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domingo, 10 de julho de 2016

Uma festa para relembrar por muitos anos

Estamos reunidos para comemorar os 84 anos da Vovo Anna


Na hora de cortar o bolo todos estão lutando para ganhar a famosa primeira fatia. Estamos na Avenida Imperador reunidos numa casa que já foi palco de inúmeras festas e sempre presente na memoria dos presentes.



Quantas memorias boas, quantas coisas legais e hoje estamos aqui para prestigiar a Vo Anna, que muito carinhosa fez a alegria dos netos.

Boleira por profissão desta vez recebeu de presente o bolo da nova integrante da família: Juju... os primos fizeram a maior bagunça roubando os docinhos, fazendo bagunça e animando a vovó.

Marginal Tiete passando em frente a Rodoviária do Tiete

Viagens pelas estradas de São Paulo.


Saímos de Itatiba e agora estamos chegamos em São Paulo, carinhosamente conhecida como Sampa. Uma gigantesca floresta de pedra, concreto e vidro. Altos arranhaceus, cimento e cimento. Quilómetros de construções até se perder a vista.



Andamos pela marginal Tiete, acompanhando um rio que foi a gloria e o motivo de toda a riqueza desta cidade, mas infelizmente hoje é apenas um grande e malcheiroso esgoto.

Triste ver como uma cidade maltrata um rio fantástico com toneladas de detritos e milhares de litros de esgoto.

Percorrendo a marginal passamos pelo antigo Playcenter, Anhembi, Universidade Santana, Rodoviária Tiete e Canindé.

Marginal Tiete de Domingo

Domingo marginal Tiete livre


A marginal esta toda livre, mas com os malditos limites de velocidade estamos quase parando com a pista livre.



Estamos indo para a Ponte Rasa, que viagem longa atravessamos meia cidade seguindo do extremo oeste para o extremo leste.

Vendo as margens do Rio Tiete , que triste cena, outrora um lugar tão belo e formoso, hoje um esgoto a céu aberto fedido e poluído. Estamos ha mais de 20 anos tentando limpar o rio e infelizmente o mesmo não mudou nada. Que pena nosso pais não é serio, tanto dinheiro desviado e tão pouco realizado.


sábado, 9 de julho de 2016

A bagunça do formiga vendo os peixes frescos

Bellacosa Mainframe no mercado municipal de campinas entre peixes e caranguejos na velha estação ferroviaria

Um Café no Bellacosa Mainframe

🐟 A Bagunça do Formiga Vendo os Peixes — Uma Viagem Dentro da Viagem

O Formiga enxergava peixes, caranguejos e uma enorme brincadeira. Eu enxergava também uma antiga estação, mercadorias chegando, homens trabalhando, carroças, trilhos desaparecidos e mais de um século de Campinas continuando silenciosamente ao nosso redor.

Existem centenas de pequenas aventuras com o Formiga espalhadas por este blog.

Algumas parecem importantes no momento em que acontecem. Outras parecem apenas fragmentos do cotidiano: um passeio, uma brincadeira, uma tarde qualquer, alguns minutos de vídeo.

Só muitos anos depois percebemos que aquelas pequenas gravações eram backups.

Backups de pessoas.

Backups de lugares.

Backups de uma época.

Este pequeno vídeo de julho de 2016 é um deles.

Naquele dia fomos passear pelo Mercado Municipal de Campinas. Para quem está com pressa, o Mercadão é simplesmente um lugar para comprar alguma coisa.

Para nós, não.

Nós estávamos explorando.

E explorar um mercado com uma criança é uma experiência completamente diferente.

🐜 Para o Formiga, cada banca podia esconder uma aventura.


🐟 Um oceano no meio de Campinas

Chegamos às bancas de pescado.

Peixes inteiros repousavam sobre o gelo. Havia espécies diferentes, tamanhos diferentes, formatos estranhos para os olhos de uma criança acostumada a encontrar peixe já transformado em comida.

E havia os caranguejos.

Vivos.

Aquilo imediatamente chamou a atenção do pequeno explorador.

Para um adulto passando rapidamente pela banca, eram produtos.

Para o comerciante, eram mercadoria.

Para alguém pensando no almoço, talvez já fossem mentalmente uma receita.

Para o Formiga...

eram bichos.

E isso muda completamente a perspectiva.

Quando surgiu a explicação de que aqueles caranguejos seriam preparados e comidos, incluindo suas pernas, o pequeno não pareceu particularmente satisfeito com a humanidade.

😂

Talvez naquele instante ele tenha concluído que os adultos eram criaturas bastante suspeitas.

Mas aquela brincadeira diante da peixaria escondia uma aula gigantesca.

O peixe estava contando uma história.

O caranguejo estava contando outra.

E o próprio prédio contava uma terceira.


🚂 Espere... este mercado já viu trens

É aqui que nosso passeio começa a fazer uma viagem dentro da viagem.

Porque aquele edifício não apareceu simplesmente no centro de Campinas para abrigar bancas de alimentos.

A história daquele espaço está profundamente ligada à Campinas ferroviária.

O Mercado Municipal foi inaugurado no início do século XX, em um edifício associado à história da antiga Estrada de Ferro Funilense e projetado por Francisco de Paula Ramos de Azevedo.

Sim.

Ramos de Azevedo.

O mesmo universo arquitetônico de uma São Paulo e de uma Campinas que cresciam rapidamente impulsionadas pelo café, pelo comércio, pela indústria e pelas ferrovias.

Onde o Formiga enxergava uma banca de peixes, eu podia imaginar outra paisagem.

Trilhos.

Vagões.

Carroças.

Homens carregando mercadorias.

Produtos agrícolas chegando das propriedades.

Volumes sendo descarregados.

Gente embarcando.

Gente desembarcando.

O apito de uma locomotiva.

E uma ferrovia seguindo em direção ao interior.

O mundo que existia ali antes de nós.



🚂 Quando os trilhos eram a internet das mercadorias

Para explicar isso ao Formiga seria necessário começar pelo princípio.

Hoje apertamos alguns botões e uma mercadoria atravessa o país.

Naquela época, a logística tinha rodas de ferro.

Imagine um agricultor produzindo longe do centro urbano.

Sua produção precisava chegar ao consumidor.

Primeiro poderia existir uma carroça.

Depois uma estação.

Então o trem.

O produto entrava numa rede.

Quem trabalha com computadores talvez já tenha percebido onde quero chegar.

😁

A ferrovia era uma espécie de backbone físico da economia.

As pequenas estradas e carroças funcionavam como redes de acesso.

As estações eram nós.

Os entroncamentos eram grandes roteadores.

Os armazéns funcionavam como buffers.

Os horários dos trens eram nossos schedulers.

E os vagões transportavam os pacotes.

Só que os pacotes podiam ser café, frutas, verduras, animais, ferramentas, correspondência e pessoas.

Nenhum TCP/IP.

Muito vapor, carvão, suor e graxa.

🥬 A ferrovia desapareceu. A função sobreviveu.

E talvez esta seja a parte mais bonita dessa história.

Os trens desapareceram daquele lugar.

Os trilhos foram embora.

As locomotivas deixaram de apitar.

Mas observe o que continua acontecendo dentro do velho edifício.

Alimentos chegam.

Alimentos são organizados.

Alimentos são comercializados.

Pessoas chegam para buscá-los.

E alimentos partem novamente para abastecer famílias.

O modal mudou.

A escala mudou.

A tecnologia mudou.

Mas alguma coisa da antiga missão permaneceu viva.

Aquilo continua sendo um ponto de convergência.

Uma espécie de hub.

Só que agora os vagões foram substituídos por caminhões, utilitários, automóveis, motocicletas e sacolas carregadas por pessoas.

O mainframe continua funcionando.

Trocaram apenas alguns periféricos.

😁

🦀 E o caranguejo veio de muito longe

Enquanto penso em ferrovias desaparecidas, o Formiga continua interessado no caranguejo.

E aquele pequeno animal oferece outra aula.

Como ele chegou até Campinas?

Não apareceu magicamente dentro daquela banca.

Existe uma cadeia antes daquele balcão.

Mangue.

Captura.

Seleção.

Acondicionamento.

Transporte.

Distribuição.

Comerciante.

Mercado.

Consumidor.

