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sexta-feira, 12 de junho de 2026

☕🚀 COBOL FORA DO MAINFRAME: POR QUE ELE NÃO CONQUISTOU O MUNDO COMO JAVA, C# E PYTHON?


Bellacosa Mainframe e tenta entender a razao do Cobol nao existir fora do Mainframe

☕🚀 COBOL FORA DO MAINFRAME: POR QUE ELE NÃO CONQUISTOU O MUNDO COMO JAVA, C# E PYTHON?

Quando alguém fala em COBOL, a maioria das pessoas imediatamente imagina um enorme IBM Z, salas refrigeradas, bancos, seguradoras e sistemas que movimentam bilhões de dólares por dia.

Mas existe uma curiosidade que poucos conhecem:

O COBOL nunca foi exclusivo do Mainframe.

Durante décadas existiram versões para:

  • MS-DOS

  • Windows

  • Linux

  • Unix

  • AIX

  • HP-UX

  • Solaris

  • AS/400

  • VMS

  • até mesmo Raspberry Pi atualmente

Empresas como Micro Focus, Fujitsu, RM/COBOL, Acucobol, GNUCobol e outras investiram milhões tentando popularizar o COBOL fora do universo IBM.

Mesmo assim, quando ouvimos a palavra COBOL em 2026, quase todo mundo associa imediatamente ao Mainframe.

A pergunta é inevitável:

Por que isso aconteceu?

Por que Java virou universal?

Por que C conquistou sistemas operacionais?

Por que Python dominou a automação?

E por que COBOL permaneceu praticamente "preso" ao Mainframe?

A resposta envolve tecnologia, mercado, marketing, história, cultura corporativa e até psicologia.

Pegue seu café.

Hoje vamos mergulhar em uma das maiores curiosidades da história da computação.


O MAIOR MITO SOBRE COBOL

Existe uma crença popular:

"COBOL só funciona em Mainframe."

Isso nunca foi verdade.

Desde os anos 70 já existiam compiladores COBOL para minicomputadores.

Nos anos 80 surgiram versões para:

  • DOS

  • Unix

  • VAX/VMS

Nos anos 90:

  • Windows

  • OS/2

  • Linux

Nos anos 2000:

  • .NET

  • JVM

  • Web Services

Tecnicamente falando, o COBOL poderia ter seguido praticamente qualquer caminho.

Mas não seguiu.


O PROBLEMA NUNCA FOI A LINGUAGEM

Essa é a primeira coisa que surpreende muita gente.

O COBOL não fracassou fora do Mainframe porque era ruim.

Na verdade ele possuía diversas vantagens.

Extremamente legível

Exemplo:

IF SALDO-CONTA IS GREATER THAN LIMITE-CREDITO
   DISPLAY "LIMITE EXCEDIDO"
END-IF

Até alguém sem conhecimento profundo consegue entender.


Excelente para regras de negócio

Bancos adoram COBOL porque ele descreve regras empresariais com clareza.

Por exemplo:

COMPUTE JUROS =
    VALOR * TAXA / 100

Não existe mistério.


Forte manipulação de registros

Antes dos bancos relacionais se popularizarem, isso era ouro.


Precisão decimal

Enquanto várias linguagens sofriam com arredondamentos, COBOL nasceu para dinheiro.

E dinheiro não aceita erro.


O VERDADEIRO PROBLEMA: O COBOL NASCEU PARA NEGÓCIOS

A palavra COBOL significa:

Common Business Oriented Language

Observe:

Não é:

  • Common Game Language

  • Common Scientific Language

  • Common Internet Language

É:

Business.

Negócios.

Empresas.

Contabilidade.

Folha de pagamento.

Seguros.

Finanças.

Faturamento.

Desde o nascimento, ele tinha um propósito extremamente específico.


ENQUANTO ISSO, O MUNDO MUDOU

Na década de 1960 isso era perfeito.

Mas nas décadas seguintes surgiram novos mercados.


Computação científica

FORTRAN dominou.


Sistemas operacionais

C dominou.


Inteligência Artificial

LISP dominou inicialmente.


Aplicações gráficas

C++


Internet

Java

PHP

Perl

JavaScript


Ciência de Dados

Python

R


O mundo começou a exigir coisas que nunca foram prioridade para o COBOL.


O COBOL NÃO FOI FEITO PARA SER "COOL"

Aqui existe um fator psicológico interessantíssimo.

Pense nos heróis da programação:

  • Linus Torvalds → C

  • Guido van Rossum → Python

  • Bjarne Stroustrup → C++

  • James Gosling → Java

Agora pense em COBOL.

