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sábado, 3 de fevereiro de 2018

O Diário Secreto do Mainframe : Quando o Detetive Descobriu que o CICS Nunca Esquece

 

Bellacosa Mainframe e o diario secreto do mainframe

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Diário Secreto do Mainframe

Quando o Detetive Descobriu que o CICS Nunca Esquece

Os Arquivos Proibidos do SMF e o Mistério das Transações Fantasmas

"Todo crime deixa rastros. Alguns deixam pegadas na lama. Outros deixam registros no SMF."

Era uma noite fria.

A chuva batia contra as enormes janelas do Centro de Processamento de Dados.

As luzes verdes dos painéis piscavam lentamente, como se respirassem.

No silêncio do CPD, apenas um som quebrava a monotonia:

O z/OS continuava trabalhando.

Milhões de transações.

Milhões de clientes.

Milhões de histórias.

Foi então que o telefone tocou.

"Bellacosa... temos um problema."

A agência central havia recebido centenas de reclamações.

As consultas de saldo estavam lentas.

PIX demorando.

Transferências atrasadas.

Nenhum ABEND.

Nenhum programa parado.

Nenhum operador sabia explicar.

Era um daqueles casos que lembravam as antigas revistas policiais da década de 1950.

O assassino parecia invisível.

Mas Sherlock Holmes costumava dizer:

"O criminoso sempre deixa evidências. O verdadeiro desafio é saber onde procurar."

No mundo IBM Z, essas evidências possuem três letras.

SMF.


O Diário do Mainframe

Imagine que o mainframe fosse um enorme castelo.

Milhares de pessoas entram.

Outras saem.

Mensagens circulam.

Portas se abrem.

Cofres são acessados.

Elevadores sobem.

Documentos são consultados.

Agora imagine que um escriba invisível acompanhe absolutamente tudo.

Cada passo.

Cada porta.

Cada funcionário.

Cada visitante.

Nada escapa.

Esse escriba chama-se System Management Facility.

Ou simplesmente:

SMF.

Enquanto todos trabalham, ele apenas observa.

E escreve.

Sem emoção.

Sem opinião.

Somente fatos.

É por isso que muitos administradores chamam o SMF de:

O Diário Oficial do z/OS.


Muito Além do CICS

Uma das primeiras descobertas de qualquer iniciante é perceber que o SMF não pertence ao CICS.

Na verdade...

o CICS é apenas um dos muitos narradores dessa grande história.

Imagine um jornal.

Cada editor envia suas notícias.

O editor de esportes.

O editor de economia.

O editor de política.

Todos escrevem para a mesma redação.

No mainframe acontece exatamente isso.

Diversos componentes enviam informações para o SMF.

Entre eles:

  • CICS

  • Db2

  • IMS

  • JES2

  • JES3

  • RACF

  • WLM

  • RMF

  • TCP/IP

  • DFSMS

  • USS

  • MQ

  • inúmeros produtos IBM e de terceiros

O SMF apenas organiza tudo.

Ele não cria os acontecimentos.

Ele apenas registra.


A Caixa-Preta do Computador

Se um avião sofre um acidente...

qual equipamento os investigadores procuram primeiro?

A caixa-preta.

Ela revela:

  • velocidade

  • altitude

  • comandos

  • alarmes

  • falhas

No mainframe acontece o mesmo.

Quando ocorre uma lentidão...

um pico de CPU...

um problema de produção...

ou uma degradação misteriosa...

todos correm para o SMF.

Porque ele estava olhando.

Desde o começo.


Como Tudo Acontece

Visualize a sequência.

Cliente

↓

Terminal 3270

↓

TOR

↓

AOR

↓

Programa COBOL

↓

VSAM / Db2 / MQ

↓

Resposta

Enquanto isso...

quase invisível...

há outro fluxo acontecendo.

Transação

↓

CICS

↓

Monitor

↓

SMF

↓

Dataset

↓

Relatórios

↓

Análise

↓

Correções

Perceba algo interessante.

O usuário nunca enxerga esse caminho.

Mas ele acontece o tempo inteiro.


O Caderno do Detetive

Imagine Sherlock Holmes investigando um roubo.

Ele possui um pequeno caderno.

Nele escreve:

09:03

Suspeito entrou.

09:05

Abriu a porta.

09:07

Falou com o caixa.

09:08

Saiu correndo.

O SMF faz exatamente isso.

Só que para computadores.

Por exemplo:

Transação: SALD

Usuário: AG03451

CPU: 3 ms

Db2: 2 SELECT

VSAM: 1 READ

Tempo Total: 118 ms

Resultado: OK

Depois outra.

Depois outra.

Depois outra.

Milhões delas.


A História Contada Pelos Números

Muitos iniciantes acreditam que números são frios.

Na verdade...

eles contam histórias.

Imagine este gráfico.

08:00

CPU 32%

09:00

CPU 40%

10:00

CPU 51%

11:00

CPU 67%

12:00

CPU 89%

12:15

CPU 97%

O que aconteceu?

Foi o COBOL?

Foi o Db2?

Foi a rede?

Foi um loop?

Sem o SMF...

ninguém sabe.

Com o SMF...

a investigação apenas começou.


O Registro Mais Famoso

Entre centenas de registros existentes...

há um verdadeiro astro do universo CICS.

O famoso:

SMF Tipo 110

Ele guarda praticamente um raio-X das transações.

Entre diversas informações encontramos:

  • Transaction ID

  • Program Name

  • User ID

  • CPU Time

  • Response Time

  • Wait Time

  • Dispatch Time

  • Syncpoint

  • File Requests

  • Db2 Calls

  • MQ Calls

  • Temporary Storage

  • Transient Data

  • Storage

  • Abends

  • Estatísticas de recursos

É como possuir uma câmera filmando cada detalhe da operação.


Os Outros Personagens da História

O infográfico também apresenta outros registros muito importantes.

Tipo 30

Accounting.

Mostra como um Address Space utilizou recursos.

Muito usado para cobrança interna, auditoria e consumo de CPU.


Tipo 70

CPU.

Quantos processadores estavam ocupados.

Quanto cada um trabalhou.

Carga do sistema.

Muito utilizado junto ao RMF.


Tipo 120

Hoje bastante associado a workloads HTTP, serviços web e componentes que utilizam diferentes subtipos desse registro para monitoramento de aplicações modernas.


Tipo 140

Dependendo do produto e da configuração, pode registrar estatísticas relacionadas a acesso a arquivos e utilização de recursos específicos.


O Crime Perfeito

Agora imagine um banco.

São exatamente 13:58.

Tudo funciona.

Às 14:03...

clientes começam a reclamar.

O suporte recebe dezenas de chamados.

Primeira hipótese.

"O COBOL está ruim."

Segunda hipótese.

"O Db2 caiu."

Terceira hipótese.

"A rede está lenta."

O analista experiente sorri.

Abre os relatórios do SMF.

E encontra:

CPU

98%

Db2 Wait

89 ms

Storage

SOS Warning

Número de transações

Triplicou.

Mistério resolvido.

Não era defeito.

Era excesso de carga.


Performance Não É Velocidade

Uma das maiores descobertas de quem trabalha com monitoramento é entender que performance não significa apenas rapidez.

Ela envolve equilíbrio.

Imagine uma rodovia.

Se passam cem carros por minuto...

todos chegam rapidamente.

Mas se passam dez mil...

o congestionamento aparece.

No CICS ocorre exatamente isso.

Nem sempre um programa ficou mais lento.

