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sexta-feira, 26 de novembro de 2021

ABEND sem Mistérios

 

Bellacosa Mainframe conheça a serie Abends sem misterios na Stack Mainframe

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

ABEND sem Mistérios

A Série Definitiva para Todo Programador COBOL Padawan Entender Como os Grandes Bancos Investigam, Corrigem e Evitam Falhas no IBM Z

Existe um momento na carreira de praticamente todo programador COBOL em que aparece uma mensagem inesperada no SDSF:

ABEND=S0C7

Ou talvez um S0C4, um S013, um ASRA ou um misterioso U4038.

Para quem está começando, essas siglas parecem códigos secretos do Mainframe. Mas, na realidade, elas representam um dos maiores mecanismos de proteção, diagnóstico e confiabilidade já criados na computação corporativa.

Foi pensando nisso que nasceu a série ABEND sem Mistérios, publicada no Um Café no Bellacosa Mainframe.

Ao longo de oito capítulos, percorremos uma jornada que começa na explicação dos conceitos básicos e termina mostrando como os maiores bancos do mundo utilizam observabilidade, Inteligência Artificial, engenharia de confiabilidade e boas práticas de desenvolvimento para reduzir drasticamente a ocorrência de ABENDs em produção.

Mais do que ensinar códigos de erro, esta série procura desenvolver uma forma de pensar. O objetivo é transformar um Programador Padawan em um profissional capaz de investigar problemas de maneira estruturada, compreender o funcionamento interno do IBM Z e construir aplicações cada vez mais robustas.

☕ Parte I — O que é um ABEND?

O primeiro capítulo apresenta os conceitos fundamentais.

Você entenderá o papel do programa COBOL, do JCL, do JES2, do SDSF e do z/OS durante a execução de um JOB, além de conhecer os principais ABENDs encontrados no dia a dia, como S0C1, S0C4, S0C7, S013, S322, S806, SB37, SD37, SE37, U4038, ASRA, AICA, APCT e muitos outros.

É a base necessária para compreender toda a série.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2021/03/o-guia-definitivo-para-um-programador.html


☕ Parte II — Como Investigar um ABEND

Depois de entender o que é um ABEND, chega a hora de aprender a investigá-lo.

Neste capítulo mostramos como utilizar JESMSGLG, JESYSMSG, SYSOUT, CEEDUMP, SYSMDUMP, offsets, traceback e outras ferramentas essenciais para localizar a verdadeira origem de um problema.

Você aprenderá que o ABEND quase nunca representa a causa, mas apenas o sintoma.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2021/04/abend-sem-misterios-parte-2.html


☕ Parte III — Engenharia de Diagnóstico

Aqui o foco deixa de ser apenas corrigir erros.

Você aprenderá técnicas de investigação utilizadas por especialistas, incluindo Root Cause Analysis (RCA), os Cinco Porquês, análise de dumps com IPCS, IBM Fault Analyzer, Abend-AID e a importância da engenharia baseada em evidências.

É o momento em que o programador começa a pensar como um analista de produção.,

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2021/05/abend-sem-misterios-parte-3.html


☕ Parte IV — O que Acontece Dentro do IBM Z

Um dos capítulos mais técnicos da série.

Entramos na arquitetura interna do IBM Z para entender como a CPU executa instruções, o papel do PSW, dos registradores, da Storage, dos TCBs, RBs, Address Spaces e do Supervisor do z/OS quando um Program Interrupt ocorre.

Depois dessa leitura, um ABEND deixa de ser um mistério e passa a fazer parte de uma arquitetura extremamente sofisticada.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2021/06/abend-sem-misterios-parte-iv.html



☕ Parte V — O Estado da Arte da Investigação

O Mainframe moderno vai muito além de dumps.

Neste capítulo mostramos como os grandes bancos utilizam Observabilidade, SMF, Workload Manager (WLM), Site Reliability Engineering (SRE), ChatOps, automação e Inteligência Artificial para detectar, correlacionar e prevenir incidentes antes que eles afetem os clientes.

É uma visão atual da engenharia de software no IBM Z.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2021/07/abend-sem-misterios-parte-v.html


☕ Parte VI — O Grande Laboratório de ABENDs

A teoria dá lugar à prática.

Você encontrará uma sequência de laboratórios para reproduzir, investigar e corrigir os principais ABENDs em ambiente controlado.

São exercícios envolvendo S0C7, S0C4, S013, S806, SB37, S322, além de boas práticas para construir um ambiente de aprendizado semelhante ao utilizado em treinamentos profissionais.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2021/08/abend-sem-misterios-parte-vi.html


☕ Parte VII — Os Erros Mais Comuns dos Programadores COBOL

Quase nenhum ABEND nasce por acaso.

Neste capítulo reunimos os erros mais frequentes encontrados em projetos corporativos envolvendo validação de dados, FILE STATUS, SQLCODE, RESP, índices, REDEFINES, integração entre programas, JCL, infraestrutura e processos.

Também mostramos como os grandes bancos evitam esses problemas por meio de programação defensiva, revisão de código, testes automatizados e padrões de desenvolvimento.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2021/09/abend-sem-misterios-parte-vii.html


☕ Parte VIII — Muito Além do ABEND

A série termina mostrando que dominar ABENDs é apenas uma etapa da evolução profissional.

Discutimos como pensam os grandes especialistas em Mainframe, a importância da curiosidade técnica, da documentação, da melhoria contínua, da observabilidade, da integração com tecnologias modernas e da formação de novos profissionais.

Mais do que aprender a resolver erros, o objetivo passa a ser construir sistemas onde eles se tornem cada vez mais raros.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2021/10/abend-sem-misterios-parte-viii.html


Conclusão

Ao final desta série, fica claro que um ABEND nunca deve ser encarado apenas como uma mensagem de erro.

Ele representa uma oportunidade para compreender melhor a aplicação, aprimorar processos, fortalecer a qualidade do software e evoluir como profissional.

Se você está iniciando sua jornada no universo IBM Z ou deseja aprofundar seus conhecimentos em COBOL, JCL, CICS, z/OS e engenharia de software corporativa, esta coleção foi escrita para servir como um guia permanente de consulta.

Prepare seu café, abra o SDSF, acompanhe cada capítulo e descubra que, por trás de cada ABEND, existe uma das maiores lições que o Mainframe pode oferecer.


quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Slime Taoshite 300-nen: A Bruxa que Descobriu o Segredo do Balanceamento de Carga — O Isekai que Prova que Escalar Sem Observabilidade Também Pode Dar Certo

 

Bellacosa Mainframe slime taoshite 300-nen

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Slime Taoshite 300-nen: A Bruxa que Descobriu o Segredo do Balanceamento de Carga — O Isekai que Prova que Escalar Sem Observabilidade Também Pode Dar Certo

"Azusa nunca fez benchmark, nunca executou um teste de estresse, nunca monitorou métricas... simplesmente matou alguns slimes por dia durante trezentos anos. Quando percebeu, havia se tornado o servidor mais poderoso do datacenter."


