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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

🏺✨KINTSUGI – quando a falha vira feature (e o bug vira legado) 🏺✨

 

Bellacosa Mainframe momento de paz e serenidade com kintsugi ao redor

🏺✨KINTSUGI – quando a falha vira feature (e o bug vira legado) 🏺✨


Eu sempre digo que o Japão tem uma habilidade quase mágica de transformar erro em filosofia. E se tem um conceito que parece ter sido escrito por um velho programador de COBOL zen, sentado num data center silencioso às três da manhã, esse conceito se chama Kintsugi.

Kintsugi (金継ぎ) significa literalmente “emenda de ouro”. É a arte japonesa de consertar cerâmicas quebradas usando laca misturada com pó de ouro, prata ou platina. Em vez de esconder a rachadura, o japonês faz exatamente o oposto: ele destaca a cicatriz. O objeto não volta a ser “como era antes” — ele se torna algo novo, único e mais valioso.

Se isso não é filosofia de vida, eu não sei o que é.


🕰️ Origem – quando o conserto virou arte

A história mais contada diz que, no século XV, o xogum Ashikaga Yoshimasa quebrou sua tigela de chá favorita. Mandou consertar na China e recebeu de volta algo remendado com grampos metálicos (bem feio, diga-se). Insatisfeito, artesãos japoneses resolveram criar um método que respeitasse a estética… e nasceu o Kintsugi.

Aqui já aparece o primeiro easter egg japonês:

não é só consertar — é respeitar a história do objeto.


🧠 Filosofia por trás do ouro

Kintsugi está profundamente ligado ao wabi-sabi — a beleza do imperfeito, do transitório, do incompleto.

Traduzindo para o nosso mundo:

  • a falha não é vergonha

  • a quebra faz parte do caminho

  • a cicatriz conta uma história

Ou, como eu diria em bom mainframe:

sistema que nunca caiu não tem histórico confiável.


🛠️ A prática do Kintsugi (spoiler: não é rápido)

Nada de cola instantânea. O processo tradicional pode levar semanas ou meses:

  1. união das partes com urushi (laca natural)

  2. tempo de cura em ambiente controlado

  3. aplicação do pó de ouro nas fissuras

  4. polimento final

É quase um batch job filosófico: lento, cuidadoso, sem pressa e sem rollback.


🗾 Importância cultural no Japão

O Kintsugi vai muito além da cerâmica. Ele influencia:

  • arte

  • arquitetura

  • literatura

  • comportamento social

  • forma de lidar com perdas e fracassos

No Japão, falhar não é o fim — é uma etapa. O que importa é como você retorna.


🎎 Curiosidades & fofoquices

  • Nem todo Kintsugi usa ouro: há versões com prata ou latão

  • Algumas peças restauradas ficam mais valiosas que as originais

  • Em animes e mangás, o conceito aparece de forma simbólica em personagens “quebrados” que retornam mais fortes (👀 sim, estou olhando para você, Naruto, Vagabond, Demon Slayer)


🎮 Dicas para entender (e viver) o Kintsugi

  • Não esconda suas falhas — aprenda com elas

  • Aceite que você não volta ao “estado original”

  • Transforme dor em narrativa

  • Use suas rachaduras como assinatura


☕ Bellacosa comenta…

Se o Japão fosse um sistema, o Kintsugi seria aquele módulo legado que ninguém ousa reescrever, mas todo mundo respeita. Ele nos ensina que não somos descartáveis por quebrar, e sim mais interessantes por ter sido consertados.

No fundo, Kintsugi é isso:
a vida não exige perfeição — exige continuidade.

E se for para remendar… que seja com ouro.

domingo, 28 de agosto de 2011

A estaçao ferroviaria em Cremona

Descansando e aguardo o trem para retornar a casa.


Em minha estadia na Italia, aproveitava todos os tempos livres para andar, feito um andarilho caminhava pelas cidades, apreciando cada cantinho. Nestes dias de liberdade, as vezes caminhava mais de 20 quilómetros.

Então ao final do dia estava mortinho, quando retornava a estação só queria um banquinho para sentar e aguardar meu trem para voltar a bat-caverna.



A maneira de Forrest Gump sentado e esperando o trem, aproveitada para conversar com as pessoas, outras vezes ficava fotografando trens, em uma destas vezes aproveitei para registrar o movimento em Cremona.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O dia em que o mini Oni perdeu para o cãozinho do apocalipse

 

Bellacosa Mainframe e o pequeno cao do inferno

📜 El Jefe Midnight Lunch – Bellacosa Mainframe Logs
O dia em que o mini Oni perdeu para o cãozinho do apocalipse

Voltemos à Pirassununga, 1983 — aquele ambiente rural-urbano onde o asfalto não era bem asfalto, o silêncio não era bem silêncio, e as crianças não eram exatamente crianças… eram unidades autônomas de caos, equipadas com energia infinita, pés ligeiros e zero bom senso.

E no meu caso específico:
um pequeno Oni em modo provocação contínua.




🐕💀 O cruz-credo em miniatura – 30 cm de ódio puro

No caminho da escola, existia um ser.
Um daemon canídeo.
Uma criatura saída diretamente do IBM Hell Center, versão 30 centímetros de altura, perninhas finas, latência zero e latido com volume de sirene de teste de descompressão.

Eu tentava passar no modo stealth.
Mas a peste me detectava a 100 metros de distância, como se tivesse um RACF EXIT escrito só para identificar Bellacosa.

E começava o ataque sonoro.
Latido atrás de latido…
Um log interminável de aborrecimento.

A antipatia era mútua:
eu achava ele insuportável,
e ele achava que minha existência era uma ofensa pessoal.



🥢 A guerra fria Bellacosa vs. Mini-Cão

Em certos dias, eu no modo Oni provocador:

  • batia o pé no chão

  • arrastava galhos na grade

  • fazia tec-tec-tec-tec só pra irritar

  • e ainda olhava com cara de “chama no x1, coragem!”

Todo santo dia tinha algum episódio.
E nenhum de nós queria perder.

Mas… toda guerra tem um dia decisivo.



☠ A vingança canina – O ataque surpresa

Lá vou eu caminhando com um pote de peixinhos (não lembro por quê, mas a vida do Bellacosa é um RDD cheio de registros bizarros).
Um adolescente estava com o portão aberto e pediu para ver os peixes.
Eu, educado, entreguei o pote.

Foi quando, do fundo do inferno, saiu ele:

o mini Cavaleiro do Apocalipse, versão toy, vindo na velocidade de um I/O mal configurado.

Eu, com o dono ali do lado, não podia reagir como de costume.
Então fiz o que qualquer Oni covarde, desesperado e consciente da própria mortalidade faria:

fugi e trepei numa árvore.

E foi por pouco.
Mas o ódio canino daquele demônio de 30 cm era maior que seu tamanho.

Ele deu um salto.
Um salto digno de Olimpo canino.

E abocanhou minha panturrilha.

Não foi profundo.
Não foi sério.
Mas doeu…
e pior…
feriu o orgulho.

Meu log interno registrou:

“Erro crítico: mini-cão venceu o embate. Orgulho comprometido. Reiniciar?”

O dono capturou a fera, pediu desculpas, prendeu o mini-cerberus e quase se ajoelhou de vergonha.
Eu respondi:

— “Tá tudo bem… não foi nada…”

Por dentro?

Eu queria formatar aquele cachorro.
Com baixa densidade.
E sem backup.



🐦 Sobre animais… cada um com seu bicho

Esse episódio reforçou algo que me acompanha até hoje:
nunca fui fã de cachorros, principalmente os barulhentos.

