Translate

domingo, 2 de fevereiro de 2020

DotCom: Capítulo II — A Corrida do Ouro Digital: Como Nasceu a Febre das Empresas ".com"

  

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo II

Capítulo II — A Corrida do Ouro Digital: Como Nasceu a Febre das Empresas ".com"

Quando Wall Street descobriu a Internet e acreditou que o lucro havia se tornado opcional

"Na história da humanidade, toda grande corrida do ouro começa com uma descoberta legítima. O problema começa quando as pessoas passam a vender pás em vez de procurar ouro."

Se no capítulo anterior vimos como a Internet saiu dos laboratórios e começou a conquistar o mundo, agora chegamos ao momento em que a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a ser encarada como a promessa de uma nova civilização econômica.

Foi nesse instante que nasceu a famosa Era das Dot-Com.

Para um Padawan COBOL, esse é um dos capítulos mais importantes da história da computação, porque mostra como uma tecnologia revolucionária pode ser confundida com uma oportunidade de enriquecimento fácil. A Internet realmente mudaria o planeta. O erro foi acreditar que qualquer empresa ligada a ela se transformaria automaticamente em um império.

A tecnologia estava certa.

A lógica financeira, não.


O Significado de ".com"

Hoje digitamos endereços como algo absolutamente natural.

bellacosamainframe.com

ibm.com

openai.com

amazon.com

Mas poucos lembram que, na década de 1990, possuir um domínio ".com" era quase um símbolo de status.

O ".com" era originalmente apenas um domínio de primeiro nível destinado a empresas comerciais.

Nada mais.

Entretanto, o imaginário popular transformou essas quatro letras em sinônimo de modernidade, inovação e riqueza.

Era como se existissem dois mundos.

O mundo antigo.

E o mundo ".com".

Se uma empresa acrescentasse ".com" ao seu nome, muitos investidores imediatamente acreditavam que ela fazia parte da nova economia.

Hoje parece absurdo.

Na época, parecia inevitável.


A Internet Virou um Sonho Coletivo

O final dos anos 1990 foi marcado por um sentimento raro na história.

O mundo inteiro parecia acreditar que estava vivendo o nascimento de uma nova Revolução Industrial.

Todos os dias surgiam manchetes anunciando:

  • "A Internet vai acabar com as lojas físicas."

  • "Os bancos tradicionais desaparecerão."

  • "Os jornais impressos morrerão."

  • "Nunca mais será necessário sair de casa para fazer compras."

  • "O comércio eletrônico dominará o planeta."

Curiosamente...

Quase todas essas previsões acabaram se tornando verdadeiras.

O problema foi o prazo.

Os investidores imaginavam que isso aconteceria em dois ou três anos.

Na realidade, muitas dessas transformações levaram vinte ou trinta anos para amadurecer.

A tecnologia estava apenas adiantada em relação ao comportamento da sociedade.


O Surgimento da "Nova Economia"

Naquele período começou a surgir uma expressão extremamente popular:

The New Economy.

Segundo muitos economistas da época, as regras tradicionais deixariam de existir.

Lucro?

Não importava.

Fluxo de caixa?

Ultrapassado.

Patrimônio?

Irrelevante.

O importante era conquistar usuários.

Essa ideia parecia revolucionária.

E, em parte, realmente era.

Empresas digitais podiam crescer muito mais rapidamente do que empresas tradicionais.

Uma loja física precisava construir filiais.

Uma empresa na Internet precisava apenas de mais servidores.

Era uma mudança gigantesca na forma de escalar um negócio.

Mas alguém começou a confundir crescimento com sustentabilidade.

E foi aí que a história começou a tomar um rumo perigoso.


Wall Street Descobre a Internet

Até então, o mercado financeiro sempre havia analisado empresas utilizando critérios relativamente objetivos.

Receita.

Lucro.

Margem.

Patrimônio.

Endividamento.

Capacidade de geração de caixa.

Com as empresas de Internet surgiu um novo raciocínio.

"Elas ainda não dão lucro porque estão crescendo."

Inicialmente fazia sentido.

Afinal, muitas empresas realmente sacrificam lucro nos primeiros anos para ganhar mercado.

O problema foi quando isso deixou de ser uma fase e passou a ser um modelo de negócios.

Algumas companhias queimavam milhões de dólares por mês sem qualquer perspectiva concreta de rentabilidade.

Mesmo assim...

Recebiam novos investimentos.

Era como abastecer um carro sem motor.


O Primeiro IPO Virou um Espetáculo

Outro fator alimentou a euforia.

Os IPOs.

Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial.

Empresas extremamente jovens chegavam à bolsa de valores e suas ações dobravam ou triplicavam de preço no primeiro dia de negociação.

Imagine abrir uma empresa hoje e, poucos anos depois, vê-la valer bilhões apenas porque investidores acreditam no seu potencial.

Foi exatamente isso que aconteceu.

Cada IPO bem-sucedido atraía novos investidores.

Cada novo investidor aumentava ainda mais os preços.

E o ciclo se retroalimentava.

Nascia um dos ingredientes clássicos de toda bolha especulativa.


Venture Capital: O Combustível da Explosão

Ao mesmo tempo, os fundos de Venture Capital passaram a desempenhar um papel decisivo.

Sua missão era investir em empresas extremamente inovadoras, assumindo riscos elevados em troca da possibilidade de retornos extraordinários.

Esse modelo continua existindo até hoje e é extremamente importante para a inovação.

O problema não era o Venture Capital em si.

O problema era o excesso de dinheiro procurando oportunidades.

Quando existe muito capital disponível, a disciplina tende a diminuir.

Projetos que normalmente seriam rejeitados começaram a receber milhões de dólares.

Muitas vezes bastava apresentar uma ideia interessante acompanhada por uma bela apresentação em PowerPoint.

O produto ainda nem existia.


O Fascínio das Startups

Foi nessa época que começou a nascer a cultura das startups como conhecemos atualmente.

Escritórios modernos.

Mesas de sinuca.

Videogames.

Pufes coloridos.

Ambientes descontraídos.

Horários flexíveis.

Jovens empreendedores usando camiseta e tênis apresentavam projetos para investidores acostumados a ternos e gravatas.

Era uma ruptura cultural.

Empresas centenárias pareciam lentas.

As startups representavam velocidade.

Coragem.

Criatividade.

Disrupção.

A palavra "disruptivo" virou praticamente um mantra.

Poucos paravam para perguntar:

"Como exatamente essa empresa pretende ganhar dinheiro?"


A Mídia Também Entrou na Festa

Revistas especializadas publicavam diariamente histórias de jovens milionários.

Empreendedores de vinte e poucos anos tornavam-se celebridades.

A imprensa tratava fundadores de startups quase como astros do rock.

As capas anunciavam:

"A empresa do futuro."

"O próximo bilionário."

"A nova Microsoft."

Criava-se um ambiente psicológico muito perigoso.

Quem não investisse em Internet parecia estar ficando para trás.

Esse fenômeno possui um nome bastante conhecido atualmente:

FOMO — Fear of Missing Out, o medo de perder uma oportunidade única.

É exatamente esse sentimento que costuma alimentar as grandes bolhas financeiras.


Quando o Marketing Passou a Valer Mais que o Produto

Durante a febre das Dot-Com ocorreu algo curioso.

Algumas empresas gastavam mais dinheiro anunciando seus serviços do que desenvolvendo seus próprios produtos.

Campanhas publicitárias milionárias apareciam na televisão.

Outdoor.

Revistas.

Eventos.

Patrocínios.

Enquanto isso...

Os sistemas internos ainda apresentavam falhas.

Os processos logísticos não funcionavam.

O atendimento era precário.

Era como pintar uma nave espacial antes mesmo de instalar os motores.

Bonita por fora.

Incapaz de completar a missão.


Pets.com: O Símbolo do Exagero

Nenhuma empresa representa melhor aquele período do que a Pets.com.

Sua proposta parecia excelente.