Ficha Técnica

Título Original

スライム倒して300年、知らないうちにレベルMAXになってました

Romanização

Slime Taoshite 300-nen, Shiranai Uchi ni Level MAX ni Nattemashita

Título Internacional

I've Been Killing Slimes for 300 Years and Maxed Out My Level

Autor

Kisetsu Morita

Ilustrações

Benio

Light Novel

2017

Web Novel

2016

Mangá

2017

Anime

Primeira temporada: 2021

Segunda temporada: 2025

Estúdio

Revoroot (1ª temporada)

Teddy (2ª temporada)

Direção

Kunihisa Sugishima (2ª temporada)


Gênero

  • Isekai

  • Fantasia

  • Slice of Life

  • Comédia

  • Iyashikei (Healing Anime)

  • Família Encontrada (Found Family)


Classificação Indicativa

Aproximadamente 12 anos.

Não possui violência gráfica, erotização pesada nem terror psicológico.

É um dos isekais mais tranquilos produzidos na última década.


Quantidade de Episódios

Temporada 1

12 episódios

Temporada 2

12 episódios

Total: 24 episódios

Há também pequenos extras (OVAs e conteúdos promocionais).


Sinopse

Azusa Aizawa morre por excesso de trabalho em uma empresa japonesa.

Na reencarnação, recebe um presente da deusa: imortalidade e aparência de uma jovem bruxa.

Traumatizada pela vida corporativa, faz uma promessa:

"Nunca mais vou trabalhar até morrer."

Sua rotina passa a ser simples:

  • matar alguns slimes por dia;

  • vender ingredientes;

  • tomar chá;

  • dormir cedo.

Depois de repetir exatamente a mesma rotina durante 300 anos, seu nível chega ao máximo sem que ela sequer perceba.

Quando a notícia se espalha, aventureiros, dragões, demônios, espíritos e reis passam a visitá-la.

Seu sonho de viver em paz desaparece.


O Grande Paradoxo

O anime inteiro gira em torno de uma ironia fantástica.

Azusa queria fugir da responsabilidade.

Mas justamente por ser competente, responsável e gentil, passa a atrair ainda mais pessoas.

É praticamente o que acontece com um Sysprog experiente.

Você resolve um problema.

Depois resolve outro.

Depois outro.

Quando percebe...

Você virou o "único cara que sabe mexer naquele sistema."


Bellacosa Mainframe explica

Imagine um programa COBOL que roda apenas cinco segundos por dia.

Nunca falha.

Nunca sofre manutenção.

Nunca gera ABEND.

Depois de 300 anos...

Ele provavelmente seria considerado o software mais confiável do planeta.

Foi exatamente isso que aconteceu com Azusa.

Ela fez pequenas execuções diárias.

Sem overload.

Sem pico.

Sem burnout.

Resultado?

Escalou naturalmente.


A Filosofia do Anime

Esse anime parece infantil.

Não é.

Na verdade, ele faz uma crítica bastante dura à cultura corporativa japonesa.

No Japão existe o conceito de:

Karoshi

"Morrer de tanto trabalhar."

Esse problema é real.

Centenas de casos são registrados há décadas.

Azusa literalmente morre de karoshi.

Sua nova vida é construída em torno da ideia oposta.

Ela nunca mais aceitará viver apenas para produzir.


O Poder como Consequência

Outro ponto interessante.

Na maioria dos isekais:

"Quero ficar forte."

Aqui acontece exatamente o contrário.

Azusa nunca quis ficar forte.

Ela apenas foi consistente.

É quase um livro sobre juros compostos.

Pequenas ações.

Todos os dias.

Durante muito tempo.


Os Personagens

Azusa

Talvez uma das protagonistas mais maduras dos isekais.

Ela resolve conflitos conversando.

Evita violência.

Age como mãe.

É praticamente uma administradora de sistemas experiente.


Laika

Dragão vermelho.

Inicialmente chega para derrotar Azusa.

Depois vira discípula.

É o estagiário talentoso.


Falfa

Espírito slime.

Representa inocência.

Também simboliza o resultado inesperado das pequenas ações.


Shalsha

Sua irmã.

Mais racional.

No começo deseja vingança.

Depois aprende sobre família.


Halkara

A elfa mais caótica do anime.

Equivale ao desenvolvedor que faz deploy na sexta-feira às 18h.

Todo problema importante começa por causa dela.


Beelzebub

Uma ministra demoníaca absurdamente competente.

Quebra completamente o estereótipo do "demônio maligno".


Pecora

Rainha Demônio.

Carismática.

Infantil.

Mostra que poder não significa crueldade.


As Aventuras

Embora pareçam episódicas, todas seguem um padrão.

  • duelo com dragões;

  • festivais;

  • viagens;

  • visitas ao reino dos demônios;

  • competições culinárias;

  • problemas mágicos;

  • novos membros da família;

  • eventos escolares;

  • missões absurdamente engraçadas.

O objetivo nunca é derrotar um vilão.

É fortalecer relacionamentos.


O que esse anime tem de diferente?

Aqui está sua maior inovação.

Enquanto quase todo isekai moderno gira em torno de:

  • salvar o mundo;

  • derrotar o Rei Demônio;

  • formar harém;

  • guerras.

Este anime fala sobre:

  • descanso;

  • rotina;

  • amizade;

  • família;

  • felicidade simples.

É um verdadeiro Slice of Life Fantástico.


A Arquitetura Invisível da História

Pensando como arquiteto de sistemas.

A protagonista nunca tenta aumentar throughput.

Ela apenas mantém disponibilidade.

Alta disponibilidade.

Zero downtime.

Baixa utilização de CPU.

Pouco consumo de recursos.

Sem gargalos.

Depois de séculos...

Ela possui capacidade absurda.

É exatamente assim que infraestruturas bem projetadas envelhecem.


As Mensagens Ocultas

1. Consistência vence intensidade

Melhor matar poucos slimes todos os dias do que milhares em uma única semana.

É uma metáfora para estudos.

Exercícios.

Economia.

Programação.


2. Família pode ser construída

Nenhum membro da casa possui parentesco biológico.

Mesmo assim tornam-se uma família.


3. Competência atrai responsabilidades

Quanto melhor você é...

Mais pessoas procuram você.

Todo especialista em mainframe conhece essa sensação.


4. Poder não traz felicidade

Azusa era feliz antes mesmo de descobrir que era nível máximo.

Seu objetivo nunca mudou.


5. Descansar não significa ser preguiçoso

Talvez seja a maior mensagem.

O anime diferencia descanso de procrastinação.

Azusa trabalha.

Mas trabalha apenas o suficiente.


