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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Passaros trollando-se em Piracicaba

Bellacosa Mainframe e um delicioso almoço em Piracicaba 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🐦 Piracicaba, o Fusquinha Vermelho e o Pequeno Gnomo de Asas

Um almoço à beira do Rio Piracicaba, memórias de infância e um passarinho endiabrado que resolveu não deixar ninguém em paz

Piracicaba tem seu encanto.

Mas, para mim, Piracicaba nunca foi apenas o nome de uma cidade do interior de São Paulo.

Piracicaba faz parte da minha vida.

Muito antes de eu dirigir pelas estradas do interior, viajar por conta própria ou carregar uma câmera para registrar essas pequenas cenas aparentemente banais, existia um homem, um Fusquinha vermelho e uma família sendo levada para descobrir o mundo.

Esse homem era meu pai.

Meu pai tinha espírito livre e gostava de viajar.

E aquele famoso Fusquinha vermelho acabou se transformando numa espécie de máquina de aventuras da família Bellacosa.

Não precisava haver aeroporto.

Não precisava haver reserva sofisticada.

Não precisava existir um grande plano.

Havia uma estrada.

Havia uma cidade para conhecer.

E isso bastava.

Piracicaba, Limeira e tantas outras cidades do interior paulista deixaram, assim, de ser simples nomes escritos nas placas das rodovias.

Viraram lembranças.



🚗 O Fusquinha vermelho

Quando somos crianças, não entendemos muito bem o que nossos pais estão construindo.

Para a criança, aquilo é apenas:

— Vamos passear!

Entramos no carro e pronto.

Mas décadas depois percebemos que aqueles passeios estavam criando uma coisa muito maior.

Estavam construindo nosso mapa afetivo.

Certas cidades ficam associadas a pessoas.

Certas estradas ficam associadas a épocas.

Certos lugares carregam lembranças que nenhuma coordenada geográfica consegue mostrar.

Meu pai provavelmente não imaginava que, muitos anos depois, eu continuaria retornando a alguns daqueles lugares.

O Fusquinha vermelho desapareceria da estrada.

Mas a estrada continuaria.

E eu também.



❤️ A viagem continua com Juliana

Anos depois, Piracicaba voltou a fazer parte da minha história de outra maneira.

Agora eu não era mais aquela criança sendo levada pelo pai.

Eu voltava com Juliana.

Fomos algumas vezes somente nós dois.

Em outras ocasiões fomos com o Formiga.

E assim aconteceu uma coisa bonita que somente percebemos quando olhamos nossa própria história de longe:

eu comecei a repetir o ritual.

Meu pai colocava a família dentro do Fusquinha e saía pelo interior.

Décadas depois, eu também colocava minha família no carro e seguia pelas mesmas estradas.

Os carros mudaram.

As décadas mudaram.

As pessoas dentro do carro mudaram.

Mas aquela curiosidade permaneceu.

Talvez meu pai tenha me deixado uma herança muito maior do que imaginava:

a vontade de ir ver.



🐟 E em Piracicaba havia um ritual

Em nossas visitas, um dos pontos altos era praticamente obrigatório:

os rodízios de peixe à beira do Rio Piracicaba.

Para quem gosta de peixe, aquilo pode ser um pequeno paraíso.

Sentar perto do rio, comer sem pressa e observar a paisagem fazia parte do passeio.

Não era apenas entrar em um restaurante, almoçar e ir embora.

O próprio entorno fazia parte da refeição.

A correnteza.

As árvores.

A brisa.

Os sons.

As aves.

As pessoas circulando.

O rio seguindo seu caminho indiferente aos pequenos dramas humanos que aconteciam às suas margens.

E foi justamente durante um desses almoços que aconteceu a cena registrada neste pequeno vídeo.


🌳 Tudo estava tranquilo...

Estávamos no meio do almoço.

Aquela tranquilidade deliciosa.

Sentindo a brisa.

Observando a correnteza.

Olhando as árvores.

Comendo peixe.

Até que alguma coisa chamou minha atenção.

Havia um pequeno grupo de pássaros.

Pela distância e pela qualidade da gravação, não consigo identificar com segurança quais eram as aves.

Mas, naquele momento, isso pouco importava.

Porque havia algo muito mais interessante acontecendo.

Entre todas aquelas aves aparentemente sossegadas, existia uma criatura endiabrada.

😂

Um pequeno agente do caos.

Um gnomo gozador com penas e asas.

Enquanto os outros pareciam satisfeitos em praticar aquela maravilhosa atividade conhecida como não fazer absolutamente nada, o nosso protagonista aparentemente tinha acordado com outro objetivo:

incomodar todo mundo.

😈 O chato do grupo

E ele não escolhia uma vítima.

Não.

Isso seria pouco.

Era um profissional.

Incomodava um.

Depois outro.

Depois outro.

Pia.

Sobe.

Desce.

Empurra.

Voa.

Volta.

Perturba outro.

Sai correndo.

Retorna.

As outras aves estavam simplesmente ali, curtindo a existência e provavelmente de olho em qualquer coisa deliciosa que pudesse cair das mesas humanas.

Nosso pequeno traquinas, porém, parecia possuir uma missão.

Ninguém terá paz enquanto eu estiver aqui.

😂

Era impossível não humanizar aquela cena.

Nós olhávamos e reconhecíamos imediatamente um personagem universal.

O chato do grupo.

Toda turma tem um.

Aquele sujeito que não consegue simplesmente ficar quieto.

Se todos estão conversando tranquilamente, ele cutuca alguém.

Se todos estão em silêncio, ele inventa alguma coisa.