Vender produtos para animais de estimação pela Internet.

Hoje isso parece absolutamente comum.

Na época também parecia uma ótima ideia.

O problema não era a ideia.

Era a matemática.

Transportar sacos de ração pesados para clientes espalhados pelo país custava muito mais do que a empresa conseguia cobrar.

Mesmo assim, a Pets.com gastou milhões em publicidade, criou um mascote famoso e abriu capital na bolsa.

Menos de um ano depois do IPO, encerrou suas atividades.

Seu fantoche de cachorro tornou-se um dos símbolos mais conhecidos da bolha da Internet.

A ideia sobreviveu.

A empresa, não.


Nem Todas Eram Fraudes

É importante desfazer um mito.

A maioria das empresas Dot-Com não nasceu para enganar investidores.

Pelo contrário.

Muitas possuíam profissionais brilhantes.

Ideias genuinamente inovadoras.

Tecnologia avançada.

O problema era outro.

Elas chegaram cedo demais.

O mercado ainda não estava preparado.

A infraestrutura de Internet era limitada.

Os meios de pagamento online eram pouco confiáveis.

A logística ainda era cara.

O consumidor ainda desconfiava das compras virtuais.

Ou seja...

A visão estava correta.

O momento histórico, não.


Enquanto Isso... Nos Bastidores dos Mainframes

Enquanto jornais anunciavam diariamente a "Nova Economia", os computadores centrais continuavam executando silenciosamente suas rotinas.

Os bancos processavam bilhões em transferências.

As bolsas de valores liquidavam operações.

As seguradoras calculavam riscos.

Os governos arrecadavam impostos.

Curiosamente, muitas startups utilizavam justamente esses sistemas tradicionais para realizar pagamentos, processar cartões de crédito e registrar transações financeiras.

A fachada era moderna.

A infraestrutura continuava clássica.

Essa é uma das grandes ironias da história da computação.

A revolução digital avançava apoiada em tecnologias que muitos diziam estar ultrapassadas.


O Erro que Ninguém Percebeu

A Internet realmente mudaria o mundo.

Esse diagnóstico estava absolutamente correto.

O erro foi imaginar que crescimento infinito poderia substituir fundamentos econômicos.

Receita ainda importava.

Lucro continuava importante.

Fluxo de caixa permanecia essencial.

Clientes precisavam pagar contas.

Funcionários precisavam receber salários.

Empresas precisavam sobreviver até que o futuro chegasse.

E foi justamente aí que muitas fracassaram.

Elas apostaram que o amanhã chegaria antes que o dinheiro acabasse.


Lições para o Padawan COBOL

Para um desenvolvedor de sistemas, existe uma lição valiosa escondida na febre das Dot-Com.

Uma boa ideia é apenas o início da jornada.

Entre uma apresentação inspiradora e um sistema funcionando em produção existe um oceano de desafios:

  • arquitetura;

  • infraestrutura;

  • segurança;

  • escalabilidade;

  • manutenção;

  • suporte;

  • integração;

  • continuidade do negócio.

É exatamente por isso que profissionais de mainframe costumam enxergar a tecnologia de maneira diferente.

Eles sabem que um sistema não é medido apenas pelo entusiasmo que desperta no lançamento, mas pela capacidade de continuar operando com segurança cinco, dez ou vinte anos depois.

No universo da Frota Estelar, qualquer engenheiro consegue desenhar uma nave impressionante no holodeck. O verdadeiro desafio é construir uma nave capaz de atravessar uma tempestade de plasma, cumprir a missão e retornar com toda a tripulação em segurança.

No próximo capítulo veremos como essa corrida desenfreada por crescimento criou uma cultura conhecida como "queimar caixa" (Burn Rate), onde gastar milhões de dólares deixou de ser um problema e passou a ser considerado uma estratégia de negócios. Foi nesse momento que a bolha começou, silenciosamente, a preparar sua própria explosão.


sábado, 1 de fevereiro de 2020

Inuyasha : Quando um Programador COBOL Descobre que um Sistema Legado Pode Sobreviver por 500 Anos... e Ainda Assim Precisar de um Patch Chamado Kagome

 

Bellacosa Mainframe apresenta inuyasha

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Inuyasha (犬夜叉) sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que um Sistema Legado Pode Sobreviver por 500 Anos... e Ainda Assim Precisar de um Patch Chamado Kagome

"Alguns sistemas não falham porque são antigos. Falham porque ninguém entende por que foram escritos. Inuyasha é exatamente isso: um Japão Feudal rodando há séculos, cheio de código legado, entidades sobrenaturais e um bug chamado Naraku que ninguém consegue remover definitivamente."


Introdução

Poucos animes conseguiram permanecer relevantes por mais de duas décadas como Inuyasha. Misturando fantasia, romance, ação, comédia, horror folclórico e viagem no tempo, a obra de Rumiko Takahashi tornou-se um dos maiores clássicos da história do anime.

Muito antes da explosão dos isekais modernos, Inuyasha já explorava uma protagonista transportada para outra época, mas sem abandonar sua vida original. Em vez de um "novo mundo perfeito", Kagome precisa conciliar escola, família e uma guerra contra demônios no Japão Sengoku.

Para um programador COBOL, Inuyasha lembra um sistema crítico rodando em produção desde o século XVI: ninguém ousa desligá-lo, há dependências desconhecidas por toda parte, e o principal defeito nasceu centenas de anos antes dos usuários atuais.


Dados Técnicos

Título Original

犬夜叉 (Inuyasha)

Significado aproximado:

"O Cão Demônio"

(Inu = cão)

(Yasha = espírito guerreiro/demônio derivado da mitologia budista)


Autora

Rumiko Takahashi (高橋 留美子)

Uma das maiores mangakás de todos os tempos.

Também criou:

  • Urusei Yatsura

  • Maison Ikkoku

  • Ranma ½

  • Mermaid Saga

  • Rin-ne

  • Mao

Conhecida por unir humor, romance e personagens extremamente carismáticos.


Mangá

Publicação:

Outubro de 1996

Conclusão:

Junho de 2008

Revista:

Weekly Shōnen Sunday

Editora:

Shogakukan

Volumes:

56


Anime

Studio

Sunrise

(hoje Bandai Namco Film Works)

Direção:

Masashi Ikeda

Yasunao Aoki


Exibição

Primeira série

2000–2004

167 episódios


Continuação

Inuyasha: The Final Act

2009–2010

26 episódios


Total

193 episódios


Sequência

Yashahime: Princess Half-Demon

2020–2022

48 episódios

Focada na nova geração.


Filmes

Quatro filmes animados:

  • Affections Touching Across Time

  • Castle Beyond the Looking Glass

  • Swords of an Honorable Ruler

  • Fire on the Mystic Island


Gênero

  • Fantasia

  • Aventura

  • Romance

  • Shōnen

  • Sobrenatural

  • Drama

  • Comédia

  • Mitologia Japonesa

  • Viagem no Tempo

  • Dark Fantasy (leve)


Classificação

Aproximadamente

14 anos

Possui:

  • violência

  • sangue moderado

  • mortes

  • linguagem leve

  • temas religiosos

  • criaturas assustadoras


Sinopse

Kagome Higurashi vive em Tóquio.

Sua família administra um antigo templo.

Durante um ataque de um demônio, ela cai dentro de um misterioso poço.

Ao despertar...

está no Japão Feudal.

Logo descobre que possui dentro de si a lendária Joia de Quatro Almas (Shikon no Tama).

Quando a joia se quebra em centenas de fragmentos, inicia-se uma longa jornada para recuperá-los antes que os demônios dominem o mundo.


A História

Embora pareça apenas um anime de aventura, Inuyasha é essencialmente uma história sobre escolhas.

Cada personagem carrega arrependimentos.

Cada batalha possui consequências.

Cada vitória cobra um preço.

Não existe "reset".

Nem "checkpoint".

Nem "save automático".

É um RPG Hardcore.


Os Personagens

Inuyasha

Metade humano.

Metade yokai.

