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sábado, 16 de agosto de 2025

A nostalgica abertura do programa Enigma.

A Nostálgica Abertura do Programa Enigma

Há lembranças que não vivem apenas na memória; elas permanecem gravadas como verdadeiros artefatos arqueológicos da infância. Para quem cresceu nos anos 1980 e cultivava uma paixão por RPG, animes, história antiga, mitologia, arqueologia e pelos incontáveis mistérios das civilizações desaparecidas, existiam alguns lugares quase sagrados em São Paulo. Um deles era o Centro Cultural São Paulo, na Vergueiro, onde era possível descobrir mundos inteiros escondidos entre livros e revistas. O outro ficava na Avenida Tiradentes, no histórico Teatro Franco Zampari, sede da TV Cultura.

Era um endereço cercado por história. Bastava descer na Estação da Luz e caminhar entre a Pinacoteca, o Museu de Arte Sacra, a FATEC e as ruas do Bom Retiro para sentir que aquela região respirava conhecimento. Mas, para cerca de trezentos jovens apaixonados por aventuras e descobertas, havia um destino ainda mais especial: todos os sábados, aquele teatro se transformava em um verdadeiro templo da curiosidade humana.

Ali, arqueólogos, estudantes, sonhadores e futuros mestres de RPG sentavam lado a lado para assistir ao programa Enigma, uma experiência que misturava documentário, investigação, ciência e imaginação. Sua inesquecível abertura prometia exatamente isso: uma viagem através do tempo, das pirâmides do Egito às cidades maias, das ruínas gregas aos segredos ainda enterrados sob a areia. Para muitos, antes mesmo de Indiana Jones chegar às locadoras ou da internet existir, foi o Enigma quem despertou a vontade de explorar o passado e mostrou que cada pedra, cada artefato e cada civilização escondiam uma história esperando para ser desvendada. Hoje, décadas depois, basta ouvir os primeiros segundos daquela abertura para que toda essa magia volte à vida.

Quem cresceu nos anos 80 do século passado e era um otaku, que gostava de rpg, anime, historia antiga, além do Centro Cultural Vergueiro, tinha uma outra casa, esta na Avenida Tiradentes, no Teatro Franco Zampari da Tv Cultura.

Perto da estaçao da Luz, Pinacoteca, Fatec, Museu de Arte Sacra no coração do Bom retiro... eita quanta volta, mas esse templo do saber abrigava 300 arqueólogos, que todos os sábados se encantavam, maravilham num programa único.



sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sobre Homens comuns e seu impacto na vida de um garoto

 

Bellacosa Mainframe e o impacto do patriarca Luigi Bellacosa

Sobre Homens comuns e seu impacto na vida de um garoto

O HERÓI ORIGINAL DA LINHAGEM BEL LACOSA (E A PERDA DO REFERENCIAL AOS 12)**
Por El Jefe – Bellacosa Mainframe Midnight

Há sempre um momento na vida em que alguém nos serve de bússola.
Quando criança, o mundo é uma constelação simples: pai, mãe, casa, ruas pequenas e a imensidão das histórias contadas na mesa de jantar. Era assim comigo até meus doze anos — quando o divórcio dos meus pais rompeu um eixo silencioso dentro de mim. Perdi o norte. Perdi a figura de referência. E, órfão daquele modelo masculino tão meu, acabei fugindo para um refúgio que muitos meninos daquela era também conheceram: os heróis de fantasia.

Livros, gibis da Abril, filmes da Sessão da Tarde, cavaleiros, samurais, bárbaros, jedis, mutantes, super-sentais e todo tipo de guerreiro improvável passaram a ocupar o espaço que antes era do meu pai.

Mas antes da fantasia, antes da ficção me adotar, existia algo infinitamente mais poderoso:

as histórias que meu pai contava do herói dele — meu bisavô Luigi.

E ali estava o mito fundador da linhagem Bellacosa.



O GIGANTE DE ATIBAIA – O PRIMEIRO “AVATAR” DA FAMÍLIA

Luigi era um gigante de quase dois metros,
olhos azuis de cortar o vento
e aquela força bruta dos napolitanos da velha guarda, que atravessaram o Atlântico sem medo e sem garantia.

