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Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens.
Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê.
Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão.
Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
💌✨ Post Bellacosa Mainframe / El Jefe Midnight Lunch Edition
📬 “Cartas ao Mar” — o verão de 1991 e o amor que viajava em envelopes
Existem memórias que não se apagam — apenas ficam guardadas no spool do coração, esperando o comando certo pra serem impressas outra vez.
Verão de 1991, Praia Grande, São Paulo.
O som das ondas misturado com o apito do picolé Chica-Bon, o cheiro de protetor solar misturado com maresia, e o vento trazendo aquela promessa que só os amores de verão sabem fazer: a de durar pra sempre… mesmo que o sempre dure apenas até o próximo janeiro.
Foi ali que apareceu ela — Claudiane Peres, de Catanduva.
Cabelos ao vento, sorriso de pôr do sol, e aquele jeito tímido de quem dizia muito sem precisar falar nada.
Entre beijinhos roubados, sorvete de casquinha, e passeios de mãos dadas no calçadão, o tempo parecia suspenso — uma versão analógica do amor, sem filtros nem notificações.
💌 O tempo das cartas
Quando as férias acabaram, a maré levou cada um de volta ao seu porto.
Mas a história não se dissolveu — virou papel, tinta e selo.
Era o tempo do namoro por correspondência, aquele ritual sagrado que fazia o coração bater mais forte só de ouvir o carteiro gritar:
“Cooorreiooo!”
A expectativa era um misto de ansiedade e doçura.
Abrir o envelope era quase abrir o peito: o cheiro do papel, a letra dela, as palavras redondas e carinhosas, o “até logo” escrito com esperança.
Depois vinha o outro ritual — responder.
Caprichar na letra, escolher o envelope mais bonito, passar perfume (sim, perfume!), e caminhar até a agência dos Correios, coração em overclock, imaginando a carta cruzando estradas, cidades e saudades.
⏳ A lentidão bonita
Hoje tudo é instantâneo: mensagens que atravessam o mundo em segundos.
Mas naquela época, o amor tinha latência de semanas — e era justamente isso que o tornava especial.
Cada carta era um checkpoint emocional, um snapshot da alma de dois adolescentes tentando entender o tempo.
A espera era parte da magia.
Com o tempo, claro, as cartas foram rareando.
Vieram as provas, os empregos, os compromissos, os desencontros.
Até que um dia o carteiro deixou de gritar seu nome, e a caixa de correio ficou muda.
Mas o coração… o coração guardou backup.
🌅 Trinta anos depois
Hoje, em 2020, o verão ainda tem o mesmo cheiro salgado da Praia Grande.
Você passa pelo mesmo calçadão e quase pode ver o reflexo de dois jovens caminhando lado a lado.
O tempo apagou as pegadas, mas não o arquivo de memória.
E fica aquela pergunta que ecoa suave, entre uma onda e outra:
“Será que a Claudiane casou?
Teve filhos? Netos?
Será que às vezes ela também pensa naquele verão?”
Talvez sim, talvez não.
Mas o importante é que houve.
Houve aquele amor simples, sincero, que cabia em duas páginas de papel almaço e um selo de 50 cruzeiros.
🕯️ Filosofia de balcão do El Jefe
O amor de carta é o COBOL dos sentimentos — antigo, mas confiável.
Demora pra compilar, mas quando roda, grava tudo na fita da memória.
E enquanto houver lembrança, sempre haverá um E SE… flutuando no ar, suave como o vento do mar em 1991.
📮 Dica de El Jefe:
Se um dia achar uma carta antiga numa gaveta, não jogue fora.
Leia.
Sinta.
Ali mora um pedaço do que você foi — e talvez do que ainda é.
“Cartas são como conchas: simples por fora, mas cheias de oceano por dentro.” 🌊💙
Crônica – O Sobrado da Tia Guiomar e a Descoberta do Telefone
Voltar para a Vila Rio Branco é como abrir um álbum de figurinhas antigas: cada página tem cheiro, voz, textura.
E numa dessas páginas mora um castelo — o sobrado da Tia-Avó Guiomar.
Guiomar, irmã da minha vó Alzira, formava com o Tio Francisco e os primos Silas, Noemi e Mirian aquela parte da família que, para os olhos de dois pequenos aventureiros, parecia viver num outro nível de existência. Eram a “parte rica”, como diziam os adultos, mas para mim e para a Vivi, aquilo significava apenas mais magia por metro quadrado.
O sobrado tinha escadas enormes, corredores que pareciam passagens secretas e um brilho diferente — talvez fosse da cera no chão, talvez fosse da fartura que parecia morar ali. Porque, olha… as mesas da Tia Guiomar!
Cada visita era um banquete digno de chefão final de fase. A gente mal chegava e já via os pratos alinhados, cheiro de bolo, carne assando, suco fresco… E sempre, sempre alguém dizendo: “Come mais um pouquinho, menino.”
E eu comia, claro.
Por educação.
(E porque era tudo maravilhoso.)
Mas havia algo ainda mais impressionante naquela casa. Algo que, para um garoto no final dos anos 70, era praticamente tecnologia alienígena.
O telefone.
Sim, senhor(a). UM TELEFONE.
Daqueles com fio, disco giratório e um som que parecia abrir um portal interdimensional.
Era raro, raríssimo.
No Brasil daquela época, a tal da Telesp tinha o “Plano de Expansão”. Você pagava e… esperava. E esperava. E esperava mais um pouco. E só então, anos depois, recebia a linha telefônica. Era quase como ganhar um dragão adestrado pelo correio.
Mas a Tia Guiomar… ah, ela já tinha o dela.
E aquilo me fascinava.
Eu passava horas ligando para o Disque-Historinha – 200-1234, aquele número mítico onde vozes mágicas contavam contos infantis direto para o ouvido de um menino encantado. Ligava para parentes, ligava para ninguém, ligava só para ouvir o disco girando e o click da conexão.
Era o ápice da tecnologia.
E eu, pequenino, me senti pela primeira vez um viajante intergaláctico, conversando com mundos distantes através de um aparelho fixado na parede.
Enquanto isso, o Tio Francisco, pastor da Assembleia de Deus e homem que ajudou a construir trilhos e estações do metrô de São Paulo com as próprias mãos, me ouvia. Com uma paciência bíblica, respondia minhas enxurradas de porquês. E olha que eu era um tagarela nível hard… daqueles que só param quando o sono vence.
Entre uma bronca suave e um ensinamento cristão, ele dividia histórias de vida, fé, trabalho e coragem. Para mim, era como ouvir parábolas modernas.
Noemi, a prima sempre risonha, era a guardiã das nossas aventuras internas.
A Vivi e eu corríamos de um canto ao outro, inventando mundos, criando monstros imaginários nos corredores, fingindo que o sobrado era um gigantesco castelo medieval — e ela vinha junto, rindo, guiando, às vezes tentando conter a bagunça e às vezes incentivando ainda mais.
Cada visita terminava com aquela sensação boa de tarde bem vivida.
O dia rendia, a barriga saía cheia, o coração aquecido, e a cabeça… a cabeça saía com mais histórias, mais perguntas, mais descobertas.
E o telefone.
Ah, o telefone.
Era como se, só de olhar para ele, eu visse o futuro chegando devagarinho — um futuro onde tudo seria conectado, rápido, pulsante.
Ali, naquele sobrado, eu aprendi que tecnologia não é só máquina — é encantamento, é poder falar com o distante, é encurtar mundos.
E uma história começava a ser contada só pra você.
Era bruxaria.
Era ficção científica.
Era o topo da pirâmide tecnológica dos anos 70.
Além disso, havia o êxtase supremo: falar com outros parentes pelo telefone.
Ouvir a voz deles, distante, viajando pelos fios metálicos, chegando até meu ouvido…
Era como magia industrial.
Virou um símbolo.
Do carinho da família.