Seu maior conflito nunca foi derrotar monstros.

Foi descobrir quem realmente era.

Ele representa pessoas que vivem entre dois mundos.

Nunca aceitas completamente por nenhum deles.


Kagome

Talvez seja a verdadeira protagonista.

Ao contrário dos protagonistas modernos de isekai:

Ela sente saudades da família.

Volta para casa.

Faz provas.

Estuda.

Vai ao supermercado.

Depois retorna para enfrentar demônios.

Sua adaptação é gradual e cheia de conflitos.


Sesshomaru

Um dos personagens mais admirados dos animes.

Irmão mais velho de Inuyasha.

Inicialmente frio e orgulhoso.

Mas evolui lentamente.

Sem discursos.

Sem redenções repentinas.

Seu desenvolvimento é mostrado por ações.


Naraku

Um dos melhores vilões da história.

Quase nunca vence pela força.

Seu verdadeiro poder é:

  • manipulação

  • mentira

  • espionagem

  • corrupção

  • intriga

É praticamente um hacker social do Japão Feudal.


Miroku

Monge.

Golpista.

Mulherengo.

Mas extremamente inteligente.

Carrega uma maldição que simboliza como erros do passado podem consumir gerações futuras.


Sango

Caçadora de yokais.

Sua família inteira foi destruída.

Mesmo assim continua lutando.

É uma das personagens mais resilientes da série.


Shippo

A pequena raposa.

Responsável pelo humor.

Representa inocência.


Kirara

A mascote da equipe.

Pequena.

Fofa.

Mas transforma-se numa enorme fera demoníaca.


Kikyō

Talvez a personagem mais complexa.

Ela representa:

  • amor perdido

  • arrependimento

  • destino

  • ressentimento

Sua relação com Kagome está entre as melhores construções emocionais do gênero.


O Que Torna Inuyasha Diferente?

Hoje muitos chamam Inuyasha de isekai.

Tecnicamente...

não exatamente.

É uma viagem no tempo.

E isso muda tudo.

Kagome nunca abandona completamente sua realidade.

Ela vive em dois mundos.

Isso cria uma narrativa muito mais rica do que o tradicional "morreu, reencarnou e esqueceu a vida anterior".

Além disso, o Japão Feudal mostrado por Rumiko Takahashi é um lugar duro, onde há fome, guerras, doenças, preconceitos e medo constante dos yokai. Não existe a idealização comum de muitos mundos fantásticos atuais.


Temáticas

Identidade

Quem sou eu?

Humano?

Yokai?

Ou ambos?


Preconceito

Metade humano.

Metade demônio.

Aceito por ninguém.


Amor

Kagome.

Kikyō.

O passado.

O presente.

O impossível.


Destino

A Joia interfere.

Mas as escolhas continuam pertencendo aos personagens.


Ganância

Todos desejam a Joia.

Poucos compreendem seu preço.


Perdão

Quase todos carregam culpa.


A Jornada das Aventuras

Cada fragmento da Joia leva o grupo a enfrentar novos yokai, espíritos vingativos, senhores feudais, sacerdotisas, monges e criaturas inspiradas no folclore japonês. Em vez de uma missão linear, a série funciona como uma longa peregrinação, onde cada encontro modifica a personalidade dos protagonistas.

Conforme a busca avança, Naraku cria armadilhas, manipula aliados e força os heróis a enfrentar não apenas monstros, mas também seus próprios medos e traumas. A aventura é tanto física quanto emocional.


Mensagens Ocultas

A Joia Nunca Resolve Problemas

Ela apenas amplifica desejos.

Como dinheiro.

Ou poder.

Ou tecnologia.

Ferramentas não tornam pessoas melhores.


O Ódio é Hereditário

Naraku existe porque pessoas incapazes de superar o passado alimentaram seus próprios demônios.


A Força Sem Empatia Não Vale Nada

Sesshomaru aprende isso lentamente.


O Amor Pode Curar...

Mas também destruir.


O Passado Nunca Morre

Ele apenas muda de forma.


Impacto Cultural

Inuyasha ajudou a apresentar o folclore japonês para milhões de espectadores ao redor do mundo. Termos como yokai, miko e Shikon no Tama passaram a fazer parte do vocabulário de muitos fãs.

Também consolidou Rumiko Takahashi como uma das autoras mais influentes da indústria e tornou-se um dos pilares da programação do bloco Adult Swim nos Estados Unidos, contribuindo para a popularização dos animes no Ocidente.

A franquia gerou:

  • mais de 50 milhões de cópias do mangá em circulação;

  • quatro filmes de animação;

  • CDs de drama, artbooks e guias oficiais;

  • dezenas de jogos para PlayStation, Nintendo DS, WonderSwan e celulares;

  • a continuação Yashahime, focada na geração seguinte.


Censura

Comparado com muitos shōnen atuais, Inuyasha sofreu pouca censura no Japão.

As principais adaptações internacionais envolveram:

  • redução de sangue em algumas transmissões de TV;

  • cortes de cenas mais violentas em determinados países;

  • suavização de diálogos considerados inadequados para horários infantis.

O romance, a violência e os temas espirituais permaneceram praticamente intactos na maior parte das edições em DVD e streaming.


Mangás

  • Inuyasha (1996–2008) — 56 volumes.

  • Diversos databooks e guias oficiais publicados pela Shogakukan.

Não existe uma light novel principal que substitua ou continue a história do mangá.


Games

Entre os jogos mais conhecidos estão:

  • Inuyasha: A Feudal Fairy Tale (PlayStation)

  • Inuyasha: The Secret of the Cursed Mask (PlayStation 2)

  • Inuyasha: Feudal Combat (PlayStation 2)

  • Inuyasha: Secret of the Divine Jewel (Nintendo DS)

  • Jogos para WonderSwan Color e aparelhos móveis japoneses.

  • Participações especiais em diversos crossovers da Bandai Namco.


Curiosidades

  • Rumiko Takahashi inspirou-se fortemente nas lendas e no folclore do período Sengoku.

  • O famoso comando "Osuwari!" ("Senta!") tornou-se uma das frases mais icônicas dos animes.

  • Sesshomaru, inicialmente planejado como antagonista recorrente, tornou-se um dos personagens mais populares da franquia.

  • A espada Tessaiga evolui conforme Inuyasha amadurece, funcionando como uma metáfora para crescimento pessoal.

  • A trilha sonora de Kaoru Wada é considerada uma das mais marcantes da animação japonesa, misturando instrumentos tradicionais e orquestra.


Easter Eggs

  • A família Higurashi vive em um templo xintoísta, reforçando a ligação espiritual entre o Japão moderno e o feudal.

  • Muitos yokai encontrados por Kagome são adaptações diretas de criaturas descritas em antigos pergaminhos e livros de folclore.

  • A rivalidade entre Inuyasha e Sesshomaru ecoa antigos mitos japoneses sobre irmãos destinados a seguir caminhos opostos.


☕ Bellacosa Mainframe

Imagine que o Shikon no Tama seja um enorme banco de dados VSAM fragmentado em centenas de KSDS espalhados pelo Japão. Cada fragmento contém registros corrompidos que, quando reunidos sem controle, podem derrubar todo o ambiente de produção.

Naraku é aquele bug introduzido em uma versão lançada há 50 anos. Ninguém mais sabe quem escreveu o código original, mas todo mês aparece um novo incidente causado por ele.

Sesshomaru é o arquiteto veterano que nunca comenta uma linha de COBOL, mas resolve um ABEND crítico antes mesmo de o operador abrir um chamado.

Miroku seria o analista de suporte que convive diariamente com um incidente conhecido, documentado e impossível de eliminar definitivamente.

Kagome representa a desenvolvedora moderna que consegue trabalhar simultaneamente no ambiente legado e nas ferramentas atuais, traduzindo dois mundos completamente diferentes.

