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sábado, 4 de julho de 2026

Capítulo 4 — Forbes (1989)

Bellacosa Mainframe e a revista forbes em 1989

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 4 — Forbes (1989)

O Dia em que o Mainframe Virou um Dinossauro... e Resolveu Continuar Evoluindo

Uma análise da reportagem da Forbes que classificou o mainframe como um "dinossauro tecnológico", mostrando o contexto da época e como a plataforma IBM evoluiu continuamente até chegar ao IBM z17.

Por

Capa da Forbes de 1989 e o início das previsões sobre a morte do Mainframe
A reportagem da Forbes marcou uma geração ao comparar o mainframe a um dinossauro, iniciando uma longa sequência de previsões sobre seu fim.

"Toda revolução tecnológica produz duas coisas: uma inovação verdadeira e dezenas de previsões exageradas."

— Bellacosa Mainframe

Março de 1989

Voltemos quase quarenta anos no tempo.

O muro de Berlim ainda estava de pé.

A World Wide Web sequer existia.

Linux ainda não havia sido criado.

Java levaria vários anos para nascer.

Windows era apenas a versão 2.0.

O IBM AS/400 havia acabado de ser lançado.

O System/390 ainda nem existia.

A computação corporativa era dominada por grandes datacenters.

E foi exatamente nesse cenário que a Forbes, uma das revistas de negócios mais influentes do planeta, publicou um artigo que ajudaria a moldar a percepção do mercado sobre o futuro da computação.

O tom era claro.

Os computadores pessoais estavam ficando mais poderosos.

As workstations da Sun Microsystems faziam sucesso entre engenheiros.

Os servidores UNIX ganhavam espaço.

As redes locais Ethernet cresciam rapidamente.

Tudo parecia indicar que a centralização estava com os dias contados.

O mainframe passou a ser descrito como um "dinossauro tecnológico", uma metáfora poderosa para sugerir que uma tecnologia gigantesca, cara e aparentemente lenta seria inevitavelmente substituída por uma nova geração de computadores menores e distribuídos. Essa imagem se espalhou rapidamente pela indústria e seria repetida inúmeras vezes ao longo da década seguinte.


Por que essa comparação fazia sentido?

Hoje é fácil dizer que a Forbes estava errada.

Mas um engenheiro sério precisa entender o contexto antes de julgar.

Em 1989 havia excelentes razões para acreditar naquela previsão.

Os microprocessadores evoluíam rapidamente.

O preço do hardware caía ano após ano.

As empresas começavam a montar redes locais.

Os usuários finalmente podiam ter um computador sobre a mesa.

Até então, era comum dividir tempo em um único computador central.

De repente...

Cada funcionário tinha sua própria máquina.

Parecia uma revolução.

E realmente era.


O nascimento da ilusão da descentralização

Imagine um gerente em 1989.

Ele visita uma feira de tecnologia.

No primeiro estande encontra um enorme IBM Mainframe.

Na sala ao lado vê uma workstation Sun rodando gráficos coloridos.

Depois encontra dezenas de PCs ligados em rede.

A demonstração impressiona.

Tudo parece mais moderno.

Mais rápido.

Mais bonito.

O vendedor então faz a pergunta fatal:

"Por que continuar pagando milhões por um mainframe?"

É uma pergunta excelente.

O problema é que ela estava incompleta.

A pergunta correta deveria ser:

"Quem continuará processando milhões de transações com disponibilidade próxima de 100% durante os próximos vinte anos?"

Essa pergunta aparecia muito menos nos folders de marketing.


O marketing encontrou um vilão perfeito

Toda boa campanha publicitária precisa de um antagonista.

Na indústria automobilística, o vilão pode ser o consumo de combustível.

Na indústria farmacêutica, pode ser uma doença.

Na computação dos anos 90...

O vilão escolhido foi o mainframe.

Ele reunia todas as características necessárias para uma boa narrativa.

Era grande.

Era caro.

Ficava escondido em salas refrigeradas.

Poucas pessoas o conheciam.

Pouquíssimos sabiam como funcionava.

Era o candidato perfeito para representar "o passado".

Enquanto isso, os novos servidores eram vendidos como:

  • modernos;

  • abertos;

  • flexíveis;

  • distribuídos;

  • democráticos.

Era uma excelente história.

Só havia um detalhe.

Histórias vendem revistas.

Engenharia precisa funcionar às três horas da manhã.


O dinossauro mais estranho da História

A metáfora do dinossauro era extremamente eficiente.

Todos entendem imediatamente seu significado.

Dinossauros dominaram o planeta.

