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segunda-feira, 21 de outubro de 2024

A Lanterna de Diógenes, a Vaga de Medicina e o Hambúrguer Vegano de Boutique

 

Bellacosa Mainframe desconfiado com hamburguer veganos e as cotas com brechas legais

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

A Lanterna de Diógenes, a Vaga de Medicina e o Hambúrguer Vegano de Boutique

Ou: quando o filósofo cínico entrou numa hamburgueria sem boi, olhou a embalagem, perguntou quem pagou o cursinho e descobriu que princípios também precisam de auditoria

Há conversas que começam com uma pessoa e terminam num espelho. A personagem desta história poderia ser uma jovem aplicada, inteligente, estudiosa, vegana convicta, defensora de inclusão racial, direitos LGBT+ e proteção dos animais. Poderia ser também um rapaz conservador, um executivo que fala de meritocracia, um sindicalista que condena privilégios alheios, ou o sujeito que faz discurso ecológico enquanto deixa a churrasqueira acesa a tarde inteira.

O caso particular importa menos que a pergunta que ele provoca: o que acontece quando nossos princípios encontram exatamente o privilégio que nos beneficia?

Para responder, vamos convidar Diógenes de Sinope. O filósofo grego é famoso por morar num tonel, provocar os poderosos e andar de dia com uma lanterna procurando, segundo a tradição, “um homem honesto”. Não é um modelo completo de vida — ele podia ser deliberadamente desagradável, e ninguém precisa abandonar o banho, a casa e a civilização para ter ética. Mas a lanterna dele continua útil: ela não pergunta qual causa está impressa na camiseta; ela ilumina aquilo que a pessoa não quer ver em si mesma.

E, se Diógenes aparecesse em 2024 numa conversa brasileira, provavelmente não começaria perguntando se você come carne. Perguntaria: “quem paga sua coerência?”


1. Princípio não é uniforme moral

Ter princípios é uma coisa admirável. Defender animais contra crueldade, combater racismo, rejeitar discriminação contra pessoas LGBT+, preocupar-se com o ambiente: tudo isso pode nascer de empatia real. O problema não é acreditar muito em algo. O problema começa quando a convicção vira salvo-conduto para deixar de examinar as próprias escolhas.

Existe uma diferença enorme entre dizer “eu não como animais porque isso fere minha consciência” e dizer “quem come é moralmente inferior e precisa ser convertido”. A primeira frase descreve uma decisão pessoal. A segunda inaugura uma hierarquia religiosa, mesmo quando a religião se apresenta como consciência política.

O termo carnismo, ou pejorativamente CARNISTA usado por parte do ativismo vegano para nomear a normalização cultural do consumo de carne, pode ter lugar numa discussão acadêmica. Em uma conversa de mesa, porém, ele frequentemente chega com a função prática de carimbar o interlocutor como réu. E quase ninguém aprende quando a conversa começa pela acusação. A reação comum é a reatância: quanto mais alguém tenta controlar sua escolha, mais você sente vontade de reafirmar sua liberdade — ainda que só de birra.

Daí a piada amarga: uma pessoa que queria diminuir o consumo de carne talvez consiga exatamente o contrário se usar o veganismo como megafone moral. Não porque a causa seja absurda, mas porque ninguém gosta de receber sermão durante o almoço.

Diógenes provavelmente beberia um gole de água, olharia para o pregador e perguntaria: “Você deseja aliviar sofrimento ou deseja vencer uma discussão?” São objetivos diferentes. O primeiro aceita diálogo, contradição e progresso imperfeito. O segundo precisa de pecadores para continuar existindo.

2. A vaga de cota e a diferença entre a lei e sua alma

Agora entra a universidade pública, especialmente medicina — a fila onde princípios abstratos passam a custar muito caro.

A Lei de Cotas reserva ao menos 50% das vagas das instituições federais para estudantes que fizeram integralmente o ensino médio em escola pública. Dentro dessa reserva, metade é destinada a famílias com renda de até um salário mínimo por pessoa. Há ainda recortes de pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência conforme a composição populacional da unidade federativa. Desde a atualização de 2023, o candidato concorre primeiro na ampla concorrência; só se não entrar por ela é que passa às vagas reservadas.

Isso significa que a lei possui dois mecanismos ao mesmo tempo. Um deles é claramente econômico: pelo menos 25% do total de vagas é protegido para quem tem baixa renda per capita. O outro usa “ensino médio integral em escola pública” como sinal de desvantagem educacional — e esse sinal é útil na média, mas falha nos extremos.

Imagine duas candidatas à mesma vaga de medicina. A primeira sempre estudou em escola pública, trabalha ou ajuda em casa, teve acesso precário a computador, não fez cursinho caro e talvez tenha tentado o ENEM enquanto enfrentava transporte, renda curta e família sem formação universitária. A segunda é filha de pais com renda conjunta de cinquenta mil reais por mês. Estudou em colégio particular, fez inglês e cursinho de ponta; depois, por estratégia perfeitamente legal, passou todo o ensino médio numa escola pública, em paralelo estudou cursinho pré-vestibular e se tornou elegível à reserva sem critério de renda.

As duas cumpriram, em tese, o requisito escolar. Mas não carregaram a mesma vida até a prova.

Isso não autoriza chamar a segunda de fraudadora. Se a documentação é verdadeira, ela está dentro da lei. Pode ter estudado muito, falhado em tentativas anteriores, perseverado e finalmente alcançado uma nota alta. Mérito existe. Só que mérito nunca chega nu ao vestibular: ele chega de ônibus, com computador ou sem computador, depois de jornada de trabalho ou depois de cursinho, com pais que entendem o processo seletivo ou com pais que jamais tiveram contato com uma faculdade.