Há trabalhadores invisíveis em cada etapa.

Da mesma maneira, aquele peixe vindo do litoral percorreu centenas de quilômetros até terminar sobre uma camada de gelo diante de um menino curioso no interior paulista.

O Formiga não precisava conhecer naquele momento palavras como cadeia logística, perecibilidade, distribuição, cadeia de frio ou abastecimento urbano.

Ele precisava apenas perguntar:

— Vaguinho, que peixe é esse?

E brincar.

O conhecimento viria depois.

Primeiro vem a curiosidade.

🏪 As pequenas lojas são parte da máquina

Outra coisa fascinante no Mercadão são suas pequenas lojas.

Quitandas.

Boxes.

Empórios.

Peixarias.

Temperos.

Grãos.

Carnes.

Doces.

Produtos que talvez você nem estivesse procurando até passar diante deles.

Cada comerciante ocupa alguns metros quadrados.

Mas todos juntos formam um organismo.

Pessoas entram e saem continuamente.

Uma senhora conhece exatamente a banca onde compra determinado produto.

O comerciante reconhece clientes antigos.

Alguém pergunta o preço.

Outro escolhe uma fruta.

Outro está pensando no almoço de domingo.

Alguém carrega sacolas.

Outro corre porque estacionou onde não deveria.

😂

E no meio dessa multidão apressada estavam dois indivíduos completamente improdutivos.

Eu e o Formiga.

Enquanto todos estavam tentando comprar alguma coisa...

nós estávamos tentando descobrir coisas.

🐜 A vantagem de explorar com uma criança

Crianças possuem uma característica maravilhosa que muitos adultos perdem.

Elas não respeitam nossa classificação de importância.

Uma placa histórica pode ser ignorada.

Um caranguejo mexendo uma perninha pode se tornar o acontecimento mais importante do universo.

E talvez elas estejam certas.

Porque enquanto nós procuramos grandes monumentos, elas encontram pequenas histórias.

Foi assim em centenas de aventuras com o Formiga.

Parques.

Trens.

Mercados.

Circos.

Quermesses.

Animais.

Comidas.

Pequenas caminhadas.

Coisas aparentemente banais.

Nunca precisei transformar cada passeio numa aula formal.

Não havia PowerPoint.

Não havia prova.

Não havia certificado.

Não havia badge.

Havia curiosidade.

💾 O vídeo era um backup e eu não sabia

Em julho de 2016 publiquei aquele pequeno vídeo praticamente como uma brincadeira.

"A bagunça do Formiga vendo os peixes frescos."

Era isso.

Dez anos depois, percebo que havia muito mais informação armazenada naquele arquivo.

Ali está o Formiga pequeno.

Ali está sua voz.

Sua reação.

Nossa conversa.

A banca.

Os peixes.

Os caranguejos.

O Mercado Municipal.

Campinas naquele momento.

E, invisíveis atrás das paredes, mais de cem anos de outras pessoas que passaram por aquele mesmo espaço.

Talvez essa seja uma das razões pelas quais gosto tanto desses pequenos registros.

Um vídeo aparentemente sem importância pode tornar-se uma máquina do tempo.

🥚 Easter egg — procure os trilhos que não aparecem

Existe um easter egg gigantesco naquele vídeo.

Você pode assistir várias vezes e nunca vê-lo.

São os trilhos.

Eles não aparecem.

Mas estão lá.

Não fisicamente.

Historicamente.

Enquanto o Formiga olha os peixes, imagine por alguns segundos outra Campinas.

Retire mentalmente os carros.

Retire as motocicletas.

Retire os celulares.

Retire algumas construções modernas.

Agora coloque carroças.

Homens carregando caixas.

Mercadorias agrícolas.

Passageiros.

Funcionários ferroviários.

E ao fundo...

uma locomotiva.

Talvez seja essa uma das grandes maravilhas de conhecer a história de um lugar.

Depois que aprendemos a enxergar o passado, algumas coisas desaparecidas tornam-se impossíveis de deixar de ver.

☕ Uma viagem dentro da viagem

Naquele dia fomos ao Mercado Municipal.

Mas também fomos ao litoral através dos peixes.

Fomos aos manguezais através dos caranguejos.

Voltamos ao início do século XX através do edifício.

Viajamos pela antiga ferrovia sem embarcar em nenhum trem.

Conhecemos trabalhadores que nunca vimos através dos produtos que chegaram às bancas.

E tudo isso aconteceu enquanto um pequeno Formiga fazia bagunça diante de alguns peixes.

Talvez ele não tivesse ideia da cadeia logística.

Talvez não soubesse quem foi Ramos de Azevedo.

Talvez não soubesse que trens estiveram ligados à história daquele lugar.

E não precisava saber.

Naquele momento bastava uma coisa.

Estar curioso.

Eu podia fornecer o resto.

Essa talvez seja a melhor definição das centenas de pequenas aventuras que tivemos juntos:

eu mostrava lugares ao Formiga — e o Formiga fazia com que eu voltasse a olhar para esses lugares como se também estivesse vendo tudo pela primeira vez.

🐜🐟🚂☕

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O formiguinha se assustou com os caranguejos...


Em nossa voltinha pelo mercado municipal de Campinas, o formiguinha esta encantado com os peixes e se assustou com os caranguejos.



Estamos fazendo a maior bagunça vendo os peixes e comentando os diversos tipos de peixe que tem nesta banca... peixe fresco e suculento para um delicioso almoço de final de semana.

Eca... o formiga nao curtiu nada a ideia de comer caranguejos, detestou imaginar que se arranca as perninhas e come o bicho.

Carrinhos do Formiguinha

Tarde de sábado e sem Internet estamos livres para brincar de carrinhos.


Abrimos a caixa de brinquedo e pegamos alguns dos carrinhos do formiguinha, agora estamos brincando pela sala, deixando a mãe dele maluca com tanta bagunça.



E aquela zoeira, barulhos de acereleraçao, carrinhos caindo do sofá, rampas improvisadas são construídas com almoçadas, braços de poltronas são rampas para o infinito e alem, quem nunca brincou de corrida no tapete da sala que saia do video.

Usar a imaginação é tão bom, olhar o mundo com olhos de criança e brincar despreocupado com os carrinhos no tapete da sala.

Pagodão no mercado municipal de Campinas

Bellacosa Mainframe e o pagodão no mercadão de campinas

Um Café no Bellacosa Mainframe

🥁 O Pagodão no Mercadão — Quando uma Viagem Perdida Virou Aventura

Eu só precisava passar numa escola. O problema é que era feriado. Algumas das melhores aventuras começam justamente quando o plano original dá errado.

Voltamos a 9 de julho de 2016.

Naquele dia eu estava com a Ana Paula quando me lembrei de uma pequena missão que precisava cumprir no centro de Campinas.

Eu estava pensando em fazer um curso básico de mecânica de motocicletas e queria passar em uma escola para conhecer o lugar, pegar informações e entender melhor como funcionava o curso.

Nada extraordinário.

Era apenas uma dessas pequenas tarefas que colocamos no meio do dia.

Então fomos até lá.

Cheguei diante da escola e...

Fechado.

Olhei para o lugar, provavelmente tentando entender o que havia acontecido, até que finalmente caiu a ficha.

Era 9 de julho.

Feriado no Estado de São Paulo.

Eu simplesmente havia esquecido.

Missão fracassada.

Viagem perdida.

Ou talvez não.

🏍️ O curso de mecânica que nunca aconteceu naquele dia

Essa é uma das coisas curiosas da vida.

Você sai de casa imaginando que o objetivo do dia será uma coisa e algumas horas depois percebe que aquela era apenas a desculpa utilizada pelo universo para colocá-lo em outro lugar.

Já estávamos em Campinas.

Já havíamos gasto tempo e combustível.

Voltar simplesmente para casa parecia um desperdício ainda maior.

Foi quando me lembrei:

O Formiga estava por perto.

E quando existe um Formiga disponível nas proximidades, existe sempre a possibilidade de iniciar uma missão secundária.

Passei na casa da Juliana e fiz aquilo que poderíamos chamar tecnicamente de:

empréstimo temporário de criança para fins recreativos.

Peguei o pequenino “emprestado”.

😂

E lá fomos nós.

