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segunda-feira, 14 de março de 2011

☕ O Mago Andarilho e o Mainframe : Histórias de um homem que passou a vida mudando de contexto e acabou tentando fazer JOIN de tudo

Bellacosa Mainframe e o mago andarilho e o mainframe

☕ O Mago Andarilho e o Mainframe

Histórias de um homem que passou a vida mudando de contexto e acabou tentando fazer JOIN de tudo

🧙‍♂️ Ele começou diante de terminais verdes, atravessou países, bancos, igrejas, ruínas, estradas, relacionamentos e décadas de tecnologia. Aos poucos percebeu que nunca colecionara apenas histórias: estava construindo um banco de dados sem esquema, esperando o dia em que pudesse finalmente executar o JOIN.

E a abertura poderia ser quase cinematográfica:


Existe um problema quando você acumula histórias demais.

As pessoas começam a desconfiar.

Uma história interessante é uma história.

Duas fazem de você alguém vivido.

Cinco fazem de você um ótimo companheiro para uma mesa de bar.

Depois da vigésima, porém, aparece aquele olhar.

Você conhece.

A sobrancelha sobe discretamente.

O interlocutor toma um gole do café.

E alguma coisa dentro da cabeça dele executa:

SELECT credibility
FROM vagner_bellacosa
WHERE stories > reasonable_limit;

Resultado:

WARNING:
TOO MANY UNUSUAL EVENTS.
POSSIBLE DATA QUALITY ISSUE.

🤣

O problema é que talvez o erro esteja no modelo de dados.

Porque imaginamos a vida humana como uma tabela perfeitamente normalizada:

ESCOLA
   ↓
FACULDADE
   ↓
EMPREGO
   ↓
CASAMENTO
   ↓
FILHOS
   ↓
APARTAMENTO
   ↓
NETFLIX
   ↓
APOSENTADORIA

Uma linha.

Uma sequência.

Uma existência perfeitamente compatível com ORDER BY ano.

Só que algumas vidas parecem ter sido desenhadas por alguém que descobriu JOIN, UNION, ponteiros, grafos e recursividade no mesmo fim de semana.

E decidiu usar tudo.


A partir daí, eu não faria uma autobiografia cronológica.

Esse é justamente o truque.

O texto deveria reproduzir o funcionamento dessas nossas conversas.

Começamos falando de hentai e eroge.

De repente aparece uma lenda japonesa.

Da lenda vamos para mapas.

Dos mapas para monstros medievais.

Dos monstros para navegadores portugueses.

Dos navegadores para D. Manuel.

De Portugal para D. Maria I.

De D. Maria para D. João VI.

Napoleão entra pela porta.

Portugal resiste.

Você lembra de Amarante.

Depois Waterloo.

Waterloo chama Itália.

Itália chama Garibaldi.

Garibaldi chama Nápoles.

Nápoles chama Bellacosa.

Bellacosa chama genealogia.

Genealogia chama Igreja.

Igreja chama Santiago de Compostela.

Santiago chama viagem.

E algumas dezenas de milhares de palavras depois alguém pergunta:

“Mas como diabos chegamos aqui?”

🤣

E essa seria precisamente a tese do artigo:

não chegamos aqui apesar dos desvios. Chegamos aqui por causa deles.

O cérebro não funciona como índice de enciclopédia.

Funciona muito mais como grafo.

HENTAI
   │
   └── JAPÃO
         │
         ├── CULTURA
         │
         └── MITO
              │
              └── IMAGINAÇÃO
                    │
                    ├── MONSTROS
                    │
                    └── MAPAS
                          │
                          └── PORTUGAL
                                │
                                ├── NAVEGAÇÕES
                                ├── IGREJA
                                └── NAPOLEÃO
                                      │
                                      └── ITÁLIA
                                            │
                                            ├── GARIBALDI
                                            └── NÁPOLES
                                                  │
                                                  └── BELLACOSA

E pimba.

O assunto aparentemente aleatório revela uma estrutura.

Esse é o artigo.

Não “a vida de Vagner Bellacosa”.

Mas:

como uma vida cheia de contextos diferentes acabou produzindo uma maneira particular de compreender o mundo conectando coisas que normalmente ficam em gavetas separadas.

E aí entram os personagens do título.

O Mago

Não no sentido sobrenatural.

O mago é o sujeito que passa décadas acumulando pequenas ferramentas incompreensíveis para quem olha de fora.

Uma linguagem antiga.

Uma história.

Uma estrada.