Às vezes...

simplesmente existem pessoas demais utilizando o mesmo recurso.


Capacity Planning

Aqui surge uma das aplicações mais inteligentes do SMF.

Ele permite prever o futuro.

Imagine estes dados.

Janeiro

CPU média

48%

Fevereiro

55%

Março

63%

Abril

71%

Maio

79%

Junho

87%

Julho

93%

Pergunta.

Você esperaria agosto chegar?

Claro que não.

Os registros históricos mostram a tendência.

É possível comprar capacidade antes do colapso.

Isso chama-se:

Capacity Planning.

É uma das tarefas mais importantes dos arquitetos IBM Z.


Os Parceiros do Detetive

Ler registros SMF diretamente não é uma tarefa comum. Em ambientes corporativos, diversas ferramentas interpretam esses dados e os apresentam em gráficos e relatórios.

Entre elas:

  • IBM OMEGAMON

  • RMF

  • CICS Performance Analyzer

  • MXG

  • SAS

  • IntelliMagic

  • MainView

  • SYSVIEW

Elas transformam milhões de registros em informações compreensíveis.


Como um Programador COBOL Pode Usar o SMF?

Muitos pensam:

"Mas eu sou apenas desenvolvedor."

Grande erro.

Um excelente programador aprende muito observando o comportamento das aplicações em produção.

Imagine que seu programa executa:

EXEC SQL
   SELECT ...
END-EXEC

Você acredita que ele seja eficiente.

Mas o SMF mostra:

  • tempo de CPU baixo

  • espera enorme no Db2

  • milhares de leituras

  • resposta acima do esperado

A conclusão muda completamente.

O problema não estava no COBOL.

Estava no acesso aos dados.

Essa percepção transforma um programador comum em um desenvolvedor capaz de dialogar com DBAs, especialistas em performance e arquitetos de sistemas.


Passo a Passo para Entender um Problema Usando SMF

Sempre que houver uma degradação de desempenho, siga um método de investigação:

Passo 1 – Identifique o horário

Quando o problema começou?

Foi às 09h? Às 14h? Durante o fechamento do dia?

Sem delimitar o período, a análise fica muito mais difícil.


Passo 2 – Consulte os registros

Verifique os registros SMF correspondentes ao intervalo.

Procure aumento de CPU, filas de espera, eventos de exceção e crescimento do volume de transações.


Passo 3 – Correlacione recursos

Analise:

  • CPU

  • Memória

  • Storage

  • Db2

  • VSAM

  • MQ

  • Rede

  • WLM

O gargalo pode estar fora do programa COBOL.


Passo 4 – Compare com dias anteriores

O comportamento mudou?

Ou sempre foi assim?

A comparação histórica costuma revelar tendências invisíveis em uma análise isolada.


Passo 5 – Aplique a correção

Depois de identificar a causa, ajuste índices, SQL, parâmetros do CICS, distribuição de carga ou capacidade do ambiente.

Em seguida, volte ao SMF e confirme se os indicadores realmente melhoraram.


Curiosidades que Pouca Gente Conhece

O SMF registra muito mais do que performance

Também existem registros relacionados a:

  • logons

  • auditoria

  • segurança

  • RACF

  • alterações de configuração

  • eventos do sistema

  • utilização de dispositivos

  • atividades de rede

O SMF é um dos pilares das auditorias em ambientes regulados.


Os datasets SMF podem ficar gigantescos

Em grandes bancos, seguradoras ou órgãos governamentais, milhões de registros são produzidos diariamente.

Por isso, políticas de descarte, arquivamento e processamento são indispensáveis.


O monitoramento precisa de equilíbrio

Habilitar todas as classes de monitoramento em todos os momentos gera uma quantidade enorme de dados e pode aumentar o custo operacional.

Por isso, administradores escolhem cuidadosamente quais informações coletar em cada ambiente.


Dicas de Ouro para o Iniciante

✔ Nunca conclua que "o COBOL está lento" antes de analisar os dados.

✔ Aprenda a diferença entre tempo de CPU e tempo de espera.

✔ Estude o SMF Tipo 110 em conjunto com o monitoramento do CICS.

✔ Familiarize-se com ferramentas como OMEGAMON e RMF.

✔ Observe tendências, não apenas eventos isolados.

✔ Entenda que um gargalo pode surgir da combinação de CPU, Db2, VSAM, MQ, rede e carga simultânea.

✔ O melhor analista não é quem faz suposições; é quem coleta evidências.


Easter Egg ☕

Nas antigas histórias de detetive, havia sempre um personagem discreto que parecia não participar da trama: o porteiro, o escrivão ou o arquivista. Quase ninguém prestava atenção nele... até o capítulo final, quando seus registros revelavam exatamente quem entrou, quem saiu e em que momento o crime aconteceu.

No universo do IBM Z, esse personagem silencioso é o SMF.

Enquanto programas COBOL executam cálculos, CICS atende milhões de transações e Db2 responde consultas, o SMF continua escrevendo, linha após linha, a verdadeira história do sistema.

Quando todos dizem "não sabemos o que aconteceu", ele responde silenciosamente:

"Eu sei. Eu estava observando o tempo todo."

E talvez essa seja a maior lição para quem está começando no mundo do Mainframe: os melhores profissionais não resolvem mistérios por sorte ou intuição. Eles aprendem a ler as evidências que o próprio sistema deixou para trás. No IBM Z, poucas fontes de conhecimento são tão valiosas quanto os registros SMF — o diário secreto que transforma milhões de eventos aparentemente desconexos em uma narrativa completa sobre desempenho, confiabilidade e a extraordinária engenharia que mantém o mundo funcionando todos os dias.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Shell Scripting - O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre a Linguagem que Automatiza o Mundo Linux, DevOps, Cloud e Infraestrutura Moderna

 

Bellacosa Mainframe e o shell scripting

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Shell Scripting

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre a Linguagem que Automatiza o Mundo Linux, DevOps, Cloud e Infraestrutura Moderna

"Você não está apenas aprendendo Shell Script. Está descobrindo a linguagem que faz no Linux aquilo que o JCL faz no Mainframe: coordenar, automatizar e colocar toda a infraestrutura para trabalhar em perfeita harmonia."


Introdução

Existe um momento na carreira de praticamente todo profissional de tecnologia em que ele percebe que digitar dezenas de comandos repetidamente não faz mais sentido.

Criar usuários.

Mover arquivos.

Executar backups.

Monitorar logs.

Subir aplicações.

Executar testes.

Parar servidores.

Gerar relatórios.

Se tudo isso pode ser automatizado, por que continuar fazendo manualmente?

Foi exatamente essa pergunta que ajudou a moldar um dos conceitos mais elegantes da história da computação: o Shell Script.

Hoje, praticamente toda infraestrutura Linux do planeta — desde pequenos servidores domésticos até supercomputadores, clusters Kubernetes, ambientes IBM LinuxONE, IBM Z, AWS, Azure e Google Cloud — depende diariamente de milhares de Shell Scripts.

Se você é um Programador COBOL Padawan, provavelmente já domina conceitos como JCL, Return Codes (RC), Jobs Batch, PROCs, Schedulers, datasets e automação no z/OS.

A boa notícia é que Shell Script não é um universo completamente novo.

Na verdade, diversos conceitos já fazem parte do seu dia a dia.

A diferença é que agora eles vivem no mundo Linux.

Pegue sua caneca de café.

Hoje vamos entender por que Shell Script continua sendo uma das habilidades mais valiosas da computação moderna.


