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quarta-feira, 15 de julho de 2026

O Funeral que Nunca Aconteceu : A História da Morte do Mainframe... Contada por Quem Sobreviveu

Bellacosa Mainframe e a morte do Mainframe e Cobol

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Funeral que Nunca Aconteceu

A História da Morte do Mainframe... Contada por Quem Sobreviveu

Uma jornada histórica por 14 capítulos que revisitam as previsões sobre o fim do mainframe e mostram como IBM Z, COBOL, CICS, Db2 e z/OS continuaram evoluindo até a era do IBM z17 e da Inteligência Artificial.

Por

 O Funeral que Nunca Aconteceu, série histórica sobre as previsões da morte do mainframe
Uma viagem pelas manchetes que anunciaram a morte do mainframe e pela evolução que conduziu a plataforma até o IBM z17.

“A melhor maneira de entender o futuro é estudar as previsões que nunca aconteceram.”

— Bellacosa Mainframe



Bellacosa Mainframe e seu thesaurus El Jefe Midnight Lunch

Introdução

Existe uma frase muito conhecida na tecnologia:

"O Mainframe vai morrer."

Ela foi repetida tantas vezes que acabou se tornando uma espécie de tradição da indústria.

Durante décadas, jornalistas, analistas, consultores e fabricantes anunciaram o fim da plataforma IBM Mainframe.

Alguns diziam que seria substituída pelos PCs.

Depois vieram as workstations.

Em seguida o Client/Server.

Depois Windows NT.

Java.

Linux.

Cloud.

Microservices.

Blockchain.

Metaverso.

Agora Inteligência Artificial.

O curioso é que todas essas tecnologias realmente revolucionaram a computação.

Mas nenhuma conseguiu fazer aquilo que tantas manchetes prometeram:

Substituir completamente o Mainframe.

Este artigo reúne toda essa jornada histórica, baseada nas reportagens preservadas pelo Professor Wolfgang Spruth em seu clássico trabalho The Death of the Mainframe, acrescentando uma visão moderna de quem vive diariamente o IBM Z em 2026.

Pegue um café.

Vamos revisitar quase quarenta anos de História da Computação.


Capítulo 1

O Funeral que Nunca Aconteceu

Abrimos nossa jornada voltando ao final dos anos 80, quando a indústria começou a decretar oficialmente a morte do Mainframe.

Mostramos como surgiu essa narrativa e como, enquanto jornais anunciavam o funeral, bancos, seguradoras, governos e companhias aéreas continuavam processando bilhões de transações em COBOL, CICS e Db2.

Foi o início da maior ironia da computação.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-1-o-funeral-que-nunca-aconteceu.html


Capítulo 2

A Década dos Buzzwords

Entramos na verdadeira fábrica de modismos tecnológicos.

Client/Server.

Downsizing.

Open Systems.

Distributed Computing.

Windows NT.

RISC.

Cada nova palavra parecia carregar uma promessa:

"Agora acabou para o Mainframe."

Descobrimos que buzzwords mudam rapidamente.

Problemas de negócio não.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-2-decada-dos-buzzwords.html


Capítulo 3

Wolfgang Spruth — O Historiador do Mainframe

Conhecemos o professor alemão Wolfgang Spruth.

Em vez de discutir com jornalistas, ele tomou uma atitude muito mais inteligente.

Arquivou todas as manchetes.

Graças ao seu trabalho, hoje podemos estudar essas previsões como documentos históricos, compreendendo o contexto em que foram escritas e por que pareciam tão convincentes.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-3-o-professor-que-arquivou-o.html


Capítulo 4

Forbes (1989)

Analisamos uma das primeiras grandes reportagens que classificaram o Mainframe como um "dinossauro tecnológico".

Descobrimos que a Forbes acertou ao perceber a ascensão dos computadores pessoais.

Mas errou ao acreditar que crescimento significava substituição.

Enquanto a reportagem era publicada...

Os sistemas continuavam funcionando normalmente.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-4-forbes-1989.html


Capítulo 5

The New York Times (1989)

O tema saiu das revistas especializadas e chegou ao grande público.

O New York Times popularizou mundialmente a imagem do Mainframe como uma tecnologia destinada ao desaparecimento.