E Inuyasha é aquele programa híbrido, escrito em parte em uma linguagem antiga e em parte em tecnologia nova. Alguns dizem que deveria ser reescrito do zero. Outros sabem que, sem ele, todo o sistema simplesmente deixaria de funcionar.

No fim, Inuyasha ensina uma lição que todo profissional de mainframe conhece: os maiores monstros raramente são os que aparecem na tela. Os mais perigosos são aqueles escondidos nas decisões tomadas séculos atrás, mas que continuam influenciando cada nova execução do sistema.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

DotCom : Capítulo I — Antes da Tempestade: O Mundo Antes da Internet Comercial

 

 

Bellacosa Mainframe a tempestade dot.com capitulo I


DotCOM: Capítulo I — Antes da Tempestade: O Mundo Antes da Internet Comercial

Como um Padawan COBOL pode entender por que a maior revolução digital da história começou muito antes do Google

"Toda revolução parece nascer de um único momento. Na realidade, ela é construída silenciosamente durante décadas."

Imagine que você acabou de entrar em um CPD (Centro de Processamento de Dados) em 1994.

Você veste um jaleco, atravessa uma sala climatizada onde o ar-condicionado nunca desliga, escuta o ruído constante das unidades de disco, observa operadores carregando fitas magnéticas e impressoras de linha imprimindo milhares de páginas por hora. Em um canto, um IBM 9672 executa milhares de transações por segundo sem que a maioria da população sequer imagine sua existência.

Para um jovem Padawan COBOL, aquele era o verdadeiro coração da economia.

Enquanto isso, do lado de fora do prédio, poucas pessoas sequer sabiam o que era Internet.

É difícil acreditar nisso hoje.

Vivemos numa época em que praticamente tudo depende da rede mundial. Pagamos contas pelo celular, fazemos compras em segundos, conversamos com pessoas do outro lado do planeta por vídeo, assistimos filmes sob demanda e utilizamos Inteligência Artificial para escrever textos, criar imagens e desenvolver programas.

Mas, até meados da década de 1990, esse mundo simplesmente não existia.

A Internet não era uma praça pública digital.

Era um enorme laboratório.

E compreender essa diferença é essencial para entender por que a bolha das empresas ".com" aconteceu poucos anos depois.


Muito Antes do Google Existia Outro Mundo

Quando ouvimos falar da Internet, normalmente pensamos em empresas como Google, Amazon, Netflix ou YouTube.

Entretanto, nenhuma delas existia da forma que conhecemos atualmente.

Na verdade, durante boa parte dos anos 1980 e início dos anos 1990, a Internet era utilizada quase exclusivamente por:

  • universidades;

  • centros de pesquisa;

  • órgãos governamentais;

  • instituições militares;

  • alguns grandes laboratórios científicos.

Seu objetivo original nunca foi vender produtos.

Ela foi concebida para compartilhar informações e manter comunicações resilientes entre computadores distribuídos.

As conexões eram lentas.

Muito lentas.

Hoje reclamamos quando uma página demora três segundos para abrir.

Naquela época, uma fotografia podia levar vários minutos para aparecer completamente na tela, linha após linha, como se estivesse sendo desenhada lentamente.

Vídeos?

Praticamente impensáveis.

Streaming?

Nem sequer fazia parte do vocabulário.


O Mundo Corporativo Funcionava Muito Bem Sem a Web

Existe uma ideia bastante difundida entre quem começou a estudar tecnologia recentemente:

"Antes da Internet, as empresas eram atrasadas."

Nada poderia estar mais distante da realidade.

Bancos já processavam milhões de transações diariamente.

Companhias aéreas possuíam sofisticados sistemas de reservas.

Seguradoras administravam enormes bases de dados.

Governos realizavam arrecadação de impostos em escala nacional.

Tudo isso funcionava antes da Web.

Quem fazia esse trabalho?

Mainframes.

COBOL.

CICS.

IMS.

Db2.

VSAM.

JCL.

Essas tecnologias sustentavam operações críticas décadas antes de alguém imaginar fazer compras pela Internet.

É justamente por isso que muitos profissionais veteranos sorriem quando alguém afirma que "a transformação digital começou com a Internet".

Na verdade, a Internet foi construída sobre uma infraestrutura empresarial que já existia e que funcionava com extraordinária confiabilidade.

Enquanto a Web ainda aprendia a andar, o mainframe já corria maratonas.


A Era dos Jardins Fechados

Antes da Internet comercial, existiam diversas redes privadas.

Empresas utilizavam:

  • terminais 3270;

  • redes SNA;

  • sistemas proprietários;

  • comunicação X.25;

  • acesso remoto via modem;

  • BBS (Bulletin Board Systems).

Cada ambiente funcionava quase como um pequeno planeta independente.

Era comum uma empresa possuir centenas de terminais conectados exclusivamente ao seu computador central.

Não havia páginas web.

Não existiam hyperlinks.

A navegação era totalmente baseada em menus e comandos.

Curiosamente, muitos desses sistemas ainda permanecem ativos atualmente, executando aplicações críticas em bancos, governos e grandes empresas.

Isso mostra uma característica importante da tecnologia empresarial:

estabilidade costuma valer mais do que novidade.


O Barulho que Mudou Tudo

No início dos anos 1990, milhões de pessoas começaram a ouvir um som que marcaria uma geração inteira.

O modem discado.

Quem viveu aquela época dificilmente esquece a sequência metálica de chiados, estalos e apitos produzidos enquanto o computador tentava estabelecer uma conexão telefônica.

Aquele pequeno concerto eletrônico significava apenas uma coisa:

Você estava entrando na Internet.

A conexão ocupava a linha telefônica.

Se alguém levantasse o telefone da casa...

A conexão caía.

As velocidades pareciam ridículas para os padrões atuais.

14.400 bps.

28.800 bps.

33.600 bps.

56 Kbps.

Hoje uma fotografia comum pode ser maior que toda a quantidade de dados transferida em vários minutos de navegação daquela época.

Mesmo assim...

Parecia mágico.

Pela primeira vez qualquer pessoa poderia acessar informações publicadas em outro país sem precisar comprar livros, revistas ou jornais.

Era uma mudança de paradigma.


O Nascimento da World Wide Web

Um dos maiores equívocos históricos é acreditar que Internet e Web são a mesma coisa.

Não são.

A Internet é a infraestrutura.

A Web é um dos serviços que funciona sobre ela.

Foi o cientista britânico Tim Berners-Lee quem propôs, em 1989, um sistema baseado em hipertexto capaz de conectar documentos espalhados pelo mundo.

Nascia a World Wide Web.

Sua ideia era simples e genial.

Criar documentos interligados por links.

Hoje isso parece absolutamente comum.

Na época era revolucionário.

Antes disso, acessar informações em computadores remotos exigia comandos específicos e conhecimento técnico.

Com a Web bastava clicar.

Essa simplicidade mudaria tudo.


Mosaic: O Navegador que Encantou o Mundo

Em 1993 surgiu um software que poucos conhecem hoje, mas que alterou definitivamente a história da computação.

O navegador Mosaic.

Pela primeira vez era possível visualizar textos e imagens juntos na mesma página de maneira amigável.

Pode parecer um detalhe pequeno.

Não era.

Até então, boa parte da Internet era baseada em interfaces textuais.

O Mosaic transformou a navegação em algo visual.

Milhões perceberam que aquele ambiente tinha potencial para se tornar muito maior do que um simples projeto acadêmico.

Entre seus desenvolvedores estava Marc Andreessen, que pouco tempo depois ajudaria a fundar a Netscape Communications.

Esse seria o próximo grande capítulo da revolução digital.


Netscape: A Primeira Estrela da Nova Economia

Se hoje o Google domina o mercado de navegadores por meio do Chrome, nos anos 1990 quem despertava admiração era o Netscape Navigator.

Ele era rápido.

Bonito.

Fácil de usar.

Empresas passaram a criar seus primeiros sites.

Jornais começaram a publicar notícias online.

Universidades disponibilizaram conteúdos digitais.

Pequenos negócios descobriram que poderiam alcançar clientes muito além de sua cidade.