A Origem do Shell

Para entender Shell Script precisamos voltar aproximadamente cinquenta anos.

Em 1969, Ken Thompson iniciou o desenvolvimento do UNIX nos laboratórios Bell Labs.

O sistema operacional precisava de uma interface simples para executar comandos.

Nascia então o primeiro Shell.

O Shell era apenas um interpretador.

Ele recebia comandos digitados pelo usuário.

Interpretava.

Chamava funções do Kernel.

Mostrava os resultados.

Naquela época ninguém imaginava que alguns anos depois aqueles comandos poderiam ser gravados em arquivos texto e executados automaticamente.

Assim surgiram os primeiros scripts.


O Shell Não é o Linux

Esse é um dos maiores equívocos dos iniciantes.

Muitos acreditam que Shell e Linux sejam a mesma coisa.

Não são.

A arquitetura simplificada funciona assim:

Usuário

↓

Shell

↓

Kernel Linux

↓

Hardware

O Kernel conversa com discos, memória, processadores e dispositivos.

O Shell conversa com o usuário.

Ele traduz comandos humanos em chamadas para o Kernel.


O Nascimento do Bourne Shell

Em 1977, Stephen Bourne desenvolveu o Bourne Shell (sh).

Foi uma revolução.

Pela primeira vez era possível escrever programas inteiros utilizando comandos do próprio sistema operacional.

A linguagem era simples.

Mas incrivelmente poderosa.

Até hoje praticamente todos os Shells modernos descendem dele.


O Surgimento do Bash

Em 1989, Brian Fox, no projeto GNU, lançou o Bash (Bourne Again Shell).

O nome é um trocadilho com "Born Again".

Ele foi desenvolvido para substituir o Bourne Shell tradicional, mantendo compatibilidade e adicionando diversos recursos modernos.

O Bash tornou-se rapidamente o padrão das distribuições GNU/Linux.

Hoje ele está presente em praticamente todas as distribuições Linux e em diversos sistemas UNIX.


Linha do Tempo dos Principais Shells

AnoShellCriador
1971Thompson ShellKen Thompson
1977Bourne Shell (sh)Stephen Bourne
1983Korn Shell (ksh)David Korn
1989BashBrian Fox (GNU)
1990Z Shell (zsh)Paul Falstad
2005Fish ShellAxel Liljencrantz

Cada um possui características específicas, mas Bash continua sendo a principal referência para automação.


Por que o Shell Existe?

Imagine administrar mil servidores.

Sem Shell Script seria necessário executar centenas de comandos manualmente em cada máquina.

Com um único script você consegue:

  • atualizar aplicações;

  • reiniciar serviços;

  • copiar arquivos;

  • verificar espaço em disco;

  • consultar APIs;

  • monitorar processos;

  • enviar alertas;

  • automatizar backups.

É exatamente por isso que o Shell é considerado uma das ferramentas fundamentais de DevOps.


A Filosofia UNIX

Existe um princípio que influenciou praticamente toda a engenharia de software moderna:

Faça uma coisa. Faça bem feita.

Em vez de criar programas gigantes, o UNIX passou a oferecer dezenas de pequenas ferramentas especializadas.

Cada comando resolve apenas um problema.

Por exemplo:

  • grep procura padrões.

  • sort ordena dados.

  • uniq elimina duplicatas.

  • cut extrai colunas.

  • sed transforma textos.

  • awk processa dados estruturados.

  • wc conta linhas, palavras e caracteres.

O verdadeiro poder surge quando essas ferramentas são combinadas por meio de pipes.


O Poder dos Pipes

O caractere | é muito mais do que um simples símbolo.

Ele conecta a saída de um comando diretamente à entrada do próximo.

Imagine uma linha de montagem industrial:

Matéria-prima
     ↓
Corte
     ↓
Pintura
     ↓
Montagem
     ↓
Embalagem

No Linux:

cat

↓

grep

↓

awk

↓

sort

↓

uniq

↓

wc

Cada comando realiza uma tarefa específica e entrega o resultado ao próximo.

Esse modelo permitiu construir sistemas extremamente eficientes décadas antes da popularização dos microsserviços.


Shell Script e o Mundo Mainframe

Esta é provavelmente a parte mais interessante para um Programador COBOL Padawan.

Observe a comparação:

MainframeLinux
JCLShell Script
PROCFunção
PARM$1, $2
Return CodeExit Status
DatasetArquivo
SchedulerCron
SYSINstdin
SYSOUTstdout
SYSPRINTstdout
CONDif
IF/THEN JCLif/then

Percebe a semelhança?

Os conceitos mudam de nome, mas a lógica permanece.

Quem domina JCL normalmente aprende Shell Script muito mais rapidamente.


Shebang

Todo script profissional começa com algo parecido com:

#!/usr/bin/env bash

Esse cabeçalho informa qual interpretador será utilizado.

Sem ele, o sistema pode tentar executar o script utilizando outro Shell, causando incompatibilidades.

É equivalente a informar explicitamente qual ambiente executará o programa.


Variáveis

No Shell praticamente tudo começa com variáveis.

NOME="Bellacosa"
IDADE=52

Elas armazenam dados temporários utilizados durante a execução.

O acesso ocorre por meio do caractere $.

echo "$NOME"

Diferentemente de linguagens como Java ou COBOL, não há necessidade de declarar tipos de dados.

Tudo inicialmente é tratado como texto.


Variáveis de Ambiente

Algumas variáveis já existem antes mesmo do script iniciar.

Entre as mais importantes estão:

  • HOME

  • PATH

  • USER

  • SHELL

  • PWD

  • HOSTNAME

  • LANG

  • TERM

Essas informações descrevem o ambiente onde o processo está sendo executado.


Variáveis Especiais

O Shell também cria automaticamente variáveis especiais:

  • $0 → nome do script.

  • $1 → primeiro argumento.

  • $2 → segundo argumento.

  • $# → quantidade de argumentos.

  • $@ → todos os argumentos preservando cada um individualmente.

  • $* → todos os argumentos como uma única expansão.

  • $$ → PID do processo atual.

  • $! → PID do último processo em background.

  • $? → código de retorno do último comando.

Essa coleção de variáveis torna os scripts altamente reutilizáveis.


Condições

Assim como em COBOL existe IF, o Shell possui:

if
then
else
fi

É possível tomar decisões baseadas em:

  • existência de arquivos;

  • valores numéricos;

  • comparação de textos;

  • permissões;

  • retorno de comandos.


Loops

O Shell oferece diferentes formas de repetição.

For

Ideal quando conhecemos previamente os elementos.

for arquivo in *.txt
do
    echo "$arquivo"
done

While

Executa enquanto uma condição permanece verdadeira.

Until

Executa até que uma condição seja satisfeita.


Funções

Scripts profissionais utilizam funções para evitar repetição.

backup() {
    echo "Executando backup..."
}

log() {
    echo "$(date) $1"
}

Isso melhora organização, manutenção e reutilização.


Operadores de Arquivos

Antes de manipular arquivos, normalmente verificamos seu estado.

Exemplos:

  • -f → arquivo regular.

  • -d → diretório.

  • -r → leitura.

  • -w → escrita.

  • -x → executável.

  • -e → existe.

  • -s → não vazio.

  • -L → link simbólico.

Esses testes evitam erros durante a execução.


Redirecionamento

Todo processo Linux trabalha com três fluxos principais:

StreamNúmero
stdin0
stdout1
stderr2

Com isso podemos controlar exatamente para onde cada informação será enviada.