Explicamos por que aquela conclusão parecia lógica na época e mostramos como ela ignorava o verdadeiro patrimônio das empresas: décadas de regras de negócio.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-5-new-york-times-1989.html


Capítulo 6

InfoWorld (1991)

Chegamos à previsão mais famosa da História da Computação.

Stewart Alsop declarou que:

"Em 15 de março de 1996 alguém desligará o último Mainframe."

A data chegou.

O Mainframe permaneceu ligado.

Décadas depois, o próprio autor reconheceria publicamente o equívoco.

Hoje essa previsão tornou-se um dos maiores exemplos de como extrapolar tendências pode produzir conclusões equivocadas.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-6-infoworld-1991.html


Capítulo 7

New York Times (1993)

Mesmo após quatro anos de transformações, o jornal voltou ao tema afirmando que o Mainframe estava "correndo rumo à extinção".

Mostramos por que a computação realmente estava mudando profundamente, mas também por que evolução da arquitetura não significava desaparecimento da plataforma.

Enquanto manchetes eram publicadas...

Os sistemas continuavam processando milhões de transações.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-7-new-york-times-1993.html


Capítulo 8

Business Week (1994)

O primeiro grande sinal de mudança.

George Colony, da Forrester Research, declarou:

"It's the end of the end for the mainframes."

A indústria começava a perceber que talvez tivesse enterrado o paciente cedo demais.

Os primeiros projetos gigantescos de migração revelavam custos, riscos e complexidade muito maiores do que o previsto.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-8-business-week-1994.html


Capítulo 9

O Que Realmente Aconteceu

Saímos das manchetes e acompanhamos a evolução verdadeira da plataforma.

Parallel Sysplex.

CMOS.

Linux on IBM Z.

Java.

Virtualização.

zAAP.

zIIP.

Web Services.

REST.

OpenShift.

Zowe.

Ansible.

BOB.

watsonx.

IBM z17.

Enquanto alguns aguardavam o funeral...

A IBM construía uma das plataformas mais modernas da computação corporativa.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-9-o-que-realmente-aconteceu.html


Capítulo 10

Por Que Todos Erraram?

Este talvez seja o capítulo mais importante.

Demonstramos que o erro nunca foi técnico.

O erro foi analisar apenas hardware.

Poucos perceberam que empresas não compram computadores.

Empresas acumulam conhecimento.

E conhecimento não é substituído simplesmente porque surgiu um processador mais rápido.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-10-por-que-tantas-previsoes.html


Capítulo 11

O Cemitério dos Buzzwords

Visitamos, com humor, um enorme cemitério imaginário.

Client/Server.

Windows NT.

SOA.

ERP.

Cloud.

Blockchain.

Metaverso.

Todos prometeram substituir completamente o Mainframe.

Nenhum conseguiu.

Não porque fossem tecnologias ruins.

Mas porque o Mainframe fez algo muito mais inteligente.

Integrou todas elas.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-11-o-cemiterio-dos-buzzwords.html


Capítulo 12

O Legado dos Profetas

Chegamos a 2026.

IBM z17.

watsonx.

COBOL moderno.

Db2 13.

CICS TS.

BOB.

OpenShift.

DevOps.

Mostramos que a verdadeira força do Mainframe nunca foi resistir às mudanças.

Foi evoluir continuamente.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-12-o-legado-dos-profetas-e.html


Capítulo 13

A IA e o Próximo Funeral

A História está se repetindo.

Hoje muitas manchetes afirmam que a Inteligência Artificial eliminará programadores.

Talvez.

Talvez não.

Depois de estudar quarenta anos de previsões aprendemos uma lição.

Desconfie sempre de afirmações absolutas.

A IA provavelmente transformará profundamente o desenvolvimento de software.

Mas também poderá tornar COBOL, Db2 e o IBM Z ainda mais produtivos.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-13-os-profetas-da-ia-e-o.html


Capítulo 14

O Julgamento da História

Encerramos nossa jornada imaginando um grande tribunal.

As testemunhas não eram jornalistas.

Eram bancos.

Companhias aéreas.

Seguradoras.

Governos.

Programadores.

DBAs.

Sysprogs.

Arquitetos.

No final, o juiz — representado pela própria História — conclui algo extraordinário.