Do luxo simples dos anos 70.
Da primeira vez que um menino descobriu o futuro dentro de um aparelho eletro-mecânico com um disco de plástico giratório e montes de fiozinhos de cobre.
E até hoje, quando fecho os olhos, ainda consigo ouvir o trrrrr-trrrrr da discagem, anunciando que a aventura ia começar.
Aquela casa era magica. Eu e Vivi corríamos pelo sobrado, inventando castelos e reinos, brigando, rindo, criando caos. Sempre acompanhados pela Noemi, com um sorriso enorme, olhando pra nós como quem cuida de dois pequenos monstros adoráveis — nossos “Onis de Vila Rio Branco”.
E assim, entre escadas, corredores, sermões, risadas, pratos cheios e aquele telefone que parecia abrir portais, a casa da Tia Guiomar se tornou mais do que uma lembrança.
Hoje, quando fecho os olhos, o som do disco girando ainda ecoa.
O corredor continua iluminado.
O cheiro da comida sobe do fogão.
E eu ainda sou aquele menino curioso, com a mão no telefone, descobrindo o tamanho do mundo.
"Quando a lua ilumina os telhados das antigas aldeias japonesas e o silêncio cobre os campos de arroz, dizem que alguns gatos deixam de ser apenas animais. Eles observam os humanos com olhos antigos, compreendem palavras que jamais deveriam entender e, após décadas de existência, tornam-se algo diferente. Algo que pertence ao mundo dos yōkai. Assim nasce o Bakeneko."
Introdução
Entre todas as criaturas do folclore japonês, poucas são tão fascinantes quanto o Bakeneko (化け猫), literalmente "gato transformado" ou "gato monstruoso". Durante séculos, histórias sobre gatos capazes de assumir forma humana, lançar maldições, controlar os mortos e provocar fenômenos sobrenaturais circularam por todo o Japão.
O Bakeneko não é apenas uma lenda isolada. Ele representa o profundo respeito e temor que os japoneses antigos nutriam pelos gatos. Enquanto no Ocidente os gatos frequentemente eram associados à bruxaria, no Japão eles se tornaram protagonistas de um vasto conjunto de histórias sobrenaturais.
Hoje, o Bakeneko continua vivo na cultura popular, aparecendo em animes, mangás, videogames, filmes e obras de fantasia.
Origem do Nome
A palavra Bakeneko é formada por:
化け (Bake) = transformar-se, metamorfosear-se
猫 (Neko) = gato
Portanto, Bakeneko significa:
"Gato que se transformou"
ou
"Gato metamórfico".
O termo está ligado ao conceito japonês de yōkai (妖怪), criaturas sobrenaturais que habitam o imaginário do país há centenas de anos.
Classificação Mitológica
Categoria:
Yōkai (妖怪)
Subcategoria:
Kaibyō (怪猫) – gatos sobrenaturais
Alinhamento tradicional:
Neutro
Imprevisível
Ocasionalmente maligno
Habitat:
Casas antigas
Templos abandonados
Vilas rurais
Florestas próximas a assentamentos humanos
Origem:
Japão Feudal
A História dos Gatos no Japão
Os gatos chegaram ao Japão vindos da China por volta do século VI.
Inicialmente eram animais extremamente valiosos.
Sua função principal era proteger:
Manuscritos budistas
Pergaminhos
Estoques de arroz
contra ratos.
Por serem raros, os gatos eram associados à nobreza e aos mosteiros.
Com o passar dos séculos, sua inteligência, comportamento misterioso e hábitos noturnos fizeram surgir inúmeras superstições.
Os japoneses acreditavam que:
Gatos viam espíritos.
Gatos compreendiam a linguagem humana.
Gatos possuíam alma.
Gatos podiam absorver energia sobrenatural.
Essas crenças abriram caminho para o nascimento do mito do Bakeneko.
Como Surge um Bakeneko?
As lendas variam conforme a região, mas geralmente um gato torna-se um Bakeneko quando:
Vive muitos anos
Algumas histórias falam de:
13 anos
20 anos
30 anos
de idade.
Cresce excessivamente
Quanto maior o gato, maior seu poder espiritual.
Possui cauda longa
Acreditava-se que a cauda acumulava energia sobrenatural.
Recebe energia espiritual
Conviver por muito tempo com humanos poderia despertar poderes ocultos.
Aparência
O Bakeneko pode assumir várias formas.
Forma Felina
Aparência semelhante a um gato comum, porém:
Muito maior
Olhos brilhantes
Presença assustadora
Movimentos quase humanos
Forma Humana
Uma das habilidades mais famosas.
O Bakeneko pode assumir a forma de:
Jovens mulheres
Idosos
Servos
Nobres
Muitas histórias contam sobre pessoas que descobriram tarde demais que conviviam com um gato disfarçado.
Forma Monstruosa
Algumas lendas descrevem:
Gatos gigantes
Corpos cobertos por chamas fantasmagóricas
Olhos vermelhos
Dentes afiados
Poderes Sobrenaturais
Metamorfose
O poder mais famoso.
O Bakeneko pode:
Assumir forma humana
Imitar vozes
Copiar comportamentos
Necromancia
Em algumas regiões do Japão acreditava-se que o Bakeneko podia:
Reanimar cadáveres
Controlar mortos
Possuir corpos humanos
Essa é uma das características mais assustadoras do mito.
Maldições
O Bakeneko pode lançar:
Doenças
Azar
Acidentes
Desgraças familiares
Controle Mental
Algumas histórias afirmam que ele pode:
Hipnotizar humanos
Criar ilusões
Manipular memórias
Fogo Fantasma
Diversas lendas descrevem:
Chamas azuis
Fogo espiritual
Esferas luminosas
conhecidas como hitodama.
Fala Humana
Muitos relatos antigos afirmam que os Bakeneko:
Conversavam
Cantavam
Recitavam poemas
durante a noite.
A Dança dos Bakeneko
Uma das imagens mais famosas do folclore japonês mostra gatos dançando.
Segundo antigas histórias:
Durante a madrugada, os Bakeneko:
Vestiam roupas humanas
Dançavam sobre duas patas
Cantavam músicas estranhas
Esses eventos eram considerados sinais de que um gato havia ultrapassado os limites naturais.
A Lenda de Nabeshima
A mais famosa história de Bakeneko.
O Contexto
Durante o período Edo, surgiu uma história envolvendo o clã Nabeshima.
Segundo a lenda:
Uma mulher da corte possuía um gato extremamente inteligente.
Após sua morte misteriosa, o animal teria:
Matado uma serva
Assumido sua aparência
Infiltrado-se no castelo
Durante anos ninguém percebeu a troca.
O Terror no Castelo
O falso humano começou a:
Manipular nobres
Causar doenças
Provocar mortes inexplicáveis
Até que um guerreiro percebeu comportamentos estranhos.
Após investigar, descobriu que o responsável era um Bakeneko.
O Confronto
O samurai enfrentou o monstro.
Depois de uma batalha intensa:
O disfarce foi quebrado.
O gato revelou sua forma verdadeira.
O castelo foi libertado.
Essa história tornou-se uma das mais famosas narrativas sobrenaturais do Japão.
Relação com o Nekomata
Muitas pessoas confundem:
Bakeneko
Nekomata
Embora sejam semelhantes, existem diferenças.
Bakeneko
Qualquer gato transformado.
Possui poderes variados.
Forma mais ampla do mito.
Nekomata
Evolução mais poderosa.
Possui duas caudas.
Associado à necromancia avançada.
Em muitas regiões, o Nekomata é considerado um Bakeneko que continuou evoluindo.
Existe Culto ao Bakeneko?
Diferentemente de divindades japonesas, o Bakeneko não possui um culto oficial amplamente estabelecido.
No entanto, existem locais associados a lendas de gatos sobrenaturais.
