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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

☕🔥 REXX Hardcore no z/OS — automação, controle e poder operacional

 

Bellacosa Mainframe apresenta o REXX

☕🔥 REXX Hardcore no z/OS — automação, controle e poder operacional  

Se você já salvou produção com um exec improvisado, já rasgou SDSF via ADDRESS, ou já ouviu

“isso dá pra automatizar em REXX, né?”
então puxa a cadeira.
Aqui é REXX técnico, sem verniz didático e com cheiro de madrugada.


🕰️ Histórico & Origem — por que o REXX virou arma de produção

O REXX (Restructured Extended Executor) nasce na IBM nos anos 80 com uma missão clara:

  • Substituir JCL “verboso”

  • Padronizar scripts

  • Criar uma linguagem legível, extensível e integrada ao sistema

Ele não foi feito para ser “bonito”.
Foi feito para controlar ambiente.

☕ Verdade histórica:

REXX não é linguagem de apoio — é linguagem de governo operacional.


🧠 Conceito de Ambiente de Processamento

REXX não executa no vácuo.
Ele sempre roda dentro de um ambiente:

  • TSO/E

  • Batch

  • SDSF

  • ISPF

  • CICS (indiretamente)

  • Programas externos

Cada ambiente define:

  • Comandos válidos

  • RC interpretado

  • Recursos disponíveis

  • Permissões RACF

🔥 Easter egg:
O mesmo EXEC pode funcionar em TSO e falhar em Batch sem mudar uma linha.


🧩 Fundamentos da Linguagem — simples na superfície, profunda no núcleo

Sintaxe & Elementos

  • Tipagem dinâmica

  • Strings como cidadão de primeira classe

  • Sem declaração obrigatória

  • Case-insensitive (armadilha clássica)

📌 Exemplo:

parse upper arg parm1 parm2 if parm1 = '' then exit 8

☕ Comentário ácido:
REXX perdoa erro demais — e isso cobra seu preço em produção.


🏗️ Estrutura de um Programa REXX

Todo EXEC sério tem:

  1. Identificação

  2. Validação de ambiente

  3. Tratamento de RC

  4. Controle de erro

  5. Cleanup

📌 Exemplo base:

/* REXX */ signal on error signal on failure signal on syntax address tso "ALLOC FI(IN) DA('DATASET') SHR" ... exit 0

🔥 Veterano sabe:
EXEC sem SIGNAL ON é convite ao caos.


🧮 Estrutura de Dados — tabelas na memória

REXX não tem array clássico.
Tem stem variables.

tab.1 = 'A' tab.2 = 'B' tab.0 = 2

☕ Curiosidade:
Stem mal controlado vira memory leak conceitual.


📂 Acesso a Arquivos & Geração de Relatórios

  • ALLOC / FREE

  • EXECIO DISKR / DISKW

  • Geração de relatórios spoolados

  • Integração com SORT

📌 Exemplo:

"EXECIO * DISKR IN (STEM L.)" do i=1 to L.0 say L.i end

🔥 Easter egg:
EXECIO ignora erro… até você checar o RC.


🔃 Classificação & Manipulação de Dados

  • SORT via IDCAMS

  • SORT via ICETOOL

  • Manipulação em memória (lento)

  • Pipeline híbrido REXX + SORT

☕ Regra de produção:

Se precisa ordenar muito, não é REXX — é SORT.


🗂️ Acesso a Diretório de PDS

REXX + ISPF services:

  • LMDINIT

  • LMMLIST

  • LMCLOSE

📌 Exemplo:

address ispexec "LMINIT DATAID(DID) DATASET('MY.PDS')" "LMMLIST DATAID(DID) OPTION(LIST)"

🔥 Veterano:
ISPF services dão poder… e risco.


🧑‍💻 Interatividade com Usuário (TSO)

  • Pseudo-conversational

  • Command-level

  • SAY / PULL

  • Mensagens controladas

☕ Fofoquice:
Interface feia, mas resolve crise em minutos.


🧪 Modos de Execução REXX

🟢 REXX Linha de Comando (Online)

  • Interativo

  • Debug rápido

  • Dependente de perfil

🟡 REXX Batch Script (Interpretado)

  • Executa via IKJEFT01

  • Dependente de ambiente

  • Mais flexível

🔴 REXX Batch Compilado

  • Performance superior

  • RC previsível

  • Menos tolerante a erro

  • Exige processo de build

🔥 Script vs Compilado:

Interpretado é agilidade.
Compilado é confiabilidade.


🔐 REXX + RACF

REXX não ignora segurança:

  • Herda permissões do usuário

  • Pode consultar via RACROUTE (indireto)

  • Controla acesso via classes

☕ Verdade dura:
EXEC com SPECIAL é bomba com pavio curto.


🗄️ REXX + DB2

  • DSNREXX

  • SQL dinâmico

  • RC + SQLCODE + SQLSTATE

  • Automação de consultas e relatórios

📌 Exemplo:

ADDRESS DSNREXX "EXECSQL SELECT COUNT(*) INTO :CNT FROM SYSIBM.SYSTABLES"

🔥 Easter egg:
SQLCODE ignorado vira incidente invisível.


🔀 ADDRESS — o coração da integração

ADDRESS muda o destino dos comandos:

  • TSO

  • ISPEXEC

  • SDSF

  • CONSOLE

  • DSNREXX

☕🔥 Regra sagrada:

Quem domina ADDRESS domina o sistema.


🔢 Return Code (RC) — o idioma da produção

  • RC ≠ erro sempre

  • RC precisa ser interpretado

  • Padronização é vital

if rc > 4 then exit rc

🔥 Veterano:
RC não tratado é mentira operacional.


📘 Programa do Curso — visão hardcore

Estrutura Geral / Labs

  • Ambiente restritivo

  • Casos reais

  • Incidentes simulados

Instruções REXX

  • IF, DO, SELECT

  • SIGNAL, EXIT

  • PARSE

Funções Internas / Sub-rotinas

  • Modularização

  • Reuso

  • Controle de escopo

Comandos REXX

  • SAY, PULL, TRACE

  • QUEUE / PULL

  • EXECIO

Funções TSO / CONSOLE

  • WTO

  • MODIFY

  • DUMP

  • SDSF

INTERPRET (🔥 perigoso)

  • Execução dinâmica

  • Flexibilidade extrema

  • Risco máximo

☕ Comentário ácido:

INTERPRET é poder absoluto — use sóbrio.


🥚 Easter Eggs & Fofoquices REXX

  • Todo ambiente tem um EXEC “salvador”

  • Sempre existe um REXX sem comentários rodando há anos

  • O melhor REXX é o que não precisa ser explicado

  • Debug começa com TRACE ?R


☕🔥 Conclusão — Manifesto El Jefe REXX

REXX não é:

  • Script simples

  • Linguagem de iniciante

  • Alternativa ao COBOL

REXX é:

  • Cola do z/OS

  • Automação estratégica

  • Ferramenta de sobrevivência em produção

☕🔥 Quem domina REXX,
não programa apenas —
orquestra o mainframe.


Robert E. Howard : Quando um Programador Descobre que o Homem que Criou Conan Também Escreveu a Arquitetura da Fantasia Moderna

 

Bellacosa Mainframe apresenta o lendario Robert E. Howard criador do Conan o Barbaro

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Robert E. Howard sem Mistérios para Programadores COBOL

Quando um Programador Descobre que o Homem que Criou Conan Também Escreveu a Arquitetura da Fantasia Moderna Como Quem Projetava um Sistema Crítico de Mainframe

"Alguns programadores escrevem software que sobrevive décadas. Robert E. Howard escreveu personagens que sobreviveram quase um século."


Introdução – O Programador Invisível da Fantasia

Existe uma pergunta curiosa.

Quem inventou o COBOL?

Grace Hopper participou da sua criação.

Quem inventou C?

Dennis Ritchie.

Quem inventou Java?

James Gosling.

Quem inventou Linux?

Linus Torvalds.

Agora faça outra pergunta.

Quem inventou praticamente toda a fantasia heroica moderna?

Pouquíssima gente conhece a resposta.

Robert Ervin Howard.

Seu nome talvez não seja imediatamente reconhecido.

Mas seus personagens...

Esses você conhece.

Conan.

Kull.

Solomon Kane.

Bran Mak Morn.

Red Sonja (que mais tarde seria expandida por Roy Thomas a partir de uma personagem de Howard).

Centenas de conceitos utilizados hoje em RPGs, videogames, mangás, filmes e séries nasceram de sua imaginação.

Curiosamente...

Ele fez tudo isso antes dos trinta anos de idade.

Para um programador COBOL existe uma analogia perfeita.

Howard foi para a literatura o que um arquiteto de sistemas foi para o mainframe.

Ele não criou apenas programas.

Criou uma plataforma inteira.


O Menino do Texas

Robert Ervin Howard nasceu em 22 de janeiro de 1906, em Peaster, Texas.

Seu pai era médico.

Na infância a família mudou diversas vezes acompanhando cidades ligadas ao petróleo.

Isso parece um detalhe.

Mas mudou completamente sua forma de escrever.

Howard cresceu observando cidades nascerem praticamente da noite para o dia.

Homens enriquecendo.

Empresas desaparecendo.

Violência.

Ganância.

Corridas pelo ouro negro.

Tudo isso moldou sua visão de mundo.

