☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Gostou do conteúdo? Ajude a manter o café quente, o COBOL compilando e o mainframe acordado. 😄
☕ Pague um café ao Bellacosa

Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta cerveja. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cerveja. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Deir el-Medina: Greve, Cerveja, Fofoca, Paneb e o Escorpião que Inventou o RH

Bellacosa Mainframe e a divertida historia de Deir El Medina ostracos fofoqueiros

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Deir el-Medina: Greve, Cerveja, Fofoca, Paneb e o Escorpião que Inventou o RH

🏺 Há 3.200 anos o faraó tinha trabalhadores especializados, folha de presença, chefes problemáticos, salário atrasado, greve e desculpas para faltar ao serviço. Em outras palavras: inventamos muito pouco desde então.

Existe uma mentira confortável que contamos sobre o passado.

Imaginamos que os antigos eram antigos.

Homens solenes olhando para o horizonte.

Sacerdotes caminhando entre colunas.

Faraós contemplando a eternidade.

Escribas registrando os movimentos das estrelas.

Construtores erguendo monumentos destinados a desafiar os milênios.

Tudo acompanhado por alguma música épica de documentário.

Então aparece um pedaço de calcário de Deir el-Medina e diz:

O sujeito não veio trabalhar porque foi picado por um escorpião.

Pronto.

Acabaram-se três milênios de distância histórica.

Conhecemos esse sujeito.

Provavelmente já trabalhamos com ele.

E, considerando a quantidade de escorpiões no Egito, existe uma possibilidade bastante razoável de que o pobre coitado estivesse dizendo a mais absoluta verdade.

Mas isso não importa.

Porque em algum momento ocorreu uma conversa que, traduzida livremente para o idioma universal da burocracia, deve ter sido mais ou menos assim:

— Cadê o funcionário?

— Não veio.

— Motivo?

— Escorpião.

— CID?

— Ainda não inventaram.

— Atestado?

— Também não.

— Testemunha?

— O escorpião.

— Onde ele está?

— Foi promovido a falecido.

— Certo. Escreva na pedra.

E escreveram.



🦂 O escorpião entrou para a História

O British Museum conserva o óstraco EA5634, datado aproximadamente de 1250 a.C., durante o reinado de Ramsés II.

Não é uma piada moderna.

É essencialmente uma folha de presença.

São nomes de trabalhadores, dias e razões pelas quais determinadas pessoas não compareceram ao serviço.

O registro cobre nada menos que 280 dias.

E entre os motivos de ausência estão doenças, problemas nos olhos e a gloriosa anotação:

“The scorpion stung him.”

O escorpião o picou.

Há mais de cem registros relacionados a doença. Também aparecem trabalhadores afastados porque estavam acompanhando superiores para realizar trabalhos particulares — prática que, segundo o próprio British Museum, não era necessariamente proibida quando mantida dentro de certos limites.

Portanto, outra grande tradição corporativa já existia:

— Cadê Nakhtmin?

— O chefe levou.

— Para a obra?

— Não.

— Para onde?

— Resolver um negócio particular.

— Durante o expediente?

— Sim.

— Isso pode?

— Se não abusar.

Consultoria interna não faturável, versão Ramsés II.



🍺 Um brinde ao homem que estava fazendo cerveja

Entre as justificativas preservadas em registros de Deir el-Medina aparecem tarefas domésticas e atividades relacionadas à preparação de cerveja.

Antes de julgarmos nosso herói, porém, é necessário lembrar que cerveja no Egito antigo não era simplesmente o equivalente faraônico de alguém faltar ao escritório porque resolveu produzir uma IPA artesanal na garagem.

Era alimento.

Era parte da economia doméstica.

Era importante na vida cotidiana.

Portanto, “fazer cerveja” podia ser uma atividade perfeitamente legítima.

Mas não estraguemos uma ótima história com contexto histórico demais.

Ergamos nossos copos ao desconhecido trabalhador que, três milênios depois, continua involuntariamente representando todos aqueles que olharam para o trabalho numa segunda-feira e pensaram:

Hoje não.

🍺

Um brinde também ao escriba que registrou aquilo.

Porque fazer cerveja é temporário.

Documentar que alguém faltou para fazer cerveja é eternidade.



👽 Então chegaram os Vogons

Ou talvez eles já estivessem lá.

Douglas Adams imaginou uma raça alienígena tão burocrática que seria capaz de destruir a Terra porque os planos para uma via expressa interestelar estavam disponíveis para consulta em algum arquivo impossível de encontrar.

Mas Deir el-Medina sugere outra hipótese:

os Vogons fizeram estágio no Egito.

Imagine o Ministério das Tumbas Reais.

FORMULÁRIO DEM-27B — JUSTIFICATIVA DE AUSÊNCIA

Nome: ______________________

Equipe: ☐ esquerda ☐ direita

Motivo:

☐ doença
☐ problema ocular
☐ obrigação familiar
☐ serviço particular solicitado pelo chefe
☐ fabricação de cerveja
☐ atividade religiosa
☐ escorpião
☐ outros — anexar óstraco complementar

Em caso de escorpião, informar:

☐ picada confirmada
☐ tentativa de picada
☐ escorpião indisponível para depoimento
☐ escorpião morto durante o incidente

Assinatura do supervisor: __________________

Assinatura do escorpião: __________________



🏘️ Mas Deir el-Medina não era uma cidade qualquer

A graça da história fica ainda maior quando entendemos quem eram essas pessoas.

Deir el-Medina abrigava trabalhadores altamente especializados responsáveis pela construção e decoração das tumbas reais da região tebana.

