterno — gerentes não;

  • problemas são constantes — mas você é mais constante ainda.

A serenidade é o maior poder.


🜄 8. Fofoquices da Alta Corte Demoníaca z/OS

  • Em certas equipes, “Dai Maou” virou título oficial de honra.

  • Em outras, chamam discretamente de “o cara que resolve”.

  • Há lendas de programadores que causaram PA1 só de olhar pro terminal.

  • E sempre existe um veterano que diz:
    “No meu tempo, o Dai Maou era o JCL.”

  • Alguns dizem que quando você sabe o nome de todos os datasets PRODUCTION de cabeça, sua alma se separa do corpo e vira entidade independente.


🜃 9. Conclusão — Ascensão ao Trono Sombrio

Tornar-se Dai Maou não é sobre maldade,
não é sobre trevas,
não é sobre dominar goblins.

É sobre:

  • responsabilidade extrema,

  • autoconfiança construída no fogo,

  • conhecimento que ninguém mais tem,

  • força mental para segurar a empresa na unha,

  • e disciplina para continuar mesmo exausto.

Dai Maou é quem mantém o reino funcionando enquanto todos dormem.

E, no mundo corporativo, isso significa:

você é o guardião.
Você é o sistema.
Você é quem impede o caos.

Porque no final do dia, e sobretudo na madrugada…

Todo time precisa de um Dai Maou.
E talvez esse Dai Maou seja você.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

TRINITY SEVEN — O ANIME QUE TRANSFORMOU OS SETE PECADOS CAPITAIS EM UM SISTEMA OPERACIONAL MÁGICO E CRIOU O PROTAGONISTA MAIS PERIGOSAMENTE CONSCIENTE DO GÊNERO HARÉM

 

Bellacosa Mainframe e o grimorio Trinity Seven

☕💣📚 OPERADOR, O GRIMÓRIO EXECUTOU UM RESTORE DE REALIDADE SEM CHANGE APROVADO!

TRINITY SEVEN — O ANIME QUE TRANSFORMOU OS SETE PECADOS CAPITAIS EM UM SISTEMA OPERACIONAL MÁGICO E CRIOU O PROTAGONISTA MAIS PERIGOSAMENTE CONSCIENTE DO GÊNERO HARÉM

Dados da Obra

Título Original: トリニティセブン 7人の魔書使い
Romaji: Trinity Seven: Shichinin no Masho Tsukai
Título Internacional: Trinity Seven: The Seven Magicians

Autor: Kenji Saitō
Ilustrador: Akinari Nao

Estúdio: Seven Arcs Pictures

Diretor: Hiroshi Nishikiori

Exibição Original: 8 de outubro de 2014 a 24 de dezembro de 2014

Episódios: 12

OVA: 1

Filmes:

  • Trinity Seven: The Eternal Library and the Alchemist Girl (2017)

  • Trinity Seven: Heavens Library & Crimson Lord (2019)

Classificação Indicativa:
16+ em diversos mercados devido ao ecchi, violência moderada e insinuações sexuais.

Gêneros:

  • Fantasia

  • Magia

  • Ação

  • Comédia

  • Ecchi

  • Harém

  • Sobrenatural

  • Escolar

  • Romance


O Que é Trinity Seven?

À primeira vista, Trinity Seven parece apenas mais um anime de magia escolar cheio de garotas bonitas.

Mas essa impressão inicial esconde uma obra muito mais inteligente do que parece.

Por trás do fan service existe uma estrutura narrativa baseada em:

  • Filosofia do desejo

  • Ocultismo

  • Alquimia

  • Cabala

  • Psicologia Jungiana

  • Simbolismo dos pecados capitais

  • Conceitos de realidade subjetiva

O anime utiliza esses elementos para construir um sistema mágico bastante sofisticado.


Sinopse

A vida de Arata Kasuga é destruída quando um fenômeno conhecido como Collapse Phenomenon apaga sua cidade da existência.

Sua prima e amiga de infância, Hijiri Kasuga, desaparece durante o incidente.

Sem perceber, Arata utiliza um poderoso grimório para recriar artificialmente sua realidade.

Quando a maga Lilith Asami descobre a anomalia, ele recebe uma notícia assustadora:

O mundo onde ele vive é falso.

Para descobrir a verdade e salvar Hijiri, Arata ingressa na Royal Biblia Academy, uma instituição especializada em magia avançada.


Resumo da História

A trama acompanha Arata enquanto ele aprende magia e investiga o mistério do colapso dimensional.

Durante essa jornada ele encontra as sete magas mais poderosas da academia, conhecidas como Trinity Seven.

Cada uma domina um aspecto diferente da magia e representa conceitos ligados ao desejo humano.

Enquanto avança em sua busca, Arata descobre que possui potencial para se tornar um Demon Lord Candidate, um ser capaz de alterar as próprias leis da realidade.

A partir desse momento a história deixa de ser apenas uma comédia escolar e se transforma numa guerra envolvendo dimensões, entidades mágicas e forças cósmicas.


Os Personagens Principais

Arata Kasuga

O protagonista.

Talvez o aspecto mais revolucionário da série.

Diferente do padrão dos animes harém:

  • Não é covarde.

  • Não foge de situações românticas.

  • Não é excessivamente inocente.

  • Possui confiança.

  • Faz piadas.

  • Assume responsabilidades.

No universo Bellacosa Mainframe:

Arata é aquele operador que recebe autoridade SPECIAL, OPERATIONS e SYSADM no primeiro dia e ainda pergunta onde ficam os sistemas críticos.


Lilith Asami

A principal heroína.

Responsável por introduzir Arata ao mundo da magia.

Representa conhecimento, disciplina e responsabilidade.