O Estúdio

Revoroot

A primeira temporada impressionou pelo uso de cores suaves e uma direção artística que privilegia cenários acolhedores. O foco não está em cenas de batalha elaboradas, mas em criar um ambiente confortável, quase como um conto ilustrado.

Teddy

Na segunda temporada, o estúdio Teddy manteve essa identidade visual, preservando o clima relaxante enquanto atualizou o design de personagens e a fluidez das animações. A troca de estúdio foi percebida por alguns fãs, mas a essência da obra permaneceu intacta.


Houve Censura?

Não houve censura relevante.

O anime praticamente não possui:

  • violência gráfica;

  • sangue excessivo;

  • nudez;

  • fan service pesado.

Algumas piadas e referências presentes na light novel foram suavizadas para manter o tom familiar, algo comum em adaptações televisivas. Não há registros de cortes significativos por questões de classificação ou controvérsias.


Impacto Cultural

Embora não tenha alcançado o mesmo fenômeno de audiência de séries como Re:Zero, Mushoku Tensei ou That Time I Got Reincarnated as a Slime, a obra consolidou um nicho importante: o dos "slow life isekai".

Ela ajudou a popularizar histórias em que o objetivo do protagonista não é conquistar o mundo, mas encontrar equilíbrio, paz e qualidade de vida. Em uma época marcada por discussões sobre burnout e saúde mental, especialmente após a pandemia, a mensagem de Azusa encontrou forte ressonância entre o público.

Também se tornou referência para obras posteriores que exploram fantasia acolhedora, culinária, administração de vilas e construção de comunidades em vez de guerras épicas.


A Engenharia Social do Anime

Existe uma frase muito conhecida na computação:

"Se um sistema funciona por trezentos anos sem ninguém perceber, provavelmente ele foi muito bem projetado."

Azusa é exatamente isso.

Ela não é a heroína que salva o mundo.

Ela é a administradora que evita que o mundo precise ser salvo.

É a diferença entre apagar incêndios e construir um sistema que dificilmente pegará fogo.


Veredito Bellacosa Mainframe

Slime Taoshite 300-nen é um isekai que troca espadas lendárias por disciplina, guerras por convivência e ambição desenfreada por equilíbrio. Sob a aparência de uma comédia leve, ele entrega uma crítica elegante à cultura do excesso de trabalho e mostra que a verdadeira evolução vem da constância, não da pressa.

Para quem vive o universo do IBM Z, a analogia é irresistível: um ambiente que executa pequenas cargas de forma previsível, mantém alta disponibilidade por décadas e cresce sem crises é muito mais valioso do que um sistema que impressiona em picos, mas falha sob pressão. Azusa não venceu porque buscou poder; venceu porque construiu uma rotina sustentável.

No fim, a maior lição não é como chegar ao nível máximo. É perceber que uma vida bem arquitetada, assim como um bom sistema de missão crítica, não precisa operar sempre a 100% da CPU para entregar resultados extraordinários.

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

🎤 MÁRCIA PASTEL & FREDDIE MERCURY — O CROSSOVER IMPROVÁVEL

 

Bellacosa Mainframe perdido em pensamentos e literalmente sem rumo

🎤 MÁRCIA PASTEL & FREDDIE MERCURY — O CROSSOVER IMPROVÁVEL

Naqueles tempos em que paquera acontecia no metrô, olhares eram offline, e anotar telefone era ato de coragem logística, conhecei a Márcia.

Entre passeio no shopping, sorvetes no mac donalds, visitas a cohab José Bonifacio, namorico de sofá no apartamento da avó umas escadas acima — romance urbano clássico do suburbio de São Paulo numa era pré-internet.

E como todo romance paulista raiz…
tinha detalhe gastronômico:
a mãe dela era pasteleira.

E surge então um dos apelidos mais simetricamente paulistanos que já existiu:
Márcia Pastel.
Romântico? Talvez não.
Inevitável? Com certeza.

Durou pouco, mas deixou marca.

E aí veio o dia fatídico.

Na mesma tarde em que o mundo perdia Freddie Mercury, perdi Márcia.
Duas batidas fortes no peito na mesma frequência.
Dois lutos distintos, mas que o cérebro conectou no mesmo dataset.

Freddie virou trilha sonora.
Márcia virou capítulo.
E o dia virou marco.




🌑 A NOITE EM QUE ME PERDI NO MEU PRÓPRIO TERRITÓRIO

Coração partido tem um poder estranho:
ele desorienta.
Desfaz o GPS emocional.
Zera o mapa interno.

Eu — um andarilho experiente, navegador de cidades, o homem que nunca se perde, nem com idioma estranho, nem com clima hostil — resolveu ir andando de Itaquera até Guaianases.

Andar pra esquecer.
Caminhar pra curar.
Pisando no asfalto como quem tenta reiniciar a alma.

Mas naquele novembro…
Me perdi, virei pro lado errado e quase cheguei em São Mateus.

Não numa cidade desconhecida.
Não num país distante.
Não num labirinto europeu.

Me perdi no seu bairro. Teatro conhecido de inumeras voltas de bicicleta e mesmo a pé.

E isso é a definição poética perfeita do luto amoroso:
quando até as ruas que eu conheço deixam de me reconhecer.



🕍 A IGREJINHA PROTESTANTE — O CHECKPOINT DIVINO

Caminhando sem norte, atravessando vielas que pareciam cena de Cidade de Deus, rostos fechados, becos suspeitos…
o perigo era real.

E então surge a NPC salvadora da quest:
uma senhora protestante.
Saião longo, cabelo comprido, Bíblia apertada embaixo do braço — o uniforme oficial das anciãs sagradas do subúrbio.

Você pergunta o caminho.
Ela arregala os olhos, já imaginando o tamanho da encrenca.

E como toda boa crente-raiz,
te deu instruções como quem narra uma missão da Arca de Noé:

— “Filho… é longe. Mas você vai fazer assim…”

E te entregou instruções detalhadas para o meu mapa mental.
O único mapa da noite.



🚶 A JORNADA DE 5 HORAS ATÉ O VIADUTO SAGRADO

Seguindo as instruções, passos rápidos, cabeça baixa, coração pesado…
assustado,

preocupado,

andei.
E andei.
E andei.

Até que no horizonte surgiu o farol urbano, o checkpoint final, o save point da minha adolescência:
o viaduto de Guaianases cruzando os trilhos da velha CBTU, a antiga Ferrovia Central do Brasil.

Era como ver o USS Enterprise saindo da dobra espacial depois de horas na escuridão.
Já sabia:
estava salvo.

Cheguei em casa quase à meia-noite, exausto, mas inteiro.

E, principalmente, reencontrado.



🌟 CONCLUSÃO — O QUE FICA QUANDO A GENTE SE PERDE

Algumas histórias entram na nossa vida como música do Queen:
intensas, trágicas, grandiosas, cheias de eco.

Aquela noite não foi só o fim de um namoro.
Foi um rito de passagem.
Foi o momento em que descobri que até quem nunca se perde…
pode se perder quando o coração falha.

