sábado, 4 de janeiro de 2014

Grandes Aventuras — Versão Oni Bellacosa


 

Grandes Aventuras — Versão Oni Bellacosa

Sabe, El Jefe, quando a gente fala em grandes aventuras, o imaginário já puxa espada, dragão, nave espacial e um guerreiro cabeludo gritando numa montanha com raios ao fundo. Mas pra mim… ah, pra mim as maiores aventuras nunca foram essas de cinema. As minhas tinham cheiros, sabores, ruas de terra, vozes de vizinhos, galos cantando e ônibus fretado que as vezes quebrava no meio da estrada. Estar sempre correndo e sempre atrasado ao estilo coelho da Alice.

Minhas aventuras começaram cedo, lá no modo Oni Infantil 1.0, aquele build que vinha com joelhos ralados, coragem infinita e 0MB de noção de perigo. E eu era um pequeno oni, que estendia a corda ao limite, até imagino a dimensão da fatura, quando encontrar cara a cara com meu anjo-da-guarda e eles discriminar às vezes, que me salvou.



A primeira grande aventura foi explorar o quintal como se fosse a Amazônia inteira. Cada formigueiro era um templo perdido, cada galinha-brava uma criatura mítica pronta pra testar a minha bravura (e quase sempre eu perdia). A roupa suja, coitada, voltava pra minha mãe sem nenhuma esperança de ser recuperada. Mas ah, o orgulho de ter subido no pé de goiaba sem cair — isso, sim, era XP ganho. Teve o pulo no tanque de óleo queimado da oficina de tratores do primo Du, as bagunças na máquina de lavar roupa da vó Anna, as travessuras nos quartinhos de ferramenta desmontando e nunca conseguindo remontar cacarecos. As idas aos ferro-velhos e desmanche com meu pai. Às vezes ir no ônibus em que ele era motorista. Acompanhar suas reportagens fotográficas em casamentos, batizados, formaturas ou festas.



Depois veio a era das aventuras urbanas, quando fomos pra São Paulo. Ali o boss final chamava-se Metro, Trem e Ônibus Lotado das 6h. Só de entrar já valia um troféu. E tinha as microaventuras do cotidiano: atravessar uma rua movimentada com a ousadia de quem está em um RPG no modo “Hardcore”, comprar pão sozinho na padaria — e voltar com troco certo (ou apanhar da minha mãe por ter comprado bala com o troco, o que também fazia parte do processo educativo).



A primeira viagem sozinho a Campinas e depois a Praia Grande também foram marcos da expansão do meu pequeno mundo para dimensões estaduais, graças a autorização do juizado de menores em viajar sozinho.

Mas a maior aventura mesmo, aquela que moldou o Oni que vos escreve, começou quando comecei a trabalhar. Era o clássico enredo Bellacosa:
pouca grana, muita coragem, e um mundo gigante esperando pra ser descoberto.

A aventura era acordar 5:20, regime espartano, banhar-me, beber café, correr para pegar o trem lotado às 6:15, trabalhar o dia todo, estudar à noite, voltar pra casa destruído e ainda assim abrir um sorriso quando sentia o cheiro do bolo da Dona Mercedes assando no forno — sinal claro de que a vida, apesar de dura, tinha seus patches de atualização de felicidade.

E olha só que curioso: quando finalmente pude ajudar em casa e trazer dinheiro pra mesa, percebi que a aventura não estava em viajar longe ou enfrentar monstros imaginários. Estava ali, bem ali:
na sensação de fazer a vida melhorar um pixel por dia.

As grandes aventuras não foram viagens épicas, mas sim momentos — pequenos, imperfeitos, reais — que hoje carrego com carinho:
⭐ o primeiro salário
⭐ o primeiro almoço pago com meu esforço
⭐ o primeiro livro técnico que comprei sem parcelar
⭐ o primeiro “muito bem, filho” dito pela minha mãe
⭐ o primeiro sonho que começou a virar realidade

Crescer, sobreviver, evoluir… isso sim é uma aventura digna de mainframe:
robusta, resiliente, cheia de sistemas legados, mas que ainda entrega magia quando ninguém espera.