A Vivi sempre foi o oposto: ama cães, gatos, tudo que tenha pelo e quatro patas.
Os bichinhos sempre foram dela — eu só convivia.

Eu?
Sou do time das aves.
Mas não curto gaiolas.
Gosto de liberdade.
Gosto do som de asas.
Da ideia de voar.

Mas essa conversa fica para outro capítulo.



📌 E assim termina o dia em que o Oni foi derrotado…

Derrotado por um canino de bolso.
Um microserviço do caos.
Um processo zombie cheio de dentes.

Mas faz parte da vida.
Nem sempre o herói vence.
Às vezes, quem ganha é o monstrinho de 30 cm com complexo de Napoleão.

Quando quiser, puxo mais um registro desse data set da infância.
É só mandar o comando:

CALL RARIDADE,MODE=NOSTALGIA

Bellacosa out. 🐕🔥🕶️


domingo, 21 de agosto de 2011

Viagem de trem de Milao a Monza.

Olhando pela janela do trem entre Milano e Monza.


Feito uma criança la vou eu olhando pela janelinha do trem, vendo a paisagem correndo sem fim...

E uma sensação prazeirosa, deixar a mente divagar enquanto se vê a paisagem, ouvindo o ta-tata-taaaaa ta-tata-taaaaa


Ansioso por chegar a famosa Monza, cidade que tantas historia ouvi de um amigo de outra época, o Geovanio, que como funcionário da Honda la pelos idos dos 90, fez algumas actividades nesta cidade, para auxiliar na organização a equipe Honza que participava do GP de Monza.

sábado, 20 de agosto de 2011

🔥 Error Handling Techniques no CICS

 


🔥 Error Handling Techniques no CICS

 


☕ Midnight Lunch, abend na tela e o silêncio mortal

São 12h58.
Usuário digita Enter.
A tela pisca.
ASRA.

No console, ninguém fala.
Alguém finalmente quebra o gelo:

“Isso não foi tratado…”

Hoje o almoço é pesado. Vamos falar de tratamento de erros no CICS — a diferença entre um sistema profissional e um sistema que vive de reza e IPL.


🏛️ História: quando erro virou disciplina

Nos primórdios, erro em CICS era simples:

  • Deu problema → abend

  • Debug → dump

  • Corrige → volta pra produção

Com o crescimento de sistemas 24x7, isso virou inaceitável.
O CICS evoluiu e trouxe mecanismos formais de error handling, muito antes de try/catch virar moda.

📌 CICS não evita erro. Ele oferece ferramentas para dominá-lo.


🧠 Conceito essencial (grave isso)

Erro não tratado = falha arquitetural
Erro tratado = comportamento esperado

Mainframe não tolera improviso.


🧯 Principais técnicas de Error Handling no CICS

Vamos separar por camadas — como todo bom sistema corporativo.


1️⃣ RESP / RESP2 – o primeiro escudo

O que é?

Quase todo comando CICS retorna:

  • RESP → código principal

  • RESP2 → detalhe fino do erro

Exemplo

EXEC CICS READ FILE('ARQCLI') INTO(WS-REG) RESP(WS-RESP) RESP2(WS-RESP2) END-EXEC.

Boa prática

  • Sempre testar RESP

  • Nunca confiar que “vai dar certo”

📌 RESP ignorado é bug incubado.


2️⃣ HANDLE CONDITION – o guarda-costas antigo

O que é?

Permite capturar condições específicas e redirecionar o fluxo.

EXEC CICS HANDLE CONDITION NOTFND(LABEL-NOTFND) DUPREC(LABEL-DUP) END-EXEC.

Vantagens

✔ Simples
✔ Muito usado em código legado

Riscos

❌ Global demais
❌ Difícil de rastrear
❌ Pode mascarar erro

📌 HANDLE CONDITION é faca de cozinha: útil, mas perigosa.


3️⃣ IGNORE CONDITION – o tapa pra debaixo do tapete

O que é?

Ignora explicitamente uma condição.

EXEC CICS IGNORE CONDITION NOTFND END-EXEC.

⚠️ Use só quando:

  • A condição é esperada

  • Você sabe exatamente o impacto

📌 IGNORE CONDITION sem comentário é crime técnico.


4️⃣ HANDLE ABEND – o airbag

O que é?

Intercepta abends CICS antes de matar a transação.

EXEC CICS HANDLE ABEND PROGRAM('ABENDPGM') END-EXEC.

O que dá pra fazer?

  • Logar contexto

  • Gravar TDQ/TSQ

  • Avisar monitoria

  • Encerrar com dignidade

📌 HANDLE ABEND não evita o erro. Evita o caos.


5️⃣ ABEND explícito – erro controlado é maturidade

Às vezes, abendar é a decisão correta.

EXEC CICS ABEND ABCODE('APPL') NODUMP END-EXEC.

Use quando:

  • Integridade foi comprometida

  • Continuar é mais perigoso

  • Auditoria exige parada

📌 Abend consciente é melhor que sucesso falso.


🛠️ Passo a passo Bellacosa (como tratar erro direito)

1️⃣ Capture RESP / RESP2
2️⃣ Decida: recuperar ou encerrar
3️⃣ Registre contexto (log)
4️⃣ Informe o usuário de forma clara
5️⃣ Garanta consistência de dados

📌 Tratamento de erro também é UX.


⚠️ Erros clássicos (easter eggs mainframe)

🐣 RESP nunca testado
🐣 HANDLE CONDITION genérico demais
🐣 IGNORE CONDITION sem explicação
🐣 Dump infinito em produção
🐣 Abend sem log

📌 Todo ASRA famoso começou assim.


📦 Integração com TSQ, TDQ e logs

Boas práticas:

  • TDQ para log de erro

  • TSQ para contexto temporário

  • SMF para auditoria

  • Integração com monitoria (OMEGAMON, Instana)

📌 Erro que não é logado vai voltar.


📚 Guia de estudo para mainframers

Domine estes tópicos:

  • CICS Conditions & RESP codes

  • Abend codes (AEI0, ASRA, APCT)

  • Program Control error handling

  • Recovery & Backout

  • Logging e monitoramento

📖 Manual essencial: CICS Application Programming Guide


🤓 Curiosidades de boteco mainframe

🍺 HANDLE CONDITION é mais antigo que Java
🍺 Muitos sistemas “estáveis” vivem à base de IGNORE CONDITION
🍺 O melhor log é o que nunca precisa ser lido
🍺 Já vi HANDLE ABEND salvar auditoria milionária


💬 Comentário El Jefe Midnight Lunch

“Erro não mata sistema.
Falta de tratamento, sim.”


🚀 Aplicações reais hoje

  • Sistemas bancários 24x7

  • Processamento de cartões

  • Governo e seguradoras

  • Plataformas críticas globais


🎯 Conclusão Bellacosa

CICS não exige perfeição.
Exige responsabilidade.

Quem trata erro direito:

  • Dorme melhor

  • Evita incidente grave

  • Ganha respeito do operador

🔥 Error handling não é opcional. É caráter técnico.


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sunk Cost Fallacy: Doctor Who, COBOL e o Dia em que Já Tínhamos Gastado Demais para Admitir que Era Hora de Parar

 

Bellacosa Mainframe e o sunk cost fallacy

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Sunk Cost Fallacy: Doctor Who, COBOL e o Dia em que Já Tínhamos Gastado Demais para Admitir que Era Hora de Parar

Uma viagem pela TARDIS dos incidentes para entender por que tempo, dinheiro, esforço e orgulho já investidos podem nos prender a decisões que deixaram de fazer sentido

23:48.

Sexta-feira.

Sala de mudança.

Café número três.

Projeto iniciado há oito meses.