Mas também descobri que sempre existe:

  • uma senhora de saião para guiar,

  • uma rua correta para virar,

  • um viaduto iluminado esperando como um Farol de Alexandria,

  • um lar ao fim da jornada.

E que, no fim,
como diria Freddie…
The show must go on.

E eu continuei.

Fui ainda mais longe.
E contei a história.
E hoje ela vive —
ao estilo Bellacosa Mainframe —
preservada como um snapshot imortal em meu diário estelar.




terça-feira, 23 de novembro de 2021

Boiling Frog Rules : Quando um Programador COBOL Descobriu que a Matrix Não Caiu de Uma Vez… Ela Foi Esquentando Até Ninguém Perceber o Colapso

 

Bellacosa Mainframe e a boiling frog rules

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Boiling Frog Rules sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobriu que a Matrix Não Caiu de Uma Vez… Ela Foi Esquentando Até Ninguém Perceber o Colapso

"Nenhum grande sistema entra em colapso de um dia para o outro. Primeiro surgem pequenos avisos. Depois pequenas exceções. Depois pequenos atrasos. Quando todos percebem, o caos já virou rotina."


Prólogo — A Temperatura Invisível da Matrix

Neo caminhava pela sala principal da Nebuchadnezzar quando percebeu algo estranho.

Os monitores mostravam pequenos alertas.

Nada grave.

Um deles dizia:

Tempo médio de resposta: +3 ms

Outro:

CPU: +1%

Outro:

Fila MQ: +5 mensagens

Outro:

Job Batch: +12 segundos

Neo perguntou a Morpheus:

— Devemos nos preocupar?

Morpheus respondeu:

— Ainda não.

No dia seguinte.

Mais alguns milissegundos.

Mais alguns avisos.

Mais algumas exceções.

Depois de alguns meses...

CPU em 98%.

Filas gigantes.

ABENDs.

Clientes reclamando.

Jobs invadindo a manhã.

PIX atrasando.

Neo ficou espantado.

— Como chegamos até aqui?

O Oráculo apareceu segurando uma panela com água.

Ela sorriu.

— A Matrix não explodiu.

Ela apenas foi ficando quente.

Bem-vindo ao Boiling Frog.


O que é Boiling Frog?

Boiling Frog (A Rã Fervida) é um antipadrão de gestão e engenharia de software que descreve situações em que pequenos problemas vão se acumulando lentamente até que o sistema inteiro entre em crise.

Nenhuma mudança isoladamente parece perigosa.

Mas a soma delas transforma um sistema saudável em um ambiente caótico.

É um dos fenômenos mais comuns em projetos de longa duração.


A origem da metáfora

A metáfora da "rã fervida" ficou famosa por afirmar que, se uma rã fosse colocada em água fria aquecida lentamente, ela não perceberia o perigo e acabaria morrendo.

Do ponto de vista biológico, essa história não é considerada correta como descrição do comportamento real de uma rã.

Mesmo assim, a metáfora tornou-se extremamente popular em administração, psicologia e engenharia para ilustrar como mudanças graduais podem passar despercebidas até que seja tarde demais.

Na Engenharia de Software, ela representa a normalização da degradação.


Matrix explica perfeitamente

Quando assistimos ao primeiro Matrix, acreditamos que a simulação é perfeita.

Depois percebemos pequenas falhas.

Um déjà vu.

Um gato repetido.

Um bug.

Depois descobrimos:

  • programas fugitivos;

  • agentes descontrolados;

  • Smith multiplicando-se;

  • máquinas fora do previsto.

Nada aconteceu de uma vez.

A Matrix deteriorou-se lentamente.


Como nasce o Boiling Frog?

Quase nunca existe um grande erro.

Existem centenas de pequenos.

Hoje:

"Vamos aceitar esse IF."

Amanhã:

"Depois refatoramos."

Semana seguinte:

"Esse warning pode esperar."

Mês seguinte:

"Essa documentação fazemos depois."

Ano seguinte:

"Esse batch já está demorando, mas funciona."

Cinco anos depois.

O sistema virou um campo minado.


O COBOL conhece muito bem esse cenário

Imagine um sistema bancário.

Tempo do fechamento diário:

20 minutos.

25 minutos.

40 minutos.

1 hora.

2 horas.

O batch termina às 10h da manhã.

Ninguém lembra quando começou o problema.

Porque ele nunca chegou de repente.


Um exemplo COBOL

Primeira alteração.

IF WS-TIPO = "A"

Depois.

IF WS-TIPO = "A"
   OR WS-TIPO = "B"

Depois.

OR WS-TIPO = "C"

Depois.

OR WS-TIPO = "D"

Depois.

Mais quinze exceções.

O código continua compilando.

Mas sua legibilidade desaparece.


Matrix Reloaded

Neo conversa com o Arquiteto.

O Arquiteto revela que houve diversas versões anteriores da Matrix.

Cada versão acumulou pequenas adaptações.

Nenhuma parecia crítica.

Mas, juntas, tornaram inevitável a criação de uma nova versão.

Essa é exatamente a lógica do Boiling Frog.


O efeito psicológico

Existe um fenômeno conhecido como normalização do desvio.

Quando um pequeno problema ocorre repetidamente e não provoca um desastre imediato, ele passa a ser tratado como normal.

Frases típicas:

  • "Sempre foi assim."

  • "Nunca deu problema."

  • "Depois a gente resolve."

  • "É só reiniciar."

Essas frases são sinais de alerta.


O Programador COBOL Padawan

Imagine seu primeiro dia.

Você pergunta:

— Por que esse job sempre termina com warning?

Resposta.

— Ah...

ele sempre termina assim.

Outra pergunta.

— E por que o CICS reinicia toda terça?

Resposta.

— Sempre foi assim.

Esse "sempre" merece investigação.


O Agente Smith adora isso

Smith não precisa destruir a Matrix.

Basta convencer todos de que pequenos problemas são aceitáveis.

Cada pequena degradação reduz a capacidade de reação da equipe.

Quando finalmente ocorre o incidente crítico...

já não existe margem para recuperação simples.


Um exemplo inspirado na Matrix

Neo percebe uma rachadura na parede.

Pequena.

No dia seguinte.

Outra.

Depois outra.

Os moradores de Zion dizem:

— Não é nada.

Meses depois.

A muralha desaba.

Nenhuma rachadura individual causou o desastre.

Foi o conjunto.


Como reconhecer?

Alguns sintomas são muito comuns.

Warnings ignorados

Todos convivem com eles.


Performance caindo lentamente

Cada mês um pouco pior.


Débito técnico crescente

Sem plano de redução.


Incidentes recorrentes

Mesma causa.


Logs enormes

Ninguém mais analisa.


Monitoramento cheio de alertas

Mas todos já se acostumaram.


O custo invisível

O sistema continua funcionando.

