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quarta-feira, 15 de julho de 2026

A Corrida pelo Último Megawatt: Nubank, Itaú, Santander, AWS, IA e o Dia em que o Mainframe Descobriu que seu Novo Concorrente Não Era a Cloud — Era a Usina Elétrica

 

Bellacosa Mainframe e a corrida pelo ultimo megawatt

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

A Corrida pelo Último Megawatt: Nubank, Itaú, Santander, AWS, IA e o Dia em que o Mainframe Descobriu que seu Novo Concorrente Não Era a Cloud — Era a Usina Elétrica

⚡ AWS, Gravity, Datomic, Kubernetes, IBM Z, LinuxONE, IA, data centers, energia, contingência e o estranho futuro em que milhões de transações bancárias disputam megawatts com GPUs — enquanto o coronel Potter pergunta quem foi o gênio que colocou o plano de DR inteiro na mesma região


São 06h13.

Algum lugar do interior de São Paulo.

Dentro de uma barraca improvisada que inexplicavelmente contém três monitores, um terminal 3270, um cluster Kubernetes e uma cafeteira que certamente reprovaria numa auditoria elétrica, o radar começa a apitar.

BIP.

BIP.

BIP.

Radar O'Reilly entra correndo.

— Coronel! Temos problemas!

Sherman Potter nem levanta os olhos.

— Coreia?

— Pior.

— Produção?

— Muito pior.

— Fale, Radar.

Ele coloca um relatório sobre a mesa.

NUBANK
AWS
ITAÚ
SANTANDER
IA
DATA CENTERS
GPU
MAINFRAME

DEMANDA: ↑↑↑↑↑

ENERGIA DISPONÍVEL: ¯\_(ツ)_/¯

Hawkeye Pierce aparece com uma caneca.

— Quem foi atingido?

Radar responde:

— Ninguém ainda.

— Então por que estamos acordados?

— Porque todos querem construir data centers ao mesmo tempo.

Hawkeye observa o documento.

— Qual o diagnóstico?

Do outro lado da barraca, um velho sysprog que ninguém lembra de ter contratado olha para o RMF e responde:

Falta de megawatt.

Silêncio.

Potter franze a testa.

— Achei que estávamos falando de computadores.

O sysprog toma o café.

— Coronel, chegamos ao ponto em que falar de computadores significa falar de usinas elétricas.

Bem-vindo ao M*A*S*H tecnológico.

Hoje nosso paciente é o sistema bancário brasileiro.

E talvez precisemos operar.


🩺 1. O diagnóstico mudou

Durante décadas, quando discutíamos capacidade bancária, falávamos de:

CPU
MIPS
MSU
MEMÓRIA
I/O
STORAGE
TPS

Depois veio a cloud.

O discurso mudou para:

vCPU
containers
pods
nodes
autoscaling
serverless
regions
availability zones

Parecia que havíamos eliminado a limitação física.

Precisava de mais capacidade?

scale-out

Mais?

scale-out

Mais?

scale-out

Só havia um pequeno problema.

Cada scale-out eventualmente precisa virar:

CPU REAL
RAM REAL
SSD REAL
SWITCH REAL
RACK REAL
ENERGIA REAL
REFRIGERAÇÃO REAL

E eis a grande ironia da cloud:

o computador desapareceu da visão do programador, mas nunca desapareceu do planeta.

A nuvem é uma extraordinária abstração de recursos físicos.

Não uma violação das leis da termodinâmica.


🩺 2. O primeiro paciente: Nubank

O Nubank talvez seja o melhor exemplo brasileiro dessa transformação.

Ele não começou com um grande legado IBM Z para depois migrar.

Nasceu digital.

Sua história tecnológica pública inclui:

AWS
Clojure
Datomic
Kafka
Kubernetes
microservices
machine learning

E chegou a uma escala impressionante.

Em abril de 2025, a engenharia do Nu revelou operar mais de 4.000 microsserviços, processando aproximadamente 72 bilhões de eventos Kafka diariamente e lidando rotineiramente com milhões de requisições por segundo. (Building Nubank)

Em julho de 2026, outra publicação trouxe um número quase surreal:

mais de 21.000 databases em produção, distribuídos entre Brasil, México e Colômbia.

A camada de database é administrada diretamente por apenas cinco engenheiros, graças a automação, self-service e ownership distribuído. (Building Nubank)

O COBOLzeiro lê:

21.000 DATABASES

e pergunta:

— Vocês estão bem?

Sim.

É uma consequência da granularidade de uma arquitetura de microsserviços.


🩺 3. O dia em que a cloud mostrou que também possui teto

A história técnica do Nubank é particularmente interessante porque seu crescimento obrigou a empresa a enfrentar limites de capacidade e quotas.

Nos primeiros tempos, infraestrutura concentrada em poucas contas AWS foi apelidada internamente de:

Pangeia.

Um supercontinente.

            PANGEIA

    ┌────────────────────┐
    │     AWS ACCOUNT    │
    │                    │
    │   serviços         │
    │   Datomic          │
    │   Kafka            │
    │   Kubernetes       │
    │   serviços         │
    │   serviços         │
    └────────────────────┘

Funcionou.

Até crescer demais.

A concentração aumentava blast radius, complicava isolamento entre ambientes e pressionava limites.

Então surgiu a:

Continental Drift.

A Deriva Continental.

         PANGEIA
            |
            ↓

 ┌────────┐ ┌────────┐ ┌────────┐
 │ACCOUNT │ │ACCOUNT │ │ACCOUNT │
 │   A    │ │   B    │ │   C    │
 └────────┘ └────────┘ └────────┘

Domínios separados.

Recursos separados.

Falhas mais isoladas.

Quotas menos concentradas. (Building Nubank)

É arquitetura distribuída aprendendo uma das regras mais antigas da engenharia:

não coloque todos os ovos na mesma cesta.