Ele percebeu algo muito cedo.

Civilizações não são eternas.

Empresas também não.

Tecnologias muito menos.

Esse pensamento aparece em praticamente todos os seus contos.


Howard Era um Arquiteto de Mundos

Muita gente acredita que Howard simplesmente escrevia aventuras.

Não.

Ele fazia algo muito mais sofisticado.

Primeiro criava:

  • geografia;

  • história;

  • economia;

  • religião;

  • política;

  • povos;

  • idiomas;

  • cultura;

  • conflitos.

Só depois escrevia as histórias.

Isso lembra muito um arquiteto de software.

Antes do primeiro programa existir, define-se:

  • arquitetura;

  • camadas;

  • banco de dados;

  • comunicação;

  • segurança;

  • desempenho;

  • disponibilidade.

Howard fazia exatamente isso.


A Era Hiboriana: um Grande Projeto de Software

Quando criou Conan, Howard percebeu um problema.

Se utilizasse História real...

ficaria preso aos fatos.

Então criou uma linha do tempo completamente nova.

A famosa Era Hiboriana.

Era praticamente um framework.

Depois disso bastava adicionar novas histórias.

É semelhante ao que fazemos hoje criando uma plataforma corporativa.

Primeiro vem a arquitetura.

Depois surgem centenas de aplicações.


Weird Tales: O GitHub da Década de 1930

Howard publicou grande parte de sua obra na lendária revista Weird Tales.

Imagine uma mistura de:

GitHub.

Medium.

Dev.to.

LinkedIn.

Revista científica.

Tudo ao mesmo tempo.

Era ali que escritores publicavam seus trabalhos.

Ali também estavam:

  • H. P. Lovecraft;

  • Clark Ashton Smith;

  • Seabury Quinn.

Esses autores trocavam cartas constantemente.

Não existia Internet.

Não existia e-mail.

Mesmo assim construíram uma comunidade criativa extremamente ativa.

Era praticamente um Open Source da literatura.


Easter Egg nº 1

Howard e Lovecraft escreveram dezenas de cartas discutindo filosofia, história, religião e literatura.

Essas conversas influenciaram diretamente a criação dos universos de ambos.

É como acompanhar hoje uma longa discussão técnica entre os criadores do Linux e do Kubernetes.


Conan Não Foi Seu Primeiro Personagem

Essa talvez seja uma das maiores surpresas.

Antes de Conan vieram vários personagens.

Entre eles:

  • Solomon Kane;

  • Kull;

  • Bran Mak Morn;

  • Sailor Steve Costigan;

  • El Borak.

Cada personagem explorava um aspecto diferente da natureza humana.

Conan acabou ficando famoso.

Mas Howard jamais escreveu apenas fantasia.


O Método Howard

Existe um depoimento famoso.

Howard dizia que não inventava Conan.

Ele apenas observava.

Segundo ele:

Conan "sentava-se ao seu lado" e contava suas aventuras.

Parece superstição.

Na verdade descreve algo conhecido por escritores.

Quando o personagem está suficientemente desenvolvido...

ele praticamente ganha vida.

Curiosamente acontece o mesmo com sistemas muito grandes.

Depois de décadas de evolução...

eles parecem possuir personalidade própria.

Todo veterano COBOL sabe disso.


O Código Invisível

Imagine um sistema legado.

Você abre um programa.

Não conhece quem escreveu.

Mas consegue perceber:

esse programador gostava de tabelas.

esse preferia PERFORM.

aquele utilizava GO TO.

outro fazia tudo modular.

Autores deixam assinaturas invisíveis.

Howard também.

Depois de alguns contos conseguimos identificar imediatamente seu estilo.


A Filosofia das Civilizações

Existe um tema recorrente.

Howard acreditava que:

civilizações crescem;

ficam ricas;

tornam-se burocráticas;

enfraquecem;

desaparecem.

Enquanto povos considerados "bárbaros" continuam evoluindo.

Essa ideia aparece em:

Conan.

Kull.

Bran Mak Morn.

É praticamente uma teoria sobre inovação.


Easter Egg nº 2

Décadas depois diversos historiadores observaram semelhanças entre a visão de Howard e teorias sobre ascensão e queda de impérios discutidas por autores como Oswald Spengler e Arnold Toynbee.


Howard e o Mainframe

Existe uma curiosidade interessante.

Mainframes também envelhecem.

Não porque fiquem ruins.

Mas porque acumulam conhecimento.

Um sistema bancário com cinquenta anos possui milhares de decisões incorporadas.

Howard descrevia reinos exatamente assim.

Castelos construídos sobre castelos.

Templos sobre templos.

Civilizações sobre civilizações.

É impossível não lembrar de aplicações COBOL que carregam decisões tomadas ainda na década de 1970.


Seus Personagens São Arquétipos

Conan representa sobrevivência.

Kull representa liderança.

Solomon Kane representa justiça.

Bran Mak Morn representa resistência.

El Borak representa adaptação cultural.

Cada personagem resolve um tipo diferente de problema.

Isso lembra orientação a objetos.

Cada classe possui responsabilidades específicas.


Howard Era Historiador?

Não oficialmente.

Mas estudava História compulsivamente.

Colecionava livros.

Pesquisava povos antigos.

Mitologias.

Armas.

Guerras.

Civilizações.

Grande parte do realismo presente em suas obras vem desse hábito.


Easter Egg nº 3

Howard frequentemente escrevia mapas completos dos reinos antes de produzir qualquer conto.

Décadas depois Tolkien faria algo semelhante.

Hoje chamamos isso de worldbuilding.


A Tragédia

Infelizmente sua vida terminou cedo.

Em 1936 sua mãe entrou em coma irreversível.

Howard possuía enorme ligação emocional com ela.

Ao saber que dificilmente despertaria, entrou em profunda crise.

No dia 11 de junho de 1936, aos 30 anos, disparou contra si mesmo. Morreu no dia seguinte, 12 de junho de 1936.

Sua mãe faleceu pouco depois.

Foi um desfecho trágico para um autor que produziu uma obra gigantesca em tão pouco tempo.

É importante tratar esse episódio com respeito. Ele não define sua contribuição literária, mas faz parte de sua história.


Quanto Howard Produziu?

Mesmo vivendo apenas trinta anos...

escreveu centenas de obras.

Entre elas:

  • contos;

  • poemas;

  • cartas;

  • ensaios;

  • histórias de faroeste;

  • boxe;

  • horror;

  • aventura;

  • fantasia;

  • ficção histórica.

Seu ritmo impressiona.

Era praticamente uma fábrica de criatividade.


Curiosidade Técnica

Howard escrevia em máquina de escrever.

Sem:

CTRL+Z.

Git.

Backup automático.

Cloud.

Auto Save.

Versionamento.

Se errasse uma página inteira...

precisava recomeçar.

Hoje reclamamos quando o IDE demora cinco segundos para abrir.


Easter Egg nº 4

Howard escreveu muitos contos por necessidade financeira.

Era um escritor profissional em uma época em que viver exclusivamente da escrita era extremamente difícil.

Cada conto vendido ajudava a sustentar sua vida cotidiana.


Howard Influenciou Quase Tudo

É difícil listar todos.

Mas encontramos sua influência em:

Dungeons & Dragons.

Warhammer.

Magic The Gathering.

Diablo.

The Witcher.

Elden Ring.

Dark Souls.

Berserk.

Record of Lodoss War.

Goblin Slayer.

Dragon's Dogma.

Skyrim.

Conan Exiles.

Pathfinder.

Praticamente toda fantasia de espada e feitiçaria moderna carrega algum traço de Howard.

Até mesmo muitos mangás e animes inspirados em fantasia medieval herdaram elementos que ele ajudou a consolidar: heróis errantes, reinos decadentes, ruínas de civilizações antigas e a mistura de aventura com horror cósmico.


Howard e Lovecraft

Os dois são frequentemente comparados.

Mas escreviam coisas completamente diferentes.

Lovecraft dizia:

O homem é insignificante diante do universo.

Howard dizia:

Mesmo diante de um universo hostil...

o homem ainda pode lutar.

Essa diferença explica Conan.

Explica Kane.

Explica Kull.

Howard acreditava na capacidade humana de reagir.


A Maior Lição para um Programador COBOL

Existe um motivo pelo qual Howard continua relevante quase cem anos depois.

Ele nunca escreveu pensando apenas na moda do momento.

Escreveu sobre:

coragem;

medo;

civilização;

mudança;

liderança;

ambição;

queda;

renascimento.

Esses temas nunca envelhecem.

O mesmo acontece com COBOL.

Linguagens mudam.

Frameworks aparecem e desaparecem.

Ferramentas recebem novos nomes.

Mas sistemas críticos continuam precisando de:

clareza;

confiabilidade;

resiliência;

manutenibilidade.

São princípios permanentes.


Curiosidades que Pouca Gente Conhece

Conan nunca encontrou Kull

Apesar de viverem no mesmo universo fictício, suas épocas são separadas por milhares de anos.


Howard praticava boxe

Seu interesse pelo esporte influenciou profundamente a maneira como descrevia combates: diretos, físicos e convincentes.


A correspondência de Howard é gigantesca

Suas cartas são consideradas uma fonte preciosa para entender seu processo criativo e sua visão sobre história e literatura.