Prefeitura de Saga
A região de Saga é famosa pela lenda do Bakeneko Nabeshima.
Muitos visitantes exploram locais ligados à história.
Templos Relacionados a Gatos
Diversos templos japoneses mantêm:
Estátuas felinas
Cemitérios de gatos
Homenagens a animais
embora não sejam dedicados especificamente ao Bakeneko.
Gotokuji
Um dos templos mais famosos relacionados a gatos.
É associado ao Maneki-neko.
Embora não seja dedicado ao Bakeneko, frequentemente aparece em discussões sobre mitologia felina japonesa.
Simbolismo
O Bakeneko representa:
O Desconhecido
Os gatos nunca foram completamente compreendidos pelos humanos.
O Limite Entre Mundos
Ele transita entre:
Animal
Humano
Espírito
O Poder Oculto
Simboliza forças invisíveis que podem despertar com o tempo.
Curiosidades Fascinantes
Os Gatos Eram Temidos à Noite
No Japão feudal, muitas pessoas evitavam encarar gatos durante a madrugada.
A Cauda Longa Inspirou Medo
Acreditava-se que quanto maior a cauda, mais energia espiritual ela armazenava.
Surgimento do Bobtail Japonês
Alguns estudiosos sugerem que a popularidade dos gatos de cauda curta pode ter sido influenciada pelo medo das histórias de Bakeneko.
O Bakeneko Pode Ser Bondoso
Nem todas as histórias o retratam como maligno.
Alguns:
Protegem famílias
Expulsam espíritos
Trazem prosperidade
Bakeneko na Cultura Popular
O mito continua extremamente popular.
Animes em que Aparece
Mononoke (2007)
Data de lançamento:
12 de julho de 2007
O arco inicial apresenta uma poderosa entidade felina relacionada aos Bakeneko.
Considerado um dos retratos mais famosos do mito.
GeGeGe no Kitarō
Primeira versão:
1968
Diversos Bakeneko aparecem ao longo das décadas.
Natsume Yuujinchou
2008
Apresenta diversos yōkai felinos inspirados em Bakeneko.
Yo-kai Watch
2014
Possui criaturas inspiradas em gatos sobrenaturais japoneses.
The Morose Mononokean
2016
Explora yōkai tradicionais, incluindo seres inspirados em Bakeneko.
Ayakashi: Samurai Horror Tales
2006
Uma das obras modernas mais importantes sobre folclore japonês.
Inu x Boku SS
2012
Possui referências a espíritos felinos metamórficos.
Kyousougiga
2013
Apresenta elementos derivados de lendas de gatos sobrenaturais.
Mangás
O Bakeneko aparece frequentemente em:
GeGeGe no Kitarō
Nura: Rise of the Yokai Clan
xxxHolic
Nurarihyon no Mago
Touhou Mangás derivados
Videogames
Nioh
2017
Possui criaturas baseadas em yōkai felinos.
Nioh 2
2020
Expande a presença de entidades inspiradas em Bakeneko.
Yokai Watch
Série iniciada em 2013.
Shin Megami Tensei
Vários jogos incluem criaturas derivadas do mito.
Persona
Referências indiretas ao folclore felino aparecem em diversos títulos.
Como Reconhecer um Bakeneko Segundo as Lendas
Os antigos japoneses acreditavam que um gato poderia ser sobrenatural se:
Caminhasse sobre duas patas.
Observasse pessoas por longos períodos.
Demonstrasse inteligência incomum.
Parecesse compreender conversas.
Surgisse repetidamente em sonhos.
Dicas para Pesquisadores de Folclore
Se você deseja estudar o Bakeneko:
Leia sobre o Período Edo
Grande parte das lendas surgiu nessa época.
Estude os Yōkai
O Bakeneko faz parte de um sistema maior de criaturas sobrenaturais.
Compare com Outras Culturas
Existem paralelos interessantes com:
Bastet (Egito)
Cait Sith (Escócia)
Gatos familiares de bruxas europeias
Comentários Finais
O Bakeneko permanece como uma das figuras mais intrigantes do folclore japonês. Ele é ao mesmo tempo assustador e fascinante, monstruoso e elegante, perigoso e protetor.
Sua lenda atravessou séculos porque toca um sentimento universal: a sensação de que os gatos escondem algo além daquilo que vemos.
Quem convive com gatos sabe que, às vezes, eles observam cantos vazios da casa, reagem a sons inexistentes e parecem compreender muito mais do que demonstram.
Talvez seja exatamente por isso que o mito do Bakeneko nunca desapareceu.
No imaginário japonês, quando um gato vive tempo suficiente, acumula experiências suficientes e atravessa o véu entre o mundo humano e o espiritual, ele deixa de ser apenas um animal.
Ele se torna uma lenda.
E essa lenda atende pelo nome de Bakeneko (化け猫). 🐈⬛🌙👁️
Bellacosa Mainframe e a divertida historia de Deir El Medina ostracos fofoqueiros
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Deir el-Medina: Greve, Cerveja, Fofoca, Paneb e o Escorpião que Inventou o RH
🏺 Há 3.200 anos o faraó tinha trabalhadores especializados, folha de presença, chefes problemáticos, salário atrasado, greve e desculpas para faltar ao serviço. Em outras palavras: inventamos muito pouco desde então.
Existe uma mentira confortável que contamos sobre o passado.
Imaginamos que os antigos eram antigos.
Homens solenes olhando para o horizonte.
Sacerdotes caminhando entre colunas.
Faraós contemplando a eternidade.
Escribas registrando os movimentos das estrelas.
Construtores erguendo monumentos destinados a desafiar os milênios.
Tudo acompanhado por alguma música épica de documentário.
Então aparece um pedaço de calcário de Deir el-Medina e diz:
O sujeito não veio trabalhar porque foi picado por um escorpião.
Pronto.
Acabaram-se três milênios de distância histórica.
Conhecemos esse sujeito.
Provavelmente já trabalhamos com ele.
E, considerando a quantidade de escorpiões no Egito, existe uma possibilidade bastante razoável de que o pobre coitado estivesse dizendo a mais absoluta verdade.
Mas isso não importa.
Porque em algum momento ocorreu uma conversa que, traduzida livremente para o idioma universal da burocracia, deve ter sido mais ou menos assim:
— Cadê o funcionário?
— Não veio.
— Motivo?
— Escorpião.
— CID?
— Ainda não inventaram.
— Atestado?
— Também não.
— Testemunha?
— O escorpião.
— Onde ele está?
— Foi promovido a falecido.
— Certo. Escreva na pedra.
E escreveram.
🦂 O escorpião entrou para a História
O British Museum conserva o óstraco EA5634, datado aproximadamente de 1250 a.C., durante o reinado de Ramsés II.
Não é uma piada moderna.
É essencialmente uma folha de presença.
São nomes de trabalhadores, dias e razões pelas quais determinadas pessoas não compareceram ao serviço.
O registro cobre nada menos que 280 dias.
E entre os motivos de ausência estão doenças, problemas nos olhos e a gloriosa anotação:
“The scorpion stung him.”
O escorpião o picou.
Há mais de cem registros relacionados a doença. Também aparecem trabalhadores afastados porque estavam acompanhando superiores para realizar trabalhos particulares — prática que, segundo o próprio British Museum, não era necessariamente proibida quando mantida dentro de certos limites.
Portanto, outra grande tradição corporativa já existia:
— Cadê Nakhtmin?
— O chefe levou.
— Para a obra?
— Não.
— Para onde?
— Resolver um negócio particular.
— Durante o expediente?
— Sim.
— Isso pode?
— Se não abusar.
Consultoria interna não faturável, versão Ramsés II.
🍺 Um brinde ao homem que estava fazendo cerveja
Entre as justificativas preservadas em registros de Deir el-Medina aparecem tarefas domésticas e atividades relacionadas à preparação de cerveja.