Exemplos:

>

Sobrescreve um arquivo.

>>

Acrescenta conteúdo.

2>

Redireciona apenas mensagens de erro.

&

Permite combinar fluxos.


O Poder do grep

O grep talvez seja o comando mais famoso do Linux.

Seu nome vem de Global Regular Expression Print.

Ele pesquisa padrões em arquivos.

grep ERROR servidor.log

Combinado com expressões regulares torna-se uma poderosa ferramenta de análise de logs.


AWK

Apesar de parecer apenas mais um comando, AWK é uma linguagem completa.

Ela trabalha naturalmente com colunas.

Por isso é muito utilizada em:

  • arquivos CSV;

  • relatórios;

  • processamento de logs;

  • extração de métricas.

Poucas ferramentas conseguem manipular dados textuais com tanta eficiência.


sed

O Stream Editor permite modificar arquivos sem abrir um editor.

Trocar:

IBM

por

Red Hat

é uma simples linha de comando.

Por isso o sed aparece frequentemente em pipelines de automação.


xargs

Outro comando extremamente poderoso.

Ele transforma a saída de um programa em argumentos para outro.

É muito utilizado em conjunto com find.


Exit Status

No Mainframe conhecemos os Return Codes.

No Linux existe exatamente o mesmo conceito.

Após qualquer comando podemos consultar:

echo $?

Se retornar zero:

Sucesso.

Qualquer outro valor indica algum tipo de erro.

Scripts profissionais nunca ignoram Exit Status.


DevOps e Shell Script

Hoje praticamente toda ferramenta DevOps depende, em algum momento, de Shell Script.

Exemplos:

Docker.

Kubernetes.

GitHub Actions.

GitLab CI.

Jenkins.

Ansible.

Terraform.

OpenShift.

IBM Cloud.

AWS.

Azure.

Google Cloud.

Mesmo quando utilizamos ferramentas sofisticadas, nos bastidores normalmente existem Shell Scripts coordenando processos.


Shell Script no IBM Z

Muitos profissionais acreditam que Shell Script pertence apenas ao Linux.

Não é verdade.

O IBM z/OS UNIX System Services (USS) oferece um ambiente POSIX compatível com Shell.

Isso significa que é possível executar scripts Bash ou Korn Shell diretamente no IBM Z.

Essa integração permite:

  • automatizar tarefas administrativas;

  • integrar aplicações COBOL com ambientes UNIX;

  • manipular arquivos no USS;

  • chamar programas tradicionais;

  • trabalhar com OpenSSH, Git, Python e Java.

É um dos pilares da modernização do ecossistema IBM Z.


Curiosidades

  • O Bash possui milhares de comandos internos (builtins).

  • O Shell consegue chamar programas escritos em C, COBOL, Java, Python e diversas outras linguagens.

  • Grande parte dos scripts de inicialização do Linux são Shell Scripts.

  • O Shell pode controlar processos distribuídos por SSH em centenas de servidores simultaneamente.

  • Muitos instaladores de software corporativo são escritos em Shell Script.


Easter Eggs

Algumas curiosidades divertidas:

  • O nome Bash significa Bourne Again Shell, um trocadilho com o Bourne Shell.

  • O comando : é um comando válido que não faz absolutamente nada, retornando sucesso (0).

  • O comando true sempre retorna sucesso.

  • O comando false sempre retorna erro.

  • É possível criar scripts de apenas uma linha capazes de automatizar tarefas extremamente complexas.

  • Muitos administradores brincam dizendo que "um bom Shell Script substitui centenas de cliques".


Releases e Evolução

Ao longo das décadas, o Bash evoluiu significativamente:

  • suporte aprimorado a arrays;

  • expansão de parâmetros;

  • autocompletar inteligente;

  • histórico avançado;

  • melhorias em segurança;

  • compatibilidade POSIX;

  • otimizações de desempenho.

Novas versões continuam sendo lançadas e mantidas pela comunidade GNU, garantindo correções de bugs, melhorias de segurança e novos recursos.


Por que Aprender Shell Script em 2026?

Porque praticamente toda infraestrutura moderna depende dele.

Empresas utilizam Shell Script para:

  • automação de Data Centers;

  • CI/CD;

  • monitoramento;

  • backup;

  • segurança;

  • observabilidade;

  • containers;

  • Kubernetes;

  • administração Linux;

  • IBM Z USS;

  • LinuxONE;

  • Cloud Computing;

  • IA e MLOps;

  • automação de pipelines de dados.

Mesmo linguagens modernas como Python e Go frequentemente executam Shell Scripts durante processos de instalação, build ou deploy.


Compatibilidade com o Mundo Mainframe

Para quem vem do COBOL, aprender Shell Script oferece diversas vantagens:

  • compreensão rápida da lógica de automação;

  • facilidade para trabalhar com z/OS UNIX System Services;

  • integração com Git, DevOps e CI/CD;

  • modernização de aplicações IBM Z;

  • comunicação entre ambientes Linux e Mainframe.

Em projetos de transformação digital é comum encontrar pipelines que envolvem simultaneamente COBOL, JCL, Git, Jenkins, Ansible e Shell Script.


Conclusão

Shell Script é muito mais do que uma linguagem de comandos. Ele representa uma filosofia de engenharia que atravessa mais de cinco décadas de evolução da computação. Desde os primeiros laboratórios da Bell Labs até os atuais ambientes de nuvem híbrida, inteligência artificial, IBM Z, LinuxONE e plataformas de automação em escala global, o Shell continua sendo uma das ferramentas mais eficientes para transformar tarefas repetitivas em processos confiáveis e reproduzíveis.

Para um Programador COBOL Padawan, essa jornada é especialmente natural. Conceitos como controle de fluxo, códigos de retorno, automação batch, parametrização e orquestração já fazem parte da experiência adquirida no Mainframe. O Shell Script amplia esse repertório, conectando o universo IBM Z ao ecossistema Linux, DevOps, containers, APIs, pipelines de integração contínua e infraestrutura como código.

Aprender Shell Script hoje não significa apenas dominar comandos como grep, awk, sed, find ou xargs. Significa adquirir a capacidade de construir soluções reutilizáveis, integrar tecnologias distintas, administrar ambientes complexos e participar ativamente da modernização das plataformas corporativas. Assim como o COBOL continua movimentando bilhões de transações diariamente, o Shell Script permanece como uma das engrenagens invisíveis que sustentam servidores, aplicações, clusters e serviços em praticamente todos os grandes ambientes computacionais do mundo.

No fim das contas, o Shell Script ensina uma lição que vale para toda a carreira em tecnologia: automatize o repetitivo, simplifique o complexo e deixe que os computadores façam aquilo para o qual foram criados. Esse é o espírito do UNIX, do Linux, do DevOps e, acima de tudo, da engenharia de software moderna.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Uma tarde de musica medieval no Castelo de São Jorge

Um musico no Castelo de São Jorge em Lisboa 


Do alto de uma das 7 colinas de Lisboa, suas muralhas protegem Lisboa há mais de 2000 anos. Diversos povos passaram por aqui, derramaram seu sangue, destruíram seus portões, repararam, ampliaram, colocaram novas torres.

Para se ter uma pequena noção, acredita-se que os fenícios construíram a primeira fortificação, celtibéricos conquistaram aos primeiros, mas perderam para os romanos, godos, visigodos, vândalos e tantos outros povos passaram aqui também. Por fim os mouros os conquistaram e iniciaram os anos dourados do Al-Andaluz, por fim os portugueses ajudados por cruzados ingleses conquistaram a cidade é iniciaram a construção de um império onde o sol nunca se punha, com cidades em todos os continentes.