Depois desapareceram.

Logo...

O mainframe também desapareceria.

Mas havia um pequeno problema biológico nessa comparação.

Dinossauros não evoluem.

Mainframes, sim.

Enquanto as revistas escreviam artigos...

Os laboratórios da IBM trabalhavam silenciosamente.

Novos processadores.

Novos canais de I/O.

Mais memória.

Mais virtualização.

Mais desempenho.

Mais confiabilidade.

A cada geração surgiam melhorias que dificilmente apareciam nas manchetes.

Porque evolução incremental quase nunca vira capa de revista.


O que a reportagem acertou

É importante reconhecer que a Forbes não estava completamente equivocada.

Ela acertou em vários pontos.

A computação realmente se descentralizou.

Os PCs dominaram os escritórios.

As redes locais tornaram-se padrão.

Os servidores UNIX conquistaram espaço.

Mais tarde vieram Linux, virtualização e cloud.

Tudo isso aconteceu.

A revista percebeu corretamente que a arquitetura corporativa mudaria profundamente.

Onde ela errou foi na conclusão.

Ela confundiu crescimento de uma tecnologia com desaparecimento de outra.

Na engenharia, coexistência costuma ser muito mais comum do que substituição completa.


O que ficou de fora

Existe uma palavra que praticamente não aparecia nessas análises.

Negócio.

As reportagens discutiam hardware.

Processadores.

Arquiteturas.

Preço.

Memória.

Sistema operacional.

Mas quase nunca perguntavam:

Quem processa a folha de pagamento?

Quem controla o estoque nacional?

Quem liquida operações bancárias?

Quem registra bilhões de transações financeiras?

Quem mantém décadas de regras de negócio escritas em COBOL?

Porque substituir hardware é relativamente simples.

Substituir quarenta anos de conhecimento empresarial é outra história completamente diferente.


Enquanto isso... dentro do CPD

Vamos imaginar a cena.

Um jornalista termina de escrever:

"O mainframe é um dinossauro."

Na mesma hora...

Em algum banco brasileiro...

Um operador pressiona ENTER no terminal 3270.

Um programa COBOL inicia sua execução.

O CICS recebe milhares de requisições.

O Db2 executa centenas de milhares de comandos SQL.

O JES2 inicia dezenas de JOBs batch.

O RACF valida usuários.

O VSAM grava registros.

Tudo continua funcionando.

Sem saber que havia acabado de ser declarado extinto.

Se computadores pudessem rir...

Talvez aquele IBM respondesse:

"Interessante... agora deixe-me voltar ao trabalho."


O tempo é um juiz implacável

A grande vantagem da História é que ela não discute.

Ela apenas acontece.

Passaram-se cinco anos.

Depois dez.

Depois vinte.

Depois trinta.

Chegamos a 2026.

O "dinossauro" citado em 1989 agora atende por outro nome.

IBM z17.

Possui aceleração nativa para Inteligência Artificial.

Executa Linux.

Hospeda OpenShift.

Integra-se ao watsonx.

Utiliza DevOps.

Executa aplicações Java, Python, Node.js, Go e COBOL.

Conversa naturalmente com Kubernetes, APIs REST e ambientes híbridos de cloud.

O que morreu não foi o mainframe.

Foi a ideia de que inovação exige abandonar tudo o que veio antes.


A primeira lição da Forbes

A reportagem da Forbes merece ser lembrada.

Não porque acertou.

Nem porque errou.

Mas porque representa perfeitamente um fenômeno que continua acontecendo em 2026.

Sempre que surge uma tecnologia revolucionária...

Alguém anuncia o fim da tecnologia anterior.

Foi assim com:

  • PCs contra Mainframes.

  • Internet contra PCs.

  • Cloud contra Datacenters.

  • Containers contra Máquinas Virtuais.

  • Microservices contra Monólitos.

  • IA contra Programadores.

A História mostra que a realidade costuma ser bem menos dramática.

As melhores tecnologias raramente eliminam completamente as anteriores.

Elas aprendem a conviver.

A integrar.

A evoluir juntas.

E talvez essa seja a maior lição deixada pela Forbes de 1989.

O verdadeiro erro nunca foi apostar no futuro.

Foi acreditar que o futuro só poderia existir depois de destruir completamente o passado.