Se ninguém está brigando, cinco minutos depois existe uma excelente possibilidade de alguém querer esganá-lo.

A diferença é que aquele tinha penas.

🐦 Não era um. Nem dois.

Essa era justamente a parte que tornava tudo ainda mais engraçado.

Ele não parecia ter qualquer preferência.

Não era uma briga específica entre duas aves.

O pequeno capeta parecia distribuir democraticamente sua inconveniência.

Incomodava várias.

Para nós, humanos sentados à mesa, aquilo começou a se transformar num espetáculo paralelo ao almoço.

E existe algo maravilhoso nisso.

Não pagamos ingresso.

Não havia roteiro.

Não existia narrador da National Geographic.

Nenhuma ave havia assinado contrato.

Simplesmente estávamos no lugar certo, olhando na direção certa, no momento certo.

E alguém tinha uma câmera.

🎥 Então apertei REC

Hoje estamos acostumados a produzir imagens deliberadamente.

Enquadramento.

Thumbnail.

Título.

SEO.

Publicação.

Mas muitos dos meus vídeos antigos nasceram de maneira completamente diferente.

Alguma coisa chamava minha atenção e eu simplesmente registrava.

Era quase um reflexo:

“Olha isso!”

E começava a filmar.

Foi exatamente o que preservou aquele pequeno acontecimento.

Talvez aqueles pássaros tenham permanecido ali durante horas.

Talvez o nosso gnomo alado tenha se acalmado dois minutos depois.

Talvez tenha encontrado outro grupo para atormentar.

Nunca saberemos.

Mas alguns segundos sobreviveram.

📼 Dez anos depois

E aqui começa outra história.

Porque quando publiquei aquele pequeno vídeo em janeiro de 2016, provavelmente não imaginava que, mais de uma década depois, estaria olhando novamente para aquelas imagens e reconstruindo tudo que existia fora do enquadramento.

A câmera mostra os pássaros.

Mas minha memória mostra muito mais.

Mostra Piracicaba.

Mostra o rio.

Mostra o almoço.

Mostra Juliana.

Mostra Formiga em outras viagens.

E, indo ainda mais para trás no tempo, aparece aquele Fusquinha vermelho.

Meu pai.

Minha infância.

As cidades do interior.

As estradas.

É extraordinário perceber como funciona a memória.

Começamos falando sobre um pássaro trollando outros pássaros...

e terminamos chegando ao nosso pai décadas antes.

🚗➡️🐦 O que não aparece no vídeo

Meu pai não aparece naquela gravação.

O Fusquinha vermelho também não.

Mas, de certa maneira, ambos estão ali.

Porque talvez eu estivesse naquele restaurante à margem do Rio Piracicaba justamente porque, muitos anos antes, alguém havia me ensinado que valia a pena entrar num carro e descobrir o que existia depois da próxima curva.

Essa curiosidade ficou.

Meu pai levou os filhos.

Depois levei minha família.

E lugares conhecidos durante a infância ganharam novas camadas.

Piracicaba da infância.

Piracicaba com Juliana.

Piracicaba com Formiga.

Piracicaba do peixe.

Piracicaba do rio.

E agora...

Piracicaba do passarinho FDP.

😂

Essa também merece entrar no mapa.

🐦 Mesmo na natureza os animais se trollam

Nós gostamos de romantizar a natureza.

Imaginamos os animais vivendo em equilíbrio absoluto.

Tudo perfeitamente organizado.

Cada passarinho respeitando educadamente o espaço do vizinho.

Mas basta observar durante algum tempo para perceber que o mundo animal também possui disputas, competição, hierarquias, invasões de espaço e comportamentos que, vistos através de nossos olhos humanos, parecem pura provocação.

Não sei exatamente o motivo daquele comportamento.

Poderia envolver comida.

Território.

Hierarquia.

Ou alguma dinâmica que somente aquelas aves compreendiam.

Por isso não quero transformar uma cena divertida em uma falsa explicação científica.

O que posso afirmar é aquilo que vimos:

um deles não deixava os outros em paz.

E foi divertidíssimo assistir.

💾 Pequenos vídeos, grandes backups

Existe uma lição escondida nesses arquivos antigos.

Nós normalmente sabemos que devemos fotografar os grandes acontecimentos.

Aniversários.

Casamentos.

Viagens.

Formaturas.

Monumentos.

Paisagens extraordinárias.

Mas frequentemente são os registros aparentemente inúteis que, anos depois, adquirem um valor inesperado.

Um almoço.

Uma estrada.

Uma ave.

Um Fusquinha.

Uma brincadeira.

Porque nossa memória não funciona como um banco de dados perfeitamente indexado.

Às vezes precisamos de uma chave.

Aquele pequeno vídeo é uma delas.

PLAY.

Os pássaros aparecem.

E uma cadeia inteira de memórias é recuperada.

Piracicaba.

Rio.

Peixe.

Juliana.

Formiga.

Infância.

Pai.

Fusquinha vermelho.

É praticamente um SELECT emocional executado contra décadas de memória.

E tudo começou porque um passarinho resolveu ser inconveniente.

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Talvez seja justamente por isso que vale a pena recuperar essas pequenas postagens antigas.

Não para fingir que em 2016 eu pretendia escrever uma grande crônica.

Não pretendia.

Eu simplesmente achei a cena engraçada.

Filmei.

Publiquei.

E provavelmente pensei:

“Olha esse pilantra!”

Mas o tempo adiciona metadados às nossas lembranças.

Hoje percebo que aquele vídeo registra muito mais do que uma pequena confusão entre pássaros.

