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terça-feira, 15 de março de 2016

📚 O Grande Bestiário da Fantasia : Volume XV Sword Art Online

 

Bellacosa Mainframe e o grande bestiario da fantasia parte xv

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

📚 O Grande Bestiário da Fantasia

Das Revistas Pulp aos Animes Modernos

Volume XV

Sword Art Online

Quando um MMORPG Deixou de Ser Apenas um Mundo... e se Tornou uma Prisão

"Durante décadas, a fantasia perguntava: 'Como derrotar o dragão?'. Os MMORPGs perguntaram: 'Como evoluir seu personagem?'. Sword Art Online fez uma pergunta muito mais assustadora: 'E se você nunca mais pudesse fazer logout?'"


☕ Bellacosa Time Machine

Destino: Japão

Ano: 2002

A Internet está mudando.

Os MMORPGs explodem.

Ultima Online mostrou liberdade.

EverQuest ensinou cooperação.

Ragnarok conquistou o Oriente.

Lineage domina a Coreia.

Final Fantasy XI prova que consoles também podem viver online.

Milhões de jovens passam mais tempo em mundos virtuais do que nas ruas.

Alguns pais se preocupam.

Outros não entendem.

Enquanto isso...

um adolescente chamado Reki Kawahara começa a escrever uma história.

Não sobre um jogo.

Mas sobre...

a possibilidade de uma nova realidade.


O Sonho Antigo da Humanidade

Desde Platão.

Até Matrix.

Existe uma pergunta.

Como distinguir realidade...

de simulação?

Sword Art Online apenas atualiza essa questão.

Com tecnologia.

Realidade Virtual.

Interfaces neurais.

MMORPG.


A Web Novel

Pouca gente lembra.

SAO não nasceu como anime.

Nem como mangá.

Começou como uma Web Novel.

Escrita para um concurso.

Grande demais para ser enviada.

Kawahara decidiu publicá-la gratuitamente na internet.

Sem imaginar...

o fenômeno que criaria.


O NerveGear

Aqui encontramos o elemento revolucionário.

O capacete não controla apenas mãos.

Ele conversa diretamente com o cérebro.

Visão.

Audição.

Tato.

Olfato.

Paladar.

Tudo.

O corpo permanece imóvel.

A mente...

vive em outro lugar.


Aincrad

Talvez o castelo mais famoso dos animes.

Cem andares.

Cada um.

Um ecossistema.

Uma cultura.

Uma arquitetura.

Um desafio.

Não é apenas um cenário.

É um personagem.


Akihiko Kayaba

Um dos antagonistas mais fascinantes dos animes.

Porque...

não deseja dominar o mundo.

Nem dinheiro.

Nem poder político.

Seu sonho é muito mais estranho.

Construir.

Um mundo.

Que realmente exista.


O Primeiro Dia

Milhares entram.

Todos comemoram.

Exploram.

Criam personagens.

Compram equipamentos.

Então...

descobrem.

O botão Logout desapareceu.


A Regra

Morrer no jogo.

É morrer na vida real.

Simples.

Cruel.

Perfeita.


Kirito

Kazuto Kirigaya.

Beta Tester.

Introvertido.

Inteligente.

Mas extremamente humano.

Talvez esse seja o maior mérito.

Ele erra.

Sofre.

Perde amigos.

Culpa-se.

Continua.


O Beater

Beta Tester.

Cheater.

A junção das palavras criou um novo termo.

Beater.

Kirito aceita esse rótulo.

Porque acredita que isso protegerá outros jogadores.


Asuna

Muito mais que interesse romântico.

Líder.

Estrategista.

Espadachim excepcional.

Responsável.

Seu crescimento acompanha o de Kirito.

Ela deixa de ser apenas uma jogadora talentosa para se tornar um dos pilares da comunidade de Aincrad.


As Guildas

Até então.

Guildas significavam organização.

Agora significam...

sobrevivência.

Sem cooperação.

Não existe futuro.


A Linha de Frente

Cada andar conquistado.

Representa semanas.

Às vezes meses.

De planejamento.

Treinamento.

Reconhecimento.

Estratégia.

Não muito diferente de uma grande migração de sistemas críticos.


O Medo

Algo raro nos games.

O medo verdadeiro.

Todo combate importa.

Todo erro pode ser definitivo.

Toda decisão possui consequências.


A Economia Continua Viva

Ferreiros.

Alquimistas.

Comerciantes.

Pescadores.

Artesãos.

Não existem apenas guerreiros.

A sociedade continua funcionando.


Casas

Outro detalhe brilhante.

As pessoas começam...

a decorar casas.

Cultivar jardins.

Criar famílias.

A prisão torna-se...

lar.


Yui

Talvez a personagem mais simbólica.

Uma Inteligência Artificial.

Criada para observar saúde mental.

Mas...

acaba desenvolvendo afeto.

Décadas antes da explosão da IA Generativa.

SAO já discutia.

Consciência artificial.


Heathcliff

Talvez o maior plot twist da série.

Sem spoilers detalhados.

Basta dizer.

Nem sempre o líder...

é apenas um jogador.


O Verdadeiro Tema

Muita gente acredita.

Que SAO fala sobre MMORPG.

Não.

Fala sobre identidade.

Quem somos.

Quando desaparecem.

emprego.

escola.

família.

status.

Dinheiro.

Resta apenas...

a pessoa.


O Que Herdou dos MMORPGs?

Tudo.

Guildas.

Craft.

Raids.

Chefes.