Fonte histórica

Forbes, edição de 20 de março de 1989, posteriormente citada pelo Professor Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe, como uma das primeiras grandes publicações a popularizar a metáfora do "dinossauro tecnológico". O trabalho de Spruth preserva essa e outras manchetes históricas, permitindo compreender o contexto da época e compará-lo com a evolução real da plataforma IBM Z.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu


C:\BELLACOSA\COBOL\FUNERAL_QUE_NUNCA_ACONTECEU.HTML
★ BELLACOSA MAINFRAME APRESENTA ★

A MORTE DO COBOL

O Funeral que Nunca Aconteceu

Uma investigação histórica em 14 capítulos sobre as previsões, reportagens, buzzwords e profetas que anunciaram repetidamente o fim do COBOL — enquanto bilhões de transações continuavam sendo processadas silenciosamente.

SISTEMA ONLINE — 14 CAPÍTULOS DISPONÍVEIS
DIRETÓRIO DE CAPÍTULOS

README.TXT

Esta série investiga uma das narrativas mais repetidas da história da tecnologia: a suposta morte do COBOL. Durante décadas, revistas, jornais, consultorias e especialistas anunciaram seu desaparecimento. Entretanto, o COBOL permaneceu processando bancos, seguradoras, governos, cartões, pagamentos e sistemas críticos.

Os títulos e links acima são elementos HTML reais, permitindo que mecanismos de busca encontrem e rastreiem todos os capítulos. Os iframes funcionam apenas como previews visuais.

C:\> RUN BELLACOSA.EXE /COBOL /HISTORY /NO-FUNERAL _

★ BELLACOSA MAINFRAME ★ COBOL ★ IBM Z ★ HISTÓRIA DA COMPUTAÇÃO ★

Melhor visualizado em qualquer navegador com café disponível.

Projeto IBM - MSA 2025/2026

 ,

Bellacosa Mainframe conclui o programa IBM MSA 2025

Hoje encerro um ciclo muito especial da minha carreira como instrutor do MSA 2025/2026 (Mainframe Skills Academy).

Durante essa jornada, tive a honra de conduzir mais de 30 encontros, totalizando aproximadamente 50 horas de treinamento, além da produção de vídeos, laboratórios e materiais de apoio voltados à formação de profissionais em IBM Mainframe, com foco em System Programmers (SysProg) e System Administrators (SysAdmin).

Mais do que transmitir conhecimento, foi uma oportunidade de compartilhar experiências construídas ao longo de anos trabalhando com o ecossistema IBM Z e, ao mesmo tempo, aprender com o entusiasmo, a dedicação e as perguntas de cada participante.

Meus parabéns a todos os alunos que concluíram essa jornada. A evolução demonstrada ao longo do programa confirma que o Mainframe continua formando profissionais altamente qualificados para sustentar os sistemas mais críticos do mundo.

Também deixo meu reconhecimento aos organizadores, coordenadores, empresas parceiras e a todos os profissionais que trabalharam nos bastidores para tornar este projeto uma realidade. O sucesso do programa é resultado do esforço coletivo de muitas pessoas comprometidas com a formação de novos talentos.

Um agradecimento especial à IBM pela confiança, pelo convite para atuar como instrutor e pela oportunidade de contribuir com uma iniciativa que fortalece o ecossistema IBM Z e investe no crescimento profissional da comunidade técnica.

Foi uma grande satisfação fazer parte deste projeto.

Que esta seja apenas mais uma etapa de uma longa jornada de aprendizado, inovação e colaboração.

Parabéns a todos os envolvidos!

#IBM #IBMZ #IBMMainframe #Mainframe #SystemProgrammer #SysProg #SysAdmin #zOS #z17 #CICS #DB2 #IMS #JCL #COBOL #RACF #JES2 #TSO #ISPF #Automation #MainframeModernization #Infrastructure #EnterpriseComputing #BellacosaMainframe #MSA

Novo artigo no LinkedIn

Conclusão da formação MSA 2025/2026 em IBM Mainframe. Uma jornada dedicada à formação de SysProgs e SysAdmins.

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre Maquiavel, Poder, Longevidade e os 67 Anos de Reinado do COBOL

 

Bellacosa Mainframe e o principe aplicado ao Cobol

# ☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Príncipe do Data Center

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre Maquiavel, Poder, Longevidade e os 67 Anos de Reinado do COBOL

"Você não está apenas aprendendo COBOL. Está estudando uma das maiores demonstrações de estratégia, sobrevivência e adaptação tecnológica da história da computação."


Existem livros que envelhecem.

Existem tecnologias que desaparecem.

E existem obras que atravessam séculos porque descrevem algo muito maior do que seu próprio tempo.

O Príncipe, escrito por Nicolau Maquiavel em 1513, pertence à segunda categoria.

COBOL, criado em 1959, pertence exatamente à mesma.