Pedreiros.

Desenhistas.

Escultores.

Pintores.

Escribas.

Capatazes.

Artesãos.

Gente que trabalhava em um dos projetos tecnologicamente e artisticamente mais sofisticados de sua civilização.

E justamente porque aquela comunidade possuía um nível incomum de documentação, ela nos deixou algo extraordinário:

o cotidiano.

Os grandes monumentos dizem o que o Estado queria dizer.

Os óstracos dizem o que aconteceu enquanto o Estado estava olhando para outro lado.



🗣️ FOFOCA

Porque nenhuma tecnologia humana jamais superou a fofoca.

Antes da imprensa.

Antes do telefone.

Antes do WhatsApp.

Antes do Facebook.

Antes do Slack.

Antes do Teams.

Já existia:

“Você soube o que fulana fez?”

Deir el-Medina preservou cartas, reclamações, disputas domésticas, acusações e conflitos entre pessoas que viveram lado a lado durante gerações.

Era uma comunidade relativamente pequena.

Todo mundo conhecia todo mundo.

Filhos trabalhavam com filhos dos colegas.

Famílias casavam entre si.

Vizinhos discutiam.

Dívidas existiam.

Casamentos davam errado.

Autoridades eram chamadas para resolver conflitos.

Alguém inevitavelmente sabia alguma coisa sobre alguém.

Portanto, podemos propor com razoável segurança antropológica que o primeiro protocolo de comunicação distribuída realmente tolerante a falhas foi:

GOSSIP/1.0

FULANA disse
   ↓
para SICRANA
   ↓
que BELTRANA ouviu
   ↓
de outra pessoa
   ↓
que PANEB fez merda.

E então chegamos a Paneb.


😈 PANEB

Toda boa comunidade precisa de um personagem sobre o qual ninguém consegue contar uma história curta.

Deir el-Medina tinha Paneb.

O principal documento é o chamado Papiro Salt 124.

E aqui precisamos colocar um enorme:

⚠️ ALLEGEDLY

Paneb foi objeto de uma denúncia extraordinária.

As acusações atribuídas a Amennakht incluem suborno, roubo, violência, abuso de poder, irregularidades sexuais e outras condutas.

Mas existe uma questão maravilhosa para o historiador:

o denunciante tinha seus próprios interesses.

Paneb ocupava uma posição importante como chefe de trabalhadores, e o documento deve ser lido como uma acusação — não como sentença judicial moderna contendo fatos definitivamente comprovados.

Um estudo dedicado ao caso alerta justamente para possíveis exageros, distorções, boatos e parcialidade na denúncia.

Em outras palavras:

temos política de escritório.

Há 3.200 anos.

Paneb pode ter sido um canalha extraordinário.

Pode ter sido um canalha moderado com um inimigo extraordinariamente competente em produzir documentação.

Ou alguma combinação dos dois.

Mas a lista de acusações é tão impressionante que Paneb parece ter descoberto o conceito de compliance apenas para poder violá-lo sistematicamente.


📋 INCIDENT REPORT — PANEB

USER................ PANEB
ROLE................ CHIEF WORKMAN
ENVIRONMENT......... DEIR-EL-MEDINA
SEVERITY............. SEV-1
STATUS............... INVESTIGATING

ALLEGATIONS:

[!] abuso de autoridade
[!] violência
[!] apropriação indevida
[!] suborno
[!] uso irregular de trabalhadores
[!] comportamento sexual impróprio
[!] tretas diversas

ROOT CAUSE:
Pending investigation.

RECOMMENDED ACTION:
Do not give Paneb administrative privileges.

O mais fascinante é que o caso não nos revela apenas Paneb.

Revela conflito de interesse.

Quem acusa?

Por quê?

Quem ganha se o acusado perder o cargo?

Quanto da acusação é fato?

Quanto é interpretação?

Quanto é fofoca?

Quanto foi acrescentado porque, já que estamos denunciando o sujeito, podemos colocar aquela história do ano passado também?

Isso não é apenas arqueologia.

É uma reunião de RH.


⚖️ O primeiro princípio universal da política

Aqui Deir el-Medina ensina algo delicioso:

Duas pessoas podem observar exatamente o mesmo acontecimento e produzir narrativas completamente diferentes.

E nada demonstra isso melhor que a famosa greve.

No reinado de Ramsés III, problemas políticos e econômicos afetaram o fornecimento das rações que constituíam pagamento dos trabalhadores.

Eles trabalharam.

A remuneração não chegou adequadamente.

E os trabalhadores fizeram uma coisa revolucionariamente moderna:

pararam de trabalhar.

O chamado Papiro da Greve, hoje conservado pelo Museo Egizio de Turim, registra o conflito. O museu confirma que os trabalhadores interromperam suas atividades por causa das rações não entregues e que o conflito com as autoridades se prolongou.

E então podemos fazer uma experiência.

O mesmo acontecimento.

Dois jornais.


📰 THE THEBES CONSERVATIVE

🚨 RADICAIS PARALISAM PROJETO ESTRATÉGICO DO FARAÓ

Grupo organizado abandona postos, atravessa área de controle e pressiona autoridades em meio à delicada situação econômica do reino

Tebas — Trabalhadores envolvidos em projeto estratégico do Estado interromperam unilateralmente suas atividades e realizaram concentração nas proximidades de instalações religiosas.

O movimento ocorre em momento delicado para a administração de Ramsés III.

Representantes dos trabalhadores alegam problemas no fornecimento de rações.

Críticos, porém, questionam:

seria realmente necessário abandonar o trabalho?