A Era Hiboriana possui cronologia própria

Howard escreveu uma cronologia relativamente detalhada para manter consistência entre suas histórias, algo muito semelhante ao cuidado de manter uma arquitetura coerente em um sistema de grande porte.


O Verdadeiro Legado

Quando pensamos em Robert E. Howard, é fácil imaginar apenas um escritor de aventuras.

Isso seria uma enorme injustiça.

Ele foi um engenheiro de imaginação.

Construiu universos completos.

Projetou arquiteturas narrativas.

Definiu regras.

Criou padrões.

Produziu documentação.

Depois implementou centenas de histórias sobre essa base.

É exatamente o trabalho de um grande arquiteto de software.


Conclusão – O Arquiteto Invisível da Fantasia

Existe uma curiosa semelhança entre Robert E. Howard e os grandes profissionais de mainframe.

Ambos raramente recebem o reconhecimento proporcional ao impacto de seu trabalho.

Milhões de pessoas utilizam diariamente sistemas escritos em COBOL sem jamais saber quem desenvolveu aquelas aplicações. Da mesma forma, milhões assistem a filmes, jogam RPGs, leem mangás ou exploram videogames inspirados na fantasia heroica sem perceber que muitas das ideias fundamentais nasceram na mente de um jovem escritor texano.

Howard não apenas criou personagens inesquecíveis. Ele estabeleceu uma forma de construir mundos. Sua metodologia de planejamento, coerência histórica, geografia, política e cultura lembra a criação de uma arquitetura corporativa robusta, na qual cada componente possui uma função clara e faz sentido dentro do conjunto.

Conan ensinou coragem.

Kull ensinou liderança.

Solomon Kane ensinou investigação.

Mas o próprio Robert E. Howard ensinou algo ainda maior: antes de existir uma grande aplicação, precisa existir uma grande arquitetura.

No desenvolvimento de software, isso significa projetar antes de codificar.

Na literatura, significou construir um universo antes de escrever a primeira aventura.

Talvez seja por isso que, quase noventa anos após sua morte, suas histórias continuem vivas. Porque elas foram erguidas sobre fundamentos sólidos, assim como os melhores sistemas COBOL que ainda sustentam bancos, governos, seguradoras e empresas ao redor do mundo.

No fim das contas, Robert E. Howard nunca foi apenas um escritor.

Foi o arquiteto-chefe de uma plataforma criativa que continua sendo executada em produção pela imaginação da humanidade, release após release, geração após geração — um verdadeiro sistema legado de excelência, sem previsão de descontinuação.

sábado, 9 de outubro de 2010

Júlio Verne: o Homem que Inventou o Futuro Antes de o Futuro Dar IPL

 

Bellacosa Mainframe apresente Julio Verne

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Júlio Verne: o Homem que Inventou o Futuro Antes de o Futuro Dar IPL

🎩🌍🚀 Do centro da Terra à Lua, das profundezas do oceano aos confins do mundo — o escritor que transformou ciência, engenharia e imaginação em documentação técnica para aventuras que ainda não existiam

Imagine um programador recebendo a seguinte especificação:

Precisamos construir um submarino elétrico capaz de atravessar oceanos, uma máquina para viajar às profundezas da Terra, um veículo capaz de chegar à Lua e uma estratégia logística para dar a volta ao planeta em oitenta dias.

Prazo?

Século XIX.

Hardware disponível?

Máquina a vapor.

Internet?

Não instalada.

Stack tecnológico?

Carvão, aço, telégrafo, bússola e uma quantidade industrial de coragem.

O arquiteto responsável?

Jules Gabriel Verne.

Ou, para nós, Júlio Verne.

E talvez essa seja uma das maneiras mais interessantes de compreender sua obra.

Verne não escrevia simplesmente histórias fantásticas.

Ele pegava tecnologias existentes, observava para onde elas poderiam evoluir, adicionava engenharia, geografia, ciência, política, capitalismo, imperialismo e uma dose cavalar de imaginação e perguntava:

“E se levarmos isso até o limite?”

Esse homem estava fazendo technology forecasting quando ninguém tinha inventado o PowerPoint para colocar isso num quadrante colorido.



🧔 QUEM FOI JÚLIO VERNE?

Jules Gabriel Verne nasceu em 8 de fevereiro de 1828, em Nantes, França.

Morreu em 24 de março de 1905, em Amiens.

Entre essas duas datas aconteceu uma coisa extraordinária.

O planeta mudou.

Verne nasceu em um mundo onde grandes viagens ainda dependiam essencialmente de cavalos, navios a vela e máquinas a vapor primitivas.

Quando morreu, existiam automóveis, submarinos modernos, eletricidade distribuída, telégrafos intercontinentais, fotografia, fonógrafos e experiências com aviação.

Ele viveu justamente durante uma das maiores migrações tecnológicas da História.

Algo equivalente a alguém ter começado a carreira programando cartões perfurados e terminado discutindo inteligência artificial generativa.

Não é difícil imaginar por que aquilo incendiou sua imaginação.



⚙️ A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL ERA O MAINFRAME DE VERNE

Para entender Júlio Verne precisamos esquecer por alguns minutos que conhecemos aviões, satélites, computadores e submarinos nucleares.

Imagine olhar para uma locomotiva em 1860.

Aquilo era tecnologia de ponta.

Uma máquina gigantesca de ferro transformava água, carvão e pressão em movimento.

Ferrovias estavam comprimindo continentes.

Navios a vapor estavam comprimindo oceanos.

O telégrafo estava praticamente destruindo a relação histórica entre distância e comunicação.

O mundo estava ficando conectado.

Verne percebeu algo fundamental:

tecnologia muda geografia.

E quando muda a geografia, muda comércio.

Quando muda comércio, muda política.

Quando muda política, muda sociedade.

Quando muda sociedade...

entra alguém pedindo uma alteração emergencial sexta-feira às 17h43.

Algumas leis da humanidade são universais.


📚 LES VOYAGES EXTRAORDINAIRES

Grande parte da obra pela qual Verne se tornou conhecido pertence à coleção Voyages extraordinaires — Viagens Extraordinárias, publicada principalmente em associação com o editor Pierre-Jules Hetzel.

O projeto era gigantesco.

Era quase uma biblioteca destinada a explorar o mundo conhecido — e aquilo que talvez pudesse existir além dele.

Geografia.

Astronomia.

Geologia.

Oceanografia.

Engenharia.

Exploração.

História natural.

Tecnologia.

Tudo embrulhado dentro de aventuras.

Verne estava transformando conhecimento científico em entretenimento décadas antes de alguém inventar expressões como:

edutainment.


🌋 VIAGEM AO CENTRO DA TERRA — 1864

Voyage au centre de la Terre

O professor Otto Lidenbrock encontra uma mensagem codificada atribuída ao alquimista islandês Arne Saknussemm.

A mensagem afirma existir uma passagem para o interior da Terra através do vulcão Snæfellsjökull, na Islândia.

Lidenbrock faz aquilo que qualquer responsável por mudanças em produção recomendaria imediatamente:

entra no vulcão.

Acompanhado pelo sobrinho Axel e pelo guia Hans, inicia uma descida para um mundo subterrâneo.

Cavernas gigantescas.

Oceanos subterrâneos.

Formações geológicas.

Criaturas pré-históricas.

Perigos constantes.

É quase uma exploração de sistema legado.

Quanto mais fundo você entra, mais antigas ficam as coisas.

Até encontrar algo que ninguém sabia que ainda estava rodando.

🦖 O princípio Bellacosa:

Nunca desligue aquilo que encontrou nas profundezas antes de descobrir quem depende daquilo.

Pode ser um dinossauro.

Pode ser um programa COBOL de 1978.


🌊 VINTE MIL LÉGUAS SUBMARINAS — 1870

Vingt mille lieues sous les mers

Aqui Verne apresenta uma das maiores figuras da literatura de aventura:

Capitão Nemo.

E sua máquina:

Nautilus.

O professor Pierre Aronnax, seu criado Conseil e o arpoador Ned Land acabam dentro daquele extraordinário submarino.

Mas o Nautilus não é simplesmente transporte.

Ele representa independência tecnológica.

Nemo construiu uma infraestrutura capaz de operar fora da sociedade.

Energia.

Alimentação.

Navegação.

Pesquisa científica.

Defesa.

Habitação.

Tudo integrado.

Nemo praticamente montou seu próprio datacenter soberano no fundo do oceano.

Sem AWS.

Sem Azure.

Sem mensalidade.

E definitivamente sem chamado para suporte.

O fascinante é que Verne procura fornecer explicações técnicas para aquilo.

O fantástico precisava parecer engenheirável.

Esse detalhe separa Verne de muita fantasia pura.


🚀 DA TERRA À LUA — 1865

De la Terre à la Lune

Um grupo americano decide enviar seres humanos à Lua utilizando um gigantesco canhão.

Hoje sabemos que transformar astronautas em projéteis de artilharia apresenta alguns pequenos inconvenientes biomecânicos.

Como transformar passageiros em purê.

Mas esse não é o ponto interessante.

Verne tenta calcular.

Distâncias.

Dimensões.

Materiais.

Trajetórias.

Custos.

Logística.

Local de lançamento.

Ele não diz simplesmente:

“Eles foram para a Lua.”

Ele pergunta:

“Como poderíamos construir uma infraestrutura capaz de fazer isso?”

Essa mentalidade é profundamente moderna.