Meu pai contava essas histórias com brilho nos olhos e voz cheia, como quem recita epopeia homérica na laje de casa.

E eu, garoto, achava aquilo tudo a coisa mais épica do mundo.

“Seu bisavô tinha um sítio em Atibaia…”
“Caçava no mato com a coragem de dez homens…”
“Virou jogador do Juventus nos anos 20…”
“Foi meter o nariz na política…”
“Trabalhou como adjunto de delegado…”
“Resolviiia tudo no braço, era encrenqueiro, mas justo…”

Era meu primeiro super-herói.
O Batman da Mooca.
O Conan da Quarta Parada.
O Aquiles que tomava Antártica no boteco enquanto olhava de rabo de olho o Palestra Itália — afinal, o irmão era um dos astros.

E eu ria ao imaginar aquele homem enorme, turrão, misturando português e italiano porque simplesmente se recusava a deixar que lhe proibissem sua língua durante a Segunda Guerra. A repressão policial não o dobrava — apenas o irritava.


Já que falei de irritar, isso é outra lenda de família, a bocas miúdas, quase que segredo marcial. Contavam que ele odiava homens que batesse na esposa, consta que na época de sub-delegado. As mulheres iam à delegacia dar queixa de violência domestica. Na madrugada, ele pegava a viatura, como um bom capo chamava uns dois ou três auxiliares, tutti buona genti. Dirigia até a casa do dito cujo, enfiava na viatura, levava num campinho de futebol, la para os lados dos baldios de Sapopemba, dava um belo enxerto de porrada e mandava o individuo tomar jeito, senão aconteceria novamente. Segundo a lenda, muitos que passaram por esse corretivo tomaram jeito na vida, afinal saco na cabeça e porrada no ermo na época eram bons corretivos. 

Era fácil, muito fácil, para um menino de oito, nove, dez anos, olhar para tudo isso e pensar:
“um dia quero ser como esse herói que meu pai tanto admira.”



A MO(O)CA E SUAS FRONTEIRAS MÍTICAS

As histórias sempre tinham um cenário forte:
a Mooca.
A zona italiana.
Aquele caldeirão de imigrantes onde o sotaque vale mais que RG.

Meu pai descrevia a Mooca antiga com quase a mesma reverência que falava do Luigi:

— espanhol cruzava a rua errada, dava briga;
— polonês pisava na zona dos italianos, confusão;
— português cochichava alto demais, pronto, já tinha discussão.

E dentro desse tabuleiro humano, Luigi reinava.
O “carcamano encrenqueiro”, como alguns chamavam — uns amavam, outros odiavam, mas todos respeitavam.

Porque havia homens que eram rocha.
Luigi era um monolito.

E ali estavam as raízes da família Bellacosa fincadas no cimento quente da Mooca.



O DIA EM QUE PERDI O NORTE

Mas então veio o divórcio.
E o menino que queria ser Luigi ficou sem mapa, sem bússola e sem narrativa.

É curioso como o ser humano sempre precisa de um modelo para sobrepor, igualar ou contrariar.
Quando o meu sumiu, entrei no mundo dos heróis de fantasia para tentar preencher aquele vácuo.

E talvez por isso eu tenha enxergado tanto encanto nos personagens que lutam contra o destino, que erram, que quebram, que se levantam, que treinam com espadas imaginárias ou enfrentam monstros mitológicos — porque de alguma forma eles eram ecos do Luigi que meu pai contava.


O HERÓI É A HISTÓRIA QUE SOBREVIVE

Hoje, adulto, percebo uma coisa linda:

Eu não conheci o Luigi pessoalmente no auge.
Mas conheci o olhar do meu pai ao falar dele.
E isso, meu amigo, vale mais que qualquer fotografia antiga.

É nas histórias que sobrevivemos.
É nas memórias que encontramos a bússola perdida.
E é no passado — o nosso passado — que os heróis continuam vivos, gigantes e risonhos, prontos para mais uma briga na Mooca.

A linhagem Bellacosa não nasceu grande — nasceu épica.
E continua assim cada vez que alguém conta, reconta e reaviva esses capítulos.



quarta-feira, 6 de julho de 2011

📜 Memórias Sem Índice, Sem Catálogo, Sem Timeline — Volume “O Limbo 70–80”

 

Bellacosa Mainframe e o nostalgico caldo de cana no sitio a luz do luar e dos lampioes a querosene

📜 Memórias Sem Índice, Sem Catálogo, Sem Timeline — Volume “O Limbo 70–80”

Ao estilo Bellacosa Mainframe, com fragmentos soltos como cartões perfurados lançados ao vento.