Há algo intelectualmente fraco em fingir que toda aprovação é só mérito individual; e há algo igualmente fraco em fingir que esforço não conta. A leitura adulta suporta as duas verdades. A jovem esforçou-se. E a estrutura familiar tornou possível que seu esforço fosse mais longo, mais protegido e melhor equipado.

O problema ético aparece quando alguém defensor da justiça distributiva trata essa vantagem como se ela não existisse. A lei pode permitir; a pergunta de Diógenes é se ela deveria querer usar a permissão. A regra tem letra. A política pública tem finalidade. Quando uma família muito rica planeja a rota escolar para entrar numa reserva concebida para compensar desigualdades, ela pode obedecer à letra e contrariar a finalidade.

3. A média nacional não é a fila de medicina

Aqui convém não cair em outro exagero. Não é correto imaginar que as federais inteiras foram sequestradas por jovens ricos fingindo ser pobres. A Pesquisa de Perfil Socioeconômico dos Graduandos das IFES, divulgada pela Andifes com dados de 2018, apontou que 70,2% dos alunos presenciais tinham renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio; 60,4% haviam feito todo o ensino médio na rede pública; e 48,3% eram cotistas. É uma mudança social concreta no perfil das universidades federais.

Portanto, cotas não são uma farsa integral nem simples “lei para o meio”. Elas abriram a universidade para muitos jovens cuja família não teve universidade, renda estável ou capital cultural. Isso merece ser reconhecido sem asterisco maldoso.

Mas uma média de toda a universidade não responde à pergunta mais incômoda: como se distribuem renda, cursinho, tentativas de ENEM e origem escolar nas carreiras de altíssimo retorno? Medicina não é Letras. Odontologia em curso concorrido não é uma licenciatura que tem dificuldade até de completar a turma. Há cursos em que a vaga remanescente é um problema administrativo; há cursos em que um décimo na redação muda uma vida inteira.

Nas filas mais competitivas, a assimetria de preparação tende a pesar mais. Quem dispõe de dinheiro pode comprar anos adicionais de estudo, materiais, simulados, orientação, tranquilidade para não trabalhar e a possibilidade de errar uma, duas ou três vezes antes de acertar. Não é culpa individual possuir esses recursos. O ponto é não fingir que eles deixam de existir quando a pessoa preenche a modalidade “escola pública”.

Uma política mais precisa talvez mantivesse a reserva por escola pública, mas escalonaria renda e patrimônio de maneira mais fina; também poderia distinguir quem sempre dependeu da rede pública de quem entrou nela apenas como estratégia. Não para humilhar ninguém, mas para impedir que uma aproximação estatística se transforme num manual de planejamento para os já favorecidos.

4. O hambúrguer sem boi não vem sem mundo

Voltemos à mesa. A jovem vegana frequenta hamburguerias veganas caras, pizzarias veganas de boutique, casas japonesas veganas e compra produtos de marca, prontos, embalados, às vezes trazidos por longa cadeia de transporte. Isso invalida sua decisão de não consumir animais? Não. Um hambúrguer vegetal pode, sim, evitar a participação direta na criação e no abate de um boi. Se a prioridade moral dela é sofrimento animal, há coerência nessa escolha.

Mas isso não permite empacotar todas as virtudes numa mesma sacola de delivery.

“Vegano” responde principalmente à presença de ingredientes e exploração de origem animal. Não responde automaticamente a embalagem, refrigeração, consumo de energia, distância percorrida, precarização do entregador, ultraprocessamento, desperdício ou preço inacessível. Um produto pode ser vegano e ainda ser um pequeno monumento ao consumo premium contemporâneo.

Essa é a razão pela qual a expressão “vegana nutella” faz rir. Não porque cozinhar em casa seja requisito de pureza moral — nem todo mundo tem tempo, quintal ou vocação para virar agricultor. Ela aponta para outra coisa: a pessoa mantém intacto o modelo de consumo sofisticado, industrial, altamente embalado e identitário, mas passa a tratá-lo como superior em todos os eixos apenas porque retirou o animal da receita.

Diógenes não exigiria que todos plantassem grão-de-bico. Mas talvez perguntasse se a embalagem dourada, o delivery e o marketing de “consciência” são parte inevitável do princípio ou apenas o conforto que a pessoa não deseja sacrificar. A resposta honesta poderia ser: “Não consigo viver de modo ambientalmente perfeito; minha prioridade é o animal.” Pronto. É uma posição limitada, porém intelectualmente limpa.

O problema é reivindicar pureza total enquanto se recusa a auditar a própria pegada.

5. Carne, sangue e a bandeja que apaga o bicho

Também é fácil fazer moralidade abstrata com carne quando nunca se viu sua origem. Quem cresceu em casa onde se criava galinha ou porco e se abatia o animal para alimentação conhece uma verdade que a bandeja de supermercado tenta apagar: carne não nasce de isopor, plástico-filme e promoção de terça-feira.

Essa proximidade não torna o abate bonito nem obriga ninguém a aceitá-lo. Mas impede a fantasia higienizada. Uma pessoa pode comer carne e ainda defender criação decente, abate com menos sofrimento, fiscalização séria, menos desperdício e consumo menos automático. Pode também ser vegana e defender o fim de toda exploração animal. São posições opostas sobre o uso do animal, mas ambas podem ser éticas se encararem a realidade em vez de fingirem que ela não existe.

Há até uma correção curiosa: o líquido vermelho da carne não é “sangue” no sentido comum; o abate busca drenar o sangue. A cor vem sobretudo de água e mioglobina, proteína muscular. Mesmo assim, muita gente percebe que a carne moderna tem menos sabor, menos aroma e textura mais padronizada. Seleção por crescimento e rendimento, animais mais jovens e magros, dieta uniforme com milho e farelo de soja, embalagens a vácuo, congelamento e cortes com pouca gordura intramuscular ajudam a explicar a sensação. Gordura carrega sabor. A eficiência industrial frequentemente entrega previsibilidade, não memória afetiva.