A maioria das pessoas nem sabe quem foi Grace Hopper.

Grace Hopper ajudou a criar conceitos fundamentais que levariam ao COBOL.

Mas a linguagem nunca foi vendida como algo revolucionário.

Ela foi vendida como algo:

  • estável

  • corporativo

  • burocrático

E isso afasta jovens desenvolvedores.


O EFEITO "BANCO"

Imagine dois anúncios.

Linguagem A

"Crie jogos incríveis!"

Linguagem B

"Automatize cálculos atuariais."

Qual parece mais divertida?

Foi exatamente isso que aconteceu.

COBOL ficou associado a:

  • bancos

  • seguradoras

  • governos

  • sistemas legados

Enquanto outras linguagens ficaram associadas à inovação.


O ERRO DE MARKETING MAIS CARO DA HISTÓRIA

Durante os anos 80 e 90, universidades começaram a ensinar:

  • C

  • Pascal

  • C++

  • Java

COBOL desapareceu dos cursos.

A consequência foi devastadora.

Menos estudantes.

Menos projetos.

Menos comunidade.

Menos livros.

Menos ferramentas.

Menos conteúdo.

Menos adoção.

Criou-se um círculo vicioso.


O PROBLEMA DAS FERRAMENTAS

Vamos ser honestos.

Nos anos 90 era muito mais divertido programar Visual Basic do que COBOL.

Visual Basic tinha:

  • botões

  • janelas

  • eventos

Você arrastava componentes.

Tudo aparecia na tela.

COBOL continuava focado em:

OPEN INPUT CLIENTES
READ CLIENTES

O apelo visual era praticamente zero.


O MUNDO APAIXONOU-SE POR INTERFACES GRÁFICAS

Quando o Windows explodiu, surgiu uma nova geração de desenvolvedores.

Eles queriam construir:

  • telas

  • jogos

  • multimídia

COBOL não era o candidato natural.


O MAINFRAME PROTEGEU O COBOL

Aqui está a maior ironia.

O Mainframe foi simultaneamente:

  • a maior força do COBOL

  • e sua maior prisão

Sem Mainframe talvez COBOL tivesse desaparecido.

Mas graças ao Mainframe ele sobreviveu.

Por outro lado, o sucesso no Mainframe reduziu o incentivo para conquistar outros mercados.

Os bancos já estavam satisfeitos.

Por que mudar?


O FATOR ECONÔMICO

Imagine um banco.

Você possui:

  • 50 milhões de linhas COBOL

  • 40 anos de história

  • bilhões movimentados diariamente

Qual decisão é mais segura?

Opção A

Migrar tudo.

Opção B

Continuar usando COBOL.

A resposta é óbvia.


O EFEITO "SE ESTÁ FUNCIONANDO, NÃO MEXA"

Poucas linguagens tiveram a sorte de trabalhar em ambientes tão conservadores.

Um sistema bancário precisa:

  • estabilidade

  • previsibilidade

  • auditoria

Não precisa ser moderno.

Precisa funcionar.

E COBOL funciona.

Muito bem.


A CHEGADA DA INTERNET

Nos anos 90 surgiu a Web.

Foi uma nova corrida do ouro.

Linguagens correram para conquistar esse território.

  • Java

  • PHP

  • Perl

  • ASP

COBOL chegou depois.

Muito depois.

Quando chegou, o mercado já tinha donos.


O PROBLEMA DA COMUNIDADE

Uma linguagem vive ou morre pela comunidade.

Python possui:

  • milhões de usuários

  • milhares de bibliotecas

  • eventos globais

Java possui ecossistema gigantesco.

COBOL sempre teve uma comunidade menor.

Extremamente qualificada.

Mas menor.


O FATOR OPEN SOURCE

Outro golpe importante.

O movimento Open Source impulsionou:

  • Linux

  • Python

  • PHP

  • Perl

COBOL permaneceu muito ligado ao mundo corporativo.

Licenças caras.

Compiladores pagos.

Ferramentas empresariais.

Isso limitou sua expansão.


MAS EXISTE COBOL OPEN SOURCE

Hoje existe o fantástico:

GNUCobol

GnuCOBOL Official Project

Ele compila COBOL para C e roda em:

  • Linux

  • Windows

  • macOS

Mostrando que o COBOL continua vivo fora do Mainframe.


O COBOL É LENTO?

Outro mito.

Na verdade, muitas implementações COBOL são extremamente rápidas.