O mainframe chama Potter.

— Coronel?

— Sim?

— Parallel Sysplex mandou lembranças.


🩺 4. Mas atenção: Nubank NÃO esgotou a AWS brasileira

Aqui precisamos colocar uma etiqueta vermelha no prontuário.

NUBANK ESGOTOU TODA A AWS BRASIL

FALSO.

Não há evidência disso.

O que relatos técnicos do Nubank mostram é que determinados modelos de crescimento chegaram a encontrar limites de recursos/capacidade.

Isso é diferente.

Imagine:

AWS BRASIL

████████████████████████████████████████

Nubank não fez:

████████████████████████████████████████
NUBANK

A situação é mais parecida com:

PRECISO:

tipo específico de recurso
+
determinada região/AZ
+
determinada configuração
+
grande quantidade
+
agora

E naquele contexto a resposta pode ser:

CAPACITY NOT AVAILABLE

A própria documentação da AWS reconhece que Availability Zones podem tornar-se capacity constrained, a ponto de o provedor restringir criação de determinados recursos zonais. (Documentação AWS)

Cloud possui estoque.

Só que você não vê o almoxarifado.


🩺 5. Entra Itaú — e agora a coisa fica realmente grande

O segundo paciente é o Itaú Unibanco.

E aqui precisamos atualizar uma informação importante.

A intenção pública divulgada pelo banco é realmente radical.

Durante o AWS re:Invent 2024, em dezembro de 2024, Ricardo Guerra, CIO do Itaú, anunciou o plano de migrar 100% dos sistemas para cloud, incluindo sistemas que atualmente executam no mainframe.

Na ocasião, 65% das aplicações já estavam em cloud.

A meta divulgada foi:

2017
  |
início da jornada
  |
  v
2024
  |
65% aplicações cloud
  |
  v
2028
  |
migração prevista
  |
  v
2030
  |
estabilização prevista

Portanto, a história do 2030 possui uma nuance importante.

A migração foi anunciada para 2028, seguida de aproximadamente dois anos previstos para estabilização. (BR About Amazon)

E estamos falando do coração do banco.

Os 35% restantes descritos em 2024 eram fundamentalmente rotinas contábeis — justamente a lógica mais profundamente associada ao core. (BR About Amazon)

Isso muda completamente nossa discussão.


🩺 6. Porque Itaú não é uma fintech de garagem

Migrar um sistema web é uma coisa.

Migrar:

CORE
CONTABILIDADE
LEDGER
TRANSAÇÕES
BATCH
INTEGRAÇÕES
DÉCADAS DE REGRAS

é outra.

É quase como anunciar:

“Vamos trocar o motor do avião.”

Pergunta:

— Quando?

Resposta:

— Durante o voo.

Hawkeye:

— Excelente. Quem trouxe paraquedas?

O Itaú afirma que, desde o início dessa transformação, incidentes de alto impacto na experiência dos clientes diminuíram 99%, enquanto o custo por transação caiu 55%. (BR About Amazon)

O projeto utiliza inclusive IA generativa para ajudar na modernização de aplicações mainframe através do Amazon Q Developer. (BR About Amazon)

Ou seja:

MAINFRAME
   |
   v
ANÁLISE / MODERNIZAÇÃO
   |
   +── IA GENERATIVA
   |
   v
AWS

Isso é uma mudança arquitetural monumental.


🩺 7. Agora entra Santander carregando Gravity

O Santander escolheu outro caminho fascinante.

O nome é:

Gravity.

Em 19 de junho de 2025, o Santander anunciou ter concluído a migração de toda a infraestrutura tecnológica core da operação espanhola para Gravity, sua plataforma cloud-based de core banking. (Santander)

E a escala espanhola já é enorme:

> 4,3 bilhões
transações/ano

picos:
~33.000 transações/segundo

O Santander anunciou ainda que Brasil e México estavam entre os próximos rollouts; com esses avanços, esperava atingir aproximadamente 80% da infraestrutura tecnológica core global migrada para cloud. (Santander)

Quando concluída, Gravity deverá lidar com mais de:

1 trilhão de operações técnicas por ano.

(Santander)

Radar olha para Potter.

— Coronel, acho que vamos precisar de outra extensão elétrica.


🩺 8. A parte brilhante do Gravity: execução paralela

Aqui o COBOLzeiro deveria prestar muita atenção.

O Santander não simplesmente diz:

MAINFRAME OFF

CLOUD ON

BOA SORTE.

Gravity permite processamento simultâneo.

Conceitualmente:

               TRANSAÇÃO
                   |
          ┌────────┴────────┐
          |                 |
          v                 v
     MAINFRAME            CLOUD
          |                 |
          └───────┬─────────┘
                  |
               COMPARE
                  |
           RESULTADO IGUAL?
                  |
                 SIM
                  |
              CUTOVER

O Santander descreve justamente capacidade de processar simultaneamente em mainframe e cloud, permitindo testes em tempo real antes da transição definitiva. (Santander)

Para quem viveu migração bancária:

isso é música.

Você não confia na apresentação do PowerPoint.

Você reconcilia.


🩺 9. E então chegam as fintechs

Agora acrescente:

Nubank
Mercado Pago
PicPay
Inter
C6
Neon
fintech A
fintech B
fintech C

Mais:

e-commerce
streaming
governo
SaaS
telecom
indústria

Todos querendo cloud.

O problema começa a parecer:

                     DATACENTER

 BANCO ────────────────┐
 FINTECH ──────────────┤
 VAREJO ───────────────┤
 GOVERNO ──────────────┼──► COMPUTE
 TELECOM ──────────────┤
 STREAMING ────────────┤
 SaaS ─────────────────┘

Até aí tudo bem.

Então alguém abre a porta.

Entra um sujeito carregando 20.000 GPUs.