Fontes próximas à administração lembram que dificuldades logísticas podem ocorrer em qualquer grande empreendimento.

Especialistas alertam que ceder às reivindicações poderá criar perigoso precedente:

Hoje querem grãos.

Amanhã quem sabe o quê?

Um cidadão ouvido pelo The Thebes Conservative, que pediu anonimato por trabalhar no Ministério dos Obeliscos, declarou:

— No meu tempo, se faltasse peixe, a gente trabalhava com fome.

Questionado sobre sua idade, respondeu:

— 24.


✊ A VOZ DO NILO

HERÓIS DO POVO CRUZAM OS BRAÇOS: “ESTAMOS COM FOME!”

Trabalhadores que constroem a eternidade do faraó exigem algo radical: receber pelo trabalho realizado

DEIR EL-MEDINA — Enquanto autoridades vivem cercadas pelas riquezas do reino, trabalhadores responsáveis pelas tumbas reais foram obrigados a interromper suas atividades após atrasos nas provisões essenciais.

Eles não exigiram palácios.

Não exigiram ouro.

Não exigiram carruagens.

Exigiram:

COMIDA.

Os trabalhadores atravessaram o posto de controle e fizeram uma espécie de ocupação pacífica próxima aos templos.

A mensagem dirigida às autoridades foi inequívoca:

“Estamos com fome!”

A administração, confrontada com a inédita possibilidade de que pessoas precisam comer para continuar trabalhando, iniciou negociações.


😂 MESMO INCIDENTE. DUAS TIMELINES.

E é justamente aí que a brincadeira deixa de ser apenas brincadeira.

O Museo Egizio preserva palavras extraordinárias dos trabalhadores.

Eles atravessaram o posto de controle dizendo:

“Estamos com fome!”

O documento informa que já haviam transcorrido 18 dias naquele mês e que os homens foram sentar-se atrás do templo funerário de Tutmés III. Diante das autoridades, explicaram que fome e sede os haviam levado àquela situação e pediram que suas palavras fossem transmitidas ao faraó e ao vizir.

É difícil encontrar uma reivindicação política mais simples.

Não era:

TRABALHADORES DE TODO O NILO, UNI-VOS!

Karl Marx demoraria aproximadamente outros três milênios para nascer.

Também não era:

ABAIXO O ESTADO FARAÔNICO!

Bakunin estava igualmente indisponível.

Era:

PAGUEM A COMIDA.


🚩 ANARQUISTAS!

Um comentarista conservador imaginário de 1150 a.C. certamente teria dito:

— Isso começa assim.

— Como?

— Primeiro eles reclamam das rações.

— Certo.

— Depois fazem uma paralisação.

— Sim.

— Daqui a pouco querem derrubar o faraó.

— Eles disseram isso?

— Não.

— Então de onde você tirou?

— É óbvio.

Enquanto nosso comentarista popular responderia:

— Esses homens constroem a eternidade do faraó e não conseguem receber o jantar?

E aí está a beleza.

Interesses diferentes produzem leituras diferentes do mesmo acontecimento.

O administrador precisa terminar a tumba.

O trabalhador precisa alimentar a família.

O escriba precisa registrar o problema.

O faraó provavelmente preferia que todo mundo simplesmente voltasse ao trabalho.

E o historiador, três mil anos depois, agradece profundamente porque:

ninguém conseguiu resolver a treta antes que fosse documentada.


🧑‍💼 O verdadeiro herói é o burocrata

Existe, entretanto, um personagem que merece nosso respeito.

O escriba.

Porque pense nisso.

Trabalhadores furiosos.

Administração pressionada.

Rações atrasadas.

Gente sentada no templo.

Negociação.

Reclamação.

Provavelmente todo mundo falando ao mesmo tempo.

E alguém pensou:

“É melhor documentar isso.”

Esse homem é o ancestral espiritual do operador que, no meio de um SEV-1, escreve:

14:37 - users report issue
14:42 - batch stopped
14:51 - management notified
15:03 - workers still hungry
15:07 - Pharaoh informed
15:09 - awaiting response

Graças a ele estamos rindo da situação três milênios depois.


🏺 A verdadeira máquina do tempo

É por isso que um óstraco pode ser mais emocionante do que uma estátua.

Uma estátua de Ramsés diz:

EU SOU RAMSÉS, PODEROSO REI.

Sabemos.

Obrigado, Ramsés.

Você escreveu isso em aproximadamente 40 mil lugares.

Mas o óstraco diz:

Pennub não veio trabalhar hoje.

Imediatamente quero saber:

Por quê?

Onde estava?

A mulher brigou com ele?

Estava doente?

Estava cuidando de alguém?

Foi fazer cerveja?

O chefe levou para algum serviço particular?

Ou...

🦂

foi o sacaninha do escorpião?


🦂 EM DEFESA DO ESCORPIÃO

Também devemos reconhecer que estamos ouvindo apenas um lado dessa história.

Durante aproximadamente 3.200 anos, o escorpião não teve direito de resposta.

O registro diz:

“The scorpion stung him.”

Mas onde está o depoimento do escorpião?

Onde está a perícia?

Havia testemunhas?

O trabalhador provocou o animal?

Tratava-se realmente de um escorpião?

O suspeito foi identificado numa fila?

Portanto, em nome dos princípios fundamentais da justiça:

inocente até prova em contrário.

O escorpião pode ter sido vítima de uma fraude trabalhista faraônica.

Imagine:

— Chefe, não vou conseguir ir.

— Por quê?

— Escorpião.

— De novo?

— Outro.

— Você mora onde?

— Deir el-Medina.

— Certo. Faz sentido.