Drops.

Economia.

Mercado.

Profissões.

PvP.

Casamentos.

Casas.

Eventos.

Nada foi inventado.

Foi observado.


O Que Trouxe de Novo?

Consequências.

Antes.

Morrer.

Era inconveniente.

Agora.

É definitivo.

A tensão muda completamente.


O Mundo Não Espera

Enquanto alguns lutam.

Outros cozinham.

Outros pescam.

Outros negociam.

Outros simplesmente...

desistem.

A vida continua.


A Influência Cultural

Depois de SAO.

Explode uma avalanche.

Light Novels.

Animes.

Mangás.

Web Novels.

Jogos.

Isekais.

Realidade Virtual.

Mesmo obras que seguiram caminhos diferentes dialogaram com esse fenômeno, que ampliou enormemente o interesse por mundos virtuais e aventuras em universos inspirados em MMORPGs.


As Críticas

Nenhuma obra importante escapa delas.

Alguns leitores apontam:

ritmo acelerado.

saltos temporais.

desenvolvimento desigual de personagens secundários.

Já outros destacam justamente a capacidade da série de popularizar conceitos complexos de realidade virtual e mundos persistentes para um público muito amplo.


O Futuro Chegou?

Curiosamente.

Quando SAO surgiu.

Parecia impossível.

Hoje discutimos:

Realidade Virtual.

Realidade Aumentada.

Interfaces cérebro-computador.

IA.

Metaverso.

Ainda estamos longe do NerveGear, mas algumas das perguntas levantadas pela obra continuam surpreendentemente atuais.


A Ponte Para os Isekais

Sem Sword Art Online.

A explosão das Web Novels japonesas provavelmente teria seguido um ritmo muito diferente.

Após seu sucesso.

Centenas.

Depois milhares.

De autores começaram a explorar:

renascimento.

mundos paralelos.

RPG.

status.

níveis.

classes.

habilidades.

A fantasia japonesa nunca mais seria a mesma.


Easter Egg do Bellacosa Mainframe

Imagine Kirito chegando ao Data Center de um grande banco.

O operador pergunta:

— Você conhece alta disponibilidade?

Kirito responde:

— Passei dois anos sem conseguir fazer LOGOFF.

O sysprog faz silêncio.

Depois responde:

— Então você entende melhor que muita gente o significado de ambiente de produção.


Curiosidades Que Pouca Gente Conhece

🌐 Tudo começou como uma Web Novel

Antes de conquistar o mundo em anime e mangá, Sword Art Online foi publicado gratuitamente por Reki Kawahara na internet.


🕶 Aincrad é inspirado em MMORPGs reais

A organização por andares, guildas, economia e progressão reflete muitos elementos observados em jogos online das décadas de 1990 e 2000.


⚔ O termo "Beater" nasceu na própria obra

A combinação de Beta Tester com Cheater tornou-se uma expressão marcante dentro do universo de SAO.


🤖 Yui antecipou discussões sobre Inteligência Artificial

Sua existência levanta questões sobre consciência, empatia e vínculos entre humanos e sistemas artificiais.


🌍 SAO redefiniu o mercado das Light Novels

Seu sucesso abriu espaço para uma explosão de obras de fantasia e isekai, influenciando profundamente editoras, estúdios e autores da década de 2010.


Quando a Fantasia Entrou Definitivamente na Era Digital

Robert E. Howard imaginou um bárbaro enfrentando deuses e monstros.

Frank Frazetta deu um rosto inesquecível a esse imaginário.

Dungeons & Dragons transformou leitores em aventureiros.

Record of Lodoss War levou o espírito das campanhas para os animes.

Os MMORPGs criaram mundos persistentes onde milhões de pessoas podiam viver uma segunda vida.

Então surgiu Sword Art Online.

Ele não inventou os níveis, as guildas, os chefes de fase ou as economias virtuais. Tudo isso já existia nos grandes MMORPGs. O que SAO fez foi transformar esses elementos em uma narrativa de sobrevivência, colocando o jogador diante da pergunta definitiva: o que acontece quando o jogo deixa de ser um jogo?

Foi essa mudança de perspectiva que redefiniu a fantasia japonesa do século XXI. A partir dali, o foco deixou de ser apenas explorar mundos imaginários. O verdadeiro tema passou a ser a relação entre tecnologia, identidade, comunidade e realidade.

No próximo volume, nossa máquina do tempo seguirá para uma obra que tomou o caminho oposto. Em vez de mostrar um herói excepcional tentando escapar, ela perguntará como seria administrar uma sociedade inteira quando ninguém mais consegue sair.

Chegou a hora de mergulhar em Overlord, onde o protagonista não luta para voltar ao mundo real. Ele decide permanecer... e construir um império.


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

📚 O Grande Bestiário da Fantasia

Das Revistas Pulp aos Animes Modernos

Uma viagem pelas raízes da fantasia moderna: mitologia, revistas pulp, Robert E. Howard, Conan, Frank Frazetta, RPG, quadrinhos europeus, Dark Fantasy, MMORPGs e a chegada dos grandes animes de fantasia.

17 capítulos disponíveis.

I
As origens

Volume I — Antes de Conan

Uma viagem às raízes da fantasia: Gilgamesh, Beowulf, sagas nórdicas, mitologias antigas, Lord Dunsany, William Morris e Edgar Rice Burroughs.

Ler o Volume I ↗
II
O criador

Volume II — Robert E. Howard

A vida do escritor de Cross Plains que criou Conan, Kull, Solomon Kane, Bran Mak Morn e estabeleceu as fundações da Sword and Sorcery.