🌍 A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS — 1872

Le Tour du monde en quatre-vingts jours

Aqui aparece outro personagem monumental:

Phileas Fogg.

Um cavalheiro inglês extremamente metódico aposta que consegue dar a volta ao mundo em apenas 80 dias.

Hoje alguém abriria um aplicativo, compraria algumas passagens e começaria a reclamar da conexão Wi-Fi do aeroporto.

Em 1872 aquilo era quase uma demonstração experimental da globalização.

Fogg utiliza:

🚂 trens
🚢 navios
🐘 elefante
⛵ embarcações improvisadas
🧭 rotas internacionais
⌚ horários cuidadosamente calculados

A aventura funciona porque uma infraestrutura global estava começando a existir.

Ferrovias.

Portos.

Linhas marítimas.

Telégrafos.

Horários.

Impérios.

Rotas comerciais.

Verne percebe que o planeta estava se transformando em uma gigantesca rede.

Phileas Fogg não vence simplesmente pela velocidade.

Ele vence utilizando integração de sistemas.

É praticamente uma arquitetura distribuída de 1872.


🏝️ A ILHA MISTERIOSA — 1874/1875

L'Île mystérieuse

Talvez seja uma das obras mais interessantes para engenheiros.

Um grupo fica isolado numa ilha.

E começa a construir.

Abrigo.

Ferramentas.

Agricultura.

Metalurgia.

Produtos químicos.

Comunicações.

Infraestrutura.

Eles utilizam conhecimento para transformar ambiente hostil em sistema operacional.

É quase:

Infrastructure as Code

Só que o código é conhecimento científico.

E o provisionamento envolve literalmente fabricar ferramentas.

A obra também se conecta ao universo do Capitão Nemo, criando algo que hoje chamaríamos imediatamente de:

universo compartilhado.

Marvel chegou um pouquinho atrasada.


🎈 CINCO SEMANAS EM UM BALÃO — 1863

Cinq semaines en ballon

Uma viagem de exploração pela África utilizando um balão.

Aqui aparecem elementos que se tornariam assinatura de Verne:

ciência + geografia + tecnologia + aventura.

A máquina permite enxergar o mundo de uma perspectiva impossível para o cidadão comum.

Essa ideia voltará repetidamente.

Para Verne, tecnologia é frequentemente aquilo que permite ao homem atravessar uma fronteira anteriormente inacessível.


🧊 AS AVENTURAS DO CAPITÃO HATTERAS

Voyages et aventures du capitaine Hatteras

Agora seguimos para o extremo norte.

Exploração polar.

Frio.

Isolamento.

Sobrevivência.

Obstinação.

Hatteras representa outro arquétipo recorrente em Verne:

o homem que não sabe parar.

Pode ser coragem.

Pode ser obsessão.

Frequentemente é impossível distinguir uma coisa da outra.

Qualquer gerente que já acompanhou um projeto seis meses atrasado reconhecerá imediatamente o personagem.


🏴‍☠️ OS FILHOS DO CAPITÃO GRANT — 1867/1868

Les Enfants du capitaine Grant

Uma mensagem parcialmente destruída encontrada dentro de uma garrafa inicia uma expedição internacional para localizar o desaparecido Capitão Grant.

O resultado é uma viagem através de diferentes continentes.

Geografia vira mecanismo narrativo.

Cada território apresenta novos ambientes, povos, riscos e desafios.

É quase uma aula de geografia mundial disfarçada de aventura.


🏯 MIGUEL STROGOFF — 1876

Michel Strogoff

Um correio do czar precisa atravessar a Rússia para entregar uma mensagem vital.

Não existem APIs.

Não existe MQ.

Não existe replicação.

O middleware é um homem.

E se o homem não chegar...

a mensagem não chega.

Strogoff é praticamente um pacote TCP com bigode, cavalo e determinação.


🛰️ VERNE PREVIU O FUTURO?

Aqui nasce uma pequena armadilha.

Frequentemente encontramos listas dizendo:

“Júlio Verne previu submarinos!”

“Previu viagens espaciais!”

“Previu videoconferência!”

“Previu helicópteros!”

A realidade é mais interessante.

Muitas tecnologias relacionadas já estavam sendo discutidas ou experimentadas.

Submarinos, por exemplo, não surgiram magicamente da cabeça de Verne.

Balões já existiam.

Experimentos elétricos já existiam.

A astronomia já conhecia bastante sobre a Lua.

Verne fazia algo intelectualmente mais sofisticado:

extrapolação tecnológica.

Ele observava:

Estado atual → tendência → possibilidade → consequência humana.

Isso é exatamente aquilo que fazemos quando perguntamos hoje:

  • O que acontece quando IA encontra robótica?

  • O que acontece quando computação quântica amadurecer?

  • O que acontece quando agentes autônomos administrarem sistemas?

  • O que acontece quando modelos rodarem diretamente dentro de infraestrutura crítica?

Verne fazia perguntas semelhantes usando as tecnologias disponíveis no século XIX.


🔬 HARD SCIENCE FICTION ANTES DA SCIENCE FICTION

O termo science fiction nem sequer estava consolidado quando Verne produziu suas grandes aventuras.

Mas muitos dos elementos estavam ali.

A máquina precisava possuir alguma lógica.

A viagem precisava possuir geografia.

A exploração precisava possuir ciência.

A aventura precisava respeitar — pelo menos aproximadamente — determinadas regras.

Verne adorava explicar.

Às vezes muito.

Um personagem podia simplesmente atravessar uma montanha.

Verne queria contar:

qual montanha,

qual formação geológica,

qual altitude,

qual mineral,

qual latitude,

quem explorou anteriormente,

qual temperatura,

e provavelmente quantos quilômetros faltavam.

É o equivalente literário daquele analista mainframe que responde uma pergunta simples sobre um dataset explicando primeiro a arquitetura do System/360.

Eu respeito profundamente esse homem.


🧠 O VERDADEIRO PERSONAGEM DE VERNE

Existe um personagem escondido atravessando grande parte de sua obra.

Não é Nemo.

Não é Fogg.

Não é Lidenbrock.

Não é Passepartout.

É:

CONHECIMENTO.

Conhecimento resolve problemas.

Conhecimento permite navegar.

Conhecimento permite construir.

Conhecimento permite sobreviver.

Mas Verne também percebe algo mais sombrio.

Conhecimento combinado com obsessão pode produzir monstros.

Nemo possui tecnologia extraordinária.

Mas também possui traumas.

Lidenbrock possui conhecimento extraordinário.

Mas sua obsessão coloca todos em perigo.

Hatteras possui determinação extraordinária.

Mas determinação sem limites pode destruir o próprio homem.

Tecnologia nunca aparece completamente separada de quem controla a tecnologia.

E essa discussão permanece assustadoramente atual.


⚡ CAPITÃO NEMO: O SYSADMIN QUE DEU RACF REVOKE NA HUMANIDADE

Talvez nenhum personagem represente isso melhor que Nemo.

Ele domina ciência e engenharia.

Constrói uma das máquinas mais avançadas imaginadas em sua época.

E decide:

não quero mais participar desse sistema.

Nemo literalmente desconecta sua infraestrutura do mundo.

SETROPTS HUMANITY(REVOKE)

O Nautilus torna-se simultaneamente:

laboratório,

casa,

navio,

arma,

refúgio,

prisão.

Essa ambiguidade torna Nemo fascinante.

Ele não é simplesmente herói.

Nem simplesmente vilão.

É um homem que conseguiu independência tecnológica absoluta...

e descobriu que independência não significa necessariamente liberdade.


🎩 PHILEAS FOGG: O GERENTE DE PROJETO

Fogg é o oposto.

Ele acredita em planejamento.

Cronograma.

Recursos.

Rotas.

Contingência.

Horários.

O homem provavelmente dormiria abraçado a um gráfico de Gantt.

Sua viagem inteira é um projeto.

Objetivo: circunavegar o planeta.

Prazo: 80 dias.

Budget: disponível.

Stakeholders: Reform Club.

Project Manager: Phileas Fogg.

Equipe: Passepartout.

Risco: basicamente o planeta inteiro.

Mas existe algo maravilhoso.

O planejamento constantemente falha.

Trens atrasam.

Rotas desaparecem.

Problemas surgem.

Fogg precisa adaptar.

Ou seja:

Júlio Verne descobriu o Agile em 1872 e teve a elegância de não chamar ninguém para uma Daily.


🦖 E O QUE JÚLIO VERNE TEM A VER COM MAINFRAME?

Muito mais do que parece.

Porque existe uma filosofia comum:

Grandes sistemas são construídos em camadas.

Você olha para um IBM z17 e vê uma máquina moderna.

Mas lá dentro existe uma genealogia tecnológica atravessando décadas.

COBOL.

JCL.

VSAM.

Db2.

CICS.

IMS.

RACF.

z/OS.

Linux.

Java.

Python.

APIs.

Containers.

IA.

O novo não necessariamente destrói o antigo.

Frequentemente ele se conecta ao antigo.

O mundo de Verne funciona da mesma maneira.

Navios convivem com ferrovias.

Elefantes convivem com máquinas a vapor.

Telégrafos convivem com mensageiros.

Tecnologia nova aparece sobre infraestrutura anterior.