É praticamente a administradora RACF da academia.


Arin Kannazuki

Uma guerreira extremamente poderosa.

Sua semelhança com Hijiri cria um dos principais mistérios da série.


Levi Kazama

Especialista em combate.

Rápida, imprevisível e extremamente popular entre os fãs.


Mira Yamana

Representa ordem e controle.

Funciona como um sistema de auditoria ambulante.


Akio Fudou

Especialista em alquimia.

Seu estilo destrutivo lembra um job executando DELETE ALL sem backup.


Yui Kurata

Relacionada a magia temporal e espacial.

Uma espécie de administrador de banco de dados quântico.


Lieselotte Sherlock

A mais estratégica do grupo.

Age como arquiteta de sistemas do multiverso.


O Que Tem de Diferente?

Aqui está o segredo do sucesso de Trinity Seven.

1. O protagonista não é irritante

Grande parte dos animes harém sofre do mesmo problema:

O protagonista é passivo.

Arata não.

Ele participa ativamente da narrativa.

Isso muda completamente a dinâmica da obra.


2. O fan service é assumido

Muitos animes tentam fingir que não são ecchi.

Trinity Seven faz exatamente o contrário.

Ele abraça esse aspecto e transforma isso em humor.


3. Sistema mágico complexo

Os grimórios não são apenas livros mágicos.

São bancos de dados metafísicos.

Cada magia segue regras específicas.

Existe uma lógica interna consistente.


4. Mistura ocultismo e ciência

A obra utiliza conceitos reais de:

  • Alquimia

  • Hermetismo

  • Cabala

  • Numerologia

  • Simbolismo religioso

O resultado é um universo mais elaborado do que aparenta.


As Aventuras de Arata

Durante a série ele enfrenta:

Incidentes Dimensionais

Realidades artificiais.

Universos paralelos.

Distúrbios temporais.


Demon Lords

Entidades capazes de remodelar a existência.


Magos de Elite

Usuários de magia extremamente avançada.


Bibliotecas Místicas

Locais que armazenam conhecimento proibido.


Artefatos Antigos

Objetos capazes de alterar as leis do mundo.


Mensagens Ocultas e Simbolismos

Esta é a parte mais interessante.

A Realidade é uma Construção

O Collapse Phenomenon simboliza uma pergunta filosófica:

O que define a realidade?

Se nossas memórias forem falsas, ainda somos nós mesmos?


Desejo como Força Criadora

Todos os sistemas mágicos derivam de desejos.

A obra sugere que:

O desejo é o motor da evolução humana.


Conhecimento é Poder

Os grimórios representam conhecimento acumulado.

Quem controla o conhecimento controla a realidade.


Aceitação da Própria Sombra

Os Demon Lords simbolizam o lado oculto da personalidade.

Um conceito muito próximo da "Sombra" descrita por Carl Jung.


Impacto Cultural

Trinity Seven nunca atingiu o nível de fenômenos como:

  • Sword Art Online

  • High School DxD

  • Date A Live

Porém conquistou um público extremamente fiel.

O anime se tornou referência por:

  • Protagonista carismático

  • Sistema mágico diferenciado

  • Equilíbrio entre ação e comédia

  • Personagens femininas memoráveis

Até hoje é frequentemente citado em listas de:

"Melhores animes harém com protagonista competente."


Houve Censura?

Sim.

As transmissões televisivas japonesas exibiram diversas cenas com:

  • Escurecimento de imagem

  • Feixes de luz

  • Objetos cobrindo partes do corpo

  • Cortes de enquadramento

As versões Blu-ray removeram grande parte dessas limitações.

Entretanto, Trinity Seven nunca sofreu censura pesada como ocorreu com obras como High School DxD Hero, To Love-Ru Darkness ou Shinmai Maou no Testament.


Análise Técnica do Estúdio

Seven Arcs Pictures

O estúdio já era conhecido por:

  • Magical Girl Lyrical Nanoha

  • Dog Days

  • Sekirei

Em Trinity Seven o estúdio adotou:

Pontos Fortes

✅ Design de personagens excelente

✅ Boa direção de comédia

✅ Trilha sonora eficiente

✅ Uso inteligente de cores

✅ Ritmo consistente

Limitações

❌ Algumas batalhas simplificadas

❌ Orçamento visivelmente moderado

❌ Certos arcos do mangá foram condensados

Mesmo assim o resultado final foi bastante acima da média para um anime de apenas 12 episódios.


Trinity Seven ao Estilo Bellacosa Mainframe

☕💣📚 OPERADOR, UM USUÁRIO ACABA DE REESCREVER A REALIDADE EM PRODUÇÃO!

Um incidente crítico conhecido como COLLAPSE PHENOMENON executou um DELETE não autorizado em múltiplos ambientes dimensionais.

O operador Arata Kasuga restaurou o sistema utilizando um GRIMÓRIO BACKUP sem seguir nenhum procedimento de Change Management.

Agora sete especialistas do datacenter mágico foram acionadas:

  • RACF

  • Segurança

  • Redes

  • Banco de Dados

  • Arquitetura

  • Auditoria

  • Recuperação de Desastres

O problema?

O usuário recebeu privilégios equivalentes a:

SYS1 + OPERATIONS + SPECIAL + MULTIVERSO ADMIN

e ninguém sabe como remover o acesso sem derrubar a realidade inteira.


Veredito Final

Trinity Seven é muito mais inteligente do que sua aparência sugere.

Quem procura apenas ecchi encontrará isso.

Quem procura ação encontrará isso.

Mas quem observar atentamente descobrirá uma obra recheada de simbolismo, filosofia, ocultismo, psicologia e reflexões sobre conhecimento, identidade e realidade.

