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sexta-feira, 8 de abril de 2016

📚 O Grande Bestiário da Fantasia ⭐ Capítulo Especial As Revistas Pulp

 

Bellacosa Mainframe e o grande bestiario da fantasia capitulo especial

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

📚 O Grande Bestiário da Fantasia

Das Revistas Pulp aos Animes Modernos

⭐ Capítulo Especial

As Revistas Pulp

Quando a Fantasia Moderna Foi Impressa em Papel Barato... e Mudou o Mundo Para Sempre

"Conan não nasceu em um livro luxuoso. Lovecraft não começou em uma edição de colecionador. Doc Savage, The Shadow, Tarzan, John Carter, Solomon Kane, Kull, Elric, Flash Gordon... quase todos passaram, direta ou indiretamente, pela era das revistas populares. A fantasia moderna não nasceu nas universidades. Nasceu em bancas de jornal, impressa em papel tão barato que quase ninguém imaginava que estava segurando a história da cultura pop."


☕ Bellacosa Time Machine

Destino: Nova York

Ano: 1923

Esqueça livrarias elegantes.

Esqueça capas duras.

Esqueça coleções de luxo.

Você entra numa banca de jornal.

Revistas coloridas estão empilhadas.

Custam poucos centavos.

Operários compram.

Motoristas compram.

Estudantes compram.

Soldados compram.

Todo mundo lê.

Ali nasce uma revolução.


O Que Significa "Pulp"?

A palavra vem de:

Wood Pulp

Polpa de madeira.

O papel era extremamente barato.

Áspero.

Amarelado.

Pouco resistente.

Depois de alguns anos...

quase se desfazia.

Ironicamente.

Foi justamente esse papel simples que preservou algumas das maiores ideias da literatura fantástica.


Antes das Pulps

Até então.

Publicar livros era caro.

Muito caro.

A maioria dos escritores jamais conseguiria viver apenas da ficção.

As revistas mudaram isso.

Agora era possível publicar:

contos.

novelas.

aventuras seriadas.

Histórias praticamente toda semana.


Uma Netflix de Papel

Hoje fazemos streaming.

Naquela época.

As pessoas esperavam.

A próxima edição.

Exatamente como esperamos o próximo episódio de uma série.

Os heróis voltavam.

Os leitores acompanhavam.

Criava-se fidelidade.


O Nascimento dos Universos Compartilhados

Algo curioso aconteceu.

Os leitores começaram a pedir mais histórias.

Então os escritores voltavam ao mesmo personagem.

Ao mesmo mundo.

À mesma cidade.

Nasciam os primeiros grandes universos recorrentes da cultura pop.


Amazing Stories (1926)

Fundada por:

Hugo Gernsback.

Primeira revista dedicada exclusivamente à ficção científica.

Ali surgem conceitos que depois inspirariam:

Isaac Asimov.

Arthur C. Clarke.

Robert Heinlein.

Ray Bradbury.

Sem ela.

Talvez a ficção científica moderna nunca existisse da mesma forma.


Weird Tales (1923)

Agora chegamos...

ao coração da fantasia moderna.

Aqui encontramos.

Robert E. Howard.

H. P. Lovecraft.

Clark Ashton Smith.

Se existe uma revista responsável por metade da fantasia contemporânea...

é Weird Tales.


Robert E. Howard

Em suas páginas nasceram:

Conan.

Kull.

Solomon Kane.

Bran Mak Morn.

A Era Hiboriana começou ali.


H. P. Lovecraft

Também escrevia para Weird Tales.

Cthulhu.

Yog-Sothoth.

Nyarlathotep.

Azathoth.

Toda a Mitologia de Cthulhu começa nessas páginas.


Clark Ashton Smith

Menos conhecido.

Mas igualmente brilhante.

Criou mundos inteiros.

Civilizações decadentes.

Magia sombria.

Influenciou diretamente a Dark Fantasy moderna.