Não porque ambos sejam antigos.

Mas porque ambos falam sobre permanência.

Enquanto milhares de linguagens nasceram e desapareceram, enquanto gerações inteiras de frameworks surgiram e morreram, COBOL continua executando silenciosamente bilhões de dólares em transações todos os dias.

A pergunta não é:

"Como COBOL ainda existe?"

A pergunta correta é:

"O que COBOL fez certo durante mais de seis décadas?"

Talvez Maquiavel respondesse isso melhor do que qualquer arquiteto de software moderno.

Hoje vamos tomar um café e descobrir.


O príncipe nunca governa sozinho

No imaginário popular, um príncipe é o centro do poder.

Na prática, Maquiavel explica exatamente o contrário.

Um príncipe depende de:

  • seus ministros

  • seus exércitos

  • seus administradores

  • sua burocracia

  • sua capacidade de manter estabilidade.

Sem isso, o reino cai.

Agora substitua:

Príncipe → Banco

Reino → Data Center

Ministros → Programadores COBOL

Exército → Mainframe IBM Z

Leis → Regras de Negócio

Tesouro → Banco de Dados

De repente...

Você está olhando para praticamente qualquer banco do planeta.


O verdadeiro poder está na estabilidade

Maquiavel escreve que um governante deve evitar mudanças desnecessárias.

Não porque seja conservador.

Mas porque toda mudança gera instabilidade.

No desenvolvimento moderno muitas empresas seguem exatamente o caminho oposto.

Trocam linguagem.

Trocam banco.

Trocam framework.

Trocam arquitetura.

Trocam nuvem.

Trocam frontend.

Trocam backend.

Trocam metodologia.

Trocam tudo.

Enquanto isso...

COBOL permanece.

Não por teimosia.

Mas porque estabilidade é um ativo.


A fortuna favorece quem controla o risco

Um dos conceitos mais famosos de Maquiavel é a Fortuna.

Para ele, metade da vida pertence ao acaso.

A outra metade depende da capacidade do governante.

No mundo corporativo acontece exatamente isso.

Ninguém controla:

  • crises econômicas

  • pandemias

  • ataques hackers

  • inflação

  • guerras

  • apagões

Mas pode controlar seus sistemas.

É exatamente aí que o Mainframe reina.

Durante décadas, bancos continuaram funcionando enquanto o mundo inteiro mudava.

Não foi sorte.

Foi engenharia.


O príncipe deve conhecer profundamente seu território

Maquiavel afirma que o governante precisa caminhar pelo próprio reino.

Conhecer cidades.

Conhecer fronteiras.

Conhecer recursos.

Conhecer ameaças.

Um programador COBOL faz exatamente isso.

Ele conhece:

  • layouts

  • arquivos VSAM

  • DB2

  • CICS

  • JCL

  • Batch

  • Online

  • Scheduler

  • RACF

  • filas

  • integrações

Ele entende onde cada dado nasce.

Por onde ele passa.

Quem altera.

Quem consulta.

Quem depende.

Essa visão sistêmica raramente aparece em cursos modernos.


A reputação vale mais do que promessas

Maquiavel dizia:

Um príncipe precisa parecer confiável.

No mundo corporativo isso se traduz em algo extremamente simples.

O sistema precisa funcionar.

Não importa se usa IA.

Não importa se usa Kubernetes.

Não importa se usa microsserviços.

O cliente quer sacar dinheiro.

O cartão precisa autorizar.

O PIX precisa concluir.

O seguro precisa pagar.

O voo precisa decolar.

O imposto precisa ser calculado.

Quem entrega isso?

COBOL.

Todos os dias.

Sem marketing.

Sem hype.

Sem palco.


O exército mercenário

Maquiavel criticava fortemente exércitos mercenários.

Eles funcionam enquanto tudo está bem.

Na primeira crise...

Fogem.

Curiosamente, existe um paralelo tecnológico.

Hoje vemos projetos compostos por dezenas de bibliotecas externas.

Centenas de dependências.

Frameworks que mudam todo mês.

Projetos que deixam de funcionar porque uma versão foi descontinuada.

Esse é o exército mercenário da engenharia de software.

COBOL, por outro lado, sempre valorizou outro princípio.

Poucas dependências.

Padronização.

Compatibilidade.

Documentação.

Retrocompatibilidade.

Essa filosofia talvez pareça menos moderna.

Mas produz sistemas que sobrevivem décadas.


O príncipe deve pensar em gerações

Empresas normalmente pensam no próximo trimestre.

Governos pensam na próxima eleição.