Sem reservas.

Sem roteiro turístico.

Sem horário.

Sem objetivo.

Apenas uma palavra definia perfeitamente o planejamento:

Zanzar.



🧭 Destino: lugar nenhum

Decidimos seguir para o Mercado Municipal de Campinas.

Eu gosto desse tipo de passeio.

Não é necessário existir uma grande atração esperando no final.

O próprio ato de caminhar, observar vitrines, entrar em corredores, descobrir lojas, olhar pessoas e encontrar pequenas coisas diferentes já faz parte da diversão.

Com criança isso fica ainda melhor.

Porque aquilo que para um adulto é apenas um mercado pode se transformar em um pequeno universo.

Temperos.

Frutas.

Carnes.

Doces.

Peixes.

Cheiros.

Barulhos.

Gente passando.

Comerciantes gritando.

Sacolas.

Conversas.

Um mercado municipal é quase um organismo vivo.

E naquele dia ele estava especialmente vivo.

🥁 Tem alguma coisa acontecendo ali...

Enquanto caminhávamos pelos corredores percebemos uma movimentação diferente.

Barulho.

Música.

Gente reunida.

Alguma coisa estava acontecendo.

Fomos chegando mais perto.

E então veio a surpresa.

Um dos açougues havia contratado músicos.

E estava rolando simplesmente...



O MAIOR PAGODÃO DENTRO DO MERCADÃO.

😂

No meio dos corredores.

Entre comerciantes, clientes, balcões e pessoas que provavelmente tinham ido até ali simplesmente comprar alguma coisa.

Música ao vivo.

Pagode.

Samba.

Gente reunida.

Uma verdadeira bagunça organizada.

Evidentemente fomos investigar.

👦 Formiga encontra o pagodão

O Formiga ficou imediatamente interessado naquela confusão.

Nos aproximamos da multidão e ficamos ali durante algum tempo simplesmente curtindo.

Não precisávamos fazer mais nada.

Não havia ingresso.

Não havia planejamento.

Não havíamos pesquisado na internet.

Nem sequer sabíamos que aquilo estaria acontecendo.

Estávamos apenas no lugar certo, na hora certa.

E talvez justamente por isso tenha sido tão divertido.

Para mim era uma surpresa.

Para o Formiga aquilo representava algo ainda melhor.

Era uma quebra completa da rotina.

Casa.

Escola.

Horários.

Compromissos.

As estruturas normais da vida de uma criança desapareciam por algumas horas.

Naquele momento ele estava no meio do Mercado Municipal de Campinas, cercado de gente, ouvindo um pagodão ao vivo ao lado de seu companheiro de aventuras.

O seu...

parça doido Vaguinho.

😂

🤝 O parça doido

Pensando hoje, talvez essa fosse uma das coisas que tornavam nossas pequenas aventuras tão divertidas para ele.

Eu não precisava necessariamente levá-lo para parques caríssimos ou organizar grandes viagens.

Às vezes bastava aparecer.

— Vamos comigo?

E pronto.

Alguma coisa aconteceria.

Talvez um parque.

Talvez uma estação ferroviária.

Talvez uma caminhada.

Talvez um mercado.

Talvez absolutamente nada.

Mas existia sempre a possibilidade de alguma coisa diferente aparecer no caminho.

Naquele sábado apareceu um pagode.

Dentro de um açougue.

No meio de um mercado.

Como explicar antecipadamente uma coisa dessas?

Não explica.

É preciso estar lá.

❤️ A viagem perdida que não foi perdida

Olhando tantos anos depois, percebo uma ironia maravilhosa naquele dia.

Eu havia começado a aventura pensando:

“Perdi a viagem.”

A escola estava fechada.

O curso de mecânica teria que esperar.

O objetivo original havia fracassado completamente.

Mas se a escola estivesse aberta, provavelmente teríamos entrado, pedido informações e seguido normalmente com o restante do dia.

Não existiria esta história.

Não existiria o passeio improvisado.

Talvez não existisse o vídeo.

E eu provavelmente não estaria, tantos anos depois, lembrando daquele pequeno Formiga olhando divertido para uma roda de pagode dentro do Mercado Municipal.

O erro criou a oportunidade.

O feriado esquecido abriu uma porta que eu nem sabia que existia.

☕ Epílogo — Algumas memórias não precisam de grandes acontecimentos

Talvez seja exatamente por isso que gosto de guardar esses pequenos vídeos.

Quando foram gravados, pareciam registros banais.

Alguns minutos de câmera.

Um mercado.

Um pagode.

Uma criança.

Nada que fosse mudar a história da humanidade.

Dez anos depois, porém, o vídeo guarda coisas que nenhuma câmera estava tentando registrar.

Guarda uma época.

Guarda pessoas.

Guarda relações.

Guarda aquele Formiga pequenininho.

Guarda o barulho do mercado.

Guarda um Vaguinho alguns anos mais jovem.

E principalmente guarda a lembrança de uma época em que bastava pegar o pequeno “emprestado” e dizer:

— Bora zanzar?

O resto nós descobríamos pelo caminho.

Naquele 9 de julho de 2016 descobrimos um pagodão.

E pensar que tudo começou porque eu simplesmente...

esqueci que era feriado.

Bellacosa Mainframe

Algumas das melhores rotas da vida começam com um erro de planejamento.

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no açougue do Mercadão.


Tinha ido ate a escola de mecânica, porem por esquecimento afinal hoje era feriado (09 de Julho), então sem aula e já na rua.



Aproveito para buscar o Formiga e vamos explorar o Mercadão Municipal de Campinas, que sábado esta lotado, todas as lojas apinhadas.

Explorando os corredores damos de cara com algo bacana, um grupo de pagode, tocando samba de roda em um dos corredores, o publico vai e vem, mas ao mesmo tempo para um bocadinho para assistir a performance.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Normalization of Deviance: Doctor Who, COBOL e o Dia em que a Gambiarra Funcionou Tantas Vezes que Virou Procedimento Oficial

  

Bellacosa Mainframe e a normalization of devianc

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Normalization of Deviance: Doctor Who, COBOL e o Dia em que a Gambiarra Funcionou Tantas Vezes que Virou Procedimento Oficial

Uma viagem pela TARDIS dos incidentes para entender como pequenos desvios, exceções, atalhos e riscos podem ser repetidos sem consequências imediatas até deixarem de parecer perigosos — e como sistemas críticos podem caminhar lentamente para o desastre enquanto todo mundo continua dizendo que “sempre fizemos assim”

23:41.

Sala de operações.

Nenhum incidente.

Nenhuma War Room.

Nenhum gerente correndo.

Nenhum Dalek.

Ainda.

Nosso jovem programador COBOL está acompanhando:

um fechamento noturno.

O batch deveria executar:

STEP10
STEP20
STEP30
STEP40

Mas:

STEP30 costuma travar.

O operador experiente explica:

— Quando chegar no STEP30, cancela e restart no STEP40.

Nosso jovem:

— Mas o procedimento diz para investigar antes do restart.

— Eu sei.

— Então por que pulamos?

— Porque funciona.

— Sempre?

— Faz uns dois anos.

Ah.

Essa é uma frase:

interessante.

“Faz uns dois anos.”

Nosso jovem olha:

para o runbook.

IF STEP30 FAILS:
1. COLLECT DUMP
2. VALIDATE DATASET
3. CONTACT APPLICATION SUPPORT
4. AUTHORIZE RESTART

Depois olha para:

o processo real.

STEP30 FAILS
↓
OPERATOR: "DE NOVO"
↓
CANCEL
↓
RESTART STEP40
↓
JOB ENDS CC=0000

Ele pergunta:

— E por que ninguém corrigiu o STEP30?

Operador:

— Porque ele nunca causou problema.

Nosso jovem:

— Mas ele falha toda semana.

— Sim.

— Isso não é um problema?

— Não mais.

Silêncio.

Essa frase:

é ainda melhor.

“Não mais.”

VWORP.

VWORP.

VWORP.

A TARDIS aparece ao lado do console.

A porta abre.

O Doctor sai.

Olha para o runbook.

Depois olha para o procedimento real.

— Qual deles é o correto?

Operador:

— Oficialmente?

— Ah. Já gostei do começo da resposta.

— Oficialmente é esse.