É um daqueles animes que parecem simples na superfície, mas escondem uma arquitetura surpreendentemente sofisticada por trás de suas bibliotecas mágicas e de seu humor irreverente.

Nota Bellacosa Mainframe: 8,8/10

☕📚 Recomendado para operadores que gostam de magia, sistemas complexos, protagonistas competentes e incidentes dimensionais executados sem aprovação do CAB cósmico.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

☕ IBM × Burroughs: a treta que pariu o COBOL (e moldou o mainframe para sempre)

 



💾 EL JEFE MIDNIGHT LUNCH — Bellacosa Mainframe Chronicles
☕ IBM × Burroughs: a treta que pariu o COBOL (e moldou o mainframe para sempre)


Toda grande tecnologia nasce de um conflito.
O COBOL não foi diferente.

Enquanto hoje falamos de open source, cloud e API-first, lá em 1959 a treta era outra — IBM × Burroughs — duas visões opostas sobre como o mundo dos negócios deveria rodar em computadores do tamanho de geladeiras.

E sim: teve ego, teve disputa de mercado, teve reunião tensa…
Mas no meio do caos nasceu a linguagem que ainda paga salário no fim do mês.

Senta, pega o café ☕, porque essa história é boa.



🧠 O cenário: fim dos anos 50

O mundo corporativo estava entrando na computação, mas havia um problema sério:

  • Cada fabricante tinha seu hardware

  • Cada fabricante tinha sua linguagem

  • Cada fabricante queria prender o cliente

Trocar de máquina = reescrever tudo.
Vendor lock-in era estratégia, não defeito.

E aí surgem duas potências com visões bem diferentes:



🟦 IBM: o império do controle

A IBM dominava o mercado.
Tinha mais clientes, mais máquinas, mais dinheiro — e mais influência.

Filosofia IBM:

  • Linguagens poderosas, mas técnicas

  • Forte acoplamento ao hardware

  • “Funciona melhor se for tudo nosso”

🧠 Comentário Bellacosa:
A IBM não queria uma linguagem comum.
Ela queria que o mundo falasse IBM.



🟨 Burroughs: a rebeldia elegante

A Burroughs, menor, porém ousada, pensava diferente.

Filosofia Burroughs:

  • Linguagens legíveis

  • Foco em negócio, não em máquina

  • Menos bit, mais processo

Mary Hawes, da Burroughs, enxergou antes de todo mundo:

“Se cada fornecedor falar sozinho, ninguém escala.”

E decidiu provocar o sistema.



🔥 O estopim da treta: a reunião de 1959

Mary Hawes articula uma reunião com:

  • Governo dos EUA

  • Forças Armadas

  • IBM, Burroughs, RCA, Univac, Honeywell

Objetivo:

Criar uma linguagem comum, portável e orientada a negócios.

A IBM entra… contrariada.
Mas entra.

🥚 Easter egg histórico:
A IBM sabia que, se ficasse fora, perderia influência sobre o padrão.


🧨 Dentro da sala: visões em choque

IBM queria:

  • Linguagem poderosa

  • Próxima da máquina

  • Flexível para hardware IBM

Burroughs queria:

  • Linguagem quase em inglês

  • Foco em dados

  • Leitura humana acima de performance bruta

Resultado?
🔥 Discussões acaloradas
🔥 Reuniões longas
🔥 Egos do tamanho de mainframes

🧠 Fofoquice técnica:
Relatos históricos indicam que, sem Mary Hawes mediando, o comitê teria implodido.


💾 O compromisso que criou o COBOL

O COBOL nasceu como um acordo de paz:

  • Não seria da IBM

  • Não seria da Burroughs

  • Seria de todos

Características finais:

  • Inglês estruturado (vitória Burroughs)

  • Rigor formal e compilável (vitória IBM)

  • Separação clara entre dados e lógica

  • Foco absoluto em negócios

🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
COBOL é diplomacia em forma de linguagem.


🧬 Evolução pós-treta

IBM (anos seguintes):

  • Implementa COBOL em tudo

  • Otimiza, escala, domina

  • Transforma COBOL no motor do mainframe

Burroughs:

  • Mantém visão human-friendly

  • Influencia design de sistemas

  • Mais tarde vira parte da Unisys

🥚 Easter egg:
A Unisys até hoje é referência em sistemas legíveis e estruturados — DNA Burroughs puro.


⚖️ Comparação filosófica

TemaIBMBurroughs
VisãoEscala industrialLegibilidade
EstratégiaDomínio de mercadoInteroperabilidade
LinguagemTécnicaOrientada a negócios
ResultadoMainframe dominanteIdeias que viraram padrão

🧠 Resumo Bellacosa:
A IBM venceu o mercado.
A Burroughs venceu o design.


🕰️ Impactos nos dias atuais

Hoje:

  • COBOL roda APIs REST

  • Mainframe conversa com cloud

  • Bancos processam bilhões de transações/dia

Tudo isso porque:
✔️ a IBM garantiu robustez
✔️ a Burroughs garantiu legibilidade

🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
Sem a treta, o COBOL seria fraco.
Sem o acordo, seria inútil.


🧑‍ Padawans, aprendam com essa treta

  • Conflito técnico pode gerar inovação

  • Padrão nasce de concessão

  • Tecnologia que dura precisa de equilíbrio

COBOL não é bonito.
COBOL é confiável.


☕ Reflexão final do El Jefe

“Quando gigantes brigam, o mundo ganha padrões.”

IBM × Burroughs não foi só disputa comercial.
Foi o choque que criou a espinha dorsal do software corporativo mundial.

Enquanto linguagens modernas vêm e vão,
o COBOL segue ali, quieto, rodando.