E as palavras colaboram para esconder a origem. Dizemos “carne bovina”, “proteína animal”, “corte premium”, “blend”, “filé mignon”. Não são mentiras; são camadas de distância. No inglês, essa distância ficou gravada na história: o camponês anglo-saxão cuidava da cow, do pig e do sheep; a elite normanda comia beef, pork e mutton, palavras trazidas do francês. No português, não há divisão histórica tão profunda: boi e carne de boi, porco e carne de porco, coelho e coelho. “Bovino” e “suíno” vêm do latim e soam técnicos, não pertencem a outro povo conquistador. Nossa cortina é mais moderna: indústria, marketing e conforto psicológico.

6. O rato, a cidade e a ética que precisa escolher prioridades

Talvez o episódio mais instrutivo seja a briga com um comerciante que mata ratos no próprio estabelecimento. É fácil enxergar a compaixão: rato é animal, sente dor, não deveria sofrer gratuitamente. Mas uma ética que para aí não terminou o raciocínio. Há alimento, clientes, funcionários, doenças, contaminação e responsabilidade sanitária. A pergunta não é “ratos merecem tortura?” Claro que não. A pergunta é: quais métodos controlam a infestação com menor sofrimento e menor risco às pessoas?

É justamente aí que princípios saem do cartaz e entram no mundo. Uma posição madura não exige que o comerciante conviva com a praga em nome de uma pureza abstrata; exige prevenção, limpeza, barreiras, controle profissional e métodos proporcionais. Ética não é o prazer de apontar a crueldade de alguém. É carregar o peso das consequências quando todos os caminhos têm custo.

7. A auditoria que vale para todos — inclusive para nós

O erro mais fácil é transformar essa jovem numa vilã perfeita. Ela provavelmente não é, pelo contrario é uma das jovens mais adoraveis que conheci, uma pessoa impar pelo seu esforço, sagacidade e perseverança. Pode ter genuína compaixão por animais, ter estudado de verdade e acreditar sinceramente que fez o correto. Pessoas não são arquivos COBOL com um único IF determinando toda a personalidade. Somos sistemas legados: regras bonitas, remendos antigos, condições não documentadas e uma exceção escondida que só aparece em produção.

Mas a intenção boa não elimina a necessidade de revisão. E a revisão vale para todos nós.

Quem condena a jovem pela vaga de cota deve também perguntar que privilégios próprios trata como naturais. Quem ri do hambúrguer vegano de boutique deve examinar desperdício, origem da carne e escolhas de consumo. Quem defende a ampla concorrência precisa perguntar se sua definição de mérito inclui dinheiro comprado como “esforço”. Quem defende cotas precisa perguntar se a ferramenta está chegando primeiro a quem tem menos alternativas.

É a parte que Diógenes entendia melhor do que quase todo mundo: o cinismo útil não é achar que todos são falsos; é desconfiar do ponto preciso em que cada pessoa deixa de aplicar a própria regra.

Ele talvez não resolvesse a política de cotas, não acabasse com o abate animal nem oferecesse uma dieta ideal. Mas levantaria a lanterna e perguntaria, a cada lado da mesa: “Você defende isso mesmo quando perde algo?”

Se a resposta for sim, há princípio. Se a resposta for “sim, exceto quando a vaga é minha, o conforto é meu, o restaurante é meu e a conta é minha”, talvez haja menos ética do que identidade.

Epílogo — O tonel não tinha iFood

No final, ninguém precisa virar Diógenes, morar num tonel ou comer feijão plantado no quintal para ter uma vida minimamente coerente. A civilização é feita de compromissos, limitações e contradições. O objetivo não é pureza; pureza costuma ser uma arma ótima para acusar os outros e impossível de praticar até o fim.

O objetivo é honestidade proporcional.

Reconhecer que comer carne envolve um animal. Reconhecer que um produto vegano pode proteger animais e ainda gerar outros impactos. Reconhecer que cotas corrigem desigualdades reais, mas podem ter brechas exploráveis. Reconhecer que esforço pessoal existe, mas chega à linha de partida acompanhado por classe social, família, informação e dinheiro. Reconhecer que defender minorias não nos imuniza contra nossos próprios privilégios.

Uma ética que começa por vigiar o prato, a vaga ou a fala do vizinho pode virar polícia moral. Uma ética que inclui a própria biografia vira caráter.

E talvez seja essa a única lanterna que vale carregar: não a que procura o pecador na mesa ao lado, mas a que ilumina o próprio recibo.


Referências para aprofundamento

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

🏺 Diógenes e o século XXI: o cínico que habita o caos

 

Bellacosa Mainframe apresenta diogines o cinico

🏺 Diógenes e o século XXI: o cínico que habita o caos

1. A vida minimalista e a rejeição de aparências

Diógenes rejeitava convenções, riqueza, fama e normas sociais vazias.
Ele vivia com o mínimo, questionava o poder e confrontava hipocrisia diretamente.
Hoje, você percebe paralelos:

  • Redes sociais forçam ostentação, performance e aprovação constante.

  • Trabalho e consumo saturam a vida de estímulos desnecessários.

  • Propagandas e algoritmos tentam manipular desejos.

O Cínico diria: “Desligue, minimize, questione — viva com o essencial.”
O problema moderno é que vivemos em uma aldeia de espelhos digitais que amplifica o supérfluo.


2. A crítica social radical

Diógenes não media palavras: criticava ricos, poderosos e moralistas com ironia direta.
Hoje, o equivalente seria alguém que expõe hipocrisia de mídia, política, religião e cultura pop, sem medo de ser cancelado ou silenciado.
A diferença é que o século XXI adicionou algoritmos de reforço, que podem amplificar crítica ou, ao contrário, aprisioná-lo em bolhas de confirmação.