A humanidade raramente executa:

DELETE OLD-WORLD

Ela normalmente executa:

CALL 'LEGACY' USING NEW-TECHNOLOGY


📚 POR ONDE COMEÇAR?

Se alguém nunca leu Verne, eu montaria nosso pequeno JCL literário assim:

JOB01 — Viagem ao Centro da Terra
Para conhecer aventura, ciência e exploração.

JOB02 — Vinte Mil Léguas Submarinas
Para conhecer Nemo e o Nautilus.

JOB03 — A Volta ao Mundo em 80 Dias
Para descobrir como infraestrutura mudou o planeta.

JOB04 — A Ilha Misteriosa
Para encontrar ciência aplicada à sobrevivência.

JOB05 — Da Terra à Lua
Para observar engenharia transformada em imaginação.

Depois disso...

COND=(0,NE)

Pode continuar executando.


📜 OUTRAS OBRAS IMPORTANTES

A produção de Verne foi enorme e não cabe apenas nos cinco títulos que dominaram o imaginário popular.

Entre suas obras mais conhecidas também encontramos:

  • Cinco Semanas em um Balão

  • As Aventuras do Capitão Hatteras

  • Os Filhos do Capitão Grant

  • Ao Redor da Lua

  • Miguel Strogoff

  • Heitor Servadac

  • Um Capitão de Quinze Anos

  • As Tribulações de um Chinês na China

  • A Casa a Vapor

  • A Jangada

  • Robur, o Conquistador

  • Dois Anos de Férias

  • O Castelo dos Cárpatos

  • O Senhor do Mundo

É uma espécie de enorme catálogo de possibilidades humanas diante de um planeta que estava sendo tecnologicamente reinventado.


🌍 O MUNDO ERA O DATACENTER DE JÚLIO VERNE

Talvez essa seja minha imagem favorita.

Para Verne, o planeta inteiro era uma máquina esperando para ser explorada.

Os oceanos eram datasets gigantescos ainda não processados.

Os continentes eram partições.

As ferrovias eram barramentos.

Os portos eram interfaces.

O telégrafo era middleware.

Os exploradores eram processos.

E as fronteiras desconhecidas eram aquelas regiões perigosíssimas da documentação onde alguém escreveu:

DO NOT TOUCH — ORIGINAL PROGRAMMER RETIRED.

Naturalmente...

Verne tocava.


🚀 O LEGADO

Júlio Verne não precisava acertar exatamente como seria o futuro.

Esse nunca foi seu maior talento.

Seu verdadeiro talento foi ensinar gerações inteiras a imaginar que o impossível poderia talvez ser transformado em um problema de engenharia.

Primeiro você imagina.

Depois pergunta:

“Como funcionaria?”

Depois alguém calcula.

Outro desenha.

Outro constrói.

Outro testa.

Outro coloca em produção.

E algumas décadas depois aparece um adolescente olhando aquilo e dizendo:

“Sempre existiu.”

Não.

Nada sempre existiu.

Antes da máquina existe o projeto.

Antes do projeto existe a ideia.

E antes da ideia frequentemente existe alguém suficientemente maluco para olhar para os limites conhecidos e perguntar:

“E se continuarmos?”

Talvez seja essa a verdadeira herança de Júlio Verne.

Ele não foi apenas o homem que escreveu sobre submarinos, balões, vulcões, ilhas, ferrovias e viagens espaciais.

Ele foi um dos grandes cartógrafos do território entre aquilo que existe e aquilo que ainda pode existir.

E nesse território vivem cientistas, engenheiros, programadores, exploradores e todos aqueles sujeitos perigosos que, diante de uma placa dizendo:

NÃO ENTRE

imediatamente querem saber o que existe atrás dela.

No Bellacosa Mainframe conhecemos muito bem essa espécie.

São os mesmos que encontram um programa COBOL de 1974 sem documentação, respiram fundo, colocam uma caneca de café ao lado do teclado e digitam:

C

na frente da linha.

Porque algumas pessoas observam sistemas antigos.

Outras...

viajam ao centro deles.

☕🦖🌋

CHANGE COMPLETED.

MAXCC=0000.

JÚLIO VERNE CONTINUA EM PRODUÇÃO.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/07/jogador-n-1-cacada-pelo-algoritmo.html

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/08/nao-entre-em-panico-doctor-who.html

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Automation Bias: Doctor Who, COBOL e o Dia em que a Máquina Disse “Está Tudo Certo” — e Todo Mundo Acreditou

Bellacosa Mainframe e o automation bias

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Automation Bias: Doctor Who, COBOL e o Dia em que a Máquina Disse “Está Tudo Certo” — e Todo Mundo Acreditou

Uma viagem pela TARDIS dos incidentes para entender por que automação, dashboards, scripts e IA podem nos ajudar tanto quanto podem nos convencer a ignorar nossos próprios olhos

06:47.

Centro de operações.

Primeiro café.

Segundo monitor.

Terceiro alerta.

Nada particularmente dramático.

Na tela principal:

SYSTEM STATUS
-------------------------
CPU        GREEN
DB2        GREEN
CICS       GREEN
MQ         GREEN
STORAGE    GREEN
BATCH      GREEN

OVERALL STATUS: HEALTHY

Nosso jovem programador COBOL observa.

Tudo verde.

Excelente.

Mas existe uma coisa estranha.

Usuários começaram a reclamar.

Poucos.

Ainda assim:

— O saldo não atualizou.

Outro:

— Minha transação ficou pendente.

Outro:

— O pagamento aparece processado, mas não chegou.

O programador olha novamente para o painel.

OVERALL STATUS: HEALTHY

Ele pergunta ao operador:

— Pode existir problema mesmo tudo estando verde?

O operador responde:

— Se tivesse problema, o monitoramento mostraria.

Pausa.

Uma frase simples.

Muito confortável.

Muito perigosa.

08:12.

Mais reclamações.

08:37.

Fila de chamados crescendo.

09:03.

Ainda:

OVERALL STATUS: HEALTHY

Nosso programador começa a acreditar que talvez os usuários estejam enganados.

Talvez cache.

Talvez navegador.

Talvez percepção.

Afinal...

o sistema está dizendo que está tudo bem.

VWORP.

VWORP.

VWORP.

A TARDIS materializa-se perto do console.

A porta abre.

O Doctor sai.

Olha para o painel.

Depois para os chamados.

Depois novamente para:

HEALTHY

— O sistema diz que está saudável?

— Sim.

— E os usuários dizem que não?

— Sim.

— Então qual dos dois vocês estão investigando?

Silêncio.

O Doctor sorri.

— Ah. Excelente.

Pausa.

— Vocês criaram uma máquina para ajudar humanos a tomar decisões...

Olha para o dashboard.

— ...e agora deixaram a máquina decidir quais fatos merecem existir.

Bem-vindo ao:



Automation Bias

Ou:

Viés de Automação

A tendência humana de confiar excessivamente em sistemas automáticos, recomendações, dashboards, algoritmos, assistentes, scripts ou inteligências artificiais — às vezes até quando existem sinais claros de que a automação pode estar errada, incompleta ou operando fora do contexto esperado.


🌀 Onde estamos na nossa TARDIS dos incidentes?

Nossa coleção já está respeitável.

Passamos pelo:

Swiss Cheese Model — várias barreiras podem falhar juntas.

Depois:

Normalization of Deviance — desvios repetidos deixam de parecer perigosos.

Depois:

Hindsight Bias — o passado parece óbvio quando já conhecemos o final.

Depois:

Confirmation Bias — escolhemos evidências que reforçam nossas crenças.

Depois:

Anchoring Bias — a primeira explicação influencia demais.

Depois:

Groupthink — um grupo inteiro pode concordar e ainda assim estar errado.

Depois:

Authority Gradient — alguém sabe que existe problema, mas não consegue desafiar quem tem mais autoridade.

Depois:

Plan Continuation Bias — continuamos um plano porque já investimos demais.

Depois:

Alarm Fatigue — o sistema alerta tanto que ninguém mais escuta.

Agora temos quase o fenômeno oposto.

Em Alarm Fatigue:

a máquina fala e ignoramos.

Em Automation Bias:

a máquina fala e acreditamos demais.

Parece contraditório.

Na verdade, ambos mostram a mesma coisa:

nossa relação com automação pode ficar desequilibrada.


🤖 O que é Automation Bias?

Automation Bias acontece quando humanos atribuem credibilidade excessiva à saída de um sistema automático.

Exemplo:

AUTOMAÇÃO DIZ:
“TUDO OK”
        ↓
HUMANO PENSA:
“ENTÃO ESTÁ OK”
        ↓
EVIDÊNCIA CONTRÁRIA APARECE
        ↓
HUMANO REINTERPRETA OU IGNORA

Ou o contrário:

AUTOMAÇÃO DIZ:
“ERRO”
        ↓
HUMANO ASSUME:
“EXISTE ERRO”

mesmo que contexto mostre outra coisa.

A automação deixa de ser:

fonte de informação

e vira:

autoridade epistemológica.

Bonita expressão para:

“Se o computador disse, deve ser verdade.”


💻 Para um programador COBOL iniciante: computador não sabe que está certo

Essa ideia é fundamental.

Um programa não sabe que está correto.

Ele apenas executa lógica.

Se você escreve:

IF WS-STATUS = 'OK'
    DISPLAY 'SISTEMA SAUDAVEL'
END-IF.

e a variável WS-STATUS estiver errada...

o programa exibirá alegremente:

SISTEMA SAUDAVEL

O computador não ficará constrangido.