A Internet deixava de ser um ambiente técnico.

Ela começava a se tornar comercial.

Era o início de uma nova economia.

E quase ninguém imaginava a velocidade com que essa transformação aconteceria.


O Primeiro Contato da Sociedade com o "Ciberespaço"

Na metade da década de 1990, navegar pela Internet era uma experiência quase exploratória.

Não havia mecanismos de busca eficientes.

Era preciso conhecer o endereço exato de um site ou encontrá-lo em diretórios como Yahoo!, que organizavam páginas por categorias.

Surgiam também serviços que marcaram uma geração:

  • ICQ;

  • IRC;

  • Geocities;

  • AltaVista;

  • Lycos;

  • Excite.

Cada novo site parecia descobrir um território desconhecido.

A sensação era semelhante às grandes navegações dos séculos XV e XVI.

Só que, desta vez, o oceano era digital.


Enquanto Isso... Nos Bastidores da Economia

Enquanto revistas estampavam capas anunciando "A Revolução da Internet", outra realidade permanecia praticamente invisível.

As bolsas de valores continuavam sendo liquidadas por sistemas robustos.

Cartões de crédito eram autorizados em mainframes.

Folhas de pagamento eram processadas em COBOL.

Compensações bancárias aconteciam diariamente sem falhas perceptíveis.

Esse contraste é fascinante.

O mundo olhava para as vitrines da Internet.

Mas a infraestrutura que sustentava a economia continuava funcionando silenciosamente nos grandes centros de processamento de dados.

Como na engenharia de uma nave da Frota Estelar, todos admiravam a ponte de comando. Poucos percebiam que era a sala de máquinas que mantinha a nave em velocidade de dobra.


A Primeira Grande Ilusão

Foi exatamente nesse cenário que surgiu uma ideia extremamente sedutora.

Se a Internet estava crescendo tão rapidamente...

Então qualquer empresa ligada à Internet inevitavelmente ficaria rica.

Essa conclusão parecia lógica.

Mas escondia um erro clássico.

Confundir o crescimento de uma tecnologia com o sucesso automático de todas as empresas que a utilizam.

É como imaginar que, porque a eletricidade revolucionou o mundo, toda empresa fabricante de lâmpadas se tornaria bilionária.

Ou que, porque a Inteligência Artificial está transformando a computação, toda startup que coloca "AI" em seu nome será um sucesso.

A história mostra que inovação e rentabilidade não caminham necessariamente juntas.

E essa foi justamente a semente da maior bolha tecnológica do século XX.


Lições para o Padawan COBOL

Se existe uma primeira lição que um programador COBOL deve guardar deste capítulo, é que as maiores revoluções tecnológicas raramente começam da forma como imaginamos.

A Internet não nasceu para vender produtos.

A Web não foi criada para gerar bilhões em publicidade.

Os mainframes não foram desenvolvidos para competir com computadores pessoais.

Cada tecnologia surgiu para resolver problemas concretos e, somente depois, encontrou aplicações muito maiores do que seus criadores poderiam prever.

Essa é uma das características mais fascinantes da computação: tecnologias sólidas sobrevivem porque entregam valor real, mesmo quando as modas mudam.

No próximo capítulo veremos como essa combinação de entusiasmo, inovação e expectativas ilimitadas deu origem à febre das empresas ".com", uma corrida onde investidores passaram a acreditar que bastava adicionar um endereço na Internet para transformar qualquer ideia em bilhões de dólares. É aí que a verdadeira aventura — e o verdadeiro caos — começa.


domingo, 26 de janeiro de 2020

CI/CD sem Mistérios : O Guia do Programador COBOL Padawan para Entender por que o Mainframe Faz DevOps Há Décadas (Mesmo Antes de Chamarem Assim)

 

Bellacosa Mainframe e ci/cd sem misterios

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

CI/CD sem Mistérios

O Guia do Programador COBOL Padawan para Entender por que o Mainframe Faz DevOps Há Décadas (Mesmo Antes de Chamarem Assim)

Existe uma frase muito comum quando alguém começa a estudar DevOps:

"CI/CD revolucionou a forma de desenvolver software."

Ela não está errada.

Mas para quem trabalha com IBM Z, CICS, Db2, COBOL, IMS e JCL, existe uma observação divertida:

"Revolucionou para quem nunca trabalhou com mainframe."

E aqui está um dos maiores easter eggs da computação.

Durante décadas, enquanto boa parte do mundo compilava programas diretamente no servidor de produção usando FTP e um editor de texto, o universo mainframe já possuía ambientes separados, aprovação, promoção de código, controle de versões internos, rollback, auditoria e pipelines extremamente rígidos.

Não recebiam o nome de DevOps.

Mas faziam praticamente a mesma coisa.


O que significa CI/CD?

CI significa

Continuous Integration
(Integração Contínua)

CD possui dois significados.

Primeiro:

Continuous Delivery
(Entrega Contínua)

Depois:

Continuous Deployment
(Implantação Contínua)

Por isso muita gente escreve

CI/CD

para representar todo o fluxo.


Bellacosa Mainframe e o ciclo Ci/Cd

A ideia parece moderna...

...mas é muito antiga.

A origem vem da necessidade de resolver um enorme problema dos anos 70, 80 e 90.

Imagine uma empresa com:

  • 300 desenvolvedores

  • milhares de programas

  • centenas de alterações diárias

Cada programador alterava arquivos diferentes.

No final da semana alguém tentava juntar tudo.

Resultado?

Era praticamente inevitável aparecerem conflitos, regressões e erros de integração.

Nascia então a necessidade de integrar continuamente.


O problema que existia

Imagine cinco programadores.

João altera cálculo de juros.

Maria altera cadastro.

Carlos altera emissão.

Pedro altera impostos.

Ana altera relatórios.

Todos trabalham separados durante um mês.

Na hora de juntar tudo...

Começa o caos.

Isso era chamado de:

Integration Hell

Ou

Inferno da Integração.

CI nasceu justamente para evitar isso.


O objetivo do CI

Ao invés de integrar tudo no final...

Integra-se o tempo inteiro.

Cada alteração dispara automaticamente:

  • compilação

  • testes

  • validações

  • análise estática

  • geração de artefatos

Se algo quebra...

Descobre-se em minutos.

Não em semanas.


Delivery

Continuous Delivery responde outra pergunta.

Depois que compilou...

Como levar até produção?

Sem copiar arquivos manualmente.

Sem esquecer datasets.

Sem esquecer um BIND.

Sem esquecer um módulo.

Tudo passa a ser automatizado.


Deployment

Continuous Deployment vai além.

Se tudo passou...

O sistema entra automaticamente em produção.

Sem intervenção humana.

Este modelo é muito comum em empresas digitais.

No mundo bancário, normalmente utiliza-se Continuous Delivery com aprovação humana antes da promoção para produção, por exigências regulatórias e de governança.


Onde surgiu?

As raízes aparecem ainda nas práticas de integração de software dos anos 1980 e foram consolidadas com métodos como Extreme Programming (XP) na década de 1990. Em 2006, Martin Fowler popularizou o conceito de Continuous Integration, e a partir da década de 2010, com a ascensão do DevOps, CI/CD tornou-se um padrão amplamente adotado.

Curiosamente...

O mainframe já fazia muitas dessas práticas décadas antes.


O Easter Egg do IBM Z

Imagine um desenvolvedor COBOL em 1988.

Ele faz:

Editar

↓

Compilar

↓

Link

↓

Teste

↓

Homologação

↓

Produção

Agora veja um pipeline GitHub.

Commit

↓

Compile

↓

Test

↓

Package

↓

Deploy QA

↓

Deploy PROD

São praticamente a mesma filosofia.

A diferença está na automação e nas ferramentas.


O ciclo clássico do Mainframe

Durante muitos anos, um fluxo típico era:

Desenvolvimento

↓

Teste Unitário

↓

Integração

↓

Homologação

↓

Produção

Cada ambiente possuía:

  • bibliotecas próprias

  • datasets próprios

  • Db2 próprio

  • CICS próprio

  • IMS próprio

Nada era compartilhado.