3. Autossuficiência e liberdade interior

O Cínico acreditava que a felicidade não vinha de coisas externas — poder, dinheiro, fama — mas de autonomia e desapego.
Se refletirmos:

  • Muitos se irritam com comida, política, cinema ou trabalho (como você comentou).

  • Essa irritação é sinal de conflito entre valores internos e o ruído externo.

  • A escola cínica, nesse sentido, oferece uma ferramenta de sobrevivência mental: desprender-se do que não importa.


4. A vida moderna como “simulação de excesso”

O século XXI é como uma versão digital daquilo que Diógenes rejeitava:

  • Consumo desenfreado, aparências constantes, distrações infinitas.

  • Redes sociais criam palco para vaidade, competição e comparação.

  • Algoritmos alimentam polarização, medo e frustração.

Então, o “cínico moderno” precisa filtrar ruído, escolher autonomia, preservar atenção e discernimento — exatamente como Diógenes fazia, só que com desafios digitais e sociais diferentes.


5. Manipulação x realidade

A questão que você coloca — “quanto disso é real e quanto é manipulação do século XXI?” — é crucial.

  • O mundo moderno é projetado para explorar emoções e expectativas humanas.

  • Mas isso não invalida a percepção de injustiça, absurdo ou hipocrisia.

  • Diógenes nos ensina: a consciência do absurdo não depende da manipulação, mas de olhar com clareza e coragem.


☕ Epílogo Bellacosa

Se Diógenes vivesse hoje, provavelmente:

  • Moraria fora do consumo desenfreado, talvez numa “aldeia offline”.

  • Ignoraria polarização digital, focando em liberdade interior.

  • Questionaria a cultura, os algoritmos, a política e os rituais modernos, com ironia e lucidez.

E você, Vagner, ao se identificar com ele, está resgatando essa postura de autonomia, crítica e atenção ao essencial — algo que o século XXI insiste em ofuscar.

sábado, 20 de março de 2021

🏛 A Jornada Impossível de Bellacosa — Capítulo 2 1/2 : O COBOL

Bellacosa Mainframe e diogenes cobol 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Diógenes, COBOL e o Barril em Produção

🏛️ A Jornada Impossível de Bellacosa — quando o filósofo encontrou um programa escrito em 1978 e descobriu que ainda estava rodando

O sol queimava as pedras da Acrópole.

Atenas brilhava abaixo de nós, branca, barulhenta e absolutamente convencida de que sua civilização duraria para sempre.

Diógenes caminhava ao meu lado.

Eu ainda carregava na cabeça a estranha sensação de olhar para o Pártenon novo sabendo que, milhares de anos depois, homens atravessariam oceanos para fotografar suas ruínas.

Foi então que Diógenes parou.

— Bellacosa.

— Diga.

— Tu falas constantemente desse tal COBOL.

Pronto.

Eu sabia que isso aconteceria.

Respirei fundo.

Como explicar COBOL para um sujeito que morava num barril, desprezava convenções sociais e provavelmente consideraria um organograma corporativo uma evidência da decadência humana?

— COBOL é uma linguagem criada no meu tempo...

Ele levantou a mão.

— Não.

— Não?

— Já começaste errado.

Diógenes sentou-se numa pedra.

— Não quero saber o que os homens dizem que ele é. Quero saber o que ele faz.

Maldito filósofo.

Tinha acabado de inventar a análise de requisitos.



🏺 IDENTIFICATION DIVISION

Sentei-me ao lado dele.

— Muito bem. COBOL é uma linguagem usada para ensinar máquinas a executar regras de negócios.

Diógenes franziu a testa.

— Negócios?

— Bancos. Seguros. Governos. Folhas de pagamento. Cartões. Contabilidade. Reservas. Transações.

Ele ficou alguns segundos em silêncio.

— Então não é uma linguagem para conversar com máquinas.

— Tecnicamente...

— É uma linguagem para explicar a burocracia humana às máquinas.

Parei.

Olhei para ele.

— Por Zeus, Diógenes.

— Quem é Zeus?

— Esquece.

Ele sorriu.

— Continue.

Expliquei que COBOL havia sido criado em 1959. Que uma das figuras fundamentais da história fora Grace Hopper. Que a ideia era permitir programas próximos da linguagem utilizada nos negócios.

Escrevi na areia:

IF SALDO >= VALOR
    SUBTRACT VALOR FROM SALDO
ELSE
    DISPLAY 'SALDO INSUFICIENTE'
END-IF.

Diógenes observou.

— Consigo entender.

— Exatamente.

— Então por que os homens do teu tempo zombam disso?

Silêncio.

House M.D. teria entrado naquele momento, olhado os exames e dito:

“Idiopatia corporativa.”



🩺 O diagnóstico

Expliquei:

— Dizem que COBOL é velho.

Diógenes apontou para o Pártenon.

— Aquilo também ficará velho?

— Muito.

— Deixarão de admirá-lo?

— Não.

— Então idade não é argumento.

Primeiro abend filosófico.

Tentei novamente.

— Dizem que existem linguagens mais modernas.

— Naturalmente.

— Python, Java, JavaScript, Go, Rust...

— São melhores?

— Depende do problema.

Ele sorriu.

Eu havia caído na armadilha.

— Então "moderno" também não é argumento.

Segundo abend filosófico.

Comecei a desconfiar de que apresentar uma arquitetura corporativa para Diógenes seria extremamente perigoso.


🏛️ O homem que procurava um programa honesto

Diógenes ficou famoso por caminhar durante o dia carregando uma lamparina e dizendo procurar um homem honesto.

No CPD do século XXI, provavelmente faria outra coisa.