O Mainframe pensa nos próximos vinte anos.

Essa diferença muda completamente a forma como software é construído.

Em COBOL ninguém escreve código esperando descartá-lo em seis meses.

Escreve-se pensando:

"Quem fará manutenção daqui a quinze anos?"

Essa pergunta muda completamente a qualidade do código.


A virtù do programador COBOL

Maquiavel usa frequentemente a palavra Virtù.

Ela não significa virtude moral.

Significa competência.

Capacidade.

Preparação.

Coragem.

Disciplina.

No mundo Mainframe essa Virtù aparece de inúmeras formas.

Um bom profissional domina:

  • regras de negócio

  • modelagem

  • desempenho

  • documentação

  • rastreabilidade

  • testes

  • processamento batch

  • transações online

Ele sabe que escrever código é apenas uma pequena parte do trabalho.


O castelo invisível

Poucas pessoas entram em um data center.

Menos ainda conhecem um IBM Z.

Entretanto...

Grande parte da economia mundial depende deles.

É como um castelo medieval.

A população talvez nunca veja seus muros.

Mas dorme tranquila porque eles existem.

COBOL vive exatamente nesse castelo invisível.

Sem glamour.

Sem manchetes.

Mas sustentando bancos, seguradoras, governos, bolsas de valores, companhias aéreas e sistemas de saúde.


A arte de evitar guerras

Maquiavel ensina que um governante inteligente evita conflitos desnecessários.

Na engenharia de software isso significa reduzir risco operacional.

Cada alteração em produção possui custo.

Cada mudança possui impacto.

Cada deploy possui risco.

Por isso Mainframes evoluem de maneira extremamente controlada.

Existe planejamento.

Teste.

Homologação.

Plano de retorno.

Auditoria.

Mudanças são feitas com precisão cirúrgica.

Não porque sejam lentos.

Porque indisponibilidade custa milhões.


O tempo é o verdadeiro juiz

Em tecnologia existe um fenômeno curioso.

Quase tudo parece revolucionário no lançamento.

Mas poucos sobrevivem.

Linguagens desapareceram.

Bancos desapareceram.

Sistemas operacionais desapareceram.

Empresas desapareceram.

COBOL permanece.

Isso deveria despertar uma reflexão importante.

Talvez a pergunta nunca tenha sido:

"Qual tecnologia é mais moderna?"

Mas:

"Qual tecnologia continua resolvendo o problema sessenta anos depois?"


O príncipe moderno usa APIs

Alguns acreditam que Mainframe ficou parado no tempo.

Nada mais distante da realidade.

Hoje um programa COBOL conversa com:

  • APIs REST

  • JSON

  • XML

  • Kafka

  • IBM MQ

  • Java

  • Python

  • Node.js

  • microsserviços

  • OpenShift

  • Kubernetes

  • IA Generativa

O rei continua sentado no trono.

Mas agora conversa com todo o reino.


Não existe império sem registros

Reinos mantinham livros.

Cartórios.

Arquivos.

Impostos.

Inventários.

Hoje fazemos exatamente a mesma coisa.

Mudou apenas o suporte.

O que antes era pergaminho virou:

DB2.

VSAM.

IMS.

Logs.

SMF.

Datasets.

O princípio continua igual.

Governar é administrar informação.

COBOL sempre entendeu isso.


A paciência vence a velocidade

Vivemos na cultura do imediato.

Deploy contínuo.

Atualização diária.

Nova versão semanal.

Nova IA todo mês.

Mas grandes organizações trabalham em outra escala.

Décadas.

Não dias.

É por isso que COBOL parece lento para quem observa de fora.

Na verdade, ele apenas opera em uma escala temporal diferente.


A sucessão do reino

Maquiavel também falava sobre sucessão.

Como manter o reino vivo após uma geração?

Essa talvez seja a maior preocupação atual do Mainframe.

Milhares de especialistas estão se aposentando.

Mas isso não significa o fim do COBOL.

Significa o início de uma nova geração.

Hoje surgem:

  • IA para documentação

  • copilotos para COBOL

  • modernização automática

  • análise de código por LLMs

  • conversão assistida

  • testes automatizados

  • engenharia reversa inteligente

Curiosamente...

A Inteligência Artificial não elimina COBOL.

Ela aumenta sua produtividade.


O príncipe aprende com o passado

Existe um erro comum entre iniciantes.

Imaginar que tecnologia evolui em linha reta.

Não evolui.

Ela evolui em espiral.

Conceitos retornam constantemente.

Orientação a objetos.

Serviços.

Eventos.

Mensageria.

Virtualização.