Há um período nas minhas memórias que não respeita calendário, lógica, cronologia ou bom senso.
É o limbo 1970–1980 — um buffer de lembranças onde tudo se mistura:

  • São Paulo,

  • interior,

  • avós,

  • primos,

  • mudanças,

  • calor,

  • poeira,

  • brincadeiras,

  • e o eterno improviso da família Bellacosa.

Esse capítulo é sobre Ibitinga — a terra dos bordados, da brasilite fervendo e das tanajuras crocantes.


Bellacosa Mainframe um sitio sem luz longe de tudo

🌞 Ibitinga — O Caldeirão de Asfalto e Telha Brasilit

Meu pai, na eterna missão de “agora vai”, resolveu negociar os famosos bordados de Ibitinga.
E isso, claro, gerou mais uma migração.

Da casa lembro de três coisas:

  • um calor monstruoso, daqueles que fazem miragem na sala;

  • o barulho metálico da telha brasilite dilatando no sol;

  • e a liberdade absoluta: brincar na rua até tarde, correr, subir em coisas, cair de outras.

Foi lá também que provei um prato típico, obra da fauna local e da curiosidade infantil:
tanajuras assadas.

Crocantes. Amanteigadas.
Uma explosão de proteínas.
O primeiro snack gourmet de sobrevivência.


Bellacosa Mainframe e as miticas viagens do fuscquinha vermelho

🪔 A Noite do Lampião e o Fusca de Farol Aceso

Mas a grande lembrança, a história digna de um Bellacosa Midnight Files, foi a visita a um sítio nos confins do município.

Sem energia elétrica.
Lampião de querosene.
Galinheiros.
Cavalo arisco.
E o som eterno do mato — cri cri cri.

Meu pai fez amizade com os sitiantes, e fomos passar o dia lá.
À noite, moeram cana para fazer guarapa: o caldo de cana raiz, aquele que pinga direto do engenhoca de madeira.

Tudo ia bem… até meu pai cometer um clássico:

deixar o farol do Fusca aceso.

Sim.

Fusca 1960 e alguma coisa, bravíssimo, mas com uma bateria do tempo de D. Pedro I.
Depois de horas iluminando o nada do mato:

puff — bateria morta.
Carro não pega.
Nem com reza forte.


Bellacosa Mainframe na estrada na carroça em busca de uma bateria

🐎 A Jornada Noturna de Charrete

E aí começou o episódio épico.

— “Vamos pegar uma bateria emprestada no outro sítio.”

Montaram a charrete.
Lá fomos nós, com um cavalo que claramente não assinou contrato para aquele turno extra.

No caminho, tudo escuro.
Mato fechando.
Cheiro de bicho.
E nós, balançando na charrete como se fôssemos figurantes de filme de cangaço.

Resultado?

Ninguém tinha bateria.
Voltamos frustrados.
Dormimos no sítio.

Dormir improvisado no interior é assim:
um colchão antigo, cheiro de madeira, barulho de grilos e a lanterna tremulando no lampião.


Bellacosa Mainframe e a cobra na laranjeira e o olhar do matuto

🍊 O Exterminador do Pomar

No dia seguinte, eu perambulava pelo sítio quando o amigo do meu pai fez um gesto de silêncio:

— “Vem cá… sem barulho…”

Ele aponta para um pé de laranja.
Vai chegando devagar, devagarinho…

De repente, num movimento digno do Circo Garcia:

Pega uma cobra pelo rabo.
Rodopia.
PA-BUM!

O reptil não teve chance alguma.
Foi o shutdown definitivo.

Eu, criança, assisti tudo com:

  • 40% choque

  • 30% fascínio

  • 20% medo

  • 10% pensando: “ainda vou escrever isso no futuro.”


Bellacosa Mainframe e o incrivel banquete das berinjelas

🍆 As Berinjelas…

Mas essas ficam para o próximo bloco de memória, porque história boa tem que vir em clusters, não em full load.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988