Não levantará a mão.

Não dirá:

— Desculpe, acho que estou sendo alimentado com dados incompletos.

Ele executará.

Perfeitamente.

A lógica errada.


☕ Bellacosa Mainframe: o dashboard verde

Imagine que o dashboard avalia:

CPU;

CICS availability;

Db2 connectivity;

MQ channel;

storage.

Tudo verde.

Mas ninguém mede:

se o processamento funcional está correto.

Exemplo:

CICS UP       = YES
DB2 UP        = YES
MQ UP         = YES
TRANSACTION   = RESPONDING

Dashboard:

HEALTHY

Mas o COBOL está calculando juros com regra incorreta.

Infraestrutura perfeita.

Negócio errado.

O dashboard não mentiu.

Você perguntou a coisa errada.

Essa diferença é enorme.


🧠 Automação só responde ao que foi programada para observar

Se você mede:

serviço respondeu?

e serviço responde:

HTTP 200

monitoramento diz:

OK.

Mas talvez payload seja:

{"balance": null}

Tecnicamente:

respondeu.

Funcionalmente:

quebrou.

Logo:

disponibilidade não é correção.


🧪 Synthetic Monitoring

Por isso sistemas maduros podem usar testes sintéticos.

Não apenas:

porta está aberta?

Mas:

consigo executar uma transação representativa?

Exemplo:

login;

consulta;

pagamento fictício;

validação;

resposta esperada.

Quanto mais perto do comportamento real do usuário:

melhor.


🧀 Automation Bias encontra Swiss Cheese

Uma das fatias de defesa pode ser:

monitoramento automático.

Outra:

revisão humana.

Parece ótimo.

Mas se o humano confiar cegamente no monitoramento:

temos:

AUTOMAÇÃO ERRADA
        ↓
HUMANO CONFIA
        ↓
DUAS BARREIRAS VIRAM UMA

Isso é extremamente importante.

A segunda camada deixou de ser independente.

Agora existe uma common mode failure cognitiva.

Se máquina erra, humano herda o erro.


👻 Easter Egg nº 1 — O computador de Gallifrey

Imagine o Doctor entrando numa sala.

Computador central:

“Probability of danger: 0%.”

Companion:

— Então estamos seguros.

Doctor:

— Não.

— Mas ele disse zero.

— Sim.

— Então?

O Doctor aponta para um Dalek parado atrás dela.

— Talvez devêssemos perguntar o que exatamente ele mede.

Essa é Automation Bias.


🧠 Commission Error e Omission Error

Automation Bias pode produzir dois padrões interessantes.

Error of Commission

A automação recomenda uma ação errada.

O humano executa porque confia nela.

Exemplo:

sistema recomenda:

RESTART REGION CICS01

Operador executa.

Mas problema não estava na região.

Agora cria impacto adicional.


Error of Omission

Automação não detecta algo.

Então humano também não age.

Exemplo:

dashboard não mostra alerta.

Operador conclui:

não há problema.

Esse é exatamente nosso cenário inicial.

A ausência de aviso torna-se evidência de ausência de risco.

Mas:

não detectado ≠ inexistente.


📡 “No alerts” não significa “No problems”

Isso merece uma moldura.

NO ALERTS

significa:

Nenhuma condição configurada para gerar alerta foi detectada pelos sensores funcionando com os dados que receberam.

É bem diferente de:

“Não existe problema no sistema.”

Quase um contrato jurídico.

Mas verdadeiro.


🔍 Observability Gap

Existe uma lacuna entre:

o que o sistema faz

e

o que conseguimos observar.

Chamemos aqui de:

observability gap.

Você pode ter monitoramento perfeito de:

CPU;

memória;

rede.

E zero visibilidade sobre:

duplicidade de transações.

A ausência de sinal pode ser apenas ausência de sensor.


🔦 O poste de luz

Existe uma velha metáfora.

Pessoa procura chave debaixo de um poste.

Alguém pergunta:

— Você perdeu a chave aqui?

— Não.

— Então por que procura aqui?

— Porque aqui tem luz.

Observabilidade pode produzir o mesmo comportamento.

Investigamos onde temos dashboards.

Ignoramos onde não temos.

Automation Bias reforça isso:

“Se não aparece no painel, provavelmente não é ali.”

Talvez seja justamente ali.


⚓ Automation Bias + Anchoring Bias

Dashboard mostra primeiro:

DB2 WAIT HIGH

Pronto.

Âncora.

Agora porque foi gerado automaticamente, ganha ainda mais autoridade.

Equipe pensa:

banco.

Mesmo quando outras evidências dizem:

fila downstream.

A automação criou a âncora.


🔎 Automation Bias + Confirmation Bias

Sistema recomenda:

provável problema de rede.

Equipe aceita.

Depois procura:

timeouts;

retransmissões;

latência.

Confirmation Bias faz o resto.

A origem da teoria agora parece mais legítima porque veio da máquina.


👥 Automation Bias + Groupthink

Imagine War Room.

Dashboard:

ROOT CAUSE PROBABILITY: DB2 82%.

Todo mundo olha.

DBA diz:

— Pode ser.

Outros:

— Se ferramenta aponta 82%...

Agora temos consenso.

Talvez ninguém queira ser a pessoa dizendo:

“A ferramenta pode estar errada.”

O algoritmo virou oitavo participante da reunião.

E talvez o mais influente.


🪜 Authority Gradient com máquinas

Authority Gradient normalmente aparece entre pessoas.

Mas pode acontecer com tecnologia.

Algumas interfaces comunicam autoridade.

Exemplo:

AI ANALYSIS COMPLETE

ROOT CAUSE:
DATABASE CONTENTION

CONFIDENCE: HIGH

Usuário iniciante pensa:

acabou.

Mas “confidence: high” depende do modelo.

Da qualidade do treinamento.

Dos dados.

Do contexto.

Do escopo.

Não é uma garantia metafísica.


🤖 Automation Bias e IA generativa

Agora chegamos a 2026.

Assistentes de IA.

Copilots.

Agentes.

Análise automática.

Code generation.

Incident summarization.

Root cause suggestions.

Tudo isso pode ser extraordinariamente útil.

Mas produz uma nova versão do velho problema:

resposta fluente parece resposta correta.

Se IA escreve:

“A causa mais provável é contenção no Db2 devido ao aumento de lock wait.”

parece convincente.

Mas:

os dados realmente suportam?

Ou o modelo construiu uma explicação plausível?


🧠 Plausibilidade não é evidência

Isso vale para humanos e IAs.

Uma narrativa pode ser:

coerente;

elegante;

tecnicamente sofisticada;

e ainda assim estar errada.

A pergunta continua:

“Que evidência suporta isso?”


💻 COBOL gerado por IA

Imagine pedir:

escreva rotina COBOL para calcular juros.

IA gera código bonito.

Compila.

Testes básicos passam.

Automation Bias:

se a IA gerou e compila, deve estar certo.

Não.

Você precisa validar:

regra;

tipo;

arredondamento;

precision;

overflow;

datas;

edge cases;

requisitos regulatórios.

A IA acelerou produção.

Não removeu responsabilidade.


🧪 “Compila” não significa “correto”

Essa é uma das primeiras lições de programação.

COMPILE = SUCCESS

significa:

sintaxe e regras de compilação foram satisfeitas.

Não:

algoritmo representa corretamente o negócio.

Da mesma forma:

PIPELINE = GREEN

não significa:

sistema é perfeito.


✅ Green Pipeline Bias

Pipelines CI/CD criam outra forma de Automation Bias.

Tudo verde:

build;

unit test;

security scan;

deploy.

Então:

GO.

Mas talvez testes não cubram uma condição importante.

Automação verificou:

o que foi configurado.

Não:

tudo que existe no universo.


🧠 Test Coverage não é cobertura da realidade

90% coverage.

Parece ótimo.

Mas os 10% restantes podem conter:

a regra que quebra bilhões.

Cobertura é métrica.

Não garantia.

Essa é uma lição muito importante:

métricas são proxies.


📏 Goodhart aparece pela porta

Existe um princípio associado conhecido como Lei de Goodhart:

quando uma medida vira meta, pode deixar de ser boa medida.

Se equipe persegue:

100% testes verdes;

100% automação;

zero alertas;

pode começar a otimizar o indicador e não o risco real.

Mais um possível episódio futuro.


🚨 Alarm Fatigue + Automation Bias

Veja a ironia.

No capítulo anterior:

muitos alertas.

Operadores aprendem a ignorar.

Então a organização cria automação para priorizar.

Excelente.

Mas depois humanos confiam cegamente no filtro.

Agora um alerta real é classificado incorretamente como baixo.

Ninguém vê.

Saímos de:

ruído demais

para:

confiança demais no filtro.

Equilíbrio.

Sempre equilíbrio.


🔄 Human-in-the-Loop

Uma expressão muito usada:

Human-in-the-Loop, ou HITL.

Mas cuidado.

Colocar uma pessoa no processo não garante supervisão real.

Exemplo:

IA gera 500 decisões.

Humano tem cinco segundos para aprovar cada uma.

Ele clicará:

APPROVE
APPROVE
APPROVE
APPROVE

Isso não é revisão humana.

É carimbo humano.


