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| Bellacosa Mainframe passando pela br 383 |
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Um Café no Bellacosa Mainframe🚗 BR-383 — De Quiririm até Campos do Jordão: uma janela para a estrada
Juliana no volante, Formiga no banco de trás, o Pretinho apontado para a Mantiqueira e este seu aqui fazendo aquilo que sabe fazer muito bem: olhar pela janela.
Mais uma vez estávamos nós três.
Eu, Juliana e Formiga.
E, naturalmente, havia um quarto integrante nessa pequena expedição familiar: o famoso Pretinho, nosso New Fiesta, novamente cumprindo sua missão de nos carregar para algum lugar onde pudéssemos simplesmente passear, descobrir coisas e nos divertir.
O destino daquela vez era Campos do Jordão.
Mas quem acompanha nossas aventuras sabe que, muitas vezes, o destino é apenas uma desculpa.
A verdadeira viagem acontece no caminho.
🛣️ Saindo da SP-123
Em determinado momento da viagem, deixamos o trecho da SP-123 e seguimos pela região da BR-383, avançando pelo município de Taubaté antes de começar efetivamente a ganhar a Serra da Mantiqueira.
Ao redor aparecem nomes conhecidos da zona rural e dos arredores de Taubaté:
Quiririm, Tataúba, Pinheirinho...
Pequenos bairros, propriedades, estradas vicinais e pedaços daquele interior paulista que normalmente vemos apenas durante alguns segundos pela janela.
Para muita gente aquilo é simplesmente:
"o caminho para Campos do Jordão."
Para mim, não.
Eu gosto de olhar.
🌾 Antes da serra existe o campo
Campos do Jordão normalmente rouba toda a atenção.
Quando alguém anuncia que está indo para lá, imediatamente pensamos em montanhas, araucárias, frio, chocolate quente, restaurantes, casacos e naquela arquitetura turística tão característica da cidade.
Mas existe uma transformação muito interessante antes de chegar lá.
A paisagem vai mudando.
O terreno ainda relativamente aberto começa a apresentar as montanhas no horizonte.
As pequenas elevações tornam-se maiores.
A estrada começa a serpentear.
E aquela enorme parede natural da Serra da Mantiqueira parece aproximar-se lentamente do carro.
É quase como se a natureza estivesse avisando:
"Daqui para frente, começamos a subir."
👀 Uma pequena terapia para quem vive diante de monitores
Talvez por trabalhar tanto tempo diante de computadores eu tenha desenvolvido uma relação especial com essas paisagens.
Passamos horas olhando para monitores.
Código.
Planilhas.
Documentação.
Terminais.
Janelas.
Mensagens.
Mais janelas.
Mais código.
Mais telas.
Depois de algumas horas, nosso universo inteiro parece ter sido reduzido a algumas dezenas de polegadas.
Então você entra num carro, pega uma estrada e olha pela janela.
De repente, a resolução é infinita.
Não existe pixel.
Não existe refresh rate.
Não existe placa de vídeo.
Existe simplesmente o mundo.
🌿 O verde dos campos.
☁️ As nuvens atravessando lentamente o céu.
🌤️ O azul acima da estrada.
🌳 As árvores.
⛰️ As montanhas aparecendo no horizonte.
E aquela estrada estreita seguindo em direção à serra.
É curioso pensar que nossos olhos foram construídos para enxergar tudo isso e nós os condenamos durante boa parte do dia a olhar para um retângulo luminoso a menos de um metro de distância.
🌬️ E existe uma coisa que o vídeo não consegue gravar
O ar.
Essa é uma das limitações de qualquer registro audiovisual.
Eu consigo guardar a imagem.
Consigo registrar a estrada.
Consigo capturar um pouco do movimento.
Talvez consiga preservar os sons.
Mas ainda não inventaram um botão no YouTube que permita apertar:
[ REPRODUZIR CHEIRO DO CAMPO ]
😄
Porque parte daquela experiência estava justamente ali.
Abrir um pouco a janela e aspirar aquele delicioso ar do interior.
O cheiro da vegetação.
Da terra.
Do campo.
A mudança de temperatura conforme nos aproximávamos da serra.
São informações que a câmera simplesmente não consegue armazenar.
Por enquanto.
🚗 Um vídeo sem compromisso
E talvez seja justamente isso que eu mais goste desse pequeno vídeo.
Ele não pretende ensinar nada.
Não é documentário.
Não é guia turístico.
Não é avaliação da estrada.
Não é review do carro.
Não existe roteiro.
Não existe apresentador gritando para segurar audiência.
É simplesmente a estrada.
Um pequeno fragmento de tempo capturado durante uma viagem familiar.
Eu, Juliana e Formiga seguindo tranquilamente rumo a Campos do Jordão.
O Pretinho avançando pela estrada.
A Serra da Mantiqueira crescendo diante de nós.
E a câmera registrando aquilo que meus olhos estavam vendo.
Só isso.
E isso já era suficiente.
🏃 O mundo está sempre com pressa
Talvez seja uma das coisas que mais percebo quando viajo.
As pessoas estão sempre tentando chegar.
Chegar ao hotel.
Chegar ao restaurante.
Chegar ao parque.
Chegar à atração turística.
Chegar ao próximo compromisso.
Chegar, chegar, chegar.
E nessa obsessão pelo destino, deixam passar justamente aquilo que existe entre dois pontos.
O caminho.
Uma árvore diferente.
Uma montanha.
Uma pequena cidade.
Uma placa com um nome curioso.
Uma propriedade rural.
Um riacho.
Uma igreja perdida no meio do campo.
Uma nuvem enorme.
Uma estrada bonita.
Nada disso estava no roteiro.
Portanto, para muita gente, aparentemente não merece atenção.