Orçamento inicial:

R$ 2.000.000

Gasto até agora:

R$ 4.700.000

Prazo original:

6 meses

Tempo transcorrido:

8 meses

Funcionalidades concluídas:

63%

Integração crítica:

ainda instável.

Testes:

atrasados.

Rollback:

complexo.

O gerente olha para a apresentação.

— Precisamos terminar.

Nosso jovem programador COBOL pergunta:

— Ainda vale a pena?

Silêncio.

O diretor responde:

— Depois de quase cinco milhões gastos?

O jovem insiste:

— Justamente.

Outro gerente entra na conversa:

— Não podemos jogar todo esse investimento fora.

O especialista complementa:

— Falta pouco.

Nosso programador olha para:

63%

Não parece exatamente “pouco”.

Mas ninguém quer falar sobre abandonar o projeto.

Porque abandonar significaria admitir que:

o dinheiro já gasto não volta;

os meses já utilizados não voltam;

as noites extras não voltam;

as decisões passadas talvez não fossem tão boas quanto pareciam.

Então surge a frase fatal:

“Agora precisamos continuar para recuperar o investimento.”

VWORP.

VWORP.

VWORP.

A TARDIS materializa-se atrás do projetor.

A porta abre.

O Doctor sai.

Olha para a planilha.

— Quanto dinheiro vocês já gastaram?

— Quase cinco milhões.

— E quanto desse dinheiro volta se vocês continuarem?

Silêncio.

— Nenhum.

— E quanto volta se vocês pararem?

— Nenhum.

O Doctor sorri.

— Excelente.

O diretor parece irritado.

— O que há de excelente nisso?

— Agora podemos finalmente parar de fingir que o dinheiro passado participa da próxima decisão.

Bem-vindo ao:


Sunk Cost Fallacy

Ou:

Falácia do Custo Afundado

A tendência de continuar investindo em uma decisão, projeto, sistema ou estratégia porque já investimos muito nela — mesmo quando os custos passados não podem mais ser recuperados e a melhor decisão daqui para frente seria parar, mudar ou recomeçar.


🌀 Nossa TARDIS dos incidentes já percorreu bastante terreno

Até aqui conhecemos:

Swiss Cheese Model — várias barreiras podem falhar juntas.

Normalization of Deviance — desvios viram rotina.

Hindsight Bias — depois do acidente tudo parece óbvio.

Confirmation Bias — procuramos evidências para aquilo em que já acreditamos.

Anchoring Bias — a primeira informação pesa demais.

Groupthink — grupos podem errar em conjunto.

Authority Gradient — hierarquia pode silenciar informação importante.

Plan Continuation Bias — continuamos um plano que já deveria ser revisto.

Alarm Fatigue — alertas demais viram ruído.

Automation Bias — confiamos demais na máquina.

Drift Into Failure — sistemas derivam lentamente para a borda.

Diffusion of Responsibility — todos veem e ninguém assume.

Normalcy Bias — esperamos que tudo volte ao normal.

Survivorship Bias — olhamos apenas para quem sobreviveu.

Base Rate Neglect — esquecemos as frequências reais.

Availability Heuristic — o que lembramos facilmente parece mais provável.

Outcome Bias — confundimos resultado com qualidade da decisão.

Overconfidence Bias — superestimamos o quanto sabemos.

Planning Fallacy — subestimamos tempo, esforço e complexidade.

Agora chegamos à armadilha seguinte:

depois de investir demais, passamos a usar o passado como argumento para continuar.


🧠 O que é um sunk cost?

Sunk cost significa:

custo afundado.

É algo que já foi gasto e não pode ser recuperado independentemente da decisão futura.

Pode ser:

dinheiro;

tempo;

horas de trabalho;

licenças;

infraestrutura;

treinamento;

consultoria;

energia;

reputação;

orgulho.

Exemplo:

você gastou R$ 1 milhão num projeto.

Esse milhão já foi gasto.

A pergunta racional agora não é:

“Como recuperamos o milhão?”

Mas:

“Dado o estado atual, vale a pena gastar o próximo real?”

Essa mudança de pergunta é gigantesca.


💰 O dinheiro passado não vota

Imagine:

JÁ GASTO: R$ 5 milhões
CUSTO PARA TERMINAR: R$ 4 milhões
VALOR ESPERADO DO SISTEMA: R$ 2 milhões

Alguém diz:

— Mas já gastamos cinco!

Isso não transforma os quatro milhões futuros em bom investimento.

O passado explica:

como chegamos aqui.

Ele não muda automaticamente:

a qualidade do próximo investimento.


☕ Bellacosa Mainframe: o projeto que não pode morrer

Todo profissional veterano já encontrou um projeto desses.

Projeto começou com:

“Estratégico.”

Depois virou:

“Prioridade da diretoria.”

Depois:

“Já investimos demais para cancelar.”

E finalmente:

“Agora precisamos terminar nem que seja só para provar que funciona.”

Nesse momento, talvez o projeto já não esteja sendo guiado por valor.

Está sendo guiado por passado.


🧠 Sunk Cost Fallacy versus Plan Continuation Bias

Eles são parentes próximos.

Mas há diferença.

Plan Continuation Bias

Continuamos o plano porque já estamos executando e existe inércia para seguir.

“Agora falta pouco.”

Sunk Cost Fallacy

Continuamos porque já investimos recursos irreversíveis.

“Já gastamos demais para parar.”

Frequentemente aparecem juntos.


▶️ A dupla perfeita

Planejamento:

6 meses.

Planning Fallacy:

subestimamos.

Depois de oito meses:

Plan Continuation Bias:

“Estamos quase lá.”

E:

Sunk Cost Fallacy:

“Já gastamos demais para desistir.”

Agora temos um projeto praticamente imortal.


👻 Easter Egg nº 1 — O corredor errado

Imagine Doctor Who.

Doctor e companion caminham por um corredor durante duas horas.

Companion:

— Doctor, acho que estamos indo para o lado errado.

Doctor:

— Talvez.

— Então voltamos?

— Não podemos.

— Por quê?

— Já caminhamos duas horas.

Companion olha.

— Isso parece uma péssima razão.

Exatamente.

O esforço passado não torna a direção correta.


🍿 O exemplo clássico do cinema

Você compra ingresso para um filme.

Depois de 30 minutos percebe:

é horrível.

Você pensa:

“Já paguei, vou assistir até o fim.”

Mas o dinheiro não volta se você ficar.

A decisão real é:

o que você prefere fazer com as próximas duas horas?

Ficar.

Ou sair.

O preço do ingresso já desapareceu.

Agora troque filme por projeto de TI.

Infelizmente, às vezes o ingresso custa R$ 20 milhões.


💻 COBOL e o programa impossível de salvar

Imagine um programa antigo.

18.000 linhas
900 IFs
120 GO TOs
35 copybooks

Projeto de modernização começa.

Após meses:

tentam adaptar.

Remendar.

Refatorar.

Mais remendos.

Já gastaram milhares de horas.

Um arquiteto diz:

— Talvez seja mais barato reescrever este módulo específico.

Resposta:

— Impossível. Já gastamos seis meses tentando corrigir esse.

Sunk Cost.

Os seis meses não diminuem o custo futuro do remendo.

Talvez justamente provem que a abordagem não funciona.


🧠 Esforço passado pode ser evidência — mas não obrigação

Essa nuance é importantíssima.

O passado pode ensinar.

Exemplo:

gastamos seis meses e descobrimos:

arquitetura muito complexa.

Isso é informação valiosa.

Mas não significa:

“portanto precisamos continuar.”

Pode significar:

“portanto precisamos parar.”

O custo passado é dado histórico.

Não justificativa automática.


