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| Bellacosa Mainframe e um dos primeiros passeios com Giovanna em Monte Alegre do Sul e a Mogiana. |
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Um Café no Bellacosa Mainframe🚂 Uma Antiga Locomotiva da Mogiana — Monte Alegre do Sul, Giovanna e um Primeiro Passeio
Eu já conhecia Monte Alegre do Sul. O que eu ainda não conhecia era Monte Alegre do Sul ao lado dela.
Há fotografias antigas que registram lugares.
E há fotografias que, quando reencontradas muitos anos depois, abrem uma porta.
De repente você não está mais olhando para uma velha locomotiva, uma estação ferroviária ou alguns quilômetros de trilhos abandonados pelo tempo.
Você está novamente ali.
É 1999.
Estou em Monte Alegre do Sul, uma pequena cidade do Circuito das Águas Paulista que eu já conhecia desde 1994.
Mas dessa vez havia algo completamente diferente.
Eu estava acompanhado da doce Giovanna, de Amparo.
Nosso namoro havia acabado de começar.
E aquele seria um dos nossos primeiros passeios juntos.
💙 Aqueles lindos olhinhos azuis
Ainda consigo lembrar dos olhos dela.
Lindos olhos azuis, brilhando enquanto explorávamos a cidade.
Curioso como a memória funciona.
Podemos esquecer o que almoçamos, o horário em que chegamos, onde estacionamos ou exatamente quais ruas percorremos.
Mas algumas imagens simplesmente se recusam a desaparecer.
Eu gostava de olhar para Giovanna.
E naquele passeio olhava muito.
Que princesa.
Que garota.
Havia aquela sensação maravilhosa dos primeiros tempos de um relacionamento, quando tudo ainda está sendo descoberto.
Um olhar demora um pouquinho mais.
Uma mão encontra a outra.
Qualquer banco vira lugar para sentar juntos.
Qualquer caminho merece ser percorrido porque o destino, naquele momento, é quase irrelevante.
O importante é quem está caminhando ao nosso lado.
E Monte Alegre do Sul acabou tornando-se o cenário perfeito para isso.
🚂 Uma velha locomotiva e dois namorados
Monte Alegre guardava — e guarda — uma história ferroviária fascinante.
No passado, a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro passou pela região, conectando pequenas cidades do interior paulista e transportando passageiros, mercadorias, sonhos e histórias.
Restaram vestígios daquele mundo.
A estação.
Os trilhos.
O túnel.
E uma velha locomotiva a vapor acompanhada de seu tender e vagão de passageiros.
Para alguém apaixonado por ferrovias, aquilo por si só já seria motivo suficiente para o passeio.
Mas naquela vez havia Giovanna.
Então fizemos aquilo que dois jovens namorados fazem quando encontram uma locomotiva antiga no meio de uma cidade tranquila:
fomos brincar na locomotiva.
Explorar.
Olhar.
Descobrir.
Imaginar.
E, naturalmente, trocar alguns beijos pelo caminho.
A velha Mogiana provavelmente já havia transportado milhares de passageiros durante sua existência.
Naquele dia, porém, servia de cenário para uma história muito menor.
A nossa.
🔥 Ferro, vapor e memória
Sempre achei locomotivas a vapor fascinantes.
São máquinas que parecem possuir personalidade.
Tudo nelas é exagerado.
As enormes rodas.
As bielas.
A caldeira.
A chaminé.
As válvulas.
O peso.
O cheiro de metal.
Mesmo quando estão imóveis, parecem estar apenas descansando.
Você quase espera ouvir novamente:
TCHUF... TCHUF... TCHUF...
E então o apito atravessando o vale.
Mas naquele passeio havia outra coisa que prendia muito mais minha atenção.
Eu olhava a locomotiva.
Olhava os trilhos.
Olhava a paisagem.
E voltava a olhar para Giovanna.
Confesso:
ela ganhava da locomotiva.
Para um apaixonado por ferrovias, isso é uma declaração considerável.
🌿 Caminhando à beira do rio
Também caminhamos junto ao rio.
Sem pressa.
Monte Alegre do Sul possui justamente essa característica: é uma cidade que convida a diminuir a velocidade.
Protegida pelas últimas ramificações da Serra da Mantiqueira, no vale do Rio Camanducaia, a pequena Estância Hidromineral reúne água, vegetação, montanhas e aquele ritmo tranquilo das cidades do interior.
Era perfeito para nós.
Caminhávamos.
Conversávamos.
Parávamos.
Sentávamos.
Apreciávamos o lugar.
E namorávamos.
Houve beijos em diversos pontos daquele passeio.
Não existia roteiro turístico.
Não havia checklist.
Nenhuma necessidade de correr para conhecer quinze atrações antes do final do dia.
Éramos apenas dois namorados descobrindo como era gostoso estar juntos.
❤️ Sentar e simplesmente olhar para ela
Talvez uma das lembranças mais simples seja também uma das mais bonitas.
Sentar.
E olhar para ela.
Só isso.
Hoje vivemos cercados pela necessidade de registrar tudo, publicar tudo, explicar tudo.
Mas existem momentos cuja importância está justamente em não acontecer praticamente nada.
Você está sentado ao lado de alguém de quem gosta.
Há um rio passando.
Uma cidade tranquila ao redor.
Talvez o vento mexendo nas árvores.
Uma velha ferrovia próxima.
E aquela pessoa está ali.
Eu gostava de olhar para Giovanna.
Seus olhos azuis.
Seu rosto.
Seu jeito.
A garota por quem estava me apaixonando.
Que princesa.
Talvez ela nem soubesse quantas vezes eu simplesmente ficava admirando-a.