Aponta para:

o runbook.

Doctor:

— E na prática?

Aponta:

para cancel/restart.

Operador:

— Esse.

Doctor:

— Há quanto tempo?

— Dois anos.

— Algum incidente?

— Não.

Doctor pensa.

— Então vocês concluíram que é seguro?

— Claro.

— Porque nada ruim aconteceu?

— Exato.

Doctor sorri.

— Esse é um dos mecanismos mais perigosos já inventados pela humanidade.

Gerente entra:

— Qual?

Doctor aponta:

para a gambiarra.

“Uma coisa errada que continua funcionando.”

Bem-vindo à:



Normalization of Deviance

ou:

Normalização do Desvio.

Em linguagem Bellacosa:

é quando um comportamento que inicialmente sabemos estar fora do padrão é repetido tantas vezes sem consequência aparente que deixa de parecer um desvio e passa a ser tratado como operação normal.


🧠 Primeiro: o que significa “deviance”?

Aqui:

não significa:

crime.

Nem:

desvio moral.

Significa:

desvio de uma regra, limite, procedimento ou condição considerada segura.

Exemplos:

rodar mudança sem rollback testado;

ignorar warning conhecido;

usar credencial compartilhada;

pular uma validação;

executar manualmente um processo que deveria ser automatizado;

operar equipamento acima do limite recomendado;

deixar teste quebrado porque “sempre foi flaky”;

não abrir P1 porque “normalmente volta”;

fazer restart semanal em vez de corrigir memory leak.

No começo:

todos sabem:

“isso não é o ideal.”

Depois:

“é exceção.”

Depois:

“sempre fazemos.”

Depois:

“qual o problema?”

Aí chegamos.


☕ Definição Bellacosa

Normalização do Desvio é quando a exceção fica tanto tempo em produção que ganha crachá, ramal e vaga no estacionamento.


💻 COBOL cognitivo

No início:

       IF PROCEDURE-DEVIATION = 'Y'
           DISPLAY 'WARNING'
           PERFORM ESCALATE
       END-IF.

Depois de dez execuções bem-sucedidas:

       IF PROCEDURE-DEVIATION = 'Y'
           CONTINUE
       END-IF.

Depois de cem:

       IF PROCEDURE-DEVIATION = 'N'
           DISPLAY 'WHY ARE YOU DOING IT DIFFERENTLY?'
       END-IF.

Pronto.

A anomalia:

virou baseline.


🧠 Por que isso acontece?

Porque o cérebro aprende:

pela experiência.

Se fazemos algo arriscado:

e nada acontece,

a evidência subjetiva parece dizer:

“talvez não seja tão arriscado.”

Depois repetimos.

Nada acontece.

Confiança aumenta.


🧠 Resultado bom alimenta percepção de segurança

Aqui entra:

Outcome Bias.

Decisão arriscada:

terminou bem.

Logo:

“decisão era boa.”

Repete.

Novamente:

bem.

Agora:

a própria repetição vira:

evidência.


☕ O sistema está ensinando a lição errada

Ele diz:

“Você fez fora da regra e sobreviveu.”

Humano conclui:

“Então a regra era exagerada.”

Talvez.

Ou talvez:

o risco simplesmente não tenha se materializado ainda.


👻 Easter Egg nº 1 — Dalek Compliance

Dalek:

— SAFETY PROCEDURE REQUIRES THREE CHECKS.

Operator:

— Podemos pular uma?

Dalek:

— NO.

Primeira vez:

pulam.

Nada acontece.

Segunda:

também.

Décima:

também.

Um ano depois:

novo operador pergunta:

— Por que só fazemos duas verificações?

Dalek:

— BECAUSE THREE IS UNNECESSARY.

Doctor:

— Quem decidiu?

Dalek:

— EXPERIENCE.

Doctor:

— Quantos testes provaram isso?

Dalek:

— ZERO FAILURES.

Doctor:

— Isso não é exatamente o mesmo que zero risco.

Dalek:

— EXTERMINATE STATISTICS.


🧠 O caso histórico mais famoso

O conceito de Normalization of Deviance ficou associado principalmente ao trabalho da socióloga Diane Vaughan sobre o desastre do ônibus espacial Challenger.

A ideia central não era:

“as pessoas simplesmente ignoraram risco”.

Era muito mais interessante.

Certos sinais anormais foram:

observados;

discutidos;

aceitos;

reinterpretados.

Como missões anteriores haviam ocorrido sem desastre, aquilo que inicialmente parecia:

desvio

acabou sendo incorporado:

à normalidade operacional.

Essa é a parte importante.

Não foi:

um dia alguém acordou e decidiu:

“Vamos trabalhar de forma insegura.”

Foi gradual.


☕ Grandes acidentes muitas vezes têm:

uma longa pré-história

de pequenas exceções bem-sucedidas.


🧠 O sucesso é um péssimo professor quando não analisamos margem

Imagine:

sistema suporta:

100 unidades.

Você roda:

Funciona.

Então:

Funciona.

Funciona.

Agora:

110 virou:

normal.

Mas talvez:

limite real dependa de:

temperatura;

carga;

timing;

outro componente.

Você está:

consumindo margem.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 1

“O fato de termos sobrevivido ao desvio prova que ele era seguro — ou apenas que ainda existia margem suficiente?”


🧠 Margem é tudo

Uma organização costuma observar:

falha / não falha.

Mas segurança muitas vezes depende de:

quanto espaço existe até:

falha.

Exemplo:

queue limit:

10.000.

Normal antigo:

2.000.

Hoje:

8.500.

Nenhum incidente.

Dashboard:

green.

Mas:

margem caiu:

75%.


☕ O sistema ainda está vivo.

Mas:

respira pela reserva.


🧠 Normalization of Deviance versus Normalcy Bias

Isso é muito importante.

No capítulo anterior:

Normalcy Bias.

Situação muda.

Nós pensamos:

“Deve voltar ao normal.”

Normalization of Deviance:

o desvio continua.

Depois pensamos:

“Então isso é o normal.”

Diferença:

Normalcy Bias nega a ruptura.

Normalization of Deviance redefine a ruptura como aceitável.


🧠 Um é reação à crise

Outro:

é evolução cultural.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 2

“Estamos esperando o sistema voltar ao normal ou já alteramos silenciosamente nossa definição de normal?”


🧠 “Sempre foi assim”

Uma das frases mais poderosas:

da série.

Porque geralmente não significa:

sempre.

Significa:

“há tempo suficiente para ninguém mais lembrar de antes.”


☕ Em mainframe:

“sempre”

pode significar:

desde 1998.

Que, convenhamos,

é bastante tempo.

Mas ainda:

não é eternidade.


🧠 Cultural Debt entra forte aqui

Lembra do Cultural Debt?

Uma prática surge:

por motivo real.

Depois:

contexto muda.

Mas prática:

permanece.

Normalization of Deviance pode criar:

outro tipo de dívida cultural.

A prática começou:

como exceção.

Depois:

virou tradição.

Então nova geração:

nem sabe que existe:

desvio.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 3

“A pessoa que executa esse procedimento hoje sabe qual regra original estava sendo contornada?”


🧠 Quando ninguém mais sabe...

...a gambiarra virou:

arquitetura social.


🧠 Workaround permanente

Exemplo clássico.

Aplicação:

memory leak.

Runbook:

restart toda quarta.

No começo:

workaround temporário.

Ticket:

aberto.

Meses:

passam.

Ticket:

fechado por inatividade.

Restart:

continua.

Novo operador entra.

— Por que restartamos quarta?

Resposta:

— Porque precisa.


☕ Agora o workaround ganhou:

ontologia própria.

Ele não contorna mais:

um bug.

Ele é:

“como o sistema funciona.”


🎯 Pergunta Bellacosa nº 4

“Estamos operando uma solução temporária ou apenas esquecemos de remover a palavra temporária?”


🧠 Technical Debt + Cultural Debt

Technical Debt:

memory leak.

Cultural Debt:

restart virou tradição.

Os dois:

se alimentam.


🧠 Outcome Bias novamente

Cada restart:

funciona.

Logo:

“boa solução.”

Mas custo:

manual;

risco;

downtime;

dependência humana.

Não aparece:

no resultado binário.