🌀 Outcome Bias entra pela porta

Imagine projeto arriscado.

Depois de muito investimento, finalmente funciona.

Todos dizem:

“Viu? Valeu a pena continuar.”

Talvez.

Mas cuidado.

Os projetos que continuaram e falharam podem ter desaparecido.

Agora temos:

Outcome Bias;

Survivorship Bias;

Sunk Cost.

Uma bela família.


🧠 Survivorship Bias protege histórias de persistência

Adoramos histórias:

“Quase desistimos, mas persistimos e vencemos.”

São inspiradoras.

Mas onde estão:

“Persistimos por mais dois anos e perdemos mais R$ 50 milhões”?

Essas histórias recebem menos palestras.

Survivorship Bias faz persistência parecer mais inteligente do que talvez seja.


🎰 “Nunca desista” pode ser péssimo conselho

Existem momentos para persistir.

Existem momentos para parar.

A regra madura não é:

“Nunca desista.”

É:

“Continue enquanto o valor futuro justificar o custo futuro.”

Muito menos épico.

Muito mais útil.


🧠 Escalation of Commitment

Sunk Cost Fallacy costuma aparecer junto de algo chamado:

Escalation of Commitment

A tendência de aumentar investimento numa decisão anterior, especialmente quando surgem sinais de que ela talvez esteja errada.

Exemplo:

projeto atrasado.

Solução:

mais dinheiro.

Continua atrasado.

Mais equipe.

Mais consultoria.

Mais prazo.

Agora parar fica ainda mais doloroso.

O investimento adicional aumenta o sunk cost.

E o sunk cost aumenta pressão para investir ainda mais.

Círculo.


🔄 Espiral do compromisso

INVESTIMOS
↓
PROBLEMA
↓
INVESTIMOS MAIS
↓
SUNK COST AUMENTA
↓
FICA MAIS DIFÍCIL PARAR
↓
INVESTIMOS MAIS

Um projeto pode continuar não porque melhora.

Mas porque abandonar ficou emocionalmente insuportável.


☕ O ego entra no orçamento

Às vezes o custo afundado não é dinheiro.

É:

reputação.

Diretor patrocinou projeto.

Cancelar pode parecer:

admitir erro.

Então projeto continua.

Nesse caso:

o próximo milhão pode estar protegendo uma decisão passada.

Não criando valor futuro.


🧠 Identity Investment

Quanto mais uma pessoa associa sua identidade a uma decisão:

“meu projeto”;

“minha arquitetura”;

“minha estratégia”;

mais difícil abandoná-la.

Agora crítica ao projeto pode parecer crítica à pessoa.

Isso aumenta escalada de compromisso.


🪜 Authority Gradient

Se o projeto pertence ao diretor:

quem diz:

“precisamos cancelar”?

O júnior?

O fornecedor?

O gerente que foi promovido pelo projeto?

Authority Gradient torna sunk cost organizacional ainda mais perigoso.


👥 Groupthink

Diretor quer continuar.

Gerentes concordam.

Ninguém quer ser a voz:

“Talvez devêssemos encerrar.”

Agora consenso social reforça investimento.

Groupthink transforma sunk cost em estratégia coletiva.


🔎 Confirmation Bias

Depois de investir milhões:

equipe começa a procurar evidências de que projeto ainda vai dar certo.

Qualquer pequena vitória:

“Viu? Estamos avançando.”

Problemas:

“normais.”

Críticas:

“pessimismo.”

Confirmation Bias protege o investimento emocional.


⚓ Anchoring Bias

Estimativa inicial:

R$ 2 milhões.

Mesmo quando custo vira R$ 8 milhões, pessoas continuam pensando:

“projeto de dois milhões que atrasou.”

Não.

Agora é outro projeto econômico.

A âncora original ficou obsoleta.


🧠 Planning Fallacy volta

Projeto foi estimado em seis meses.

Depois de seis:

faltam dois.

Depois de oito:

faltam dois.

Depois de dez:

faltam dois.

A famosa:

síndrome dos 90% concluídos.

Projeto permanece 90% pronto por dois anos.


😄 Easter Egg nº 2 — “90% complete”

Existe uma velha piada em software:

Os primeiros 90% do código consomem 90% do tempo.

Os últimos 10% consomem os outros 90%.

Planning Fallacy encontra matemática corporativa alternativa.


🚨 O “quase pronto” é combustível do sunk cost

Se projeto está:

90% completo,

parar parece absurdo.

Mas talvez os últimos 10% contenham:

integração;

performance;

segurança;

migração;

dados;

produção.

Ou seja:

o trabalho mais difícil.

Percentual de conclusão pode ser ilusão.


📊 Percent Complete é perigoso

Pergunte:

90% de quê?

Linhas de código?

Funcionalidades?

Valor?

Risco?

Você pode ter:

CODING: 95%
TESTING: 20%
MIGRATION: 0%
PRODUCTION READINESS: 10%

“90% pronto” vira frase de PowerPoint.


💾 Mainframe: migração parcialmente concluída

Imagine migração de 100 aplicações.

80 migradas.

20 restantes são:

as mais complexas;

mais críticas;

mais acopladas.

Alguém diz:

— Já migramos 80%, não podemos parar.

Mas talvez os últimos 20% custem mais que os primeiros 80.

Quantidade não representa esforço futuro.


🧠 Cost-to-Go

Essa é uma ideia central.

Em vez de olhar:

Cost Spent

olhe:

Cost-to-Go

Quanto falta gastar daqui para frente?

E:

Value-to-Go

Quanto valor ainda podemos obter?

A decisão deve olhar para o futuro.


📊 Uma conta simples

Projeto A:

GASTO:
R$ 10 milhões

FALTA:
R$ 5 milhões

VALOR FUTURO:
R$ 20 milhões

Continuar pode fazer sentido.

Projeto B:

GASTO:
R$ 10 milhões

FALTA:
R$ 8 milhões

VALOR FUTURO:
R$ 3 milhões

O fato de ambos terem gasto R$ 10 milhões não significa mesma decisão.

O sunk cost é igual.

O futuro não.


🧠 Expected Future Value

Pergunta madura:

“Qual o benefício esperado daqui para frente?”

Não:

“Quanto já gastamos?”

Claro que custo histórico importa para aprendizado e governança.

Mas não deveria dominar a decisão marginal.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 1

Quando alguém disser:

“Já investimos muito para parar.”

Pergunte:

“Se ainda não tivéssemos investido nada, começaríamos este projeto hoje nas condições atuais?”

Essa é brutalmente eficiente.

Se resposta for não:

sunk cost provavelmente está presente.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 2

Outra:

“Qual é o custo daqui para frente?”


🎯 Pergunta Bellacosa nº 3

Outra:

“Qual valor futuro justifica esse custo?”


🎯 Pergunta Bellacosa nº 4

E:

“Estamos tentando criar valor ou justificar decisões antigas?”

Essa pergunta pode deixar a sala silenciosa.

Às vezes silêncio é útil.


🛑 Stop-loss

Finanças conhecem um conceito útil:

stop-loss.

Definir antecipadamente um ponto de saída.

Em projeto:

SE custo > X
SE prazo > Y
SE hipótese de valor falhar
SE condição crítica não for atendida

→ REAVALIAR

Não necessariamente cancelar automaticamente.

Mas parar e decidir novamente.


🧠 Kill Criteria

Podemos chamar:

Kill Criteria

Antes de começar:

“Em quais condições encerraremos?”

Isso é poderoso.

Porque depois de investir:

ficamos emocionalmente comprometidos.

Definir antes reduz viés.


☕ Bellacosa Mainframe: critérios antes do café virar intravenoso

Projeto começa.