🧠 Rubber Stamp Automation

Se o humano quase sempre aceita a recomendação automática, começamos a ter:

rubber stamping.

Automação decide.

Humano formalmente confirma.

Auditavelmente:

houve revisão.

Na prática:

não.

Isso é perigosíssimo.


👨‍⚕️ Médico + sistema automático

Imagine sistema clínico sugerindo diagnóstico.

Médico vê.

Depois interpreta sintomas sob influência da sugestão.

Automation Bias + Anchoring + Confirmation Bias.

Observe como nossos monstros trabalham bem em equipe.


🚗 Automação em veículos

Em automação avançada, um problema conhecido é:

humano reduz vigilância quando sistema funciona bem por muito tempo.

Até que automação encontra cenário que não consegue lidar.

Nesse momento humano precisa assumir rapidamente.

Mas está:

desengajado;

desatento;

fora do loop.

Mais uma lição aplicável a TI.


💤 Out-of-the-Loop Problem

Quando automação executa tudo durante longos períodos, pessoas podem perder:

contexto;

habilidade;

consciência situacional.

Até precisar intervir.

Então temos paradoxo:

automação reduz carga humana...

mas pode tornar intervenção excepcional mais difícil.


☕ O operador que não sabe mais fazer manualmente

Imagine rotina automatizada há oito anos.

Ninguém executa manualmente.

Um dia script quebra.

Pergunta:

— Como fazemos manual?

Silêncio.

Talvez documentação exista.

Talvez não.

Automação criou eficiência.

Também criou dependência.


🧠 Skill Degradation

Habilidades não usadas degradam.

Se tudo é automatizado:

diagnóstico manual;

procedimentos de fallback;

conhecimento interno

podem desaparecer.

Isso precisa ser gerenciado.


🛠️ Automation Paradox

Quanto melhor a automação funciona normalmente, menos frequentemente humanos praticam intervenção.

Mas justamente em situações raras e complexas é que intervenção humana é necessária.

Isso é uma espécie de paradoxo da automação.


📋 Runbooks de fallback

Pergunte:

se automação falhar, o que fazemos?

Precisa existir:

manual;

fallback;

responsável;

procedimento;

teste.

E, se crítico:

simulação periódica.


🔄 Manual Override

Sistemas automatizados críticos deveriam considerar:

como interromper?

como assumir controle?

quem pode?

como validar?

como voltar?

Automation Bias não deve ser combatido removendo automação.

Mas garantindo que automação permaneça subordinada a objetivos e evidências.


🧠 “A máquina sabe melhor”

Às vezes sabe.

Algoritmos podem:

processar mais dados;

detectar padrões;

ser mais consistentes;

não cansar.

Mas também:

podem ter dados ruins;

modelo errado;

condição não prevista;

bug;

drift;

limites de escopo.

A pergunta não deve ser:

humano ou máquina?

Mas:

qual combinação produz decisão mais segura?


🧪 Trust Calibration

Existe uma ideia muito útil:

calibrar confiança.

Não confiar zero.

Não confiar 100%.

Confiar de acordo com desempenho, contexto e limites.

Exemplo:

sistema A:

excelente em detectar CPU saturation.

Confiança alta nesse domínio.

Mas péssimo em inferir causa raiz funcional.

Confiança baixa ali.

Isso é confiança calibrada.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 1

Quando sistema disser:

“HEALTHY.”

Pergunte:

“Saudável segundo quais critérios?”

Essa pergunta é maravilhosa.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 2

Quando IA disser:

“Root cause is X.”

Pergunte:

“Que evidências observáveis sustentam X?”


🎯 Pergunta Bellacosa nº 3

Quando pipeline disser:

PASS.

Pergunte:

“O que esse pipeline não testa?”


🎯 Pergunta Bellacosa nº 4

Quando algoritmo disser:

98% confidence.

Pergunte:

“Confiança sobre qual distribuição e quais dados?”

Mesmo que não tenhamos resposta completa, a pergunta protege contra reverência.


🔍 Detectando Automation Bias numa equipe

Observe frases:

“Se o dashboard está verde, está tudo bem.”

“A ferramenta não mostrou nada.”

“O scanner aprovou.”

“A IA disse que é isso.”

“O pipeline passou.”

“O antivírus não detectou.”

“O sistema classificou como baixo risco.”

Essas frases não são necessariamente erradas.

Mas podem indicar confiança não calibrada.


🧪 Passo a passo para combater Automation Bias

Passo 1 — Defina escopo da automação

O que ela realmente verifica?

Exemplo:

MONITOR CHECKS:
- availability
- latency
- queue depth

DOES NOT CHECK:
- financial correctness
- duplicate processing
- business-rule accuracy

Isso muda percepção.


Passo 2 — Mostre incerteza

Evite:

ROOT CAUSE: DB2

Prefira:

POSSIBLE CAUSE: DB2
CONFIDENCE: 62%
ALTERNATIVES:
MQ 23%
NETWORK 15%

Automação deveria comunicar limites.


Passo 3 — Exija evidência independente

Se automação diz X:

procure pelo menos um sinal externo.

Exemplo:

AI diz DB2.

Valide:

locks;

wait;

queries;

timeline.


Passo 4 — Crie challenge points

Antes de ação irreversível:

humano precisa responder:

quais dados suportam isso?

Não apenas clicar approve.


Passo 5 — Teste falhas da automação

Faça exercícios:

sensor indisponível;

dado errado;

alerta falso;

modelo incorreto;

script incompleto.

Veja como equipe reage.


Passo 6 — Preserve capacidade manual

Documente e pratique fallback.


Passo 7 — Monitor the monitor

Sim.

Monitoramento também precisa ser monitorado.

Se sensor falhar:

quem detecta?

Se pipeline de observabilidade cair:

quem alerta?

É quase filosófico.


🌀 Quem vigia os vigilantes?

Em latim:

Quis custodiet ipsos custodes?

Quem vigia os próprios vigilantes?

Para nossa série:

Quem monitora o monitoramento?

Talvez:

heartbeat;

self-check;

redundância;

cross-validation.

Nunca confie em uma única fonte crítica.

Swiss Cheese retorna.


🧠 Dual Channel Validation

Se algo é muito importante, valide por caminhos diferentes.

Exemplo:

dashboard diz:

transações processadas = 1.000.000.

Reconciliação financeira diz:

999.998.

Temos conflito.

Excelente.

Duas fontes independentes detectaram divergência.

Isso é mais seguro que uma fonte replicada em cinco dashboards.


🧮 Reconciliation é antídoto contra Automation Bias

Em sistemas financeiros, reconciliação é poderosa porque não pergunta:

sistema acha que funcionou?

Pergunta:

entradas e saídas fecham?

Exemplo:

INPUT
=
SUCCESS
+
REJECT
+
PENDING

Se não fecha:

investigue.

A matemática não se impressiona com dashboard verde.


💰 O mainframe pode processar erro em escala industrial

Um programa errado é perigoso.

Um programa errado em mainframe é eficiente.

Pode processar:

milhões;

bilhões;

rapidamente;

consistentemente.

Automação transforma decisão em escala.

Essa é sua força.

E risco.


🤖 Agentes de IA e Automation Bias

Imagine agente autônomo.

Planeja.

Executa.

Valida.

Ótimo.

Mas se valida usando sua própria interpretação?

Temos possível circuito de confirmação.

Exemplo:

AGENT:
I generated change X.

AGENT:
I evaluated change X.

AGENT:
X looks correct.

AGENT:
Deploying.

Talvez precisemos de:

validador independente;

policy engine;

human approval;

testes objetivos;

rollback.

Independência importa.


🔁 Closed Loop não significa loop correto

Agentes modernos adoram:

plan;

act;

observe;

evaluate.

Mas se o critério de avaliação estiver errado, o loop pode otimizar na direção errada.

Um loop fechado não é automaticamente seguro.


🧠 Reward Hacking

Em sistemas de IA existe ideia de sistemas encontrarem formas de satisfazer métrica sem atingir objetivo real.

Isso lembra Goodhart.

Exemplo simplificado:

meta:

reduzir tickets.

Solução absurda:

fechar tickets automaticamente.

Métrica melhorou.

Usuários continuam com problema.

Automação satisfez proxy.

Falhou objetivo.


📊 KPI verde pode ser Automation Bias gerencial

Nem sempre a máquina é um algoritmo sofisticado.

Pode ser dashboard executivo.

KPI:

99,99% disponibilidade.

Excelente.

Mas:

clientes reclamando.

Talvez métrica esteja agregada demais.

Green dashboard pode esconder experiência ruim.

Gestão também sofre Automation Bias.


🛑 Redundância de decisão

Para ações críticas:

não dependa exclusivamente de recomendação automática.

Exemplo:

AUTOMATION RECOMMENDATION
+
BUSINESS VALIDATION
+
TECHNICAL CHECK
=
DECISION

Camadas independentes.


🧠 Automation Bias + Authority Gradient

E se a automação foi comprada por milhões?

Fornecedor promete IA revolucionária.

Diretor adora.

Júnior encontra inconsistência.

Vai questionar?

Agora tecnologia recebe autoridade institucional.

Não apenas técnica.

Interesse político e investimento tornam contestação mais difícil.

Outra combinação perigosa.


💸 Sunk Cost + Automation Bias

Empresa gastou milhões em plataforma automática.