A Grande Conversa

Existe um detalhe fascinante.

Howard.

Lovecraft.

Smith.

Trocavam cartas.

Criticavam histórias.

Compartilhavam ideias.

Emprestavam criaturas.

Referenciavam personagens.

Sem internet.

Sem e-mail.

Criaram uma verdadeira comunidade criativa.


Adventure

Outra revista importantíssima.

Publicava:

exploração.

piratas.

caçadores.

oeste.

aventuras exóticas.

Boa parte da estrutura narrativa dos filmes de Indiana Jones nasceu dessa tradição.


Argosy

Uma das primeiras revistas pulp.

Ainda no século XIX.

Mostrou que havia mercado para ficção popular.

Foi praticamente o laboratório das revistas seguintes.


Black Mask

Mudou completamente o romance policial.

Ali aparecem:

Dashiell Hammett.

Raymond Chandler.

Detetives duros.

Criminosos violentos.

Atmosfera urbana.

Décadas depois.

Batman beberia dessa fonte.


Doc Savage

O super-herói antes dos super-heróis.

Cientista.

Aventureiro.

Inventor.

Lutador.

Líder.

Sua influência chega até:

Superman.

Batman.

Indiana Jones.

James Bond.


The Shadow

"Who knows what evil lurks in the hearts of men?"

Milhões ouviram essa frase.

Poucos sabem.

Ela nasceu nas Pulps.

Batman herdou muito de The Shadow.


Buck Rogers

Antes de Star Wars.

Antes de Star Trek.

Buck Rogers já explorava o espaço.

Com foguetes.

Impérios.

Alienígenas.


Flash Gordon

Misturou:

aventura.

romance.

ficção científica.

Ópera espacial.

George Lucas estudou profundamente Flash Gordon antes de criar Star Wars.


Tarzan

Edgar Rice Burroughs.

Outro gigante.

Embora muitos romances tenham sido publicados em livro, diversas aventuras alcançaram enorme popularidade por meio das revistas populares e de suas adaptações.

Sem Tarzan.

Provavelmente não existiria Conan.


John Carter de Marte

Outro personagem de Burroughs.

Um soldado transportado para outro planeta.

Espadas.

Princesas.

Monstros.

Cidades exóticas.

Muitos estudiosos o consideram um dos ancestrais da fantasia planetária e uma influência importante para obras posteriores.


A Regra Era Simples

Todo conto precisava prender o leitor.

Logo na primeira página.

Sem longas introduções.

Sem cinquenta páginas de explicação.

A aventura começava imediatamente.

Uma lição que muitos escritores modernos poderiam revisitar.


O Ritmo das Pulps

Observe Conan.

Pouca conversa.

Muito movimento.

Descoberta.

Mistério.

Combate.

Viagem.

Exploração.

As Pulps ensinavam ritmo.


Os Ilustradores

Outro detalhe fundamental.

As capas.

Eram verdadeiros espetáculos.

Dragões.

Monstros.

Espadas.

Mulheres guerreiras.

Robôs.

Alienígenas.

Tudo extremamente chamativo.


Frank R. Paul

Pai da ilustração de ficção científica.

Influenciou gerações.


Margaret Brundage

Suas capas de Weird Tales tornaram-se lendárias.

Belíssimas.

Polêmicas.

Sensuais.

Artísticas.


Depois Viria Frank Frazetta

Décadas mais tarde.

Frazetta herdaria esse espírito.

Mas elevaria tudo a outro nível.

Foi o elo entre as Pulps e a fantasia moderna.


O DNA Está em Todo Lugar

Observe com atenção.

Conan.

Dungeons & Dragons.

Warhammer.

Berserk.

Dark Souls.

Goblin Slayer.

Frieren.

Elden Ring.

Diablo.

The Witcher.

Mushoku Tensei.

Overlord.

Sword Art Online.

Todos carregam.

Em maior ou menor grau.

Um pouco das revistas pulp.