Containers.

Tudo possui ancestrais.

O Mainframe já utilizava muitos desses princípios décadas antes de eles se tornarem moda.

Estudar COBOL é compreender essas raízes.


O reino da confiança

Dinheiro não aceita erros.

Saúde não aceita erros.

Aeronáutica não aceita erros.

Previdência não aceita erros.

Quando uma empresa escolhe COBOL para processos críticos, ela não está escolhendo nostalgia.

Está escolhendo previsibilidade.

Confiabilidade.

Auditabilidade.

Governança.

Esses atributos raramente aparecem em rankings de linguagens.

Mas aparecem diariamente no balanço financeiro das maiores instituições do planeta.


A lição que Maquiavel talvez escrevesse hoje

Se Maquiavel visitasse um grande banco moderno, talvez percebesse algo familiar.

Salas silenciosas.

Processos rigorosos.

Hierarquias claras.

Regras definidas.

Disciplina operacional.

Controle absoluto sobre informações estratégicas.

Ele provavelmente reconheceria ali um novo tipo de principado.

Não governado por espadas.

Mas por transações.

Não protegido por muralhas.

Mas por criptografia, redundância, RACF, auditorias e arquitetura resiliente.

E talvez sorrisse ao descobrir que, no centro desse império digital, ainda existe uma linguagem criada em 1959 conduzindo milhões de operações por segundo.


Conclusão: O verdadeiro príncipe nunca buscou ser moderno

Existe uma frase frequentemente atribuída à tecnologia:

"O melhor software é aquele que ninguém percebe que existe."

COBOL representa exatamente isso.

Ele não precisa aparecer em conferências para provar seu valor.

Não precisa ser tendência nas redes sociais.

Não precisa mudar de sintaxe a cada versão.

Seu poder está em algo muito mais raro.

Confiabilidade construída ao longo de décadas.

Assim como O Príncipe continua sendo estudado mais de 500 anos após sua publicação, COBOL continua sendo utilizado porque ambos compartilham a mesma essência: não foram criados para impressionar, mas para durar.

No Bellacosa Mainframe, costumamos dizer que aprender COBOL não é apenas aprender uma linguagem. É aprender como sistemas críticos permanecem relevantes quando todo o resto muda. É entender que arquitetura, disciplina, documentação, regras de negócio e estabilidade não são conceitos ultrapassados, mas fundamentos que sustentam bancos, governos e empresas em todos os continentes.

No fim, a maior lição de Maquiavel aplicada ao Mainframe talvez seja esta:

O verdadeiro poder não pertence ao mais novo, ao mais rápido ou ao mais barulhento. Pertence àquilo que continua funcionando quando todos os outros já desapareceram.

E, depois de mais de 65 anos, o COBOL continua sentado, silenciosamente, no trono do data center.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Capítulo 3 — O Professor que Arquivou o Funeral

Bellacosa Mainframe e o professor que arquivou o Funeral

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 3 — O Professor que Arquivou o Funeral

Conheça a história de Wolfgang Spruth e descubra como sua coleção de reportagens preservou a memória das previsões sobre a morte do mainframe, transformando-as em um importante documento histórico da computação moderna.

Por


Wolfgang Spruth preservando a história das previsões sobre a morte do Mainframe

Wolfgang Spruth documentou décadas de previsões equivocadas sobre o fim do Mainframe, criando um importante registro histórico da computação.


Wolfgang Spruth e a Coleção das Manchetes que Tentaram Enterrar o Mainframe

"A História não é escrita apenas pelos vencedores. Às vezes ela também é escrita pelos analistas que erraram a previsão."


Antes de continuarmos...

Existe um personagem fundamental nesta história.

Curiosamente...

Ele não era jornalista.

Não era executivo de marketing.

Não era consultor.

Nem trabalhava tentando vender a próxima grande revolução da informática.

Era um professor.

Um pesquisador.

Um engenheiro.

Alguém que dedicou décadas da vida estudando computação corporativa.

Seu nome era Professor Wolfgang (Wilhelm G.) Spruth.

E, sem saber, ele acabaria produzindo um dos documentos históricos mais importantes sobre a evolução do IBM Mainframe.


Quem foi Wolfgang Spruth?

Para quem trabalha com IBM Z, principalmente na Europa, Wolfgang Spruth dispensa apresentações.

Professor da Universidade de Tübingen, na Alemanha, Spruth foi uma das maiores autoridades mundiais em Enterprise Computing, IBM Mainframe, sistemas operacionais, bancos de dados e arquitetura corporativa.