O programador Padawan pensa...

"Mas isso já não é CI/CD?"

Na essência...

Sim.

A maior diferença é:

antes boa parte das promoções dependia de pessoas.

Hoje dependem de pipelines.


Como funcionava antigamente?

Um fluxo clássico podia ser:

Programador

↓

Compila

↓

Entrega ao líder

↓

Líder aprova

↓

Equipe de mudança

↓

Equipe de produção

↓

Operadores

↓

Implantação

Cada etapa envolvia documentos.

Telefonemas.

Assinaturas.

Mudanças em papel.

Mudanças aprovadas em CAB (Change Advisory Board).

Tudo extremamente controlado.


As equipes antigamente

Era comum existir:

Programadores

Analistas

QA

DBA

Operadores

Produção

Sysprog

Storage

Segurança

Change Management

Cada equipe era responsável apenas por sua parte.

Esse modelo ficou conhecido como "silos".


Hoje

O objetivo do DevOps não é eliminar especialistas.

É fazê-los trabalhar juntos.

Em vez de jogar o problema para o próximo grupo.

Todos compartilham responsabilidade.


O pipeline moderno

Hoje um commit pode executar automaticamente:

Git

↓

Build

↓

Compile COBOL

↓

IBM COBOL Check

↓

Testes ZUnit

↓

Code Review

↓

Quality Gate

↓

DBB/zBuilder

↓

Empacotamento

↓

Deploy DEV

↓

Deploy QA

↓

Deploy UAT

↓

Deploy Produção

Tudo registrado.

Tudo auditável.

Tudo reproduzível.


O grande objetivo

Reduzir risco.

Não aumentar velocidade.

Velocidade é consequência.

O verdadeiro objetivo é:

Confiabilidade.


Comparando com Waterfall

Waterfall

Grande planejamento.

Grande desenvolvimento.

Grande teste.

Grande implantação.

Tudo ocorre em blocos.

Mudanças são caras.

Feedback demora.


Agile

Entrega pequena.

Feedback rápido.

Correções rápidas.

Novos ciclos.

O cliente participa continuamente.


Onde entra o CI/CD?

O Agile responde:

Como organizar o trabalho?

CI/CD responde:

Como entregar software com segurança e repetibilidade?

São complementares.


Waterfall sem CI/CD

Planejar

↓

Desenvolver

↓

Meses depois integrar

↓

Torcer

Agile sem CI/CD

Sprint

↓

Entrega

↓

Implantação manual

↓

Muito retrabalho

Agile + CI/CD

Sprint

↓

Commit

↓

Pipeline

↓

Testes

↓

Deploy

↓

Feedback

É essa combinação que caracteriza a maior parte das organizações modernas.


O Mainframe já fazia isso?

Muito mais do que muita gente imagina.

Ferramentas como:

  • Endevor

  • Changeman ZMF

  • ISPW

  • Librarian

  • Panvalet

já implementavam conceitos de:

  • versionamento

  • promoção

  • rollback

  • aprovação

  • auditoria

  • segregação de ambientes

Décadas antes do GitHub existir.


O pipeline "invisível"

Um pipeline moderno apenas automatiza etapas que o mainframe tradicional já conhecia:

Editar COBOL

↓

Compile

↓

DBRM

↓

BIND PACKAGE

↓

BIND PLAN

↓

Link Edit

↓

Load Library

↓

Deploy

↓

Smoke Test

↓

Produção

Hoje isso pode ser disparado por um único commit.


Os requisitos para um verdadeiro CI/CD

Não basta instalar Jenkins.

É necessário:

  • Controle de versão (Git ou equivalente).

  • Build automatizado (DBB/zBuilder, Maven, Gradle etc.).

  • Testes automatizados (ZUnit, JUnit...).

  • Análise estática (IBM COBOL Check, SonarQube...).

  • Pipeline (Jenkins, GitHub Actions, GitLab CI...).

  • Promoção automatizada entre ambientes.

  • Rollback.

  • Auditoria.

  • Observabilidade.

  • Aprovação quando exigida por compliance.

Sem esses elementos, há automação parcial, mas não um pipeline maduro.


É hype?

Hoje, não.

Há alguns anos, "DevOps" virou uma buzzword usada para vender ferramentas e consultorias. Porém, CI/CD deixou de ser moda para se tornar uma prática consolidada de engenharia de software.

O hype passou.

A necessidade permaneceu.


É uma buzzword?

Depende do contexto.

Quando alguém diz:

"Nossa empresa faz DevOps."

Mas:

  • não existe automação;

  • não há testes automáticos;

  • tudo é manual;

  • produção depende de copiar arquivos;

  • rollback não existe;

Então virou apenas uma buzzword.

Quando existe pipeline, testes, rastreabilidade, observabilidade e governança, CI/CD deixa de ser discurso e vira prática.


O maior mito

Muitos acreditam:

"CI/CD serve para entregar software mais rápido."

Na verdade...

Serve para entregar software com menos risco.

A velocidade aparece porque há menos retrabalho, menos erros humanos e mais confiança no processo.


Curiosidades

  • NASA, bancos, companhias aéreas e bolsas de valores utilizam pipelines altamente controlados, muitas vezes exigindo aprovações humanas mesmo com automação.

  • O IBM Z integra-se hoje com Git, Jenkins, GitHub Actions, Azure DevOps, Ansible, Zowe, DBB/zBuilder, UrbanCode Deploy e outras ferramentas modernas.

  • Em ambientes regulados, é comum usar Continuous Delivery, mas não Continuous Deployment, porque uma etapa de aprovação humana continua sendo obrigatória.


Easter Eggs para o Padawan COBOL

🥚 Endevor fazia "pipeline" antes do pipeline existir.

🥚 Promotion Levels do ISPW lembram muito os estágios (stages) de um pipeline moderno.

🥚 O DBRM pode ser visto como um "artefato de build", equivalente ao que linguagens modernas geram antes da implantação.

🥚 O BIND PACKAGE é, em muitos aspectos, semelhante a uma etapa especializada de empacotamento e configuração dentro de um pipeline.

🥚 O JCL sempre foi uma forma declarativa de orquestração de tarefas em lote, décadas antes de arquivos YAML de pipelines se tornarem populares.


A Grande Lição para um Padawan COBOL

Quando você ouvir alguém dizer:

"DevOps e CI/CD chegaram para substituir o mainframe."

Sorria.

Depois explique que o IBM Z já separava ambientes, promovia código entre níveis, exigia aprovações, mantinha auditoria, fazia rollback e garantia rastreabilidade muito antes dessas práticas receberem os nomes que conhecemos hoje.

O que mudou não foi a filosofia.

Mudaram as ferramentas, o grau de automação e a integração entre equipes.

No fim das contas, CI/CD não é uma tecnologia nem uma moda passageira. É a evolução natural de uma ideia simples: tornar a entrega de software repetível, segura, auditável e previsível. E, para quem vive no universo COBOL e IBM Z, essa história soa surpreendentemente familiar. Afinal, o mainframe sempre ensinou que colocar código em produção é um processo de engenharia — nunca um ato de improviso.


sábado, 25 de janeiro de 2020

☕🔥 ABENDs Clássicos do Mainframe IBM — O Guia de Sobrevivência

 

Bellacosa Mainframe revisando a lista classica de abends no mundo ibm mainframe



☕🔥 ABENDs Clássicos do Mainframe IBM — O Guia de Sobrevivência

🔥 S013 — Dataset/Dataset Member Problem

O que significa

Erro de OPEN em dataset.

Causas comuns

  • BLKSIZE incorreto

  • RECFM incompatível

  • Membro inexistente em PDS

  • DCB incompatível

Clássico cenário COBOL

//ARQENT DD DSN=MEU.PDS(MEMBROX),DISP=SHR

Mas o membro não existe.