O Declínio

Após a Segunda Guerra Mundial.

A televisão cresce.

Os quadrinhos se popularizam.

Os livros de bolso tornam-se baratos.

As Pulps desaparecem lentamente.

Mas...

suas ideias...

não.


O Legado Invisível

Hoje ninguém entra numa banca procurando Weird Tales.

Mas todos consomem seus descendentes.

Filmes.

Games.

Animes.

Mangás.

RPGs.

Séries.

Tudo ainda respira o mesmo ar.


Easter Egg do Bellacosa Mainframe

Imagine um editor de 1933 recebendo um conto de Conan.

Ele olha para Howard e pergunta:

— Quantas páginas?

Howard responde:

— Vinte.

— Tem dragão?

— Não.

— Tem feiticeiro?

— Sim.

— Tem espada?

— Claro.

— Excelente.

Publica na próxima edição.

Enquanto isso, um editor moderno responde:

— Gostei muito, mas antes preciso de uma trilogia, um spin-off, uma série de streaming, um jogo mobile, um universo compartilhado, uma coleção de bonecos e um plano de marketing para 2035.

Howard provavelmente pegaria sua máquina de escrever... e escreveria outro conto para outra revista.


Curiosidades Que Pouca Gente Conhece

📰 O papel era considerado descartável

As revistas eram impressas em papel de baixa qualidade. Muitas foram jogadas fora após a leitura, tornando exemplares originais extremamente raros e valiosos para colecionadores.


✍️ Escritores recebiam por palavra

Esse modelo incentivava produtividade, mas também exigia histórias capazes de prender o leitor desde as primeiras linhas para garantir novas encomendas.


📬 Howard, Lovecraft e Clark Ashton Smith trocavam cartas

Esse diálogo constante ajudou a moldar conceitos, criaturas e estilos que influenciariam toda a fantasia moderna.


🎨 As capas eram parte essencial do sucesso

Ilustrações impactantes chamavam a atenção nas bancas e ajudavam a vender histórias para um público amplo, décadas antes do marketing digital.


🌍 As Pulps influenciaram muito mais do que literatura

Cinema, quadrinhos, RPGs, videogames, mangás e animes herdaram estruturas narrativas, arquétipos e personagens criados durante a era das revistas pulp.


Quando Tudo Cabia em Algumas Folhas de Papel

É curioso pensar que boa parte da cultura pop do século XXI nasceu em publicações feitas para durar pouco. As revistas pulp eram impressas em papel barato, vendidas por alguns centavos e, muitas vezes, descartadas após a leitura. Ainda assim, foi nelas que escritores como Robert E. Howard, H. P. Lovecraft, Clark Ashton Smith e tantos outros experimentaram ideias que redefiniriam a fantasia, o horror e a ficção científica.

Sem as Pulps, dificilmente haveria Conan, Cthulhu, Doc Savage, The Shadow, John Carter, Flash Gordon ou o estilo narrativo veloz que inspirou gerações de autores. Delas nasceram conceitos que atravessaram Dungeons & Dragons, Warhammer, Berserk, os MMORPGs e os isekais modernos.

Talvez essa seja a maior ironia da história da literatura fantástica: as obras criadas para serem lidas rapidamente e esquecidas acabaram sobrevivendo por mais de um século. Enquanto o papel se desfez, as ideias permaneceram vivas.

No universo do Bellacosa Mainframe, as revistas pulp representam o equivalente aos primeiros mainframes da computação. Eram simples, limitadas pelos recursos da época e vistas como tecnologia passageira. No entanto, assim como os grandes sistemas legados ainda sustentam bancos, seguradoras e governos, as Pulps continuam sustentando silenciosamente quase toda a fantasia moderna que consumimos hoje.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

📚 O Grande Bestiário da Fantasia

Das Revistas Pulp aos Animes Modernos

Uma viagem pelas raízes da fantasia moderna: mitologia, revistas pulp, Robert E. Howard, Conan, Frank Frazetta, RPG, quadrinhos europeus, Dark Fantasy, MMORPGs e a chegada dos grandes animes de fantasia.