🧠 McNamara Fallacy

O que medimos?

SERVICE UP = YES

Então:

tudo bem.

Mas não medimos:

toil;

fragilidade;

manual intervention;

cognitive load;

knowledge concentration.


☕ Dashboard verde

pode esconder:

uma equipe inteira segurando o teto com as mãos.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 5

“Quanto trabalho invisível é necessário para manter aquilo que chamamos de operação normal?”


🧠 Hero Culture

Pessoa experiente sabe:

17 passos secretos.

Tudo funciona.

Management:

“sistema estável.”

Pessoa tira férias:

caos.

Então estabilidade era:

real?

Ou:

humana?


🧠 Normalização do heroísmo

A organização aprende:

“sempre damos um jeito.”

No começo:

orgulho.

Depois:

dependência.


☕ O herói vira:

middleware.

Sem licença.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 6

“Se retirarmos o especialista que conhece os atalhos, o sistema continua operável?”


🧠 Normalization of Deviance e Ratchet Effect

Equipe faz:

esforço extra.

Entrega.

Management:

observa resultado.

Nova meta:

igual.

Excepcional virou:

mínimo.

Ratchet Effect.

Mas existe também:

normalização do desvio humano:

horas extras;

plantão informal;

atalhos;

ausência de descanso.


☕ Um sprint heroico

vira:

velocidade oficial.

Outro tipo de acidente:

começando.


🧠 Campbell e Goodhart

Meta:

fechar ticket rápido.

Para cumprir:

pula investigação.

Funciona.

KPI:

melhora.

Agora:

o desvio é recompensado.

Campbell.

Goodhart.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 7

“Nosso sistema de métricas está punindo quem segue o processo seguro e premiando quem aprende a contorná-lo?”


🧠 Cobra Effect

Regra pretende:

melhorar.

Mas incentivo:

cria desvio.

Depois:

desvio normaliza.

Exemplo:

change approvals levam:

quatro semanas.

Equipe cria:

“emergency change.”

Primeiro:

realmente emergência.

Depois:

qualquer coisa urgente.

Depois:

metade das mudanças.

Agora:

emergency path

é:

processo normal.


☕ Se metade das mudanças é:

emergency,

talvez a emergência:

seja o processo.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 8

“Uma exceção cresceu tanto que já representa parte significativa do fluxo?”


🧠 Principal-Agent Problem

Governança quer:

controle.

Equipe quer:

entregar.

Se processo oficial:

inviável,

equipe cria:

atalho racional.

Depois:

atalho vira normal.

A pergunta madura não é:

“Quem burlou?”

É:

“Por que o processo real precisou divergir do processo formal para o trabalho acontecer?”**


🧠 Moral Hazard

Se risco:

fica com outro time,

desvio pode:

crescer.

Dev:

deploy rápido.

Ops:

paga incidente.

Vendor:

economiza controle.

Cliente:

absorve risco.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 9

“Quem ganha com o atalho e quem absorve a consequência se ele falhar?”


🧠 Risk Compensation

Temos:

backup.

Então:

somos mais agressivos.

Temos:

autoscaling.

Então:

ignoramos capacity.

Temos:

failover.

Então:

testamos menos.

Proteção reduz:

medo.

Comportamento:

muda.

Depois:

novo nível de risco:

normal.


☕ Guardrail pode virar:

licença psicológica.


🧠 Zero-Risk Bias em contraste

Às vezes organização exige:

zero risco

numa área.

Isso cria processo:

insuportável.

Pessoas:

contornam.

O desvio:

normaliza.

Paradoxo bonito:

tentativa de risco zero

produz:

risco escondido.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 10

“Nosso controle é tão rígido que está empurrando o trabalho real para caminhos não oficiais?”


🧠 Need for Control

Mais controles.

Mais aprovações.

Mais formulários.

Trabalho:

ainda precisa acontecer.

Cria:

shadow process.

Depois:

todos usam.

No papel:

uma coisa.

Na realidade:

outra.


☕ Quando documentação e prática divergem por anos

qual delas é:

o sistema?

Tecnicamente:

as duas.

Operacionalmente:

a prática.


🧠 Shadow IT / Shadow Process

Normalization of Deviance pode viver:

fora do código.

Excel secreto.

Script pessoal.

Senha compartilhada.

FTP manual.

Planilha que controla:

processo crítico.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 11

“Quais componentes críticos existem de fato, mas não aparecem na arquitetura oficial?”


🧠 Streetlight Effect

Se shadow process:

não monitorado,

não aparece.

Dashboard:

green.

Porque:

instrumentamos:

sistema oficial.

Não:

real.


☕ Arquitetura desenhada

e arquitetura vivida

podem:

ser sistemas diferentes.


🧠 Metric Fixation

Monitoramos:

processo formal.

Então concluímos:

governança funciona.

Mas todo mundo:

contorna.

Metrics:

beautiful.

Reality:

creative.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 12

“Estamos medindo adesão real ou apenas registrando os caminhos oficiais?”


🧠 Normalization of Deviance e warnings

Compiler warning.

Primeiro:

investiga.

Depois:

“conhecido.”

Depois:

100 warnings.

Novo warning crítico:

misturado.


☕ Warning pile

vira:

aterro sanitário cognitivo.


🧠 Alert fatigue

Mesmo mecanismo.

Alerta dispara:

sem consequência.

Equipe aprende:

ignorar.

Quando alerta real:

mesmo comportamento.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 13

“Quantos alertas aceitos como normais estão treinando a equipe para ignorar o próximo sinal importante?”


🧠 Flaky Tests

Primeiro teste falha.

Investiga.

Descobre:

intermitência.

Marca:

flaky.

Depois:

mais.

CI sempre:

vermelho parcial.

Team:

rerun.

Eventually:

red doesn't mean:

bad build.

System loses:

signal.

Normalization of Deviance.


☕ Se vermelho não significa mais:

pare,

qual cor:

vai fazer você parar?


🎯 Pergunta Bellacosa nº 14

“Que sinais perderam significado porque nos acostumamos a vê-los quebrados?”


🧠 Security exception

MFA atrapalha:

service account.

Exception.

Depois:

mais contas.

Depois:

grupo inteiro.

Depois:

ninguém sabe:

why exempt.

Classic.


🧠 Expiration dates ajudam

Exception:

must expire.

If still needed:

renew deliberately.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 15

“Toda exceção possui dono, justificativa e data para ser reavaliada?”


🧠 Isso é poderosíssimo

Exceção eterna:

é candidata:

a virar normal.


🧠 Exception Budget

Uma ideia interessante:

quantas exceções?

Trend?

Age?

If increasing:

culture drift.


☕ Technical debt tem backlog.

Exception debt também deveria.


🧠 Normalization of Deviance e access control

Usuário precisa:

acesso temporário.

Recebe.

Nunca revoga.

Depois:

“sempre teve.”

Identity drift.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 16

“Quantos privilégios temporários envelheceram até virarem permanentes?”


🧠 Least privilege erosion

Every exception:

small.

Years:

big.


🧠 Normalization of Deviance em change management

“Só dessa vez sem peer review.”

Then:

again.

Why?

Deadline.

Eventually:

peer review only:

special cases.

Rule inverted.


☕ Quando exceção vira maioria

a regra já:

perdeu a guerra.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 17

“A regra oficial ainda representa o comportamento majoritário?”


🧠 Normalization of Deviance e deadlines

Deadline impossible.

Team cuts:

testing.

Works.

Next:

same deadline.

Testing cuts:

expected.

Ratchet.

Outcome.

Cultural Debt.

Beautiful chain.


🧠 A exceção prova capacidade errada

Management sees:

output.

Not:

risk taken.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 18

“Qual controle foi sacrificado para produzir o desempenho que agora estamos chamando de capacidade normal?”


🧠 Normalization of Deviance e AI coding

Developer uses AI-generated code.

No review.

Works.

Next:

more.

Soon:

large blocks

without understanding.

No incident:

yet.

Deviation:

“temporary speedup.”

Then:

normal workflow.


🤖 AI doesn't create the bias

It can:

accelerate repetition.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 19

“Estamos aumentando automação mais rápido do que nossa capacidade de verificar o que ela produz?”


🧠 AI agents and privileges

Agent needs:

write access

for test.