Registra a continuidade de uma história.

Meu pai me ensinou, talvez sem perceber, que havia um mundo esperando depois da próxima cidade.

Piracicaba tornou-se uma dessas cidades.

Depois voltei com Juliana.

Voltei com Formiga.

Comemos peixe.

Sentimos a brisa.

Olhamos o rio.

E, numa dessas tardes, enquanto uma família humana simplesmente aproveitava o almoço...

um pequeno gnomo de asas decidiu que tranquilidade demais era inadmissível.

Começou a piar.

Subir.

Empurrar.

Voar.

Perturbar um.

Perturbar outro.

Perturbar todos.

Nós assistimos.

Rimos.

E eu apertei REC.

Dez anos depois, descubro que fiz muito mais do que filmar um passarinho.

Fiz backup de uma tarde da minha vida.

E, escondido dentro desse backup, encontrei novamente um pouco do espírito livre daquele homem dirigindo seu Fusquinha vermelho pelas estradas do interior.

Meu pai não está no vídeo.

Mas agora percebo:

ele também estava naquela viagem.

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Mesmo na natureza os animais se trollam

Pensamos que apenas humanos tem rompantes de ma vizinhança, que nada na natureza as vezes encontramos uns tipinhos que são verdadeiros FDPs.

Estávamos almoçando a beira rio em Piracicaba quando notamos uma movimentação de pássaros a beira rio, nada demais, porem quando todos estavam calmos e serenos, observando nossa refeição, eis que surge....




Caricato ver a cena, um dos pilantras brigando um com os outros. Vale a pena ver o video.


SP 348 Rod Bandeirantes de Campinas a Piracicaba

Bellacosa Mainframe em uma aventura na rodovia bandeirantes rumos a Piracicaba

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🚗 O Pretinho Pega a Estrada — Rumo a São Pedro

Juliana no volante, eu de copiloto, o Formiga no banco de trás e alguns dias pela frente para fazer aquilo que uma família deveria fazer de vez em quando: pegar a estrada sem programar cada minuto da viagem.

Há vídeos antigos que, quando revistos muitos anos depois, parecem não mostrar absolutamente nada de extraordinário.

Uma rodovia.

Alguns carros.

O céu.

Placas passando.

O rádio tocando.

O horizonte aparecendo atrás do para-brisa.

E quilômetros e mais quilômetros de asfalto.

Mas isso acontece porque estamos olhando apenas para aquilo que a câmera conseguiu registrar.

A memória enxerga muito mais.

E aquele pequeno vídeo feito em uma viagem pelo interior de São Paulo guarda o começo de mais uma das aventuras do nosso famoso Pretinho, o New Fiesta da Juliana.

🚗💨

O Pretinho estava novamente na estrada.

E, como tantas outras vezes, não estava apenas transportando passageiros.

Estava carregando uma família rumo a mais uma pequena aventura.



🚘 A tripulação estava completa

A bordo tínhamos nossa configuração habitual.

Juliana no volante.

Eu ocupando meu tradicional posto de copiloto, navegador, observador da estrada e operador da câmera.

E no banco traseiro estava ele:

João, o nosso querido Formiga.

Provavelmente olhando tudo, perguntando alguma coisa, inventando alguma brincadeira ou simplesmente aproveitando aquela maravilhosa capacidade que as crianças possuem de transformar uma viagem de carro em parte da aventura.

Nosso destino principal era São Pedro, no interior de São Paulo.

A ideia era passar alguns dias por lá.

Nada de grandes expedições internacionais.

Nenhum aeroporto.

Nenhuma mala desaparecida.

Nenhuma conexão apertada.

Nenhum plano mirabolante.

Era apenas o Pretinho, algumas malas, estrada e alguns dias livres.

Às vezes é exatamente disso que precisamos.


🛣️ O passeio começava muito antes de chegar

Hoje percebo algo que talvez naquela época eu não pensasse conscientemente:

para nós, a estrada já fazia parte da viagem.

Não existia aquela ansiedade de simplesmente chegar ao destino.

Eu gostava de olhar a paisagem.

Observar cidades.

Ler placas.

Descobrir estradas secundárias.

Ver montanhas surgindo no horizonte.

Passar por lugares onde nunca havia estado.

E, naturalmente, registrar alguma coisa com a câmera.

Por isso tantos vídeos antigos do El Jefe Midnight Lunch começam aparentemente sem assunto.

A câmera simplesmente estava ligada.

Filmando a estrada.

Porque aquela estrada também era parte da lembrança.


🗺️ Rumo a São Pedro

Seguíamos pelo interior paulista em direção à região de Piracicaba, Águas de São Pedro e São Pedro.

O Pretinho avançava tranquilamente enquanto a paisagem urbana aos poucos dava espaço ao interior.

Esse é um dos prazeres de viajar de carro por São Paulo.

Você sai de uma região densamente urbanizada e, quilômetros depois, começa a encontrar outra paisagem.

Canaviais.

Fazendas.

Pequenas cidades.

Restaurantes de estrada.

Morros aparecendo ao longe.

Entradas de propriedades rurais.

Placas indicando lugares dos quais talvez você nunca tenha ouvido falar.

E cada placa traz aquela perigosa pergunta para alguém que gosta de explorar:

— O que será que tem ali?

😂

Pronto.

Nasce um desvio.



♨️ Primeira missão: Águas de São Pedro

Havia, naturalmente, alguns planos.

Um deles era visitar Águas de São Pedro.

E havia um motivo particularmente interessante para o Formiga:

parque aquático!

Piscinas.