— Bom dia.

— Quem é você?

Inteligência Artificial.

Hawkeye fecha os olhos.

— Estamos ferrados.


🩺 10. IA mudou a unidade de medida

Aplicações empresariais tradicionais consomem energia.

Mas infraestrutura moderna de IA aumentou dramaticamente a densidade computacional.

Agora falamos de:

GPU
GPU
GPU
GPU
GPU
GPU

+
HBM
+
NETWORK FABRIC
+
STORAGE
+
COOLING

O gargalo começa a migrar de:

TEMOS CPU?

para:

TEMOS ENERGIA?

e depois:

TEMOS SUBESTAÇÃO?

e finalmente:

A REDE DE TRANSMISSÃO CONSEGUE ENTREGAR?

A Empresa de Pesquisa Energética brasileira já trata data centers explicitamente como grandes cargas cujo crescimento afeta diretamente o planejamento de expansão da transmissão. (EPE)

Isso é importantíssimo.

Data center deixou de ser apenas assunto de CIO.

Virou assunto de planejamento energético nacional.


⚡ 11. O Brasil descobriu o problema

E aqui os números ficam extraordinários.

Depois do REDATA, instituído em setembro de 2025, ocorreu forte crescimento dos pedidos relacionados a novos data centers.

Segundo a EPE, em apenas pouco mais de 60 dias apareceram 6,4 GW adicionais em projetos solicitando estudos para conexão à Rede Básica.

O pipeline passou de:

SET/2025
19,8 GW

   ↓

NOV/2025
26,2 GW

(EPE)

26,2 GIGAWATTS.

Agora não estamos mais discutindo servidor.

Estamos discutindo infraestrutura elétrica em escala industrial.

E a própria EPE ressalva corretamente que isso é pipeline de projetos, não capacidade que certamente será construída: implantação depende de transmissão, telecomunicações, viabilidade financeira, garantias e outros fatores. (EPE)


⚡ 12. Onde estão querendo colocar tudo isso?

Principalmente onde você provavelmente imaginou:

São Paulo.

Segundo a EPE, existe forte concentração de projetos no estado, especialmente nas regiões metropolitanas de:

SÃO PAULO

     e

CAMPINAS

(EPE)

Não é coincidência.

A região concentra:

  • mercado financeiro;

  • empresas;

  • telecomunicações;

  • fibras;

  • IXs;

  • mão de obra;

  • infraestrutura;

  • consumidores;

  • provedores;

  • ecossistema tecnológico.

São Paulo é para processamento brasileiro algo próximo do que Wall Street é para finanças americanas:

gravidade.

Quanto mais infraestrutura existe, mais infraestrutura quer ficar perto dela.


⚡ 13. Mas isso cria concentração geográfica

Imagine:

BRASIL

                  Brasília
                     ●

       São Paulo
     ████████████

        Campinas
      █████████

 Rio ●

 Sul ●

 Nordeste ●

É apenas uma representação conceitual, não um mapa quantitativo.

Mas o problema é real.

Concentração produz eficiência.

Também produz risco.

Energia.

Fibra.

Subestações.

Eventos climáticos.

Falhas regionais.

Interrupções de backbone.

Se boa parte da infraestrutura crítica brasileira convergir para o mesmo eixo geográfico, surge uma pergunta desconfortável:

Quantas arquiteturas “distribuídas” estão fisicamente concentradas nos mesmos lugares?

Essa é uma pergunta extraordinariamente importante.


⚡ 14. AWS Brasil também possui geografia

A AWS possui a região brasileira sa-east-1.

Ela contém atualmente três Availability Zones:

sae1-az1
sae1-az2
sae1-az3

(Documentação AWS)

Cada AZ consiste em um ou mais data centers fisicamente separados, com energia, rede e conectividade redundantes; as zonas são conectadas por redes metropolitanas de baixa latência e alta largura de banda. (Documentação AWS)

Essa arquitetura permite:

          REGION

     ┌──────┼──────┐
     │      │      │
    AZ1    AZ2    AZ3

Se AZ1 falhar:

AZ1 💥

AZ2 ✓
AZ3 ✓

desde que sua aplicação tenha sido realmente projetada para isso.

Esse último pedaço da frase deveria estar escrito em letras garrafais.


🩺 15. “Estamos na AWS” NÃO é plano de contingência

Esta talvez seja a lição mais importante do artigo.

Alguém pergunta:

— Temos DR?

Resposta:

— Sim. Estamos na cloud.

ERRADO.

Cloud é infraestrutura.

DR é arquitetura.

Você pode construir:

APPLICATION
     |
    AZ1

e possuir um belo single point of failure.

Melhor:

       APPLICATION
          |
      ┌───┴───┐
      │       │
     AZ1     AZ2

Melhor ainda para certos sistemas críticos:

             APPLICATION
                  |
       ┌──────────┴──────────┐
       │                     │
    REGION A              REGION B
       │                     │
    AZ1/AZ2               AZ1/AZ2

E em casos extremos:

AWS
 |
 +── REGION A
 +── REGION B

PRIVATE CLOUD

IBM Z

A pergunta não é:

“Qual cloud você usa?”

É:

“Qual falha você consegue sobreviver?”


🩺 16. Multi-cloud resolve?

Talvez.

Mas existe um preço.

Você pode fazer:

              BANK
                |
       ┌────────┼────────┐
       │        │        │
      AWS      GCP     AZURE

Bonito.

Agora mantenha:

IAM
network
database
observability
deployment
security
skills
CI/CD
DR
data synchronization

em três plataformas.

Parabéns.

Você acabou de trocar:

RISCO DE CONCENTRAÇÃO

por:

COMPLEXIDADE OPERACIONAL

Arquitetura é frequentemente escolher qual problema você prefere possuir.