Ler o Volume II ↗
III
Era Hiboriana

Volume III — O Universo Conan

A engenharia da Era Hiboriana: reinos, povos, religiões, mapas, civilizações e o primeiro grande world building da fantasia moderna.

Ler o Volume III ↗
IV
Arte fantástica

Volume IV — Frank Frazetta

Como a força, o movimento, as sombras e os monstros de Frazetta definiram visualmente a fantasia que conhecemos.

Ler o Volume IV ↗
V
RPG de mesa

Volume V — Dungeons & Dragons

Quando a fantasia deixou de ser apenas lida e passou a ser vivida por jogadores, mestres, guerreiros, magos e ladrões ao redor de uma mesa.

Ler o Volume V ↗
VI
Quadrinhos europeus

Volume VI — Métal Hurlant

A revista francesa que rompeu fronteiras entre fantasia, ficção científica, surrealismo e narrativa visual.

Ler o Volume VI ↗
VII
Fantasia adulta

Volume VII — Heavy Metal

Quando a fantasia europeia cruzou o Atlântico, ganhou novas vozes e conquistou a cultura pop mundial.

Ler o Volume VII ↗
VIII
Grimdark

Volume VIII — Warhammer Fantasy

O Velho Mundo, os Deuses do Caos, os Skaven e a fantasia sombria onde a vitória do bem nunca é garantida.

Ler o Volume VIII ↗
IX
Dark Fantasy

Volume IX — Berserk

Kentaro Miura reuniu séculos de fantasia, arte europeia, horror, tragédia e guerra em uma das obras mais influentes do mangá.

Ler o Volume IX ↗
X
D&D no Japão

Volume X — Record of Lodoss War

A campanha de RPG que virou romance, mangá e anime, criando uma ponte definitiva entre Dungeons & Dragons e a fantasia japonesa.

Ler o Volume X ↗
XI
Fantasia e humor

Volume XI — Slayers

Lina Inverse demonstrou que a fantasia podia rir dos próprios clichês sem abandonar magia, aventura, perigo e construção de mundo.

Ler o Volume XI ↗
XII
Magia e responsabilidade

Volume XII — Sorcerous Stabber Orphen

Um protagonista cínico, magos imperfeitos e um universo onde magia possui teoria, limites, custos e consequências humanas.

Ler o Volume XII ↗
XIII
Mundos persistentes

Volume XIII — Ultima Online, EverQuest e Ragnarok Online

Os MMORPGs transformaram a fantasia em mundos habitados 24 horas por dia, com guildas, mercados, guerras, profissões e comunidades reais.

Ler o Volume XIII ↗
XIV
Sociedade virtual

Volume XIV — Log Horizon

Um MMORPG deixa de ser apenas um jogo e se transforma em uma civilização com economia, leis, diplomacia, educação e governança.

Ler o Volume XIV ↗
XV
Realidade virtual

Volume XV — Sword Art Online

Quando um MMORPG deixou de ser apenas um mundo virtual e se tornou uma prisão onde perder a partida significava perder a própria vida.

Ler o Volume XV ↗
★
Capítulo especial

As Revistas Pulp

Weird Tales, Amazing Stories, Argosy, Black Mask e outras revistas que publicaram heróis, monstros, detetives e mundos que mudariam a cultura popular para sempre.

Ler o capítulo especial ↗
Ω
Conclusão da série

O Guia Definitivo da Evolução da Fantasia Moderna

O índice final da série, conectando todos os capítulos e revelando como mitologia, pulp, Conan, RPG, quadrinhos, games e animes fazem parte da mesma árvore genealógica.

Ler o guia definitivo ↗
A linhagem

Das tábuas de argila aos mundos virtuais

Mitologias ➜ Revistas Pulp ➜ Conan ➜ Frazetta ➜ D&D ➜ Quadrinhos Europeus ➜ Warhammer ➜ Berserk ➜ Animes ➜ MMORPGs ➜ Isekais

O Grande Bestiário da Fantasia
Uma jornada do papel barato das revistas pulp aos pixels brilhantes dos mundos virtuais.

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segunda-feira, 14 de março de 2016

Itatiba Tempestade final de tarde 14-03-2016

Mais uma tempestade de verão atinge Itatiba.


Estamos na sessão de chuva e hoje para não perder o habito, levamos com mais uma tempestade de verão.



A Camara Municipal e entorno ficaram todas alagadas, transito lento e muita sujeira nas ruas. A enxurrada descendo do engenho em Direcção a SP 360, o ribeirão Jacaré subindo acima do seu nível.

O temor de novos alagamentos é real, a cidade encontra-se no caos da tempestade da semana anterior. Por sorte após quase 90 minutos de chuva, não houve danos maiores, apenas o transito que permaneceu ate quase oito horas da noite.


domingo, 13 de março de 2016

O bondinho indo embora


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🚋 O Bondinho Indo Embora — Uma Máquina do Tempo Sobre Trilhos

Há máquinas que merecem um lugar no museu. Outras merecem continuar trabalhando.

Mais um delicioso final de semana.

Eu, Juliana e o Formiga novamente em um daqueles lugares que, durante muito tempo, funcionaram como nosso pequeno templo sagrado da diversão familiar: o Parque Portugal, em Campinas, muito mais conhecido por todos simplesmente como Lagoa do Taquaral.

Não precisava existir uma grande programação.