Hoje o castelo de São Jorge perdeu suas funções defensivas, mas agora aberto a todos os povos de boa vontade, tornou-se um imponente monumento, onde podemos passar bons momentos, apreciando toda a paisagem, o panorama é perfeito podemos ver a cidade, o rio Tejo, a margem sul com Almada e Seixal logo a vista.

Para completar restaurado tem fontes, torres e almeias, canhões em bronze, estatuas, jardins e diversas arvores para entreter o visitante. Num dia agradável de visita havia um musico tocando melodias de tempos idos, musica medieval no castelo, remetendo-nos há uma viagem no tempo para a Lisboa medieval, conhecendo a terra dos alfacinhas do seculo XIV.
.
Próximo ao castelo ainda podemos visitar as ruínas do teatro Romano, a velha Sé Catedral e seus tesouros, a casa de Santo Antônio, andar nos ícones bondes amarelos de Lisboa e se perder nas sinuosas ruas da mouraria.




sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

💡 Mid-Week Tech Insight | IBM MQ for z/OS & SMF Data



 💡 Mid-Week Tech Insight | IBM MQ for z/OS & SMF Data

Mensageria crítica explicada para quem já confia mais no SMF do que em dashboard bonito




☕ 02:22 — Quando a fila começa a crescer em silêncio

Todo mainframer já viveu esse momento:
o sistema “está no ar”, ninguém reclamou…
mas o depth da fila começa a subir.

No mundo distribuído isso vira pânico tardio.
No z/OS, isso vira SMF bem lido.

Este artigo é sobre IBM MQ for z/OS + SMF como fundação real de aplicações distribuídas críticas — sem hype, sem romantização.


1️⃣ Um pouco de história: quando mensageria virou espinha dorsal 🧬

Antes de “event-driven” virar buzzword:

  • MQ já desacoplava sistemas

  • Garantia entrega

  • Preservava ordem

  • Sobrevivia a falhas

📌 Comentário Bellacosa:
MQ não nasceu para “escala web”.
Nasceu para não perder mensagem.


2️⃣ Por que SMF é a alma do MQ no z/OS 🧠

No z/OS:

  • Nada sério existe sem SMF

  • Performance sem SMF é palpite

No MQ:

  • SMF mostra o que realmente aconteceu

  • Não o que alguém acha que aconteceu

🔥 Tradução direta:
SMF é o trace definitivo do MQ.


3️⃣ O que o SMF revela sobre o MQ (e ninguém vê) 🔍

Com SMF você enxerga:

  • Volume de mensagens

  • Taxa de PUT / GET

  • Uso de CPU e I/O

  • Esperas

  • Gargalos por fila ou aplicação

😈 Easter egg:
Quem analisa SMF sabe que fila cheia não é causa — é sintoma.


4️⃣ MQ no mundo distribuído: o elo invisível 🌍

Aplicações modernas:

  • Microservices

  • Eventos

  • APIs

Mas no core:

  • MQ continua segurando o mundo

📌 Comentário ácido:
Kafka fala alto.
MQ entrega calado.


5️⃣ Passo a passo mental: analisando MQ via SMF 🧭

1️⃣ Observe o crescimento da fila
2️⃣ Correlacione com horário e carga
3️⃣ Analise PUT vs GET
4️⃣ Verifique latência e espera
5️⃣ Avalie consumo de CPU
6️⃣ Identifique aplicação causadora
7️⃣ Só então ajuste parâmetros

🔥 Regra de ouro:
Nunca aumente buffer antes de entender o gargalo.


6️⃣ SMF vs Observabilidade moderna (o encontro dos mundos) 📊

MainframeMundo distribuído
SMF MQTraces de mensageria
RMFMétricas de throughput
Queue DepthLag de consumidor
PUT/GETProducer / Consumer
AbendIncident

😈 Curiosidade:
O que hoje chamam de “lag” você sempre chamou de fila crescendo.


7️⃣ Erros comuns (e caros) ⚠️

❌ Ignorar SMF e confiar só em alertas
❌ Tratar MQ como “infra”
❌ Ajustar parâmetros sem evidência
❌ Não correlacionar com carga real

📌 Comentário Bellacosa:
Mensageria sem visibilidade vira buraco negro.


8️⃣ Guia de estudo prático 📚

Conceitos

  • Mensageria confiável

  • Desacoplamento real

  • Backpressure

  • Observabilidade

  • Capacidade

Exercício

👉 Pegue dados SMF do MQ
👉 Monte uma linha do tempo
👉 Relacione com batch, online e APIs


🎯 Aplicações reais no mundo enterprise

  • Core bancário

  • Integração mainframe-cloud

  • Sistemas regulados

  • Alta disponibilidade

  • Processamento assíncrono crítico

🔥 Comentário final:
Sem MQ, o distribuído cai.
Sem SMF, ninguém sabe por quê.


🖤 Epílogo — 03:05, filas sob controle

Enquanto alguns discutem se mensageria é “moderna”,
o MQ segue processando bilhões de mensagens… com SMF contando a verdade.

El Jefe Midnight Lunch assina:
“Mensagens podem esperar. Diagnóstico não.”

 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

🥀 A Filosofia do Desejo em Anime — Parte 2: Poder, Submissão e o Mito da Mulher Ideal

 

Bellacosa Mainframe e a filosofia do desejo em anime

🥀 A Filosofia do Desejo em Anime — Parte 2: Poder, Submissão e o Mito da Mulher Ideal

O desejo humano é um sistema operacional arcaico — não tem atualização, apenas novas interfaces.
Nos animes, esse sistema aparece travestido de narrativa, estética e simbolismo.
O Japão, com sua mistura de repressão e contemplação, transformou o desejo em arte visual.
E é nesse paradoxo — entre o pudor e o fascínio — que o fetiche encontra sua morada filosófica.


A filosofia do desejo é um dos temas mais presentes nos animes, especialmente em histórias que exploram conflitos internos, sonhos impossíveis e a busca por significado. Em muitas obras japonesas, o desejo não aparece apenas como algo positivo, mas também como uma força capaz de gerar sofrimento, obsessão e transformação.

Personagens frequentemente são movidos por objetivos profundos: reconhecimento, amor, vingança, liberdade, poder ou simplesmente a necessidade de encontrar um propósito para continuar vivendo. No entanto, vários animes mostram que alcançar aquilo que se deseja nem sempre traz felicidade. Muitas vezes surge um novo vazio, criando questionamentos sobre a própria natureza humana.

Obras como Neon Genesis Evangelion, Berserk, Death Note, Monster, Code Geass, Paranoia Agent e Serial Experiments Lain exploram esse conflito de maneiras diferentes. Algumas abordam desejos individuais que entram em choque com a sociedade, enquanto outras discutem a relação entre ambição e destruição.

A influência de pensamentos budistas, existencialistas e psicológicos também é perceptível. Em diversas narrativas, o sofrimento nasce justamente do apego excessivo às expectativas e aos desejos pessoais.

Por isso, muitos animes utilizam o desejo como uma ferramenta filosófica para refletir sobre identidade, felicidade e realização. No final, a grande pergunta permanece: o que realmente buscamos quando acreditamos desejar alguma coisa? 🌙🧠🍂



⚖️ O Desejo como Poder

O poder é o fetiche supremo.
Não há nada mais erótico, em termos simbólicos, do que o ato de dominar e ser dominado
não no corpo, mas na mente.