Os jornalistas não estavam de má-fé.

Eles apenas tentaram prever o futuro.

O problema é que o futuro resolveu seguir um caminho muito mais interessante.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-14-o-julgamento-da-historia.html


Bellacosa Mainframe e a conclusão da Saga a Morte do Mainframe

A Grande Lição

Depois de estudar quase quarenta anos de previsões existe uma conclusão inevitável.

As tecnologias realmente revolucionárias não costumam destruir imediatamente aquelas que vieram antes.

Elas convivem.

Integram-se.

Aprendem umas com as outras.

Foi assim com:

  • PCs.

  • UNIX.

  • Linux.

  • Internet.

  • Java.

  • Cloud.

  • Containers.

  • Kubernetes.

  • DevOps.

  • Inteligência Artificial.

Todas transformaram a computação.

E todas, de alguma forma, passaram a fazer parte do ecossistema IBM Z.

O verdadeiro vencedor nunca foi o Mainframe.

Nem o Client/Server.

Nem o Cloud.

Nem a IA.

O verdadeiro vencedor foi a Engenharia.


Uma mensagem ao Padawan COBOL

Se você está começando sua jornada...

Nunca escolha uma tecnologia apenas porque ela está na moda.

Escolha porque ela resolve problemas.

Nunca abandone uma plataforma apenas porque alguém a chamou de "legado".

Descubra primeiro se ela continua gerando valor.

Nunca confunda marketing com arquitetura.

Nunca confunda hype com inovação.

E, principalmente...

Nunca deixe de estudar História.

Porque quem conhece o passado dificilmente será enganado pelos mesmos discursos no futuro.


Epílogo

Em 1989 disseram que era um dinossauro.

Em 1991 marcaram sua morte.

Em 1993 afirmaram que caminhava para a extinção.

Em 1994 começaram a voltar atrás.

Em 2026...

O IBM z17 executa Inteligência Artificial.

O watsonx auxilia decisões corporativas.

O COBOL continua movimentando trilhões de dólares.

O Db2 protege dados críticos.

O CICS processa bilhões de transações.

O z/OS integra cloud híbrida.

O BOB moderniza pipelines.

O Zowe aproxima novas gerações.

O Mainframe nunca sobreviveu porque resistiu ao futuro.

Ele sobreviveu porque aprendeu a evoluir junto com ele.

E talvez essa seja a maior lição deixada pelo Professor Wolfgang Spruth.

A História nunca matou o Mainframe.

Ela apenas demonstrou que boas arquiteturas envelhecem muito melhor do que boas manchetes.


☕ Que a Engenharia esteja com você.

Sempre. 


Índice completo da série

  1. Capítulo 1 — O Funeral que Nunca Aconteceu
  2. Capítulo 2 — A Década dos Buzzwords
  3. Capítulo 3 — O Professor que Arquivou o Funeral
  4. Capítulo 4 — Forbes (1989)
  5. Capítulo 5 — The New York Times (1989)
  6. Capítulo 6 — InfoWorld (1991)
  7. Capítulo 7 — The New York Times (1993)
  8. Capítulo 8 — Business Week (1994)
  9. Capítulo 9 — O Que Realmente Aconteceu
  10. Capítulo 10 — Por Que Tantas Previsões Erraram?
  11. Capítulo 11 — O Cemitério dos Buzzwords
  12. Capítulo 12 — O Legado dos Profetas
  13. Capítulo 13 — Os Profetas da IA e o Próximo Funeral
  14. Capítulo 14 — O Julgamento da História

A grande lição

O mainframe não permaneceu relevante porque rejeitou PCs, Linux, Java, cloud, containers, DevOps ou Inteligência Artificial. Ele permaneceu relevante porque incorporou essas tecnologias sem abandonar disponibilidade, segurança, desempenho, compatibilidade e décadas de regras de negócio.