17 capítulos disponíveis.

I
As origens

Volume I — Antes de Conan

Uma viagem às raízes da fantasia: Gilgamesh, Beowulf, sagas nórdicas, mitologias antigas, Lord Dunsany, William Morris e Edgar Rice Burroughs.

Ler o Volume I ↗
II
O criador

Volume II — Robert E. Howard

A vida do escritor de Cross Plains que criou Conan, Kull, Solomon Kane, Bran Mak Morn e estabeleceu as fundações da Sword and Sorcery.

Ler o Volume II ↗
III
Era Hiboriana

Volume III — O Universo Conan

A engenharia da Era Hiboriana: reinos, povos, religiões, mapas, civilizações e o primeiro grande world building da fantasia moderna.

Ler o Volume III ↗
IV
Arte fantástica

Volume IV — Frank Frazetta

Como a força, o movimento, as sombras e os monstros de Frazetta definiram visualmente a fantasia que conhecemos.

Ler o Volume IV ↗
V
RPG de mesa

Volume V — Dungeons & Dragons

Quando a fantasia deixou de ser apenas lida e passou a ser vivida por jogadores, mestres, guerreiros, magos e ladrões ao redor de uma mesa.

Ler o Volume V ↗
VI
Quadrinhos europeus

Volume VI — Métal Hurlant

A revista francesa que rompeu fronteiras entre fantasia, ficção científica, surrealismo e narrativa visual.

Ler o Volume VI ↗
VII
Fantasia adulta

Volume VII — Heavy Metal

Quando a fantasia europeia cruzou o Atlântico, ganhou novas vozes e conquistou a cultura pop mundial.

Ler o Volume VII ↗
VIII
Grimdark

Volume VIII — Warhammer Fantasy

O Velho Mundo, os Deuses do Caos, os Skaven e a fantasia sombria onde a vitória do bem nunca é garantida.

Ler o Volume VIII ↗
IX
Dark Fantasy

Volume IX — Berserk

Kentaro Miura reuniu séculos de fantasia, arte europeia, horror, tragédia e guerra em uma das obras mais influentes do mangá.

Ler o Volume IX ↗
X
D&D no Japão

Volume X — Record of Lodoss War

A campanha de RPG que virou romance, mangá e anime, criando uma ponte definitiva entre Dungeons & Dragons e a fantasia japonesa.

Ler o Volume X ↗
XI
Fantasia e humor

Volume XI — Slayers

Lina Inverse demonstrou que a fantasia podia rir dos próprios clichês sem abandonar magia, aventura, perigo e construção de mundo.

Ler o Volume XI ↗
XII
Magia e responsabilidade

Volume XII — Sorcerous Stabber Orphen

Um protagonista cínico, magos imperfeitos e um universo onde magia possui teoria, limites, custos e consequências humanas.

Ler o Volume XII ↗
XIII
Mundos persistentes

Volume XIII — Ultima Online, EverQuest e Ragnarok Online

Os MMORPGs transformaram a fantasia em mundos habitados 24 horas por dia, com guildas, mercados, guerras, profissões e comunidades reais.

Ler o Volume XIII ↗
XIV
Sociedade virtual

Volume XIV — Log Horizon

Um MMORPG deixa de ser apenas um jogo e se transforma em uma civilização com economia, leis, diplomacia, educação e governança.

Ler o Volume XIV ↗
XV
Realidade virtual

Volume XV — Sword Art Online

Quando um MMORPG deixou de ser apenas um mundo virtual e se tornou uma prisão onde perder a partida significava perder a própria vida.

Ler o Volume XV ↗
Capítulo especial

As Revistas Pulp

Weird Tales, Amazing Stories, Argosy, Black Mask e outras revistas que publicaram heróis, monstros, detetives e mundos que mudariam a cultura popular para sempre.