Lelouch (Code Geass) manipula a vontade dos outros com um olhar.
Light Yagami (Death Note) mata com uma caneta.
Makima (Chainsaw Man) transforma submissão em culto.

Todos compartilham um mesmo arquétipo: o poder que desperta desejo, e o desejo que corrompe o poder.
É um jogo antigo, com regras invisíveis, onde o prazer está em quem comanda o tabuleiro —
não necessariamente quem vence a partida.

🔎 Curiosidade Bellacosa: o Japão sempre tratou a autoridade como uma forma de erotismo cultural.
O samurai se ajoelha diante do shogun com a mesma reverência de quem se entrega a um amor impossível.


🩸 Submissão: o outro lado do espelho

Se há prazer em dominar, há mistério em se entregar.
O fetiche da submissão, tão recorrente nos animes, é menos sobre humilhação e mais sobre confiança.
A submissão é, paradoxalmente, o gesto mais poderoso —
é entregar o controle e confiar que o outro não destrua sua essência.

Personagens como Shinji (Evangelion), Subaru (Re:Zero) e até Guts (Berserk)
representam essa fragilidade: o homem que sofre, que falha, mas que se ergue com a dor.
A submissão emocional se torna rito de passagem.

🔎 Curiosidade Bellacosa: Freud chamaria isso de “economia da libido”;
eu prefiro chamar de “o combustível da narrativa”.


🌸 A Mulher Ideal: o fetiche que o Japão exportou

A cultura japonesa construiu um mito perigoso e belo:
a mulher perfeita — pura, gentil, silenciosa, e ao mesmo tempo inatingível.
Rei Ayanami, Belldandy, Hinata Hyuga, Rem —
todas refletem o ideal de uma feminilidade dócil, quase sagrada.

Mas também há o outro extremo:
as mulheres dominantes, fortes, perigosas —
Makima, Esdeath, Revy, Motoko Kusanagi —
símbolos da independência que fascina e ameaça.

Ambas são projeções do mesmo desejo:
o homem dividido entre querer proteção e ser destruído.

🔎 Curiosidade Bellacosa: o fetiche pela mulher ideal é, na verdade, uma tentativa de domar o caos do mundo moderno.
O amor vira refúgio; o ideal feminino, o antivírus emocional.


Epílogo de Balcão

O desejo, nos animes, é uma lente de aumento sobre a alma humana.
Ele revela o medo, a solidão, o poder e a fragilidade de quem ama e sonha demais.
Por isso, o fetiche, quando bem explorado, não é vulgar — é filosófico.
Ele pergunta:

“O que é realmente belo: o corpo que se oferece ou o olhar que o torna desejável?”

Talvez o segredo esteja aí.
Entre submissão e poder, o fetiche é o lembrete de que o amor —
como a própria vida — só existe enquanto houver risco.

sábado, 13 de janeiro de 2018

O Portal das Mil Regiões : Atravesse o Stargate e Descobre que o Verdadeiro Guardião da Galáxia Atende pelo Nome de TOR

 

Bellacosa Mainframe CICS TOR o portal das mil regioes

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Portal das Mil Regiões

Quando um Programador COBOL Atravessa o Stargate e Descobre que o Verdadeiro Guardião da Galáxia Atende pelo Nome de TOR

"Há milhares de anos, uma antiga tecnologia foi construída para conectar mundos distantes. Não transportava pessoas... transportava transações."

Na série Stargate SG-1, uma equipe atravessa um gigantesco portal para visitar outros planetas. O Stargate não decide o que acontecerá do outro lado. Ele não derrota inimigos. Não constrói cidades. Não realiza experimentos científicos.

Ele apenas abre o caminho.

Agora imagine que, em vez de planetas, cada destino seja uma região CICS.

Em vez de uma equipe SG-1...

Temos um terminal 3270.

Em vez do Comando Stargate...

Temos um CICSplex.

E em vez do anel de endereçamento...

Temos um TOR (Terminal-Owning Region).

Hoje vamos investigar uma das arquiteturas mais elegantes já criadas na história da computação corporativa.

Prepare sua IDC (Identification Card), ajuste seu terminal 3270 e digite a transação.

O portal acaba de ser ativado.


Capítulo 1 — O Mistério da Porta que Nunca Executa Nada

Todo iniciante em CICS costuma imaginar uma arquitetura muito simples.

Terminal

    │

    ▼

Programa COBOL

    │

    ▼

DB2

Parece lógico.

O usuário digita uma transação.

O programa executa.

O banco responde.

Fim.

Mas um banco internacional não atende cinquenta clientes.

Ele atende milhões.

Uma companhia aérea não possui cem reservas.

Ela possui centenas de milhares acontecendo simultaneamente.

Uma seguradora pode manter milhares de operadores conectados durante todo o expediente.

Será que um único CICS suportaria tudo isso?

Claro que não.

Foi exatamente aí que nasceu uma das maiores ideias da engenharia de software corporativa.

Separar responsabilidades.


Capítulo 2 — O Programa Nunca Conhece o Cliente

Essa afirmação parece absurda.

Mas pense cuidadosamente.

O programa COBOL realmente conhece o usuário?

Na maioria dos grandes ambientes...

Não.

Quem conversa com o terminal é o TOR.

O COBOL apenas recebe uma requisição pronta para processamento.

Isso é parecido com um hospital.

Você conversa primeiro com a recepção.

Não diretamente com o cirurgião.

O recepcionista pergunta:

— Nome?

— Documento?

— Convênio?

— Qual o problema?

Somente depois você é encaminhado ao especialista.

O TOR faz exatamente isso.

Ele recebe.

Identifica.

Controla.

Encaminha.

Mas nunca faz a cirurgia.


Capítulo 3 — O Stargate da IBM

Na série Stargate existe um equipamento gigantesco.

Quando o endereço é discado...

O portal abre.

Terra

↓

Stargate

↓

Abydos

Observe algo interessante.

O Stargate nunca constrói uma pirâmide.

Nunca derrota Goa'ulds.

Nunca realiza pesquisas.

Ele apenas conecta dois pontos.

O TOR possui exatamente esse papel.

Usuário

↓

TOR

↓

AOR

Ele abre o caminho.

Nada mais.

Nada menos.

Essa simplicidade esconde uma engenharia monumental.


Capítulo 4 — O CICSplex é uma Galáxia

O erro mais comum dos iniciantes é imaginar que existe apenas um CICS.

Na realidade...

Os grandes bancos possuem dezenas.

Às vezes centenas.

Imagine algo assim:

               TOR-1

                  │

      ┌───────────┼──────────┐

      ▼           ▼          ▼

    AOR1       AOR2       AOR3

      │           │          │

      └──────┬────┴──────────┘

             ▼

         DB2 / MQ / VSAM

Agora imagine multiplicar isso por vinte.

Ou cinquenta.

Ou cem regiões.

Esse conjunto recebe o nome de CICSplex.

É literalmente uma galáxia de CICS trabalhando em conjunto.


Capítulo 5 — Quem é o Dono do Terminal?

O nome TOR já entrega sua missão.

Terminal-Owning Region.

Owning.

Proprietário.

Quem possui o terminal?

O TOR.

Quem controla sessões?

O TOR.

Quem mantém conexões?

O TOR.

Quem administra comunicação?

O TOR.

Quem executa COBOL?

Não.

Esse trabalho pertence ao AOR.


Capítulo 6 — O AOR é o SG-1

Na série Stargate existe a equipe de exploração.