Antes de julgarmos nosso herói, porém, é necessário lembrar que cerveja no Egito antigo não era simplesmente o equivalente faraônico de alguém faltar ao escritório porque resolveu produzir uma IPA artesanal na garagem.
Era alimento.
Era parte da economia doméstica.
Era importante na vida cotidiana.
Portanto, “fazer cerveja” podia ser uma atividade perfeitamente legítima.
Mas não estraguemos uma ótima história com contexto histórico demais.
Ergamos nossos copos ao desconhecido trabalhador que, três milênios depois, continua involuntariamente representando todos aqueles que olharam para o trabalho numa segunda-feira e pensaram:
Hoje não.
🍺
Um brinde também ao escriba que registrou aquilo.
Porque fazer cerveja é temporário.
Documentar que alguém faltou para fazer cerveja é eternidade.
👽 Então chegaram os Vogons
Ou talvez eles já estivessem lá.
Douglas Adams imaginou uma raça alienígena tão burocrática que seria capaz de destruir a Terra porque os planos para uma via expressa interestelar estavam disponíveis para consulta em algum arquivo impossível de encontrar.
Mas Deir el-Medina sugere outra hipótese:
os Vogons fizeram estágio no Egito.
Imagine o Ministério das Tumbas Reais.
FORMULÁRIO DEM-27B — JUSTIFICATIVA DE AUSÊNCIA
Nome: ______________________
Equipe: ☐ esquerda ☐ direita
Motivo:
☐ doença ☐ problema ocular ☐ obrigação familiar ☐ serviço particular solicitado pelo chefe ☐ fabricação de cerveja ☐ atividade religiosa ☐ escorpião ☐ outros — anexar óstraco complementar
Em caso de escorpião, informar:
☐ picada confirmada ☐ tentativa de picada ☐ escorpião indisponível para depoimento ☐ escorpião morto durante o incidente
Assinatura do supervisor: __________________
Assinatura do escorpião: __________________
🏘️ Mas Deir el-Medina não era uma cidade qualquer
A graça da história fica ainda maior quando entendemos quem eram essas pessoas.
Deir el-Medina abrigava trabalhadores altamente especializados responsáveis pela construção e decoração das tumbas reais da região tebana.
Pedreiros.
Desenhistas.
Escultores.
Pintores.
Escribas.
Capatazes.
Artesãos.
Gente que trabalhava em um dos projetos tecnologicamente e artisticamente mais sofisticados de sua civilização.
E justamente porque aquela comunidade possuía um nível incomum de documentação, ela nos deixou algo extraordinário:
o cotidiano.
Os grandes monumentos dizem o que o Estado queria dizer.
Os óstracos dizem o que aconteceu enquanto o Estado estava olhando para outro lado.
🗣️ FOFOCA
Porque nenhuma tecnologia humana jamais superou a fofoca.
Antes da imprensa.
Antes do telefone.
Antes do WhatsApp.
Antes do Facebook.
Antes do Slack.
Antes do Teams.
Já existia:
“Você soube o que fulana fez?”
Deir el-Medina preservou cartas, reclamações, disputas domésticas, acusações e conflitos entre pessoas que viveram lado a lado durante gerações.
Era uma comunidade relativamente pequena.
Todo mundo conhecia todo mundo.
Filhos trabalhavam com filhos dos colegas.
Famílias casavam entre si.
Vizinhos discutiam.
Dívidas existiam.
Casamentos davam errado.
Autoridades eram chamadas para resolver conflitos.
Alguém inevitavelmente sabia alguma coisa sobre alguém.
Portanto, podemos propor com razoável segurança antropológica que o primeiro protocolo de comunicação distribuída realmente tolerante a falhas foi:
GOSSIP/1.0
FULANA disse
↓
para SICRANA
↓
que BELTRANA ouviu
↓
de outra pessoa
↓
que PANEB fez merda.
E então chegamos a Paneb.
😈 PANEB
Toda boa comunidade precisa de um personagem sobre o qual ninguém consegue contar uma história curta.
Deir el-Medina tinha Paneb.
O principal documento é o chamado Papiro Salt 124.
E aqui precisamos colocar um enorme:
⚠️ ALLEGEDLY
Paneb foi objeto de uma denúncia extraordinária.
As acusações atribuídas a Amennakht incluem suborno, roubo, violência, abuso de poder, irregularidades sexuais e outras condutas.
Mas existe uma questão maravilhosa para o historiador:
o denunciante tinha seus próprios interesses.
Paneb ocupava uma posição importante como chefe de trabalhadores, e o documento deve ser lido como uma acusação — não como sentença judicial moderna contendo fatos definitivamente comprovados.
Um estudo dedicado ao caso alerta justamente para possíveis exageros, distorções, boatos e parcialidade na denúncia.
Em outras palavras:
temos política de escritório.
Há 3.200 anos.
Paneb pode ter sido um canalha extraordinário.
Pode ter sido um canalha moderado com um inimigo extraordinariamente competente em produzir documentação.
Ou alguma combinação dos dois.
Mas a lista de acusações é tão impressionante que Paneb parece ter descoberto o conceito de compliance apenas para poder violá-lo sistematicamente.
📋 INCIDENT REPORT — PANEB
USER................ PANEB
ROLE................ CHIEF WORKMAN
ENVIRONMENT......... DEIR-EL-MEDINA
SEVERITY............. SEV-1
STATUS............... INVESTIGATING
ALLEGATIONS:
[!] abuso de autoridade
[!] violência
[!] apropriação indevida
[!] suborno
[!] uso irregular de trabalhadores
[!] comportamento sexual impróprio
[!] tretas diversas
ROOT CAUSE:
Pending investigation.
RECOMMENDED ACTION:
Do not give Paneb administrative privileges.
O mais fascinante é que o caso não nos revela apenas Paneb.
Revela conflito de interesse.
Quem acusa?
Por quê?
Quem ganha se o acusado perder o cargo?
Quanto da acusação é fato?
Quanto é interpretação?
Quanto é fofoca?
Quanto foi acrescentado porque, já que estamos denunciando o sujeito, podemos colocar aquela história do ano passado também?
Isso não é apenas arqueologia.
É uma reunião de RH.
⚖️ O primeiro princípio universal da política
Aqui Deir el-Medina ensina algo delicioso:
Duas pessoas podem observar exatamente o mesmo acontecimento e produzir narrativas completamente diferentes.
E nada demonstra isso melhor que a famosa greve.
No reinado de Ramsés III, problemas políticos e econômicos afetaram o fornecimento das rações que constituíam pagamento dos trabalhadores.
Eles trabalharam.
A remuneração não chegou adequadamente.
E os trabalhadores fizeram uma coisa revolucionariamente moderna:
pararam de trabalhar.
O chamado Papiro da Greve, hoje conservado pelo Museo Egizio de Turim, registra o conflito. O museu confirma que os trabalhadores interromperam suas atividades por causa das rações não entregues e que o conflito com as autoridades se prolongou.
E então podemos fazer uma experiência.
O mesmo acontecimento.
Dois jornais.
📰 THE THEBES CONSERVATIVE
🚨 RADICAIS PARALISAM PROJETO ESTRATÉGICO DO FARAÓ
Grupo organizado abandona postos, atravessa área de controle e pressiona autoridades em meio à delicada situação econômica do reino
Tebas — Trabalhadores envolvidos em projeto estratégico do Estado interromperam unilateralmente suas atividades e realizaram concentração nas proximidades de instalações religiosas.
O movimento ocorre em momento delicado para a administração de Ramsés III.
Representantes dos trabalhadores alegam problemas no fornecimento de rações.
Críticos, porém, questionam:
seria realmente necessário abandonar o trabalho?
Fontes próximas à administração lembram que dificuldades logísticas podem ocorrer em qualquer grande empreendimento.
Especialistas alertam que ceder às reivindicações poderá criar perigoso precedente:
Hoje querem grãos.