Não precisava viajar centenas de quilômetros, reservar hotel ou preparar uma expedição.

Às vezes bastava chegar ao parque, caminhar, olhar as árvores, observar a lagoa, descobrir alguma coisa diferente e deixar o pequeno Formiga decidir qual seria a próxima aventura.

E naquele dia havia uma máquina do tempo esperando por nós.

Ela não tinha painel cheio de luzes.

Não precisava de plutônio.

Muito menos de um capacitor de fluxo.

Tinha trilhos.

Tinha rodas de aço.

E fazia:

Clanc... clanc... clanc...

🚋

Era o bondinho da Lagoa do Taquaral.



🚋 Um pedaço da cidade que se recusou a morrer

Para uma criança, provavelmente aquilo era simplesmente uma coisa muito divertida.

Um veículo diferente.

Entrava-se nele, sentava-se e começava o passeio.

Para um adulto, entretanto, aquele pequeno bonde carregava algo muito maior.

Ele representava uma época em que nossas cidades possuíam uma relação muito diferente com o transporte coletivo.

Antes de ônibus, automóveis e avenidas dominarem definitivamente a paisagem urbana brasileira, os trilhos atravessavam várias de nossas cidades.

Bondes transportavam trabalhadores, estudantes, famílias, comerciantes e todo tipo de passageiro.

Durante décadas fizeram parte da rotina urbana.

Então desapareceram.

Os trilhos foram arrancados ou cobertos.

As redes elétricas desapareceram.

Garagens foram demolidas.

Veículos foram desmontados, abandonados ou transformados em sucata.

Pouco a pouco, aquilo que havia sido absolutamente cotidiano virou curiosidade histórica.

Por isso gosto tanto do que acontece no Taquaral.

Porque aquele bonde não está simplesmente exposto.

Ele ainda trabalha.



🔧 Não é uma peça de museu

Existe uma diferença gigantesca entre preservar uma máquina e simplesmente guardar uma máquina.

Imagine uma locomotiva perfeitamente restaurada dentro de um museu.

Você pode observá-la.

Fotografá-la.

Ler uma placa contando quando foi construída.

Pode olhar para suas rodas, cabine, bancos e instrumentos.

Tudo isso possui enorme valor histórico.

Mas existe outra experiência completamente diferente:

ouvir a máquina funcionando.

Sentir a vibração.

Escutar as rodas passando sobre os trilhos.

Entrar.

Sentar.

E ser transportado por ela.

É exatamente isso que torna o bondinho do Taquaral tão especial para mim.

Ele continua cumprindo a função para a qual aquelas máquinas foram construídas:

transportar pessoas.

Mesmo que seja apenas durante um pequeno circuito dentro de um parque.

Mesmo que hoje seus passageiros estejam ali principalmente para passear.

Durante alguns minutos, aquela tecnologia deixa de ser passado.

Volta a ser presente.

👦 E então entra o Formiga

Para as crianças aquilo naturalmente é fantástico.

Imagine enxergar aquela geringonça pela primeira vez.

Não parece um ônibus.

Não parece um carro.

Não parece exatamente um trem.

Mas anda sobre trilhos.

Você entra e ela começa a se movimentar.

Para quem nasceu em um mundo de automóveis, ônibus e metrôs modernos, existe algo quase mágico naquele veículo antigo caminhando lentamente pelo parque.

E talvez essa seja uma das maneiras mais bonitas de ensinar história.

Sem aula.

Sem prova.

Sem obrigação de decorar datas.

A criança simplesmente entra dentro da história.

Literalmente.

O Formiga podia não saber naquele momento toda a história dos bondes brasileiros.

E não precisava saber.

Primeiro vinha a experiência.

Depois, algum dia, poderia vir a curiosidade.

"Pai, antigamente tinha isso na rua?"

E pronto.

A porta da máquina do tempo estava aberta.

👴 Os adultos fazem outra viagem

As crianças viajam pelo parque.

Os adultos muitas vezes viajam para outro lugar.

Para as histórias dos pais.

Dos avós.

Para fotografias antigas das cidades.

Para aquela São Paulo, Campinas, Santos ou Rio de Janeiro que já não existe mais.

Mesmo quem nunca utilizou regularmente um bonde urbano acaba reconhecendo alguma coisa familiar naquela imagem.

Porque os bondes permaneceram no nosso imaginário.

Nas fotografias.

Nos cartões-postais.

Nas histórias familiares.

Nos filmes.

Nos livros.

E na própria arquitetura das cidades.

Às vezes caminhamos hoje por uma avenida sem imaginar que, décadas atrás, dois trilhos passavam exatamente debaixo de nossos pés.



🚌 Então chegaram os ônibus

A história do transporte urbano mudou.

Os ônibus conquistaram as cidades brasileiras.

Tinham uma vantagem óbvia: não precisavam seguir trilhos.

Uma linha poderia ser alterada.

Um novo bairro poderia ser atendido sem construir quilômetros de infraestrutura ferroviária.

Mas essa flexibilidade também ajudou a construir cidades cada vez mais dependentes de veículos sobre pneus e, durante décadas, de motores queimando combustível pelas ruas.

O velho bonde elétrico acabou parecendo antiquado.

Curiosamente, muitas décadas depois, cidades do mundo inteiro voltariam a investir justamente em sistemas modernos de transporte elétrico sobre trilhos.

Mudaram os nomes.

Mudaram os veículos.

Mudou a tecnologia.

Mas alguns dos princípios continuam surpreendentemente familiares.