⚡ 17. O sistema elétrico brasileiro entrou oficialmente no war room

A EPE projeta que o consumo total de eletricidade brasileiro poderá chegar a aproximadamente 939 TWh em 2035 no cenário de referência.

O crescimento médio projetado é 3,3% ao ano. (EPE)

Mas existe algo mais interessante.

Cargas especiais — incluindo data centers, hidrogênio e eletromobilidade — podem representar parcela significativa da demanda futura, dependendo do cenário.

O próprio planejamento já considera data centers explicitamente. (EPE)

E o Brasil prevê cerca de:

R$ 120 bilhões

em investimentos no sistema de transmissão até 2035, no cenário de referência do PDE. (EPE)

O velho sysprog observa.

— Então precisamos fazer upgrade do backbone.

O engenheiro elétrico responde:

— Exatamente.

— Fibra?

— Não.

— Ethernet?

— Não.

— Então o quê?

500 kV.

Silêncio.


⚡ 18. São Paulo já precisa abrir espaço elétrico

A EPE informou que estudos concluídos recomendaram cerca de R$ 1,6 bilhão em novos investimentos de transmissão para São Paulo, capazes de liberar aproximadamente 4 GW de margem de conexão.

Outros estudos poderiam acrescentar cerca de mais 5 GW de margem no estado. (EPE)

Veja como a conversa evoluiu.

Ontem:

Precisamos de mais EC2.

Hoje:

Precisamos de mais 4 GW.

O programador pede:

kubectl scale deployment

e em algum lugar um engenheiro elétrico responde:

Calma, campeão.


🩺 19. E então IBM entra no centro cirúrgico

Agora chegamos à IBM.

Seria tentador imaginar IBM olhando Itaú, Santander e Nubank e dizendo:

CLOUD É MODA.

Não.

A resposta estratégica da IBM é muito mais sofisticada:

HYBRID CLOUD.

Não:

MAINFRAME
    OU
CLOUD

mas:

              ENTERPRISE

                  |
       ┌──────────┼──────────┐
       │          │          │
       v          v          v
     IBM Z      CLOUD     LinuxONE
       │          │          │
     CICS     Kubernetes    Linux
     COBOL      APIs       Containers
     Db2         AI          AI
       │          │          │
       └──────────┼──────────┘
                  |
                DATA

IBM percebeu que tentar impedir cloud seria inútil.

A estratégia é fazer IBM Z participar do ecossistema moderno.


🩺 20. z17 entra na guerra

E em 7 de julho de 2026 aconteceu algo simbolicamente importante.

IBM expandiu z17 e LinuxONE 5 com configurações single-frame e rack-mount.

Pela primeira vez, rack mount passou a estar disponível através de toda essa família Z/LinuxONE. (IBM Newsroom)

Isso significa colocar arquitetura Z mais naturalmente dentro da infraestrutura contemporânea de data centers.

E o comunicado da IBM toca justamente no nosso assunto:

organizações enfrentando disponibilidade extremamente baixa de espaço em data centers e custos elevados de capacidade. (IBM Newsroom)

IBM está dizendo:

Quer falar de densidade computacional? Ótimo. Vamos conversar.


⚡ 21. O mainframe encontra sua velha arma: densidade

O argumento histórico de sistemas distribuídos era:

commodity hardware
+
scale-out
=
economia

Mas quando chegamos a milhares de servidores:

SERVERS
+
NETWORK
+
STORAGE
+
COOLING
+
ENERGY
+
RACKS
+
SOFTWARE
+
OPERATIONS

precisamos mudar a métrica.

Não pergunte apenas:

Quanto custa uma VM?

Pergunte:

TRANSAÇÕES / WATT

TRANSAÇÕES / RACK

TRANSAÇÕES / m²

TRANSAÇÕES / ADMINISTRADOR

TRANSAÇÕES / DÓLAR

Agora IBM Z volta a uma conversa na qual sempre foi extremamente confortável.

Consolidação.


⚡ 22. LinuxONE torna a discussão ainda mais divertida

Porque alguém pode responder:

— Mas não quero COBOL.

IBM:

— Tudo bem.

— Quero Linux.

— Temos.

— Containers.

— Temos.

— Kubernetes.

— Temos.

— Java.

— Temos.

— Open source.

— Temos.

CLOUD-NATIVE
     |
     v
CONTAINERS
     |
     v
LINUX
     |
     v
LINUXONE

Ou seja, a batalha não é necessariamente:

MAINFRAME vs CLOUD

Pode ser:

QUAL ARQUITETURA
EXECUTA ESTE WORKLOAD
COM MELHOR

CUSTO
RESILIÊNCIA
DENSIDADE
SEGURANÇA
LATÊNCIA
ENERGIA?

Essa é uma discussão muito mais madura.


🩺 23. O futuro provavelmente será heterogêneo

Não acredito que o banco de 2035 necessariamente terá:

100% MAINFRAME

nem:

100% PUBLIC CLOUD

A tendência mais interessante é:

                    BANCO 2035

                        |
       ┌────────────────┼────────────────┐
       │                │                │
       v                v                v
     IBM Z          PUBLIC CLOUD     PRIVATE CLOUD
       │                │                │
   ledger/core        digital           dados
   settlement         analytics          IA
   high TPS             APIs          containers
       │                │                │
       └────────────────┼────────────────┘
                        |
                    APIs/EVENTS

Santander pode avançar muito mais na direção cloud.

Itaú declarou uma estratégia extremamente agressiva de migração.

Nubank já nasceu cloud-native.

Outras instituições poderão escolher misturas diferentes.

E isso é saudável.


⚠️ 24. Existe, porém, um risco novo: concentração sistêmica

Aqui está algo que merece atenção de bancos centrais, reguladores, CIOs e arquitetos.