Amanhã quem sabe o quê?
Um cidadão ouvido pelo The Thebes Conservative, que pediu anonimato por trabalhar no Ministério dos Obeliscos, declarou:
— No meu tempo, se faltasse peixe, a gente trabalhava com fome.
Questionado sobre sua idade, respondeu:
— 24.
✊ A VOZ DO NILO
HERÓIS DO POVO CRUZAM OS BRAÇOS: “ESTAMOS COM FOME!”
Trabalhadores que constroem a eternidade do faraó exigem algo radical: receber pelo trabalho realizado
DEIR EL-MEDINA — Enquanto autoridades vivem cercadas pelas riquezas do reino, trabalhadores responsáveis pelas tumbas reais foram obrigados a interromper suas atividades após atrasos nas provisões essenciais.
Eles não exigiram palácios.
Não exigiram ouro.
Não exigiram carruagens.
Exigiram:
COMIDA.
Os trabalhadores atravessaram o posto de controle e fizeram uma espécie de ocupação pacífica próxima aos templos.
A mensagem dirigida às autoridades foi inequívoca:
“Estamos com fome!”
A administração, confrontada com a inédita possibilidade de que pessoas precisam comer para continuar trabalhando, iniciou negociações.
😂 MESMO INCIDENTE. DUAS TIMELINES.
E é justamente aí que a brincadeira deixa de ser apenas brincadeira.
O Museo Egizio preserva palavras extraordinárias dos trabalhadores.
Eles atravessaram o posto de controle dizendo:
“Estamos com fome!”
O documento informa que já haviam transcorrido 18 dias naquele mês e que os homens foram sentar-se atrás do templo funerário de Tutmés III. Diante das autoridades, explicaram que fome e sede os haviam levado àquela situação e pediram que suas palavras fossem transmitidas ao faraó e ao vizir.
É difícil encontrar uma reivindicação política mais simples.
Não era:
TRABALHADORES DE TODO O NILO, UNI-VOS!
Karl Marx demoraria aproximadamente outros três milênios para nascer.
Também não era:
ABAIXO O ESTADO FARAÔNICO!
Bakunin estava igualmente indisponível.
Era:
PAGUEM A COMIDA.
🚩 ANARQUISTAS!
Um comentarista conservador imaginário de 1150 a.C. certamente teria dito:
— Isso começa assim.
— Como?
— Primeiro eles reclamam das rações.
— Certo.
— Depois fazem uma paralisação.
— Sim.
— Daqui a pouco querem derrubar o faraó.
— Eles disseram isso?
— Não.
— Então de onde você tirou?
— É óbvio.
Enquanto nosso comentarista popular responderia:
— Esses homens constroem a eternidade do faraó e não conseguem receber o jantar?
E aí está a beleza.
Interesses diferentes produzem leituras diferentes do mesmo acontecimento.
O administrador precisa terminar a tumba.
O trabalhador precisa alimentar a família.
O escriba precisa registrar o problema.
O faraó provavelmente preferia que todo mundo simplesmente voltasse ao trabalho.
E o historiador, três mil anos depois, agradece profundamente porque:
ninguém conseguiu resolver a treta antes que fosse documentada.
🧑💼 O verdadeiro herói é o burocrata
Existe, entretanto, um personagem que merece nosso respeito.
O escriba.
Porque pense nisso.
Trabalhadores furiosos.
Administração pressionada.
Rações atrasadas.
Gente sentada no templo.
Negociação.
Reclamação.
Provavelmente todo mundo falando ao mesmo tempo.
E alguém pensou:
“É melhor documentar isso.”
Esse homem é o ancestral espiritual do operador que, no meio de um SEV-1, escreve:
ESCORPIÃO
↓
INCIDENTE
↓
AUSÊNCIA
↓
JUSTIFICATIVA
↓
ARQUIVAMENTO
↓
3200 ANOS
↓
INTERNET
↓
NÓS RINDO
☕ Um último café em Deir el-Medina
Imagine sentar naquela aldeia ao fim do expediente.
O sol desaparecendo atrás das montanhas de Tebas.
Alguém trazendo pão.
Outro homem reclamando do supervisor.
Uma mulher contando o que a vizinha disse.
Um trabalhador dizendo que as rações continuam atrasadas.
Ao longe, Paneb provavelmente sendo acusado de alguma coisa.
O escriba anotando.
E alguém aparece carregando uma jarra.
— Quem fez a cerveja?
Silêncio.
Um homem levanta a mão.
— Você não deveria estar trabalhando hoje?
— Deveria.
— E por que não estava?
Ele aponta para a jarra.
Justo.
Sirva.
Porque reis morrerão.
Dinastias desaparecerão.
Impérios cairão.
A língua será esquecida.
As tumbas serão saqueadas.
E três milênios depois outros trabalhadores estarão sentados diante de máquinas incompreensíveis, reclamando do chefe, do salário, do colega, do governo e daquela reunião que poderia perfeitamente ter sido um e-mail.
Então levantemos a caneca.
🍺 Ao cervejeiro.
🦂 Ao escorpião — culpado ou injustamente acusado.
📜 Ao escriba que documentou a bagunça.
✊ Aos perigosos revolucionários que cometeram o ato subversivo de querer receber o pagamento.
👔 À administração que provavelmente classificou tudo como problema temporário de logística.
😈 E a Paneb, que nos lembra que o primeiro requisito para existir compliance é alguém suficientemente criativo para tornar compliance necessário.
Mas principalmente:
um brinde às pessoas comuns de Deir el-Medina.
Os faraós gastaram fortunas tentando conquistar a imortalidade.
Construíram tumbas.
Esculpiram montanhas.
Cobriram paredes com seus nomes.
Mandaram escrever que seriam lembrados eternamente.
E funcionou.
Mas um trabalhador desconhecido conseguiu praticamente a mesma coisa faltando ao serviço porque...
Um líder de comunidade em Garça no interior de São Paulo, foi perseguido e ameaçado por membros deste grupo, 1º de Janeiro de 1946 num discurso antes do início de uma partida de basebol. Foi o começo do fim, no dia seguinte esse homem foi marcado como traidor pelos membros da comunidade e teve que abandonar seu armazém de secos e molhados.
Um pouco de história, devido ao isolacionismo, a distância entre Brasil e Japão e os meios de comunicação ineficientes da década de 40 do seculo passado, muitos japoneses não acreditavam no final da guerra e a derrota do Japão na 2ª Grande Guerra Mundial.
Por isso surgiu um grupo que negava a derrota, propagando que era invencionice dos aliados para minar a moral das pessoas, estes grupos se armaram e começaram a atacar pessoas que diziam o contrário.
A comunidade de imigrantes japoneses no Brasil acabou sendo dividida em duas facções: Kachigumi: - os vitoristas, eram aqueles que acreditavam que a guerra continuava ou que tinha havido a vitória do Japão. Nem todos foram simpatizantes das ações da Shindo Renmei. Era constituído pelas pessoas mais pobres da comunidade e que ainda desejavam o retorno. Eram os mais numerosos.
Makegumi: - os derrotistas, pejorativamente chamados de "corações sujos", eram os que acreditavam na derrota japonesa. Formavam o grupo mais próspero da colônia, eram melhor informados e melhor adaptados ao Brasil.
Neste vídeo temos o orgulho de ouvir em primeira pessoa um relato sobre aqueles dias e suas consequências para as famílias.
#Itatiba #CamaraMunicipal #Palestra #HIroshima #Nagasaki #TributoAPaz #Garça #Testemunho #Palestra #ShindoRenmei #GuerraMundial #Explosao #NUclear #Nuke #Assassinato #Politico
Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo II
Capítulo II — A Corrida do Ouro Digital: Como Nasceu a Febre das Empresas ".com"
Quando Wall Street descobriu a Internet e acreditou que o lucro havia se tornado opcional
"Na história da humanidade, toda grande corrida do ouro começa com uma descoberta legítima. O problema começa quando as pessoas passam a vender pás em vez de procurar ouro."