🚉 Eu já conhecia a cidade — mas não aquela cidade
Eu havia conhecido Monte Alegre do Sul anos antes, em 1994.
Portanto, tecnicamente, aquele não era um passeio de descoberta.
Eu estava revisitando um lugar conhecido.
Mas essa é outra brincadeira interessante da vida:
um lugar muda completamente dependendo de quem está conosco.
A estação continuava sendo a estação.
A locomotiva continuava sendo a locomotiva.
O rio provavelmente corria exatamente pelo mesmo caminho.
As montanhas estavam no mesmo lugar.
Mas a minha Monte Alegre do Sul de 1999 não era mais a Monte Alegre do Sul de 1994.
Agora havia Giovanna dentro daquela paisagem.
E isso mudou tudo.
🛤️ A Mogiana também deixou suas lembranças
No passado, a ferrovia trouxe movimento, comunicação e desenvolvimento para a região.
O trem chegava trazendo pessoas e partia levando outras.
Havia despedidas na plataforma.
Havia reencontros.
Havia gente começando viagens.
Talvez houvesse também jovens casais se beijando escondidos enquanto esperavam o trem.
Décadas depois, restaram a estação, os trilhos, o túnel e aquela velha locomotiva.
Curiosamente, relacionamentos também deixam seus vestígios.
Uma fotografia.
Uma cidade.
Uma música.
Uma estrada.
Um restaurante.
Um banco de praça.
Uma lembrança aparentemente insignificante que, décadas depois, reaparece com uma nitidez impressionante.
A ferrovia deixa trilhos.
As pessoas também.
☕ Três paixões no mesmo passeio
Olhando hoje para aquele dia, percebo que aconteceu uma combinação quase perfeita.
Ali estavam reunidas algumas coisas que sempre amei:
viajar, descobrir lugares, ferrovia e história.
Mas havia alguma coisa nova naquela equação.
Giovanna.
Viajar com alguém por quem estamos apaixonados transforma completamente a experiência.
Uma locomotiva deixa de ser apenas patrimônio ferroviário.
Ela vira:
"Lembra quando brincamos naquela locomotiva?"
Um rio deixa de ser apenas geografia.
Vira:
"Lembra quando caminhamos juntos por ali?"
Uma cidade deixa de ser apenas um ponto no mapa.
Vira:
"Nós estivemos aqui."
É assim que construímos nossa própria geografia afetiva.
🌑 O túnel
E Monte Alegre ainda tinha um túnel ferroviário.
Sempre existe alguma coisa misteriosa em um túnel antigo.
Uma abertura escura atravessando a montanha, construída para permitir que locomotivas e vagões seguissem viagem.
Quantos trens passaram por ali?
Quantas pessoas?
Quantas histórias?
Naquela época eu provavelmente estava muito mais interessado em explorar tudo aquilo do que em fazer grandes reflexões históricas.
Era simplesmente divertido.
E Giovanna estava comigo.
Isso bastava.
🌸 Giovanna era única
Nosso relacionamento seguiu seu caminho.
Como tantas histórias da vida, teve seu começo, seus capítulos e seu fim.
Mas algumas pessoas deixam lembranças que o tempo não consegue transformar em simples arquivo morto.
Giovanna deixou saudades.
Foram tantas boas lembranças.
Tantos momentos gostosos.
Tantas pequenas aventuras.
E talvez seja por isso que, tantos anos depois, consigo voltar mentalmente àquele passeio e ainda enxergar aqueles lindos olhos azuis brilhando.
Não preciso transformar o passado em algo que ele não foi.
Não preciso mudar seu final.
Basta reconhecer uma coisa muito simples:
foi bonito enquanto existiu.
E foi importante.
Giovanna era única.
🚂 A locomotiva que ficou parada no tempo
Existe uma ironia bonita nisso tudo.
Naquele dia fomos visitar vestígios de uma ferrovia que havia deixado de funcionar como antes.
A locomotiva estava preservada porque alguém decidiu que aquela história merecia continuar existindo.
Décadas depois, ao reencontrar essas lembranças, percebo que fazemos algo parecido quando escrevemos.
Preservamos.
A locomotiva preserva a Mogiana.
A estação preserva as viagens.
Os trilhos preservam caminhos que já não percorremos.
E esta postagem preserva um passeio de 1999.
Um rapaz.
Uma garota de olhos azuis.
Uma velha locomotiva.
Alguns beijos.
Uma caminhada à beira do rio.
E aquela maravilhosa sensação de que tínhamos todo o tempo do mundo.
Talvez seja por isso que gosto tanto de revisitar essas histórias.
Algumas viagens terminam quando voltamos para casa.
Outras continuam viajando conosco.
Monte Alegre do Sul foi uma delas.
E em algum lugar da minha memória aquela velha locomotiva da Mogiana continua lá.
Giovanna também.
Com seus lindos olhos azuis.
E nós dois ainda estamos naquele primeiro passeio, caminhando sem pressa pela cidade, brincando entre os restos da velha ferrovia e descobrindo uma coisa que nenhum mapa turístico poderia indicar:
como era gostoso simplesmente estarmos juntos.
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Protegida pelas últimas ramificações da Serra da Mantiqueira, em pleno vale do Rio Camanducaia, e a duas horas de São Paulo, no Circuito das Águas Paulista, localiza-se a pitoresca Estância Hidromineral de Monte Alegre do Sul.
No passado tinha a linha ferroviária da Mogiana que chegava ate a cidade, trazendo progresso e riqueza, hoje restaram alguns itens dessa historia: uma maquina a vapor, a estação, um túnel. Bem pitoresca atraindo turísticas para aqui descansarem e aproveitarem das riquezas naturais.