Ler o capítulo especial ↗
Ω
Conclusão da série

O Guia Definitivo da Evolução da Fantasia Moderna

O índice final da série, conectando todos os capítulos e revelando como mitologia, pulp, Conan, RPG, quadrinhos, games e animes fazem parte da mesma árvore genealógica.

Ler o guia definitivo ↗
A linhagem

Das tábuas de argila aos mundos virtuais

Mitologias Revistas Pulp Conan Frazetta D&D Quadrinhos Europeus Warhammer Berserk Animes MMORPGs Isekais

O Grande Bestiário da Fantasia
Uma jornada do papel barato das revistas pulp aos pixels brilhantes dos mundos virtuais.

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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Ponte rodoviaria Itatiba Sao Paulo, vida no fretado

Viagem de 160 quilómetros diariamente.



_ Tututuuuuuuuu, Tututuuuuuuuu

O corneteiro toca a alvora sao 4:58 da madruga, tenho 20 minutos para estar uniformizado e com equipamentos a postos, e depois correndo tenho mais 15 minutos para chegar ao ponto de encontro, o onibus chega a partir de 5:35, dando uma lambuja de 5 minutos antes de partir.



Parece roteiro de filme militar, mas essa é a vida de que mora no interior e usa da ponte rodoviária via fretado. Sao viagens para Frente e para Tras, mensalmente são percorridos mais de 3300 kms.

Partindo de Itatiba rumo a Sampa, o video em questão é a chegada em Sampa cruzando o rio Pinheiros rumo a Interlagos. E possível ver no video a estação elevatória no Rio Pinheiros, as marginais sentido bairro e sentido Tiete.

Esta é Sao Paulo com seu transito caótico logo as 7 da manha.

Na maior cidade da América Latina essa é a única constante, entra e sai governo o transito nunca melhora só piora, não adianta abrirem estradas, criarem novas avenidas ou alargar as existentes, mudam as mãos de direcção, aumentam ou diminuem a velocidade de acordo com o prazer sádico do legislador.

Porem cada vez andamos mais devagar nesta cidade de loucos. O quão difícil é construir mais linhas de metro e trem? usar o subterrâneo para desafogar o trafico.

Esqueci de comentar que basta ter uns pinguinhos de agua que a cidade para, irónico pensar que existem países onde se cae neve e  mesmo assim as cidades não param. Faça um teste saia de Pinheiro e viaje ate o aeroporto de Cumbica, depois publique aqui quantas horas levastes para andar 70 quilometros.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Mainframe History : Parte IV — Z3: O Computador que Desafiou a História

 

Bellacosa Mainframe e o outro computador z parte iv

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Muito Antes do IBM Z Existia Outro "Z"

Parte IV — Z3: O Computador que Desafiou a História

"Algumas máquinas são importantes porque venderam milhões de unidades. Outras porque inauguraram uma nova era. O Z3 pertence à segunda categoria."

Em nossa última viagem conhecemos o Z1, uma obra-prima da engenharia mecânica. Também vimos que Konrad Zuse rapidamente percebeu uma verdade que todo arquiteto de hardware aprende cedo ou tarde: uma ideia brilhante nem sempre resulta em uma máquina confiável.

As delicadas barras metálicas do Z1 representavam bits com elegância, mas também traziam um problema quase insolúvel para a tecnologia da época: precisão mecânica.

Bastava um pequeno desalinhamento.

Uma mola ligeiramente desgastada.

Uma barra que não deslizasse exatamente como deveria.

E toda a sequência lógica era comprometida.

Foi então que Zuse encontrou um velho conhecido da indústria telefônica.

O relé.

Essa decisão mudaria completamente o rumo do projeto.

O resultado apareceu em 1941.

Seu nome era Z3.

Hoje, muitos historiadores o consideram o primeiro computador programável, automático e funcional do mundo.