Se no capítulo anterior vimos como a Internet saiu dos laboratórios e começou a conquistar o mundo, agora chegamos ao momento em que a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a ser encarada como a promessa de uma nova civilização econômica.
Foi nesse instante que nasceu a famosa Era das Dot-Com.
Para um Padawan COBOL, esse é um dos capítulos mais importantes da história da computação, porque mostra como uma tecnologia revolucionária pode ser confundida com uma oportunidade de enriquecimento fácil. A Internet realmente mudaria o planeta. O erro foi acreditar que qualquer empresa ligada a ela se transformaria automaticamente em um império.
A tecnologia estava certa.
A lógica financeira, não.
O Significado de ".com"
Hoje digitamos endereços como algo absolutamente natural.
bellacosamainframe.com
ibm.com
openai.com
amazon.com
Mas poucos lembram que, na década de 1990, possuir um domínio ".com" era quase um símbolo de status.
O ".com" era originalmente apenas um domínio de primeiro nível destinado a empresas comerciais.
Nada mais.
Entretanto, o imaginário popular transformou essas quatro letras em sinônimo de modernidade, inovação e riqueza.
Era como se existissem dois mundos.
O mundo antigo.
E o mundo ".com".
Se uma empresa acrescentasse ".com" ao seu nome, muitos investidores imediatamente acreditavam que ela fazia parte da nova economia.
Hoje parece absurdo.
Na época, parecia inevitável.
A Internet Virou um Sonho Coletivo
O final dos anos 1990 foi marcado por um sentimento raro na história.
O mundo inteiro parecia acreditar que estava vivendo o nascimento de uma nova Revolução Industrial.
Todos os dias surgiam manchetes anunciando:
"A Internet vai acabar com as lojas físicas."
"Os bancos tradicionais desaparecerão."
"Os jornais impressos morrerão."
"Nunca mais será necessário sair de casa para fazer compras."
"O comércio eletrônico dominará o planeta."
Curiosamente...
Quase todas essas previsões acabaram se tornando verdadeiras.
O problema foi o prazo.
Os investidores imaginavam que isso aconteceria em dois ou três anos.
Na realidade, muitas dessas transformações levaram vinte ou trinta anos para amadurecer.
A tecnologia estava apenas adiantada em relação ao comportamento da sociedade.
O Surgimento da "Nova Economia"
Naquele período começou a surgir uma expressão extremamente popular:
The New Economy.
Segundo muitos economistas da época, as regras tradicionais deixariam de existir.
Lucro?
Não importava.
Fluxo de caixa?
Ultrapassado.
Patrimônio?
Irrelevante.
O importante era conquistar usuários.
Essa ideia parecia revolucionária.
E, em parte, realmente era.
Empresas digitais podiam crescer muito mais rapidamente do que empresas tradicionais.
Uma loja física precisava construir filiais.
Uma empresa na Internet precisava apenas de mais servidores.
Era uma mudança gigantesca na forma de escalar um negócio.
Mas alguém começou a confundir crescimento com sustentabilidade.
E foi aí que a história começou a tomar um rumo perigoso.
Wall Street Descobre a Internet
Até então, o mercado financeiro sempre havia analisado empresas utilizando critérios relativamente objetivos.
Receita.
Lucro.
Margem.
Patrimônio.
Endividamento.
Capacidade de geração de caixa.
Com as empresas de Internet surgiu um novo raciocínio.
"Elas ainda não dão lucro porque estão crescendo."
Inicialmente fazia sentido.
Afinal, muitas empresas realmente sacrificam lucro nos primeiros anos para ganhar mercado.
O problema foi quando isso deixou de ser uma fase e passou a ser um modelo de negócios.
Algumas companhias queimavam milhões de dólares por mês sem qualquer perspectiva concreta de rentabilidade.
Mesmo assim...
Recebiam novos investimentos.
Era como abastecer um carro sem motor.
O Primeiro IPO Virou um Espetáculo
Outro fator alimentou a euforia.
Os IPOs.
Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial.
Empresas extremamente jovens chegavam à bolsa de valores e suas ações dobravam ou triplicavam de preço no primeiro dia de negociação.
Imagine abrir uma empresa hoje e, poucos anos depois, vê-la valer bilhões apenas porque investidores acreditam no seu potencial.
Foi exatamente isso que aconteceu.
Cada IPO bem-sucedido atraía novos investidores.
Cada novo investidor aumentava ainda mais os preços.
E o ciclo se retroalimentava.
Nascia um dos ingredientes clássicos de toda bolha especulativa.
Venture Capital: O Combustível da Explosão
Ao mesmo tempo, os fundos de Venture Capital passaram a desempenhar um papel decisivo.
Sua missão era investir em empresas extremamente inovadoras, assumindo riscos elevados em troca da possibilidade de retornos extraordinários.
Esse modelo continua existindo até hoje e é extremamente importante para a inovação.
O problema não era o Venture Capital em si.
O problema era o excesso de dinheiro procurando oportunidades.
Quando existe muito capital disponível, a disciplina tende a diminuir.
Projetos que normalmente seriam rejeitados começaram a receber milhões de dólares.
Muitas vezes bastava apresentar uma ideia interessante acompanhada por uma bela apresentação em PowerPoint.
O produto ainda nem existia.
O Fascínio das Startups
Foi nessa época que começou a nascer a cultura das startups como conhecemos atualmente.
Escritórios modernos.
Mesas de sinuca.
Videogames.
Pufes coloridos.
Ambientes descontraídos.
Horários flexíveis.
Jovens empreendedores usando camiseta e tênis apresentavam projetos para investidores acostumados a ternos e gravatas.
Era uma ruptura cultural.
Empresas centenárias pareciam lentas.
As startups representavam velocidade.
Coragem.
Criatividade.
Disrupção.
A palavra "disruptivo" virou praticamente um mantra.
Poucos paravam para perguntar:
"Como exatamente essa empresa pretende ganhar dinheiro?"
A Mídia Também Entrou na Festa
Revistas especializadas publicavam diariamente histórias de jovens milionários.
Empreendedores de vinte e poucos anos tornavam-se celebridades.
A imprensa tratava fundadores de startups quase como astros do rock.
As capas anunciavam:
"A empresa do futuro."
"O próximo bilionário."
"A nova Microsoft."
Criava-se um ambiente psicológico muito perigoso.
Quem não investisse em Internet parecia estar ficando para trás.
Esse fenômeno possui um nome bastante conhecido atualmente:
FOMO — Fear of Missing Out, o medo de perder uma oportunidade única.
É exatamente esse sentimento que costuma alimentar as grandes bolhas financeiras.
Quando o Marketing Passou a Valer Mais que o Produto
Durante a febre das Dot-Com ocorreu algo curioso.
Algumas empresas gastavam mais dinheiro anunciando seus serviços do que desenvolvendo seus próprios produtos.
Campanhas publicitárias milionárias apareciam na televisão.
Outdoor.
Revistas.
Eventos.
Patrocínios.
Enquanto isso...
Os sistemas internos ainda apresentavam falhas.
Os processos logísticos não funcionavam.
O atendimento era precário.
Era como pintar uma nave espacial antes mesmo de instalar os motores.
Bonita por fora.
Incapaz de completar a missão.
Pets.com: O Símbolo do Exagero
Nenhuma empresa representa melhor aquele período do que a Pets.com.
Sua proposta parecia excelente.
Vender produtos para animais de estimação pela Internet.
Hoje isso parece absolutamente comum.
Na época também parecia uma ótima ideia.
O problema não era a ideia.
Era a matemática.
Transportar sacos de ração pesados para clientes espalhados pelo país custava muito mais do que a empresa conseguia cobrar.