Uma mensagem ao Padawan COBOL

Nunca escolha uma tecnologia apenas porque ela está na moda. Escolha porque ela resolve problemas reais. Nunca abandone uma plataforma apenas porque alguém a chamou de legado. Descubra primeiro se ela continua gerando valor.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu





C:\BELLACOSA\COBOL\FUNERAL_QUE_NUNCA_ACONTECEU.HTML
★ BELLACOSA MAINFRAME APRESENTA ★

A MORTE DO COBOL

O Funeral que Nunca Aconteceu

Uma investigação histórica em 14 capítulos sobre as previsões, reportagens, buzzwords e profetas que anunciaram repetidamente o fim do COBOL — enquanto bilhões de transações continuavam sendo processadas silenciosamente.

SISTEMA ONLINE — 14 CAPÍTULOS DISPONÍVEIS
DIRETÓRIO DE CAPÍTULOS

README.TXT

Esta série investiga uma das narrativas mais repetidas da história da tecnologia: a suposta morte do COBOL. Durante décadas, revistas, jornais, consultorias e especialistas anunciaram seu desaparecimento. Entretanto, o COBOL permaneceu processando bancos, seguradoras, governos, cartões, pagamentos e sistemas críticos.

Os títulos e links acima são elementos HTML reais, permitindo que mecanismos de busca encontrem e rastreiem todos os capítulos. Os iframes funcionam apenas como previews visuais.

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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Capítulo 8 — Business Week (1994)

Bellacosa mainframe e o dia que a impresna errou

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Capítulo 8 — Business Week (1994)

O Dia em que a Imprensa Percebeu que Talvez Tivesse Enterrado o Mainframe Cedo Demais

Uma análise da reportagem publicada pela Business Week em 1994, mostrando como a indústria começou a reconhecer que as previsões sobre o fim do mainframe haviam sido exageradas e como o IBM Z continuou sua evolução tecnológica.

Por


Business Week reconhecendo em 1994 que o Mainframe continuava relevante
A reportagem da Business Week marcou um ponto de inflexão, mostrando que o mercado começava a reconsiderar o futuro dos mainframes.

"Quando os fatos mudam, a engenharia muda de direção. Quando o marketing muda de direção, normalmente muda também o discurso."

— Bellacosa Mainframe

Contexto histórico

Após anos de previsões sobre o desaparecimento dos grandes sistemas, empresas descobriram que migrar aplicações críticas era muito mais caro, complexo e arriscado do que parecia nas apresentações de marketing.

George Colony, da Forrester Research, sintetizou essa mudança ao afirmar que era "o fim do fim dos mainframes", reconhecendo que a plataforma continuava estratégica para grandes organizações.

A grande lição

A Business Week mostrou que tendências tecnológicas precisam ser avaliadas à luz dos resultados reais e não apenas das expectativas do mercado.

O IBM Mainframe continuou evoluindo nas décadas seguintes, incorporando Linux, Java, virtualização, DevOps, APIs, cloud híbrida, OpenShift, Inteligência Artificial e chegando ao IBM z17 como uma das plataformas mais resilientes da computação corporativa.


Janeiro de 1994

Estamos agora em um momento extremamente interessante da nossa história.

Até aqui vimos uma sequência de previsões pessimistas.

"O dinossauro."

"O último mainframe será desligado."

"O mainframe está correndo rumo à extinção."

Parecia que existia um consenso.

O funeral já estava marcado.

Faltava apenas escolher quem faria o discurso de despedida.

Mas então aconteceu algo curioso.

O mercado começou a olhar para os números.

E os números possuem um defeito terrível para quem vive de buzzwords.

Eles não ligam para apresentações em PowerPoint.


Alguma coisa não fechava

As vendas de servidores realmente cresciam.

Os PCs realmente dominavam os escritórios.

As redes locais realmente se expandiam.

Mas...

Os bancos continuavam comprando mainframes.

As seguradoras também.

As bolsas de valores igualmente.

As companhias aéreas não desligavam seus CPDs.

Os governos continuavam investindo em grandes sistemas.

As empresas mais críticas da economia simplesmente... não estavam abandonando o IBM Mainframe.

Isso começou a chamar atenção.


O Business Week muda o tom

Em 10 de janeiro de 1994, a Business Week, uma das revistas de negócios mais respeitadas do mundo, publicou uma reportagem que destoava da narrativa predominante.

Em vez de insistir na ideia da morte inevitável do mainframe, a matéria citava George Colony, fundador da Forrester Research, com uma frase que se tornaria histórica:

"It's the end of the end for the mainframes."