A Guerra Contra o Tempo

É impossível falar do Z3 sem lembrar do contexto histórico.

A Europa já estava mergulhada na Segunda Guerra Mundial.

Recursos eram escassos.

Materiais estratégicos eram destinados ao esforço militar.

Muitos cientistas foram direcionados para projetos ligados ao governo.

Mesmo assim, Konrad Zuse continuava perseguindo um sonho muito diferente.

Enquanto vários laboratórios buscavam construir máquinas específicas para resolver problemas militares, Zuse insistia em criar uma máquina de propósito geral.

Ele não queria apenas uma calculadora mais rápida.

Queria um computador.

Essa diferença parece pequena.

Na prática, mudava tudo.


O Que Tornava o Z3 Especial?

À primeira vista, o Z3 parecia um enorme armário metálico.

Quem esperasse uma máquina cheia de luzes piscando ficaria decepcionado.

Não havia telas.

Não havia monitores.

Não havia teclado.

Muito menos mouse.

O interior era ocupado por aproximadamente 2.600 relés eletromecânicos.

Cada relé funcionava como um interruptor controlado eletricamente.

Quando energizado, fechava um contato.

Quando desligado, abria esse contato.

Zero.

Um.

Ligado.

Desligado.

Mais uma vez, a essência da computação permanecia incrivelmente simples.


🔧 Oficina do Engenheiro

Um relé pode ser entendido como um ancestral direto do transistor.

A diferença é a escala.

Enquanto um transistor mede poucos nanômetros e muda de estado bilhões de vezes por segundo, um relé mede centímetros, produz um clique audível e leva alguns milissegundos para completar o movimento.

A lógica, entretanto, continua exatamente a mesma.


Os Bits Agora Faziam Barulho

Quem já trabalhou com antigas centrais telefônicas conhece aquele som característico.

"Clique."

"Clique."

"Clique."

Era exatamente isso que acontecia dentro do Z3.

Cada operação matemática produzia centenas ou milhares de pequenos estalos.

Era possível literalmente ouvir a computação acontecendo.

Hoje um IBM z17 executa bilhões de instruções em absoluto silêncio.

No Z3, cada cálculo possuía uma trilha sonora própria.

Imagine um programa COBOL executando um SORT.

Agora imagine ouvir cada comparação de chaves.

Era quase isso.


☕ Café com Naftalina

Se um Sysprog pudesse viajar no tempo e entrar na sala onde o Z3 funcionava, provavelmente estranharia a ausência de consoles, telas e LEDs.

Mas reconheceria imediatamente outra coisa.

A disciplina.

A organização.

Os procedimentos.

A preocupação constante com confiabilidade.

A engenharia de sistemas já existia muito antes do termo "TI" ser criado.


Finalmente, um Computador Confiável

O grande mérito do Z3 não foi apenas ser mais rápido.

Foi ser muito mais confiável.

Os relés eliminavam boa parte dos problemas mecânicos do Z1.

Embora ainda fossem componentes móveis, possuíam repetibilidade muito maior.

A máquina conseguia executar programas completos.

Realizar sequências complexas de operações.

Produzir resultados consistentes.

Esse era o verdadeiro salto tecnológico.

Pela primeira vez, um computador deixava de ser apenas um experimento de laboratório para se tornar uma ferramenta realmente utilizável.


A Arquitetura Continua Familiar

Se desmontássemos conceitualmente um Z3, encontraríamos elementos que qualquer profissional IBM Z reconheceria.

Uma unidade de controle.

Uma unidade aritmética.

Memória.

Dispositivos de entrada.

Dispositivos de saída.

Fluxo de instruções.

Sincronização.

Hoje chamamos isso de arquitetura de computadores.

Naquela época, era simplesmente o projeto de Zuse.


Memória e Precisão

O Z3 manteve o uso de números em ponto flutuante.

Essa decisão revela o quanto Zuse pensava como engenheiro.

Ele não queria apenas resolver problemas acadêmicos.