Defina:

STOP / REASSESS IF:

- custo exceder 150%
- performance target falhar
- integração crítica inviável
- benefício econômico cair abaixo de X
- prazo ultrapassar Y

Agora você possui saída digna.


🧠 Precommitment

Outra vez.

Decisões prévias protegem nosso eu futuro.

Antes:

somos relativamente neutros.

Depois de milhões gastos:

não.

Precommitment cria estrutura.


🚦 Stage Gates

Projetos grandes podem ter pontos formais:

DISCOVERY
↓
GATE

PROTOTYPE
↓
GATE

BUILD
↓
GATE

MIGRATION
↓
GATE

Em cada gate:

ainda vale continuar?

Não:

já começamos, então prossiga.


🧠 Business Case não é documento fossilizado

Projeto aprovado em 2024.

Em 2026:

mercado mudou.

Tecnologia mudou.

Custos mudaram.

Business case precisa ser atualizado.

Não diga:

“Foi aprovado.”

Pergunte:

“Ainda é válido?”


📈 Opportunity Cost

Outro conceito central.

Continuar num projeto ruim não custa apenas dinheiro nele.

Custa:

o que você deixa de fazer com os mesmos recursos.

Equipe presa seis meses aqui.

Não trabalha em projeto melhor.

Esse é custo de oportunidade.


☕ O recurso mais caro pode ser o tempo

R$ 1 milhão pode voltar em receita futura.

Seis meses perdidos:

não voltam.

Especialmente em tecnologia.

Enquanto você insiste:

concorrente avança;

sistema envelhece;

equipe cansa.

Opportunity cost precisa entrar.


🪫 Burnout como sunk cost escondido

Projeto atrasado.

Equipe trabalhando noites.

Direção pensa:

já investimos muito esforço.

Então exige mais.

Agora sunk cost financeiro começa a consumir pessoas.

Muito perigoso.

Não use sacrifício anterior como justificativa para sacrifício futuro.


🧠 “Depois de tudo que fizemos...”

Essa frase é emocionalmente poderosa.

“Depois de todo esforço da equipe, não podemos cancelar.”

Talvez cancelar seja justamente respeitar o esforço e impedir desperdício adicional.

O trabalho passado continua tendo valor de aprendizado.

Mesmo se projeto acabar.


🧬 Knowledge is not wasted

Cancelar projeto não significa que tudo foi desperdiçado.

Você pode preservar:

código;

pesquisa;

POCs;

documentação;

aprendizado;

componentes reutilizáveis.

Sunk cost pode virar conhecimento.

Mas não precisa virar prisão.


👨‍💻 COBOL iniciante: jogar código fora dói

Você passa dois dias numa solução.

Descobre abordagem melhor.

Mas pensa:

“Não vou jogar fora dois dias.”

Então gasta outros cinco tentando salvar.

Todos nós fazemos isso.

A pergunta:

“Se eu visse essas duas soluções agora, sem saber qual escrevi, qual escolheria?”

Essa técnica remove ego e sunk cost.


🔀 Branch mental

Imagine:

Solução A:

já tem 2 dias investidos.

Precisa de mais 5.

Solução B:

zero investido.

Precisa de 2.

Escolha racional:

B.

Mas cérebro diz:

A.

Porque quer recuperar os dois dias.

Não consegue.

Eles já foram gastos.


🐛 Debugging e sunk cost

Você investiga hipótese Db2 por duas horas.

Nenhuma evidência.

Mas pensa:

“Agora vou até o fim.”

Porque abandonar parece admitir que perdeu duas horas.

Resultado:

mais três horas.

Melhor:

timebox.


⏱️ Hypothesis Timebox

Exemplo:

HIPÓTESE:
DB2

TIMEBOX:
20 MIN

SE EVIDÊNCIA FOR FRACA:
ROTACIONAR

Isso combate sunk cost durante incidentes.


🧠 Investigation Sunk Cost

Quanto mais tempo investigamos uma hipótese:

mais difícil abandoná-la.

Isso é uma forma pequena e muito prática de Sunk Cost Fallacy.

War Rooms sofrem disso diariamente.


⚓ Anchoring + Sunk Cost

Primeira hipótese:

rede.

Investe uma hora.

Agora existe:

âncora;

mais custo investido.

Muito mais difícil mudar para MQ.

Por isso checkpoints de hipótese são valiosos.


🔎 Confirmation Bias fica mais forte com investimento

Depois de horas:

qualquer sinal de rede parece:

“Finalmente!”

Mesmo que fraco.

Porque queremos justificar tempo gasto.

Isso é comportamento humano.

Não incompetência.

Processos devem compensar.


🧠 Escalation of Commitment em incidentes

Restart não funcionou.

Tenta novamente.

Depois terceira vez.

— Agora vai.

Por quê?

Porque já investimos.

Talvez devêssemos mudar abordagem.


😄 A definição Bellacosa do insanity loop

RESTART
↓
NÃO FUNCIONOU
↓
RESTART DE NOVO
↓
NÃO FUNCIONOU
↓
“VAMOS TENTAR MAIS UMA VEZ”

Talvez não seja troubleshooting.

Talvez seja religião.


🤖 IA e Sunk Cost Fallacy

Você investe meses numa solução de IA.

Modelo não entrega valor.

Mas empresa continua:

“Já gastamos muito.”

Tecnologia nova torna isso ainda mais comum porque existe hype, reputação e expectativa.

Pergunta permanece:

começaríamos hoje?


🧠 Vendor Lock-in psicológico

Não apenas lock-in técnico.

Empresa investiu:

licenças;

treinamento;

integrações.

Agora trocar fornecedor parece admitir desperdício.

Talvez manter seja correto.

Mas sunk cost não pode ser único argumento.

Avalie TCO futuro.


☁️ Cloud migration

Projeto de migração começa.

Descobre que algumas cargas são mais baratas on-premises.

Mas estratégia era:

“Tudo para cloud.”

Já investimos muito.

Então movemos mesmo assim.

Isso pode ser sunk cost + commitment to narrative.

Tecnologia deveria servir objetivo.

Não slogan.


🧠 Mainframe também

O contrário também pode acontecer.

“Já investimos décadas no mainframe, então tudo deve permanecer nele.”

Também é sunk cost.

A pergunta correta:

qual workload faz mais sentido onde?

Nem cloud por fé.

Nem mainframe por nostalgia.

Arquitetura é decisão presente.


☕ Isso é muito Bellacosa

Mainframe não precisa ser defendido com:

“já temos.”

Pode ser defendido quando:

performance;

custo;

segurança;

disponibilidade;

proximidade dos dados;

economia

fazem sentido.

Se não fizerem:

questione.

A melhor defesa de uma tecnologia é valor atual.

Não custo histórico.


🧠 Technology Tribalism

Sunk Cost pode virar identidade tecnológica:

“Somos Java.”

“Somos mainframe.”

“Somos cloud-first.”

“Somos SAP.”

Isso pode impedir decisões melhores.

Arquitetura madura pergunta:

qual ferramenta resolve este problema?


📊 TCO e sunk cost

Total Cost of Ownership futuro deve incluir:

operação;

licenças;

staff;

migração;

risco;

manutenção.

Custo passado:

registro financeiro.

Custo futuro:

decisão.

Não misture.


🚨 Segurança e sunk cost

Controle antigo custou milhões.

Nova arquitetura torna-o obsoleto.

Organização mantém porque:

foi caro.

Isso não o torna eficaz.

Security theater pode sobreviver décadas graças a sunk costs institucionais.


📋 Governance

Board precisa perguntar:

“Estamos mantendo isso porque funciona ou porque custou caro?”