🔥 S0C1 — Operation Exception

“O programa tentou executar lixo como instrução”

Causas comuns

  • Programa compilado errado

  • Overlay de memória

  • Chamada para área inválida

  • Executar dados como código

Muito comum em:

  • COBOL

  • Assembler

  • LINK incorreto


🔥 S0C4 — Protection Exception

O terror absoluto do programador COBOL

Significa

Acesso inválido à memória.

Principais causas

  • Subscript fora do limite

  • Ponteiro inválido

  • LINKAGE SECTION errada

  • Buffer não inicializado

Exemplo clássico

MOVE TAB-ITEM(9999) TO WS-CAMPO

Quando a tabela só vai até 100.


🔥 S0C7 — Data Exception

O ABEND mais famoso do COBOL

Significa

Campo numérico contém dado inválido.

Exemplo

MOVE 'ABC' TO WS-VALOR-NUM
ADD 1 TO WS-VALOR-NUM

💥 S0C7.


🔥 S213 — Dataset Não Encontrado

“O dataset simplesmente não existe”

Causas

  • DSNAME errado

  • Dataset não catalogado

  • VOL=SER incorreto

Mensagem clássica

IEC143I 213-04

🔥 S222 — Job Cancelado

Operador matou o job

Geralmente ocorre por:

  • Loop infinito

  • Job travado

  • Consumo excessivo

  • Cancel manual


🔥 S322 — TIMEOUT

“Seu job passou do tempo”

Clássico:

TIME=1

Mas o programa entra em loop.


🔥 S806 — Module Not Found

O loader não encontrou o programa

Causas

  • STEPLIB errada

  • LOADLIB ausente

  • Nome do módulo incorreto

Mensagem típica

CSV003I REQUESTED MODULE NOT FOUND

🔥 S913 — RACF Security Violation

Segurança negou acesso

Causas

  • Dataset protegido

  • Falta de permissão RACF

  • Usuário sem READ/UPDATE

Muito comum em:

  • Produção

  • Db2

  • CICS

  • GDGs corporativos


🔥 B37 / D37 / E37 — Falta de Espaço

B37

Sem espaço secundário suficiente.

D37

Sem secondary allocation.

E37

Acabaram as extents ou a fita.

Clássico JCL

SPACE=(CYL,(1,0))

💥 Dataset cresce → ABEND D37.


☕ Curiosidade Histórica

A palavra:

ABEND

vem de:

ABnormal END

Ou seja:

“Término Anormal”

Esse termo nasceu nos primeiros sistemas IBM OS/360 e virou parte da cultura mainframe mundial.


🔥 Os 5 ABENDs Mais Temidos da História do COBOL

ABENDApelido
S0C7Data Exception
S0C4Protection Exception
S806Module Not Found
S322Timeout
S913RACF Security

☕ Dica Profissional Mainframe

Quando houver ABEND:

SEMPRE analisar:

  1. JESMSGLG

  2. JESJCL

  3. SYSMSG

  4. SYSOUT

  5. Dump

  6. CEEDUMP (LE)

  7. Abend-AID / Fault Analyzer


🔥 Regra de Ouro do Mainframe

O ABEND raramente é o problema.

Ele é apenas:

“O sintoma do problema.”

O verdadeiro erro normalmente aconteceu:

  • antes,

  • em outro módulo,

  • ou em dados corrompidos anteriormente.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Viagem rumo a São Tomé das Letras - MG

Dirigindo pelo sul de Minas Gerais,


Seguindo os passos de antigos bandeirantes, estamos circulando pela Rodovia Fernão Dias, rumo a mistica cidade dos gnomos, duendes e ovnis.

Neste primeiro vídeo de nossa jornada, apresento algumas estradas que circulamos passamos por inúmeras localidades, estamos na pequena estrada de 3 Corações, posteriormente iremos subir rumo a São Tomé das Letras.

Passando pelo Portal Magico adentramos na cidade e chegamos ao Camping do CID, onde iremos passar a virada de ano e aproveitar para explorar um pouquinho de São Tome.

#MinasGerais #SaoTomeDasLetras #Estrada #TresCoracoes #Viagem #Rodovia #camping #Cid #Aventura #direcao #passeio #viagem #serramantiqueira


#SaoTomeDasLetras #Piramide #tocaFurada #mirante #cruzeiro #IGrejaAssombrada #Castelo #Trilha #Ecoturismo #ViagemAstral #Ufo #et #duende #fada #weed #hippie #bichogrilo #cachoeira #cascata #corredeira #Caverna #pedradabruxa #panorama #ChicoTaquara #Gruta #saoTome #igrejarosario #sobradinho #eubioese #shangrila #poçoazul #poçodasesmeraldas #paraiso #veudanoiva #valedasborboletas #lua #gruta



quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

📖 Honzuki no Gekokujou 2ª Temporada : Quando Myne Sai do Ambiente de Desenvolvimento e Entra em Produção — O Deploy Mais Delicado da História dos Isekais

 

Bellacosa Mainframe e a segunda temporada de honzuki no gekokujou

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

📖 Honzuki no Gekokujou 2ª Temporada (本好きの下剋上 第二部): Quando Myne Sai do Ambiente de Desenvolvimento e Entra em Produção — O Deploy Mais Delicado da História dos Isekais

"Criar papel foi apenas o protótipo. Agora Myne precisa integrar seu projeto ao sistema mais complexo daquele mundo: o Templo, a nobreza e uma burocracia que faz o RACF parecer amigável."


Introdução

A primeira temporada de Honzuki no Gekokujou mostrou como uma garota apaixonada por livros conseguiu reinventar tecnologias esquecidas em um mundo medieval. Era uma história sobre invenção, empreendedorismo e sobrevivência.

A segunda temporada muda completamente o foco.

Agora, o desafio não é mais fabricar papel ou tinta. O verdadeiro obstáculo é inserir conhecimento em uma estrutura de poder consolidada há séculos.

Sob a ótica do Bellacosa Mainframe, é como desenvolver uma solução inovadora em um ambiente de testes e, depois, tentar implantá-la em um gigantesco datacenter bancário cheio de normas, auditorias, segurança e interesses políticos.

É nesse momento que Honzuki no Gekokujou deixa de ser apenas um excelente isekai e se transforma em uma obra sobre governança, gestão de mudanças e transformação organizacional.


Ficha Técnica

Título original

本好きの下剋上 司書になるためには手段を選んでいられません 第二部

(Honzuki no Gekokujou: Shisho ni Naru Tame ni wa Shudan wo Erandeiraremasen – Part 2)

Título internacional

Ascendance of a Bookworm – Season 2


Autor Original

Miya Kazuki


Ilustrações

You Shiina


Estúdio

Ajia-do Animation Works

O estúdio mantém sua principal característica:

Priorizar narrativa.

Não existe espetáculo visual constante.

Existe direção cuidadosa.

Existe desenvolvimento gradual.

Existe respeito pelo material original.

A qualidade está muito mais na escrita do que na quantidade de quadros por segundo.


Direção

Mitsuru Hongo

A direção demonstra enorme maturidade.

Os conflitos deixam de ser físicos.

Agora são:

  • políticos

  • econômicos

  • religiosos

  • sociais

Cada episódio acrescenta uma nova camada ao universo.


Data de lançamento

4 de abril de 2020

Exibição encerrada em:

20 de junho de 2020


Episódios

12 episódios

Cada episódio adapta parte do arco conhecido como Part 2 – Apprentice Shrine Maiden.


Classificação

Fantasia

Isekai

Drama

Slice of Life

Política

Religião

Economia

Construção de Mundo


Faixa indicativa

Aproximadamente 12 anos.

Embora seja um anime tranquilo visualmente, trata temas bastante maduros:

  • exploração infantil

  • corrupção

  • fome

  • abuso de autoridade

  • desigualdade social

  • luta por poder

  • manipulação política


Sinopse

Após conseguir produzir papel e iniciar uma pequena revolução comercial, Myne descobre que sua enorme quantidade de mana ameaça sua própria vida.