Às vezes o futuro possui uma estranha mania de reencontrar o passado.

🏛️ Máquinas precisam funcionar

Talvez seja isso que mais me fascine no Taquaral.

Existe uma oficina.

Existem outros carros.

As composições podem se revezar.

Há manutenção.

Há conhecimento envolvido.

Há pessoas capazes de fazer aquelas máquinas continuarem se movimentando.

Isso transforma o lugar em algo maior que uma exposição.

É uma espécie de museu operacional.

E aqui meu lado de homem de tecnologia inevitavelmente encontra meu lado saudosista.

Porque penso imediatamente nos mainframes.

Podemos colocar um computador antigo dentro de uma vitrine.

Podemos colocar ao lado dele uma placa:

IBM — década de 1960.

Interessante.

Mas imagine poder ligar a máquina.

Ouvir seus componentes.

Carregar um programa.

Executar alguma coisa.

Mostrar para uma pessoa jovem:

"Era assim que funcionava."

A experiência muda completamente.

O conhecimento deixa de ser abstrato.

A máquina fala.

🚋 Pequenas sobrevivências sobre trilhos

Infelizmente experiências desse tipo tornaram-se raras.

Durante algum tempo São Paulo também manteve um pequeno passeio de bonde na região do Museu da Imigração, no complexo da antiga Hospedaria dos Imigrantes.

Santos conseguiu preservar uma experiência ainda mais ampla com seus bondes históricos circulando pelo centro.

E Campinas tem essa pequena preciosidade no Taquaral.

São sobreviventes.

Pequenos fragmentos de uma enorme rede de transporte urbano que existiu no Brasil.

Talvez alguém veja apenas um carrinho antigo dando uma volta num parque.

Eu vejo outra coisa.

Vejo engenharia preservada em movimento.

⏳ Próxima parada: final do século XIX

Entrar em um desses veículos é fazer uma pequena viagem para uma tecnologia que começou a transformar nossas cidades ainda no século XIX e marcou profundamente parte do século XX.

Olhe os bancos.

As janelas.

Os controles.

A estrutura.

O desenho do veículo.

Depois imagine que aquilo não era uma atração turística.

Era transporte público.

Alguém entrava para trabalhar.

Outro passageiro carregava compras.

Uma criança ia para a escola.

Um senhor lia jornal.

Pessoas namoravam.

Discutiam.

Chegavam atrasadas.

Perdiam o bonde.

Aliás...

"Perder o bonde."

A tecnologia desapareceu de grande parte das cidades.

Mas até a expressão ficou.

😂 E talvez esse seja o maior Easter egg

O bonde conseguiu uma façanha maravilhosa.

Foi retirado das ruas, mas permaneceu estacionado dentro da língua portuguesa.

Quem nunca ouviu:

"Fulano perdeu o bonde da história."

Talvez uma criança de hoje use a expressão sem sequer imaginar como era possível literalmente perder um bonde.

No Taquaral ela pode descobrir.

E, dependendo da velocidade das perninhas...

Pode até perder um de verdade.

😂

🎥 O bondinho indo embora

Foi justamente um desses pequenos momentos que registrei.

O bondinho estava indo embora.

Nada extraordinário parecia estar acontecendo.

Nenhum grande acontecimento.

Nenhuma cerimônia.

Nenhuma data histórica.

Era apenas mais um final de semana.

Eu.

Juliana.

Formiga.

O parque.

E um velho bonde seguindo seu caminho pelos trilhos.

Na época aquilo mereceu apenas um pequeno vídeo e algumas linhas neste blog.

Anos depois percebo que havia muito mais naquela cena.

Eu estava registrando três tempos simultaneamente.

O passado, representado pelo bonde.

O presente, representado por nós três observando aquela máquina.

E o futuro, representado por uma criança conhecendo algo que havia pertencido ao cotidiano de seus bisavós.

Talvez seja justamente para isso que servem essas pequenas filmagens aparentemente sem importância.

Nós pensamos que estamos registrando um passeio.

Na verdade estamos construindo memória.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Continuo acreditando que preservar tecnologia é muito mais interessante quando conseguimos mantê-la viva.

Uma locomotiva merece correr.

Um relógio mecânico merece marcar as horas.

Uma máquina de escrever merece escrever.

Um computador antigo merece executar um programa.

E um bonde...

Bem...

um bonde merece transportar passageiros.

Por isso gosto tanto daquela pequena linha dentro da Lagoa do Taquaral.

Durante alguns minutos, crianças descobrem uma tecnologia antiga.

Adultos encontram lembranças que talvez nem sejam propriamente suas, mas herdadas de pais e avós.

E uma velha máquina continua fazendo exatamente aquilo para o qual foi construída.

Transportando pessoas.

Só existe uma diferença.

Antigamente ela transportava passageiros de um ponto da cidade para outro.

Hoje transporta passageiros através do tempo.

🚋 Clanc... clanc... clanc...

Lá vai o bondinho indo embora.

E nós ficamos olhando.

Talvez esperando, sem perceber, a próxima viagem.


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Uma atração divertida.


Para aqueles que não conhecem o parque do Taquaral recomendo vivamente que o visitem. Este parque é fantástico cheio de segredos para serem explorados e descobertos.



Tem um que relembra o passado glorioso dos Bondes Eletricos que percorre boa parte do parque levando os turistas a viajarem ao passado e relembrarem como era o transporte publico no passado.