No passado:

BANCO A → DC A

BANCO B → DC B

BANCO C → DC C

Agora imagine:

BANCO A ───┐
BANCO B ───┤
FINTECH A ─┤
FINTECH B ─┼──► HYPERSCALER / REGION
VAREJO ────┤
GOVERNO ───┤
SAAS ──────┘

Individualmente, cada empresa pode ter aumentado sua resiliência.

Coletivamente, podemos ter criado uma nova concentração.

Isso é o paradoxo.

Diversificação lógica pode esconder concentração física.

Dez bancos podem possuir arquiteturas diferentes...

executando em instalações que dependem dos mesmos corredores de fibra, da mesma região metropolitana ou de partes relacionadas do mesmo sistema elétrico.


⚠️ 25. E temos soberania

Outro problema.

Dados financeiros são infraestrutura estratégica.

Perguntas inevitáveis surgem:

Onde estão os dados?

Quem controla a infraestrutura?

Quem fabrica os processadores?

Quem controla o hypervisor?

Quem controla o software?

Quem possui as chaves?

Quem consegue desligar?

Qual legislação prevalece?

Cloud traz eficiência extraordinária.

Mas concentração em empresas estrangeiras também introduz questões de soberania tecnológica.

Isso não significa:

“cloud estrangeira é ruim”.

Significa:

infraestrutura crítica exige análise geopolítica além da análise técnica.

O CIO de 2035 precisará conversar com:

CISO
CFO
regulador
engenheiro elétrico
jurídico
geopolítica

O emprego ficou mais interessante.


⚠️ 26. Água também entra na conversa

Data centers precisam dissipar calor.

Dependendo da tecnologia de refrigeração, disponibilidade hídrica também pode ser relevante.

Então o site selection passa a considerar:

ENERGIA
+
ÁGUA
+
FIBRA
+
LATÊNCIA
+
TERRENO
+
IMPOSTOS
+
CLIMA
+
RISCO
+
MÃO DE OBRA

O data center moderno é quase uma cidade industrial.

A aplicação continua dizendo:

POST /payment

Mas atrás dela pode existir uma infraestrutura de centenas de milhões ou bilhões.


⚡ 27. A IA piora tudo — e pode ajudar

Aqui existe outro paradoxo maravilhoso.

IA aumenta brutalmente demanda computacional.

Mas IA também pode otimizar:

cooling
capacity
scheduling
energy
fraud
operations
predictive maintenance

Então:

IA
 |
 +── consome energia
 |
 └── ajuda a economizar energia

M*A*S*H teria orgulho.

Criamos um paciente que também trabalha no hospital.


🩺 28. Como deveria ser a contingência bancária?

Para um sistema realmente crítico, eu pensaria em camadas.

Nível 1 — aplicação

retry
timeout
circuit breaker
idempotency

Nível 2 — compute

multiple instances
autoscaling

Nível 3 — AZ

AZ A
AZ B
AZ C

Nível 4 — região

REGION A
REGION B

Nível 5 — plataforma

Dependendo do risco:

PUBLIC CLOUD
+
PRIVATE INFRASTRUCTURE

Nível 6 — dados

replication
backup
immutable backup
reconciliation

Nível 7 — operação

runbook
war room
chaos testing
DR exercise

Porque existe uma diferença enorme entre:

TEMOS DR

e:

TESTAMOS DR NA SEMANA PASSADA.

A segunda frase vale muito mais.


🩺 29. E não esqueça o modo degradado

Bancos deveriam perguntar:

Se 30% da infraestrutura desaparecer, precisamos realmente desligar 100% do banco?

Talvez não.

Imagine:

NORMAL MODE

PIX
CARTÃO
INVESTIMENTOS
EXTRATOS
MARKETING
RECOMENDAÇÕES
CHATBOT
ANALYTICS

Durante crise:

SURVIVAL MODE

PIX
CARTÃO
SALDO
AUTENTICAÇÃO

todo o resto:
WAIT

Aviação, telecomunicações e sistemas críticos conhecem bem esse conceito.

Preservar funções essenciais pode ser melhor que tentar manter tudo e perder tudo.


🩺 30. A grande pergunta do iniciante COBOL

Depois de tudo isso, o jovem programador pergunta:

— Então mainframe venceu?

Não.

— Cloud venceu?

Também não.

— Então quem venceu?

O velho sysprog aponta para a tomada.

— Ele.

Porque:

COBOL precisa energia.

CICS precisa energia.

Db2 precisa energia.

Kubernetes precisa energia.

Datomic precisa energia.

Kafka precisa energia.

GPU precisa MUITA energia.

Não existe:

cloud computing

sem:

electricity

A física é o sistema operacional abaixo de todos os sistemas operacionais.


☕ 31. O verdadeiro capacity planner de 2035

Talvez o capacity planner futuro não esteja olhando apenas:

CPU 73%

Ele estará olhando:

CPU ............ 73%

GPU ............ 91%

POWER .......... 87%

COOLING ........ 79%

GRID CAPACITY .. 93%

WATER .......... 68%

CARBON ......... 74%

NETWORK ........ 61%

E então perguntará:

Posso executar esse treinamento de IA agora?

Resposta:

JOB HELD

REASON:

POWER CAPACITY

O velho JES2 começa a rir em algum lugar.


🏥 Epílogo — 23h47 no M*A*S*H

Radar entra novamente.

— Coronel!

Potter olha assustado.

— O que caiu agora?

— Nada.

— Então por que está correndo?

— O pessoal da aplicação pediu mais 5.000 GPUs.

Potter olha para Hawkeye.

Hawkeye olha para B.J.

B.J. olha para Klinger.

Klinger, inexplicavelmente vestido de eletricista, pergunta:

— Quantos megawatts?

Radar consulta o papel.

Silêncio.

Potter suspira.

— Ligue para a cloud.

Radar pega o telefone.

Espera.

Desliga.

— E então?