Em tradução livre:

"É o fim do fim dos mainframes."

Parece um jogo de palavras.

E é exatamente isso.

Mas também representa uma mudança profunda de percepção.

Pela primeira vez, uma publicação de grande circulação reconhecia que talvez a indústria tivesse exagerado nas previsões anteriores. Essa mudança de tom foi registrada por Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe como um marco importante na evolução do debate sobre a plataforma IBM.


Traduzindo o economês

Vamos simplificar.

George Colony estava dizendo algo parecido com:

"Talvez tenhamos exagerado."

Ou ainda:

"Talvez o problema nunca tenha sido o mainframe."

Ou, numa tradução Bellacosa Mainframe:

"Pessoal... acho que enterramos o paciente antes de confirmar o óbito."


A realidade começou a aparecer

Entre 1991 e 1994 muitas empresas iniciaram grandes projetos de migração.

Alguns deram certo.

Outros...

Nem tanto.

Sistemas previstos para serem reescritos em dezoito meses completavam quatro anos de projeto.

Os custos disparavam.

A complexidade aparecia.

Regras de negócio esquecidas voltavam a assombrar as equipes.

Interfaces que ninguém conhecia surgiam do nada.

Programas COBOL escritos quinze anos antes continuavam funcionando perfeitamente.

Descobriu-se algo que nenhum folder de marketing mencionava.

Legado não significa velho.

Significa importante.


O verdadeiro patrimônio da empresa

Imagine uma seguradora.

Ela possui vinte milhões de clientes.

Cada contrato depende de dezenas de regras.

Regras legais.

Regras fiscais.

Regras atuariais.

Regras internas.

Agora imagine alguém dizendo:

— Vamos reescrever tudo.

A pergunta não é:

"Conseguimos?"

A pergunta é:

"Vale a pena?"

Essa simples mudança de perspectiva transformou completamente a discussão.


Bellacosa Mainframe e o Cobol como o vilão favorito

O COBOL virou o vilão favorito

Durante anos, COBOL foi apresentado como um símbolo do passado.

Parecia existir uma competição para descobrir quem faria a manchete mais dramática.

"O fim do COBOL."

"A última geração de programadores."

"Ninguém mais aprende COBOL."

Enquanto isso...

Universidades deixavam de ensinar COBOL.

Mas bancos continuavam contratando especialistas.

Governos continuavam executando milhões de linhas de código.

Seguradoras ampliavam seus sistemas.

Era uma situação curiosa.

Todo mundo dizia que COBOL estava morrendo.

Mas ninguém queria desligar o sistema que pagava salários.


O humor do velho operador

Imagine um operador de CPD lendo aquela reportagem da Business Week.

Ele olha para o relógio.

Depois para o console.

Mais um JOB termina normalmente.

Outro começa.

Ele comenta com o colega:

— Parece que cancelaram meu funeral.

O colega responde:

— Ainda bem.

Temos o fechamento contábil às oito.


A IBM não ficou parada

Existe um detalhe frequentemente esquecido.

Muitas análises daquela época tratavam o mainframe como se fosse uma tecnologia congelada.

Como se a IBM tivesse parado de inovar.

Isso simplesmente não era verdade.

Enquanto o mercado discutia Client/Server...

A IBM continuava investindo bilhões em pesquisa.

Novos processadores.

Mais memória.

Melhores canais de entrada e saída.

Virtualização cada vez mais sofisticada.

Novos sistemas operacionais.

Ferramentas de desenvolvimento.

Integração com redes abertas.

A plataforma evoluía continuamente.

A diferença é que evolução incremental raramente vira manchete.


O mercado aprendeu uma palavra nova

Na metade da década de 1990 começou a surgir um conceito importante.

Integração.

Até então o debate parecia binário.

Ou era Mainframe.

Ou era Client/Server.

Com o amadurecimento dos projetos, as empresas descobriram que poderiam ter os dois.

O front-end poderia rodar em PCs.

As aplicações departamentais em servidores distribuídos.

E o processamento crítico permanecer no mainframe.

Hoje isso parece óbvio.

Na época foi quase revolucionário.


O Padawan visita uma reunião de diretoria

Nosso Padawan COBOL entra discretamente na sala.