Excelente pergunta.


🧠 Normalcy Bias

Projeto sempre recebe mais um trimestre.

Normalcy Bias:

vai melhorar.

Sunk Cost:

já gastamos demais.

Plan Continuation:

falta pouco.

Trio perigoso.


🌀 Drift Into Failure

Projeto ruim consome:

dinheiro;

pessoas;

atenção.

Outros sistemas recebem menos manutenção.

Agora insistência local cria risco global.

Sunk Cost pode alimentar Drift Into Failure em outras áreas.


👥 Diffusion of Responsibility

Projeto continua porque ninguém possui autoridade clara para cancelar.

Todo mundo acha:

decisão é do steering committee.

Steering acha:

sponsors querem.

Sponsors:

equipe técnica recomenda.

Ninguém encerra.

Responsabilidade diluída mantém sunk cost vivo.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 5

“Quem possui autoridade real para dizer STOP?”

Se resposta não estiver clara:

temos outro risco.


🧠 Face-saving

Cancelar decisão pública pode gerar constrangimento.

Então líderes podem preferir gastar mais a admitir erro.

Isso é chamado em vários contextos de proteção de face.

Cultura madura precisa tornar mudança de rumo aceitável.


🛡️ Cancelar bem é competência

Uma organização deve celebrar:

projeto encerrado cedo após hipótese invalidada.

Isso economiza dinheiro.

Não é fracasso.

É:

detecção antecipada.


🧪 Fail Fast — com significado real

“Fail fast” virou clichê.

Mas aqui faz sentido:

descobrir cedo que hipótese não funciona.

Não:

produzir software ruim rapidamente.

A meta:

baratear aprendizado.


📈 Real Options

Você pode estruturar projetos para investir progressivamente.

Primeiro:

pequena aposta.

Depois:

evidência.

Depois:

mais investimento.

Isso reduz risco de grandes sunk costs antes de descobrir inviabilidade.


🔬 POC antes da fábrica

Antes de gastar R$ 20 milhões:

POC de R$ 100 mil.

Descobre limitação.

Excelente.

Alguns chamam:

“POC fracassou.”

Não.

POC cumpriu missão.

Descobriu cedo.


☕ A melhor falha custa barato

Uma das melhores frases para esta série:

Falhe enquanto o erro ainda cabe numa reunião pequena.

Não quando precisa de conselho, jurídico e imprensa.


🧠 Reversible versus Irreversible Decisions

Decisões reversíveis:

experimente.

Irreversíveis:

mais rigor.

Quanto mais caro for voltar:

mais importante evitar sunk cost psicológico futuro.


🔄 Exit Strategy

Antes de começar:

qual saída?

Projeto.

Contrato.

Tecnologia.

Migração.

Se não existe saída:

risco aumenta.


📋 Checklist anti-Sunk Cost

[ ] Quanto já gastamos?

[ ] Quanto desse gasto é recuperável?

[ ] Quanto ainda precisamos gastar?

[ ] Qual valor futuro esperamos?

[ ] Se começássemos hoje, faríamos igual?

[ ] Existem alternativas melhores agora?

[ ] Estamos continuando para criar valor ou justificar o passado?

[ ] Qual é o custo de oportunidade?

[ ] Qual é nosso kill criterion?

[ ] Quem pode interromper?

[ ] O business case ainda é válido?

[ ] A equipe está sendo usada como buffer?

[ ] Estamos confundindo persistência com competência?

[ ] Que conhecimento podemos preservar se pararmos?

🧪 Passo a passo para combater Sunk Cost Fallacy

Passo 1 — Separe passado e futuro

Colunas diferentes.


Passo 2 — Calcule cost-to-go

Quanto ainda falta?


Passo 3 — Recalcule value-to-go

Quanto valor ainda existe?


Passo 4 — Ignore temporariamente o gasto histórico

Pergunte:

começaríamos hoje?


Passo 5 — Liste alternativas

Talvez exista solução melhor agora.


Passo 6 — Considere custo de oportunidade

O que deixamos de fazer?


Passo 7 — Use stage gates

Reavalie formalmente.


Passo 8 — Crie kill criteria

Antes do apego emocional.


Passo 9 — Permita cancelamento sem caça às bruxas

Senão ninguém encerra nada.


Passo 10 — Preserve aprendizado

Parar não precisa apagar conhecimento.


📊 Decision Board

Uma tela simples:

PAST SPEND:
R$ 5M

COST TO GO:
R$ 4M

EXPECTED VALUE:
R$ 2.5M

ALTERNATIVE COST:
R$ 1.5M

ALTERNATIVE VALUE:
R$ 5M

Agora a decisão fica mais clara.

Não agradável.

Mas clara.


🧠 Uma decisão pode ter sido boa no passado e ruim agora

Importantíssimo.

Talvez iniciar projeto tivesse sido racional.

Circunstâncias mudaram.

Hoje parar pode ser racional.

Isso não significa:

decisão inicial foi estúpida.

Essa distinção reduz ego.


🌀 Hindsight Bias

Depois de cancelar:

“Nunca deveríamos ter começado.”

Talvez não.

Cuidado.

Com dados disponíveis na época, talvez fosse boa aposta.

O mundo mudou.

Ou descobrimos coisas.

Decisões têm tempo.


🧠 Dynamic Decision Quality

Uma decisão pode ser:

boa em janeiro;

ruim em agosto.

Reavaliar não é contradição.

É adaptação.


💻 COBOL: solução temporária virou projeto

Você cria workaround.

Funciona.

Investe tempo.

Depois arquitetura muda.

Agora workaround não faz mais sentido.

Mas:

“já investimos tanto nesse framework.”

Talvez esteja na hora de deletar.

Deletar código também é engenharia.


🗑️ Código removido não é trabalho perdido

Se uma rotina foi útil por cinco anos e depois apagada:

cumpriu sua função.

Software não precisa viver eternamente para justificar seu custo.


👻 Easter Egg nº 3 — Time Lords e apego

Companion:

— Doctor, você vai destruir essa máquina depois de passar três episódios construindo-a?

Doctor:

— Sim.

— Mas você trabalhou tanto!

— E?

— Não dói?

— Muito.

Pausa.

— Ainda assim ela continua sendo uma péssima ideia.

Isso é maturidade.


🧠 Em incidentes: quando parar uma investigação

War Room.

Hipótese:

network.

Tempo:

90 minutos.

Evidência:

nenhuma.

Não diga:

“já investimos 90 minutos.”

Diga:

“temos evidência suficiente para continuar?”

Se não:

rotacione.


📍 Hypothesis Board

NETWORK
TIME SPENT: 20m
CONFIDENCE: 40%

After 20m:
EVIDENCE: weak
CONFIDENCE: 15%

ACTION:
DEPRIORITIZE

A confiança deve cair com evidência fraca.

Não subir porque gastamos tempo.


🧠 Learning Value

Às vezes continuar investigação ainda faz sentido não porque hipótese principal seja provável, mas porque informação obtida tem valor.

Ótimo.

Declare isso.

“Vamos gastar mais 20 min porque o teste elimina três hipóteses.”

Agora existe valor futuro.

Não sunk cost.


💸 Orçamento anual e “use it or lose it”

Outro comportamento curioso.

Área recebeu orçamento.

Final do ano sobra.

Gasta porque:

senão perdemos ano que vem.

Não é exatamente sunk cost clássico, mas mostra como estruturas de incentivo podem criar gastos desconectados de valor.

Economia comportamental mora em toda organização.


🧠 Incentivos criam vieses sistemáticos

Se cancelar projeto prejudica carreira:

ninguém cancela.

Se terminar projeto ruim dá bônus:

todos terminam.