🍺 E VOLTAMOS À CERVEJA

Talvez seja apropriado terminar exatamente onde começamos.

Com trabalhadores.

Não reis.

Não deuses.

Não generais.

Trabalhadores.

Pessoas que adoeciam.

Pessoas que cuidavam de parentes.

Pessoas que tinham problemas domésticos.

Pessoas que deviam dinheiro.

Pessoas que brigavam.

Pessoas que fofocavam.

Pessoas que acusavam outras pessoas.

Pessoas que tinham chefes.

Pessoas que eram chefes terríveis.

Pessoas que precisavam comer.

Pessoas que, quando não receberam, pararam de trabalhar.

Pessoas que eventualmente precisavam fazer cerveja.

E uma pessoa que, em algum momento, teve um encontro profissionalmente inconveniente com um escorpião.

Essa talvez seja a maior descoberta de Deir el-Medina:

não existe “homem antigo”.

Existe apenas o homem.

Mudam as ferramentas.

Mudam os governos.

Mudam os idiomas.

Mudam as religiões.

Calcário vira papiro.

Papiro vira papel.

Papel vira banco de dados.

Banco de dados vira ServiceNow.

Mas continua existindo:

FUNCIONÁRIO
   ↓
CHEFE
   ↓
PAGAMENTO
   ↓
FOFOCA
   ↓
TRETA
   ↓
FORMULÁRIO

E, ocasionalmente:

ESCORPIÃO
   ↓
INCIDENTE
   ↓
AUSÊNCIA
   ↓
JUSTIFICATIVA
   ↓
ARQUIVAMENTO
   ↓
3200 ANOS
   ↓
INTERNET
   ↓
NÓS RINDO

☕ Um último café em Deir el-Medina

Imagine sentar naquela aldeia ao fim do expediente.

O sol desaparecendo atrás das montanhas de Tebas.

Alguém trazendo pão.

Outro homem reclamando do supervisor.

Uma mulher contando o que a vizinha disse.

Um trabalhador dizendo que as rações continuam atrasadas.

Ao longe, Paneb provavelmente sendo acusado de alguma coisa.

O escriba anotando.

E alguém aparece carregando uma jarra.

— Quem fez a cerveja?

Silêncio.

Um homem levanta a mão.

— Você não deveria estar trabalhando hoje?

— Deveria.

— E por que não estava?

Ele aponta para a jarra.

Justo.

Sirva.

Porque reis morrerão.

Dinastias desaparecerão.

Impérios cairão.

A língua será esquecida.

As tumbas serão saqueadas.

E três milênios depois outros trabalhadores estarão sentados diante de máquinas incompreensíveis, reclamando do chefe, do salário, do colega, do governo e daquela reunião que poderia perfeitamente ter sido um e-mail.

Então levantemos a caneca.

🍺 Ao cervejeiro.

🦂 Ao escorpião — culpado ou injustamente acusado.

📜 Ao escriba que documentou a bagunça.

Aos perigosos revolucionários que cometeram o ato subversivo de querer receber o pagamento.

👔 À administração que provavelmente classificou tudo como problema temporário de logística.

😈 E a Paneb, que nos lembra que o primeiro requisito para existir compliance é alguém suficientemente criativo para tornar compliance necessário.

Mas principalmente:

um brinde às pessoas comuns de Deir el-Medina.

Os faraós gastaram fortunas tentando conquistar a imortalidade.

Construíram tumbas.

Esculpiram montanhas.

Cobriram paredes com seus nomes.

Mandaram escrever que seriam lembrados eternamente.

E funcionou.

Mas um trabalhador desconhecido conseguiu praticamente a mesma coisa faltando ao serviço porque...

um maldito escorpião o picou.

Douglas Adams teria compreendido perfeitamente.

DON'T PANIC.

Preencha o óstraco.

Para ir mais longe

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2025/08/a-nostalgica-abertura-do-programa-enigma.html

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2012/03/programa-enigma-na-tv-cultura-um-lugar.html

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2016/02/hora-feliz-pensa-que-um-viajante-nao.html

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2015/12/cavalgando-uma-mulinha-no-vale-dos-reis.html

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2016/02/big-crazy-part-uma-festa-muita-louca.html

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2016/02/templo-de-horus-em-edfu.html

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2016/02/complexo-de-templos-em-abu-simbel.html

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2016/02/cavalgando-camelos-em-pleno-deserto-do.html


PS: Construímos arranha-céus, satélites, inteligência artificial, PIX, computadores quânticos e mainframes capazes de processar bilhões de transações.

O escorpião continua conseguindo abrir incidente.

🦂 3.200 anos depois: o escorpião ainda está em produção

O faraó desapareceu.

Deir el-Medina foi abandonada.

O Império Romano acabou.

Os Vogons ainda aguardam aprovação do formulário A38.

COBOL apareceu.

A Internet apareceu.

A inteligência artificial apareceu.

Mas em algum lugar do Brasil um trabalhador manda mensagem:

“Chefe, não vou hoje. Fui picado por um escorpião.”

E, pela primeira vez, o gerente deveria respeitar não apenas o atestado.

Deveria respeitar a tradição histórica da justificativa.

É um processo de negócio com pelo menos 3.200 anos de uptime. 🦂😂



sábado, 14 de abril de 2018

Um dos Últimos Boteco Analógico de Itatiba: Torresmo, Universitários, Original em Território Brahma e uma Pinga que Ninguém Sabe de Onde Vem

 

Bellacosa Mainframe e o bar bhrama da camilo pires

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Um dos Últimos Boteco Analógico de Itatiba: Torresmo, Universitários, Original em Território Brahma e uma Pinga que Ninguém Sabe de Onde Vem

🍺 Há lugares que o Google conhece. E há lugares que Itatiba conhece.