Água quente.

Diversão.

Brincadeiras.

Aquele tipo de programa no qual uma criança consegue gastar uma quantidade aparentemente infinita de energia enquanto os adultos tentam convencer a si mesmos de que estão apenas relaxando.

😂

O objetivo era aproveitar as piscinas quentes, brincar, descansar e esquecer por alguns dias a rotina.

Mas o parque aquático seria apenas uma parte da viagem.


🧭 A segunda missão era não ter missão

Essa talvez fosse a parte mais interessante do nosso planejamento.

Nós deliberadamente não planejamos tudo.

Tínhamos alguns lugares que queríamos visitar.

Algumas ideias.

Alguns pontos turísticos.

Mas deixamos espaços vazios no roteiro.

E esses espaços eram importantes.

Porque seriam preenchidos pela descoberta.

Uma placa interessante.

Uma estrada diferente.

Uma recomendação recebida durante o almoço.

Uma praça bonita.

Uma cachoeira.

Um mirante.

Uma lojinha.

Uma igreja.

Uma construção antiga.

Uma estrada rural.

Um lugar que simplesmente parecia interessante.

Era o nosso pequeno método de exploração.

Planejar o suficiente para não ficar perdido.

Mas não planejar tanto a ponto de transformar férias em uma agenda corporativa.



🔎 Explorar fazia parte da brincadeira

Nossa intenção era conhecer não apenas São Pedro.

Queríamos zanzar pela região.

Conhecer as cidades próximas.

Procurar pontos turísticos.

Descobrir pequenos tesouros.

Experimentar comidas.

Olhar paisagens.

Parar onde desse vontade.

E principalmente:

divertir-nos juntos.

Talvez encontrássemos alguma coisa extraordinária.

Talvez não.

E estava tudo bem.

Porque existe uma diferença enorme entre turistar e explorar.

Turistar normalmente significa ir até aquilo que alguém já decidiu que merece ser visto.

Explorar significa permitir que alguma coisa que você nem sabia que existia encontre você.


👦 E havia uma criança no banco traseiro

Viajar com uma criança muda completamente a escala das coisas.

Para um adulto, uma pequena ponte pode ser apenas uma ponte.

Para uma criança pode ser uma aventura.

Uma piscina vira um oceano.

Uma estrada vira uma expedição.

Um inseto diferente merece investigação científica imediata.

Uma pedra estranha pode virar um tesouro.

Um sorvete pode entrar para a lista dos acontecimentos mais importantes do dia.

E talvez essa seja uma das grandes vantagens de viajar com crianças:

elas obrigam os adultos a reaprender a olhar.

O Formiga estava crescendo.

E cada passeio acrescentava mais algumas imagens ao gigantesco arquivo de experiências que estava construindo.

Enquanto isso, sem perceber, nós também estávamos construindo o nosso.


📹 A câmera tentava guardar tudo

Por isso eu filmava.

A estrada.

O carro.

As paisagens.

Os lugares.

As pequenas coisas.

Naquele momento parecia simplesmente divertido registrar.

Anos depois esses pequenos vídeos assumem outra função.

Transformam-se em âncoras da memória.

Basta assistir alguns segundos para outras informações começarem a retornar.

Quem estava dirigindo.

Onde estávamos indo.

O que aconteceu depois.

Uma conversa.

Uma brincadeira.

Um restaurante.

Uma chuva.

Uma música.

Até sensações que a câmera jamais poderia registrar.

O vídeo não guarda apenas aquilo que aparece dentro do enquadramento.

Ele abre a porta para aquilo que ficou guardado fora dele.


🚗 O Pretinho era parte dessas histórias

E existe ainda outro personagem recorrente nessas aventuras.

Nosso Pretinho.

O New Fiesta aparece em vários desses registros.

Levou-nos para parques.

Cidades.

Estradas.

Restaurantes.

Passeios.

Finais de semana.

Pequenas explorações pelo interior.

Era simplesmente um carro.

Claro.

Mas objetos que participam repetidamente de momentos importantes acabam adquirindo uma espécie de identidade dentro das nossas lembranças.

O Pretinho virou parte da narrativa.

Quando aparecia carregado e apontado para uma rodovia, alguma coisa estava para acontecer.


🧳 Alguns planos e muito espaço vazio

Nossa filosofia para aqueles dias poderia ser resumida assim:

Destino definido. Roteiro parcialmente definido. Diversão obrigatória.

São Pedro seria nossa base.

Águas de São Pedro estava nos planos.

As cidades da região estavam no radar.

Mas o restante seria decidido conforme os dias acontecessem.

Se encontrássemos algo interessante:

parávamos.

Se víssemos uma estrada convidativa:

investigávamos.

Se alguém indicasse um lugar:

anotávamos.

Se desse vontade de simplesmente passar algumas horas dentro de uma piscina quente sem fazer absolutamente nada:

melhor ainda.

Porque férias também precisam ter espaço para não fazer nada.


♨️ Existe sabedoria em uma piscina quente

Nós temos essa mania estranha de transformar até descanso em produtividade.

Queremos conhecer dez lugares.

Fotografar vinte atrações.

Visitar quatro cidades.

Experimentar cinco restaurantes.

Cumprir uma lista.

E voltar das férias precisando de férias.

😂

Naquela viagem havia exploração.

Mas também havia outra palavra importante:

relaxar.

Entrar numa piscina quente.

Ficar conversando.

Brincar com o Formiga.

Não olhar o relógio.

Deixar o corpo entender que, durante alguns dias, ele não precisava chegar a lugar nenhum.