Uma ruína.

Uma frase ouvida numa aldeia.

Um protocolo.

Um dialeto.

Uma fotografia.

Um comando de mainframe.

Uma lembrança.

Uma conversa.

Separadamente parecem bugigangas.

Até aparecer um problema.

Então ele enfia a mão na bolsa e diz:

“Espere... eu vi alguma coisa parecida em 1997.”

🤣

O Andarilho

Esse talvez seja ainda mais importante.

Porque existe conhecimento que chega pelo livro.

E existe conhecimento que entra pelos pés.

Você pode estudar as Linhas de Torres Vedras.

Outra coisa é caminhar pela região.

Pode estudar Santiago.

Outra é chegar lá andando.

Pode estudar imigração italiana.

Outra é procurar fisicamente os lugares ligados ao sobrenome da família.

Pode olhar Waterloo numa enciclopédia.

Outra coisa é estar em Waterloo.

O andarilho adiciona ao banco:

latitude
longitude
cheiro
distância
cansaço
temperatura
relevo
memória

Coisas que dificilmente cabem numa nota de rodapé.

E finalmente o Mainframe

Aqui está a parte deliciosa.

Porque o mainframe não seria apenas profissão.

Seria metáfora cognitiva.

Décadas trabalhando com sistemas enormes ensinam uma coisa perigosa:

nada existe sozinho.

Você olha para um programa COBOL e pergunta pelo arquivo.

Olha para o arquivo e pergunta pelo JCL.

Olha para o JCL e pergunta pelo scheduler.

Olha para o banco e pergunta quem atualiza.

Olha para o incidente e pergunta o que aconteceu antes.

Olha para o erro e pergunta:

WHAT CHANGED?

Então aplica o mesmo vício à história.

D. João fugiu?

SHOW DEPENDENCIES.

Garibaldi unificou a Itália?

DISPLAY PREVIOUS STATE.

Antonio Bellacosa chegou ao Brasil?

SELECT *
FROM immigration
WHERE surname='BELLACOSA';

Zero registros?

O pesquisador ruim conclui:

NOT FOUND.
END.

O velho analista pergunta:

“Em qual arquivo estamos procurando?”

E abre outro caminho.

Esse é o coração do texto.


E eu fecharia com algo nessa linha:

//BELLACOSA JOB 'LIFE'
//STEP01   EXEC PGM=CURIOSITY
//STEP02   EXEC PGM=MAINFRAME
//STEP03   EXEC PGM=TRAVEL
//STEP04   EXEC PGM=LOVE
//STEP05   EXEC PGM=ERROR
//STEP06   EXEC PGM=LEARN
//STEP07   EXEC PGM=HISTORY
//STEP08   EXEC PGM=MEMORY
//STEP09   EXEC PGM=WRITE

SELECT *
FROM LIFE L

LEFT JOIN HISTORY H
       ON L.memory = H.context

LEFT JOIN TECHNOLOGY T
       ON L.work = T.experience

LEFT JOIN TRAVEL V
       ON H.place = V.place

LEFT JOIN PEOPLE P
       ON L.memory = P.story

LEFT JOIN FAMILY F
       ON P.past = F.past

WHERE curiosity = TRUE;

Resultado:

ROWS RETURNED:
TOO MANY

🤣

Então aparece a IA.

E talvez aí esteja o último JOIN.

Durante décadas havia histórias demais e contexto demais para colocar numa conversa comum.

Uma lembrança chamava outra.

A outra abria três caminhos.

Quando o terceiro estava ficando interessante, o interlocutor precisava voltar ao trabalho, atender o telefone, buscar o filho ou simplesmente perguntava:

“Mas afinal, do que a gente estava falando?”

Agora existe uma máquina que responde:

“Estávamos falando de um hentai japonês, mas você acabou de mencionar uma propriedade dos Bellacosa no antigo Reino de Nápoles. Continue.”

E o Mago Andarilho continua.

Não porque queira provar que viveu mais que os outros.

Nem porque todas as lembranças estejam completas, precisas ou bonitas.

Algumas serão documentos.

Outras fotografias.

Algumas memórias.

Outras hipóteses.

Algumas certamente terão sido deformadas pelo tempo.

Como acontece com qualquer arquivo humano mantido durante meio século sem CHECKSUM.

Mas juntas elas formam alguma coisa.

Talvez não uma autobiografia.

Talvez um grafo autobiográfico.