Hoje olho pra trás e percebo:
o mundo nunca me deu grandes aventuras; fui eu que transformei as pequenas em gigantes.

Isso que eu ainda não contei completamente da Vagneida.

Foram quase 15 anos, em que fui Odisseu, em minhas viagens pelo velho continente, uma vida Isekai, que enche de nostalgia e deixa algumas lagriminhas no canto do olho.

Tantos lugares, tantas pessoas, tantos sabores, culturas e idiomas diferentes, novo com velho, me senti em casa, me senti fazer parte de algo realmente grande e apesar das dimensões continentais do Brasil, realmente entendi o que era diferença, o que era pisar na terra dos meus ancestrais. Mas isso é uma longa história, que ainda tenho que desenrolar o fio desse novelo.

E sigo assim, El Jefe, Oni de coração, Bellacosa de essência, encarando cada dia como se fosse mais uma missão em um mapa aberto chamado Vida.

E que aventura maravilhosa tem sido.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

☕ Jean Sammet: a mulher que colocou ordem no caos das linguagens

 



💾 EL JEFE MIDNIGHT LUNCH — Bellacosa Mainframe Chronicles
“☕ Jean Sammet: a mulher que colocou ordem no caos das linguagens”


Há gente que programa.
Há gente que projeta linguagens.
E há gente raríssima que para, olha tudo isso de cima e diz: “isso precisa fazer sentido”.

Jean E. Sammet não ficou famosa por uma linguagem só.
Ela ficou eterna porque organizou o pensamento sobre linguagens de programação — e ajudou a transformar o COBOL de uma ideia ousada em algo formal, sustentável e historicamente consciente.

Se o mainframe é estável, se o COBOL é legível, se linguagens têm história, muito disso passa por Jean Sammet.

Café servido. ☕
Vamos à história.



👩‍💻 Quem foi Jean Sammet (biografia essencial)

  • Nome completo: Jean E. Sammet

  • Nascimento: 23 de março de 1928

  • Falecimento: 20 de maio de 2017

  • Formação: Matemática

  • Empresas-chave: Sylvania Electric, IBM

  • Áreas de atuação: Linguagens de programação, compiladores, padronização, história da computação

Jean Sammet era matemática de formação, mas historiadora por vocação e engenheira por necessidade.
Ela entrou na computação quando tudo ainda estava sendo inventado — inclusive as regras.


🕰️ O mundo que ela encontrou

Anos 50 e 60.
Cada máquina tinha:

  • Uma linguagem

  • Um dialeto

  • Um conjunto de regras implícitas

Documentação? Pouca.
Padrões? Quase nenhum.
História? Ninguém achava importante registrar.

🧠 Comentário Bellacosa:
Jean Sammet olhou esse caos e pensou:

“Se não organizarmos isso agora, ninguém vai entender nada depois.”

Ela estava certa.


💻 Jean Sammet e o COBOL

Jean Sammet participou ativamente do Short-Range Committee (1959), o comitê que definiu o COBOL.

🔹 Seu papel no COBOL

  • Defendeu clareza sintática

  • Ajudou a estruturar regras formais da linguagem

  • Garantiu que o COBOL fosse mais do que inglês solto disfarçado

🧠 Fofoquice técnica:
Enquanto alguns queriam algo “mais acadêmico”, Jean brigava para manter consistência e previsibilidade.
Sem isso, COBOL viraria um Frankenstein.


🖥️ Contribuição direta ao Mainframe

Jean Sammet entendia que o mainframe não era brinquedo de laboratório.
Era máquina de negócio.

Ela ajudou a moldar princípios que até hoje sustentam o ecossistema mainframe:

  • Linguagens precisam ser estáveis

  • Mudanças devem ser evolutivas, não destrutivas

  • Código precisa durar mais que hardware

🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
A filosofia do z/OS — compatibilidade para trás quase obsessiva — conversa diretamente com a mentalidade de Jean Sammet.


📚 O livro que mudou tudo



📖 Programming Languages: History and Fundamentals (1969)

Esse livro não é apenas referência.
É a certidão de nascimento da história das linguagens de programação.