Ela entra pelo portal.

Resolve problemas.

Enfrenta inimigos.

Retorna para casa.

No CICS...

Essa equipe é o AOR.

Application-Owning Region.

Ele realmente trabalha.

Executa:

  • COBOL

  • PL/I

  • C

  • Java

  • EXEC CICS

  • EXEC SQL

  • MQ

  • VSAM

Enquanto isso...

O TOR continua recebendo novas solicitações.


Capítulo 7 — O Endereço Galáctico

No Stargate existe um endereço formado por símbolos.

No CICS existe algo parecido.

Quando o usuário digita:

SALD

ou

EXTR

ou

PAGT

O TOR consulta suas tabelas.

Descobre:

"Essa transação pertence ao AOR-2."

Pronto.

A viagem começa.


Capítulo 8 — A Viagem da Transação

Vamos acompanhar uma única consulta de saldo.

Cliente

↓

3270

↓

TOR

↓

AOR

↓

COBOL

↓

DB2

↓

COBOL

↓

TOR

↓

Cliente

Parece simples.

Mas internamente dezenas de componentes cooperam.

É uma verdadeira coreografia.


Capítulo 9 — O TOR Nunca Consulta o Banco

Outra dúvida clássica.

"O TOR faz SELECT?"

Não.

Quem executa:

EXEC SQL
SELECT

é o programa COBOL.

Executando dentro do AOR.

O TOR nem sabe qual tabela foi acessada.

Ele apenas entrega e devolve a mensagem.


Capítulo 10 — O Grande Diretor Invisível

Quem decide qual AOR receberá a transação?

Em muitos ambientes...

O CICSPlex System Manager (CPSM).

Ele observa tudo.

CPU.

Memória.

Disponibilidade.

Carga.

Afinidade.

Estado das regiões.

Ele funciona como o General George Hammond observando dezenas de missões simultaneamente.

Se um AOR estiver sobrecarregado...

Outra região será escolhida.

Automaticamente.


Capítulo 11 — O Segredo da Afinidade

Imagine um cliente preenchendo um financiamento.

Tela 1.

Tela 2.

Tela 3.

Tela 4.

Durante o preenchimento...

Os dados permanecem temporariamente em memória.

Se o usuário fosse enviado para outro AOR no meio da operação...

Toda a conversa poderia ser perdida.

Por isso existe um conceito chamado Transaction Affinity.

Ela garante que determinadas conversas permaneçam sempre na mesma região de aplicação.

É como atravessar o Stargate com toda a equipe SG-1. Você não quer que metade da equipe apareça em outro planeta.


Capítulo 12 — O Load Balancer Antes da Internet

Hoje ouvimos falar em:

  • Kubernetes

  • Ingress Controller

  • API Gateway

  • Reverse Proxy

  • Load Balancer

Curiosamente...

O CICS fazia algo semelhante muito antes da computação em nuvem.

Internet

↓

Load Balancer

↓

Servidor A

Servidor B

Servidor C

No CICS:

Usuário

↓

TOR

↓

AOR-1

AOR-2

AOR-3

A ideia é praticamente idêntica.


Capítulo 13 — O Banco Nunca Fecha

Imagine um banco mundial.

Enquanto o Brasil dorme...

A Ásia está trabalhando.

Depois vem a Europa.

Depois a América.

O processamento nunca para.

Por isso diversos TORs podem existir simultaneamente.

TOR-1

TOR-2

TOR-3

TOR-4

Todos atendendo usuários.

Todos distribuindo carga.

Todos protegendo o ambiente.


Capítulo 14 — Um Dia na Vida de uma Transação

08:01.

O cliente consulta saldo.

08:01:00.003.

O TOR recebe.

08:01:00.005.

O CPSM encontra o melhor AOR.

08:01:00.007.

O COBOL inicia.

08:01:00.010.

O Db2 responde.

08:01:00.014.

A tela volta ao terminal.

Tudo aconteceu em poucos milissegundos.

O usuário acredita que apenas "o computador respondeu".

Na realidade...

Uma pequena frota inteira trabalhou para produzir aquela resposta.


Capítulo 15 — Easter Egg nº 1

No universo Stargate existe um dispositivo chamado DHD (Dial Home Device).

Ele não transporta ninguém.

Apenas estabelece a conexão.

O TOR desempenha um papel semelhante.

Ele não processa a lógica.

Ele estabelece o caminho.


Capítulo 16 — Easter Egg nº 2

Os fãs de Stargate lembram que cada planeta possui um endereço único.

Em CICS...

Cada transação também possui sua identidade.

CESN

CEMT

CECI

CEDA

CEDF

Cada uma "abre um portal" para uma função diferente do ambiente.


Capítulo 17 — Easter Egg nº 3

Os Asgard possuíam computadores extremamente avançados.

Mesmo assim...

Sempre existia um sistema central coordenando tudo.

No CICSplex...

Esse papel lembra o CMAS (CICSPlex Management Address Space), que mantém a visão centralizada das regiões e coopera com o CPSM na administração do ambiente. Ele não executa programas de negócio, mas ajuda a organizar e monitorar todo o ecossistema.


Curiosidades que Impressionam

  • O conceito de separar comunicação da lógica de negócio existe no CICS há décadas, muito antes de termos API Gateways e microsserviços.

  • Um TOR costuma consumir bem menos CPU que um AOR, justamente porque sua função é receber, manter sessões e encaminhar requisições.

  • Grandes bancos podem operar com dezenas de TORs e centenas de AORs, distribuindo milhões de transações por dia.

  • O usuário final jamais percebe por quantas regiões sua solicitação passou. Para ele, existe apenas "o sistema do banco".


Dicas para Quem Está Aprendendo CICS

Se você está iniciando sua jornada, estude os componentes na seguinte ordem:

  1. Entenda como funciona uma região CICS isolada.

  2. Aprenda o ciclo de vida de uma transação (EXEC CICS LINK, RETURN, SYNCPOINT etc.).

  3. Conheça o papel do TOR e do AOR.

  4. Estude os demais tipos de regiões, como FOR (File-Owning Region) e CMAS.

  5. Aprofunde-se em CICSPlex SM, políticas de workload e roteamento dinâmico.

  6. Explore como CICS integra Db2, VSAM, MQ e APIs REST modernas.

Essa sequência ajuda a construir uma visão sólida antes de mergulhar em arquiteturas de alta disponibilidade.


Comparando com Tecnologias Modernas

Arquitetura ModernaMundo CICS
API GatewayTOR
Load BalancerTOR + CPSM
Application ServerAOR
Banco de DadosDb2
File StorageVSAM
Cluster ManagerCICSPlex SM
Control PlaneCMAS
MicrosserviçoPrograma CICS especializado

Essa comparação mostra que muitos conceitos considerados "novos" já existiam no mainframe, apenas com nomes diferentes e décadas de maturidade operacional.


A Mensagem Oculta de Stargate

Existe uma frase recorrente na série:

"Não é o portal que salva a missão. É a equipe que o atravessa."

No CICS acontece algo semelhante.

O TOR é indispensável, mas ele não calcula juros, não atualiza contas, não aprova empréstimos e não processa pagamentos. Seu papel é garantir que cada solicitação encontre a região correta, de forma rápida, segura e confiável.

Essa separação de responsabilidades é um dos pilares que permitiu ao CICS sustentar sistemas críticos por décadas.


Conclusão — O Portal Continua Aberto

Ao terminar este café, você provavelmente nunca mais olhará para um TOR da mesma forma.

