☕ EL JEFE MIDNIGHT LUNCH
1959: a mesa onde o COBOL nasceu (e ninguém imaginava que ele ainda estaria vivo no século XXI)
Existem fotos que são apenas fotos.
E existem fotos que são documentos fundacionais da história da computação.
Essa imagem de 1959, com homens e mulheres sentados em volta de uma mesa simples, não é apenas um registro de época.
É o Big Bang do software corporativo moderno.
Ali estava o Short-Range Committee, o grupo responsável por definir as bases do que viria a ser o COBOL — a linguagem que atravessou governos, bancos, crises, modas tecnológicas e continua firme no coração do mainframe.
Vamos conhecer quem eram essas pessoas, o que representavam e por que essa mesa mudou o mundo.
🧠 O que era o Short-Range Committee?
Em 1959, o governo dos EUA, a indústria e as forças armadas tinham um problema sério:
Cada computador tinha sua própria linguagem.
Cada fornecedor falava um dialeto diferente.
E sistemas de negócio não eram portáveis.
A missão do comitê era clara e ousada:
-
Criar uma linguagem comum
-
Voltada para negócios
-
Independente de fabricante
-
Legível por humanos (não só por engenheiros)
Nascia ali o embrião do COBOL — Common Business-Oriented Language.
A história de uma foto.
👩💻👨💻 Quem estava sentado à mesa (literalmente)
🔹 Sentados (da esquerda para a direita)
Gertrude Tierney (IBM)
Representando a IBM — já naquela época a potência dominante.
Trouxe pragmatismo corporativo e visão de escala.
🧠 Curiosidade: A IBM entrou no COBOL mesmo sabendo que isso reduziria seu lock-in proprietário.
William Logan (Burroughs)
A Burroughs sempre teve uma visão mais “human-friendly” de computação.
Logan ajudou a defender uma linguagem mais próxima do inglês.
Frances “Betty” Holberton
Sim, uma das mães do COBOL.
Programadora do ENIAC, visionária, brilhante.
🥚 Easter egg:
Ela também influenciou conceitos que hoje associamos a compiladores modernos e boas práticas de software.
Daniel Goldstein (Univac)
A Univac era sinônimo de computação comercial nos anos 50.
Goldstein trouxe experiência prática de sistemas reais em produção.
Joseph Wegstein (National Bureau of Standards)
O homem da padronização.
Sem ele, COBOL talvez fosse só mais uma linguagem bonita… e inútil.
Howard Bromberg (RCA)
Representava o lado industrial pesado, preocupado com viabilidade técnica.
Mary Hawes (Burroughs)
🔥 Figura-chave e frequentemente subestimada.
Foi uma das maiores articuladoras da ideia de uma linguagem comum.
🧠 Comentário Bellacosa:
Sem Mary Hawes, talvez não existisse COBOL — ponto.
Benjamin Cheydleur (RCA)
A ponte entre teoria e implementação.
Jean Sammet (Sylvania)
Outra gigante da computação.
Mais tarde escreveria um dos primeiros livros de história das linguagens de programação.
🥚 Easter egg:
Jean Sammet foi uma das maiores defensoras da clareza sintática — algo que o COBOL carrega até hoje.
🧍♂️ Em pé (os bastidores da história)
Alfred Asch (U.S. Air Force)
O governo pressionava: precisava de sistemas portáveis, confiáveis e duradouros.
🧠 Spoiler: Conseguiram.
[Nome não identificado]
Sim, até a história tem registros perdidos.
Mainframe também tem isso: datasets sem catálogo 😄
William Selden (IBM)
Outro peso pesado da IBM, garantindo que o COBOL fosse implementável em escala industrial.
Charles Gaudette (Minneapolis-Honeywell)
A visão de automação industrial aplicada ao negócio.
Norman Discount (RCA)
Trabalhou fortemente na definição de estruturas e regras.
Vernon Reeves (Sylvania)
Contribuições fundamentais para a forma como dados seriam descritos.
💾 O que nasceu dessa mesa?
Dessa reunião vieram ideias que hoje parecem óbvias, mas não eram:
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DATA DIVISION
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Campos descritivos e autoexplicativos
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Separação clara entre dados e lógica
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Foco absoluto em processamento de negócios
🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
Enquanto outras linguagens queriam provar inteligência, o COBOL queria pagar salário no fim do mês.
🧑 Padawans do Mainframe, prestem atenção
Se você está começando agora e acha COBOL “velho”, lembre-se:
-
Ele foi criado por pessoas que pensavam em longevidade
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Ele nasceu para sobreviver a mudanças de hardware
-
Ele foi feito para ser lido, auditado e mantido
Por isso ele ainda está aqui.
Não por acidente — por projeto.
☕ Reflexão final do El Jefe
“Essas pessoas não escreveram apenas uma linguagem.
Elas escreveram um pacto:
o software de negócio precisava durar mais do que modas.”
Essa foto não é nostalgia.
É arquitetura de longo prazo.