Entraria numa instalação bancária carregando a lanterna.

Passaria pelos corredores.

Entraria numa reunião Agile.

Nada.

Passaria pelo departamento de transformação digital.

Nada.

Entraria numa apresentação chamada:

Digital Cloud Native AI Driven Cognitive Hyperautomation Transformation Journey 2030.

O executivo perguntaria:

— O senhor procura alguém?

Diógenes levantaria a lanterna.

— Procuro o programa que realmente movimenta o dinheiro.

Silêncio.

Um arquiteto apontaria discretamente para o andar de baixo.

Diógenes desceria.

Encontraria um IBM Z.

Abriria um source.

       IDENTIFICATION DIVISION.
       PROGRAM-ID. PGMPGTO.

E apagaria a lanterna.

— Encontrei.


🪔 “Mas Bellacosa... por que ainda funciona?”

Essa seria a pergunta inevitável.

E talvez seja uma das melhores perguntas sobre COBOL.

Porque estamos acostumados a interpretar longevidade como defeito.

Um programa tem quarenta anos?

“Legado.”

Uma aplicação nasceu em 2025?

“Moderna.”

Diógenes provavelmente gargalharia.

— Então um programa que sobreviveu durante quarenta anos é suspeito, enquanto aquele que existe há seis meses recebe tua confiança?

— Quando você coloca dessa maneira...

— Estou apenas colocando da maneira como disseste.

Touché.

Software antigo não é automaticamente software bom.

Existem monstruosidades COBOL.

Programas com dez mil linhas.

GO TO arqueológico.

Copybooks que ninguém ousa alterar.

Variáveis chamadas WS-A, WS-AA, WS-AAA.

Comentários de 1989:

*> NAO ALTERAR ESTA ROTINA

Sem explicar por quê.

Naturalmente.

O programador morreu.

O analista aposentou.

A empresa foi comprada duas vezes.

O documento está numa fita magnética localizada provavelmente na Atlântida.

Mas o programa continua funcionando.

E isso muda a investigação.


🩺 House M.D. entra no CPD

House observaria um batch executado diariamente desde 1994.

— Está funcionando?

— Sim.

— Então por que querem reescrever?

— Porque é legado.

House olharia novamente.

— Qual problema apresenta?

— Nenhum.

— Performance?

— Excelente.

— Disponibilidade?

— Excelente.

— Custo por transação?

— Bom.

— Segurança?

— Controlada.

— Então qual é a doença?

O consultor levantaria o PowerPoint.

— COBOL.

House pegaria a bengala.

“COBOL não é diagnóstico.”

E iria embora.

Diógenes aplaudiria.


⚙️ O barril de Diógenes e o mainframe

Existe algo profundamente divertido na combinação entre Diógenes e mainframe.

O filósofo defendia uma vida extremamente simples.

Retirava tudo aquilo que considerava desnecessário.

Segundo a tradição, teria abandonado até sua tigela ao observar um menino bebendo água com as mãos.

Agora imagine apresentar uma arquitetura distribuída moderna para ele.

Cliente
   ↓
API Gateway
   ↓
Load Balancer
   ↓
Service Mesh
   ↓
Microservice A
   ↓
Kafka
   ↓
Microservice B
   ↓
Redis
   ↓
Kubernetes
   ↓
Banco

Diógenes observa.

— Tudo isso para quê?

— Transferir cem dracmas de uma conta para outra.

Ele olha novamente.

— E antes?

Mostro:

CICS
 ↓
COBOL
 ↓
Db2

Silêncio.

— Bellacosa.

— Sim?

— Traga-me meu barril.


🧠 COBOL não é o problema

Aqui Diógenes provavelmente chegaria ao ponto que muita discussão tecnológica evita.

O problema raramente é simplesmente:

COBOL.

O problema pode ser:

COBOL sem documentação.

COBOL sem testes.

COBOL sem conhecimento organizacional.

COBOL acoplado a regras desconhecidas.

COBOL mantido por equipes insuficientes.

COBOL cercado por processos ruins.

COBOL cuja regra de negócio ninguém consegue explicar.

Mas isso é muito diferente de dizer:

“COBOL é velho, portanto precisa morrer.”

Diógenes perguntaria:

— Se substituíres o COBOL sem compreender as regras, o que acontecerá?

— Podemos reproduzir os erros.

— Apenas os erros?

Penso um pouco.

— Podemos criar erros novos.

Ele sorri.

— Finalmente estás aprendendo filosofia.


🏺 O verdadeiro legado não está no código

Aqui nossa conversa ficaria séria.

Eu mostraria um programa hipotético de financiamento.

IF IDADE-CLIENTE > 60
   AND TIPO-CONTRATO = 'A'
   AND DATA-ADESAO < 20100101
       MOVE 1 TO REGRA-ESPECIAL
END-IF

Diógenes perguntaria:

— Por quê?

— Não sei.

— Quem sabe?

— Talvez ninguém.

Ele apontaria para a condição.

— Então isso não é código.

— Como assim?

— Isso é história petrificada.

E estaria certo.

Dentro de sistemas COBOL existem decisões comerciais tomadas décadas atrás.

Mudanças tributárias.

Fusões bancárias.

Produtos extintos.

Acordos sindicais.

Exigências regulatórias.

Exceções criadas para clientes.

Crises econômicas.

Planos monetários.

Decisões judiciais.

Migrações.

Aquisições.

Cada IF estranho pode ser uma camada arqueológica.

O programador iniciante vê:

IF X = 1

O programador experiente pergunta:

“Quem decidiu que X=1 e o que acontece se eu mudar isso?”

Essa pergunta separa manutenção de arqueologia.


🔦 A lanterna de Diógenes

Eu então entregaria ao filósofo algumas ferramentas modernas.

Debugger.

Code coverage.

Git.

Static analysis.