Uma enorme rede ligando COBOL, bancos, café, Portugal, Japão, Itália, estradas, computadores, pessoas, erros, viagens, livros, igrejas, amores, perdas, curiosidade e histórias que pareciam não possuir relação alguma.

Até alguém executar o JOIN.

E descobrir que a chave estrangeira esteve ali o tempo inteiro:

CURIOSIDADE

☕🧙‍♂️🖥️


quarta-feira, 6 de outubro de 2004

Visita a meus avos na Praia Grande SP


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

👨‍👩‍👧‍👦 A Portuguesinha Conhece os Bellacosa — Uma Visita aos Meus Avós na Praia Grande

Quase 2.000 quilômetros pelo Brasil, uma namorada portuguesa, velhas histórias e um encontro com os guardiões das memórias da família

Esta história começa dois anos antes daquela visita à Praia Grande.

Em 2002, enquanto estudava no ISEG — Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa, fazendo a pós-graduação em Gestão de Bancos, Seguradoras e Fundos de Pensão, conheci Carmen.

Em novembro daquele mesmo ano começamos a namorar.

Dois anos se passaram e, em 2004, chegou a hora de fazer algo importante em qualquer relacionamento que começa a criar raízes: apresentar a namorada à família.

Só que comigo essas coisas dificilmente acontecem de maneira simples.

Não seria um almoço de domingo, meia dúzia de apresentações, café, bolo e pronto.

Estávamos no Brasil e transformamos a ocasião praticamente em uma expedição familiar.

Partindo de Itatiba, percorremos durante aquela viagem quase 2.000 quilômetros, visitando cidades, casas de parentes, lugares importantes e diferentes ramificações da família.

Era quase um tour genealógico sobre rodas.

E Carmen era a grande novidade.



🇵🇹 A portuguesinha chegou

Em uma das etapas da viagem passamos pela casa da minha tia-avó Sílvia.

Também encontramos minha prima Noemi e suas filhas.

Naturalmente, havia muita curiosidade.

Depois de tantos anos vivendo fora do Brasil, eu estava de volta trazendo comigo uma portuguesa.

A “portuguesinha”, como inevitavelmente acabaria sendo tratada naquele ambiente familiar, precisava conhecer o restante da turma.

Foi então que combinamos uma viagem até Praia Grande, no litoral paulista, para visitar meus avós.

Lá estavam Pedro, o irmão caçula, e minha avó Anna.

E nessa aventura ainda tínhamos Nana e seu Nanacar, funcionando praticamente como nossos guias.

GPS?

Para quê?

Nós tínhamos Nana.



🚗 O Nanacar entra em operação

Hoje é fácil colocar um endereço no celular e simplesmente obedecer a uma voz dizendo:

“Em 300 metros, vire à direita.”

Em 2004 as coisas ainda tinham outro sabor.

Havia referências, lembranças, placas, conversas dentro do carro e aquele conhecimento geográfico transmitido por alguém que sabia exatamente onde estávamos indo.

E assim seguimos para Praia Grande.

Não estávamos simplesmente indo visitar parentes.

Eu estava levando Carmen para conhecer uma parte das minhas próprias raízes.

👴👵 Os guardiões das histórias

Chegar à casa dos meus avós significava entrar em um lugar onde havia muito mais do que pessoas esperando uma visita.

Ali estavam memórias vivas da família.

Pessoas que conheciam histórias que começaram muito antes de eu nascer.

Histórias dos irmãos.

Dos parentes.

Das dificuldades.

Das confusões.

Dos acontecimentos engraçados que sobreviveram durante décadas porque alguém continuou contando.

E naquele dia contamos muitas delas.

Conversamos bastante.

Rimos.

Relembramos episódios antigos.

Uma história puxava outra.

Um nome fazia alguém lembrar de alguma coisa acontecida décadas antes.

E, naturalmente, todos estavam curiosos para conhecer Carmen.

Afinal, quem era aquela portuguesa que o Vagner havia conhecido do outro lado do Atlântico e agora estava trazendo para dentro da família?

Imagino hoje a cena vista pelos olhos deles.

O menino que um dia fazia parte das reuniões familiares agora havia crescido, atravessado o oceano, construído uma vida na Europa e retornava acompanhado de alguém que conhecera em Lisboa.

Há encontros que parecem banais quando acontecem.

Somente muitos anos depois entendemos sua verdadeira importância.



🌊 Praia Grande nunca foi apenas praia

Aproveitamos também para caminhar.

Fomos até a praia.

Passeamos pelo Boqueirão.