Talvez esse seja um dos maiores luxos que podemos comprar com alguns dias de folga.

Tempo sem obrigação.


🛣️ E tudo começou naquela estrada

É por isso que hoje esse vídeo aparentemente simples ganhou outro significado para mim.

Não era apenas um registro da rodovia.

Era o prólogo da aventura.

Aquele momento dos filmes em que os personagens ainda estão viajando e nós sabemos que a história está prestes a começar.

Juliana dirigindo.

Eu filmando.

Formiga atrás.

O Pretinho seguindo pelo asfalto.

Alguns planos preparados.

Outros deliberadamente inexistentes.

São Pedro esperando.

Águas de São Pedro no roteiro.

Piscinas quentes no horizonte.

E uma região inteira disponível para ser descoberta.


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Hoje, tantos anos depois, talvez eu não consiga lembrar cada quilômetro daquela estrada.

Também não consigo reconstruir todas as conversas dentro daquele carro.

Mas consigo reconhecer perfeitamente a sensação.

Estávamos indo passear.

E havia algo maravilhoso nessa simplicidade.

Não precisávamos atravessar um oceano.

Não precisávamos encontrar uma atração mundialmente famosa.

Não precisávamos viver uma aventura digna de documentário.

Tínhamos um carro.

Alguns dias.

Uma família.

Uma estrada.

E curiosidade suficiente para descobrir o que havia depois da próxima curva.

O Pretinho seguia em frente.

Juliana no volante.

Formiga no banco traseiro.

Eu de copiloto, naturalmente com a câmera ligada.

E lá íamos nós novamente.

🚗💨

Porque algumas das melhores viagens começam exatamente assim: sabemos onde vamos dormir, temos uma vaga ideia do que faremos amanhã e absolutamente nenhuma certeza sobre o que encontraremos pelo caminho.

E talvez justamente aí esteja a graça.

O destino era São Pedro.

Mas a verdadeira viagem estava em tudo aquilo que ainda não havíamos descoberto.

☕🚗🗺️♨️


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Pegando a estrada

Estamos indo em Direcção a Piracicaba, um belo almoço de peixe a beira do rio Piracicaba nos espera, o céu esta limpo, a estrada vazia, um dia perfeito para curtir em família.

Aproveitando um trecho da estrada que ainda não tinha filmado, la vamos nos, radio ligado, filmadora ligada e vamos embora.



A viagem transcorreu tranquila sem nenhuma surpresa. chegamos em Piracicaba e saboreamos peixe na brasa, para quem não conhece este passeio recomendo faze-lo um dia. Tenho outras publicações sobre este dia.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

1978 – A Rua Ultrecht, o Malabarista do Muro e a Primeira Aula de Horror Doméstico

 


1978 – A Rua Ultrecht, o Malabarista do Muro e a Primeira Aula de Horror Doméstico

(Bellacosa Mainframe – El Jefe Midnight / Arquivos da Memória em Modo Batch)

1978 foi o ano em que meu sistema central ligou o LOG DETAIL=ALL pela primeira vez.
A casinha da Rua Ultrecht — aquela mesma atendida por um malabarista de muro, especialista em destruir casas de orixás e a paciência alheia — era um laboratório improvisado de caos cotidiano.
Minha mãe, estafada, lutava diariamente contra a entropia gerada por dois diabinhos em modo turbo: eu e Vivi.

Foi então decidido:
Hora de nos domesticar. Hora de ir para a escola.

E aí meu mundo mudou.



O Uniforme Vermelho: A Primeira Skin Oficial da Vida Escolar

Short vermelho.
Camiseta branca.
Boné vermelho.

O dress code universal do pré-escolar brasileiro.

Ali, naquele pequeno prédio cheio de gritos, giz, lágrimas e descobertas, eu encontrei o meu primeiro amor verdadeiro:
a leitura.

Aprender a decodificar letras foi como descobrir o source code do universo.
A partir daquele dia, nunca mais seria enganado pelas placas, revistas, embalagens, histórias ou segredos escondidos em qualquer canto.

O diabinho estava sendo iniciado na magia das palavras.
E uma vez aberto esse portal… não se fecha nunca mais.


O Menino Abobalhado e o Escorregador Apocalíptico

Todo jardim da infância tem seu evento cataclísmico.

No meu, foi o dia em que um garoto maior — meio perdido, meio solto das engrenagens mentais — decidiu escalar o escorregador de forma absolutamente antipedagógica.

Resultado?

Ele derrubou o escorregador inteiro.
Desceu junto.
Machucou outras crianças.
Criou uma pequena cena de guerra.

Eu, pequeno observador crítico, registrei tudo na “memória não-volátil”:
Então é assim que funciona o mundo: caos, gravidade e decisões ruins.



A Morte da Bisavó Josefa – Primeiro Contato com o Desligamento do Sistema

1978 também foi o ano em que minha bisavó Josefa faleceu.
Foi minha primeira experiência real com a ideia de que programas podem ser encerrados de forma definitiva.

Mas o evento que realmente marcou aquele período…
Foi outro.



O Dia em que o Horror Invadiu a Cozinha

Meu bisavô José — o mesmo guerreiro vendedor de churrasquinho no ponto final — morou conosco por um tempo depois do falecimento da esposa.
E foi ali que aconteceu um dos episódios mais gore, surrealistas e cinematográficos da história da família.

A Vivi para de respirar. A casa entra em pânico.

Minha irmã, pequenininha, começou subitamente a perder o fôlego.
Era como se o ar tivesse abandonado seus pulmõezinhos.
Minha mãe entrou em modo desespero total, correndo, chorando, implorando.