Observabilidade.

Testes automatizados.

IBM Debug for z/OS.

Application Discovery.

Zowe.

IDz.

VS Code.

IA generativa.

Ele examinaria tudo.

— São lanternas.

— Como?

— Tu criaste ferramentas sofisticadas para fazer aquilo que faço caminhando por Atenas.

— Procurar homens honestos?

— Procurar verdades escondidas.

E talvez essa seja uma bela definição de manutenção de sistemas legados.

Você não começa alterando.

Começa procurando.

Quem chama este programa?

Quais datasets utiliza?

Qual copybook?

Qual transação CICS?

Qual tabela Db2?

Qual job?

Qual PROC?

Qual scheduler?

Qual programa chamou antes?

Quem recebe depois?

Existe MQ?

Existe API?

Existe arquivo VSAM?

Existe rotina assembler escondida desde o Paleolítico Superior?

Antes de tocar:

observe.

Diógenes já havia ensinado isso na Acrópole.


☕ A lição do programador COBOL iniciante

Quando o sol começasse a desaparecer atrás de Atenas, eu perguntaria:

— Então, Diógenes, que conselho daria a alguém começando COBOL?

Ele provavelmente responderia:

— Não adore a linguagem.

Estranho.

— Também não a despreze.

Melhor.

— Aprende-a.

Ele continuaria:

— Quando encontrares algo estranho, pergunta por quê. Quando alguém disser "sempre foi assim", pergunta desde quando. Quando disserem "não mexe nisso", pergunta o que acontece se mexer. Quando disserem "vamos modernizar", pergunta qual problema será resolvido.

Eu sorriria.

— Isso parece mais filosofia do que programação.

Diógenes daria de ombros.

— Existe diferença?


🏛️ E então ele olharia novamente para o Pártenon

O templo ainda estava perfeito.

Nenhuma coluna quebrada.

Nenhuma explosão.

Nenhuma ruína.

Diógenes não sabia o que aconteceria.

Eu sabia.

E finalmente entenderia alguma coisa sobre COBOL.

O Pártenon que eu conhecia no século XXI não havia sobrevivido apesar de ser antigo.

Era extraordinário justamente porque havia atravessado o tempo.

COBOL também não merece respeito simplesmente por ser velho.

Mas tampouco merece desprezo por isso.

Um sistema que processou bilhões de transações durante décadas carrega algo que nenhum framework lançado na terça-feira consegue instalar pelo npm.

História operacional.

Ele enfrentou fechamento mensal.

Virada de ano.

Mudança de moeda.

Fusão.

Auditoria.

Black Friday.

Pandemia.

Crise.

Milhões de clientes.

Programadores brilhantes.

Programadores terríveis.

Gerentes.

Consultorias.

Terceirizações.

Reestruturações.

E provavelmente alguma alteração emergencial feita às 03:47 da madrugada por um sujeito cujo nome ninguém mais conhece.

Ainda assim:

IEF142I JOBXPTO STEP01 - STEP WAS EXECUTED - COND CODE 0000

Diógenes olharia para aquela mensagem.

— Bellacosa?

— Sim?

— Isso significa que funcionou?

— Significa.

Ele pegaria sua lanterna, caminharia em direção ao barril e responderia:

— Então não me interessa quantos anos possui.

Alguns metros depois, pararia.

Viraria para mim.

— Mas descobre quem escreveu aquele GO TO.

— Por quê?

Aquilo é crime até na Grécia Antiga.

E desapareceria pelas ruas de Atenas.

Eu ficaria olhando a Acrópole.

Pensando que talvez a primeira regra da manutenção de sistemas nunca tenha sido escrita por Grace Hopper, IBM, ANSI ou qualquer manual de COBOL.

Talvez um velho filósofo grego já tivesse resumido tudo:

Questione aquilo que todos aceitaram sem perguntar por quê.

No século IV antes de Cristo, isso era filosofia.

No século XXI...

...chamamos de manutenção de legado.

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HISTORIA • PHILOSOPHIA • TEMPUS • IMPERIUM

🏛 A Jornada Impossível de Bellacosa

De Diógenes à Acrópole. Do Pártenon ao COBOL. De Atenas ao Fórum Romano. E finalmente... César.

“O viajante atravessa o tempo. As perguntas viajam com ele.”

A Jornada Impossível de Bellacosa é uma aventura literária através da Antiguidade, combinando história, filosofia, viagem no tempo, cultura clássica e até tecnologia de mainframe. A narrativa começa na Grécia de Diógenes, atravessa a Atenas clássica, sobe à Acrópole e ao Pártenon e, numa improvável ruptura temporal, encontra COBOL antes de seguir para Roma em 50 a.C.

No Fórum Romano, Bellacosa observa cidadãos, soldados, senadores, comerciantes e personagens históricos enquanto tenta compreender poder, liberdade, humanidade e aquilo que realmente permanece depois que impérios, programas e homens desaparecem.

I

ΑΘΗΝΑΙ • ATENAS • SÉCULO IV a.C.

🌿 Capítulo 1 — Sob o Sol de Diógenes

Bellacosa atravessa o impossível e encontra Diógenes, o filósofo cínico que transformou pobreza voluntária, liberdade e provocação numa filosofia vivida.

Diógenes Atenas Filosofia Cinismo Viagem no Tempo
II

ΑΘΗΝΑΙ • DIOGENES • LIBERTAS

🍷 Capítulo 1 — O Riso e o Silêncio

Entre pão, vinho, cães e provocações filosóficas, Diógenes confronta Bellacosa com uma pergunta muito mais perigosa que qualquer viagem temporal: o que significa ser livre?