Especialmente em processamento transacional.

O problema nunca foi desempenho.


O COBOL É ANTIGO DEMAIS?

Também não.

Veja a ironia.

Hoje temos:

  • APIs REST

  • JSON

  • XML

  • Kafka

  • Containers

  • Docker

E o COBOL já conversa com tudo isso.

Inclusive o usuário Bellacosa Mainframe frequentemente explora integrações modernas entre COBOL, JSON, CICS Web Services e z/OS Connect.

O problema não é tecnológico.

É percepção de mercado.


O PARADOXO DO SUCESSO

O COBOL sofreu do mesmo problema que o DB2 Mainframe.

Ele ficou tão bom no que fazia que nunca precisou mudar radicalmente.

Enquanto outras linguagens lutavam para sobreviver, o COBOL já tinha conquistado o setor financeiro.


O QUE ACONTECERIA SE O COBOL FOSSE CRIADO HOJE?

Imagine uma linguagem com:

  • sintaxe legível

  • precisão decimal nativa

  • foco em regras de negócio

  • forte tipagem

  • excelente auditoria

Provavelmente seria vendida como:

  • FinTech Language

  • Banking Language

  • Enterprise Language

E talvez fosse considerada revolucionária.


O COBOL PERDEU A GUERRA?

Não.

Na verdade, ele venceu uma guerra diferente.

Enquanto milhares de linguagens nasceram e morreram, COBOL continua executando sistemas críticos após mais de seis décadas.

Poucas tecnologias na história conseguiram isso.


A VERDADE QUE POUCOS ADMITEM

Quando um programador Python cria um sistema hoje, ninguém sabe se ele existirá daqui a 30 anos.

Quando um programador COBOL cria um sistema bancário, existe uma boa chance de alguém ainda estar executando aquele código décadas depois.

Isso muda completamente a forma de projetar software.


A GRANDE LIÇÃO PARA OS PADAWANS

A pergunta correta não é:

"Por que COBOL ficou nichado no Mainframe?"

A pergunta correta é:

"Por que o Mainframe continuou sendo o melhor lugar para executar aquilo que o COBOL foi criado para fazer?"

Porque o COBOL nasceu para resolver problemas empresariais gigantescos.

E o Mainframe continua sendo a plataforma mais eficiente para executar esses processos com:

  • confiabilidade

  • segurança

  • disponibilidade

  • escalabilidade

  • integridade transacional

O COBOL não ficou preso ao Mainframe.

Na realidade, ele encontrou seu habitat natural.

As versões para DOS, Windows e Linux sempre existiram, continuam existindo e funcionam muito bem.

Mas fora do Mainframe ele precisava competir com centenas de linguagens.

Dentro do Mainframe ele se tornou rei.

E existe uma enorme diferença entre participar de uma competição e dominar um reino.

Mais de 65 anos depois de seu nascimento, o COBOL continua processando salários, aposentadorias, seguros, cartões de crédito, transferências bancárias e operações financeiras que sustentam boa parte da economia mundial.

Poucas linguagens podem dizer isso.

E talvez esse seja o maior paradoxo da computação:

O COBOL não conquistou todas as plataformas porque nunca precisou.

Ele já estava ocupado movendo o mundo. ☕🚀



sábado, 15 de agosto de 2015

🌌 O Primeiro Programa no Mainframe: A Jornada do Padawan na Galáxia do COBOL

 

Bellacosa Mainframe e o primeiro programa cobol

🌌 O Primeiro Programa no Mainframe: A Jornada do Padawan na Galáxia do COBOL

Por Vagner Bellacosa — Bellacosa Mainframe Chronicles


“Antes de um Jedi empunhar seu sabre de luz, ele aprende a sentir a Força. No Mainframe, antes de rodar um programa, o Padawan precisa aprender a sentir o zumbido do MVS.”
— Mestre Bellacosa


🚀 Capítulo 1: O Despertar do Terminal

Todo Jedi Mainframe começa no TSO/ISPF, o templo sagrado onde o código nasce.
Aqui, não há cliques, não há mouse, só o poder dos comandos.

🌀 Dica do Mestre:
TSO significa Time Sharing Option. É o modo como o z/OS permite que vários usuários interajam simultaneamente com o sistema.
O ISPF (Interactive System Productivity Facility) é o ambiente gráfico textual — sim, gráfico de ASCII, mas ainda assim — onde tudo acontece.