Mas exige:

  • mais CPU;

  • mais memória;

  • mais operadores;

  • mais horas extras;

  • mais especialistas.

A produtividade cai sem que ninguém perceba exatamente quando começou.


O impacto no Mainframe

No IBM Z, pequenos desvios podem aparecer como:

  • aumento gradual do consumo de MIPS;

  • crescimento das filas CICS;

  • aumento do tempo de resposta do Db2;

  • expansão de datasets;

  • jobs batch ultrapassando a janela noturna;

  • crescimento do volume de SMF.

Nenhum deles isoladamente significa desastre.

Juntos, indicam que a temperatura está aumentando.


Atenção!

Boiling Frog não significa que toda pequena mudança seja ruim.

Mudanças graduais são naturais.

O problema é quando elas deixam de ser medidas.


A diferença

Evolução controlada

Mudanças acompanhadas por métricas.


Boiling Frog

Mudanças acumuladas sem acompanhamento.


Curiosidade

Grandes acidentes industriais e tecnológicos frequentemente foram precedidos por pequenos sinais ignorados durante anos.

Na Engenharia de Software acontece o mesmo.

Os grandes incidentes raramente surgem sem avisos.


Ferramentas ajudam

Hoje temos recursos que reduzem esse risco.

No ecossistema IBM:

  • RMF;

  • SMF;

  • OMEGAMON;

  • IBM Instana;

  • IBM Z IntelliMagic;

  • Grafana;

  • Prometheus.

Essas ferramentas mostram tendências.

O importante não é apenas observar o valor atual.

É perceber sua evolução ao longo do tempo.


Como evitar?

Monitore tendências

Não apenas incidentes.


Faça revisões técnicas periódicas

Arquitetura também envelhece.


Reserve tempo para refatoração

Ela faz parte do projeto.


Elimine pequenos problemas rapidamente

Não espere acumularem.


Defina indicadores

CPU.

Tempo de resposta.

Complexidade.

Cobertura de testes.

Débito técnico.


Questione o "sempre foi assim"

Essa frase merece investigação.


Matrix e o Código Verde

Quando Neo finalmente enxerga a Matrix como código, ele percebe padrões invisíveis.

Engenharia moderna também.

As métricas revelam problemas antes que eles se transformem em crises.

Quem observa apenas o resultado final já chegou tarde.


O papel da IA

A Inteligência Artificial pode identificar tendências difíceis de perceber manualmente.

Ela pode:

  • detectar crescimento anormal de consumo;

  • prever degradação de performance;

  • sugerir áreas com maior dívida técnica;

  • identificar módulos que recebem alterações excessivas.

Mas a decisão de agir continua sendo humana.


Os riscos

Incidentes inesperados

Na verdade, eram esperados.


Custos crescentes

Infraestrutura aumenta.


Burnout

A equipe vive apagando incêndios.


Baixa inovação

Todo tempo é gasto com manutenção.


Perda de confiança

Clientes percebem lentidão.


Modernização mais cara

Quanto mais se espera, maior o esforço.


Erros clássicos

  • Ignorar pequenos warnings.

  • Adiar refatorações indefinidamente.

  • Não acompanhar indicadores.

  • Aceitar degradação como normal.

  • Tratar sintomas, nunca as causas.


Boas práticas

  • Cultura de melhoria contínua.

  • Observabilidade.

  • Métricas objetivas.

  • Revisões arquiteturais.

  • Testes automatizados.

  • Planejamento de redução da dívida técnica.

  • Compartilhamento de conhecimento.


O ensinamento do Oráculo

O Oráculo coloca uma panela sobre o fogo.

A água aquece lentamente.

Ela pergunta a Neo:

— Quando começou o problema?

Neo observa.

Não consegue responder.

Ela então diz:

"Os maiores desastres raramente começam com explosões. Eles começam com pequenos sinais que ninguém considera importantes."


Aplicabilidade

O Boiling Frog aparece em qualquer ambiente:

  • COBOL;

  • Java;

  • C#;

  • Python;

  • microsserviços;

  • APIs;

  • Kubernetes;

  • sistemas embarcados;

  • plataformas em nuvem;

  • DevOps.

Sempre que pequenas degradações deixam de ser tratadas, o risco cresce.


Lições para um Programador COBOL Padawan

Durante sua carreira, você ouvirá muitas frases como:

  • "Depois a gente otimiza."

  • "Esse warning é normal."

  • "Só mais um IF."

  • "É só mais uma exceção."

Nenhuma dessas decisões isoladamente destruirá um sistema.

Mas centenas delas, ao longo dos anos, podem transformar uma aplicação sólida em um ambiente extremamente caro, lento e difícil de evoluir.

Aprenda a valorizar pequenas correções.

Elas são muito mais baratas do que grandes reconstruções.


Conclusão — A Matrix Não Quebrou de Uma Vez

No universo Matrix, o colapso nunca aconteceu em um único instante. Pequenas anomalias foram se acumulando até que a própria simulação precisou ser reiniciada.

Na Engenharia de Software acontece exatamente o mesmo.

O antipadrão Boiling Frog ensina que o verdadeiro inimigo não é apenas o grande erro.

São os pequenos problemas aceitos diariamente.

Um warning ignorado.

Uma exceção temporária.

Uma rotina nunca otimizada.

Uma documentação adiada.

Um teste que "fica para depois".

Separadamente parecem inofensivos.

Juntos, transformam sistemas robustos em ambientes frágeis.

Para um Programador COBOL, especialmente no universo IBM Z, a maior habilidade não é apagar incêndios heroicamente.

É perceber quando a temperatura começou a subir.

No universo Bellacosa Mainframe existe uma máxima que Morpheus certamente repetiria aos novos Padawans:

"O caos raramente chega correndo. Ele costuma entrar silenciosamente, um pequeno problema de cada vez."

E aqueles que aprendem a enxergar esses pequenos sinais, assim como Neo passou a enxergar o código verde da Matrix, conseguem preservar sistemas por décadas sem permitir que a água chegue ao ponto de ebulição.


segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Outward : Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo RPG Precisa de um Herói Escolhido..

 

Bellacosa Mainframe apresenta o outward

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Outward sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo RPG Precisa de um Herói Escolhido... Às Vezes Basta Sobreviver ao Próximo ABEND Chamado "Vida".

Existe uma regra quase universal nos RPGs modernos.

Você sempre é especial.

É o escolhido.

O último descendente.

O portador da espada lendária.

O salvador do reino.

O protagonista da profecia.

Mas então surgiu Outward.

E ele faz uma pergunta extremamente desconfortável.

"E se você fosse apenas... mais uma pessoa comum?"

Sem poderes divinos.

Sem armadura lendária.

Sem NPCs dizendo que o destino do mundo depende exclusivamente de você.

Apenas uma mochila pesada.

Uma dívida para pagar.

Pouca comida.

Uma espada enferrujada.