A única maneira de sobreviver é ingressar no Templo como aprendiz de sacerdotisa (Blue Shrine Maiden), onde poderá utilizar sua mana de forma controlada.

Mas o Templo está longe de ser um local sagrado e pacífico.

Por trás dos rituais existem interesses políticos, corrupção, disputa por influência e uma rígida divisão entre plebeus e nobres.

Enquanto tenta manter seu sonho de criar livros, Myne precisará aprender a navegar por uma estrutura de poder muito mais perigosa do que qualquer monstro.


Resumo da História

Na primeira temporada, Myne enfrentava limitações tecnológicas.

Na segunda, enfrenta limitações institucionais.

Ela deixa de lutar contra a falta de papel e passa a enfrentar:

  • burocracia

  • preconceito

  • interesses econômicos

  • aristocracia

  • religião

  • poder político

É uma mudança radical de escala.


O Grande Tema da Segunda Temporada

Se a primeira temporada fala sobre inovação tecnológica, a segunda fala sobre governança.

Toda inovação, cedo ou tarde, encontra um sistema estabelecido.

É aí que começam os verdadeiros conflitos.


Bellacosa Mainframe

O Templo é o Datacenter Central

Imagine um enorme ambiente IBM Z.

Tudo passa por ele.

Segurança.

Autorização.

Processamento.

Controle.

Documentação.

Auditoria.

O Templo funciona exatamente assim.

Quem controla o Templo controla informação, recursos e influência.


Ferdinand: o Sysprog Supremo

Nesta temporada Ferdinand ganha enorme profundidade.

Ele lembra um Sysprog veterano.

Conhece todas as regras.

Conhece todas as exceções.

Conhece todos os riscos.

Seu papel é impedir que Myne destrua o ambiente sem perceber.

Ao mesmo tempo, reconhece que apenas ela pode modernizar aquele sistema.


Myne torna-se uma Arquiteta Corporativa

Ela deixa de ser apenas inventora.

Agora precisa:

negociar

liderar

ensinar

administrar

planejar

controlar riscos

formar equipes

gerenciar recursos

Ela amadurece enormemente.


Os novos personagens

Delia

Inicialmente parece antagonista.

Na verdade representa pessoas que cresceram dentro de sistemas injustos.

Ela age conforme foi ensinada.

Não por maldade.


Fran

Extremamente disciplinado.

Competente.

É praticamente um operador experiente de produção.

Sempre segue procedimentos.

Sempre executa corretamente.


Gil

Começa rebelde.

Pouco a pouco descobre propósito.

Talvez represente o maior crescimento pessoal da temporada.


Rosina

Sua sensibilidade artística lembra que cultura também faz parte da construção de uma sociedade.


Ferdinand e Myne

A relação entre ambos evolui bastante.

Não existe romance.

Existe confiança.

Mentoria.

Aprendizado.

Respeito intelectual.

É uma parceria semelhante à de um arquiteto experiente treinando uma futura líder técnica.


As aventuras

Embora pareça um anime "parado", praticamente todo episódio apresenta desafios.

Criar biblioteca.

Organizar funcionários.

Ensinar leitura.

Negociar recursos.

Produzir novos materiais.

Lidar com nobres.

Resolver conflitos internos.

Descobrir conspirações.

Sobreviver politicamente.

Cada episódio adiciona uma peça ao quebra-cabeça.


O verdadeiro antagonista

Não existe um vilão clássico.

O inimigo é:

o sistema.

Estruturas antigas.

Preconceitos.

Interesses.

Corrupção.

Isso torna a obra extremamente realista.


As mensagens ocultas

Conhecimento ameaça quem controla informação

Toda vez que Myne democratiza conhecimento, alguém perde poder.

A série demonstra que informação nunca é neutra.


Mudança exige aliados

Nenhuma revolução acontece sozinha.

Myne depende de:

Lutz.

Benno.

Fran.

Ferdinand.

Gil.

Rosina.

Cada pessoa representa uma competência diferente.


Liderança é servir

Ao contrário de muitos protagonistas.

Myne não manda.

Ela inspira.

As pessoas começam a trabalhar melhor porque acreditam em seu propósito.


Educação modifica gerações

Os livros que Myne cria talvez não mudem sua própria vida.

Mudam a vida das próximas gerações.


Instituições podem proteger ou aprisionar

O Templo é simultaneamente:

abrigo

prisão

escola

centro político

centro econômico

centro religioso

Essa dualidade é brilhantemente construída.


O que diferencia esta temporada?

Enquanto quase todos os isekais aceleram para batalhas cada vez maiores, Honzuki desacelera.

Troca ação por construção de personagens.

Troca magia por administração.

Troca guerras por diplomacia.

Troca espadas por livros.

E surpreendentemente funciona.


Qualidade da adaptação

A adaptação continua bastante fiel às light novels, mas a limitação de episódios exigiu condensar muitos acontecimentos.

Diversos detalhes sobre o funcionamento interno do Templo, as motivações dos sacerdotes, a política da nobreza e o desenvolvimento psicológico de personagens secundários aparecem de forma mais rica nos livros. Ainda assim, o anime preserva os principais eventos e o tom da obra.


Houve censura?

Não houve registros de censura significativa na segunda temporada. A adaptação manteve temas como desigualdade social, exploração de crianças, manipulação política e corrupção religiosa sem grandes alterações. O que ocorreu foi uma simplificação de alguns conflitos e diálogos para adequação ao tempo disponível em cada episódio, evitando excesso de exposição e mantendo um ritmo acessível para a televisão.


Impacto Cultural

A segunda temporada consolidou Ascendance of a Bookworm como um dos isekais mais diferentes da década. Muitos espectadores que inicialmente buscavam fantasia tradicional descobriram uma narrativa voltada para administração, economia e construção de instituições.

A obra passou a ser frequentemente utilizada como exemplo de worldbuilding consistente, mostrando que um universo bem planejado pode ser mais envolvente do que batalhas espetaculares. Também reforçou o interesse internacional pelas light novels de Miya Kazuki, impulsionando traduções e ampliando a comunidade de fãs.


Bellacosa Mainframe Score

ItemNota
Construção de Mundo⭐⭐⭐⭐⭐ (10/10)
Desenvolvimento dos Personagens⭐⭐⭐⭐⭐ (10/10)
Política e Intriga⭐⭐⭐⭐⭐ (9,8/10)
Emoção⭐⭐⭐⭐⭐ (9,7/10)
Trilha Sonora⭐⭐⭐⭐☆ (9,0/10)
Animação⭐⭐⭐⭐☆ (8,8/10)
Fidelidade às Novels⭐⭐⭐⭐⭐ (9,5/10)
Originalidade⭐⭐⭐⭐⭐ (10/10)
Valor Educacional⭐⭐⭐⭐⭐ (10/10)

Conclusão

A segunda temporada de Honzuki no Gekokujou demonstra que inovar é apenas a primeira etapa; o verdadeiro desafio é integrar essa inovação a organizações complexas, onde tradição, burocracia e interesses estabelecidos resistem à mudança. Myne deixa de ser apenas uma inventora brilhante para se tornar uma líder capaz de negociar, formar equipes e transformar instituições sem destruir suas bases.

Na linguagem do Bellacosa Mainframe, essa temporada é o equivalente a implantar uma nova arquitetura em um ambiente IBM Z crítico: não basta escrever um excelente programa COBOL. É preciso entender governança, segurança, processos, gestão de mudanças e, acima de tudo, conquistar a confiança das pessoas que mantêm o sistema funcionando.

É essa combinação de inteligência, sensibilidade e realismo institucional que faz da segunda temporada uma das mais ricas do gênero isekai. Ela prova que a maior aventura não é derrotar um rei demônio, mas convencer uma sociedade inteira de que o conhecimento deve deixar de ser um privilégio para se tornar um patrimônio coletivo.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
GitHub LinkedIn
Inicializando conteúdo...