Eu assistia paralisado, os olhos enormes, vendo cada byte daquela cena se gravar para sempre.

O bisavô corre da cozinha. E aí vem o detalhe.

Ele estava mexendo numa bacia gigante de alumínio, cheia de carnes temperadas, preparadas para virar o famoso churrasquinho que sustentava pedaços da familia.

As mãos dele estavam ensopadas de sangue e tempero.
Literalmente pingando.

No meio do escândalo, ele tenta ajudar.
Corre.
Pega Vivi do colo da minha mãe.

E então…

A Cena Inesquecível

Minha irmã, vestidinha de branco.
Nos braços de um homem de mãos ensanguentadas.

A mistura perfeita para o terror.

Ela recupera o fôlego…
Chora, berra…
E fica rubra, tingida pelo sangue da carne.

Minha mãe aos gritos.
Eu sem ar.
O bisavô em estado de pânico absoluto, sem conseguir reagir.
E então meu pai chega.

A Imagem que Congela o Tempo

O homem abre a porta e vê:

Vivi ensanguentada, aos prantos.
Minha mãe desesperada.
O bisavô petrificado.
E eu, testemunha ocular do apocalipse doméstico.

Meu pai ficou branco.
O mundo parou por uns três segundos.

E só então…

Só então perceberam o detalhe:
o sangue não era da Vivi.

Era apenas sangue do churrasquinho.

Ela estava viva, inteira, assustada — mas intacta.

E o pobre bisavô, coitado, quase desmaiou quando percebeu que tinha acabado de encenar, sem querer, uma cena digna de O Exorcista versão brasileira.



1978 – O Ano em que Comecei a Lembrar

Foi ali, naquela casa humilde, naquela cozinha caótica, que meu cérebro clicou e decidiu:

"A partir de agora, vou registrar tudo."

E assim começou minha vida consciente.

Com livros, sustos, caos, sangue de churrasquinho e um mundo prestes a se abrir para um menino diabinho com fome de histórias.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Engenharia Militar : Capítulo XIII — Os Sentinelas da Madrugada

Bellacosa Mainframe e a engenharia militar parte xiii

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Engenharia Militar sem Mistérios para Programadores COBOL

Capítulo XIII — Os Sentinelas da Madrugada

Quando um Programador COBOL Descobre que os Verdadeiros Heróis Quase Nunca Aparecem nas Manchetes

A chuva havia terminado.

A fortaleza dormia.

Nenhuma tocha iluminava as muralhas.

Nenhum mercador cruzava os portões.

Nenhuma criança brincava na praça.

Apenas o som do vento.

E passos.

Lentos.

Constantes.

Um velho sentinela caminhava sobre a muralha.

Toda hora.

Toda noite.

Todo inverno.

Todo verão.

O jovem comandante perguntou:

— Há quanto tempo ele faz isso?

O velho engenheiro respondeu:

— Há tanto tempo...

que ninguém mais percebe sua presença.

O rapaz ficou em silêncio.

O mestre continuou.

— Esse é o destino de quase todos os guardiões.

Quando fazem seu trabalho perfeitamente...

as pessoas deixam de notar que eles existem.

Séculos depois...

02h43.

A cidade inteira dormia.

Hospitais continuavam funcionando.

Caixas eletrônicos permaneciam disponíveis.

Aviões cruzavam o céu.

Cartões aprovavam compras.

Bolsas internacionais processavam ordens.

Serviços públicos executavam milhares de operações.

Em uma sala iluminada apenas por monitores verdes...

quatro operadores acompanhavam dezenas de consoles.

Nenhum deles apareceria no jornal do dia seguinte.

E justamente por isso...

o mundo continuaria funcionando.

Sirva mais um café.

Hoje prestaremos homenagem aos profissionais que trabalham quando todos os outros descansam.


1. A Engenharia do Silêncio

Existe uma curiosidade fascinante.

Os maiores sucessos da engenharia raramente são celebrados.

Ninguém interrompe o jantar para anunciar:

"O Data Center funcionou perfeitamente hoje."

Nenhum telejornal abre dizendo:

"O processamento bancário terminou sem incidentes."

Nenhuma manchete comemora:

"Mais um dia sem perda de dados."

O sucesso da engenharia é silencioso.

O fracasso é barulhento.


2. A Noite Pertence aos Guardiões

Enquanto milhões dormem...

alguém observa.

Operadores acompanham filas.

DBAs verificam desempenho.

Sysprogs monitoram recursos.

Analistas acompanham jobs.

Especialistas em segurança analisam alertas.

Equipes de redes observam enlaces.

A madrugada possui seus próprios habitantes.

Quase invisíveis.

Mas indispensáveis.


3. O Programador Nunca Trabalha Sozinho

Existe um mito.

"O desenvolvedor construiu o sistema."

Na realidade...

o sistema pertence a dezenas de profissões.

Analistas de negócio.

Arquitetos.

Operadores.

Testadores.

Auditores.

Especialistas em armazenamento.

Segurança.

Redes.

Banco de dados.

Gestores.

Usuários.

O software nasce coletivo.


4. O Valor da Rotina

Para quem observa de fora...

executar o mesmo procedimento diariamente parece repetitivo.

Mas a rotina salva sistemas.

Checklist.

Backup.

Monitoramento.

Validação.

Revisão.

Toda repetição consciente reduz risco.

Na engenharia, disciplina frequentemente vale mais que genialidade.


5. O Relógio Nunca Para

Os antigos castelos possuíam vigias trocando de turno continuamente.

A fortaleza nunca ficava sem proteção.