Queria calcular estruturas.

Pontes.

Edifícios.

Componentes aeronáuticos.

Problemas reais exigiam precisão.

Essa preocupação permanece viva até hoje.

Quando um banco executa cálculos financeiros em um IBM Z, espera exatamente o mesmo comportamento: resultados previsíveis, repetíveis e corretos.


📦 Baú do Sysprog

Uma das características mais admiradas dos mainframes IBM é sua capacidade de produzir exatamente o mesmo resultado milhões de vezes, sem desvios.

Esse conceito de previsibilidade já era uma obsessão de Konrad Zuse.

Mesmo trabalhando com relés, ele buscava eliminar qualquer comportamento imprevisível da máquina.


Programando o Z3

O programa continuava sendo armazenado externamente.

Nada de SSD.

Nada de DASD.

Nada de FICON.

Nada de NVMe.

As instruções eram fornecidas por meio de filme perfurado.

Cada furo representava uma operação.

Hoje carregamos programas em memória utilizando LOAD, Binder e Program Objects.

Na época, bastava posicionar corretamente uma longa fita perfurada.

A tecnologia mudou.

A ideia permaneceu.

Separar o programa da máquina.


O Que Faltava?

Curiosamente, o Z3 já possuía quase todos os ingredientes da computação moderna.

Mas ainda havia limitações importantes.

Os programas não eram armazenados na própria memória.

A velocidade dos relés ainda era modesta.

A capacidade de memória era pequena.

Mesmo assim, a fundação estava pronta.

Tudo o que viria depois — válvulas, transistores, circuitos integrados, microprocessadores e processadores Telum — apenas refinaria uma arquitetura cujo esqueleto já existia.


Enquanto Isso, no Outro Lado do Mundo...

Durante muitos anos, o ENIAC foi apresentado como "o primeiro computador".

Hoje sabemos que essa afirmação precisa de contexto.

O ENIAC foi extraordinário.

Assim como o Colossus.

Assim como o Harvard Mark I.

Cada um resolveu problemas diferentes utilizando tecnologias diferentes.

O Z3, entretanto, possuía características que o colocam em posição única.

Era automático.

Programável.

Digital.

Baseado em sistema binário.

Capaz de executar diferentes sequências de instruções.

Por isso, muitos historiadores defendem que ele merece o título de primeiro computador programável plenamente funcional.

Mais importante do que decidir quem "chegou primeiro" é compreender que a computação moderna nasceu de várias mentes brilhantes trabalhando, muitas vezes sem conhecer os projetos umas das outras.


O Que um Sysprog Aprende com o Z3?

A história do Z3 ensina uma lição que continua extremamente atual.

Não basta inovar.

É preciso construir sistemas confiáveis.

Qualquer profissional IBM Mainframe sabe que disponibilidade é uma característica de projeto, não um acidente.

Um sistema precisa continuar funcionando quando submetido à carga.

Precisa produzir resultados corretos.

Precisa ser previsível.

Essa cultura, tão presente no universo IBM Z, encontra um de seus ancestrais no trabalho de Konrad Zuse.

Ele percebeu que um computador não seria revolucionário apenas porque realizava cálculos.

Seria revolucionário quando pudesse fazê-los repetidamente, corretamente e com confiança.

Essa filosofia atravessou décadas.

Chegou ao System/360.

Ao ESA/390.

Ao zSeries.

Ao IBM Z.

E continua viva em cada IPL bem-sucedido, em cada transação CICS concluída e em cada lote encerrado com RC=0000.


No Próximo Café...

A guerra termina.

Berlim está em ruínas.

Muitos acreditavam que o trabalho de Konrad Zuse também havia acabado.

Estavam enganados.

Na próxima parte conheceremos o Z4, o computador que sobreviveu à guerra, cruzou montanhas, encontrou abrigo na Suíça e se tornou um dos primeiros computadores comerciais da Europa.