— Disseram que precisamos falar com a concessionária.

O velho sysprog começa a rir.

Hawkeye pergunta:

— Qual a graça?

Ele abre um relatório antigo.

Na capa:

CAPACITY PLANNING
IBM MAINFRAME
1987

— Passamos quarenta anos tentando explicar que recurso computacional não é infinito.

Toma o último gole do café.

— A cloud finalmente concordou conosco.

Potter aponta para o mapa do Brasil.

São Paulo.

Campinas.

Fibra.

Subestações.

AWS.

Bancos.

Fintechs.

IA.

Data centers.

Linhas de transmissão.

Usinas.

E finalmente percebe que o diagrama correto nunca foi:

CLIENTE
  |
 APP
  |
CLOUD

Era:

                    CLIENTE
                       |
                      APP
                       |
                      API
                       |
                 MICROSERVIÇOS
                       |
             KUBERNETES / IBM Z
                       |
                DATA CENTER
                       |
                    RACK
                       |
                    CPU/GPU
                       |
                 SUBESTAÇÃO
                       |
                  TRANSMISSÃO
                       |
                    GERAÇÃO
                       |
                       ⚡

E lá embaixo, escondido sob todas as abstrações modernas, estava o verdadeiro ROOT.

Não Kubernetes.

Não AWS.

Não Clojure.

Não COBOL.

Não z/OS.

Não Linux.

Mas:

//POWER    JOB
//         EXEC PGM=ELETRICIDADE

Sem ele:

IEF450I CLOUD - ABEND=S0WATT

Hawkeye observa a tela.

— Podemos reiniciar?

O engenheiro elétrico responde:

— A usina?

— É.

— Não recomendo.

Potter fecha o prontuário.

Diagnóstico final

O futuro bancário brasileiro não será decidido apenas pela disputa:

mainframe versus cloud.

Será decidido pela capacidade de combinar computação, energia, telecomunicações, resiliência, segurança, soberania, economia e arquitetura.

O Nubank mostrou que uma instituição cloud-native pode alcançar escala bancária monumental.

O Itaú declarou uma rota para levar até seu coração transacional para cloud.

O Santander está transformando seu core através do Gravity.

AWS e outras hyperscalers continuam expandindo infraestrutura.

IBM responde apostando em hybrid cloud, IA, LinuxONE, z17 e densidade computacional.

E a IA acrescenta uma demanda gigantesca que nenhum capacity planner bancário de 1990 imaginaria.

Enquanto isso, o Brasil possui projetos de data centers que somavam 26,2 GW de pedidos em processo no MME em novembro de 2025, embora apenas uma fração disso necessariamente venha a se materializar. São Paulo concentra grande parte dessa corrida e já exige bilhões em expansão da transmissão. (EPE)

Portanto, talvez a grande discussão da próxima década não seja:

“COBOL ou Java?”

Nem:

“IBM Z ou AWS?”

Nem mesmo:

“Mainframe ou Kubernetes?”

Talvez seja:

“Onde estão os próximos 500 megawatts, quanto custam, como chegam até o data center e o que acontece com meu banco se eles desaparecerem?”

E quando essa pergunta finalmente chegar à reunião de arquitetura, haverá um velho sysprog no fundo da sala.

Ele não dirá nada.

Apenas abrirá o RMF.

Pegará o café.

E sorrirá.

Porque, depois de cinquenta anos de revoluções tecnológicas, alguém finalmente redescobriu a primeira lei não escrita do CPD:

Você pode virtualizar o servidor. Pode abstrair o storage. Pode containerizar a aplicação. Pode distribuir o banco. Pode chamar o datacenter de cloud. Pode até pedir para uma IA escrever o código.

Mas ainda não inventaram autoscaling para a tomada.

Fim do café.

O Funeral que Nunca Aconteceu : A História da Morte do Mainframe... Contada por Quem Sobreviveu

Bellacosa Mainframe e a morte do Mainframe e Cobol

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Funeral que Nunca Aconteceu

A História da Morte do Mainframe... Contada por Quem Sobreviveu

Uma jornada histórica por 14 capítulos que revisitam as previsões sobre o fim do mainframe e mostram como IBM Z, COBOL, CICS, Db2 e z/OS continuaram evoluindo até a era do IBM z17 e da Inteligência Artificial.

Por

 O Funeral que Nunca Aconteceu, série histórica sobre as previsões da morte do mainframe
Uma viagem pelas manchetes que anunciaram a morte do mainframe e pela evolução que conduziu a plataforma até o IBM z17.

“A melhor maneira de entender o futuro é estudar as previsões que nunca aconteceram.”

— Bellacosa Mainframe



Bellacosa Mainframe e seu thesaurus El Jefe Midnight Lunch

Introdução

Existe uma frase muito conhecida na tecnologia:

"O Mainframe vai morrer."

Ela foi repetida tantas vezes que acabou se tornando uma espécie de tradição da indústria.

Durante décadas, jornalistas, analistas, consultores e fabricantes anunciaram o fim da plataforma IBM Mainframe.

Alguns diziam que seria substituída pelos PCs.

Depois vieram as workstations.

Em seguida o Client/Server.

Depois Windows NT.

Java.

Linux.

Cloud.

Microservices.

Blockchain.

Metaverso.

Agora Inteligência Artificial.

O curioso é que todas essas tecnologias realmente revolucionaram a computação.

Mas nenhuma conseguiu fazer aquilo que tantas manchetes prometeram:

Substituir completamente o Mainframe.

Este artigo reúne toda essa jornada histórica, baseada nas reportagens preservadas pelo Professor Wolfgang Spruth em seu clássico trabalho The Death of the Mainframe, acrescentando uma visão moderna de quem vive diariamente o IBM Z em 2026.

Pegue um café.

Vamos revisitar quase quarenta anos de História da Computação.