Hoje acontece exatamente igual.

Existe alguém iniciando seu expediente quando outro está encerrando.

A missão muda de mãos.

Nunca é interrompida.


6. O Peso da Confiança

Imagine um operador pressionando ENTER para liberar um processamento nacional.

Milhões de registros serão movimentados.

A decisão parece simples.

Mas atrás daquele ENTER existe:

treinamento.

procedimentos.

auditorias.

experiência.

confiança.

Tecnologia apenas executa.

Pessoas assumem responsabilidade.


7. A Beleza do Trabalho Invisível

Existe algo profundamente bonito em profissões cujo sucesso consiste em não chamar atenção.

Quando tudo funciona...

ninguém percebe.

Quando uma ponte permanece firme durante cinquenta anos...

ninguém a fotografa diariamente.

Quando um programa COBOL executa bilhões de vezes corretamente...

ninguém o aplaude.

Mas ele continua ali.

Cumprindo sua missão.


8. O Orgulho Silencioso

O jovem perguntou ao mestre.

— O senhor nunca desejou reconhecimento?

O velho sorriu.

— Já o recebo todos os dias.

— Como?

— Quando acordo e descubro que a cidade continua funcionando.


9. Goblin Slayer Nunca Buscou Glória

Goblin Slayer raramente recebe homenagens.

Enquanto outros aventureiros derrotam dragões e tornam-se lendas...

ele elimina pequenas ameaças invisíveis.

Seu trabalho impede tragédias que jamais acontecerão.

Ninguém celebra batalhas que foram evitadas.

Essa é exatamente a lógica da boa engenharia.


10. Shogun e os Homens Sem Nome

Em Shogun, a História costuma destacar grandes líderes.

Mas nenhuma campanha existiria sem:

mensageiros.

cozinheiros.

ferreiros.

carpinteiros.

barqueiros.

médicos.

escribas.

A História é construída também pelos nomes que nunca aparecem nos livros.

Nos Data Centers acontece exatamente o mesmo.


11. O Operador e o Samurai

Ambos compartilham algo curioso.

Precisam permanecer atentos durante longos períodos.

Tomam poucas decisões.

Mas cada decisão pode alterar completamente o resultado da missão.

A paciência torna-se uma habilidade técnica.


12. O Café das Três da Manhã

Existe um momento conhecido por praticamente todo profissional de operações.

03h00.

A fadiga aumenta.

O silêncio domina a sala.

O café torna-se companheiro inseparável.

Curiosamente...

é exatamente nesse horário que muitos incidentes exigem máxima concentração.

Talvez por isso tantas histórias de Data Centers comecem com uma xícara de café.


13. Curiosidade Histórica

Nas fortalezas medievais e nos castelos japoneses, a troca de guarda era tratada como um procedimento rigoroso. O sentinela que encerrava seu turno não simplesmente ia embora: transmitia informações sobre movimentações observadas, condições das muralhas, mudanças climáticas e qualquer detalhe incomum ao próximo vigia. Essa continuidade evitava que conhecimento importante fosse perdido entre um turno e outro.

Nos ambientes IBM Z, a passagem de turno segue o mesmo princípio. Registros de ocorrências, status dos processamentos, incidentes em andamento, mudanças planejadas e alertas de monitoramento garantem que a operação permaneça contínua, independentemente de quem esteja diante do console.


14. Easter Egg — O Nome no Rodapé

Conta uma antiga história que, durante a reforma de um velho castelo, encontraram uma pedra escondida atrás de outra.

Nela existia apenas uma inscrição.

Esta muralha foi reparada por Kenji.
Ano 1478.

Nenhum livro mencionava Kenji.

Nenhuma crônica registrava sua existência.

Mas quinhentos anos depois...

a muralha continuava de pé.

No Data Center existe um equivalente.

Em um programa COBOL muito antigo alguém encontrou um comentário discreto.

* Correção temporária para fechamento mensal.
* Bellacosa - 1996.

O comentário permanecia ali.

A correção temporária havia protegido milhares de processamentos durante décadas.

Talvez ninguém lembrasse do autor.

Mas milhões de pessoas continuavam sendo beneficiadas por aquela pequena decisão.


15. O Manifesto dos Sentinelas

Nunca despreze um operador.

Nunca ignore um DBA.

Nunca subestime um sysprog.

Nunca esqueça quem documentou um procedimento.

Nunca ridicularize um programa antigo sem compreender sua história.

Nunca considere invisível quem trabalha na madrugada.

Porque são justamente essas pessoas que sustentam silenciosamente o funcionamento do mundo.


16. Checklist do Guardião Anônimo

Antes de encerrar seu turno, pergunte:

✔ O próximo profissional entenderá o que aconteceu?

✔ Os registros estão completos?

✔ Existe alguma pendência não comunicada?

✔ O monitoramento permanece ativo?

✔ O backup foi validado?

✔ A documentação foi atualizada?

✔ O conhecimento foi compartilhado?

✔ O ambiente está mais seguro?

✔ O risco diminuiu?

✔ O usuário continuará protegido?

✔ A equipe pode confiar nas minhas informações?

✔ Deixei o sistema melhor do que o encontrei?


Conclusão — A Última Troca de Turno

O amanhecer finalmente chegou.

O velho sentinela encontrou o jovem que assumiria a muralha.

Entregou-lhe a lança.

Mostrou o livro de ocorrências.

Apontou discretamente para uma pequena rachadura próxima ao portão norte.

Depois sorriu.

Sem discursos.

Sem solenidade.

Apenas disse:

— Agora a fortaleza é sua.