Liberdade Filosofia Diógenes Existência
III

ATHENAE • AMICITIA • LIBERTAS

🍂 Capítulo 1 — Reconhecimento

Diógenes reconhece no viajante algo que não esperava: alguém vindo de um futuro absurdamente complexo que ainda consegue compreender a simplicidade de sua filosofia.

Reconhecimento Amizade Antiguidade Reflexão
IV

ACROPOLIS • ATHENA • PARTHENON

🏛 Capítulo 2 — O Auge da Acrópole

A Acrópole deixa de ser ruína e volta a viver. Mármore branco, sacerdotisas, incenso, oferendas e o Pártenon aparecem diante do viajante como eram no mundo antigo.

Acrópole Atenas Antiga Pártenon Grécia
V

TEMPORALIS ERROR • COBOL INVOCATUS

💻 Capítulo 2½ — O COBOL

Porque toda viagem temporal respeitável eventualmente precisa explicar por que um programa escrito décadas atrás ainda está em produção.

COBOL Mainframe Anacronismo Humor
VI

PARTHENON • FIGUS • PHILOSOPHIA

🏛 Capítulo 2 — No Cume do Pártenon

Bellacosa e Diógenes observam Atenas do alto, dividem figos e descobrem que distância talvez seja a ferramenta mais simples para separar aquilo que importa daquilo que apenas parece importante.

Pártenon Diógenes Atenas Figos Liberdade
VII

INTERLUDIUM • ITER IMPOSSIBILIS

📜 A Jornada Impossível de Bellacosa

Um dos registros centrais da série que conecta a experiência do viajante aos diferentes capítulos da Jornada Impossível.

Jornada Impossível Bellacosa História Viagem
VIII

ALTER TEMPUS • COBOL • MAINFRAME

💾 Capítulo 2½ — O COBOL — Registro Alternativo

Outro endereço preservado no corpus da Jornada, igualmente associado ao encontro improvável entre mundo clássico, programação COBOL e viagem temporal.

COBOL Legacy Mainframe Tempo

SPQR

🦅 ROMA • L ANTE CHRISTUM NATUM

O viajante deixa Atenas para trás. O Mediterrâneo gira. O mundo muda. Roma aparece.
IX

ROMA • L a.C. • FORUM ROMANUM

🏛 Capítulo 3 — Roma, 50 a.C. — O Fórum em Pleno Esplendor

O Fórum Romano deixa de ser ruína. Templos, senadores, legionários, comerciantes e cidadãos cercam Bellacosa no coração político de uma República que ainda não sabe que está prestes a mudar para sempre.

Roma Antiga Fórum Romano 50 a.C. República Romana
X

FORUM ROMANUM • VIATOR TEMPORIS

🏛 Capítulo 3 — Andarilho do Tempo no Fórum

Perdido entre colunas, multidões e séculos, o viajante observa Roma não como turista, mas como testemunha de um mundo vivo.

Roma Andarilho Fórum História Viva
XI

CAIVS IVLIVS CAESAR • ROMA

🏛 Capítulo 3 — Próximo de César

Bellacosa aproxima-se de Júlio César e observa estratégia, ambição, carisma e humanidade enquanto decisões aparentemente pequenas começam a moldar o destino de Roma.

“Cada decisão molda vidas, cidades e impérios futuros.”
Júlio César Roma Política Poder História

🏺 O mapa da Jornada

ATENAS Filosofia
DIÓGENES Liberdade
ACRÓPOLE Civilização
PÁRTENON Perspectiva
COBOL Anomalia temporal
ROMA Poder
CÉSAR Destino

TEMPORA MUTANTUR, NOS ET MUTAMUR IN ILLIS

Os tempos mudam — e nós mudamos com eles.

A Jornada Impossível de Bellacosa mistura história antiga, filosofia, Roma, Grécia, Diógenes, Júlio César, viagem no tempo, tecnologia e COBOL em uma narrativa onde cada época funciona como espelho para perguntas que continuam modernas.

☕ Bellacosa Mainframe — história, tecnologia, viagens e algumas anomalias temporais.

quinta-feira, 18 de março de 2021

🍂 A Jornada Impossível de Bellacosa — Capítulo 1 (continuação): Reconhecimento

 

Bellacosa Mainframe e Diogenes

🍂 A Jornada Impossível de Bellacosa — Capítulo 1 (continuação): Reconhecimento

Diógenes te observa com aquele olhar afiado que parece enxergar através das máscaras do mundo. Ele deixa escapar uma risada curta, seca, mas cheia de aprovação:
— Ah… então não és escravo, mesmo que as correntes do mundo te puxem de vez em quando. — Ele dá um gole do vinho e acena com a mão. — Muitos sonham com liberdade, mas poucos a praticam. Tu já caminhas nela, ainda que às vezes tropeçando.

Ele aponta para as ruas vibrantes de Atenas:
— Olha ao redor. Tantos vivem para agradar, acumular, temer. Mas tu, Bellacosa, vives para sentir. Isso é virtude. Isso é coragem.

Sentando-se ao teu lado, Diógenes parte mais um pedaço de pão, mistura com azeitonas e te oferece:
— Compartilho contigo meu pão, viajante. E minha lição: a vida verdadeira é simples, mesmo quando o mundo tenta complicá-la.

Você percebe que, ao lado desse homem que desafiou reis e reis ignoraram, o silêncio fala mais alto que qualquer filosofia escrita. O vento traz risos de crianças, passos apressados e o canto distante de algum músico ambulante. Tudo isso agora parece parte de uma sinfonia que só quem observa sem pressa consegue ouvir.

Diógenes te encara de novo:
— E agora, Bellacosa… tens algo mais a buscar nesta Atenas antiga, ou desejas seguir para outros mundos, outras eras, onde o aprendizado e a beleza ainda te aguardam?


https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2021/03/capitulo-3-roma-50-ac-o-forum-em-pleno.html

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2021/01/bellacosa-otaku-blog-parte-40-o-caminho.html

HISTORIA • PHILOSOPHIA • TEMPUS • IMPERIUM

🏛 A Jornada Impossível de Bellacosa

De Diógenes à Acrópole. Do Pártenon ao COBOL. De Atenas ao Fórum Romano. E finalmente... César.