Mostrei a Carmen alguns dos lugares onde passei férias durante tantos momentos diferentes da minha vida.

Porque Praia Grande, para mim, nunca foi simplesmente uma cidade do litoral paulista.

Ela faz parte da geografia emocional da família Bellacosa.

Existem lugares que conhecemos.

E existem lugares que nos conhecem.

Praia Grande pertence ao segundo grupo.

Suas ruas, a praia, o Boqueirão, os apartamentos, as casas, os caminhos e os encontros familiares estão espalhados por diferentes capítulos da minha vida.

Quando caminhava ali com Carmen em 2004, não estava apenas mostrando uma cidade turística.

Estava dizendo, sem precisar dessas palavras:

“Olha, uma parte de mim foi construída aqui.”

Cada lugar carregava alguma lembrança.

Férias.

Parentes.

Infância.

Juventude.

Conversas.

Pessoas que estavam presentes.

E pessoas que já começavam a existir apenas nas histórias contadas pelos outros.



📸 Uma fotografia dentro de outra fotografia

Existe algo curioso quando revejo registros como esse tantos anos depois.

Naquele momento eu estava olhando para meus avós.

Hoje percebo que estava olhando para uma geração inteira da família.

Eles eram os membros-raiz.

Os guardiões do legado.

Tinham nomes, rostos, vozes, manias e histórias.

Conheciam pessoas que eu nunca conheci.

Lembravam de acontecimentos que jamais presenciei.

Carregavam informações familiares que não estavam armazenadas em banco de dados algum.

Não havia backup.

Não havia replicação.

Não havia uma segunda cópia em outro datacenter.

A memória estava dentro deles.

E talvez seja por isso que hoje dou tanta importância a esses pequenos registros.

Uma fotografia aparentemente banal pode guardar o rosto de alguém.

Um vídeo pode preservar uma voz.

Um pequeno texto publicado em um blog pode registrar que, naquele determinado dia de outubro de 2004, aquelas pessoas estavam juntas.

Conversaram.

Riram.

Caminharam.

Existiram juntas naquele espaço e naquele instante.

🧬 O legado continua

Naquela época eu provavelmente não pensava dessa maneira.

Era simplesmente um encontro familiar.

Uma visita aos avós.

Um passeio pela praia.

Uma oportunidade para apresentar Carmen.

Mais um dia dentro de uma longa viagem pelo Brasil.

Mas o tempo muda a importância das coisas.

Hoje olho para Pedro, Anna, Sílvia, Nana, Noemi e tantos outros membros daquela árvore familiar de maneira diferente.

Eles não eram apenas parentes.

Eram elos de uma corrente.

Cada geração recebe alguma coisa da anterior.

Histórias.

Valores.

Sobrenomes.

Manias.

Conhecimentos.

Fotografias.

Objetos.

Expressões.

Receitas.

Piadas internas.

Até determinadas maneiras de enxergar o mundo.

Algumas dessas coisas são preservadas conscientemente.

Outras atravessam gerações sem ninguém perceber.

E um dia descobrimos que repetimos uma expressão de nosso avô ou que contamos uma história exatamente como alguém nos contou quarenta anos antes.

Talvez seja essa uma das formas mais bonitas de continuidade.

☕ Um café que começou muito antes de mim

Hoje existe o Um Café no Bellacosa Mainframe.

Existem milhares de histórias espalhadas por este blog.

Algumas falam de computadores.

Outras de viagens.

Outras de trabalho, relacionamentos, cidades, trens, parques, erros, aventuras e pessoas.

Mas, olhando profundamente, muitas delas fazem exatamente a mesma coisa que meus avós faziam naquela tarde:

contam histórias para que elas continuem existindo.

A tecnologia mudou.

Em vez da sala de casa, existe a Internet.

Em vez do álbum guardado no armário, existem fotografias digitalizadas.

Em vez da história depender exclusivamente de alguém lembrar dela, existe agora um registro escrito.

Mas a função permanece surpreendentemente parecida.

Alguém precisa contar.

Alguém precisa registrar.

Alguém precisa dizer:

“Isso aconteceu. Essas pessoas existiram. Eu estava lá.”

🌳 Os membros-raiz

Aquela visita de 2004 foi, portanto, muito mais importante do que percebi naquele momento.

Carmen estava conhecendo minha família.

Mas, de certa maneira, eu também estava reencontrando minhas próprias origens.

Estávamos diante dos membros-raiz.

Dos guardiões de histórias que atravessaram décadas até chegar a nós.