🔹 O que ela fez:

  • Catalogou linguagens

  • Explicou conceitos

  • Criou taxonomias

  • Registrou decisões técnicas

🥚 Easter egg:
Até hoje, pesquisadores citam esse livro como fonte primária para linguagens que nem existem mais.


🧬 Principais trabalhos e feitos

  • Participante do comitê original do COBOL

  • Autora do primeiro grande livro de história das linguagens

  • Pesquisadora e líder técnica na IBM

  • Presidente da ACM (1974–1976)

  • Defensora da preservação histórica da computação

🧠 Curiosidade:
Ela foi uma das poucas pessoas da época que documentava enquanto o trem ainda estava andando.


🧩 Fofoquices e bastidores (porque ninguém é de ferro 😄)

  • Jean Sammet tinha fama de exigente e direta

  • Não tolerava “achismo técnico”

  • Corrigia colegas em público se achasse necessário

  • Era respeitada — e temida — em reuniões

🧠 Tradução Bellacosa:
Ela não queria ganhar debates.
Queria que o futuro entendesse o passado.


👶 Para Padawans do Mainframe

Se você está começando agora, Jean Sammet deixa lições valiosas:

  • Documente decisões

  • Pense em longo prazo

  • Linguagens são ferramentas sociais, não só técnicas

  • Compatibilidade não é fraqueza — é maturidade

COBOL não sobreviveu por acaso.
Sobreviveu porque pessoas como Jean pensaram além da próxima versão.


🏛️ O legado de Jean Sammet

Jean Sammet deixou algo raro:

  • Uma linguagem melhor estruturada

  • Uma indústria mais consciente

  • Uma memória histórica preservada

Sem ela:

  • COBOL seria menos consistente

  • O mainframe seria menos previsível

  • A história da computação seria cheia de buracos


☕ Reflexão final do El Jefe

“Código pode ser reescrito.
História perdida, não.”
— espírito de Jean Sammet

Se hoje sabemos de onde viemos,
se conseguimos entender por que certas decisões foram tomadas,
é porque alguém teve o cuidado de escrever isso enquanto todo mundo só queria entregar software.

Jean Sammet não apenas participou da história.
Ela garantiu que a história sobrevivesse.


domingo, 29 de dezembro de 2013

Brasil 2013: quando o sistema entrou em modo batch e ninguém sabia onde estava o console

 


Brasil 2013: quando o sistema entrou em modo batch e ninguém sabia onde estava o console

ao estilo bellacosa mainframe, para o El Jefe Midnight Lunch

Voltei ao Brasil em 2013 depois de doze anos vivendo na Europa. Doze anos é tempo suficiente para um sistema operacional mudar de versão, uma arquitetura inteira ser aposentada e o manual virar item de museu. Eu saí de um Brasil analógico, cheio de gambiarras assumidas, e voltei para um país aparentemente mais moderno, mais conectado, mais confiante. Parecia online. Mas bastou alguns meses para perceber: o sistema estava rodando, sim — só ninguém sabia exatamente qual job tinha sido submetido.

2013 foi o ano em que o Brasil deu um abend coletivo.

Na Europa, eu tinha me acostumado a outro ritmo. Transporte público previsível, impostos altos mas compreensíveis, protestos organizados como change management: data marcada, pauta clara, negociação depois. Ao pisar novamente em solo brasileiro, encontrei um país economicamente otimista, ainda surfando a onda do consumo, do crédito fácil e do discurso de “nova classe média”. O Brasil parecia um mainframe recém-upgradado, com LEDs piscando e discursos dizendo que agora tudo era 64 bits.

Mas quem já trabalhou com sistemas grandes sabe: nem todo problema aparece no dashboard.

Economia: números bons, latência alta

Em 2013, os números macroeconômicos ainda sustentavam uma narrativa positiva. Emprego relativamente alto, consumo aquecido, eventos internacionais no horizonte. Por fora, o hardware parecia robusto. Por dentro, porém, a latência social aumentava. Serviços públicos ruins, inflação corroendo silenciosamente o poder de compra, transporte caro e ineficiente. Era como rodar um sistema crítico com CPU sobrando, mas I/O travando tudo.