É uma história de engenharia, coragem e persistência.

Porque algumas máquinas não apenas processam dados.

Elas sobrevivem à própria História.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Histórias com Cheiro de Naftalina

O Guia do Viajante do Tempo

Muito Antes do IBM Z Existia Outro “Z”

Viaje pelas origens da computação, conhecendo Konrad Zuse, Herman Hollerith, Tommy Flowers, John von Neumann, o Colossus, o EDVAC, o IBM System/360 e os pioneiros que construíram o caminho até o IBM Z.

ARTIGO SELECIONADO

O Guia do Viajante do Tempo

Abrir em nova guia ↗
Preparando a máquina do tempo...

Caso o navegador impeça a exibição incorporada, utilize o botão Abrir em nova guia.

☕ Quem não conhece o passado não entende o código do futuro.

Bellacosa Mainframe — tecnologia, história, COBOL, IBM Z e memória.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Caminhada pelos sertoes de Carrancas

Uma boa aventura em Carrancas-MG

Formula para uma aventura unica: junte um grupo de amigos porra loucas, uma boa cidade com muitas trilhas, cachoeiras, corredeiras, cavernas, fauna e flora protegida e bastante area verde.

E proximos a nos existe uma cidade que reune tudo isso: Carrancas MG, estes videos referem-se a uma aventura ocorrida em no ano 2000. Divirtam-se

A Cidade de Carrancas.



Caminhando para fora da cidade.



Gruta, tuneis e cavernas em Carrancas




Rios e cachoeiras





Corredeiras e aventuras





segunda-feira, 4 de abril de 2016

Viagens passadas: Santa Catarina e o Beto Carrero World.

Rumo a diversão em 1999.


El Jefe e família tiraram ferias é foram conhecer o Beto Carrero World em Santa Catarina, uma aventura deliciosa onde passeamos bastante, vimos novas realidades, provamos novos sabores e curtimos bons momentos que ficaram gravados nestes pequenos videos-fotos.

Espero que curtam este momento único em que a família inteira se diverte.

O tubarão na baía dos piratas no BCW.


A vila germânica no BCW.




Escalibur e os cavaleiros da tavola redonda no BCW.



Africa e o joao de barro no BCW.




O cowboy no faroeste no BCW.




Aviaoneta em Brusque.



O teleferico em Brusque.




Camburiu e seus magnatas.




A trupe passeando de barco.



BR 381 em Atibaia o por do sol

Quase terminando nossa aventura.


Continuamos na Fernão Dias, mas estamos quase chegando ao trevo da Dom Pedro, tivemos um pouco de congestionamento devido a uns caminhoes de obra na pista.



Por sorte foi rápido e conseguimos voltar a nossa velocidade de cruzeiro, o sol esta se pondo e os matizes em laranja avermelhando cobrem nosso lado direito.

E uma visão bonita ver os vales entre os montes tudo avermelhado e a bolinha do sol la longe entre as montanhas. Totalmente relaxante.

Adoro o por do sol durante o outono, parece que o vermelho fica mais vivo, tocando todo o horizonte.

Com isso encerramos nossa aventura a Monte Verde, nos vemos na próxima viagem.

domingo, 3 de abril de 2016

BR 381 cruzando por Bragança Paulista

Hora de decisão.


Estamos passando por Bragança Paulista temos 2 opções de trajecto, entrar por Bragança e sair em Itatiba ou seguir em frente ate Atibaia e pegar a Dom Pedro.



As 2 opções tem vantagens e desvantagens, como esta escuro e queremos chegar cedo em casa, optamos pelo trajecto teórico mais longo, ir pela Dom Pedro, porem é o que chegaremos mais rápido.

Infelizmente o trecho por Bragança a estrada é lenta, passando por diversos cruzamentos em nível, transito local, animais na pista e pista esburacada.

Se fosse durante o dia o primeiro trajecto era mais gostoso, mas a noite optamos pelo percurso mais rápido.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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