Porque ele nasceu de uma treta…
mas foi criado para a paz. 💾☕


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

🧠 Dansō: quando o “gender switch” japonês roda em modo produção

 ☕ El Jefe Midnight Lunch apresenta

Bellacosa Mainframe e o danso


Dansō: quando o “gender switch” japonês roda em modo produção

Se você acha que cross-dressing é moda recente ou “coisa de anime”, prepare o café: Dansō (男装) é um fenômeno cultural japonês com história, regras implícitas, contexto social e muito mais engenharia do que parece. E sim, dá pra explicar isso ao estilo Bellacosa Mainframe.


🧠 O que é Dansō (em linguagem de sistema)

Dansō significa literalmente “traje masculino”. No cotidiano japonês, o termo é usado para garotas que se vestem, se comportam e performam socialmente como rapazes, seja por estética, expressão pessoal, trabalho artístico ou diversão.

Não confunda com:

  • Transexualidade

  • Fetiche sexual

  • Paródia

Dansō é mais parecido com um FLAG cultural ativado em runtime, sem recompilar identidade.


🕰️ Breve história (modo batch)

  • Período Edo (1603–1868): mulheres já usavam trajes masculinos no teatro Kabuki (onde homens faziam papéis femininos… ironia mode ON).

  • Teatro Takarazuka (1914): mulheres interpretando personagens masculinos (otokoyaku) viram ícones nacionais.

  • Anos 90–2000: explosão no mangá, visual kei e cultura otaku.

  • Hoje: cafés, idols, cosplayers, estudantes e profissionais usam dansō no dia a dia.

Legacy bem mantido.


☕ Dansō no cotidiano japonês

  • Cafés temáticos com garçons dansō

  • Estudantes usando estilo masculino fora do uniforme

  • Ídolos e performers andróginos

  • Cosplay casual (não só em eventos)

  • Moda urbana em Harajuku e Shibuya

Nada de escândalo. O sistema aceita o input.



📺 Animes e mangás com personagens Dansō

E aqui vem a tabela não documentada do sistema:

  • Ouran High School Host Club – Haruhi Fujioka

  • The Rose of Versailles – Oscar François

  • Princess Jellyfish – Kuranosuke (gender play avançado)

  • Hana-Kimi – Mizuki Ashiya

  • Aoharu x Machinegun – Hotaru Tachibana

  • Revolutionary Girl Utena – Utena Tenjou

Easter egg: quase sempre, o personagem dansō é o mais lúcido da sala.




🔍 Curiosidades (aqueles comentários no código)

  • Muitas mulheres relatam que em dansō são tratadas com mais respeito em ambientes públicos.

  • A estética valoriza postura, silêncio e linguagem corporal — quase um ISPF em modo linha.

  • No Japão, dansō não define orientação sexual.

  • Algumas performers vivem em dansō full-time, outras só em eventos.


🧪 Comentário Bellacosa Mainframe

Dansō funciona como um teste A/B social: muda-se a interface, mantém-se o core.
O resultado? Bugs culturais aparecem. Permissões mudam. O tratamento do usuário também.

No Japão, onde o sistema social é rígido, dansō vira debug visual da sociedade.


🥚 Easter Egg final

Repare:
Assim como no mainframe, quem entende as regras pode dobrá-las sem quebrar o sistema.

Dansō não é rebeldia.
É engenharia social silenciosa.


El Jefe Midnight Lunch
— onde cultura pop é analisada como sistema legado que ainda roda em produção.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O Panetone da Dona Mercedes — Quando a Cozinha Virou Mainframe e 1982 Foi Nosso JOB de Natal




O Panetone da Dona Mercedes — Quando a Cozinha Virou Mainframe e 1982 Foi Nosso JOB de Natal

Existem memórias que não apenas voltam — elas bootam dentro da gente.
Carregam devagar, como um IPL frio de um mainframe antigo, até que de repente tudo aquece, ganha vida e você sente aquele cheiro inconfundível do passado.
No meu caso, esse cheiro é de panetone assando na cozinha da Dona Mercedes, minha saudosa mãezinha, em pleno ano mágico-derradeiro de 1982.




Sim, aquele mesmo 1982 que contei no outro post:

o último grande Natal da Famiglia Bellacosa, o fim de um ciclo de fartura antes que a aposentadoria do vô Pedro e a tempestade econômica dos anos 80 transformassem nossa vida.

Mas antes do adeus às grandes festas, antes da inflação virar o demogorgon da economia brasileira, antes de 1983 dar sua voadora histórica…

teve o panetone da Dona Mercedes.
E, meu amigo… aquilo virou lenda de sistema legado.




O Mistério das Latas de Leite Ninho (Release: Mercedes v1.0)

Durante o ano inteiro, minha mãe foi acumulando latas de Leite Ninho.
Pequenas, médias, grandes…
A cozinha parecia o HSM (Hierarchical Storage Management) da Nestlé.

Nós — eu, Vivi e Daniel — achávamos apenas curioso.
Criança não lê logs administrativos.
Só percebe o evento quando o abend estoura.

Mas lá estava ela, absolutamente determinada, cheia de planos e segredos, como se tivesse recebido um business requirement direto do Papai Noel.

Mais tarde entendemos:
as latas seriam formas improvisadas de panetone, solução engenhosa e totalmente Bellacosa-style para assar dezenas de unidades sem falir nos utensílios.

Improviso nível mainframe:
"Se não tem budget, usa gambiarra."
A escola de engenharia brasileira agradece.


Quando a Cozinha Virou um CPD

No avançar de dezembro, começamos a notar uma movimentação estranha.
Bagunça. Massa para todo lado.
Testes. Compilações gastronômicas.