As crianças deliram ao verem o bondinho passando, os trilhos no parque dão um certo charme e as plataformas estrategicamentes distribuídas permitem um bom passeio.

Os patos no Taquaral

Bellacosa Maifnrame e os patos da Lagoa do Taquaral

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🦆 Os Patos no Taquaral — Um Dia sem Relógio

Um céu azul, um pouco de pão velho e aqueles raros momentos em que ninguém precisava chegar a lugar algum

Era março de 2016.

Naquele dia, eu, Juliana e o pequeno Formiga aproveitamos um daqueles lindos dias de céu azul e sol em Campinas para simplesmente curtir alguns momentos em família no Parque Portugal, o nosso conhecido Parque do Taquaral.

Não havia uma grande missão.

Não havia horário apertado.

Não havia aquela obrigação moderna de transformar cada minuto em alguma coisa produtiva.

Era apenas um passeio.

E talvez justamente por isso tenha se transformado em memória.

Entre as inúmeras brincadeiras daquele dia, havíamos levado de casa um pouco de pão velho para alimentar os patos. Algo extremamente simples, mas que, para uma criança curiosa, podia transformar a margem da lagoa em uma verdadeira expedição.

Formiga estava encantado.

Observava os patos adultos caminhando tranquilamente pelo parque, outros nadando serenamente pela lagoa e, principalmente, os filhotes que apareciam próximos às moitas.

Olhava, acompanhava, perguntava.

Por que eles faziam aquilo?

Para onde estavam indo?

Onde estavam os pequenos?

Eram machos? Eram fêmeas?

A curiosidade infantil tem uma característica maravilhosa: ela consegue transformar aquilo que um adulto já considera parte da paisagem em alguma coisa extraordinária.

Um pato deixa de ser apenas um pato.

Passa a ser uma descoberta.

E então apareceu outro personagem daquela tarde.

O Vagner criança grande.

Porque se existe uma criança observando patos, naturalmente existe a possibilidade de um adulto perfeitamente responsável começar a andar pelo parque fazendo:

— Quá! Quá! Quá!

Formiga se divertia.

Eu imitava os patos.

E o mais engraçado é que alguns deles pareciam ficar curiosos com aquele estranho espécime humano tentando desesperadamente falar a língua deles.

Talvez estivessem pensando:

— Que pato enorme e mal-ajambrado é esse?

Ou talvez:

— Esse aí definitivamente precisa melhorar o sotaque.

Não importa.

Durante alguns minutos, funcionou.

As aves olhavam curiosas, Formiga ria e eu continuava com meu sofisticadíssimo método científico de comunicação interespecífica:

Quá, quá, quá!



Hoje, revendo esse pequeno registro tantos anos depois, percebo que existe algo muito maior escondido naquela brincadeira aparentemente insignificante.

Era um momento de absoluto relaxamento.

Não estávamos correndo contra o relógio.

Não havia compromisso esperando do outro lado do parque.

Não precisávamos terminar rapidamente aquela atividade para começar a próxima.

Podíamos simplesmente ficar ali.

Olhar os patos.

Jogar pedacinhos de pão.

Observar os filhotes.

Responder perguntas.

Inventar outras respostas.

Rir.

E fazer quá-quá para uma ave que provavelmente não estava entendendo absolutamente nada.

Talvez seja justamente esse o verdadeiro luxo que algumas fotografias e vídeos antigos acabam revelando anos depois.

Ter tempo.

Tempo para uma criança observar um pato durante vários minutos.

Tempo para um pai entrar na brincadeira.

Tempo para uma família caminhar pelo parque sem transformar o passeio numa corrida.

Naquele domingo ensolarado de março de 2016, o Parque Portugal não precisava oferecer nenhuma atração extraordinária.

O extraordinário já estava acontecendo.

Juliana estava ali.

Formiga estava descobrindo o mundo.

Eu estava fazendo palhaçada.

Os patos estavam apenas sendo patos.

E ninguém precisava estar em outro lugar.

Dez anos depois, talvez seja essa a parte mais bonita daquele pequeno vídeo.

A câmera registrou os patos.

A memória registrou o resto.
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Mais um vídeo do maluco que pensa que sabe imitar animais...


O Formiga e o seu amigo estão passeando pelo parque do Taquaral em Campinas e encontram este animado grupo de patos.



O lokinho resolve imitar uns patos e deixa o formiga bravo, querendo ir embora para achar o caminho para a orquestra.

Mas os pato lokinho não desiste e tenta com seu qua qua qua chamar a atenção dos patos. Sera que ele ira conseguir?

Orquestra de Campinas

Bellacosa Mainframe e uma  tarde no Parque Portugal na Concha Acústica curtindo a sinfônica municipal

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🎻 Um Domingo com a Orquestra de Campinas

Do barulho das brincadeiras no Taquaral ao silêncio antes do primeiro acorde

Existem aventuras que não precisam de grandes viagens, estradas desconhecidas ou destinos distantes. Às vezes, basta uma tarde de domingo, um parque, uma família e a disposição para apresentar uma coisa nova a uma criança.

Em março de 2016, lá estávamos nós novamente: Juliana, o Formiga e eu, em mais uma daquelas pequenas aventuras familiares que marcaram tantos anos de nossas vidas.

O destino era o Parque do Taquaral, em Campinas.

Primeiro vinha aquilo que qualquer criança entende perfeitamente: correr, brincar, gastar energia, explorar o parque e transformar qualquer espaço disponível em território de aventura.

Mas naquele domingo havia algo mais nos esperando.