Durante décadas pesquisou:

  • IBM System/360

  • System/370

  • ESA/390

  • S/390

  • zSeries

  • z/OS

  • CICS

  • Db2

  • Virtualização

  • Arquiteturas Corporativas

  • Grandes Centros de Processamento de Dados

Muito antes da palavra "Cloud" existir...

Spruth já estudava virtualização.

Muito antes de falarmos em IA...

Ele estudava arquitetura de sistemas.

Muito antes do DevOps...

Ele analisava integração entre aplicações corporativas.

Seu foco nunca foi seguir modismos.

Seu foco sempre foi entender como os sistemas realmente funcionavam.

E essa diferença faz toda a diferença.


Um pesquisador em vez de um torcedor

Existe algo interessante sobre pesquisadores.

Eles normalmente não torcem.

Eles observam.

Registram.

Documentam.

Comparam.

Foi exatamente isso que Spruth fez.

Enquanto boa parte da imprensa anunciava o "fim inevitável" do mainframe...

Ele resolveu guardar aquelas reportagens.

Não para zombar.

Não para ridicularizar jornalistas.

Mas para construir um registro histórico.

Porque previsões tecnológicas também fazem parte da História da Computação.


O nascimento de um documento histórico

Anos depois surgiu um pequeno documento que se tornaria extremamente famoso entre profissionais IBM.

Seu título era simples.

The Death of the Mainframe

À primeira vista parecia apenas mais uma apresentação.

Alguns slides.

Algumas citações.

Poucas páginas.

Mas havia algo extremamente inteligente naquele material.

Em vez de discutir opiniões...

Spruth simplesmente mostrou as manchetes.

Uma após outra.

Em ordem cronológica.

Como um museu.

Como um álbum de fotografias.

Como um arquivo de jornal.

Cada slide representava um momento em que alguém decretou que o IBM Mainframe havia chegado ao fim.

O leitor tirava suas próprias conclusões.

Essa simplicidade tornou o trabalho tão poderoso.


O museu dos "fins do mundo"

Imagine entrar em um museu.

Na primeira sala existe uma placa.

1989

Logo abaixo.

Uma manchete.

"O Mainframe morreu."

Você caminha alguns metros.

Outra sala.

1991

Mais uma manchete.

"O último mainframe será desligado."

Mais alguns passos.

1993

"O Mainframe está correndo para a extinção."

Depois...

Outra previsão.

E outra.

E outra.

Ao final da exposição...

Você sai do museu.

Liga o aplicativo do banco.

Faz um PIX.

Compra uma passagem aérea.

Usa um cartão de crédito.

Recebe o salário.

E percebe que boa parte dessas operações ainda continua passando por plataformas IBM Z.

É impossível não sorrir.


O maior mérito de Spruth

Talvez você espere que o professor passasse páginas e páginas criticando cada jornalista.

Não.

Esse nunca foi o objetivo.

O trabalho possui um tom quase acadêmico.

Ele apenas apresenta os fatos.

Mostra as datas.

As publicações.

As frases.

E deixa que a passagem do tempo faça o restante.

É um excelente exemplo de como a História costuma ser mais convincente do que qualquer debate.


O contexto importa

E aqui existe uma lição importante para todo Padawan COBOL.

É muito fácil rir das previsões feitas há trinta anos.

Mas precisamos lembrar do contexto.

Naquela época:

Os computadores pessoais dobravam de potência rapidamente.

As redes locais cresciam.

O UNIX conquistava espaço.

O Windows NT surgia como promessa corporativa.

A internet começava sua expansão.

Os servidores Intel ficavam cada vez mais baratos.

Tudo parecia apontar para uma descentralização completa.

Se estivéssemos vivendo em 1991...

Talvez muitos de nós também acreditássemos naquelas previsões.

A História precisa ser analisada com os olhos da época.

Não apenas com o conhecimento que temos hoje.


A imprensa não inventou essa narrativa

Outro detalhe interessante.

As revistas não criaram sozinhas a ideia da morte do mainframe.

Elas refletiam um sentimento muito presente no mercado.

Fabricantes promoviam novas arquiteturas.

Consultorias recomendavam migrações.

Analistas divulgavam projeções otimistas.

Empresas buscavam reduzir custos.

A imprensa fazia aquilo que continua fazendo até hoje.

Publicava aquilo que parecia representar o futuro.

O problema não era noticiar tendências.

O problema era transformar tendências em certezas.

Existe uma enorme diferença entre dizer:

"O Client/Server está crescendo."

E afirmar:

"O Mainframe acabou."

Uma frase descreve uma evolução.