Capítulo 1

O Funeral que Nunca Aconteceu

Abrimos nossa jornada voltando ao final dos anos 80, quando a indústria começou a decretar oficialmente a morte do Mainframe.

Mostramos como surgiu essa narrativa e como, enquanto jornais anunciavam o funeral, bancos, seguradoras, governos e companhias aéreas continuavam processando bilhões de transações em COBOL, CICS e Db2.

Foi o início da maior ironia da computação.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-1-o-funeral-que-nunca-aconteceu.html


Capítulo 2

A Década dos Buzzwords

Entramos na verdadeira fábrica de modismos tecnológicos.

Client/Server.

Downsizing.

Open Systems.

Distributed Computing.

Windows NT.

RISC.

Cada nova palavra parecia carregar uma promessa:

"Agora acabou para o Mainframe."

Descobrimos que buzzwords mudam rapidamente.

Problemas de negócio não.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-2-decada-dos-buzzwords.html


Capítulo 3

Wolfgang Spruth — O Historiador do Mainframe

Conhecemos o professor alemão Wolfgang Spruth.

Em vez de discutir com jornalistas, ele tomou uma atitude muito mais inteligente.

Arquivou todas as manchetes.

Graças ao seu trabalho, hoje podemos estudar essas previsões como documentos históricos, compreendendo o contexto em que foram escritas e por que pareciam tão convincentes.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-3-o-professor-que-arquivou-o.html


Capítulo 4

Forbes (1989)

Analisamos uma das primeiras grandes reportagens que classificaram o Mainframe como um "dinossauro tecnológico".

Descobrimos que a Forbes acertou ao perceber a ascensão dos computadores pessoais.

Mas errou ao acreditar que crescimento significava substituição.

Enquanto a reportagem era publicada...

Os sistemas continuavam funcionando normalmente.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-4-forbes-1989.html


Capítulo 5

The New York Times (1989)

O tema saiu das revistas especializadas e chegou ao grande público.

O New York Times popularizou mundialmente a imagem do Mainframe como uma tecnologia destinada ao desaparecimento.

Explicamos por que aquela conclusão parecia lógica na época e mostramos como ela ignorava o verdadeiro patrimônio das empresas: décadas de regras de negócio.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-5-new-york-times-1989.html


Capítulo 6

InfoWorld (1991)

Chegamos à previsão mais famosa da História da Computação.

Stewart Alsop declarou que:

"Em 15 de março de 1996 alguém desligará o último Mainframe."

A data chegou.

O Mainframe permaneceu ligado.

Décadas depois, o próprio autor reconheceria publicamente o equívoco.

Hoje essa previsão tornou-se um dos maiores exemplos de como extrapolar tendências pode produzir conclusões equivocadas.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-6-infoworld-1991.html


Capítulo 7

New York Times (1993)

Mesmo após quatro anos de transformações, o jornal voltou ao tema afirmando que o Mainframe estava "correndo rumo à extinção".

Mostramos por que a computação realmente estava mudando profundamente, mas também por que evolução da arquitetura não significava desaparecimento da plataforma.

Enquanto manchetes eram publicadas...

Os sistemas continuavam processando milhões de transações.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-7-new-york-times-1993.html


Capítulo 8

Business Week (1994)

O primeiro grande sinal de mudança.

George Colony, da Forrester Research, declarou:

"It's the end of the end for the mainframes."

A indústria começava a perceber que talvez tivesse enterrado o paciente cedo demais.

Os primeiros projetos gigantescos de migração revelavam custos, riscos e complexidade muito maiores do que o previsto.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-8-business-week-1994.html


Capítulo 9

O Que Realmente Aconteceu

Saímos das manchetes e acompanhamos a evolução verdadeira da plataforma.

Parallel Sysplex.

CMOS.

Linux on IBM Z.

Java.

Virtualização.

zAAP.

zIIP.

Web Services.

REST.

OpenShift.

Zowe.

Ansible.

BOB.

watsonx.

IBM z17.

Enquanto alguns aguardavam o funeral...

A IBM construía uma das plataformas mais modernas da computação corporativa.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-9-o-que-realmente-aconteceu.html


Capítulo 10

Por Que Todos Erraram?

Este talvez seja o capítulo mais importante.

Demonstramos que o erro nunca foi técnico.

O erro foi analisar apenas hardware.

Poucos perceberam que empresas não compram computadores.

Empresas acumulam conhecimento.

E conhecimento não é substituído simplesmente porque surgiu um processador mais rápido.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-10-por-que-tantas-previsoes.html


Capítulo 11

O Cemitério dos Buzzwords

Visitamos, com humor, um enorme cemitério imaginário.

Client/Server.

Windows NT.

SOA.

ERP.

Cloud.

Blockchain.

Metaverso.

Todos prometeram substituir completamente o Mainframe.

Nenhum conseguiu.

Não porque fossem tecnologias ruins.

Mas porque o Mainframe fez algo muito mais inteligente.

Integrou todas elas.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-11-o-cemiterio-dos-buzzwords.html


Capítulo 12

O Legado dos Profetas

Chegamos a 2026.

IBM z17.

watsonx.

COBOL moderno.

Db2 13.

CICS TS.

BOB.

OpenShift.

DevOps.

Mostramos que a verdadeira força do Mainframe nunca foi resistir às mudanças.

Foi evoluir continuamente.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-12-o-legado-dos-profetas-e.html


Capítulo 13

A IA e o Próximo Funeral

A História está se repetindo.

Hoje muitas manchetes afirmam que a Inteligência Artificial eliminará programadores.

Talvez.

Talvez não.

Depois de estudar quarenta anos de previsões aprendemos uma lição.

Desconfie sempre de afirmações absolutas.

A IA provavelmente transformará profundamente o desenvolvimento de software.