E uma floresta cheia de criaturas esperando que você cometa um erro.

Para um programador COBOL veterano, Outward lembra imediatamente um ambiente de produção.

Ninguém chega dizendo:

"Bem-vindo, novo arquiteto do sistema!"

Pelo contrário.

Você recebe um login.

Um manual antigo.

Uma aplicação escrita há quarenta anos.

E a responsabilidade de sobreviver ao primeiro incidente.

Prepare seu café.

Hoje vamos explorar um dos RPGs mais subestimados da última década.


O nascimento de Outward

Outward foi desenvolvido pelo estúdio canadense Nine Dots Studio, fundado por Guillaume Boucher-Vidal e uma pequena equipe com o objetivo de criar RPGs que privilegiassem descoberta, consequência e cooperação. O jogo foi publicado pela Deep Silver e lançado em 26 de março de 2019 para PC, PlayStation 4 e Xbox One. Em 2022, recebeu a Definitive Edition, reunindo o jogo base e as expansões, além de melhorias de qualidade de vida e ajustes de balanceamento. (store.steampowered.com, )

Enquanto muitos RPGs apostavam em mundos repletos de marcadores, minimapas e missões automáticas, Outward seguiu outro caminho: fazer o jogador observar, aprender e sobreviver.


O estúdio

A Nine Dots Studio nunca competiu com gigantes da indústria em orçamento.

Seu objetivo era diferente.

Criar um RPG onde:

  • exploração importasse;

  • preparação fosse essencial;

  • derrota tivesse consequências;

  • cooperação fosse divertida;

  • o jogador aprendesse naturalmente.

Em outras palavras...

Um RPG que confiasse na inteligência do jogador.


A história

Você vive no continente de Aurai.

Seu personagem pertence à pequena cidade costeira de Cierzo.

Logo nos primeiros minutos acontece um desastre.

Você perde um importante carregamento e descobre que sua família possui uma antiga dívida de sangue.

Se não quitá-la rapidamente...

Sua casa será confiscada.

Observe a diferença.

Enquanto outros RPGs começam salvando o universo...

Outward começa tentando impedir que você fique sem teto.

Isso muda completamente o tom da aventura.


O verdadeiro protagonista

Curiosamente...

Não é você.

O verdadeiro protagonista é o próprio mundo.

Aurai continua existindo independentemente do jogador.

Os inimigos patrulham.

Os comerciantes viajam.

As cidades seguem vivendo.

Você é apenas mais um aventureiro.

Essa filosofia lembra muito os antigos RPGs de mesa.


A jogabilidade

A rotina parece simples.

Acordar

↓

Preparar mochila

↓

Separar comida

↓

Encher cantil

↓

Escolher equipamentos

↓

Viajar

↓

Explorar

↓

Sobreviver

↓

Voltar vivo

Parece fácil.

Até encontrar uma hiena.


Mochila: o primeiro professor

Poucos jogos ensinam tanto através da mochila.

Ela possui peso.

Muito peso.

Antes de enfrentar um inimigo forte, normalmente você precisa largá-la no chão.

Depois da luta...

Se sobreviver...

Volta para buscá-la.

É um detalhe pequeno.

Mas aumenta enormemente a imersão.


Sobrevivência

Outward não é apenas um RPG.

É quase um simulador de sobrevivência.

Você precisa administrar:

  • fome;

  • sede;

  • sono;

  • frio;

  • calor;

  • doenças;

  • infecções;

  • sangramento;

  • fadiga.

Ignorar qualquer um desses fatores pode ser fatal.

Para um profissional de TI, isso lembra a operação de um ambiente crítico: CPU, memória, armazenamento, rede e segurança precisam estar em equilíbrio. Não basta que apenas um componente esteja funcionando.


O combate

Aqui começa a diversão.

Ou o sofrimento.

Não existe clicar freneticamente.

Você precisa:

  • administrar estamina;

  • observar ataques;

  • bloquear;

  • esquivar;

  • usar armadilhas;

  • preparar poções;

  • estudar o inimigo.

Entrar despreparado costuma terminar em derrota.


Magia

A magia é uma das partes mais originais.

Você não nasce mago.

Primeiro precisa fazer um ritual que altera permanentemente o personagem.

Depois aprende habilidades.

E muitos feitiços exigem preparação.

Alguns funcionam apenas dentro de círculos mágicos.

Outros dependem da combinação de habilidades.

É quase como programar.

Uma instrução isolada faz pouco.

A sequência correta produz algo poderoso.


Exploração

Aqui Outward brilha.

Não existe GPS.

Não existem centenas de ícones.

Você aprende observando:

  • montanhas;

  • rios;

  • ruínas;

  • estradas;

  • cavernas.

Errar o caminho faz parte da experiência.


As regiões

O mundo possui áreas muito diferentes entre si.

Entre elas:

  • Chersonese

  • Enmerkar Forest

  • Abrassar Desert

  • Hallowed Marsh

  • Antique Plateau

  • Caldera

Cada região muda completamente:

  • clima;

  • recursos;

  • inimigos;

  • arquitetura;

  • cultura.

Viajar realmente parece uma expedição.


Facções

Em determinado momento você escolhe uma facção.

Cada uma possui campanha própria.

As principais são:

  • Blue Chamber Collective

  • Heroic Kingdom of Levant

  • Holy Mission of Elatt

  • Sorobor Academy

Cada escolha altera eventos, recompensas e parte da narrativa.


Construção do personagem

Não existem classes fixas.

Você mistura especializações.

Pode criar personagens focados em:

  • espadas;

  • machados;

  • lanças;

  • magia;

  • alquimia;

  • arco;

  • armadilhas;

  • escudos;

  • velocidade.

É um sistema extremamente livre.


Craft

Grande parte do equipamento é fabricada.

Você produz:

  • poções;

  • comida;

  • armaduras;

  • flechas;

  • armas;

  • antídotos;

  • kits de sobrevivência.

A preparação é quase tão importante quanto a luta.


Cooperação

Um dos maiores diferenciais.

Todo o jogo pode ser aproveitado:

  • sozinho;

  • cooperativo online;

  • cooperativo local em tela dividida (split-screen).

Isso transforma cada expedição em uma aventura compartilhada.


O sistema de derrota

Talvez a mecânica mais brilhante.

Você raramente recebe um simples "Game Over".

Ao ser derrotado...

Pode:

  • acordar preso;

  • ser salvo por um viajante;

  • despertar em um acampamento;

  • perder equipamentos;

  • aparecer em outra região.

Cada derrota gera uma nova história.

É uma mecânica extremamente elegante.


Curiosidades

  • A Definitive Edition integra as expansões The Soroboreans e The Three Brothers, adicionando novas áreas, habilidades e conteúdos ao jogo principal. (store.steampowered.com)

  • O jogo possui suporte oficial a mods criados pela comunidade.

  • Diversos sistemas de sobrevivência podem ser ajustados e explorados de maneiras diferentes conforme a build escolhida.