Existe uma diferença enorme entre um bar e um boteco.

Bar pode ter branding.

Pode ter iluminação estudada, cardápio acessado por QR Code, IPA com nome de constelação, hambúrguer desconstruído e uma parede cuidadosamente preparada para você tirar uma fotografia e publicar no Instagram.

Boteco não.

Boteco simplesmente acontece.

Ele abre a porta pela manhã, alguém encosta no balcão, outro chega depois, uma cerveja aparece, alguém pergunta se fulano morreu, outro responde que não morreu coisa nenhuma, apenas mudou para Valinhos, um terceiro garante que encontrou o sujeito na semana passada e, quando você percebe, quatro homens reconstruíram quarenta anos da história municipal sem consultar uma única fonte primária.

Itatiba possui desses lugares.

E existe um deles no Centro, na Rua Coronel Camilo Pires, 441.

O endereço, pelo menos, conseguimos confirmar documentalmente: registros públicos de imóveis descrevem o nº 441 como prédio de destinação comercial e de serviços.

O resto?

Bem...

O resto pertence àquilo que existia muito antes do Google:

memória oral.

🍺 A placa diz Brahma. Eu peço Original.

Comecemos pela primeira heresia.

Na fachada existe uma enorme placa da Brahma.

Daquelas placas que não pedem licença para participar da arquitetura. Ela está lá dizendo:

BRAHMA.

O sujeito entra, olha para o balcão e pede:

— Uma Brahma?

Não.

Eu:

Me dá uma Original.

Original da Antarctica.

Porque coerência arquitetônica tem limites.

Aparentemente o boteco resolveu o problema da interoperabilidade muito antes da computação moderna:

FRONT-END....... BRAHMA
BACK-END........ BOTECO
CLIENTE......... BELLACOSA
REQUEST......... ORIGINAL ANTARCTICA
RETURN-CODE..... 00

É o verdadeiro ambiente multivendor.

Ninguém abre chamado.

Ninguém convoca reunião.

A cerveja chega gelada e seguimos o processamento.

🐷 E então aparece o verdadeiro sistema crítico: o torresmo

Porque cerveja você encontra em centenas de lugares.

Torresmo também.

Mas existe aquele torresmo que transforma um estabelecimento comercial em infraestrutura crítica municipal.

E, na minha opinião de frequentador — aqui não existe Michelin, TripAdvisor nem auditor independente —, ali mora o melhor torresmo de Itatiba.

Torresmo de boteco não precisa de apresentação.

Não vem acompanhado de manifesto gastronômico.

Ninguém explica que o porco foi “reinterpretado”.

Ninguém chama aquilo de:

Pork Belly Experience sobre cama de alguma coisa.

É torresmo.

PIC X(08).

TORRESMO.

Crocante onde precisa ser crocante, gorduroso onde Deus e o açougueiro determinaram que fosse gorduroso, acompanhado de cerveja e absolutamente incompatível com qualquer tentativa séria de alta gastronomia.

E boteco raiz tem outras coisas que desafiam a modernidade.

Salgados.

Não finger foods.

Salgados.

Coxinha, bolinho, pastel, quibe, qualquer criatura empanada cuja procedência você talvez prefira não investigar profundamente porque existe uma regra ancestral:

Se está quente, crocante e gostoso, não execute DISPLAY ORIGIN.

Aliás, a própria Prefeitura de Itatiba apresenta a gastronomia local misturando restaurantes sofisticados com comidas de boteco, torresmo, aipim à pururuca e outras tradições culinárias bastante brasileiras.

Mas boteco raiz possui uma característica adicional.

Existem coisas que não estão no cardápio.

🥃 A misteriosa pinga

Em algum lugar existe um alambique.

Provavelmente.

Quem produz?

Informação classificada.

Onde fica?

LOCATION UNKNOWN

Qual a marca?

Marca?

Você está fazendo perguntas demais.

😂

A pinga simplesmente aparece.

Alguém conhece alguém que conhece alguém.

Chega uma garrafa.

— É boa?

— Boa demais.

— De onde veio?

— De um conhecido.

Pronto.

Fim da rastreabilidade da cadeia produtiva.

O auditor ISO 9001 desmaia no balcão.

E aqui entra outra memória cultural itatibense que merece ser registrada justamente porque encontrei pouquíssima documentação digital sobre ela: a pinga com arruda no Sábado de Aleluia.

Essa é daquelas tradições que precisam ser tratadas como tradição oral enquanto não encontramos documentação histórica adequada.

No sábado entre a Sexta-feira da Paixão e o Domingo de Páscoa, há itatibenses que preservam o costume de tomar sua dose de pinga com arruda.

Por quê?

Aí começa justamente a maravilha das tradições populares.

Pergunte para cinco pessoas e talvez consiga sete explicações.

Proteção.

Saúde.

Espantar mau-olhado.

Tradição dos antigos.

“Meu pai fazia.”

“Meu avô já fazia.”

E chega um momento em que a melhor explicação talvez seja simplesmente:

porque em Itatiba se fazia assim.

Isso merece pesquisa histórica própria.

👴 O banco de dados dos velhos itatibenses

Mas a bebida é apenas o protocolo de transporte.

O verdadeiro dado está sentado nas mesas.

Ali estão figuras antigas e folclóricas da cidade.