Na sala de operações, o relógio marcava 07h00.

A equipe da madrugada encerrava o expediente.

A equipe da manhã assumia os consoles.

Os monitores continuavam verdes.

Os clientes começavam suas atividades.

Nenhum deles imaginava que centenas de decisões importantes haviam sido tomadas enquanto dormiam.

O jovem analista desligou seu terminal.

Olhou pela janela.

O sol iluminava lentamente a cidade.

Naquele instante compreendeu algo que jamais esqueceria.

Os maiores heróis da engenharia quase nunca aparecem nas fotografias inaugurais.

Não recebem medalhas.

Não têm estátuas.

Não protagonizam documentários.

Mas são eles que permanecem acordados quando todos dormem.

São eles que revisam procedimentos.

São eles que executam backups.

São eles que respondem aos alertas.

São eles que corrigem pequenos defeitos antes que se transformem em grandes tragédias.

E talvez...

essa seja a forma mais nobre de heroísmo.

Fazer o extraordinário.

Sem esperar reconhecimento.

Apenas porque alguém precisa cuidar da fortaleza.

E, enquanto existir ao menos um sentinela caminhando silenciosamente pelas muralhas do conhecimento...

a missão continuará.

Porque sistemas podem ser substituídos.

Equipamentos podem ser renovados.

Tecnologias podem evoluir.

Mas o compromisso silencioso de proteger pessoas...

esse atravessa séculos.

E continuará iluminando a madrugada muito depois que todos nós tivermos passado nossas chaves para a próxima geração de guardiões.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Engenharia Militar sem Mistérios para Programadores COBOL

Uma campanha completa sobre estratégia, logística, inteligência, segurança, liderança, continuidade, sistemas críticos, IBM Z e COBOL.

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25 documentos
2014–2016 linha histórica
IBM Z fortaleza digital
COBOL linguagem da missão
Arquivo estratégico

Um Data Center analisado como uma fortaleza em guerra

A série Engenharia Militar sem Mistérios para Programadores COBOL compara castelos, exércitos, muralhas, cadeias de comando, logística, inteligência e operações militares com os ambientes IBM Z responsáveis por bancos, governos, seguros, transportes e serviços essenciais.

Cada artigo apresenta uma parte dessa arquitetura: aplicações COBOL, Jobs JCL, transações CICS, bancos Db2, filas MQ, segurança RACF, monitoramento, contingência, liderança, documentação e continuidade operacional.

Sala de operações

Índice da campanha

25 documentos localizados
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Links completos da série Engenharia Militar

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  1. Engenharia Militar sem Mistérios para Programadores COBOL
  2. Prólogo — O Chamado do Guardião
  3. Capítulo I — O Castelo, a Ponte e o Job que Não Podia Falhar
  4. Capítulo II — Estratégia, Operação e Tática
  5. Capítulo III — A Cadeia de Comando
  6. Capítulo IV — Logística
  7. Capítulo V — As Muralhas Invisíveis
  8. Capítulo VI — Inteligência, Reconhecimento e Espionagem
  9. Capítulo VII — A Arte da Guerra Aplicada ao Mainframe
  10. Capítulo VIII — Liderança, Moral e Disciplina
  11. Capítulo IX — Inovação, Evolução e o Futuro
  12. Capítulo X — O Legado do Engenheiro
  13. Capítulo XI — O Guardião Invisível
  14. Capítulo XII — A Fortaleza Invisível
  15. Capítulo XIII — Os Sentinelas da Madrugada
  16. Capítulo XIV — A Civilização Invisível
  17. Capítulo XV — Engenharia de Cerco
  18. Glossário IBM Z + Engenharia Militar
  19. Apêndice A — Correspondências Históricas e Técnicas
  20. Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Engenharia Militar
  21. Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Logística Militar
  22. Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Tática Militar
  23. Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Estratégia Militar
  24. Especial — Guerrilha Urbana
  25. Especial — Guerrilha no Campo e na Floresta
Bellacosa Mainframe — Arquivo de Engenharia Militar

Estratégia, disciplina, conhecimento, resiliência e continuidade aplicados aos sistemas que não podem parar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Barco de controle remoto na lagoa do Parque da Juventude

Speedy a lancha amarela navegando na lagoa.

Os brinquedos de controle remoto são uma tentação, feito para crianças mas usada para adultos se divertirem. :)

Eu e o formiguinha costumamos brincar na lagoa do parque, ligamos a lancha e vamos la... é uma diversão ver o barquinho vencendo a agua, principalmente por q o espaço é controlado, então qualquer problemas entramos no rasinho e pegamos o barco.


O lado curioso é que normalmente escolhemos um lado vazio da lagoa, porem após algum tempo brincando surge aquela garotada toda, uns mais afoitos, outros mais calmos e é sempre aquela confusão.

O formiguinha se irrita e logo começa , vamos embora, ou as vezes ele grita Vaguinhooooo, sei que deve ter algum menino importunando.

Momentos de vida selvagem no parque da Juventude

A garça maluquinha.


Estamos no parque Luis Latorre, vulgarmente conhecido como parque da Juventude. Em volta da lagoa tem uma pocinha cercada utilizada para a garotada se refrescar e fazerem brincadeiras.

Eu e o formiguinha as vezes vamos pilotar a lancha Speedy, onde aproveitamos para passar bons bocados e dia desses estávamos ali, quando surgiu uma garça, o animal esta tão domesticado que não tem medo dos humanos e fica por ali de boa, a espera de algum alimento.


E eu aproveito para capturar estes momentos, filmando e fotografando a maluquinha da garça.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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