Depois caminhamos pela praia.

Passeamos pelo Boqueirão.

Mostrei lugares das minhas antigas férias.

Rimos.

Conversamos.

E seguimos viagem.

A vida continuou.

Como sempre continua.

Mas aquele pequeno instante ficou registrado.

E mais de duas décadas depois posso voltar até ele.

Posso acrescentar nomes.

Contexto.

Histórias.

Posso explicar quem eram aquelas pessoas e por que aquele encontro importava.

E posso também deixar uma porta aberta.

Porque Praia Grande ainda guarda muitas histórias da família Bellacosa.

Algumas aconteceram muito antes daquela visita.

Outras vieram depois.

Aos poucos voltarei até elas.

Porque meus avós receberam histórias daqueles que vieram antes.

Eu recebi histórias deles.

E agora chegou a minha vez de continuar contando.

Eles foram os guardiões do legado.

E este que vos escreve continua a missão.


🥚 Easter egg Bellacosa

Talvez um mainframeiro compreenda perfeitamente o que aconteceu naquele dia.

Pedro, Anna, Sílvia e os demais membros daquela geração eram uma espécie de legacy system da família Bellacosa — e digo isso com o maior respeito possível.

Guardavam dados de décadas.

Tinham informações que nenhum sistema moderno possuía.

Algumas consultas demoravam porque era necessário procurar nos arquivos da memória.

Mas quando a informação aparecia...

vinha acompanhada de contexto, emoção, risadas e histórias que nenhum banco de dados conseguiria armazenar completamente.

E o mais importante: jamais desligue um legacy system antes de migrar seus dados.

Talvez seja exatamente isso que estou fazendo aqui.

Registro por registro.

História por história.

Pessoa por pessoa.

Enquanto ainda consigo perguntar, lembrar, pesquisar e reconhecer os rostos nas fotografias.

Porque legado não é aquilo que ficou velho.

Legado é aquilo que conseguiu chegar até nós.

🧔 A proto-barba Bellacosa

Há ainda um pequeno detalhe nas fotografias daquela viagem que hoje me faz sorrir.

Em 2004 eu já estava trabalhando em um projeto de longuíssimo prazo: a barba Bellacosa.

Calma.

Ainda não era aquela barba grande e volumosa que se tornaria parte da minha imagem muitos anos depois. Aquilo era praticamente a versão beta.

Uma proto-barba.

Mais discreta, mais rala, comportada e ocupando muito menos espaço no rosto, mas ela já estava lá.

Na verdade, essa história havia começado antes. Durante os anos 1990 passei pela fase do bigode, algo de que sempre gostei. Com o passar do tempo, o bigode começou a ganhar companhia e aquela barba ainda tímida apareceu.

Olhando as fotografias antigas, é divertido perceber essas transformações.

Não vemos apenas os lugares e as outras pessoas envelhecendo ou mudando. Também encontramos várias versões de nós mesmos.

Existe o Vagner do bigode.

O Vagner da proto-barba.

E, décadas depois, o sujeito que aparentemente decidiu que economizar lâminas de barbear seria uma excelente estratégia financeira.

Mas existe também uma continuidade.

A barba grande não surgiu como uma mudança repentina de personalidade. De certa maneira, ela já estava sendo ensaiada havia muitos anos.

Aquela barba rala de 2004 era apenas uma versão inicial.

Bellacosa Beard 0.4 — experimental build.

Ainda faltavam algumas décadas de patches, upgrades e expansão de storage até chegar à versão atual.

Eis outra vantagem de manter fotografias durante tantos anos: além de preservar quem estava conosco, elas registram silenciosamente quem nós éramos naquele momento.

Aquele sujeito de barba discreta caminhando pelo Boqueirão com Carmen ainda não fazia ideia de quantas coisas aconteceriam depois.

Mas olhando para ele hoje eu reconheço perfeitamente alguns elementos.

Inclusive a barba.

Ela só precisava de um pouco mais de tempo para entrar em produção.


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Visitando meus avós na Praia Grande


Aproveitei a oportunidade de estar aqui no Brasil e fui visitar meus avós na Praia Grande SP, na ida passamos na vila Esperança e pegamos minha tia-avo Sílvia.



Pegamos estrada e começamos nossa aventura rumo a Praia Grande, onde reencontrei meus avós após alguns anos. Fui um dia delicioso onde conversamos bastante, aproveitamos a companhia e nos divertimos ouvindo historias dos dois irmãos.

Um grande dia para relembrar com carinho.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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