Homens que conhecem pessoas que você nunca conheceu, lembram estabelecimentos que já não existem e conseguem localizar acontecimentos históricos através de referências absolutamente impossíveis para um historiador profissional:

— Foi quando o Toninho ainda tinha aquele Opala.

Pronto.

TIMESTAMP RESOLVIDO.

Outro corrige:

— Não era Opala. Era Caravan.

E começa uma discussão paralela de vinte minutos.

Essas pessoas formam uma espécie de banco de dados distribuído da memória municipal.

Não existe DBA.

Não existe backup.

Não existe normalização.

Existem duplicidades, inconsistências e versões conflitantes do mesmo registro.

Mas faça a consulta certa e aparece informação que jamais foi digitalizada.

Até que um belo dia...

🎓 Chegaram os universitários

Sangue novo.

Gente jovem.

Novos frequentadores.

E, aparentemente, eles gostaram do lugar.

Ótimo para o estabelecimento.

Só que aconteceu uma coisa inesperada.

Os velhos começaram a ficar desconfortáveis.

Não necessariamente porque os universitários estivessem fazendo alguma coisa.

A simples presença de uma geração diferente modificou o ambiente.

A piada que João fazia havia trinta anos de repente ganhou uma audiência desconhecida.

Aquela história meio indecente agora poderia receber outra interpretação.

A opinião politicamente jurássica do Seu Fulano talvez não sobrevivesse ao compilador social de 2026.

E surgiu o:

ALERTÔMETRO.

Antes de falar, pensar.

Antes da piada, olhar.

Antes do causo, verificar quem está ouvindo.

E quando você precisa fazer análise de impacto antes de contar uma piada no boteco, alguma coisa mudou.

🚨 Reunião extraordinária do CAB

A velharada então realizou aquilo que qualquer organização madura faria diante de uma alteração crítica de produção.

Formou uma comissão.

😂

Imagino a ata:

INCIDENT: BHRAMA-001

PROBLEMA:
Excesso de universitários no ambiente.

SINTOMAS:
- redução da espontaneidade;
- histórias sendo interrompidas;
- aumento do alertômetro;
- tiozões executando autocensura.

AÇÃO:
Solicitar intervenção do barman.

SEVERIDADE:
SEV2 — cerveja ainda sendo servida.

E coube ao barman resolver o problema.

🤝 O grande diplomata da Camilo Pires

E, segundo me contaram, o homem foi conversar com os jovens praticamente ao melhor estilo ChatGPT.

Cheio de paninhos.

😂

Nada de:

— Vocês precisam ir embora.

Muito pelo contrário.

A mensagem foi aproximadamente:

vocês são bem-vindos.

Podem vir.

Voltem.

A casa também é de vocês enquanto clientes.

Mas existe uma informação importante no README deste ambiente:

isto aqui é boteco de homem velho.

Tiozões da Sukita.

Homens formados socialmente em outro século.

Alguns sem exatamente aquilo que chamaríamos de refinamento social do século XXI.

Com opiniões antigas.

Piadas antigas.

Vocabulário antigo.

Maneiras antigas.

Não precisam concordar com eles.

Mas precisam compreender onde entraram.

E isso talvez tenha sido uma das melhores soluções possíveis.

Ninguém foi expulso.

Ninguém precisou passar por reeducação compulsória.

Os universitários continuaram universitários.

Os velhos continuaram velhos.

O barman simplesmente instalou uma:

CAMADA DE COMPATIBILIDADE.

🧠 Talvez seja isso que esteja faltando

A pequena história desse boteco diz alguma coisa maior sobre nosso tempo.

Estamos ficando muito bons em identificar diferenças.

Talvez estejamos ficando piores em conviver com elas.

Nem todo lugar precisa ser igual.

Nem todo grupo precisa falar da mesma maneira.

Nem toda geração precisa compartilhar exatamente os mesmos códigos.

O universitário pode olhar para o velho e pensar:

— Meu Deus, que ideia jurássica.

E o velho pode olhar para o universitário e pensar:

— Meu Deus, essa molecada inventa palavra para tudo.

Depois ambos podem pedir cerveja.

E comer torresmo.

Isso se chama sociedade.

Não precisamos necessariamente resolver todas as divergências antes da próxima rodada.

🐷 Porque no final existe o torresmo

Talvez seja esse o segredo.

Quando ideologias, gerações, costumes e vocabulários entram em conflito, alguém coloca um prato de torresmo na mesa.

O velho pega um.

O universitário pega outro.

Alguém pede uma cerveja.

Outro pergunta:

— Você conhece o fulano?

E começa outra história.

Enquanto isso, discretamente, na fachada continua escrito Brahma.

Eu continuo bebendo Original.

Uma misteriosa pinga continua chegando de algum alambique cuja localização provavelmente está protegida pelo sigilo profissional dos botequeiros.

E em algum Sábado de Aleluia alguém ainda coloca arruda dentro da cachaça porque aprendeu com alguém que aprendeu com alguém que aprendeu com alguém.

Talvez o Google nunca indexe isso.

Talvez nenhum historiador registre.

Talvez daqui a cinquenta anos ninguém saiba quem eram aqueles homens das fotografias penduradas na parede.

Por isso vale escrever.

Porque existem lugares que são mais do que estabelecimentos comerciais.

São arquivos vivos de uma cidade.

E, enquanto houver alguém na Rua Coronel Camilo Pires contando uma história, alguém duvidando dela, outro corrigindo a data e um prato de torresmo circulando...

o velho mainframe social de Itatiba continuará processando.

Sem cloud.

Sem IA.

Sem documentação.