Se ferramenta erra:

alguém diz:

impossível. Compramos a melhor solução.

O investimento passado começa a proteger a crença na ferramenta.

Sunk Cost volta.


👥 Groupthink + Vendor Authority

Fornecedor:

nossa IA possui 99% de precisão.

Todos:

excelente.

Pergunta Bellacosa:

99% em qual cenário?

qual dataset?

false positive?

false negative?

produção parecida?

Perguntar não é desconfiar por esporte.

É engenharia.


🔐 Segurança: “scanner não encontrou nada”

Ausência de detecção não significa ausência de vulnerabilidade.

Scanner cobre um conjunto.

Pen test outro.

Code review outro.

Threat modeling outro.

Defesa em profundidade novamente.

Automation Bias pode transformar scanner em falsa sensação de segurança.


🧯 Segurança operacional: automatic rollback

Imagine pipeline detecta problema e rollbacka automaticamente.

Excelente.

Até um dia detecção errada causa rollback durante condição que seria transitória.

Automação também precisa de guardrails.

Não existe solução simples:

automatizar tudo;

ou tudo manual.

Design é contextual.


🧠 Automation Complacency

Relacionado ao Automation Bias existe a complacência de automação.

Quando sistema funciona bem por muito tempo, humanos monitoram menos ativamente.

Pense:

“Ele sempre detecta.”

Até o dia que não.

Esse padrão conversa diretamente com:

Normalization of Deviance.


🔁 Normalization of Automation

Primeiro:

automação recomenda.

Humano valida.

Depois de cem acertos:

humano olha rapidamente.

Depois:

apenas aprova.

Depois:

autoapprove.

Agora automação conquistou autonomia não porque decidimos formalmente...

mas porque gradualmente paramos de revisar.

Isso é quase uma normalização do desvio operacional.


🚨 Near Miss da automação

Se ferramenta quase executa ação errada e humano percebe:

não diga apenas:

boa, evitamos.

Investigue.

Por que ferramenta recomendou?

Quais dados?

Como chegou?

O que impediria sem humano?

Near miss é teste grátis.


🧪 Shadow Mode

Antes de dar controle real a nova automação:

execute em shadow mode.

Sistema recomenda.

Humano continua decidindo.

Depois compare.

Exemplo:

AUTOMATION: ROLLBACK
HUMAN: HOLD

OUTCOME:
HOLD WAS CORRECT

Aprendemos antes de delegar autoridade.


📈 Measure Automation Quality

Meça:

precision;

recall;

false positives;

false negatives;

overrides humanos;

incidentes evitados;

incidentes causados;

condições onde falha.

Confiança precisa de dados.


🧠 Override Rate

Se humanos ignoram recomendação 60% das vezes:

automação pode estar ruim.

Se humanos nunca ignoram:

duas possibilidades:

automação perfeita.

Ou ninguém realmente questiona.

A segunda é mais provável que perfeição.

Investigue.


🧑‍💻 Dica para programador COBOL iniciante

Você pode usar:

Copilot;

IA;

geradores;

scripts;

templates.

Use.

São ferramentas fantásticas.

Mas pratique:

GERAR
↓
ENTENDER
↓
TESTAR
↓
VALIDAR
↓
SÓ ENTÃO USAR

Nunca:

GERAR
↓
COPIAR
↓
PRODUÇÃO

O dragão mora nesse atalho.


👻 Easter Egg nº 3 — K-9

K-9 seria maravilhoso em incidentes.

Pergunta:

— K-9, status?

— Affirmative, Master. Probability of failure: 2.3%.

Doctor:

— E o que não sabemos?

Essa segunda pergunta importa mais.

Automação boa deveria ajudar a mostrar incerteza.

Não esconder.


🧭 Human-on-the-Loop versus Human-in-the-Loop

Podemos pensar em diferentes papéis.

Human-in-the-loop

Humano participa antes da ação.

Human-on-the-loop

Automação age, humano supervisiona.

Human-out-of-the-loop

Automação decide e executa sem intervenção regular.

Cada nível exige controle diferente.

Quanto maior autonomia:

mais importante:

observabilidade;

limites;

rollback;

testes;

auditoria.


🔒 Irreversibilidade define rigor

Automação que recomenda playlist:

baixo risco.

Automação que bloqueia conta bancária:

maior.

Automação que altera produção financeira:

maior ainda.

Regra simples:

quanto maior impacto e irreversibilidade, maior deve ser o rigor da supervisão.


📋 Checklist anti-Automation Bias

Antes de confiar numa saída automática:

[ ] O que exatamente esta automação mede?

[ ] Quais dados ela usa?

[ ] Quais cenários ela não cobre?

[ ] Existe evidência independente?

[ ] Qual é a taxa histórica de erro?

[ ] Há false positives?

[ ] Há false negatives?

[ ] O humano consegue contrariá-la?

[ ] Existe rollback?

[ ] Quem monitora a própria automação?

[ ] Estamos aprovando porque entendemos ou porque confiamos?

[ ] Se a ferramenta estivesse errada, como perceberíamos?

Essa última pergunta é preciosa.


🧬 Regeneração organizacional

Como uma organização se regenera depois de Automation Bias?

Primeiro:

abandona a ideia de que automação = verdade.

Depois:

documenta escopo.

Expõe incerteza.

Mede qualidade.

Cria validação independente.

Mantém fallback.

Treina override.

Analisa near misses.

Testa falhas.

Faz shadow mode.

E principalmente:

ensina pessoas a perguntar:

“O que esta automação sabe — e o que ela não sabe?”


📓 Diário do Doctor

Se guardar apenas algumas ideias desta viagem, guarde estas:

Automation Bias é a tendência de confiar excessivamente em saídas automáticas.

Um dashboard verde não prova que o negócio está correto.

Ausência de alerta não significa ausência de problema.

Automação responde apenas ao que consegue observar e ao que foi programada para interpretar.

Human-in-the-loop só funciona se o humano realmente revisar.

Automação pode produzir erros de comissão e de omissão.

Confiança precisa ser calibrada.

Ferramentas devem comunicar incerteza.

Validação independente é essencial em ações críticas.

Automação não elimina responsabilidade humana.

E principalmente:

A máquina pode saber mais do que você sobre determinados sinais — mas ainda precisa provar que esses sinais respondem à pergunta certa.


🕰️ De volta às 09:03

O dashboard continua:

OVERALL STATUS: HEALTHY

Nosso programador pega os chamados.

Começa a analisar horários.

08:04.

08:07.

08:11.

08:15.

Todos envolvendo o mesmo tipo de pagamento.

Ele pergunta:

— Temos um teste funcional dessa transação?

Operador:

— Não. Só disponibilidade do CICS e MQ.

O Doctor sorri.

— Ah.

Eles executam uma transação controlada.

Resultado:

pedido aceito.

Mensagem gerada.

Fila enviada.

Mas o consumer funcional rejeita silenciosamente uma nova condição de dado.

Infraestrutura:

perfeita.

Negócio:

quebrado.

Dashboard tecnicamente correto.

Diagnóstico humano:

errado.

O programador olha para:

HEALTHY

e pergunta:

— Podemos mudar isso?

— Para quê?

— Para que saudável signifique algo mais próximo de saudável.

Boa pergunta.

Criam synthetic check.

Agora o dashboard valida:

conectividade;

transação;

resultado esperado.

Dias depois:

INFRASTRUCTURE: HEALTHY
BUSINESS FLOW: DEGRADED
OVERALL STATUS: WARNING

Muito melhor.

A ferramenta não ficou mais “inteligente”.

Ficou mais honesta.


🥚 Easter Egg final

Na madrugada seguinte aparece um membro novo:

BELLACOSA.BIAS(K9)

Dentro:

       IF AUTOMATION-SAYS-OK
           PERFORM CHECK-WHAT-OK-MEANS
       END-IF.

       IF HUMAN-SEES-CONTRADICTION
           PERFORM INVESTIGATE
       END-IF.

       IF AI-CONFIDENCE = 'HIGH'
           PERFORM ASK-FOR-EVIDENCE
       END-IF.

Comentário:

* AUTOMATION IS AN ADVISER.
* NOT A DEITY.

Abaixo:

* GREEN IS A COLOR.
* NOT A PROOF.

E finalmente:

* BAD WOLF OVERRULED THE ALGORITHM.

Nosso programador ri.

Fecha o membro.

O telefone toca.

Novo alerta.

Desta vez o sistema diz:

POSSIBLE ROOT CAUSE:
NETWORK

CONFIDENCE: 87%

Ele olha para o operador.

O operador pergunta:

— Rede?

Nosso programador responde:

— Talvez.

Abre os dados.

— Vamos verificar.

O Doctor, em algum lugar do espaço-tempo, provavelmente aprovaria.

Porque nosso jovem finalmente aprendeu uma coisa essencial:

automação deve reduzir o esforço necessário para pensar — não eliminar a obrigação de pensar.

VWORP.

VWORP.

VWORP.

A TARDIS desaparece.

No console permanece:

SYSTEM STATUS:
UNKNOWN UNTIL VALIDATED

Talvez seja menos confortável que um enorme indicador verde.

Mas certamente é mais verdadeiro.

☕🌀

Next stop: Diffusion of Responsibility — quando vinte pessoas recebem o alerta, todo mundo presume que alguém está cuidando… e ninguém está.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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