O estopim foi simbólico: vinte centavos. Quem viveu fora entende rápido — não era sobre a tarifa. Era sobre a sensação de pagar caro por um serviço que não entrega. Na Europa, eu pagava impostos altos, mas via retorno. No Brasil, pagava-se cada vez mais — em dinheiro, tempo e paciência — e recebia-se timeout.

Sociedade: quando o usuário final resolve apertar ENTER

O que me chocou, como ex-imigrante, foi a diversidade das ruas. Em poucos dias, vi algo que o Brasil raramente tinha feito daquela forma: gente diferente, por motivos diferentes, ocupando o mesmo espaço. Não havia um manual de operações. Era bonito e caótico. Classe média, periferia, estudantes, trabalhadores, gente que nunca tinha protestado na vida.

Do ponto de vista humano, 2013 foi um grito de “chega de rodar esse sistema sem saber quem programou”. Mas, como em todo ambiente sem governança clara, surgiram processos órfãos. Pautas se misturaram, oportunistas entraram, ruído substituiu sinal. Quem já viu um job crítico rodando sem controle sabe: uma hora alguém derruba a fila inteira.

Cultura: o espelho rachado

Culturalmente, 2013 escancarou algo que eu só percebi ao voltar: o brasileiro tinha mudado. Mais conectado, mais informado, mas também mais impaciente. A internet — especialmente as redes sociais — funcionou como um terminal 3270 emocional: todo mundo digitando rápido, pouca validação, muita reação.

Na Europa, eu tinha aprendido a desconfiar de soluções simples para problemas complexos. No Brasil de 2013, vi crescer exatamente o oposto: a busca por atalhos, por culpados únicos, por DELETE ALL como se fosse possível resetar décadas de desigualdade com um comando mágico.

A cultura do diálogo entrou em maintenance mode. O país começou a falar mais alto e a escutar menos.

População: o operador cansado

O sentimento dominante não era ideologia — era cansaço. Cansaço de acordar cedo, pegar transporte ruim, trabalhar muito e ainda ser tratado como variável descartável. Como operador veterano de mainframe, reconheci o sintoma: quando ninguém mais confia no sistema, qualquer alarme vira pânico.

2013 não resolveu nada. E talvez esse seja o ponto mais honesto. Foi um dump de memória emocional. Um registro bruto do que estava errado, sem análise posterior adequada. O Brasil seguiu rodando, mas com logs ignorados — e o preço disso veio depois.

Epílogo de quem voltou

Voltar ao Brasil em 2013 foi como reassumir um sistema legado que você ajudou a construir, mas que mudou enquanto você estava fora. Você reconhece os comandos, mas não entende mais as rotinas. Ainda assim, sabe que desligar tudo não é opção.

2013 foi o aviso na tela preta:
“System running, but integrity compromised.”

Quem viveu aquilo com atenção sabe: não foi o começo do caos. Foi o momento em que o operador percebeu que algo estava errado — e hesitou entre corrigir o código ou fingir que era só mais um warning.

E todo mainframe ensina a mesma lição: warnings ignorados viram falhas críticas.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Pernil de Natal receita a El Jefe

Pernil Fatiado a modo El Jefe



Estamos no final do ano e nada como preparar algo diferente para a ceia.

Resolvi inovar e preparar um pernil na caçarola em pequenos bifes bem temperados e cozido lentamente em fogo baixo.

Usei tudo o que havia a mão, pimentões, alho, cebola, salsinha, cebolinha, oregano, pimenta preta, tomates. Fui montando camada por camada e distribuindo as especiarias de modo que o caldo durante a fervura alcançasse toda a carne


Veja o video e qualquer duvida é so perguntar.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Uma árvore solitaria, o romanzeiro do bisavô Paco

 


Uma árvore solitária, o romanzeiro do bisavô Paco

Ao melhor estilo Bellacosa Mainframe, registro aqui uma memória que roda em batch noturno, daquelas que não dá abend, não precisa de restart e segue ativa no coração desde sempre.

Estou falando do meu bisavô Paco, o espanhol. Homem sisudo, poucas palavras, olhar firme — daqueles que parecem um programa antigo em assembler: econômico, direto, sem comentários no código, mas absolutamente funcional e confiável.