E, preferencialmente,

sem mexer no JCL que está funcionando.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

🍺🧘 CERVEJAS JAPONESAS & FILOSOFIA ZEN

 
Bellacosa Mainframe aproveitando uma tarde num izakaya e bebendo sapporo

🍺🧘 CERVEJAS JAPONESAS & FILOSOFIA ZEN

Se no Ocidente a cerveja virou barulho, rótulo gritante e hype de fim de semana…
no Japão, cerveja é silêncio que refresca.

Hoje vamos falar de Zen, mas não aquele de camiseta.
O Zen do cotidiano, do gesto simples, do copo frio, da conversa curta.
E sim: cerveja japonesa entende Zen melhor do que muito guru.


☸️ O QUE É ZEN (SEM INCENSO, SEM VIAGEM)

Zen vem do Budismo Chan, importado da China e lapidado no Japão.

Tradução Bellacosa:

Zen é fazer o básico muito bem, sem frescura.

Nada de excesso.
Nada de enfeite inútil.
Nada de “olha como sou diferente”.

Se isso não lembra mainframe… você nunca viu um JCL limpo.


Cervejas japonesas sapporo, asahi, kirin, suntory


🍺 A CERVEJA JAPONESA É ZEN POR NATUREZA

As grandes cervejas japonesas (Sapporo, Asahi, Kirin, Suntory):

✔ não são doces
✔ não são exageradamente amargas
✔ não têm aromas espalhafatosos
✔ não tentam “te surpreender”

Elas apenas:

existem, cumprem seu papel e não atrapalham a refeição

Isso é Zen líquido.


🧠 PRINCÍPIOS ZEN APLICADOS À CERVEJA

🪨 1. Wabi-Sabi – Beleza na simplicidade

Wabi-Sabi valoriza o simples, o discreto, o imperfeito.

🍺 Uma Sapporo gelada não tenta ser memorável.
Ela tenta ser correta.

Assim como:

  • um batch que roda todo dia

  • um sistema que ninguém comenta porque nunca cai


🌊 2. Ma (間) – O espaço entre as coisas

No Zen, o vazio importa tanto quanto o cheio.

Na cerveja japonesa:

  • sabor leve

  • final limpo

  • espaço para a comida

  • espaço para a conversa

Não ocupa tudo.
Não grita no paladar.

🍺 É a cerveja que respeita o silêncio entre um gole e outro.


🔁 3. Repetição consciente

Zen é repetir até ficar simples.

Cervejas japonesas são feitas para:
✔ beber várias
✔ em vários dias
✔ em qualquer estação

Sem cansar.

Mainframe feelings:

“esse sistema tá aí há 20 anos e ninguém mexe”.


🍜 IZAKAYA = TEMPLO ZEN DISFARÇADO

A izakaya japonesa não é bar.
É um ritual social.

🍺 cerveja
🍢 petiscos
🗣️ conversa baixa
🧠 sem pressa

Ninguém vai para “encher a cara”.
Vai para descomprimir a mente.

Zen puro.


🎌 CERVEJAS & PERSONALIDADE ZEN

🍺 Sapporo
➡️ Zen do norte
➡️ fria, limpa, silenciosa

🍺 Asahi Super Dry
➡️ Zen urbano
➡️ seca, rápida, eficiente

🍺 Kirin Lager
➡️ Zen tradicional
➡️ maltada, clássica, conservadora

🍺 Suntory Premium Malts
➡️ Zen estético
➡️ mais aromática, mas controlada

Cada uma é um caminho (Do).


🧠 EASTER EGGS CULTURAIS

🍺 No Japão, beber em silêncio não é estranho
🍺 Espuma excessiva é vista como desleixo
🍺 O copo sempre importa
🍺 A cerveja acompanha, não lidera

👉 Diferente do Ocidente, onde a cerveja quer ser protagonista.


💬 COMENTÁRIO BELLACOSA

Cerveja japonesa me lembra mainframe porque:

  • ninguém elogia quando funciona

  • todo mundo reclama quando falta

  • existe para sustentar o sistema, não para aparecer

Zen é isso:

fazer bem, sem aplauso


🏁 CONCLUSÃO – ZEN NÃO É MODA

Cerveja japonesa não quer likes.
Quer continuidade.

É a cerveja de quem:
✔ já correu muito
✔ já viu hype morrer
✔ prefere estabilidade a barulho

🍺🧘
Beber uma Sapporo é um koan líquido:

“Se a cerveja não chama atenção… ela cumpriu sua função?”



quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

🍺 SAPPORO – A CERVEJA MÍTICA DO JAPÃO (E UM MAINFRAME LÍQUIDO)

Bellacosa Mainframe apresenta a mitica cerveja sapporo


🍺 SAPPORO – A CERVEJA MÍTICA DO JAPÃO (E UM MAINFRAME LÍQUIDO)


Se o Japão tivesse um logotipo gravado em aço, ele teria uma estrela vermelha de cinco pontas e o nome SAPPORO. Não é só cerveja. É legado, é uptime, é batch rodando há mais de um século sem falhar.

Hoje eu não vou falar só de bebida. Vou falar de história líquida, de cultura engarrafada e daquele primeiro gole que parece um IPL bem-sucedido.


⭐ ORIGEM – NASCE UM MAINFRAME EM HOKKAIDO

A Sapporo Beer nasce oficialmente em 1876, na cidade de Sapporo, ilha de Hokkaido.
O Japão estava se modernizando após a Restauração Meiji e decidiu aprender com os alemães a arte da cerveja.

👨‍🔬 Seibei Nakagawa, mestre-cervejeiro treinado na Alemanha, foi o arquiteto desse sistema.