Gets:

production-adjacent capability.

Works.

No issue.

Access remains.

Then:

more autonomy.

Normalization of Deviance can:

scale very fast

because automation repeats:

without fatigue.


☕ Um humano pode fazer:

atalho 20 vezes.

Um agente:

20 mil.


🧠 Automation Bias

Agent succeeded:

trust.

Less review.

Outcome Bias.

Deviation:

normal.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 20

“O histórico de sucesso da automação está sendo usado como substituto para limites e controles?”


🧠 Normalization of Deviance em observabilidade

Log errors:

known.

Dashboard:

permanently yellow.

Then:

new issue.

Hard to see.

Healthy system should not:

normalize degraded observability.


☕ Um painel permanentemente amarelo

não é:

painel amarelo.

É:

nova decoração.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 21

“Que indicador hoje está permanentemente fora do esperado sem gerar nenhuma ação?”


🧠 Baseline drift

Dangerous.

If baseline recalculated automatically:

anomaly may become:

normal.

Example:

latency gradually grows:

200 → 300 → 400 → 500.

If baseline follows:

everything always:

normal.


🧠 Statistical normalization can mimic cultural normalization

Wonderful parallel.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 22

“Estamos atualizando o baseline porque o sistema melhorou — ou porque nos acostumamos com a degradação?”


🧠 Normalization of Deviance e SLO

SLO missed:

once.

Exception.

Then:

every month.

Eventually:

“realistic target.”

Maybe target was:

wrong.

Or service:

degraded.

Need:

distinguish.


☕ Redefinir meta pode ser:

realismo.

Ou:

capitulação.

Investigue.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 23

“Estamos recalibrando o objetivo com base na realidade do negócio ou apenas legitimando desempenho pior?”


🧠 Normalization of Deviance e Root Cause

Repeated incidents:

same workaround.

No root fix.

Eventually:

incident category becomes:

“known issue.”

The phrase:

dangerous.


☕ “Known issue”

pode significar:

“decidimos viver com ele.”

Às vezes corretamente.

Às vezes:

não.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 24

“Conhecido por quem, aceito por quem e com qual risco residual?”


🧠 Risk Acceptance

Deviation may be:

legitimate.

Maybe fixing costs:

too much.

Important distinction.

Normalization of Deviance is not:

“qualquer desvio = errado.”

Organizations can:

consciously accept risk.

Difference:

explicit risk acceptance versus silent drift.


🧠 Deliberate exception

Document:

risk;

owner;

expiry;

controls.

That's governance.


☕ “Sabemos e aceitamos”

é diferente de:

“ninguém sabe por que fazemos.”


🎯 Pergunta Bellacosa nº 25

“Este risco foi conscientemente aceito ou simplesmente deixou de ser discutido?”


🧠 Silent Acceptance

One of most dangerous.

No meeting.

No decision.

Just:

time.


🧠 Normalization through survival

Each successful cycle:

acts like:

informal approval.


☕ O calendário assina:

a exceção.


🧠 Hindsight Bias depois

After disaster:

“como ninguém percebeu?”

But:

normalization happened slowly.

Hindsight compresses:

years of drift

into:

one obvious mistake.

Wrong lesson.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 26

“Estamos procurando o momento único da falha quando deveríamos procurar anos de adaptação gradual?”


🧠 This is essential

Normalization of Deviance often:

not event.

Process.


🧠 Fundamental Attribution Error

Blame:

last operator.

But:

operator followed:

actual culture.

Maybe:

formal procedure different.

Yet everybody:

used workaround.

Need:

system view.


☕ Punir a última pessoa

por executar:

o processo real da organização

não corrige:

o processo.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 27

“A pessoa violou a cultura real ou apenas violou a documentação?”


🧠 Blameless Postmortem

Ask:

When did deviation start?

Why?

What pressure?

What successful outcomes reinforced?

What barriers disappeared?


🧠 Timeline of normalization

JAN: exception once
MAR: weekly
JUN: undocumented workaround
SEP: new hires trained on workaround
DEC: official procedure ignored

Amazing evidence.


☕ O acidente nasce:

na linha do tempo.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 28

“Quando a exceção começou a ser ensinada aos novos funcionários como prática normal?”

Isso é enorme.


🧠 Training reveals culture

If new person learns:

official + “but in reality...”

you found:

deviation gap.


☕ A frase:

“no manual é assim, mas aqui fazemos assado”

merece:

atenção imediata.


🧠 Sometimes the manual is wrong

Important.

Maybe practical process:

better.

Then:

update manual.

If everyone bypasses:

rule,

maybe rule is:

obsolete.

Normalization of Deviance diagnosis shouldn't:

automatically restore old rule.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 29

“Precisamos eliminar o desvio ou admitir que o processo oficial está errado e atualizá-lo?”

Excelente.


🧠 This avoids bureaucracy worship

Goal:

safe effective system.

Not:

blind compliance.


🧠 Need for Control warning

Don't respond:

with 50 new controls.

Could:

produce more bypass.

Need:

root incentive.


☕ Um processo impossível de seguir

é fábrica:

de exceções.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 30

“O procedimento seguro também é operacionalmente viável?”


🧠 Human Factors

People optimize:

local work.

If rule:

slow,

ambiguous,

unrealistic,

they adapt.

Adaptation:

can be intelligent.

But risk:

unseen.


🧠 Local Rationality again

Why did bypass:

make sense?


☕ “Porque eram preguiçosos”

é resposta:

fraca.


🧠 Production Pressure

Deadline.

Customer.

SLA.

Revenue.

Deviation buys:

time.

Repeated pressure:

makes permanent.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 31

“Que pressão recorrente torna o desvio racional no curto prazo?”


🧠 Migration scenario

Reconciliation takes:

6h.

Go-live schedule:

4h.

First time:

sample only.

Works.

Next migration:

same.

Full reconciliation:

never returns.

Deviation normalized.

Later:

data issue.


☕ O cronograma ganhou:

mais autoridade

que integridade.


🧠 Principal-Agent again

Manager owns:

deadline.

Ops owns:

risk.

Classic.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 32

“O benefício do desvio aparece imediatamente enquanto o risco fica para outro momento ou outra equipe?”


🧠 Technical debt interest

Deviation:

saves 20 min.

Each day.

But:

adds tail risk.

Hard to see.

Outcome Bias:

wins.


🧠 Low-frequency high-impact risk

Normalization especially dangerous here.

Because:

many successes before:

failure.


☕ Um risco de 1%

te dá:

99 oportunidades

para aprender a lição errada.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 33

“Estamos inferindo segurança a partir de uma amostra pequena demais para revelar um risco raro?”


🧠 Probability example

Risk per execution:

1%.

10 successful runs:

not surprising.

50:

still possible.

People:

“never fails.”

Probability:

still exists.


🧠 Compounding exposure

Repeated risk:

probability accumulates.

If independent:

chance of at least one failure grows.

No need math heavy.

Concept enough.


☕ “Funcionou cem vezes”

pode ser:

motivo para comemorar.

Também:

motivo para perguntar:

quantas vezes vamos continuar apostando?


🧠 Normalization of Deviance e Challenger

Challenger disaster:

famous lesson:

past success can normalize anomalous signals.

Again:

not “stupid people.”

Systemic adaptation.


🧠 This is the mature interpretation

People acted:

within organizational context.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 34

“O passado sem desastre está sendo tratado como prova de segurança futura?”


🧠 Safety Margin Erosion

Key concept.

Every deviation:

may reduce margin.

Yet outcome:

still success.


🧠 Example

Deploy:

without rollback.

No issue.

Then:

without test.

No issue.

Then:

without backup validation.

No issue.

Each:

takes away layer.

Eventually:

one failure meets:

no defenses.


☕ O desastre não precisou:

ficar maior.

Nós apenas:

retiramos as redes.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 35

“Quantas barreiras originais continuam realmente ativas?”


🧠 Swiss Cheese Model

Layers:

review;

test;

canary;

rollback;

monitoring.

Deviations:

poke holes.

If holes align:

incident.


🧠 Normalization = holes become accepted

Nice.


☕ Um buraco temporário

ganha:

CEP.


🧠 Defense in Depth degradation

Security too.