🎼 A Orquestra Sinfônica de Campinas.

A Concha Acústica do Taquaral sempre me pareceu um daqueles lugares especiais onde uma coisa extraordinária acontece: a cultura deixa os salões fechados e encontra as pessoas.

Não era necessário vestir terno.

Não era preciso comprar um ingresso caro.

Não havia necessidade de conhecer Beethoven, Mozart, Bach ou Villa-Lobos para sentar, ouvir e simplesmente deixar a música entrar.

Ali, a cultura era verdadeiramente popular porque estava ao alcance de todos.

E isso era exatamente o que queríamos proporcionar ao Formiga.

Juliana e eu procurávamos apresentar ao pequeno um mundo maior do que aquilo que naturalmente chegaria até ele. Queríamos que conhecesse música clássica, instrumentos, orquestras, museus, exposições, natureza, história e tantas outras coisas capazes de alimentar a curiosidade.

Não significava decidir aquilo de que ele deveria gostar quando crescesse.

Muito pelo contrário.

Era oferecer possibilidades.

Ele poderia crescer e gostar de rock, samba, música eletrônica, heavy metal ou qualquer outra coisa. Mas queríamos que soubesse que, em algum lugar daquele imenso universo chamado música, existiam violinos, violoncelos, contrabaixos, flautas, trompetes, percussão e dezenas de músicos trabalhando juntos.

Era preparar aquele pequeno espírito para coisas grandes.

E existe algo quase mágico em apresentar uma orquestra a uma criança.

Pouco antes existe o barulho das brincadeiras.

Então os músicos ocupam seus lugares.

Os instrumentos são preparados.

O público se acomoda.

O maestro aparece.

E durante alguns segundos acontece algo maravilhoso:

silêncio.

Aquele breve silêncio antes do primeiro acorde talvez seja parte da própria música.

Então uma batuta se movimenta e dezenas de pessoas passam a funcionar como se fossem um único organismo.

Naquele momento podíamos explicar ao Formiga algumas coisas, apontar instrumentos e transformar o concerto também em uma pequena aula improvisada.

Mas havia uma lição ainda maior acontecendo diante de nós.

Uma orquestra municipal não produz apenas música.

Ela mantém músicos trabalhando, preserva conhecimento, forma novas plateias e oferece às famílias oportunidades de contato com um patrimônio cultural que atravessou séculos.



Por isso considero a Orquestra Sinfônica de Campinas um dos tesouros da cidade.

E a Concha Acústica do Taquaral representa algo igualmente precioso: um espaço onde cultura erudita pode ser também cultura popular.

Dez anos depois, olhando novamente para aquele pequeno registro de 2016, percebo que muitos daqueles passeios tinham algo em comum.

Pareciam apenas programas divertidos em família.

Mas estávamos fazendo algo muito maior.

Estávamos apresentando o mundo ao Formiga.

Não sabíamos qual música ele escolheria ouvir quando crescesse.

Nosso trabalho era apenas garantir que ele soubesse que a orquestra também existia.

E naquele domingo, entre as brincadeiras no Taquaral e o primeiro movimento da batuta, mais uma pequena porta para esse enorme mundo foi aberta. 🎻

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Um belo programa de domingo...


Levar o pequeno no parque do Taquaral, para correr, brincar e pular, gastando toda a energia acumulada... e depois ao final do dia. Terminar em grande assistindo a orquestra de Campinas.



Recebemos uma bela sessão com uma historia completa onde pude ensinar alguns fundamentos para o pequenino e nos deliciar ouvindo boa musica.

Campinas é uma cidade privilegiada, pois fornece cultura a todos em diversos pontos da cidade.

Lagoa do Taquaral zoeira com as aves aquáticas

Bellacosa Mainframe e as aves aquaticas da Lagoa Taquaral

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌅 Quando os chimpanzés vão embora

Este pequeno vídeo junta-se a tantos outros fragmentos daquele dia agradável que passei com Juliana e o Formiga no Parque Portugal, nossa velha Lagoa do Taquaral.

Não aconteceu nada extraordinário.

E talvez justamente por isso tenha sido extraordinário.

Comemos pastel no lanche da tarde, bebemos água de coco e caldo de cana, caminhamos, rimos, brincamos e fizemos aquilo que às vezes esquecemos de fazer quando nos tornamos adultos:

simplesmente curtimos o momento.

Sem obrigação.

Sem horário apertado.

Sem precisar transformar cada minuto em alguma coisa produtiva.

O pequeno Formiga observava os animais, eu inventava histórias e, naturalmente, começávamos a imaginar o que aquelas aves estariam pensando sobre aquela invasão diária de seres humanos.

Porque existe outra Lagoa do Taquaral que nós quase nunca vemos.

É o Taquaral depois que vamos embora.


🦆 Finalmente os humanos foram embora!

Durante o dia somos milhares.

Crianças correndo.

Adultos conversando.

Bicicletas passando.

Gente caminhando.

Cães latindo.

Fotografias.

Música.

Gritos.

Risadas.

E, evidentemente, alguns humanos especialmente barulhentos — feito chimpanzés fugitivos de algum zoológico imaginário — acabando com a paz dos verdadeiros moradores do parque.

😄

Então chega o final da tarde.

O Sol começa a desaparecer.

Os portões fecham.

Os últimos visitantes caminham em direção à saída.

Os cachorros voltam para casa.

Os gatos procuram outros territórios.

As pessoas começam a pensar no jantar.

E finalmente...

silêncio.