Resultado?
Uma cerveja lager, limpa, estável, previsível (no melhor sentido), feita para rodar 24x7.


🍺 O SABOR – SEM BUG, SEM EXCESSO

Sapporo é:

  • leve

  • seca

  • refrescante

  • sem doçura exagerada

  • sem amargor agressivo

💡 É cerveja OLTP, não é batch pesado.

Perfeita para:
✔ acompanhar comida
✔ beber mais de uma
✔ não cansar o paladar
✔ conversar por horas


cerveja sapporo

🏭 O QUE VER – SAPPORO BEER MUSEUM

Se estiver no Japão, pare tudo e vá ao Sapporo Beer Museum.

Você vai ver:
🍺 equipamentos antigos
📜 rótulos históricos
🧠 a evolução da marca
🏭 como se mantém consistência por 150 anos

👉 É tipo visitar um CPD histórico, mas com degustação no final.


🍖 O QUE COMER – PAREAMENTO PERFEITO

🍖 Jingisukan (cordeiro grelhado típico de Hokkaido)
🍜 Ramen de Sapporo (miso pesado)
🍤 Tempurá
🍣 Peixes gordos

Sapporo limpa o paladar como SORT com OUTREC bem escrito.


🧠 CURIOSIDADES & EASTER EGGS

⭐ A estrela vermelha vem do símbolo do governo de Hokkaido
⭐ Sapporo é uma das cervejas japonesas mais antigas ainda ativas
⭐ Produção fora do Japão segue padrão rigoroso
⭐ No Japão, beber Sapporo no inverno é comum (frio não é argumento)

🟡 Easter egg: no Japão, Sapporo é vista como cerveja de gente séria, não modinha.


🍺 SAPPORO NOS ANIMES & CULTURA POP

Aparece discretamente em:

  • Izakayas de Shokugeki no Soma

  • Mangás slice of life

  • Dramas japoneses

  • Animes adultos (onde ninguém bebe energético colorido)

Quando aparece, significa:
➡️ vida real
➡️ pausa merecida
➡️ maturidade


🧠 COMENTÁRIO BELLACOSA

Sapporo me lembra mainframe porque:

  • não grita

  • não pisca

  • não tenta impressionar

  • funciona

Enquanto outras cervejas querem ser “craft”, “hiper lupuladas” ou “influencer friendly”, a Sapporo segue firme:

🍺 entregando consistência há quase 150 anos


🏁 CONCLUSÃO

Sapporo não é hype.
É infraestrutura.

É aquela cerveja que:
✔ acompanha conversa longa
✔ respeita o prato
✔ não briga com o paladar
✔ nunca sai de produção

Uma cerveja para quem entende que confiabilidade vence moda.

🍺 🍺 🍺 🍺 🍺 🍺 🍺 🍺 🍺 🍺 🍺 🍺 🍺

sábado, 17 de julho de 1999

Vila Germanica no Beto Carrero World

Bellacosa Mainframe e a vila germanica do beto carrero world

🍺 Uma visita a Vila Germânica

Dias de lazer no Parque Beto Carrero World — Memórias de 1999

Foi uma jornada muito divertida explorando várias cidades do litoral norte de Santa Catarina, conhecendo lugares, estradas e paisagens diferentes. Depois de tantos quilômetros e descobertas, nossa viagem acabaria culminando em um daqueles lugares que já faziam parte do imaginário de muita gente no final dos anos 1990: o Beto Carrero World.

Era 1999.

Naquele dia percorremos várias atrações do parque, entrando em diferentes cenários e aproveitando aquela sensação gostosa de não ter muita pressa. A câmera fotográfica ia conosco, registrando pequenos momentos que, décadas depois, acabariam ganhando um significado completamente diferente.

Entre essas lembranças está a Vila Germânica.



De repente, parecia que havíamos deixado Santa Catarina e entrado em uma pequena aldeia da Baviera. As construções remetiam à arquitetura tradicional alemã, enquanto algumas pessoas circulavam usando trajes típicos bávaros, completando aquela atmosfera de festa.

Mas existe um detalhe das fotografias que imediatamente chama a atenção: uma enorme carroça carregada de barris de cerveja.

🍺 Barris, carroça, roupas típicas e construções germânicas...

Quase uma pequena Oktoberfest dentro do parque.

Na época, provavelmente olhávamos tudo aquilo apenas como mais uma atração divertida. Ninguém estava pensando que aquelas fotografias um dia se transformariam em documentos de uma época.

Mais de duas décadas depois, porém, é justamente isso que elas se tornaram.

Elas preservam não somente a aparência da Vila Germânica naquele final de século, mas também nossa própria maneira de viajar naquele tempo: câmera fotográfica nas mãos, algumas fotos cuidadosamente escolhidas e nenhuma preocupação em registrar centenas de imagens para uma rede social.

Era simplesmente uma viagem.

Uma estrada.

Algumas cidades pelo litoral catarinense.

Um dia inteiro explorando o Beto Carrero World.

E uma curiosa carroça cheia de barris esperando por nós em uma pequena Baviera brasileira.

Bellacosa Mainframe — porque algumas memórias também merecem backup.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Baviera no Beto Carrero World


A Vila Germânica faz parte do complexo temático do Beto Carrero World em 1999, ela tinha esta configuração que a apresentação a seguir exibe. Prédios históricos imitando o estilo arquitectónico da Baviera, carroça de cerveja, bonecos com roupas típicas e lojas com produtos típicos.


A Oktober Fest esta aqui o ano todo, birra, cerveja, beer, cerveza venha provar as cervejas do mundo.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
GitHub LinkedIn
Inicializando conteúdo...