Mesmo assim, a Pets.com gastou milhões em publicidade, criou um mascote famoso e abriu capital na bolsa.
Menos de um ano depois do IPO, encerrou suas atividades.
Seu fantoche de cachorro tornou-se um dos símbolos mais conhecidos da bolha da Internet.
A ideia sobreviveu.
A empresa, não.
Nem Todas Eram Fraudes
É importante desfazer um mito.
A maioria das empresas Dot-Com não nasceu para enganar investidores.
Pelo contrário.
Muitas possuíam profissionais brilhantes.
Ideias genuinamente inovadoras.
Tecnologia avançada.
O problema era outro.
Elas chegaram cedo demais.
O mercado ainda não estava preparado.
A infraestrutura de Internet era limitada.
Os meios de pagamento online eram pouco confiáveis.
A logística ainda era cara.
O consumidor ainda desconfiava das compras virtuais.
Ou seja...
A visão estava correta.
O momento histórico, não.
Enquanto Isso... Nos Bastidores dos Mainframes
Enquanto jornais anunciavam diariamente a "Nova Economia", os computadores centrais continuavam executando silenciosamente suas rotinas.
Os bancos processavam bilhões em transferências.
As bolsas de valores liquidavam operações.
As seguradoras calculavam riscos.
Os governos arrecadavam impostos.
Curiosamente, muitas startups utilizavam justamente esses sistemas tradicionais para realizar pagamentos, processar cartões de crédito e registrar transações financeiras.
A fachada era moderna.
A infraestrutura continuava clássica.
Essa é uma das grandes ironias da história da computação.
A revolução digital avançava apoiada em tecnologias que muitos diziam estar ultrapassadas.
O Erro que Ninguém Percebeu
A Internet realmente mudaria o mundo.
Esse diagnóstico estava absolutamente correto.
O erro foi imaginar que crescimento infinito poderia substituir fundamentos econômicos.
Receita ainda importava.
Lucro continuava importante.
Fluxo de caixa permanecia essencial.
Clientes precisavam pagar contas.
Funcionários precisavam receber salários.
Empresas precisavam sobreviver até que o futuro chegasse.
E foi justamente aí que muitas fracassaram.
Elas apostaram que o amanhã chegaria antes que o dinheiro acabasse.
Lições para o Padawan COBOL
Para um desenvolvedor de sistemas, existe uma lição valiosa escondida na febre das Dot-Com.
Uma boa ideia é apenas o início da jornada.
Entre uma apresentação inspiradora e um sistema funcionando em produção existe um oceano de desafios:
arquitetura;
infraestrutura;
segurança;
escalabilidade;
manutenção;
suporte;
integração;
continuidade do negócio.
É exatamente por isso que profissionais de mainframe costumam enxergar a tecnologia de maneira diferente.
Eles sabem que um sistema não é medido apenas pelo entusiasmo que desperta no lançamento, mas pela capacidade de continuar operando com segurança cinco, dez ou vinte anos depois.
No universo da Frota Estelar, qualquer engenheiro consegue desenhar uma nave impressionante no holodeck. O verdadeiro desafio é construir uma nave capaz de atravessar uma tempestade de plasma, cumprir a missão e retornar com toda a tripulação em segurança.
No próximo capítulo veremos como essa corrida desenfreada por crescimento criou uma cultura conhecida como "queimar caixa" (Burn Rate), onde gastar milhões de dólares deixou de ser um problema e passou a ser considerado uma estratégia de negócios. Foi nesse momento que a bolha começou, silenciosamente, a preparar sua própria explosão.
Quando um Programador COBOL Descobre que um Sistema Legado Pode Sobreviver por 500 Anos... e Ainda Assim Precisar de um Patch Chamado Kagome
"Alguns sistemas não falham porque são antigos. Falham porque ninguém entende por que foram escritos. Inuyasha é exatamente isso: um Japão Feudal rodando há séculos, cheio de código legado, entidades sobrenaturais e um bug chamado Naraku que ninguém consegue remover definitivamente."
Introdução
Poucos animes conseguiram permanecer relevantes por mais de duas décadas como Inuyasha. Misturando fantasia, romance, ação, comédia, horror folclórico e viagem no tempo, a obra de Rumiko Takahashi tornou-se um dos maiores clássicos da história do anime.
Muito antes da explosão dos isekais modernos, Inuyasha já explorava uma protagonista transportada para outra época, mas sem abandonar sua vida original. Em vez de um "novo mundo perfeito", Kagome precisa conciliar escola, família e uma guerra contra demônios no Japão Sengoku.
Para um programador COBOL, Inuyasha lembra um sistema crítico rodando em produção desde o século XVI: ninguém ousa desligá-lo, há dependências desconhecidas por toda parte, e o principal defeito nasceu centenas de anos antes dos usuários atuais.
Dados Técnicos
Título Original
犬夜叉 (Inuyasha)
Significado aproximado:
"O Cão Demônio"
(Inu = cão)
(Yasha = espírito guerreiro/demônio derivado da mitologia budista)
Autora
Rumiko Takahashi (高橋 留美子)
Uma das maiores mangakás de todos os tempos.
Também criou:
Urusei Yatsura
Maison Ikkoku
Ranma ½
Mermaid Saga
Rin-ne
Mao
Conhecida por unir humor, romance e personagens extremamente carismáticos.
Mangá
Publicação:
Outubro de 1996
Conclusão:
Junho de 2008
Revista:
Weekly Shōnen Sunday
Editora:
Shogakukan
Volumes:
56
Anime
Studio
Sunrise
(hoje Bandai Namco Film Works)
Direção:
Masashi Ikeda
Yasunao Aoki
Exibição
Primeira série
2000–2004
167 episódios
Continuação
Inuyasha: The Final Act
2009–2010
26 episódios
Total
193 episódios
Sequência
Yashahime: Princess Half-Demon
2020–2022
48 episódios
Focada na nova geração.
Filmes
Quatro filmes animados:
Affections Touching Across Time
Castle Beyond the Looking Glass
Swords of an Honorable Ruler
Fire on the Mystic Island
Gênero
Fantasia
Aventura
Romance
Shōnen
Sobrenatural
Drama
Comédia
Mitologia Japonesa
Viagem no Tempo
Dark Fantasy (leve)
Classificação
Aproximadamente
14 anos
Possui:
violência
sangue moderado
mortes
linguagem leve
temas religiosos
criaturas assustadoras
Sinopse
Kagome Higurashi vive em Tóquio.
Sua família administra um antigo templo.
Durante um ataque de um demônio, ela cai dentro de um misterioso poço.
Ao despertar...
está no Japão Feudal.
Logo descobre que possui dentro de si a lendária Joia de Quatro Almas (Shikon no Tama).
Quando a joia se quebra em centenas de fragmentos, inicia-se uma longa jornada para recuperá-los antes que os demônios dominem o mundo.
A História
Embora pareça apenas um anime de aventura, Inuyasha é essencialmente uma história sobre escolhas.
Cada personagem carrega arrependimentos.
Cada batalha possui consequências.
Cada vitória cobra um preço.
Não existe "reset".
Nem "checkpoint".
Nem "save automático".
É um RPG Hardcore.
Os Personagens
Inuyasha
Metade humano.
Metade yokai.
Seu maior conflito nunca foi derrotar monstros.
Foi descobrir quem realmente era.
Ele representa pessoas que vivem entre dois mundos.
Nunca aceitas completamente por nenhum deles.
Kagome
Talvez seja a verdadeira protagonista.
Ao contrário dos protagonistas modernos de isekai:
Ela sente saudades da família.
Volta para casa.
Faz provas.
Estuda.
Vai ao supermercado.
Depois retorna para enfrentar demônios.
Sua adaptação é gradual e cheia de conflitos.
Sesshomaru
Um dos personagens mais admirados dos animes.
Irmão mais velho de Inuyasha.