Viés individual vira comportamento institucional.


🏛️ Governance saudável

Board deveria premiar:

decisões de parar bem fundamentadas;

aprendizado;

reallocação de capital.

Não apenas:

quantos projetos chegaram ao fim.

Porque conclusão não é sinônimo de valor.


📓 Diário do Doctor

Se guardar apenas algumas ideias desta viagem, guarde estas:

Sunk Cost Fallacy é a tendência de continuar porque já investimos recursos irrecuperáveis.

Custos passados não devem dominar decisões futuras.

A pergunta correta é: vale investir o próximo recurso?

Sunk Cost frequentemente alimenta Escalation of Commitment.

Planning Fallacy cria atrasos; Sunk Cost dificulta abandonar o plano.

Plan Continuation Bias aparece quando o plano já está em execução.

Survivorship Bias torna histórias de persistência bem-sucedida mais visíveis que os fracassos.

Outcome Bias pode transformar persistência sortuda em “boa estratégia”.

Cost-to-go e value-to-go são mais úteis para decisão futura que gasto histórico.

Kill criteria e stage gates ajudam.

Cancelar cedo pode ser competência.

E principalmente:

O dinheiro, o tempo e o café de ontem já foram consumidos. A única coisa que ainda podemos decidir é o que fazer com o próximo real, a próxima hora e a próxima xícara.


🕰️ De volta à reunião

Projeto:

GASTO:
R$ 4.7M

FALTA:
estimativa R$ 3.2M

VALOR ATUAL ESPERADO:
R$ 1.8M

O diretor repete:

— Já gastamos quase cinco milhões.

Nosso programador responde:

— Eu sei.

— Então precisamos terminar.

— Por quê?

— Para não perder o investimento.

O Doctor pergunta:

— O investimento volta?

— Não.

— Então já foi perdido como caixa.

Silêncio.

O programador abre outra opção:

OPÇÃO B

REAPROVEITAR:
componentes existentes

CUSTO:
R$ 1.1M

VALOR:
R$ 4M

O diretor olha.

— Então você quer cancelar?

— Quero decidir entre A e B olhando para amanhã.

Não para ontem.

A reunião fica longa.

Desconfortável.

Finalmente:

projeto A encerrado.

Parte do código reaproveitada.

Equipe realocada.

Novo plano.

Ninguém comemora muito.

Cancelar não tem a adrenalina de um go-live.

Seis meses depois:

a solução alternativa entra em produção.

Custo total menor que o restante previsto do projeto original.

O diretor encontra o programador.

— Ainda dói pensar nos cinco milhões.

Ele responde:

— Claro.

— Então não foram desperdiçados?

Nosso jovem pensa.

— Parte talvez tenha sido.

Pausa.

— Mas gastar mais só para evitar admitir isso teria desperdiçado ainda mais.

O Doctor sorri.

— Finalmente.

VWORP.

VWORP.

VWORP.


🥚 Easter Egg final

Na manhã seguinte surge:

BELLACOSA.BIAS(SUNKCOST)

Dentro:

       IF MONEY-SPENT > ZERO
           CONTINUE
       END-IF.

       IF FUTURE-VALUE < FUTURE-COST
           PERFORM REASSESS
       END-IF.

       IF ONLY-REASON-TO-CONTINUE =
          'WE-SPENT-TOO-MUCH'
           PERFORM STOP-AND-THINK
       END-IF.

O programador encara o primeiro IF.

Sorri.

— Esse CONTINUE está perfeito.

Outro comentário:

* YESTERDAY'S MONEY
* CANNOT PAY TOMORROW'S VALUE.

Outro:

* PERSISTENCE IS NOT A BUSINESS CASE.

E naturalmente:

* BAD WOLF ALREADY PAID.

Nosso jovem fecha o membro.

Pouco depois recebe mensagem:

“Estamos investigando rede há duas horas. Queremos tentar mais um teste.”

Ele pergunta:

— Que nova evidência justifica?

Resposta:

— Nenhuma, mas já investimos bastante.

Nosso programador olha para a tela.

Sorri.

— Então o tempo investido está tentando tomar a próxima decisão.

— Como assim?

— Vamos voltar aos dados.

A hipótese de rede é abandonada.

Dez minutos depois encontram o problema numa aplicação downstream.

Nenhuma magia.

Nenhum heroísmo.

Apenas uma decisão pequena:

parar de pedir ao passado permissão para mudar de ideia.

VWORP.

VWORP.

VWORP.

A TARDIS desaparece.

No quadro da War Room permanece:

Não continue para justificar aquilo que já gastou. Continue apenas se aquilo que ainda pode ganhar justificar aquilo que ainda terá de gastar.

☕🌀

Next stop: Status Quo Bias — quando mudar parece tão arriscado que continuamos usando um processo ruim principalmente porque ele já está lá, funciona “mais ou menos” e ninguém quer ser a pessoa que mexeu nele.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Kyousougiga (京騒戯画) — Quando o Mainframe Desenha um Universo e os Filhos Precisam Reiniciar o Sistema

 

Bellacosa Mainframe apresenta o anime kyousougiga

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Kyousougiga (京騒戯画) — Quando o Mainframe Desenha um Universo e os Filhos Precisam Reiniciar o Sistema

"Alguns sistemas são escritos em COBOL. Outros são desenhados com um pincel. Mas ambos carregam a mesma pergunta: quem continuará mantendo o sistema quando o arquiteto desaparecer?"


Introdução

Existem animes que contam uma história.

Existem animes que fazem você pensar.

E existe Kyousougiga, uma obra que parece um dump hexadecimal de um universo paralelo, onde cada frame esconde um significado diferente.

Lançado inicialmente como uma Original Net Animation (ONA) em 2011, e posteriormente expandido para uma série de TV em 2013, Kyousougiga tornou-se um dos maiores "tesouros escondidos" da animação japonesa moderna. Produzido pela Toei Animation e dirigido por Rie Matsumoto, o anime rompe praticamente todas as convenções narrativas tradicionais, utilizando uma linguagem visual extremamente dinâmica e simbólica. (Wikipedia)

Para muitos espectadores, os primeiros episódios parecem caóticos.

Para quem insiste em assistir até o fim...

...descobre uma das histórias mais bonitas já escritas sobre família.

No Bellacosa Mainframe, eu costumo descrevê-lo assim:

Imagine que alguém compilou "Alice no País das Maravilhas", "A Viagem de Chihiro", budismo, física quântica, computação distribuída e relações familiares... tudo dentro de um único ambiente z/OS.


Ficha Técnica

ItemInformação
Título Original京騒戯画 (Kyousougiga)
Título InternacionalKyousougiga
CriadorIzumi Todo
DireçãoRie Matsumoto
EstúdioToei Animation
MúsicaGo Shiina (TV) / Hiroshi Takaki (ONA inicial)
Lançamento ONA6 de dezembro de 2011
ONA complementaragosto a dezembro de 2012 (5 episódios curtos)
Série TV2 de outubro a 25 de dezembro de 2013
Episódios TV10 principais + episódios especiais/recapitulações (13 ao todo)
Duraçãoaproximadamente 25 minutos

O estúdio

Quando pensamos em Toei Animation, normalmente lembramos de:

  • Dragon Ball

  • One Piece

  • Digimon

  • Sailor Moon

  • Saint Seiya

Todos grandes sucessos comerciais.

Kyousougiga, entretanto, foi um projeto completamente diferente.

A Toei permitiu que Rie Matsumoto experimentasse uma direção extremamente autoral, resultando em uma das animações mais ousadas do estúdio. A obra é frequentemente citada por fãs como uma "joia escondida" justamente por fugir do estilo mais convencional da Toei. (Reddit)


Sinopse

Há muito tempo...