Um consultor termina sua apresentação.

— Precisamos substituir completamente o mainframe.

O diretor financeiro faz apenas uma pergunta.

— Quanto custará?

O consultor responde.

— Aproximadamente cinquenta milhões de dólares.

O diretor permanece em silêncio.

Depois pergunta novamente.

— E se não substituirmos?

Outro silêncio.

Nesse momento o arquiteto da empresa comenta:

— Podemos integrar os novos sistemas ao ambiente existente.

A reunião muda completamente de direção.

Porque, no mundo corporativo, arquitetura sempre precisa conversar com orçamento.


O início da convivência

Foi justamente nessa época que a indústria começou a abandonar uma visão extremamente simplista.

Não era mais uma guerra.

Não existia vencedor absoluto.

Cada plataforma possuía seu espaço.

Mainframe para grandes volumes transacionais.

Servidores distribuídos para aplicações departamentais.

PCs para produtividade.

Mais tarde chegariam Linux.

Java.

Web Services.

Cloud.

Containers.

OpenShift.

Todos convivendo.

Essa mudança de mentalidade talvez tenha sido muito mais importante do que qualquer evolução de hardware.


O "fim do fim"

A frase de George Colony continua brilhante porque resume perfeitamente aquele momento.

Não significava que o mainframe venceria todas as disputas.

Também não significava que nada mudaria.

Significava apenas que a narrativa da morte inevitável começava a perder força.

A indústria finalmente compreendia algo essencial.

Uma tecnologia pode deixar de ser a única solução.

Sem deixar de ser uma solução excelente.


Trinta e dois anos depois

Estamos em 2026.

O IBM z17 integra Inteligência Artificial diretamente na plataforma.

O watsonx fornece modelos corporativos.

O BOB automatiza pipelines modernos.

O Zowe aproxima desenvolvedores open source.

O Ansible automatiza operações.

O COBOL continua recebendo novas versões.

O Db2 continua evoluindo.

O CICS continua sendo um dos monitores transacionais mais eficientes do mundo.

A grande surpresa?

Nada disso exigiu abandonar a arquitetura construída ao longo de décadas.

A plataforma simplesmente evoluiu.


A quarta grande lição

A reportagem da Business Week representa um momento raro na história da tecnologia.

O instante em que parte da imprensa começou a perceber que previsões muito otimistas também precisam ser revisadas.

Esse talvez seja o maior ensinamento deste capítulo.

Boa engenharia não se apaixona por modismos.

Ela mede.

Testa.

Observa.

Corrige.

E muda de opinião quando os fatos mudam.

Foi exatamente isso que começou a acontecer em 1994.

O mercado percebeu que a pergunta nunca deveria ter sido:

"Quem vai substituir o mainframe?"

A pergunta correta era:

"Como integrar novas tecnologias ao que já funciona extraordinariamente bem?"

Essa mudança de pergunta moldou praticamente toda a computação corporativa das três décadas seguintes.

E talvez explique por que, em vez de um túmulo...

Encontramos em 2026 um IBM z17 executando COBOL, Db2, CICS, Linux, OpenShift, APIs REST, DevOps, watsonx e Inteligência Artificial.

O funeral foi cancelado.

A evolução, não.


Fonte histórica

Business Week, 10 de janeiro de 1994, citando George Colony (Forrester Research) com a frase "It's the end of the end for the mainframes." O artigo, preservado por Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe, marcou uma inflexão importante no discurso da indústria: pela primeira vez, uma grande publicação reconhecia que as previsões sobre a extinção do mainframe talvez tivessem sido precipitadas.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu


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A MORTE DO COBOL

O Funeral que Nunca Aconteceu

Uma investigação histórica em 14 capítulos sobre as previsões, reportagens, buzzwords e profetas que anunciaram repetidamente o fim do COBOL — enquanto bilhões de transações continuavam sendo processadas silenciosamente.

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README.TXT

Esta série investiga uma das narrativas mais repetidas da história da tecnologia: a suposta morte do COBOL. Durante décadas, revistas, jornais, consultorias e especialistas anunciaram seu desaparecimento. Entretanto, o COBOL permaneceu processando bancos, seguradoras, governos, cartões, pagamentos e sistemas críticos.

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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