Inicialmente frio e orgulhoso.
Mas evolui lentamente.
Sem discursos.
Sem redenções repentinas.
Seu desenvolvimento é mostrado por ações.
Naraku
Um dos melhores vilões da história.
Quase nunca vence pela força.
Seu verdadeiro poder é:
manipulação
mentira
espionagem
corrupção
intriga
É praticamente um hacker social do Japão Feudal.
Miroku
Monge.
Golpista.
Mulherengo.
Mas extremamente inteligente.
Carrega uma maldição que simboliza como erros do passado podem consumir gerações futuras.
Sango
Caçadora de yokais.
Sua família inteira foi destruída.
Mesmo assim continua lutando.
É uma das personagens mais resilientes da série.
Shippo
A pequena raposa.
Responsável pelo humor.
Representa inocência.
Kirara
A mascote da equipe.
Pequena.
Fofa.
Mas transforma-se numa enorme fera demoníaca.
Kikyō
Talvez a personagem mais complexa.
Ela representa:
amor perdido
arrependimento
destino
ressentimento
Sua relação com Kagome está entre as melhores construções emocionais do gênero.
O Que Torna Inuyasha Diferente?
Hoje muitos chamam Inuyasha de isekai.
Tecnicamente...
não exatamente.
É uma viagem no tempo.
E isso muda tudo.
Kagome nunca abandona completamente sua realidade.
Ela vive em dois mundos.
Isso cria uma narrativa muito mais rica do que o tradicional "morreu, reencarnou e esqueceu a vida anterior".
Além disso, o Japão Feudal mostrado por Rumiko Takahashi é um lugar duro, onde há fome, guerras, doenças, preconceitos e medo constante dos yokai. Não existe a idealização comum de muitos mundos fantásticos atuais.
Temáticas
Identidade
Quem sou eu?
Humano?
Yokai?
Ou ambos?
Preconceito
Metade humano.
Metade demônio.
Aceito por ninguém.
Amor
Kagome.
Kikyō.
O passado.
O presente.
O impossível.
Destino
A Joia interfere.
Mas as escolhas continuam pertencendo aos personagens.
Ganância
Todos desejam a Joia.
Poucos compreendem seu preço.
Perdão
Quase todos carregam culpa.
A Jornada das Aventuras
Cada fragmento da Joia leva o grupo a enfrentar novos yokai, espíritos vingativos, senhores feudais, sacerdotisas, monges e criaturas inspiradas no folclore japonês. Em vez de uma missão linear, a série funciona como uma longa peregrinação, onde cada encontro modifica a personalidade dos protagonistas.
Conforme a busca avança, Naraku cria armadilhas, manipula aliados e força os heróis a enfrentar não apenas monstros, mas também seus próprios medos e traumas. A aventura é tanto física quanto emocional.
Mensagens Ocultas
A Joia Nunca Resolve Problemas
Ela apenas amplifica desejos.
Como dinheiro.
Ou poder.
Ou tecnologia.
Ferramentas não tornam pessoas melhores.
O Ódio é Hereditário
Naraku existe porque pessoas incapazes de superar o passado alimentaram seus próprios demônios.
A Força Sem Empatia Não Vale Nada
Sesshomaru aprende isso lentamente.
O Amor Pode Curar...
Mas também destruir.
O Passado Nunca Morre
Ele apenas muda de forma.
Impacto Cultural
Inuyasha ajudou a apresentar o folclore japonês para milhões de espectadores ao redor do mundo. Termos como yokai, miko e Shikon no Tama passaram a fazer parte do vocabulário de muitos fãs.
Também consolidou Rumiko Takahashi como uma das autoras mais influentes da indústria e tornou-se um dos pilares da programação do bloco Adult Swim nos Estados Unidos, contribuindo para a popularização dos animes no Ocidente.
A franquia gerou:
mais de 50 milhões de cópias do mangá em circulação;
quatro filmes de animação;
CDs de drama, artbooks e guias oficiais;
dezenas de jogos para PlayStation, Nintendo DS, WonderSwan e celulares;
a continuação Yashahime, focada na geração seguinte.
Censura
Comparado com muitos shōnen atuais, Inuyasha sofreu pouca censura no Japão.
As principais adaptações internacionais envolveram:
redução de sangue em algumas transmissões de TV;
cortes de cenas mais violentas em determinados países;
suavização de diálogos considerados inadequados para horários infantis.
O romance, a violência e os temas espirituais permaneceram praticamente intactos na maior parte das edições em DVD e streaming.
Mangás
Inuyasha (1996–2008) — 56 volumes.
Diversos databooks e guias oficiais publicados pela Shogakukan.
Não existe uma light novel principal que substitua ou continue a história do mangá.
Games
Entre os jogos mais conhecidos estão:
Inuyasha: A Feudal Fairy Tale (PlayStation)
Inuyasha: The Secret of the Cursed Mask (PlayStation 2)
Inuyasha: Feudal Combat (PlayStation 2)
Inuyasha: Secret of the Divine Jewel (Nintendo DS)
Jogos para WonderSwan Color e aparelhos móveis japoneses.
Participações especiais em diversos crossovers da Bandai Namco.
Curiosidades
Rumiko Takahashi inspirou-se fortemente nas lendas e no folclore do período Sengoku.
O famoso comando "Osuwari!" ("Senta!") tornou-se uma das frases mais icônicas dos animes.
Sesshomaru, inicialmente planejado como antagonista recorrente, tornou-se um dos personagens mais populares da franquia.
A espada Tessaiga evolui conforme Inuyasha amadurece, funcionando como uma metáfora para crescimento pessoal.
A trilha sonora de Kaoru Wada é considerada uma das mais marcantes da animação japonesa, misturando instrumentos tradicionais e orquestra.
Easter Eggs
A família Higurashi vive em um templo xintoísta, reforçando a ligação espiritual entre o Japão moderno e o feudal.
Muitos yokai encontrados por Kagome são adaptações diretas de criaturas descritas em antigos pergaminhos e livros de folclore.
A rivalidade entre Inuyasha e Sesshomaru ecoa antigos mitos japoneses sobre irmãos destinados a seguir caminhos opostos.
☕ Bellacosa Mainframe
Imagine que o Shikon no Tama seja um enorme banco de dados VSAM fragmentado em centenas de KSDS espalhados pelo Japão. Cada fragmento contém registros corrompidos que, quando reunidos sem controle, podem derrubar todo o ambiente de produção.
Naraku é aquele bug introduzido em uma versão lançada há 50 anos. Ninguém mais sabe quem escreveu o código original, mas todo mês aparece um novo incidente causado por ele.
Sesshomaru é o arquiteto veterano que nunca comenta uma linha de COBOL, mas resolve um ABEND crítico antes mesmo de o operador abrir um chamado.
Miroku seria o analista de suporte que convive diariamente com um incidente conhecido, documentado e impossível de eliminar definitivamente.
Kagome representa a desenvolvedora moderna que consegue trabalhar simultaneamente no ambiente legado e nas ferramentas atuais, traduzindo dois mundos completamente diferentes.
E Inuyasha é aquele programa híbrido, escrito em parte em uma linguagem antiga e em parte em tecnologia nova. Alguns dizem que deveria ser reescrito do zero. Outros sabem que, sem ele, todo o sistema simplesmente deixaria de funcionar.
No fim, Inuyasha ensina uma lição que todo profissional de mainframe conhece: os maiores monstros raramente são os que aparecem na tela. Os mais perigosos são aqueles escondidos nas decisões tomadas séculos atrás, mas que continuam influenciando cada nova execução do sistema.
Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe
desde 1988
,
é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2,
z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais,
conhecimento técnico, história da computação e práticas
do universo mainframe para aproximar novas gerações das
tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos
ao redor do mundo.
IBM Champion
IBM Z
COBOL
CICS
Db2
z/OS
Mainframe desde 1988