A cena é sempre a mesma quando faço o IPL dessa lembrança. Ele lá fora, na antiga rua de terra, cuidando da horta, das plantas do jardim e principalmente da sarjeta, que insistia em entupir. Trabalho de formiguinha, diário, repetitivo, quase um JOB em loop infinito, mas feito com disciplina de quem sabe que se não limpar hoje, amanhã o problema dobra. Às vezes eu ajudava. Ganhava umas coroas para segurar a pá, puxar o barro, aprender que manutenção preventiva evita desastre — lição que anos depois eu reencontraria no mundo do mainframe, só que com outro tipo de sujeira.


O bisavô Paco tinha a mão esquerda semioperacional, consequência de um AVC provocado por um acidente doméstico. Nada de vitimismo. Ele seguia firme, fazendo exercícios com uma bolinha de tênis, apertando, soltando, insistindo. Era o recovery manual do corpo, numa época em que reabilitação era força de vontade e teimosia. No frio de São Paulo, usava luva para aquecer a mão — imagem gravada em storage protegido da minha memória.

Apesar do jeito fechado, ele tinha seus logs de ternura. Um deles era comigo. Sempre elogiava minhas caricaturas, como ele chamava meus desenhos, incentivava, observava, aprovava com um aceno curto de cabeça. Poucas palavras, mas impacto máximo. Era como um RC=0 silencioso.

Mas o verdadeiro dataset crítico dessa história é outro.

O pé de romã.

Um romanzeiro solitário, ali no quintal, cuidado com um afinco quase ritualístico. Podar, adubar, observar. Nada era feito às pressas. Era um processamento em modo síncrono, respeitando o tempo da planta. E quando surgia um fruto — às vezes um só, às vezes dois — a alegria do meu bisavô era genuína, quase infantil. Um sorriso raro, um brilho no olho. No final do ano, comer romã virava um pequeno evento, desses que não precisam de anúncio nem plateia.

Sempre me perguntei, já adulto, que memória aquela árvore despertava nele. Espanha? Infância? Alguma terra seca deixada para trás? Algum quintal que não pude conhecer? A romã, para ele, parecia ser mais que fruto. Era checkpoint emocional, uma âncora silenciosa entre passado e presente.

Hoje, quando vejo uma romã, faço um link-edit automático com essa imagem: o homem calado, a mão lutando para não desistir, a rua de terra, a sarjeta limpa, o cuidado diário, o fruto raro. Entendo, finalmente, que aquele carinho todo não era só pela planta. Era pela memória que ela mantinha viva.

E algumas memórias, assim como certos sistemas legados, precisam ser preservadas, não porque são antigas, mas porque continuam funcionando perfeitamente.

A tradição de comer romãs na virada do ano

Existe um hábito nos países latinos de comer romãs e guardar suas sementes para dar boa sorte no decorrer do ano, justamente na virada do ano, dando as boas vindas para o Ano Novo.



sábado, 21 de dezembro de 2013

📉 Checklist de Redução de MIPS Pós-Migração COBOL 5.00 — IBM Mainframe

 


📉 Checklist de Redução de MIPS

Pós-Migração COBOL 5.00 — IBM Mainframe

“Migrar é sobreviver. Reduzir MIPS é reinar.”


🟥 FASE 1 — MEDIÇÃO (sem medição é fé)

Antes de otimizar, medir

  • ☐ SMF 30 / 72 / 110 coletados

  • ☐ CPU por job / step

  • ☐ Elapsed vs CPU

  • ☐ Consumo em horário de pico

Ferramentas

  • RMF

  • OMEGAMON

  • MXG

  • SAS

  • SMF Dump Analyzer

💬 Fofoquinha:

Time que “acha” que reduziu MIPS geralmente aumentou.



🟧 FASE 2 — COMPILAÇÃO INTELIGENTE (ganho rápido)

⚙ Parâmetros que economizam CPU

OPTIMIZE(2) ← obrigatório TRUNC(BIN) ARITH(EXTEND) RULES DATA(31)

🧠 Avaliar com cuidado

NUMCHECK(ZON,BIN) SSRANGE INITCHECK

📉 Estratégia:

  • DEV/QA → ON

  • PROD → OFF somente se validado

💣 Erro comum:

Desligar NUMCHECK “pra ganhar CPU” sem limpar código.