Mas este seu aqui sempre teve um pequeno problema:
eu olho.
😂
📹 Então eu aperto REC
Talvez alguém que estivesse conosco perguntasse:
— Mas você está filmando o quê?
E a resposta seria extremamente simples:
A estrada.
— Mas está acontecendo alguma coisa?
Sim.
Estamos viajando.
Estamos vendo o campo.
Estamos juntos.
Estamos indo para algum lugar.
Estamos vivos.
Precisaria acontecer mais alguma coisa?
A câmera não precisa estar ligada somente quando existe uma cachoeira monumental, um acidente, uma festa ou uma atração turística famosa diante dela.
Às vezes vale a pena registrar justamente o ordinário.
Porque existe uma enorme possibilidade de que aquilo que hoje parece ordinário seja justamente o que amanhã despertará nossa memória.
❄️ Sempre imaginei alguém assistindo isso no inverno
Existe ainda outra razão pela qual gosto de deixar esses pequenos vídeos disponíveis.
Às vezes imagino uma pessoa muitos quilômetros distante dali.
Talvez durante um inverno rigoroso.
Presa dentro de casa.
Lá fora está frio.
Talvez esteja chovendo.
Talvez nevando.
O céu está cinza.
As árvores perderam as folhas.
A pessoa abre o computador, entra no YouTube e, por algum daqueles mistérios dos algoritmos, encontra um pequeno vídeo perdido:
BR-383 — de Quiririm até Campos do Jordão.
Clica.
E durante alguns minutos aparece diante dela uma estrada brasileira.
🌿 Campos verdes.
☀️ Sol.
☁️ Nuvens brancas.
🌳 Vegetação.
🚗 Uma estrada seguindo tranquilamente pelo interior de São Paulo.
Talvez essa pessoa nunca tenha ouvido falar de Quiririm.
Talvez não saiba onde fica Taubaté.
Muito menos Pinheirinho ou Tataúba.
Talvez nunca tenha visitado Campos do Jordão.
Não importa.
Durante alguns minutos, aquela tela torna-se uma janela.
🪟 Uma janela para junho de 2016
E existe algo ainda mais curioso nisso tudo.
Hoje posso assistir novamente ao vídeo.
Mas não estou simplesmente vendo uma estrada.
Estou olhando através de uma janela temporal.
Do outro lado dela estão:
Juliana.
Formiga.
Eu.
O Pretinho.
Uma estrada.
Um céu azul.
Um determinado conjunto de nuvens que existiu apenas naquele instante.
Um campo iluminado pelo Sol exatamente daquela maneira.
Nenhuma dessas coisas poderá ser reproduzida exatamente igual.
Podemos voltar à mesma estrada.
Podemos passar novamente por Quiririm.
Podemos seguir outra vez para Campos do Jordão.
Mas aquele momento específico aconteceu uma única vez.
E uma câmera estava ligada.
💾 Talvez seja por isso que continuo guardando essas coisas
Quem trabalha com computadores aprende cedo uma regra fundamental:
aquilo que não foi salvo pode desaparecer.
Talvez eu tenha transportado essa filosofia para a vida.
😂
Um vídeo aqui.
Uma fotografia ali.
Um texto no blog.
Uma lembrança.
Um comentário.
Uma pequena história aparentemente sem importância.
São pequenos backups da existência.
Não guardamos apenas grandes acontecimentos.
Guardamos também uma tarde comum.
Uma viagem de carro.
Uma estrada.
Um campo.
Uma criança no banco traseiro.
Uma conversa qualquer.
Porque ninguém sabe qual dessas pequenas coisas será preciosa daqui a dez, vinte ou trinta anos.
☕ Easter egg Bellacosa Mainframe
Se você chegou até aqui esperando encontrar COBOL numa viagem para Campos do Jordão, sinto informar:
encontrou.
IDENTIFICATION DIVISION.
PROGRAM-ID. ESTRADA.
PROCEDURE DIVISION.
PERFORM UNTIL FIM-DA-VIAGEM
OBSERVE O-CAMINHO
RESPIRE O-AR-DO-CAMPO
GUARDE A-MEMORIA
ENJOY THE RIDE
END-PERFORM.
O programa continua executando.
E espero sinceramente que o FIM-DA-VIAGEM ainda esteja muito longe.
🌄 O destino era Campos do Jordão. A lembrança ficou no caminho.
Campos do Jordão nos esperava mais adiante.
Ainda havia serra para subir.
Curvas.
Montanhas.
Passeios.
Comida.
Diversão.
E provavelmente muitas outras pequenas histórias.
Mas este vídeo ficou dedicado àquilo que quase sempre é esquecido:
o trecho entre a partida e a chegada.
Porque viajar não significa simplesmente sair do ponto A e chegar ao ponto B.
Existe todo um mundo entre eles.
Naquele dia, esse mundo tinha campos verdes, céu azul, nuvens brancas, bairros rurais de Taubaté e a Serra da Mantiqueira surgindo lentamente diante do para-brisa.
Enquanto muita gente passava por ali preocupada apenas em chegar logo a Campos do Jordão, este seu aqui estava olhando pela janela.
E resolveu apertar REC.
Talvez justamente para que, muitos anos depois, alguém pudesse apertar PLAY.
☕ Bellacosa Mainframe — porque memória também merece backup.
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Um pouco confusa a nomenclatura das estradas... mas esta estradinha é federal então tem prefixo BR, mas também estadual e então ja viu SP tbm...
Aqui neste trecho estamos numa região mais plana, podemos ver os montes e colinas, porem não temos grandes aclives, apenas estrada sinuosa e estreita, bem típica dos anos 50.
Gostoso para curtir um final de semana a grande, boa viagem, boa companhia e bom tempo. Tripice qualidades e o pretinho como sempre se dando bem na estrada.