Um monge chamado Myōe possuía um dom extraordinário:

Tudo o que desenhava ganhava vida.

Foi assim que nasceram:

  • uma cidade;

  • uma família;

  • um universo inteiro.

Quando seus criadores desaparecem, esse mundo continua existindo sozinho.

Anos depois...

Uma garota chamada Koto, acompanhada de seus irmãos A e Un, invade essa dimensão procurando sua mãe.

Sem perceber...

Ela inicia a maior mudança que aquele universo já sofreu.


Resumo da História

A Capital do Espelho (Mirror Capital) é uma realidade paralela inspirada em Kyoto.

Ela funciona como uma espécie de "sandbox" criado por Myōe.

Ali vivem:

  • espíritos;

  • demônios;

  • humanos;

  • animais vivos desenhados;

  • máquinas;

  • divindades.

Tudo permanece congelado no tempo.

Até que Koto chega.

Seu enorme martelo literalmente quebra as regras daquele mundo.

Enquanto parece uma aventura caótica, a história verdadeira fala sobre:

  • abandono;

  • aceitação;

  • amadurecimento;

  • família;

  • recomeços.



Os principais personagens

Koto

A protagonista.

Cheia de energia.

Curiosa.

Impulsiva.

Seu martelo destrói qualquer barreira.

Ela representa mudança.


Myōe (Yakushimaru)

Talvez o personagem mais complexo.

Foi adotado.

Recebeu uma vida que nunca escolheu.

É praticamente imortal.

Carrega enorme culpa.

No Mainframe seria:

O Administrador que herdou um sistema legado impossível de desligar.


Kurama

O intelectual.

Quer descobrir o mundo exterior.

É a curiosidade científica.

Seria o arquiteto que deseja migrar o legado para uma nova plataforma.


Yase

Vive presa ao passado.

Coleciona objetos.

Coleciona memórias.

Tem medo da mudança.


Lady Koto

A mãe.

Representa amor.

Mas também ausência.

Sua figura move praticamente toda a narrativa.


Inari

O criador.

Possui poderes quase divinos.

Mas emocionalmente é falho.

É um excelente arquiteto...

...e um péssimo administrador da própria família.


O que torna Kyousougiga diferente?

Praticamente tudo.

Enquanto a maioria dos animes explica o universo ao espectador...

Kyousougiga faz exatamente o contrário.

Você precisa montar o quebra-cabeça.

Ele utiliza:

  • narrativa não linear;

  • múltiplas linhas temporais;

  • simbolismo budista;

  • metáforas visuais;

  • mudanças repentinas de ritmo;

  • enquadramentos experimentais;

  • animação extremamente fluida.

É um anime que confia totalmente na inteligência do espectador.


Temática

Embora pareça fantasia...

Os temas são profundamente humanos.

Família

Toda a obra gira em torno da pergunta:

O que realmente faz alguém ser pai ou mãe?


Crescimento

Os personagens precisam aceitar mudanças.

Exatamente como sistemas que precisam evoluir.


Identidade

Quem somos?

Nossos criadores?

Nossas escolhas?

Ou aquilo que construímos?


Livre Arbítrio

Mesmo criados por outra pessoa...

Os personagens escolhem seus próprios caminhos.


Classificação

Gêneros

  • Fantasia

  • Ação

  • Drama

  • Sobrenatural

  • Psicológico

  • Família

  • Isekai (conceitualmente)

Classificação indicativa

Aproximadamente 14 anos, por conter ação intensa, temas existenciais e conflitos emocionais. (A classificação pode variar conforme o país e a distribuidora.)


As aventuras

Cada episódio parece uma corrida desenfreada.

Explosões.

Perseguições.

Combates.

Portais.

Deuses.

Coelhos.

Espelhos.

Mas...

Quase todas essas aventuras possuem significado simbólico.

O martelo de Koto não serve apenas para destruir.

Ele quebra:

  • ressentimentos;

  • culpas;

  • ciclos familiares;

  • estagnação.


Mensagens ocultas

O espelho

Representa a realidade refletida.

Nem tudo é verdadeiro.

Nem tudo é falso.


O coelho

Na tradição japonesa...

O coelho frequentemente simboliza transformação.

Aqui ele também representa maternidade.


Desenhos vivos

Os personagens desenhados são metáfora para filhos.

Foram criados.

Mas passam a existir por conta própria.


Kyoto

A Capital do Espelho é inspirada na antiga Kyoto.

Mistura:

  • budismo;

  • folclore;

  • arquitetura tradicional;

  • modernidade.


A e Un

Representam "Alpha" e "Omega" da tradição budista japonesa.

O começo.

E o fim.


Bellacosa Mainframe interpreta

Imagine que Myōe seja um programador COBOL.

Ele escreve um sistema gigantesco.

Depois...

Vai embora.

Os filhos herdam:

  • milhares de módulos;

  • documentação incompleta;

  • regras antigas;

  • processos que ninguém entende.

Durante décadas...

Todos apenas mantêm o ambiente funcionando.

Até que chega uma jovem chamada Koto.

Ela não tenta entender tudo.

Ela muda tudo.

Esse é exatamente o papel da nova geração de profissionais.

Às vezes...

É preciso coragem para recompilar um sistema inteiro.


Impacto cultural

Kyousougiga nunca vendeu como um grande blockbuster.

Entretanto...

É extremamente respeitado entre animadores e fãs por sua direção visual e narrativa experimental. Em comunidades como r/anime, costuma ser citado como um dos maiores "hidden gems" (tesouros escondidos) da década de 2010. (Reddit)

Rie Matsumoto tornou-se uma diretora admirada justamente por esse trabalho e posteriormente dirigiu projetos de grande destaque, como Blood Blockade Battlefront. (Crunchyroll)


Houve censura?

Praticamente não.

A obra não sofreu grandes casos de censura internacional conhecidos.

Isso ocorre porque:

  • não possui violência gráfica extrema;

  • não utiliza fan service excessivo;

  • não contém temas politicamente controversos.

Sua "dificuldade" sempre foi narrativa.

Não moral.


Mangá, Novels e Games

Mangá

Sim.

Existe uma adaptação em mangá:

  • Autor: Izumi Todo

  • Arte: Mercre

  • Revista: Dengeki Maoh

  • Volumes: 2

  • Publicação: dezembro de 2011 a janeiro de 2014. (Wikipedia)

Light Novel

Não existe uma light novel oficial que adapte a história principal.

Como Kyousougiga nasceu como um projeto original para animação, o anime é a obra-base.

Games

Também não há um jogo oficial dedicado à franquia em consoles ou PC. Os personagens apareceram apenas de forma promocional em materiais relacionados à Banpresto, sem um título próprio de grande porte. (Wikipedia)

Conclusão

Kyousougiga é um daqueles raros animes que não podem ser medidos apenas pelo roteiro.

Ele deve ser sentido.

Cada cor.

Cada explosão.

Cada silêncio.

Cada frame.

Tudo possui propósito.

No universo Bellacosa Mainframe, ele nos lembra uma grande verdade:

Os sistemas mais importantes nunca são apenas programas. São as pessoas que continuam mantendo-os vivos quando seus criadores já partiram.

Assim como um ambiente z/OS atravessa décadas graças às gerações de analistas que o compreendem, a Capital do Espelho continua existindo porque seus habitantes escolhem preservar laços, enfrentar mudanças e reconstruir o que parecia impossível. No fim, Kyousougiga nos ensina que herdar um legado não significa viver preso ao passado — significa encontrar coragem para recompilá-lo e entregá-lo ainda melhor para a próxima geração.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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