Primeiro veio a fase POC — Proof of Cake.
Panetones de teste.
Nós, claro, servíamos como QA (Quality Appetites).
E aprovávamos todos.

Depois veio a fase produção:
uma ida épica ao armazém de panificação —

  • frutas cristalizadas,

  • uvas passas (a moeda oficial do Natal),

  • essência de panetone,

  • saquinhos natalinos brilhantes
    …e um aroma que parecia o SNA (Sistema Nervoso Afetivo) inteiro resetando.

E foi ali, naquele ambiente, que percebemos:
minha mãe estava preparando uma operação industrial de panetones caseiros.

A Dona Mercedes virou, literalmente, uma batch job scheduler da própria casa.
Meu pai entrava como operador, abrindo as latas, ajustando, cortando, deixando o “device” pronto para execução.

Cada fornada era uma JCL enviada para execução:
//NATAL82 JOB (FAM), 'PNTONE', MSGCLASS=A
e o forno rodava, firme como um MVS 3.8 rodando o JES2 na unha.


A Produção em Massa — Level: Famiglia Bellacosa

A família era grande.
Muito grande.
Para um Natal com mais de cinquenta adultos e vinte primos,
era preciso escala, meu amigo.

E a Mercedes entregou escala.

Os panetones cresciam lindos dentro das latas de Leite Ninho,
como se dissessem:
“Te prepara, esse será o último Natal grandioso — então vamos fazer bonito.”

E fez.

O aroma tomava a casa inteira.
Subia pelas paredes, entrava nos quartos, grudava na gente.
Hoje entendo: era memória sendo impressa, spoolada no coração.

A produção foi tão épica que até os vizinhos receberam um panetone.
Porque generosidade, naquela época, era default.
E carinho não tinha inflação.


O Ano que Tudo Mudou, Mas Nada Se Perdeu

1982 foi aquele marcador de fim de ciclo.
O último super-Natal.
Depois vieram os anos duros, a crise, as mudanças.

Mas o panetone da Dona Mercedes ficou.

Ficou na lembrança do aroma,
na bagunça da massa grudada na mesa,
nas latas de Leite Ninho empilhadas como discos 3380,
no sorriso das crianças testando cada fornada como se fosse a primeira.

Ficou como fica um dataset catalogado e nunca apagado.
Um membro importante da biblioteca da alma.


Conclusão — O Panetone Como Memory Dump da Infância

Hoje, quando lembro daquele 1982,
percebo que a verdadeira festa não foi apenas a última reunião da família inteira.

Foi ver a Dona Mercedes
criando magia com as próprias mãos,
transformando sucata em ferramenta,
transformando farinha em afeto,
transformando dezembro em história.

É por isso que, aqui no El Jefe Midnight Lunch,
no turno da madrugada, quando minha mente está mais viva,
eu resgato essa memória e a deixo registrada no spool do tempo.

Porque alguns panetones a gente come.
Outros a gente guarda para sempre.

E o da minha mãe?
Ah… esse nunca saiu do meu coração.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

BOKE : Quando um Programador Descobre que um "Bug" Também Pode Ser uma Piada... e que o Japão Construiu uma Linguagem Inteira Baseada em Respostas Completamente Erradas

 

Bellacosa Mainfram e e o humor boke

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Boke sem Mistérios para Programadores COBOL

Quando um Programador Descobre que um "Bug" Também Pode Ser uma Piada... e que o Japão Construiu uma Linguagem Inteira Baseada em Respostas Completamente Erradas

"O maior erro de um iniciante é pensar que toda resposta errada é um bug. No Japão, algumas respostas erradas são obras de arte."


Introdução

Se você assiste anime há algum tempo, provavelmente já riu de alguma cena sem entender exatamente por quê.

Um personagem faz uma pergunta completamente séria.

Outro responde algo tão absurdo que parece ter vindo de outro planeta.

Todos olham para ele em silêncio.

Alguém bate em sua cabeça.

A cena termina.

Você ri.

Mas talvez nunca tenha percebido que existe uma estrutura por trás dessa piada.

Ela tem nome.

Boke (ボケ).

Muito antes dos animes modernos existirem, o teatro japonês, o rakugo e principalmente o manzai já utilizavam essa técnica como uma verdadeira engenharia do humor.

Curiosamente, ela lembra muito a forma como um sistema COBOL reage quando recebe uma entrada completamente inesperada.

Imagine um programa perguntando:

INFORME O SEXO

M/F

e o operador digitando:

ABACATE

O programa trava.

O operador ri.

O analista de produção chora.

No Japão, essa diferença entre expectativa e realidade virou um dos estilos de humor mais populares da cultura.

Hoje ela está presente em praticamente todos os grandes animes.

Prepare seu café.

Vamos abrir o dump desse tipo de piada.


Afinal, o que significa Boke?

"Boke" (ボケ) pode significar literalmente:

  • distraído

  • avoado

  • lerdo

  • desligado

  • sem noção

Mas no humor seu significado é muito mais interessante.

O Boke é o personagem que diz algo completamente errado.

Não porque seja maldoso.

Mas porque interpreta tudo de maneira absurda.

Ele quebra completamente a lógica da conversa.


Enquanto isso existe outro personagem chamado:

Tsukkomi (ツッコミ)

Ele é o responsável por trazer a conversa de volta para a realidade.

É ele que normalmente responde:

"Você ficou maluco?"

"Isso não faz sentido!"

"Quem faria isso?"

Ou...

Dá um tapa na cabeça do Boke.


Sem perceber, você já viu isso milhares de vezes.


A arquitetura do humor japonês

O humor Boke funciona quase como um programa COBOL.

Entrada

Expectativa

Processamento

Resposta absurda

Correção (Tsukkomi)

Risada


É uma pipeline extremamente bem definida.