Exception after exception:

layers shrink.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 36

“Qual camada de defesa estamos tratando como opcional porque as outras ainda seguraram?”


🧠 Outcome Bias central

A layer wasn't needed:

this time.

People infer:

unnecessary.

Wrong.

Seatbelt analogy:

not needed on trip.

Still useful.


🧠 Prevention paradox

Effective controls often:

look redundant

because bad outcome:

doesn't occur.


☕ “Nunca usamos o DR”

não prova:

que DR é desperdício.


🧠 Normalization and budgeting

Control costs.

No incident.

Budget cuts.

Outcome Bias.

Defense shrinks.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 37

“Estamos removendo uma proteção porque demonstramos que ela é redundante ou porque tivemos sorte de não precisar dela?”


🧠 Normalization of Deviance e maintenance windows

Change outside window:

once.

Works.

Then:

regular.

Monitoring/staff coverage:

not present.

Eventually:

incident at 3 AM.


🧠 Context matters

Same action:

different safety depending:

support available.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 38

“O desvio continua seguro quando mudam horário, volume, pessoas ou dependências?”


🧠 Copy/paste culture

One script:

manual.

Person shares.

Everyone uses.

No source control.

Works.

Years.

Then:

someone edits local version.

Different outcomes.

Shadow automation.


FINAL_v7_REAL_OK.sh

Critical infrastructure.

We've all met:

the species.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 39

“Quantas ferramentas operacionais críticas existem fora de versionamento, revisão e ownership?”


🧠 COBOL copybooks

Local copy modified:

“temporary.”

Another program:

uses different.

Works.

Then:

record mismatch.

Deviation from:

single source.

Normal.


🧠 Schema drift

Perfect example.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 40

“Quantas versões não oficiais do mesmo contrato de dados existem?”


🧠 Normalization of Deviance e manual data fixes

Production data correction:

manual SQL.

Emergency.

Works.

Then:

support routine.

No audit.

No validation.

Risk.


UPDATE ... WHERE ...

pode virar:

runbook.

Aí:

eu começo a suar.


🧠 Four-Eyes Principle

First bypass:

emergency.

Then:

“trusted senior.”

Eventually:

single person.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 41

“Qual controle desapareceu porque confiamos na experiência de uma pessoa específica?”


🧠 Authority Bias

Senior always:

knows.

So:

exceptions allowed.

Success:

confirms.

Then:

junior imitates.

Without:

same tacit knowledge.

Risk explodes.


☕ Um desvio seguro na mão do mestre

pode ser:

perigoso como receita.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 42

“Estamos copiando uma exceção sem copiar o contexto e a experiência que a tornavam tolerável?”


🧠 Dunning-Kruger connection

Novice sees:

senior bypass.

Thinks:

rule unnecessary.

Doesn't see:

senior monitoring hidden signals.

Danger.


🧠 Tacit safeguards

Sometimes expert:

breaks rule

while applying:

other controls mentally.

Not transferable.


☕ O aprendiz vê:

o atalho.

Não:

os 30 anos que avaliam:

quando não usar.


🧠 Normalization of Deviance e Documentation Debt

Runbook:

outdated.

People:

ignore.

Because:

wrong.

Now documentation loses:

credibility globally.

Then:

even correct parts ignored.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 43

“Quantas regras são ignoradas porque algumas delas já provaram estar desatualizadas?”


🧠 Trust in governance

Once low:

more deviation.

Feedback loop.


🧠 Deviance loop

BAD PROCESS
↓
BYPASS
↓
SUCCESS
↓
BYPASS NORMALIZED
↓
PROCESS EVEN LESS RELEVANT
↓
MORE BYPASS

Beautiful.


☕ O processo oficial vira:

ficção administrativa.


🧠 Confirmation Bias

Once we believe:

shortcut safe,

we remember:

successes.

Failures:

“different.”


🎯 Pergunta Bellacosa nº 44

“Estamos registrando também as vezes em que o desvio quase falhou?”


🧠 Near Misses

Critical.

A risky deviation:

almost causes issue.

But final outcome:

fine.

Near miss:

ignored.

Outcome Bias.

Normalization continues.


☕ Near miss é:

o universo oferecendo:

desconto no aprendizado.


🧠 Near-Miss Review

Ask:

What nearly failed?

What margin?

Would same procedure survive:

slightly different conditions?


🎯 Pergunta Bellacosa nº 45

“Quanto de sorte foi necessário para o processo continuar parecendo normal?”


🧠 This may be central

Success quality:

not binary.


🧠 Normalization of Deviance em SRE

On-call:

alerts.

Ack without action.

Known noise.

Then:

critical.

SRE practices:

reduce toil;

fix noisy alerts.

Because:

noise trains:

deviance.


🧠 Error budget

If repeated breach accepted:

SLO meaningless.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 46

“Qual regra deixou de governar comportamento porque nunca acontece nada quando a violamos?”


🧠 Enforcement credibility

If policy:

never enforced,

becomes:

suggestion.


☕ Regra sem consequência

vira:

comentário no código.


🧠 Normalization of Deviance em password policy

Shared account:

exception.

Everyone:

uses.

Audit:

later.

Again.


🧠 Security risk accumulates silently

No breach:

not proof.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 47

“Estamos usando ausência de incidente de segurança como evidência de segurança?”


🧠 Outcome Bias again!

The sibling.


🧠 Normalization of Deviance e Normalcy Bias after symptoms

Once deviation:

normal,

its warning signs:

also normal.

Then actual incident:

Normalcy Bias.

So cycle:

DEVIATION
↓
NO BAD OUTCOME
↓
NORMALIZATION
↓
WARNING BECOMES NORMAL
↓
REAL FAILURE STARTS
↓
NORMALCY BIAS
↓
LATE RESPONSE

Oof.


☕ Um viés prepara:

o terreno

para o outro.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 48

“Os primeiros sinais do incidente se parecem justamente com desvios que já aprendemos a tolerar?”


🧠 Hindsight Bias closes cycle

After:

“how could we ignore?”

Because:

we normalized.

Need:

history.


🧠 Postmortem must study drift

Not only:

last minutes.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 49

“Quanto tempo antes do incidente começamos a aceitar comportamentos que reduziram nossa margem?”


🧠 Practical antidotes

Now:

what to do?

Not:

zero exceptions.

Impossible.

Need:

exception discipline.


🧪 Passo 1 — Declare exception explicitly

Never:

silent.

EXCEPTION:
Skip STEP30 validation.

🧪 Passo 2 — Record why

Pressure?

Bug?

Cost?


🧪 Passo 3 — Record risk

What could happen?


🧪 Passo 4 — Add owner

Who owns:

removal/review?


🧪 Passo 5 — Add expiry

Critical.


🧪 Passo 6 — Count recurrence

If exception repeats:

trigger process review.


🧪 Passo 7 — Track near misses

Not only:

failures.


🧪 Passo 8 — Compare formal vs actual

Walkthrough.

Observe.


🧪 Passo 9 — Restore margin

Fix:

warnings;

tests;

procedures.


🧪 Passo 10 — Update rule if rule is wrong

Don't force fiction.


☕ Uma exceção recorrente é:

pedido de mudança de arquitetura/processo.


🧠 Bellacosa Three-Strikes Rule

Not universal.

But useful principle:

If same exception:

repeatedly necessary,

stop calling:

exception.

Investigate:

system design.


🧠 Exception frequency

Could define:

1 = exception.

10 = pattern.

100 = process.

Not mathematical law.

But:

nice warning.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 50

“Se precisamos abrir a mesma exceção toda semana, ainda temos uma exceção ou temos um processo mal desenhado?”


📋 Checklist Bellacosa anti-Normalization of Deviance

[ ] Que regras estão sendo regularmente contornadas?

[ ] Qual foi a justificativa original?

[ ] A exceção tem dono?

[ ] A exceção tem validade?

[ ] O risco foi formalmente aceito?

[ ] Quantas vezes esse desvio ocorreu?

[ ] Houve near misses?

[ ] A margem operacional está diminuindo?

[ ] O dashboard trata desvio como normal?

[ ] Novos funcionários aprendem o atalho?

[ ] O processo oficial continua viável?

[ ] Estamos recompensando o bypass?

[ ] O workaround virou permanente?

[ ] Controles de defesa desapareceram?