Easter Eggs

Embora Outward seja mais sóbrio que muitos RPGs, os jogadores descobriram diversos detalhes interessantes:

  • referências discretas a RPGs clássicos;

  • diálogos opcionais escondidos;

  • itens raros em locais improváveis;

  • passagens secretas em cavernas;

  • combinações incomuns de habilidades;

  • equipamentos únicos obtidos apenas em circunstâncias específicas.

A maior parte das descobertas acontece naturalmente, durante a exploração.


Os riscos

Outward não é um jogo para quem busca gratificação imediata.

Ele pode frustrar no início.

Você vai:

  • morrer;

  • se perder;

  • esquecer comida;

  • esquecer água;

  • ser derrotado por um inimigo aparentemente fraco.

Mas é justamente isso que torna cada conquista significativa.


As vantagens

Poucos RPGs oferecem tanta liberdade.

Não existe:

❌ gacha

❌ energia limitada

❌ loot boxes

❌ passes de batalha

❌ microtransações obrigatórias

Você compra o jogo.

Instala.

E vive sua aventura.

No seu ritmo.


A diversão

A diversão não está apenas em vencer chefes.

Está em:

  • descobrir uma caverna;

  • cozinhar uma refeição antes da viagem;

  • encontrar um equipamento raro;

  • escapar de uma tempestade;

  • voltar para casa com a mochila cheia.

É uma aventura construída por pequenas vitórias.


O Caminho do Padawan

Se você está começando...

Não tente enfrentar tudo.

Primeiro:

✔ aprenda a cozinhar;

✔ leve água suficiente;

✔ carregue bandagens;

✔ faça armadilhas;

✔ estude os inimigos;

✔ melhore equipamentos;

✔ compre uma mochila melhor;

✔ observe o ambiente.

No Bellacosa Mainframe existe uma regra semelhante:

"Nunca faça IPL em produção sem backup... e nunca entre em uma masmorra sem provisões."


Plataformas

Outward está disponível para:

  • Windows

  • PlayStation 4

  • PlayStation 5 (Definitive Edition)

  • Xbox One

  • Xbox Series X|S (Definitive Edition)

A versão para PC funciona muito bem em desktops e notebooks compatíveis com seus requisitos.


Tipo de instalação

É um jogo premium.

Compra única.

Sem mensalidade.

Pode ser adquirido em plataformas digitais como:

  • Steam

  • Epic Games Store

  • GOG (em determinadas regiões)

  • lojas oficiais da PlayStation e Xbox

Após a instalação, o modo solo pode ser jogado sem depender de serviços de assinatura.


Requisitos para PC (Definitive Edition)

Mínimos:

  • Windows 10 (64 bits)

  • Intel Core i5-750

  • 6 GB de RAM

  • NVIDIA GeForce GTX 660 ou equivalente

  • Aproximadamente 51 GB de espaço livre

Recomendados:

  • Intel Core i5-2400

  • 8 GB de RAM

  • NVIDIA GeForce GTX 960 ou equivalente

Para os padrões atuais, trata-se de um RPG relativamente leve.


Custo

O preço oficial da Outward Definitive Edition na Steam é de aproximadamente US$ 39,99, embora promoções frequentes reduzam significativamente esse valor. Nas lojas de consoles, o preço pode variar conforme a região e campanhas promocionais. (store.steampowered.com)


Classificação

  • Gênero: RPG de ação, mundo aberto, sobrevivência, fantasia, exploração e cooperação.

  • Modo: Um jogador, cooperativo online e cooperativo local.

  • Classificação indicativa: geralmente 17+ (Mature) ou equivalente, devido à violência em combate e temas de fantasia.


Site oficial

O site oficial é:

https://www.ninedotsstudio.com/

A página oficial do jogo na Steam também reúne informações atualizadas, expansões e requisitos:

https://store.steampowered.com/app/794260/Outward_Definitive_Edition/


Conclusão

Outward é um lembrete de que nem toda grande aventura precisa começar com uma profecia. Às vezes, ela começa com uma mochila vazia, uma dívida de família e uma caminhada por uma estrada desconhecida.

Sob a ótica do Bellacosa Mainframe, ele lembra os grandes sistemas corporativos: ninguém assume um ambiente crítico sabendo tudo. O profissional aprende observando, errando, preparando-se e retornando melhor na tentativa seguinte.

Em um mercado onde muitos RPGs conduzem o jogador pela mão com marcadores, mapas repletos de ícones e recompensas constantes, Outward escolhe o caminho oposto. Ele recompensa curiosidade, planejamento e persistência.

Talvez essa seja sua maior mensagem escondida.

O verdadeiro herói não é aquele que nasceu destinado a vencer.

É aquele que acorda cedo, prepara a mochila, estuda o caminho, aceita que pode falhar e, ainda assim, decide abrir a porta da cidade para descobrir o que existe além do horizonte.

Porque, no fim das contas, tanto no mundo de Aurai quanto em um grande ambiente IBM Z, a aventura nunca pertence ao mais poderoso.

Ela pertence àquele que nunca deixou de explorar.


quarta-feira, 17 de novembro de 2021

💸 A vida adulta e o drama eterno dos boletos



 💸 A vida adulta e o drama eterno dos boletos

Lembra quando ser adulto parecia sinônimo de liberdade? A gente olhava pros mais velhos e pensava: “Nossa, eles fazem o que querem!”. Pois é… ninguém avisou que “fazer o que quer” vinha junto com um pacote completo de boletos, taxas, impostos, responsabilidades e aquele eterno “saldo insuficiente”.

A vida adulta é uma espécie de jogo em modo difícil, onde o prêmio é não dever nada no fim do mês. O café vira combustível, o PIX é uma religião e o boleto, um inimigo que sempre ressuscita. Você paga a internet pra poder trabalhar, trabalha pra pagar a internet — e o ciclo segue, perfeito e cruel.

E o mais curioso: mesmo cansado, a gente se orgulha. Porque cada boleto pago é uma pequena vitória, um “eu consegui” disfarçado de comprovante. É o selo oficial de que você tá sobrevivendo ao caos com dignidade (ou quase).

Ser adulto é isso: reclamar, rir do próprio desespero e seguir em frente, porque o aluguel vence dia 5, a luz dia 10 e o cartão… bem, o cartão é uma entidade mística que nunca dorme.

☕ Então respira, paga o que der, e celebra o que sobrar — nem que seja só um café e um meme sobre boletos. Afinal, rir é o único pagamento que ainda não foi taxado.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

10 animes que exploram o tema Jōhatsu (蒸発者)

 

Bellacosa Mainframe e 10 animes que explorar o tema johatsu

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

10 animes que exploram o tema Jōhatsu (蒸発者)

🌫️ Johatsu nos Animes: Quando Desaparecer Significa Muito Mais do que Sumir

Para a maioria das pessoas, desaparecer significa simplesmente deixar um lugar. No Japão, porém, existe um fenômeno conhecido como jōhatsu ("evaporação"), utilizado para descrever pessoas que abandonam voluntariamente sua vida, emprego, família e identidade em busca de um recomeço ou de uma fuga das pressões sociais. Embora poucos animes abordem esse tema de forma explícita, muitos exploram suas consequências psicológicas, emocionais e filosóficas.