Ele não é apenas uma "região de terminais". É o guardião silencioso da entrada do CICSplex, o responsável por manter milhares de conexões organizadas, distribuir a carga entre regiões de aplicação e garantir que cada transação siga pelo melhor caminho.

No universo de Stargate, atravessar o portal era apenas o começo da aventura.

No universo do IBM CICS, atravessar o TOR também é apenas o primeiro passo.

Do outro lado aguardam AORs, FORs, CMAS, Db2, VSAM, MQ, políticas de workload, afinidade de transações e uma arquitetura construída para suportar alguns dos sistemas mais críticos do planeta.

Talvez esse seja o maior segredo do mainframe: sua verdadeira força nunca esteve em uma única máquina ou em um único programa COBOL. Ela sempre esteve na capacidade de dividir responsabilidades entre componentes especializados, trabalhando em perfeita harmonia.

Assim como a equipe SG-1 confiava no Stargate para chegar ao destino certo, milhões de usuários, todos os dias, confiam sem perceber que um discreto TOR abrirá o portal correto para que suas transações cheguem ao lugar exato — e retornem em milissegundos, como se toda essa jornada tivesse acontecido por mágica. É justamente essa "mágica" invisível, fruto de décadas de engenharia refinada, que faz do CICS uma das maiores obras-primas da computação corporativa.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

🎌🚫 20 Animes Que Sofreram Censura no Ocidente — e o Que Mudou em Cada Um

 🎌🚫 20 Animes Que Sofreram Censura no Ocidente — e o Que Mudou em Cada Um




A guerra entre “versão original japonesa” e “edição ocidental politicamente segura”.


A história da animação japonesa fora do Japão é marcada por tesouras afiadas.
Desde os anos 80, quando o anime começou a ser exibido nos EUA e Europa, violência, sexualidade e até cultura japonesa foram cortadas ou alteradas para se adequar às audiências ocidentais.
Vamos ver 20 exemplos icônicos de como o Ocidente “suavizou” (ou distorceu) clássicos do Japão.


1. Sailor Moon (1992)

💥 Mudança: o casal Uranus e Neptune virou “primas” na dublagem americana.
🎭 Motivo: censura a relacionamentos homoafetivos.
📺 Efeito: confusão geral — os “primos” agiam com uma intimidade… nada familiar.


2. Dragon Ball Z (1989)

💥 Mudança: cortes em sangue, mortes e nudez cômica.
🎭 Motivo: tornar “adequado para crianças”.
📺 Efeito: Goku virava um herói sem sangue nas mãos e com nuvens mágicas no lugar de palavrões.


3. Pokémon (1997)

💥 Mudança: episódio “Electric Soldier Porygon” banido após causar convulsões.
🎭 Outros cortes: episódios com armas, cruzes ou insinuações românticas.
📺 Efeito: Porygon foi “cancelado” da franquia por décadas.


4. One Piece (1999)

💥 Mudança: a 4Kids removeu sangue, cigarros e até alterou a história.
🎭 Motivo: adequar à TV infantil.
📺 Efeito: Sanji passou a “chupar pirulitos” em vez de fumar.


5. Naruto (2002)

💥 Mudança: cenas de sangue, suicídio e nudez foram cortadas.
🎭 Motivo: público infantil.
📺 Efeito: lutas dramáticas perderam impacto emocional — e algumas mortes “sumiram”.


6. Yu-Gi-Oh! (1998)

💥 Mudança: armas substituídas por dedos apontando (!).
🎭 Motivo: evitar violência explícita.
📺 Efeito: seguranças “ameaçavam” com o dedo, criando cenas absurdas.


7. Cardcaptor Sakura (1998)

💥 Mudança: virou “Cardcaptors”, com foco no menino Shaoran.
🎭 Motivo: esconder o romance lésbico e “masculinizar” o enredo.
📺 Efeito: a protagonista Sakura perdeu protagonismo na versão ocidental.


8. Shaman King (2001)

💥 Mudança: sangue e temas espirituais cortados.
🎭 Motivo: religiosidade e morte vistas como “tabu”.
📺 Efeito: o anime perdeu boa parte de sua filosofia original.


9. Tokyo Ghoul (2014)

💥 Mudança: cenas de canibalismo e tortura escurecidas ou removidas.
🎭 Motivo: censura de violência extrema.
📺 Efeito: algumas cenas viraram “telas pretas” inteiras na TV japonesa e ocidental.


10. Attack on Titan (2013)

💥 Mudança: censura a sangue e nudez dos titãs em algumas versões.
🎭 Motivo: regras de exibição em horário nobre.
📺 Efeito: a brutalidade da guerra foi suavizada em alguns países.


11. Death Note (2006)

💥 Mudança: banido em vários países após jovens imitarem o “caderno da morte”.
🎭 Motivo: medo de incentivo à violência.
📺 Efeito: em lugares como a China, o anime só é acessível via VPN.


12. Hellsing Ultimate (2006)

💥 Mudança: cortes de sangue e blasfêmia religiosa.
🎭 Motivo: conteúdo considerado ofensivo em países cristãos.
📺 Efeito: perdeu parte da crítica à guerra e à hipocrisia religiosa.


13. Ranma ½ (1989)

💥 Mudança: nudez e trocas de gênero censuradas.
🎭 Motivo: medo de polêmica com identidade de gênero.
📺 Efeito: piadas e temas sobre autodescoberta foram cortados.


14. Digimon (1999)

💥 Mudança: diálogos alterados, piadas adultas removidas.
🎭 Motivo: versão “infantilizada” para o público americano.
📺 Efeito: personalidades dos personagens ficaram mais rasas.


15. Bleach (2004)

💥 Mudança: sangue e álcool substituídos por “suco” e “energético”.
🎭 Motivo: controle de conteúdo jovem.
📺 Efeito: humor e intensidade ficaram desbalanceados.


16. Rurouni Kenshin (1996)

💥 Mudança: cenas de decapitação removidas.
🎭 Motivo: violência realista demais.
📺 Efeito: duelos históricos perderam autenticidade.


17. Elfen Lied (2004)

💥 Mudança: censura pesada em TV ocidental; exibido só em horários restritos.
🎭 Motivo: violência gráfica e nudez.
📺 Efeito: parte da mensagem sobre preconceito e trauma foi perdida.


18. Ghost in the Shell (1995)

💥 Mudança: nudez simbólica cortada.
🎭 Motivo: tabu sexual na animação.
📺 Efeito: perdeu impacto filosófico sobre corpo e identidade.


19. Akira (1988)

💥 Mudança: dublagem americana suavizou falas e contexto político.
🎭 Motivo: receio de críticas a governo e temas adultos.
📺 Efeito: a versão original é muito mais complexa e filosófica.


20. Neon Genesis Evangelion (1995)

💥 Mudança: diálogos e cenas religiosas censuradas nos EUA e América Latina.
🎭 Motivo: medo de “blasfêmia” e confusão teológica.
📺 Efeito: parte da metáfora existencial foi perdida em versões dubladas.


Conclusão Bellacosa

Quando o Ocidente tentou “proteger” o público, acabou distorcendo a arte.

A censura nos animes revela mais sobre os medos culturais de quem assiste do que sobre quem produz.
E no fim das contas, as versões originais continuam sendo a forma mais honesta de sentir o que o autor quis dizer — com todas as sombras, falhas e verdades que vêm junto.

Porque no mundo dos animes, até o corte mais pequeno muda o sentido de uma alma inteira. 🎭

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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