Para começar:

  1. Entre no TSO (geralmente com um logon ID e senha).

  2. Ao ver o menu do ISPF, escolha a opção 2 – Edit.

  3. Crie seu primeiro dataset para o código-fonte:

    CREATE 'USERID.COBOL.SOURCE'

    (substitua USERID pelo seu logon)


🧙‍♂️ Capítulo 2: Invocando o Espírito do COBOL

Dentro do dataset USERID.COBOL.SOURCE, vamos escrever o primeiro feitiço:

IDENTIFICATION DIVISION. PROGRAM-ID. HELLOMF. PROCEDURE DIVISION. DISPLAY 'HELLO MAINFRAME WORLD!'. STOP RUN.

💡 Curiosidade Bellacosa:
O primeiro programa COBOL Hello World rodou em 1959. Desde então, milhões de “HELLOs” ecoaram nos datacenters do mundo — inclusive em satélites e sistemas bancários.

🧩 Easter Egg Técnico:
Se você escrever DISPLAY 'HELLO WORLD' sem o ponto final (.), o compilador pode engasgar!
No COBOL, o ponto é sagrado — é o ponto final das sentenças, não só da gramática. 😉


🧰 Capítulo 3: O Ritual do JCL

Nenhum programa vive sem o JCL (Job Control Language) — o pergaminho que instrui o Mainframe a compilar e executar seu código.

Crie outro dataset:

CREATE 'USERID.JCL'

Agora o job:

//HELLOJOB JOB 'COBOL TEST',CLASS=A,MSGCLASS=X,NOTIFY=&SYSUID //STEP1 EXEC PGM=IGYCRCTL //COBOL.SYSIN DD DSN=USERID.COBOL.SOURCE(HELLOMF),DISP=SHR //COBOL.SYSLIN DD DSN=&&LOADSET,UNIT=VIO,SPACE=(CYL,(1,1)),DISP=(MOD,PASS) //SYSOUT DD SYSOUT=* //SYSPRINT DD SYSOUT=* //STEP2 EXEC PGM=HELOWMF //STEPLIB DD DSN=USERID.LOADLIB,DISP=SHR //SYSOUT DD SYSOUT=*

⚙️ Explicando o feitiço:

  • JOB é o início da magia — identifica o job ao JES2, o oráculo do spool.

  • EXEC chama o compilador (IGYCRCTL) e depois o programa.

  • SYSOUT=* manda a saída para o spool, visível com o comando SDSF ou OUTLIST.

🪄 Easter Egg Jedi:
O compilador COBOL chama o “IGYCRCTL” (IBM Guy’s Compiler Routine Control) — sim, o “IGY” vem da IBM Guy, apelido do engenheiro que escreveu o protótipo original em 1959 (piada interna).


🖥️ Capítulo 4: Invocando o Spool

Após submeter o job com o comando SUBMIT, use:

=SD

ou

SDSF -> ST (Status)

Para ver o job rodando. Quando terminar, veja a saída (? ou S).

Se tudo der certo, o spool mostrará:

HELLO MAINFRAME WORLD!

🎉 Parabéns, Padawan!
Você acaba de executar seu primeiro programa em um dos sistemas mais poderosos e estáveis do planeta.


🧭 Capítulo 5: As Trilhas do Aprendizado

Agora que sentiu o gosto da Força, siga o mapa dos próximos passos:

NívelMissãoFerramentaDica do Mestre
🥉 InicianteCriar programas COBOL simplesISPF EditSempre compile com atenção às mensagens IGY*
🥈 AprendizManipular VSAMIDCAMS + COBOLAprenda REDEFINES e FILE STATUS
🥇 CavaleiroCriar programas CICSCEDA + BMSDomine COMMAREA e LINKAGE SECTION
🧙 MestreCriar Web Services no z/OSCICS Web Services / z/OS ConnectCOBOL + JSON = futuro clássico

Curiosidade Bellacosa:

  • O z/OS ainda roda código compilado há 40 anos — sim, o seu HELLOMF pode rodar em 2065 se bem armazenado.

  • Em alguns bancos, a política é: “nunca mexa em programa que funciona há mais de 20 anos” — o código é tratado como reliquia sagrada.

  • O STOP RUN. equivale ao “May the Force be with you” do COBOL — encerra o ciclo do programa com honra.


🌠 Conclusão: O Caminho do Código Antigo

O Mainframe não é um sistema — é uma filosofia.
Cada tela azul do ISPF é um portal para o passado, e cada DISPLAY é um elo com o futuro.
Ser um Padawan Mainframe é aprender que, antes de tudo, o poder está na paciência, na curiosidade e no amor por sistemas que nunca morrem.