Parece até um Job JCL.

//PIADA JOB

//STEP1 EXPECTATIVA

//STEP2 BOKE

//STEP3 TSUKKOMI

//STEP4 GARGALHADA

O algoritmo do Boke

Em pseudocódigo:

IF PERGUNTA = "QUAL SEU NOME"

MOVE "GELADEIRA" TO RESPOSTA

END-IF

Resultado?

Todo mundo ri.


Exemplo clássico

Pessoa A:

"Você gosta de peixe?"

Pessoa B:

"Não. Prefiro quarta-feira."

Não existe ligação lógica.

Justamente por isso é engraçado.


Outro exemplo

Pergunta

"Você sabe dirigir?"

Resposta

"Meu cachorro sabe latir."

Outra resposta impossível.

Outro Boke.


O cérebro adora previsões

Nosso cérebro tenta prever tudo.

Quando alguém pergunta:

"Qual sua idade?"

Você espera:

"25 anos."

Mas alguém responde:

"Azul."

Seu cérebro trava por alguns milissegundos.

Esse pequeno "crash" gera surpresa.

E surpresa gera humor.


O Boke é um ABEND cognitivo

No Mainframe...

Você espera:

READ CLIENTE

Mas recebe:

READ GELADEIRA

Isso não deveria acontecer.

Mas aconteceu.

Esse é exatamente o efeito do Boke.


Boke não é burrice

Esse é um detalhe importante.

O personagem Boke normalmente não é burro.

Ele apenas interpreta a realidade de forma diferente.

É quase como uma IA generativa extremamente criativa.


O Tsukkomi é o compilador

Se o Boke é quem gera código aleatório...

O Tsukkomi é quem diz:

IGYPS2123-S

ISSO NÃO COMPILA.

Exemplos clássicos em animes

Gintama

É provavelmente a maior obra de Boke da história.

Quase todos os diálogos funcionam assim.

Gintoki faz um comentário absurdo.

Shinpachi responde.

Kagura piora tudo.

O ciclo recomeça.


Nichijou

Aqui o Boke atinge níveis surreais.

Uma cabra entra na escola.

Ninguém acha estranho.

Depois um diretor luta contra um cervo.

Tudo isso acontece naturalmente.


Asobi Asobase

Talvez o ápice do humor nonsense moderno.

Cada episódio destrói completamente qualquer expectativa lógica.


Grand Blue

Mistura Boke com exagero físico.

Toda conversa termina em desastre.


Konosuba

Kazuma

Aqua

Darkness

Megumin

Todos fazem Boke.

Todos fazem Tsukkomi.

Os papéis mudam constantemente.


Azumanga Daioh

Osaka é praticamente um Boke ambulante.

Ela responde tudo alguns segundos depois...

E geralmente responde errado.


Lucky Star

Grande parte do humor nasce justamente das interpretações exageradamente literais.


Cromartie High School

Um gorila estuda normalmente.

Freddie Mercury aparece como aluno.

Ninguém questiona.


O segredo psicológico

O humor Boke funciona porque quebra três regras:

Expectativa

Lógica

Proporção

Quanto maior a quebra...

Maior a risada.


Boke verbal

Pergunta

"Onde fica o banheiro?"

Resposta

"No capítulo 5."


Boke visual

Alguém entra elegantemente...

Escorrega numa casca de banana.


Boke situacional

O herói salva o mundo.

Depois esquece onde estacionou o cavalo.


O Manzai

Grande parte desse humor nasceu do Manzai.

São duas pessoas.

Uma faz o Boke.

Outra faz o Tsukkomi.

É quase um ping-pong verbal.

Hoje muitos animes reproduzem exatamente esse formato.


Curiosidades

Easter Egg 1

Os comediantes japoneses treinam timing durante anos.

Às vezes uma pausa de meio segundo muda completamente a piada.


Easter Egg 2

O famoso tapa na cabeça quase nunca é um tapa real.

É uma convenção teatral herdada do Manzai.


Easter Egg 3

O termo "Boke" também aparece em videogames japoneses para indicar personagens distraídos.


Easter Egg 4

Em muitos mangás, o Tsukkomi é desenhado com olhos arregalados e uma gota de suor gigante.

Essa gota virou um símbolo universal do anime.


Como criar um Boke

Passo 1

Crie uma pergunta normal.


Passo 2

Imagine a resposta mais lógica possível.


Passo 3

Ignore completamente essa resposta.


Passo 4

Escolha algo absurdamente distante.


Exemplo

Pergunta

"Qual sua profissão?"

Resposta lógica

"Programador."

Resposta Boke

"Terceira gaveta da cozinha."


Como identificar um Boke

Se você disser:

"Hã?"

Provavelmente era um Boke.


Se disser:

"Isso não faz sentido."

Também era.


Se alguém bater na cabeça do personagem...

Com certeza era.


Aplicando ao universo COBOL

Imagine o operador.

===> EXECUTAR JOB?

Resposta:

SIM

Sistema:

JOB INICIADO

Tudo normal.

Agora veja a versão Boke.

===> EXECUTAR JOB?

Resposta

PREFIRO LASANHA

O JES2 para.

O operador continua sério.

O analista abre um chamado.

O Tsukkomi chega correndo:

"A pergunta era sobre o JOB, não sobre o almoço!"


O Boke no mundo dos sistemas legados

Imagine um programa perguntando:

DISPLAY "INFORME O CPF:"
ACCEPT WS-CPF

Usuário:

Batman

O programa tenta validar.

O DBA fica preocupado.

O operador liga para o suporte.

O suporte pergunta:

— "O que aconteceu?"

Resposta:

— "Recebemos um CPF do Batman."