Talvez seja justamente aí que comece o verdadeiro expediente dos moradores do Taquaral.



🌳 O parque depois dos humanos

Quando o ruído da cidade diminui, outros sons voltam a ocupar o espaço.

A água correndo.

As folhas farfalhando sob o vento.

Um galho balançando.

O bater de asas.

O pequeno ruído produzido por uma ave entrando na água.

Aquilo que durante o dia parece apenas cenário volta a ser um ecossistema.

As aves aquáticas deslizam tranquilamente pela superfície da lagoa.

Algumas procuram alimento.

Outras procuram abrigo.

Algumas sobem para galhos mais altos.

Outras desaparecem entre moitas rasteiras.

E certamente existem centenas de pequenos acontecimentos ocorrendo ali enquanto nós estamos em nossas casas completamente alheios a eles.

Para nós, o parque fechou.

Para eles, talvez o parque finalmente tenha aberto.



🏙️ Natureza cercada por concreto

Existe também algo curioso nessa paisagem.

Campinas já foi uma região marcada por fazendas, plantações e grandes extensões rurais.

A cidade cresceu.

Vieram ruas.

Avenidas.

Automóveis.

Prédios.

Condomínios.

E os espigões de concreto passaram a dominar boa parte do horizonte.

Mas dentro dessa enorme estrutura urbana permanecem pequenas ilhas onde fauna e flora continuam dividindo espaço conosco.

A Lagoa do Taquaral é uma delas.

Talvez por isso observar aqueles animais tenha algo de especial.

Não precisamos viajar centenas de quilômetros para encontrar natureza.

Às vezes ela está ali, diante de nós, tentando continuar sua rotina enquanto construímos uma cidade inteira ao redor dela.



💻 Um homem dos bits olhando para o céu

Talvez exista ainda uma pequena contradição pessoal nisso tudo.

Passei grande parte da vida profissional trabalhando com computadores.

Bits.

Bytes.

Memória.

Processadores.

Programas.

Mainframes.

Sistemas nos quais praticamente tudo precisa possuir uma lógica, uma sequência e um propósito.

INPUT → PROCESSAMENTO → OUTPUT

Mas coloque uma ave no céu e toda essa organização desaparece.

Eu adoro vê-las voando livres.

Uma ave cruza o céu e eu frequentemente paro para acompanhar.

Ela não possui JOB.

Não possui JCL.

Não recebeu prioridade do WLM.

Não precisa abrir chamado.

Não existe SLA determinando que esteja em determinado galho às 17h32.

Ela simplesmente...

voa.

E existe algo maravilhosamente libertador nisso.



🌕 A lagoa que continua existindo sem nós

Também gosto de imaginar aquelas aves aquáticas quando a noite chega.

O Sol desaparece atrás das árvores.

A superfície da lagoa escurece.

Em noites de lua cheia, a luz da Lua encontra a água e cria pequenos reflexos enquanto alguma ave atravessa silenciosamente a superfície.

Nenhuma plateia.

Nenhuma câmera.

Nenhum celular.

Nenhum humano dizendo:

— Olha ali!

Apenas a ave.

A água.

As árvores.

O vento.

E a Lua.

Talvez aquele seja um dos momentos mais bonitos do Taquaral.

E quase nenhum de nós está lá para assistir.


☕ O pequeno vídeo que ficou

Em 2016 eu provavelmente não estava pensando em nada disso.

Estávamos apenas nos divertindo.

Juliana, Formiga e eu.

Pastel.

Água de coco.

Caldo de cana.

Patos.

Marrecos.

Brincadeiras.

Um celular registrando alguns segundos de um domingo qualquer.

Dez anos depois, porém, aquele pequeno vídeo tornou-se outra coisa.

Virou um ponteiro para a memória.

Quando olho para ele, não vejo apenas algumas aves reunidas perto da Lagoa do Taquaral.

Consigo reconstruir pedaços daquele dia.

As caminhadas.

As brincadeiras.

As conversas.

O Formiga pequeno.

As bobagens que inventávamos.

O Sol descendo lentamente.

E aquela sensação maravilhosa de não termos absolutamente nenhum lugar mais importante para estar.

Talvez seja justamente para isso que servem esses pequenos registros.

Não para documentar os grandes acontecimentos.

Os grandes acontecimentos normalmente já possuem fotografias, datas e histórias.

São os dias comuns que desaparecem.

Um pastel.

Um copo de caldo de cana.

Uma criança rindo.

Algumas aves na água.

Um pôr do sol.

Por isso aquele vídeo aparentemente insignificante continua aqui.

É mais um pequeno fragmento de um dia que terminou há muitos anos.

O parque fechou.

Nós fomos embora.

A noite chegou.

E imagino que, alguns minutos depois, escondidos entre árvores, galhos e moitas, os verdadeiros habitantes da Lagoa do Taquaral tenham finalmente olhado uns para os outros e pensado:

— Ufa! Os chimpanzés foram embora.

🦆🌙

E então a lagoa voltou a pertencer a eles.

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O clube dos marrecos


Caminhando em Direcção a concha acústica, nos deparamos com varias aves aquáticas reunidas no clubinho... claro que o Formiguinha e seu amigo imaginário não podiam deixar de fazer piada.



Os bichos reunidos aguardando o por do sol, a espera que os humanos chatos retornem as suas casas para enfim descansarem e aproveitarem a merecida paz.

Varias espécimes convivendo e dividindo seu territórios e no jogo do Formiguinha aquilo é a festa dos Patos.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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