[ ] Ausência de falha está sendo confundida com segurança?

🧠 Bellacosa Deviance Card

DEVIATION:
____________________________

ORIGINAL RULE:
____________________________

WHY BYPASSED:
____________________________

RISK:
____________________________

OWNER:
____________________________

EXPIRY:
____________________________

NUMBER OF OCCURRENCES:
____________________________

NEAR MISSES:
____________________________

FIX / PROCESS CHANGE:
____________________________

👻 Easter Egg nº 2 — BELLACOSA.BIAS(NORMALIZATION)

       IF EXCEPTION-USED = 'Y'
           ADD 1 TO EXCEPTION-COUNT
       END-IF.

       IF EXCEPTION-COUNT > ACCEPTABLE-LIMIT
           DISPLAY
           'WARNING: EXCEPTION MAY BE THE REAL PROCESS'
           PERFORM REVIEW-PROCEDURE
       END-IF.

       IF NO-INCIDENT = 'Y'
          AND DEVIATION = 'Y'
           DISPLAY
           'SURVIVAL IS NOT PROOF OF SAFETY'
       END-IF.

       IF NEW-EMPLOYEE-TAUGHT-WORKAROUND = 'Y'
           DISPLAY
           'CULTURAL NORMALIZATION DETECTED'
       END-IF.

Comentários:

* TEMPORARY
* WITHOUT EXPIRY
* MEANS PERMANENT.

Outro:

* SUCCESSFUL BYPASS
* IS STILL
* A BYPASS.

Outro:

* DO NOT CALL IT
* NORMAL
* JUST BECAUSE
* YOU ARE USED TO IT.

Outro:

* A GREEN DASHBOARD
* CANNOT SEE
* AN UNMONITORED WORKAROUND.

E naturalmente:

* DALEK SAFETY RULE:
* STAY 10 METERS AWAY.
*
* CURRENT PRACTICE:
* 9M
* 8M
* 7M
* 6M
*
* INCIDENT REVIEW:
* "WHY WAS ANYONE
* STANDING AT 5M?"

🕰️ Voltando ao batch

23:58.

STEP30:

falha.

Operador:

— Cancela e restart.

Nosso jovem:

— Não hoje.

— Por quê?

— Quero descobrir por que fazemos isso.

— Porque funciona.

— Isso eu sei.

— Então?

Nosso jovem aponta:

para o histórico.

STEP30 FAILURE:
48 OCCURRENCES IN 12 MONTHS

Doctor sorri.

— Quarenta e oito exceções?

Operador:

— Sim.

Doctor:

— Isso é uma exceção muito dedicada.


🔧 Investigação

Descobrem:

STEP30 fazia:

reconciliação auxiliar.

O dataset de entrada:

cresceu.

Job:

estourava tempo.

Quando pulavam:

STEP40 processava:

quase tudo.

Quase.

Em certas condições:

alguns registros ficavam:

sem reconciliar.

Nunca havia causado:

impacto grande.

Ainda.


🧠 O risco estava lá

Mas:

raramente.

48 sucessos:

tinham ensinado:

“seguro.”

Na verdade:

tinham apenas mostrado:

“a condição perigosa ainda não coincidiu com o desvio.”


☕ Então corrigem:

performance;

timeout;

runbook;

monitoring;

reconciliation.

E eliminam:

restart informal.


🧠 O gerente pergunta:

— Mas se fizemos assim dois anos e nada aconteceu, realmente era tão perigoso?

Doctor responde:

— Isso depende do que vocês acham que dois anos sem desastre provam.

— Que funciona?

— Provam que vocês tiveram dois anos sem desastre.

Pausa.

“Não confundam ausência de consequência com ausência de risco.”


🧬 Regeneração organizacional

Uma organização madura não tenta:

eliminar adaptações.

Sistemas reais:

precisam delas.

Pessoas:

resolvem problemas.

Flexibilidade:

é necessária.

A maturidade está em impedir:

que adaptação invisível

se transforme:

em risco invisível.

Ela pergunta:

por que o processo formal não serve?

qual risco o workaround cria?

quantas vezes repetimos?

quem possui?

quando expira?

precisamos corrigir o sistema

ou:

mudar oficialmente a regra?

Ela também entende:

quando pessoas repetidamente desviam de um procedimento, isso pode ser evidência de comportamento arriscado — ou evidência de que o procedimento é irrealista.

Precisamos:

descobrir qual.


📓 Diário do Doctor

Se guardar algumas ideias desta viagem, guarde estas:

Normalization of Deviance é o processo pelo qual desvios de uma regra ou margem inicialmente percebidos como excepcionais passam a ser aceitos como normais após repetidas ocorrências sem consequências graves.

Ela costuma acontecer gradualmente, não por uma decisão explícita de trabalhar de forma insegura.

Sucessos anteriores podem produzir uma falsa sensação de segurança.

Outcome Bias transforma desvios bem-sucedidos em decisões aparentemente boas.

Normalcy Bias pode fazer os primeiros sinais de deterioração parecerem parte da normalidade já ampliada.

Hindsight Bias depois transforma anos de drift em um “erro óbvio” que todos supostamente deveriam ter percebido.

Confirmation Bias ajuda a lembrar sucessos do workaround e minimizar near misses.

Ratchet Effect pode transformar esforço excepcional e atalhos em nova expectativa mínima.

Goodhart e Campbell podem premiar comportamentos que produzem números bons enquanto reduzem margem de segurança.

Cobra Effect mostra como regras mal desenhadas podem incentivar exatamente os desvios que pretendiam evitar.

Principal-Agent e Moral Hazard ajudam a explicar por que quem obtém o benefício de um atalho pode não carregar todo o risco criado.

Need for Control pode criar processos excessivamente burocráticos, incentivando shadow processes e exceções permanentes.

Metric Fixation e McNamara Fallacy podem esconder desvios não instrumentados atrás de dashboards verdes.

Workarounds permanentes, flaky tests, warnings ignorados, acessos temporários eternos e scripts fora de versionamento são excelentes lugares para procurar normalização do desvio.

Toda exceção importante deveria ter motivo, dono, risco e validade.

Uma exceção repetida frequentemente é um sinal de que o processo oficial precisa ser corrigido ou atualizado.

A ausência de acidente não prova segurança.

E principalmente:

o momento mais perigoso de uma gambiarra não é necessariamente a primeira vez em que ela é usada — é quando ninguém mais percebe que aquilo ainda é uma gambiarra.


🥚 Easter Egg final

Antes de entrar na TARDIS, o Doctor escreve:

EXCEPTION-COUNT = 48

Nosso jovem pergunta:

— Em que número deixa de ser exceção?

Doctor:

— Não existe número mágico.

— Então como sabemos?

— Quando você encontra alguém novo ensinando o atalho sem saber por que ele é um atalho.

Nosso jovem fica:

quieto.

— Aí já virou cultura?

Doctor abre:

a porta.

“Exatamente.”

VWORP.

VWORP.

VWORP.

A TARDIS começa:

a desaparecer.

Nosso jovem grita:

— Doctor!

A porta abre novamente.

— O quê?

— Então toda prática antiga deve ser questionada?

Doctor pensa.

— Não.

— Não?

“Toda prática antiga deve conseguir explicar por que ainda merece existir.”

A porta fecha.

VWORP.

VWORP.

VWORP.

No console fica:

STEP30:
FIXED

WORKAROUND:
RETIRED

EXCEPTION AGE:
2 YEARS

INCIDENTS CAUSED:
ZERO

RISK REMOVED:
NOT ZERO

Nosso jovem toma:

o último café.

Olha para:

o velho runbook.

E escreve:

“Uma regra pode estar errada. Uma exceção pode ser necessária. Mas nenhuma delas deveria sobreviver apenas porque o tempo passou e tivemos sorte.”

E talvez essa seja toda a essência da Normalization of Deviance no Bellacosa Mainframe:

quando o desvio deixa de causar desconforto, não significa necessariamente que ficou seguro — pode significar apenas que ficamos confortáveis demais convivendo com ele.

☕🌀

Próxima parada: Plan Continuation Bias — o dia em que o plano dizia “seguir”, a realidade gritava “pare”, mas cancelar parecia psicologicamente mais difícil do que continuar até o desastre.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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