Pronto. Temos um Boke em produção... e um incidente digno de uma reunião de pós-mortem.


Guia do Mochileiro do Humor Japonês

Se o Guia do Mochileiro das Galáxias ensinava que a resposta para a vida, o universo e tudo mais era 42, o Guia Bellacosa Mainframe acrescenta uma observação:

Nunca subestime o poder de uma resposta completamente errada no momento certo.

No Japão, o absurdo é organizado.

Existe ritmo.

Existe construção.

Existe expectativa.

E existe alguém preparado para desmontar tudo em poucos segundos.

Assim como um bom programa COBOL não executa instruções aleatórias, um bom Boke também não é aleatório. Ele é cuidadosamente planejado para parecer espontâneo.


Dicas para entender melhor animes

Quando assistir a um anime de comédia, tente identificar:

  • Quem faz o papel de Boke?

  • Quem é o Tsukkomi?

  • Quando os papéis se invertem?

  • Qual era a expectativa criada?

  • Em que momento ela foi quebrada?

Você começará a perceber uma camada de humor que muitos espectadores ocidentais deixam passar.


Conclusão

O humor Boke é muito mais do que uma resposta sem sentido. Ele representa uma tradição centenária da comédia japonesa, refinada no teatro, no rakugo e no manzai, e adaptada com maestria para mangás, animes e videogames.

Para um programador COBOL, compreender o Boke é quase como aprender a ler um dump de memória: no começo tudo parece caótico, mas, quando você entende a lógica por trás da aparente desordem, cada detalhe passa a fazer sentido.

Da próxima vez que assistir a Gintama, Nichijou, Konosuba ou Asobi Asobase, observe o fluxo da conversa como se fosse um programa em execução. Veja onde a expectativa é criada, identifique o momento em que o Boke provoca um "ABEND cognitivo" e acompanhe a intervenção do Tsukkomi restaurando a ordem.

No universo Bellacosa Mainframe, talvez a melhor definição seja esta:

O Boke é o programador que responde "geladeira" quando o sistema pergunta "qual o CPF?". O Tsukkomi é o colega que fecha o ISPF, olha para ele e pergunta: "Você compilou o cérebro antes de entrar em produção?"

E, curiosamente, é justamente dessa quebra inesperada de lógica que nasce uma das formas de humor mais inteligentes, influentes e características da cultura japonesa.

Log Horizon 2 (ログ・ホライズン 第2シリーズ) sem Mistérios

 

Bellacosa Mainframe e segunda temporada de log horizon

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Log Horizon 2 (ログ・ホライズン 第2シリーズ) sem Mistérios

Quando Administrar um Mundo é Mais Difícil do que Conquistá-lo

Se a primeira temporada de Log Horizon mostrou como construir uma sociedade, a segunda responde a uma pergunta muito mais difícil:

Como manter uma sociedade funcionando quando surgem crises políticas, conspirações, guerras e conflitos internos?

Para um Programador COBOL Padawan, esta temporada lembra a diferença entre:

  • desenvolver um sistema novo; e

  • manter esse sistema em produção durante anos.

Criar é relativamente fácil.

O desafio verdadeiro é manter tudo funcionando quando começam a aparecer exceções, falhas, mudanças de requisitos e usuários fazendo aquilo que ninguém imaginava.

É exatamente isso que acontece em Log Horizon 2.


Ficha Técnica

ItemInformação
Título Originalログ・ホライズン 第2シリーズ (Log Horizon Dai Ni Series)
Título InternacionalLog Horizon 2
Autor OriginalMamare Touno
Light NovelEnterbrain
DiretorShinji Ishihira
EstúdioStudio DEEN
MúsicaYasuharu Takanashi
Exibição Original4 de outubro de 2014 a 28 de março de 2015
Episódios25
Duraçãocerca de 24 minutos
Classificação Indicativa14 anos
GênerosIsekai, Fantasia, MMORPG, Estratégia, Política, Drama, Aventura, Mistério

O Studio DEEN

A segunda temporada marcou uma mudança importante.

Enquanto a primeira foi produzida pelo Satelight, a continuação passou para o Studio DEEN.

O estúdio já era conhecido por títulos como:

  • Rurouni Kenshin

  • Higurashi no Naku Koro ni

  • Fruits Basket (2001)

  • Konosuba (temporadas iniciais em parceria)

A troca de estúdio gerou discussões entre os fãs.

Alguns elogiaram a direção.

Outros sentiram uma pequena queda na consistência da animação durante determinadas cenas de ação.

Mesmo assim, o foco principal permaneceu intacto:

o roteiro.


Sinopse

Meses após a Catástrofe, Akihabara já não vive em caos absoluto.

Existe governo.

Existe comércio.

Existe organização.

Mas isso cria novos problemas.

A paz gera política.

A política gera interesses.

Os interesses geram conspirações.

Enquanto Shiroe tenta manter unida a Round Table Conference, novos perigos aparecem tanto dentro quanto fora da cidade.


Resumo da História

A temporada deixa de ser uma história de sobrevivência.

Agora é uma história sobre:

  • governança;

  • manutenção de alianças;

  • diplomacia;

  • expansão territorial;

  • amadurecimento da sociedade.

É semelhante ao ciclo de vida de um grande sistema corporativo.

No começo, o desafio é colocar o sistema para funcionar.

Depois, o desafio passa a ser lidar com mudanças constantes sem interromper o serviço.


O Crescimento do Mundo

A primeira temporada mostrava Akihabara.

A segunda mostra praticamente um continente inteiro.

Conhecemos:

  • novos reinos;

  • novas cidades;

  • conflitos políticos;

  • diferentes culturas;

  • novos aventureiros;

  • mais habitantes da terra.