🟨 FASE 3 — LIMPEZA DE CÓDIGO (onde mora o ouro)

🧹 Remover desperdícios clássicos

☑ DISPLAY em loop
☑ MOVE redundante
☑ IF aninhado desnecessário
☑ PERFORM THRU
☑ WORKING-STORAGE gigante não usada

📉 Impacto:

  • ↓ CPU

  • ↓ Cache miss

  • ↓ Path length

🥚 Easter-egg:

Um DISPLAY esquecido num batch grande já pagou um carro zero.


🟦 FASE 4 — ESTRUTURA DO PROGRAMA (pipeline feliz)

☑ Preferir:

  • PERFORM único

  • Parágrafos curtos

  • Fluxo previsível

☑ Evitar:

  • GO TO

  • PERFORM cruzando seções

  • Código “criativo”

🧠 COBOL 5 + z Architecture:

Código linear = melhor uso de pipeline e cache L1/L2


🟩 FASE 5 — DADOS E FORMATOS (CPU invisível)

💥 Erros caros

ErroCusto
DISPLAY usado como cálculoAlto
COMP mal definidoMédio
REDEFINES abusivoAlto
Conversão implícitaAltíssimo

☑ Use:

  • COMP / COMP-5 corretamente

  • PIC consistente

  • TRUNC(BIN)


🟪 FASE 6 — I/O: O ASSASSINO SILENCIOSO

☑ Minimizar:

  • Leitura redundante

  • WRITE desnecessário

  • SORT interno mal usado

☑ Melhorar:

  • Buffers maiores

  • Uso correto de SORT externo

  • VSAM tuning (CI/CA)

💬 Fofoquinha:

Muitas “otimizações de CPU” são na verdade I/O mal feito.


🟫 FASE 7 — JCL E EXECUÇÃO (ninguém olha, mas pesa)

☑ Revisar:

  • REGION excessivo

  • STEPLIB desnecessário

  • Programas antigos ainda rodando

☑ Avaliar:

  • Rodar batch pesado fora do pico

  • Paralelismo controlado

  • zIIP offload

📉 Ganho indireto:

CPU MSU fora do pico = custo menor


🟧 FASE 8 — zIIP / Offload (dinheiro esquecido)

☑ Verificar:

  • LE habilitado

  • Compilação compatível

  • Ambiente preparado

📉 O que pode ir pra zIIP:

  • XML

  • JSON

  • Serviços

  • Web Services

  • Partes do LE

💬 Fofoquinha:

Tem cliente pagando MIPS caro enquanto o zIIP dorme.


🟥 FASE 9 — REMOÇÃO DE CHECKS (só depois de adulto)

📌 Sequência correta:

  1. NUMCHECK ON

  2. Corrigir código

  3. Medir estabilidade

  4. NUMCHECK OFF

  5. Medir MIPS

❌ Pular etapa = incidente garantido


☠️ ERROS QUE MATAM ECONOMIA

ErroResultado
Otimizar sem SMFIlusão
OPTIMIZE(3) sem testeBug
Desligar checks cedoAbend
Ignorar I/OCPU sobe
Medir só elapsedFatura explode

🎓 RESUMO PADAWAN

✔ COBOL 5 pode reduzir MIPS
✔ Código limpo = CPU baixa
✔ Compilação correta = ganho imediato
✔ Medição manda, opinião não
✔ zIIP é dinheiro esquecido


🧠 FRASE FINAL BELLACOSA™

“Mainframe não é caro.
Caro é código ruim rodando rápido.”

 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Hambúrguer na brasa.

X Salada a El Jefe

O sabor de um hambúrguer na brasa é único. Principalmente quando compramos a carne, mandamos moer no tamanho pequeno, fazemos nosso próprio tempero.

Depois o ritual de preparar o carvão e acender a churrasqueira, esperar atingir a temperatura certa e começar a assar.



Depois que a carne estiver no ponto, colocar uma folhinha de manjericao, a fatia de queijo e o pão para aquecer. Quando tudo estiver no ponto acrescentar o molho, o tomate e a alface.

Bom apetite.