“O viajante atravessa o tempo. As perguntas viajam com ele.”

A Jornada Impossível de Bellacosa é uma aventura literária através da Antiguidade, combinando história, filosofia, viagem no tempo, cultura clássica e até tecnologia de mainframe. A narrativa começa na Grécia de Diógenes, atravessa a Atenas clássica, sobe à Acrópole e ao Pártenon e, numa improvável ruptura temporal, encontra COBOL antes de seguir para Roma em 50 a.C.

No Fórum Romano, Bellacosa observa cidadãos, soldados, senadores, comerciantes e personagens históricos enquanto tenta compreender poder, liberdade, humanidade e aquilo que realmente permanece depois que impérios, programas e homens desaparecem.

I

ΑΘΗΝΑΙ • ATENAS • SÉCULO IV a.C.

🌿 Capítulo 1 — Sob o Sol de Diógenes

Bellacosa atravessa o impossível e encontra Diógenes, o filósofo cínico que transformou pobreza voluntária, liberdade e provocação numa filosofia vivida.

Diógenes Atenas Filosofia Cinismo Viagem no Tempo
II

ΑΘΗΝΑΙ • DIOGENES • LIBERTAS

🍷 Capítulo 1 — O Riso e o Silêncio

Entre pão, vinho, cães e provocações filosóficas, Diógenes confronta Bellacosa com uma pergunta muito mais perigosa que qualquer viagem temporal: o que significa ser livre?

Liberdade Filosofia Diógenes Existência
III

ATHENAE • AMICITIA • LIBERTAS

🍂 Capítulo 1 — Reconhecimento

Diógenes reconhece no viajante algo que não esperava: alguém vindo de um futuro absurdamente complexo que ainda consegue compreender a simplicidade de sua filosofia.

Reconhecimento Amizade Antiguidade Reflexão
IV

ACROPOLIS • ATHENA • PARTHENON

🏛 Capítulo 2 — O Auge da Acrópole

A Acrópole deixa de ser ruína e volta a viver. Mármore branco, sacerdotisas, incenso, oferendas e o Pártenon aparecem diante do viajante como eram no mundo antigo.

Acrópole Atenas Antiga Pártenon Grécia
V

TEMPORALIS ERROR • COBOL INVOCATUS

💻 Capítulo 2½ — O COBOL

Porque toda viagem temporal respeitável eventualmente precisa explicar por que um programa escrito décadas atrás ainda está em produção.

COBOL Mainframe Anacronismo Humor
VI

PARTHENON • FIGUS • PHILOSOPHIA

🏛 Capítulo 2 — No Cume do Pártenon

Bellacosa e Diógenes observam Atenas do alto, dividem figos e descobrem que distância talvez seja a ferramenta mais simples para separar aquilo que importa daquilo que apenas parece importante.

Pártenon Diógenes Atenas Figos Liberdade
VII

INTERLUDIUM • ITER IMPOSSIBILIS

📜 A Jornada Impossível de Bellacosa

Um dos registros centrais da série que conecta a experiência do viajante aos diferentes capítulos da Jornada Impossível.

Jornada Impossível Bellacosa História Viagem
VIII

ALTER TEMPUS • COBOL • MAINFRAME

💾 Capítulo 2½ — O COBOL — Registro Alternativo

Outro endereço preservado no corpus da Jornada, igualmente associado ao encontro improvável entre mundo clássico, programação COBOL e viagem temporal.

COBOL Legacy Mainframe Tempo

SPQR

🦅 ROMA • L ANTE CHRISTUM NATUM

O viajante deixa Atenas para trás. O Mediterrâneo gira. O mundo muda. Roma aparece.
IX

ROMA • L a.C. • FORUM ROMANUM

🏛 Capítulo 3 — Roma, 50 a.C. — O Fórum em Pleno Esplendor

O Fórum Romano deixa de ser ruína. Templos, senadores, legionários, comerciantes e cidadãos cercam Bellacosa no coração político de uma República que ainda não sabe que está prestes a mudar para sempre.

Roma Antiga Fórum Romano 50 a.C. República Romana
X

FORUM ROMANUM • VIATOR TEMPORIS

🏛 Capítulo 3 — Andarilho do Tempo no Fórum

Perdido entre colunas, multidões e séculos, o viajante observa Roma não como turista, mas como testemunha de um mundo vivo.

Roma Andarilho Fórum História Viva
XI

CAIVS IVLIVS CAESAR • ROMA

🏛 Capítulo 3 — Próximo de César

Bellacosa aproxima-se de Júlio César e observa estratégia, ambição, carisma e humanidade enquanto decisões aparentemente pequenas começam a moldar o destino de Roma.

“Cada decisão molda vidas, cidades e impérios futuros.”
Júlio César Roma Política Poder História

🏺 O mapa da Jornada

ATENAS Filosofia
DIÓGENES Liberdade
ACRÓPOLE Civilização
PÁRTENON Perspectiva
COBOL Anomalia temporal
ROMA Poder
CÉSAR Destino

TEMPORA MUTANTUR, NOS ET MUTAMUR IN ILLIS

Os tempos mudam — e nós mudamos com eles.

A Jornada Impossível de Bellacosa mistura história antiga, filosofia, Roma, Grécia, Diógenes, Júlio César, viagem no tempo, tecnologia e COBOL em uma narrativa onde cada época funciona como espelho para perguntas que continuam modernas.

☕ Bellacosa Mainframe — história, tecnologia, viagens e algumas anomalias temporais.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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