O universo fica muito mais rico.


Os Personagens

Shiroe

Continua sendo o estrategista.

Mas agora percebe que inteligência sozinha não resolve tudo.

É preciso confiar em outras pessoas.

Uma importante lição de liderança.


Akatsuki

Recebe um dos maiores desenvolvimentos da série.

Ela começa a questionar:

Quem sou?

Qual meu propósito?

Posso caminhar sem depender de Shiroe?

Sua jornada é tão emocional quanto física.


Naotsugu

Mantém seu papel como escudo da equipe, mas também demonstra maturidade ao lidar com conflitos sociais e afetivos.


Tetra

Uma nova personagem extremamente carismática.

Cantora.

Curiosa.

Extrovertida.

Ajuda a quebrar momentos dramáticos.


Minori

Talvez seja quem mais cresce.

Aprende diretamente observando Shiroe.

Sua evolução lembra um trainee aprendendo com um arquiteto veterano.


Rundelhaus

Mostra uma das histórias mais interessantes envolvendo identidade.


Os Habitantes da Terra

Recebem muito mais espaço.

Deixam definitivamente de parecer NPCs.

Agora possuem:

  • política;

  • famílias;

  • sonhos;

  • preconceitos;

  • cultura própria.


O Grande Diferencial

A primeira temporada perguntava:

Como organizar uma cidade?

A segunda pergunta:

Como manter uma democracia funcionando?

Essa diferença muda completamente o tom da série.


A Temática

Entre os principais temas estão:

  • liderança;

  • responsabilidade;

  • amadurecimento;

  • confiança;

  • identidade;

  • política;

  • diplomacia;

  • cooperação;

  • preconceito;

  • evolução tecnológica;

  • ética.


As Aventuras

A temporada alterna grandes conflitos com momentos mais introspectivos.

Entre as principais aventuras estão:

  • missões para investigar os mistérios da Catástrofe;

  • negociações entre reinos;

  • proteção da cidade de Akihabara;

  • batalhas contra monstros de alto nível;

  • exploração de novas áreas;

  • treinamento de novos aventureiros;

  • confrontos envolvendo organizações rivais.

As aventuras têm menos foco em "upar de nível" e mais em descobrir como o mundo realmente funciona.


Mensagens Ocultas

1. Manter é mais difícil que construir

Todo profissional de TI conhece essa realidade.

Criar um software é apenas o início.

Manter um ambiente funcionando durante anos é o verdadeiro desafio.


2. Toda organização gera burocracia

Quando existe crescimento:

existem regras.

Quando existem regras:

existem conflitos.

É inevitável.


3. Informação é poder

Shiroe continua vencendo porque compreende o sistema melhor do que todos.

Não por ser mais forte.


4. Liderança significa formar sucessores

Uma das maiores preocupações de Shiroe passa a ser ensinar.

Isso aparece claramente na evolução de Minori.


5. A sociedade nunca está pronta

Sempre existirão:

novos problemas

novas crises

novos desafios.


A Filosofia de Log Horizon

A segunda temporada praticamente abandona a ideia de:

"vencer o chefe final"

Em vez disso apresenta um conceito muito mais interessante.

A sociedade é um organismo vivo.

Ela nunca termina de ser construída.


O que há de diferente?

Comparada à primeira temporada:

✔ menos ação explosiva

✔ muito mais política

✔ mais diplomacia

✔ maior desenvolvimento psicológico

✔ mais construção de mundo

✔ crescimento dos personagens secundários

✔ conflitos sociais complexos

É uma temporada que recompensa quem gosta de histórias inteligentes.


Impacto Cultural

Embora parte do público esperasse um ritmo semelhante ao da primeira temporada, Log Horizon 2 consolidou a reputação da franquia como um isekai voltado para estratégia e construção de sociedades, em vez de apenas batalhas. A temporada aprofundou temas como governança, democracia, identidade e convivência entre diferentes culturas, reforçando a ideia de que o gênero poderia abordar questões políticas e econômicas sem perder o apelo da fantasia.

Também ajudou a influenciar outras obras que passaram a investir em worldbuilding detalhado, mostrando que um protagonista estrategista poderia sustentar narrativas complexas por meio de planejamento, negociação e liderança, e não apenas por poder de combate.


Curiosidades

  • Foi a primeira temporada da franquia produzida pelo Studio DEEN, mantendo a direção de Shinji Ishihira.

  • Diversos arcos adaptados aprofundam a relação entre os Aventureiros e os Habitantes da Terra, um dos pilares filosóficos da obra.

  • O foco maior em diálogos e política dividiu opiniões na época da exibição, mas também ampliou o reconhecimento de Log Horizon como um dos isekais mais maduros de sua geração.


Bellacosa Mainframe: a visão de um programador COBOL

Para um profissional de mainframe, a segunda temporada de Log Horizon representa a passagem da fase de implantação para a de sustentação.

Na primeira temporada, Shiroe é o arquiteto que coloca o sistema em produção.

Na segunda, ele se torna o líder responsável por manter disponibilidade, coordenar equipes, formar novos talentos e administrar mudanças sem interromper o serviço.

A Round Table Conference lembra um comitê de governança de TI. As guildas funcionam como equipes especializadas. Os Habitantes da Terra representam usuários que passam a influenciar diretamente as decisões do sistema. E cada crise política se assemelha a um incidente crítico em um ambiente corporativo: não basta corrigir o problema, é preciso preservar a confiança, o equilíbrio e a continuidade do negócio.

Essa é a grande mensagem da temporada: construir um sistema é um projeto; manter uma comunidade funcionando é uma missão permanente. É justamente essa maturidade que faz de Log Horizon 2 uma continuação única dentro do universo dos isekais.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988