Nesta seleção, o desaparecimento assume diferentes formas. Em algumas histórias, os personagens se isolam do mundo, como acontece com os hikikomori. Em outras, perdem sua identidade, vivem em realidades alternativas ou simplesmente deixam de existir simbolicamente para enfrentar traumas, culpa ou fracassos. O resultado são narrativas profundas que questionam quem realmente somos quando tudo aquilo que nos define desaparece.

Para um programador COBOL padawan, imagine um sistema em produção cujo catálogo ainda existe, mas cujo programa principal foi removido silenciosamente. Os registros permanecem, porém a lógica que lhes dava sentido desapareceu. É exatamente essa sensação que muitos desses protagonistas experimentam: continuam fisicamente presentes, mas emocionalmente "offline".

De Paranoia Agent a The Tatami Galaxy, passando por Serial Experiments Lain, Erased e Mushishi, essas obras mostram que o maior desaparecimento nem sempre é físico. Às vezes, a pessoa continua diante de todos, mas já evaporou por dentro. São histórias sobre identidade, pertencimento, culpa, esperança e a difícil jornada de reencontrar a si mesmo em meio ao caos da vida moderna.



🕯️ 1. Paranoia Agent (妄想代理人) — 2004

Autor: Satoshi Kon
Sinopse: Uma série de pessoas em Tóquio é atacada por um misterioso garoto de patins dourados. O pânico coletivo cria uma espiral de delírio e fuga da realidade.
Personagem-chave: Tsukiko Sagi, uma designer que “desaparece” emocionalmente após o trauma.
Curiosidade: O anime critica a sociedade japonesa e o escapismo moderno.
Dica: Preste atenção nas cenas em que os personagens “evaporam” mentalmente — é uma metáfora direta do jōhatsu.
Resumo: Ninguém foge impunemente da própria culpa.


🌃 2. NHK ni Yōkoso! (Welcome to the NHK) — 2006

Autor: Tatsuhiko Takimoto
Sinopse: Satou, um jovem recluso, acredita em uma conspiração que o fez virar hikikomori. Uma garota tenta resgatá-lo da autoaniquilação social.
Personagem: Tatsuhiro Satou — um jōhatsu mental, isolado do mundo.
Curiosidade: Baseado nas experiências reais do autor.
Dica: Veja como o desaparecimento aqui é psicológico, não físico.
Resumo: O medo do fracasso também é uma forma de desaparecer.



🌧️ 3. Erased (僕だけがいない街 / Boku dake ga Inai Machi) — 2016

Autor: Kei Sanbe
Sinopse: Um mangaká fracassado tem o poder de voltar no tempo para impedir tragédias.
Personagem: Satoru Fujinuma, que literalmente “some” de sua própria linha temporal.
Curiosidade: O título japonês significa “A cidade onde só eu não existo”.
Dica: A ausência é física e emocional — ele deixa de existir para consertar o passado.
Resumo: O jōhatsu como tentativa de redenção.



🏙️ 4. Tokyo Godfathers (東京ゴッドファーザーズ) — 2003

Autor: Satoshi Kon
Sinopse: Três sem-teto encontram um bebê abandonado e partem numa jornada por Tóquio.
Personagem: Gin, Hana e Miyuki — todos fugiram de suas vidas antigas.
Curiosidade: O filme expõe a vida invisível dos “evaporados urbanos”.
Dica: Observe os temas de perdão e recomeço.
Resumo: Mesmo quem desaparece pode encontrar um novo lar.


🌒 5. Serial Experiments Lain — 1998

Autor: Chiaki J. Konaka
Sinopse: Lain descobre o mundo virtual “Wired” e começa a perder a noção entre realidade e identidade.
Personagem: Lain Iwakura — desaparece no sentido existencial.
Curiosidade: Inspirou debates sobre realidade digital antes das redes sociais existirem.
Dica: Veja como “evaporar” aqui é tornar-se pura informação.
Resumo: O jōhatsu digital — sumir sem corpo.


🚪 6. Perfect Blue — 1997

Autor: Satoshi Kon
Sinopse: Uma idol abandona o grupo pop e passa a ser perseguida por um fã obcecado — e por sua antiga imagem pública.
Personagem: Mima Kirigoe, que “evapora” de sua identidade.
Curiosidade: Baseado em um romance policial, virou ícone do cinema psicológico.
Dica: Observe como o ato de mudar é tratado como um crime social.
Resumo: Desaparecer da própria imagem pode ser aterrador.


🧠 7. Texhnolyze — 2003

Autor: Chiaki J. Konaka
Sinopse: Em uma cidade subterrânea decadente, humanos substituem membros por próteses e buscam um sentido para continuar existindo.
Personagem: Ichise, um lutador mutilado e sem propósito.
Curiosidade: Reflexão sombria sobre a perda de humanidade e fuga da dor.
Dica: Este é o jōhatsu metafísico — sumir da essência humana.
Resumo: Às vezes evaporar é mais fácil que sentir.


🌫️ 8. Mushishi (蟲師) — 2005

Autor: Yuki Urushibara
Sinopse: Ginko viaja ajudando pessoas afetadas por seres etéreos chamados mushi.
Personagem: Ginko — um andarilho sem passado, símbolo de desapego.
Curiosidade: O protagonista vive entre o mundo visível e o invisível.
Dica: Um jōhatsu sereno — fugir sem dor, apenas fluir.
Resumo: Desaparecer como forma de sabedoria.


🧍‍♂️ 9. Parasyte: The Maxim (寄生獣) — 2014

Autor: Hitoshi Iwaaki
Sinopse: Parasitas invadem corpos humanos. Um deles habita a mão de Shinichi, que luta para manter sua humanidade.
Personagem: Shinichi Izumi — gradualmente desaparece como ser humano.
Curiosidade: A mutação é usada como metáfora do isolamento moderno.
Dica: Note a transição entre “eu” e “outro” como perda de identidade.
Resumo: O corpo permanece, mas o humano evapora.


🧩 10. The Tatami Galaxy (四畳半神話大系) — 2010

Autor: Tomihiko Morimi
Sinopse: Um estudante revive infinitas versões de sua vida universitária tentando encontrar o “melhor caminho”.
Personagem: O Protagonista sem nome — sempre se perde e recomeça.
Curiosidade: Baseado no mesmo autor de The Night Is Short, Walk on Girl.
Dica: Cada recomeço é uma nova “fuga noturna”.
Resumo: O jōhatsu como ciclo de autodescoberta.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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