Mas também poderá tornar COBOL, Db2 e o IBM Z ainda mais produtivos.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-13-os-profetas-da-ia-e-o.html


Capítulo 14

O Julgamento da História

Encerramos nossa jornada imaginando um grande tribunal.

As testemunhas não eram jornalistas.

Eram bancos.

Companhias aéreas.

Seguradoras.

Governos.

Programadores.

DBAs.

Sysprogs.

Arquitetos.

No final, o juiz — representado pela própria História — conclui algo extraordinário.

Os jornalistas não estavam de má-fé.

Eles apenas tentaram prever o futuro.

O problema é que o futuro resolveu seguir um caminho muito mais interessante.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/capitulo-14-o-julgamento-da-historia.html


Bellacosa Mainframe e a conclusão da Saga a Morte do Mainframe

A Grande Lição

Depois de estudar quase quarenta anos de previsões existe uma conclusão inevitável.

As tecnologias realmente revolucionárias não costumam destruir imediatamente aquelas que vieram antes.

Elas convivem.

Integram-se.

Aprendem umas com as outras.

Foi assim com:

  • PCs.

  • UNIX.

  • Linux.

  • Internet.

  • Java.

  • Cloud.

  • Containers.

  • Kubernetes.

  • DevOps.

  • Inteligência Artificial.

Todas transformaram a computação.

E todas, de alguma forma, passaram a fazer parte do ecossistema IBM Z.

O verdadeiro vencedor nunca foi o Mainframe.

Nem o Client/Server.

Nem o Cloud.

Nem a IA.

O verdadeiro vencedor foi a Engenharia.


Uma mensagem ao Padawan COBOL

Se você está começando sua jornada...

Nunca escolha uma tecnologia apenas porque ela está na moda.

Escolha porque ela resolve problemas.

Nunca abandone uma plataforma apenas porque alguém a chamou de "legado".

Descubra primeiro se ela continua gerando valor.

Nunca confunda marketing com arquitetura.

Nunca confunda hype com inovação.

E, principalmente...

Nunca deixe de estudar História.

Porque quem conhece o passado dificilmente será enganado pelos mesmos discursos no futuro.


Epílogo

Em 1989 disseram que era um dinossauro.

Em 1991 marcaram sua morte.

Em 1993 afirmaram que caminhava para a extinção.

Em 1994 começaram a voltar atrás.

Em 2026...

O IBM z17 executa Inteligência Artificial.

O watsonx auxilia decisões corporativas.

O COBOL continua movimentando trilhões de dólares.

O Db2 protege dados críticos.

O CICS processa bilhões de transações.

O z/OS integra cloud híbrida.

O BOB moderniza pipelines.

O Zowe aproxima novas gerações.

O Mainframe nunca sobreviveu porque resistiu ao futuro.

Ele sobreviveu porque aprendeu a evoluir junto com ele.

E talvez essa seja a maior lição deixada pelo Professor Wolfgang Spruth.

A História nunca matou o Mainframe.

Ela apenas demonstrou que boas arquiteturas envelhecem muito melhor do que boas manchetes.


☕ Que a Engenharia esteja com você.

Sempre. 


Índice completo da série

  1. Capítulo 1 — O Funeral que Nunca Aconteceu
  2. Capítulo 2 — A Década dos Buzzwords
  3. Capítulo 3 — O Professor que Arquivou o Funeral
  4. Capítulo 4 — Forbes (1989)
  5. Capítulo 5 — The New York Times (1989)
  6. Capítulo 6 — InfoWorld (1991)
  7. Capítulo 7 — The New York Times (1993)
  8. Capítulo 8 — Business Week (1994)
  9. Capítulo 9 — O Que Realmente Aconteceu
  10. Capítulo 10 — Por Que Tantas Previsões Erraram?
  11. Capítulo 11 — O Cemitério dos Buzzwords
  12. Capítulo 12 — O Legado dos Profetas
  13. Capítulo 13 — Os Profetas da IA e o Próximo Funeral
  14. Capítulo 14 — O Julgamento da História

A grande lição

O mainframe não permaneceu relevante porque rejeitou PCs, Linux, Java, cloud, containers, DevOps ou Inteligência Artificial. Ele permaneceu relevante porque incorporou essas tecnologias sem abandonar disponibilidade, segurança, desempenho, compatibilidade e décadas de regras de negócio.

Uma mensagem ao Padawan COBOL

Nunca escolha uma tecnologia apenas porque ela está na moda. Escolha porque ela resolve problemas reais. Nunca abandone uma plataforma apenas porque alguém a chamou de legado. Descubra primeiro se ela continua gerando valor.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu





C:\BELLACOSA\COBOL\FUNERAL_QUE_NUNCA_ACONTECEU.HTML
★ BELLACOSA MAINFRAME APRESENTA ★

A MORTE DO COBOL

O Funeral que Nunca Aconteceu

Uma investigação histórica em 14 capítulos sobre as previsões, reportagens, buzzwords e profetas que anunciaram repetidamente o fim do COBOL — enquanto bilhões de transações continuavam sendo processadas silenciosamente.

SISTEMA ONLINE — 14 CAPÍTULOS DISPONÍVEIS
DIRETÓRIO DE CAPÍTULOS

README.TXT

Esta série investiga uma das narrativas mais repetidas da história da tecnologia: a suposta morte do COBOL. Durante décadas, revistas, jornais, consultorias e especialistas anunciaram seu desaparecimento. Entretanto, o COBOL permaneceu processando bancos, seguradoras, governos, cartões, pagamentos e sistemas críticos.

Os títulos e links acima são elementos HTML reais, permitindo que mecanismos de busca encontrem e rastreiem todos os capítulos. Os iframes funcionam apenas como previews visuais.

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★ BELLACOSA MAINFRAME ★ COBOL ★ IBM Z ★ HISTÓRIA DA COMPUTAÇÃO ★

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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