A outra decreta um veredito.


O curioso efeito das manchetes

Manchetes possuem um poder enorme.

Poucas pessoas leem o artigo inteiro.

A maioria lê apenas o título.

Imagine um diretor financeiro em 1993.

Ele abre uma revista.

Lê:

"Mainframe: tecnologia em extinção."

Pronto.

A ideia fica plantada.

Mesmo que o restante do texto apresente ressalvas...

O título já cumpriu sua missão.

Esse fenômeno continua existindo em 2026.

Troque "Mainframe" por:

  • IA substituirá todos os programadores.

  • O fim das linguagens tradicionais.

  • O último DBA.

  • O fim do DevOps.

  • O fim do Cloud.

  • O fim do Kubernetes.

Mudam os personagens.

O mecanismo psicológico continua exatamente o mesmo.


A máquina do hype nunca parou

Os anos mudam.

Os nomes mudam.

Mas existe uma engrenagem que permanece.

Primeiro surge uma inovação.

Depois aparece entusiasmo.

Em seguida surgem previsões exageradas.

Logo aparecem manchetes definitivas.

Anos depois...

A realidade encontra um equilíbrio.

Foi assim com:

Client/Server.

SOA.

XML.

Java Applets.

CORBA.

Blockchain.

Metaverso.

NFT.

E, muito provavelmente, acontecerá com diversas previsões atuais envolvendo Inteligência Artificial.

A IA transformará profundamente a indústria?

Sem dúvida.

Mas isso não significa que todo software existente será descartado.

Nem que toda linguagem desaparecerá.

Nem que décadas de regras de negócio deixarão de existir da noite para o dia.


O verdadeiro legado de Spruth

Talvez a maior contribuição de Wolfgang Spruth não tenha sido provar que o mainframe sobreviveu.

Isso o tempo fez sozinho.

Seu verdadeiro legado foi outro.

Ele nos ensinou a importância de preservar a memória da tecnologia.

Porque engenharia também possui História.

E quem não conhece essa História corre o risco de repetir exatamente os mesmos erros.

Hoje olhamos para aquelas manchetes e sorrimos.

Daqui a vinte anos...

Talvez alguém faça exatamente a mesma coisa com muitas previsões feitas sobre Inteligência Artificial em 2026.


Um conselho para o Padawan

Quando você ouvir alguém dizendo:

"Essa tecnologia morreu."

Não pergunte apenas:

"Qual tecnologia?"

Pergunte também:

  • Quem fez essa previsão?

  • Em qual contexto?

  • Com quais dados?

  • Qual interesse econômico existia?

  • Ela resolve um problema técnico ou vende uma narrativa?

Foi exatamente esse olhar crítico que transformou um conjunto de manchetes esquecidas em um dos documentos históricos mais valiosos da computação corporativa.

Graças ao trabalho paciente do professor Wolfgang Spruth, aquelas previsões não ficaram perdidas em arquivos de jornais. Elas se tornaram uma aula permanente sobre humildade tecnológica.

Porque, no fim das contas, a maior vítima da década de 1990 não foi o mainframe.

Foram as certezas absolutas.

E a Engenharia continua ensinando, geração após geração, que modismos passam.

Arquiteturas sólidas evoluem.

 

Bellacosa Mainframe e a serie Funeral que nunca aconteceu



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★ BELLACOSA MAINFRAME APRESENTA ★

A MORTE DO COBOL

O Funeral que Nunca Aconteceu

Uma investigação histórica em 14 capítulos sobre as previsões, reportagens, buzzwords e profetas que anunciaram repetidamente o fim do COBOL — enquanto bilhões de transações continuavam sendo processadas silenciosamente.

SISTEMA ONLINE — 14 CAPÍTULOS DISPONÍVEIS
DIRETÓRIO DE CAPÍTULOS

README.TXT

Esta série investiga uma das narrativas mais repetidas da história da tecnologia: a suposta morte do COBOL. Durante décadas, revistas, jornais, consultorias e especialistas anunciaram seu desaparecimento. Entretanto, o COBOL permaneceu processando bancos, seguradoras, governos, cartões, pagamentos e sistemas críticos.

Os títulos e links acima são elementos HTML reais, permitindo que mecanismos de busca encontrem e rastreiem todos os capítulos. Os iframes funcionam apenas como previews visuais.

C:\> RUN BELLACOSA.EXE /COBOL /HISTORY /NO-FUNERAL _

★ BELLACOSA MAINFRAME ★ COBOL ★ IBM Z ★ HISTÓRIA DA COMPUTAÇÃO ★

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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